sábado, 15 de outubro de 2016

NO MURO, SEM VOTOS

Bernardo Mello Franco

Brejões (BA), Livramento de Nossa Senhora (BA), Seabra (BA), Cabo Frio (RJ), Lençóis Paulista (SP). Os cinco municípios foram os únicos do país a eleger prefeitos da Rede Sustentabilidade, o novo partido de Marina Silva.

Em entrevista à repórter Marina Dias, a ex-senadora admitiu que o desempenho da sigla ficou aquém do esperado. "Não vamos minimizar o fato de que foram apenas cinco prefeituras. Mas não colocamos como principal métrica o resultado eleitoral, ainda que para um partido político ele seja importante", disse.

E qual seria a métrica a ser considerada? "Contribuir para o processo municipal sem instrumentalizar a eleição pensando em 2018", respondeu a ex-senadora, em marinês castiço. "A Rede foi um espaço para a renovação da política", acrescentou.

Mesmo vendo a nova sigla como uma mera incubadora de políticos, é impossível ignorar os fatos. A Rede naufragou em suas principais apostas no ano. No Rio, Alessandro Molon teve apenas 1% dos votos. Em São Paulo, Ricardo Young não chegou a pontuar. Teve menos votos para prefeito que 44 dos 55 vereadores eleitos.

O partido ainda pode marcar um gol de honra em Macapá, onde disputa o segundo turno. Mesmo assim, ficará longe de ocupar o espaço aberto pelo encolhimento do PT e pelo clima de insatisfação com a política.

Na semana passada, oito intelectuais deixaram a sigla em protesto contra o seu "vazio de posicionamentos políticos". "A sociedade brasileira não sabe o que pensa a Rede, nem consegue situá-la no espectro político-ideológico", afirmaram.


Marina contestou a crítica, mas deu certa razão aos dissidentes ao dizer que sua relação com o governo Temer é de "independência" —nem oposição nem situação, muito pelo contrário. Na era do duelo PT x PSDB, ela já teve dificuldade para se viabilizar como terceira via. No novo cenário do país, a insistência em ficar em cima do muro pode ser um passaporte para a irrelevância eleitoral. 

Fonte: Folha de S. Paulo

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