terça-feira, 4 de outubro de 2016

O MAIS NO MESMO, EM ELEIÇÕES QUE NÃO EMPOLGAM MAIS NINGUÉM

Carlos Chagas

Certas eleições costumam ser emblemáticas, daquelas que levam o eleitor a empolgar-se e a indagar “e agora?”, logo depois de encerradas as urnas. Foi diferente quando Getúlio Vargas voltou ao poder através do voto direto, encerrado seu período com um tiro no peito. Jânio Quadros viu-se proclamado vencedor para presidente da República e a conclusão era do que tudo poderia acontecer, como aconteceu até sua renúncia, sete meses depois da posse. Inusitada também foi a eleição de Fernando Collor, completada com seu pedido para sair, um minuto antes de ser saído. A própria eleição de Dilma Rousseff para o segundo mandato não revelou o escândalo que se seguiria, mas logo mostrou ser inevitável o desfecho.

A escolha de presidentes da República presta-se mais a surpresas do que as demais, mesmo admitindo-se o imponderável em outras eleições, como as municipais de ontem.

O desinteresse do eleitorado ficou claro a partir da divulgação das abstenções, não fosse também óbvio o sentimento de repúdio da nação a todos os candidatos, detectado nas campanhas.

Não há nada a esperar dos prefeitos das capitais, eleitos alguns no primeiro turno e outros levando seu desespero para o segundo, no fim do mês.

Sequer a situação mudará com a projeção dessas eleições para 2018, quando um novo presidente emergirá dos computadores. Tanto faz quem será.


O cidadão comum registrará o mais no mesmo, daqui a dois anos, com a confirmação de igual descrédito pelo futuro vencedor. Passou a época do entusiasmo pelos eleitos. Cada um trará o descrédito em sua bagagem, assim como os prefeitos escolhidos ou por escolher. As eleições não empolgam mais ninguém. Até a falta delas. 

Fonte: Tribuna da Internet

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