sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

FALTA O PAÍS

Cristovam Buarque*

Temos um presidente, mas ainda não temos um país

A reação à substituição do comandante do Exército mostra que temos um presidente, mas ainda não temos um país. Imprensa, políticos, opinião pública e militares se surpreendem, porque consideram as FFAA como instância com poder político próprio, separada do Brasil e seus dirigentes, presidente, parlamentares, ministros do supremo, governadores. O próprio presidente Lula reconhece que precisa de boas relações com o Exército, Marinha e a Aeronáutica, o Ministro da Defesa insiste que seu papel é pacificar e retomar estas relações, como se elas não fossem subordinadas às estruturas republicanas.

Este comportamento de temor do poder civil ao poder militar decorre do corporativismo como o país funciona. A reunião do presidente com os comandantes das FFAA pareceu mais um encontro para atender reivindicações da corporação, do que para cobrar obrigações dos militares com o país. Fizemos as FFAA antes de fazer uma nação. Fizemos um Exército que se vê como instância à parte, não parte do Estado Republicano. Esta não é característica apenas das FFAA.

Na véspera da demissão do comandante do Exército, o presidente se reuniu com os reitores de universidades que foram criadas antes de um sistema educacional que atenda ao país, alfabetizando crianças para o mundo contemporâneo. A universidade não tem armas, no mais se relaciona com o resto do Brasil de forma parecida às FFAA: uma entidade separada. Quando reunido com os reitores, Lula ofereceu trazer de volta as condições que o governo anterior negou, só não as asfixiando totalmente graças ao esforço heróico dos reitores, professores, alunos e demais servidores, mas não apresentou a proposta do que o Brasil espera delas para erradicar o analfabetismo de adultos, melhorar a qualidade da educação de base, colocar o Brasil entre os países de ponta na ciência e na tecnologia.

Montamos fábricas de automóveis, antes de uma população com renda suficiente para compor seus produtos. Para viabilizá-las, asseguramos subsídios e concentramos a renda na sociedade, e agora não sabemos como distribui-la, nem como fazer a indústria ser livre do protecionismo. Porque ao longo da história o país tem sido usado para atender aos interesses das corporações organizadas na sociedade, sem um espírito nacional comum. Até os incentivos à agricultura estão voltados para exportar e não para alimentar a população. Somos um celeiro habitado por famintos. Os políticos agem pensando no próprio partido, no próximo mandato e nos seus colégios eleitorais, dentro do horizonte de tempo limitado à próxima eleição. A economia e a sociedade estão organizadas para atender cada segmento no presente, não ao Brasil no futuro.

Temos um presidente de todo o Brasil, mas na verdade preside a soma das corporações, militares e civis, empresários e trabalhadores, partidos e culturas, estados ou municípios. O Lula tem legitimidade para substituir o comandante do Exército, mas ainda nos falta um país que permita fazer as reformas das FFAA, das universidades, da política fiscal, da distribuição estrutural de renda, da educação de base, que continua prisioneira dos municípios e, por ser desigual e sem qualidade, não está servindo para consolidar a nação que unifique os segmentos corporativos. Nada parece indicar a quebra do corporativismo e a chance de termos um país para o presidente governar, acima das corporações.

Não é uma tarefa fácil e vai exigir décadas, mas se o atual presidente não fizer com sua legitimidade, sensibilidade e experiencia, será difícil dar o salto necessário para inventar e construir o país, unindo suas partes em uma nação. Vamos continuar com um presidente e sem um país.

*Cristovam Buarque foi ministro, senador e governador

Fonte: https://www.metropoles.com
O dinheiro em abundância tem um efeito mais congelante do que o gelo. (Sándor Bródy, escritor húngaro)

LUGARES

MURTEN - SUÍÇA
Murten é uma comuna da Suíça, no Cantão Friburgo, com cerca de 5.843 habitantes. Estende-se por uma área de 12,01 km², 486,51 de densidade populacional de 485,51 hab/km². A língua mais falada é o alemão. Wikipédia

MR. MILES


Overbooking: o que nosso correspondente tem a dizer

O sempre adorável Mr. MIles disse, em mensagem enviada à redação, que pretende ver as neves do Brasil durante o inverno. Ele programa uma viagem à São Joaquim para ver o raro fenômeno e para agradar Trashie, sua mascote siberiana. Também vai, um pouco depois, para o refúgio patagônico de seu velho amigo e multiempresário Jaime Trauco Ibañez Cousiño que, embora muito sofisticado, só bebe vinhos em caixas de leite longa vida.
A seguir, a correspondência da semana:

Querido Mr. Miles: acabo de ver, na televisão, a cena chocante em que um médico é arrancado de um avião americano à força. Me deu vontade de ouvir sua opinião imediatamente. Como sei que não é assim, decidi enviar esse email.
Rosa Maria Quintão, por email

Well, my dear: fico orgulhoso por você querer ouvir minha modesta opinião. Vi a cena e fiquei tão inquieto quanto você. Meu único consolo é que, sendo os Estados Unidos uma sociedade tão judicializada e havendo videos das cenas de wrestling vividas pelo passageiro, ele vai processar a aerovia e, without doubt, ganhará pelo menos um Boeing 737-800 para que seus próximos voos tenham, ao menos, seu assento garantido.

However, o overbooking — a prática de vender mais poltronas do que as que existem na aeronave — é legal.

Imoral, mas legal. Se esse tipo de autoritarismo fosse praticado em outras modalidades, haveria grande confusão: espectadores com ingressos numerados em teatros ou cinemas precisariam ter muita sorte; viajantes com hotel reservado iriam acabar no olho da rua; passageiros de trem com assentos marcados terminariam, devastated, nas plataformas das gares.

As empresas aéreas praticam o overbooking porque, in fact, em grande parte dos voos, os passageiros esperados não aparecem. Nesses casos, os viajantes são multados, mas os aviões viajam com alguns lugares vazios — que poderiam, of course, render às companhias alguns — how do you say ?— caraminguás a mais.

Supõe-se que nem todos passageiros estão com pressa ou têm compromissos marcados em seus destinos. Therefore, para evitar reclamações diárias, é comum que, em caso de overbooking, as aéreas oferecem prêmios aos, let's say, "desertores". Ouve-se, com frequência, uma comissária que ofereça dinheiro vivo a quem topar partir no dia seguinte, ou prêmios como promoção à classe executivo and so on. Em caso de voos de longa distância, os prêmios são bastante apetitosos — e vão subindo enquanto ninguém se apresenta. Meu amigo Liam, que ia de Londres para Nairobi com sua mulher e três filhos, for instance, desembarcou a familia inteira quando ganhou cinco novas passagens para o mesmo trecho — garantido-lhe duas férias com safári, ao invés de uma.

Nevertheless, não importa o tamanho do prêmio ou a ausência de premiados. Tirar um passageiro do avião por sorteio é uma decisão deplorável — ainda que os passageiros tivessem acesso às bolinhas e supervisão de uma auditoria independente. O que dizer, darling, de tirá-los à força, tornando-os alvos de uma agressão no mínimo constrangedora?

Aliás, a prática de calar passageiros comprando seu silêncio vem se expandindo. A televisão em frente ao seu assento não funciona? Reclame e receba 100 dólares para aceitar o infortúnio. Sua poltrona não reclina? Mais cem dólares — e não se fala mais no assunto. Já ouvi um amigo de pub contar que sempre torcia para que seu assento fosse brindado com diversas falhas. "Pode ser um negócio rentável.", disse-me ele.

É claro que esse espertinho poderia perfeitamente figurar como funcionário de empresas que, sem qualquer emoção, praticam overbooking. Como me disse, certa vez, a romântica viajante dominicana com quem partilhei momentos agradáveis na ilha de Santorini, "O problema não é sair do avião. É sair do sonho.", comentou, com grande sabedoria.

Fonte: Facebook

FRASES ILUSTRADAS

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

IDOSOS E FAKE NEWS

Meraldo Zisman*

Estudo feito com 203 milhões de usuários do Facebook em quatro países da América Latina — Brasil, Argentina, Colômbia e Chile – indica que os usuários mais velhos saem na frente em compartilhamento de notícias sobre política, fake news e com mensagens de viés ideológico. Reproduzo aqui trecho de artigo da jornalista Thaís Oyama:

“Quando adquiri o meu primeiro computador (um enorme IBM), dada a minha persistência e dificuldades de lidar com esta novidade, escrevi então um artigo, sugerindo que ninguém deveria obter, adquirir, comprar ou ganhar tal equipamento sem antes produzir uma certidão de ser avô, ou avó de netos adolescentes. Tive que contratar um professor de informática para, rudimentarmente e até hoje, manejar a geringonça. Hoje estou mais falante da informática e seus avanços fixos e móveis, mas o sotaque permanece o mesmo como quando tenho de falar outra língua que não seja a materna. A única coisa que incluo, agora, notado é que, as crianças de hoje e jovens utilizam os dedos polegares com destreza encantadora”.

Avento que a Humanidade está dividida em duas épocas: A.C. (antes do computador) e D.C. (depois do computador), a partir da década de 1970, quando inventaram o refrão World Wide Web (www).

O avanço tecnológico das comunicações, que teve origem em 1960, transformou o Mundo. E acrescento: este arrazoado todo foi para tentar chamar a atenção dos envolvidos, segundo noticiam alguns canais de tevê., na afirmativa de que a média de idade dos suspeitos de envolvimento nos recentes episódios do quebra-quebra da nossa Versalhes Tropical (Brasília) é alta em relação à população nacional. Creio que este fato, se verídico, seria um bom indicador de como as mensagens “fake news” podem influenciar os mais velhos, inclusive durante a recente pandemia do coronavírus. Como psicoterapeuta e simples cidadão, já na oitava década de vida, pergunto: estaremos sendo vítimas de novo preconceito denominado de ageísmo: “Visão negativa, aversão e preconceito praticados por pessoas mais velhas”.

Advirto que o novo vocábulo deriva da junção da palavra inglesa “age”, que significa idade e do sufixo -ismo. Esclareço. Anglicismo é um termo ou expressão da língua inglesa adotado por outra língua, seja devido à necessidade de designar objetos ou fenômenos novos, para os quais não existe designação adequada na língua alvo. Quanto ao ageísmo, será talvez interessante que meus colegas Geriatras o estudem mais profundamente e tentem descobrir seu relacionamento com a geração ‘nem-nem’.

Comentário: acho normal que os mais velhos absorvam/repassem mais mensagens digitais porque são mais experientes e generosos, procurando apenas alertar outros cidadãos para certos ‘perigos’ – que, no entanto, infelizmente podem ser fakes…

*Meraldo Zisman – Médico, psicoterapeuta. É um dos primeiros neonatologistas brasileiros. Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha). Vive no Recife (PE). Imortal, pela Academia Recifense de Letras, da Cadeira de número 20, cujo patrono é o escritor Alvaro Ferraz.

Fonte: https://www.chumbogordo.com.br/

A palavra não foi feita para cobrir a verdade, mas sim para dizê-la. (José Martí, poeta cubano)

LUGARES

SÃO PETERSBURG - RÚSSIA
O Hermitage é um museu localizado às margens do rio Neva, em São Petersburgo, na Rússia. É um dos maiores museus de arte do mundo e sua vasta coleção possui itens de praticamente todas as épocas, ... Wikipédia

NÃO TROPECE NA LÍNGUA


USO DA VÍRGULA EM CASO DE VERBO SUBENTENDIDO
Do leitor Francisco Leoncio Cerqueira, de São Paulo, recebi o seguinte comentário: 
Tenho visto com frequência em revistas, jornais e até livros uma pontuação que me parece inadequada e me soa mal. Veja os seguintes exemplos:
  • O gerente ficou mais bonzinho e o motor, mais malvado.
  • A aeronave foi isolada e os passageiros, impedidos de desembarcar.
  • Carro popular fica mais caro e de luxo, mais barato.
  • A esquerda europeia reconhece seus ancestrais e a direita, seus inimigos.
  • A saída para a crise é de longo prazo e a receita, ortodoxa.
  • A empreiteira implodiu o edifício e o ministério, seus opositores. [Pode-se entender que a empreiteira tinha dois opositores – o edifício e o ministério – e os implodiu.]
  • O jornalista desconhece a ortografia e o dicionário, a sintaxe e a pontuação. [Pode-se entender que o jornalista desconhece quatro coisas: ortografia, dicionário, sintaxe e pontuação.]
  • O Planalto fritou o ministro e o cozinheiro, frutos do mar. [sentido ambíguo]
  • O prisioneiro denunciou o amigo e o empresário, seus cúmplices. [idem]
  • O médico atendeu o paciente e a enfermeira, os feridos. [idem]
O que me parece é que os redatores têm receio de colocar a vírgula antes do e. [...] Outra explicação seria a de que a vírgula está substituindo o verbo, oculto por elipse. O que eu aprendi em mil novecentos e antigamente é que a vírgula pode ser usada para indicar a elipse do verbo. Mas neste caso ela não precisa ficar no lugar que seria o do verbo. Acho até mais razoável repetir o verbo, em vez de usar essa pontuação absurda. Na maioria dos casos, para corrigir essa pontuação, basta deslocar a vírgula. Em outros será necessário recorrer a ponto e vírgula ou ponto. Em raros outros, será melhor alterar a própria redação.
É isso aproximadamente que proponho no livro Só Vírgula. Ou seja: há opções de redação. Reitero que não há erro em nenhuma das frases apresentadas acima; no entanto, algumas (as últimas) ficariam melhores com outra pontuação, sem dúvida. 
Considero ainda que em muitos casos basta a vírgula antes do e
  • O carro popular fica mais caro, e o de luxo mais barato.
  • Os liberais ou radicais ficavam sentados à esquerda do orador, e os conservadores à direita.
  • Em 25 de fevereiro de 1975 o governo convocou a V Conferência de Saúde, e em março de 1977 a VI Conferência.
Quando aparece o verbo ser, pode-se pensar até em repeti-lo:
  • O Brasil reúne dois defeitos: o dinheiro é curto (30 mil reais por aluno até os 15 anos) e a distribuição dos valores é heterogênea.
Entretanto, há frases sem a conjunção e entre as duas orações. Aqui é preciso, então, usar o ponto e vírgula no lugar onde estaria o E, para separar com clareza as duas orações. Lamentavelmente não foi o que fez a revista Istoé ao transcrever declaração do ator Murilo Rosa: “A tevê confere visibilidade, o teatro, prestígio.” A transcrição correta e clara seria com um ponto e vírgula no meio da frase: “A tevê confere visibilidade; o teatro, prestígio”.  

Outro mau exemplo sem a conjunção e foi encontrado numa prece: 
  • Torna-me refletido, mas não ranzinza, serviçal, mas não autoritário.
Melhor redação seria esta:
  • Torna-me refletido, mas não ranzinza; serviçal, mas não autoritário.
Fonte: www.linguabrasil.com.br

FRASES ILUSTRADAS

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

ENTENDA COMO 'BADERNA' VIROU SINÔNIMO DE BAGUNÇA

Marcelo Duarte

Fãs da bailarina Marietta Baderna eram os 'badernistas' e faziam bastante barulho

Você viu a lamentável baderna que golpistas fizeram em Brasília há dois domingos, né?

É possível também que tenha ouvido falar que a cantora Anitta apresentou dias atrás um look em homenagem a Marietta Baderna para o Carnaval deste ano.

Então, a essa altura do campeonato, você pode estar se perguntando...

Marcelo, o que a baderna tem a ver com a Baderna?

A italiana Marietta Baderna era uma das maiores bailarinas da Europa. Fazia muito sucesso no corpo de baile do Teatro alla Scalla de Milão.

Em agosto de 1949, aos 21 anos, ela teve que deixar o país por razões políticas e veio para o Rio de Janeiro. Um mês depois, em 29 de setembro, Marietta fez sua estreia em palcos brasileiros e foi celebradíssima.

Acontece que Marietta tinha um comportamento considerado liberal demais para o Brasil. Sua dança era muito sensual. Aprendeu aqui também danças afro-brasileiras e chegou a participar de demonstrações ao ar livre ao lado de escravos, o que escandalizou a sociedade escravista brasileira do século 19.

Por causa disso, Marietta começou a sofrer represálias.

Que tipo de represálias e como reagiu a elas?

Passou a receber papéis secundários, ficava escondida no fundo do palco, coisas assim. Em muitas apresentações, ela nem sequer era escalada.

Logo ficou evidente que a estrela italiana estava sendo deixada de lado. O Jornal do Commercio chegou a fazer uma campanha feroz contra ela. Sua última apresentação pública foi em 1865, aos 37 anos.

Ela morreu em 1892.

Como foi que seu sobrenome virou palavra?

Marietta tinha uma legião de entusiasmados fãs, chamados de "os badernas" ou "badernistas". Quando ela entrava em cena, os seguidores faziam muito barulho e gritavam seu nome freneticamente.

Ao perceberem que Marietta estava sendo boicotada, eles resolveram protestar contra a direção dos teatros também com muita intensidade. O que faziam? Batiam os pés no chão, atrapalhando os espetáculos.

Por causa disso, a partir daí, o sobrenome da bailarina deu origem ao termo que significa confusão, bagunça, desordem. Golpe não.

Fonte: Folha de S. Paulo
Estaremos muito enriquecidos no dia em que forem raros os que têm muito e mais raros os que não têm o bastante. (Nicolai F. Grundtvig, pastor dinamarquês)

LUGARES

VIENA - ÁUSTRIA
O Naturhistorisches Museum ou NHMW é um museu localizado em Viena, Áustria. Sua coleção é disponibilizada em uma área de 8.700 metros quadrados e seu website dispoõe aos seus visitantes um tour virtual pelas suas dependências. Wikipédia

UM ERRO PROVIDENCIAL

Ruy Castro

Todo mundo erra, mas alguns abusam

Outro dia, li numa biografia do escritor inglês Graham Greene que, em crise entre sua fé católica e uma irrefreável tendência à devassidão, Greene tentou se matar. Mas fez tudo errado: bebeu colírio. Como não morreu, decidiu conciliar a fé e a devassidão.

Ninguém erra por querer. O cantor Eddie Fischer, ex-marido de Elizabeth Taylor e pai de Carrie Fischer, acordou meio bleargh e, fazendo confusão com seus comprimidos, tomou com água os dois fones sem fio de seu aparelho de surdez. Já Keith Richards, dos Rolling Stones, cheirou as cinzas do pai achando que fosse cocaína. E o pai de minha amiga Ana Luiza, pensando estar vendo aranhas, matou de chinelo os cílios postiços que ela deixara na mesa.

Em 1989, uma infestação de moscas na famosa Escuela Internacional de Cine y Televisión, de Cuba, criada por cineastas cubanos, argentinos e brasileiros, impedia as aulas. Alguém sugeriu povoar de rãs a escola para comer as moscas. As rãs acabaram com elas, mas reproduziram-se de tal forma que tomaram a escola, infiltrando-se nas salas, gavetas, câmeras, moviolas e até nos armários, camas e tênis dos alunos. Erro brabo.

Em 1927, partindo de Nova York, o aviador Charles Lindbergh pousou em Paris. Era o primeiro voo transatlântico da história e ele foi recebido por uma multidão. Ela ia carregá-lo nos ombros, mas um popular mais afoito arrancou a touca de couro da cabeça de Lindbergh, botou-a na sua própria cabeça e tentou fugir. Quando o viu de touca, a massa confundiu-o com o herói e desfilou-o em triunfo até se dar conta do erro.

Todo mundo erra, mas alguns abusam. Jair Bolsonaro queria se reeleger. Para isso, declarou guerra aos artistas, intelectuais, estudantes, empresários, juristas, cientistas, ambientalistas, vítimas da Covid, jovens, mulheres, gays, indígenas, nordestinos, negros, pobres e o eleitorado em geral. Erro, no caso, providencial.

Fonte: Folha de S. Paulo - 07/08/22

FRASES ILUSTRADAS

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

NEUROCIENTISTA DÁ DICAS DE JOGOS PARA ESTIMULAR O CÉREBRO

Sílvia Haidar

Atividades como a leitura e até o uso de redes sociais podem trazer benefícios

Palavras cruzadas, jogos e até o uso de redes sociais são formas de treinar o cérebro e a cognição.

Analógicos ou digitais, esses estímulos exigem energia da mente para leitura, compreensão e assimilação das informações, explica a bióloga e neurocientista Lívia Ciacci, palestrante do Método Supera, de ginástica para o cérebro.

A seguir, veja dicas de atividades da neurocientista, que destaca os pontos positivos e negativos de cada uma delas.

Palavras cruzadas
Tem diferentes níveis de dificuldade e pode ser encontrado em revistas nas bancas de jornal, na internet e nos aplicativos de celular. Promove um treino de linguagem interessante para estimular o vocabulário e a memória em todas as fases da vida. Com a idade, temos a tendência de perder a habilidade de fluência verbal, então todo exercício de linguagem é bem-vindo para manter o cérebro afiado. No entanto, tem limitações quanto ao efeito de estímulo da capacidade cognitiva, principalmente se a pessoa ficar estagnada em um nível de dificuldade fácil. Também pode ser difícil se a pessoa já tem algum grau de demência.

Xadrez
Desde o primeiro contato com as regras até vencer uma partida, o aprendizado do jogo requer o envolvimento de funções cognitivas complexas, como memória de trabalho, visão espacial, raciocínio abstrato, controle inibitório, planejamento e tomada de decisão. O reforço dessas funções por meio do aprendizado de xadrez vai impactar positivamente em muitas outras atividades diárias que utilizam essas mesmas regiões do cérebro. O ponto negativo é que, por ser um jogo cheio de regras, com diversas peças caracterizadas por movimentos diferentes, o aprendizado depende de dedicação e foco. Tal aprendizado será mais eficaz se houver um professor ou mediador experiente auxiliando.

Leitura
Ser alfabetizado e ler significa construir um circuito novo no cérebro, apto a integrar diversas informações sensoriais para dar significado às palavras. Ter o hábito de fazer leituras em profundidade —livros em papel, textos com vocabulários ricos— fortalece a capacidade de pensar e torna a pessoa cada vez mais apta a aprender e se desenvolver. Quando for ler um texto publicado na internet, fique atento às fontes e à veracidade das informações para não ser vítima de fake news. Procurar assuntos do seu interesse e autores que incentivem o pensamento crítico.

Jogo de damas
Tem regras e dinâmicas um pouco mais simples que o xadrez. Além de existir o jogo físico com baixo custo, está disponível em diversos aplicativos. Trabalha bastante o pensamento flexível e estratégico, uma vez que é necessário planejar as jogadas para prever o que o oponente poderá fazer depois. O problema é que depois de o jogador se acostumar a ele, precisará jogar com pessoas diferentes para que fique mais estimulante.

Ábaco
É um instrumento milenar utilizado para fazer contas. Ajuda a desenvolver agilidade de raciocínio por meio de cálculos matemáticos visuais, e não apenas abstratos como na matemática convencional. O treino com o ábaco promove alterações de plasticidade no cérebro que aumentam a eficiência do processamento de informações em regiões relacionadas visual-espaciais, que consequentemente ampliam o desempenho de diversas outras redes neuronais integradas. É preciso ser persistente para não desistir no primeiro obstáculo e treinar para desvendar o ábaco de forma gradual e assertiva.

Redes sociais
São boas para acompanhar a rotina de familiar e amigos, principalmente os que vivem longe. Também é possível acompanhar causas e se envolver em debates interessantes, estimulando o conhecimento. No entanto, é preciso tomar cuidado com informações falsas propagadas nas redes sociais que, além de desinformar, podem gerar medo e ansiedade. A dinâmica de vídeos curtos e rápidos, por exemplo, coloca o cérebro em constante estado de alerta. Acompanhar o dia a dia de celebridades que parecem levar uma vida perfeita também pode gerar comparações e gatilhos emocionais.

Ginástica para o cérebro
É uma metodologia que organiza os pontos positivos de jogos e atividades que estimulam o cérebro, promovendo práticas em grupo. Os princípios de novidade, variedade e grau de desafio crescente, somados às competências socioemocionais, estimulam as funções cerebrais. Por ser um curso pago, é preciso organizar a agenda para não faltar às aulas.

Fonte: Folha de S. Paulo
Democracia neste país é relativa, mas corrupção é absoluta. (Paulo Brassard)

LUGARES

PARIS - FRANÇA
Paris, a capital da França. A cidade é conhecida por monumentos como a Torre Eiffel e a Catedral de Notre-Dame, dentre outras tantas coisas.

ROMANCE FORENSE

 A juíza que é só uma consumidora...

A juíza liga para uma editora, na tentativa de cancelar a assinatura de uma revista. Apesar do pagamento regular das mensalidades, a entrega da publicação semanal é irregular.

A magistrada espera alguns minutos, ouvindo gravações, até chegar ao atendente vivo. Ele pergunta os dados pessoais da aborrecida cliente, números de seus documentos, endereço, telefones e, inclusive, a profissão.

- Sou juíza - informa corretamente a consumidora.

O atendente tenta insistentemente fazer a cliente desistir do cancelamento.

Inexitosa a insistência, informa, então, que, ”em três dias úteis, nosso setor de auditoria estará entrando em contato com a senhora para estar efetuando o cancelamento!”

A juíza responde ser a editora obrigada a cancelar na hora. Escuta uma fria recusa e rebate incisiva que está dando por cancelado o contrato.

Vem, então, a reação imediata do atendente:

- Não é porque a senhora é juíza que vai ter tratamento diferente, não! Para mim, a senhora é só uma consumidora!

Tranquilamente, a magistrada - que apenas havia se identificado como tal, diante das perguntas do início da ligação - responde:

- E por que eu sou juíza, a lei não se aplica a mim?!

O atendente desliga. A assinatura não é cancelada, as parcelas mensais continuam sendo cobradas no cartão de crédito da ´juíza-só-consumidora´ e a entrega das revistas segue irregular. O caso está em juízo.

Quanto vale esse dano moral?

Fonte: www.espacovital.com.br

FRASES ILUSTRADAS