quarta-feira, 8 de novembro de 2017

CAIXA DOIS MILIONÁRIO

Caixa 2 milionário era operado nas eleições através de agências de publicidade
Pedro do Coutto

Reportagem de Thiago Herdy, O Globo desta segunda feira revela o universo da corrupção através do sistema de caixa dois em campanhas eleitorais, incluindo agências de publicidade que em vários casos funcionaram como operadoras decisivas para prática de corrupção. Era um setor que permanecia nas sombras e que agora foi plenamente iluminado pela reportagem que O Globo publicou com base na delação premiada do marqueteiro Renato Pereira.

Em acordo assinado com a Procuradoria Geral da República, o marqueteiro revelou o uso do caixa dois pela Andrade Gutierrez em favor da eleição de Luiz Fernando Pezão em 2014 para o governo do Rio de Janeiro. Duas agências foram usadas para transferir 5 milhões de reais para o atual ocupante do Palácio Guanabara. Foram a Propeg e a NBS. Não são as únicas. Porque a matéria inclui a participação da CDN na campanha de Martha Suplicy, em São Paulo.

EM FATURAS – O esquema é muito fácil de operar: basta que as agências apresentem faturas sobre trabalhos em relação aos quais, na realidade, não existe comprovação concreta. Os números no papel funcionam para disfarçar desembolsos que não podem vir a tona dentro da lei em vigor. Os valores são debitados por conta de serviços fictícios e que assim tentam escapar à verdadeira prestação das contas eleitorais.

A NBS negou a prática de caixa dois, mas sua negativa colide com as revelações de Renato Pereira, que funcionou na campanha eleitoral relativa às urnas de 2014. O marqueteiro desvendou um capítulo que permanecia obscuro nas disputas eleitorais. As agências de publicidade citadas, de acordo com Thiago Herdy simulavam trabalhos fictícios na busca de ocultar tanto a verdadeira origem quanto o verdadeiro destino das importâncias recebidas e repassadas.

Deixavam, no entanto, de justificar as operações junto à Receita Federal, para não aumentar o pagamento do Imposto de Renda.

COMISSÕES – No percurso entre liberações e repasses ficavam as eternas comissões por serviços de suas especialidades. Registre-se também existirem casos em que agências publicitárias atuaram como entidades de relações públicas e de lobbies extralegais. Além disso, funcionaram também como órgãos de comunicação de empresas que as contratam para colocação de matérias nos jornais e nos sites da internet. Muitas vezes tais tarefas somente se realizam nas prestações de contas mensais e sem resultados concretos. Coisas da política.

Fonte: Tribuna da Internet

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