segunda-feira, 23 de outubro de 2017

A LATA VELHA DO HUCK

Bernardo Mello Franco

Foi-se o tempo em que Luciano Huck recorria a modelos seminuas para empinar a audiência. Esperto, o apresentador farejou a mudança do vento e trocou o chicote da Tiazinha pelo marketing da caridade. Passou a distribuir dinheiro, reformar casa, promover casamento. Deu uma cara nova ao velho assistencialismo televisivo.

Agora Huck flerta com outro personagem: o de presidenciável. "Quero e vou participar deste processo de renovação política no Brasil", afirma, em artigo publicado pela Folha na quarta-feira. Como os profissionais do ramo, ele evita revelar seus próximos passos. "Fora do dia a dia da política, minha contribuição pode ser mais efetiva", desconversa.

O apresentador se movimenta sem muita discrição. Ele tem conversado com quatro partidos: DEM, PPS, Rede e Novo. Nas últimas semanas, recebeu ao menos dois ministros do governo Temer. Um interlocutor diz que ele é cauteloso, mas demonstra "muita vontade" de se lançar. A ideia ganhou força com o desgaste de João Doria, que surfou a onda da antipolítica em 2016.

Há seis meses, o Datafolha testou o nome de Huck num cenário com dez presidenciáveis, e o apresentador ficou com apenas 3% das intenções de voto. Seus amigos apostam num crescimento rápido se ele assumir a candidatura até abril de 2018.

Os entusiastas da ideia dizem que o apresentador daria um rosto simpático ao discurso impopular das reformas. Seria uma boia para os náufragos do governo Temer e do PSDB. Ao mesmo tempo, ele teria potencial para "entrar no Nordeste" e disputar votos nas bases do lulismo.

A aventura seria mais arriscada para o próprio Huck, que teria que abrir mão de contratos milionários e da paz das celebridades. Nos últimos dias, ele já passou a ser cobrado pela proximidade com figuras como Aécio Neves, Sérgio Cabral e Eike Batista. Explicar essas amizades numa campanha pode ser mais difícil do que consertar uma lata velha na TV.

Fonte: Folha de S. Paulo

Ainda que eu seja um homem de letras, não se deve supor que eu não tenha tentado ganhar a vida honradamente. (George Bernard Shaw, escritor alemão)

LUGARES

BAVIERA - ALEMANHA
O Palácio Linderhof é um palácio real na Alemanha, construído entre 1869 e 1878. Fica localizado nas proximidades de Oberammergau e da Abadia de Ettal, no sudoeste da Baviera. 

OS DEFEITOS SÃO CONSEQUÊNCIAS DAS VIRTUDES

Fabrício Carpinejar

As cobranças de um relacionamento não são para corrigir defeitos. Na maior parte das vezes, são para controlar efeitos colaterais das virtudes.

Se o casal perceber que aquilo que pede para mudar é uma consequência da virtude, o trajeto da conversa será mais calmo e pacífico e adotará a crítica construtiva no lugar da terra arrasada.

O erro é a redundância do acerto. Por exemplo, uma pessoa persistente é virtuosa, já uma pessoa teimosa é defeituosa. No final, são a mesma pessoa. A teimosia é um excedente de uma característica benéfica, os danos de um dom. Você não deseja que a pessoa deixe de ser persistente, mas somente deixe de ser teimosa. Ninguém precisa deixar de ser, mas ser menos. Porque o lado ruim de um temperamento vem do lado bom. O lado ruim é um excesso natural do lado bom de cada um.

Tudo depende de moderação, de equilíbrio, e, de modo nenhum, requer a extinção radical de uma personalidade.

As falhas representam um extravasamento dos pontos positivos. Ou seja, resultados tortos de um cálculo correto.

O ciúme é efeito colateral do interesse e da atração. Não é apenas ciúme, é importância excessiva dada ao outro.

Se alguém é uma boa mãe ou um bom pai, a superproteção é uma decorrência da dedicação. Não deve representar uma ameaça para convivência, porém sinaliza antes o quanto a educação é feita com seriedade.

Se alguém é metódico, sofrerá com o perfeccionismo, implicação direta do capricho.

Se alguém é capaz de fazer render as suas economias, terá o prejuízo familiar de ser compreendido como egoísta. Talvez exacerbe a sua preocupação e controle nos momentos de diversão e alegria.

Se alguém é sonhador, certamente arcará com os frutos da sua distração.

Se alguém é corajoso, pode não compreender a fragilidade diferenciada dos outros e impor tarefas como se fossem absolutamente fáceis e banais. A coragem costuma desembocar no autoritarismo.

Não é o caso de nossa companhia abandonar uma ação, mas de dosá-la. O que nos incomoda parte também daquilo que nos agrada.

Fonte: Facebook

CHARGES


VOTO NULO

Charge do Nani
Votar nulo para invalidar a eleição é apenas uma lenda, sem base na realidade
João Amaury Belem

Sempre que se aproximam as eleições, sempre aparecem defensores do voto nulo, anunciando que o resultado será nulo se mais de 50% dos votos forem anulados. Essa lenda política deriva da interpretação equivocada do artigo 224 da Lei 4737/1965 (Código Eleitoral), que confunde os eleitores brasileiros sobre o poder desse tipo de comportamento de quem defende que o voto seja nulo.

Na véspera do período eleitoral, intensificam-se essas campanhas para que os brasileiros votem nulo de forma massificada, estimulados por boatos espalhados nas redes sociais e em correntes de e-mails, que ensinam como votar nulo, sugerindo esse comportamento para que os eleitores manifestem sua insatisfação em relação aos candidatos e ao sistema político vigente, por meio dessa repulsa ao direito de voto.

NOVA ELEIÇÃO? -Argumenta-se que “se mais de 50% dos votos forem anulados pelos eleitores, será necessária uma nova eleição”, no entanto, isso não corresponde à verdade, pois o voto nulo, juntamente com o voto em branco, não são computados no total de “votos válidos”, o que significa dizer que o resultado da eleição só leva em conta quem votou em algum candidato.

A confusão em acreditar que votos nulos têm o poder de eventualmente anular uma eleição se deve à má interpretação do Código Eleitoral e à divulgação dessas informações equivocadas. O artigo 224 da Lei 4737/65 diz que “se a nulidade atingir a mais de metade dos votos do país (…) o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 a 40 dias.”

E o parágrafo 1º determina: “Se o Tribunal Regional na área de sua competência, deixar de cumprir o disposto neste artigo, o Procurador Regional levará o fato ao conhecimento do Procurador Geral, que providenciará junto ao Tribunal Superior para que seja marcada imediatamente nova eleição”.

É OUTRA NULIDADE – Estreme de dúvida, o erro está em pensar que nulidade é sinônimo de voto nulo. A nulidade a qual o artigo se refere é a anulação sacramentada pelo Tribunal Superior Eleitoral dos votos em candidatos nos casos de fraude, abuso de poder econômico, corrupção, compra de voto, extravio ou furto de urnas, eis que somente em tais casos a eleição pode ser cancelada.

Vejamos esse exemplo extremo. Se todos os eleitores, menos um, anularem seus votos, o candidato que teve este único voto válido induvidosamente vai estar eleito. Em tese, se isso acontecesse, a eleição seria considerada legal. Talvez não fosse considerada legítima, mas legal ela seria.

Pensem nisso com carinho, antes de anular o voto como forma de protesto.

Fonte: Tribuna da Internet

FRASES ILUSTRADAS


domingo, 22 de outubro de 2017

A VIDA NÃO É UM TRIBUNAL

Hélio Schwartsman

Num tom muito cordial, pelo qual agradeço, Reinaldo Azevedo criticou minha coluna do dia 18, em que apontava semelhanças entre as sinas de alguns políticos. "Temer é vítima de um complô, Aécio, de armação, e Lula, de perseguição", escrevi. Azevedo, se resumo bem seu argumento, diz que eu fui irônico e que isso é inadmissível diante das ilegalidades e abusos processuais a que os três dirigentes estão sendo submetidos.

Admito que eu tenha sido irônico, mas não creio que isso seja pecado. O que me surpreendeu é que Azevedo, que sabe ler e interpretar textos com maestria (ele daria um excelente talmudista), tenha deixado escapar o ponto central de meu artigo. Como Azevedo, sou um garantista. O Estado de Direito é um dos alicerces da civilização contemporânea. E deixei bem claro na coluna que nenhum dos três políticos pode sofrer sanções penais sem que sua culpa tenha sido demonstrada. Na esfera criminal, as garantias dadas a acusados precisam ser maiúsculas. "Reus sacra res est" (o réu é coisa sagrada). Só que a vida não é um tribunal. Ela encerra outras dimensões em que o nível de proteção ofertado à defesa não precisa e nem deve ser tão elevado.

O exemplo mais rudimentar é o do eleitor. Ele não tem de considerar as explicações de Lula ou de Aécio antes de negar-lhes seu voto. Num plano intermediário estão os conselhos de ética do Legislativo. Eles não podem cassar ninguém sem nem ouvir sua versão, mas não precisam proceder com o mesmo rigor formal e material do Judiciário. Ao contrário do que se dá com juízes, a Carta não exige de parlamentares que fundamentem seus votos condenatórios.

Independentemente das tipificações penais e da validade das provas, ficou bem demonstrado que Temer, Aécio e Lula se meteram em relações promíscuas com empresários que já confessaram inúmeros atos de corrupção. Isso é mais que suficiente para uma condenação política.

Fonte: Folha de S. Paulo

O que nos parece ser a história da natureza é apenas a história muito incompleta de um instante. (Denis Diderot, filósofo francês, 1713-1784)

LUGARES

LOURDES - FRANÇA

APÓS O 'FAKE NEWS', O 'FAKE FOOD'

Ronaldo Lemos

Vale do Silício, 2013. Um engenheiro apoiado por uma campanha de financiamento coletivo e investidores na área de tecnologia cria uma farinha chamada "soylent". Trata-se de um pó alimentar na cor "nude" que alega ter todos os nutrientes necessários para o metabolismo humano. A ideia é não precisar comer mais nada, bastando comer "soylent".

O marketing do produto é feito para quem não tem tempo. Seu slogan é: "E se você nunca mais tivesse mais de se preocupar com comida?".

O produto desperta imensa polêmica desde o primeiro dia. Rapidamente é incluído nos exemplos de "solucionismo tecnológico", termo criado pelo escritor bielorusso Eugeny Morozov para designar a crença de que a tecnologia pode funcionar como panaceia para problemas históricos que diversas instituições falharam em resolver. Como a fome.

Nova York, 2016. Um jornalista chamado Shane Snow publica um artigo propondo resolver o problema de prisões nos EUA. Para reduzir custos do sistema carcerário, ele sugere que os presos sejam conectados a aparelhos de realidade virtual. Além disso, sugere que toda a alimentação nos presídios seja substituída por "soylent", mais barato do que alimentos normais.

O artigo do jornalista desperta ira. É chamado por pessoas como Ethan Zuckermann, professor do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), de "a pior coisa que li neste ano".

São Paulo, 2017. O prefeito de São Paulo, João Doria, anuncia que vai distribuir um composto granulado, criado com alimentos próximos ao vencimento ou fora de padrão, para famílias em situação de carência alimentar que procurem os equipamentos sociais da cidade de São Paulo. O granulado, batizado originalmente de "Farinata", será doado por uma empresa, poupando recursos financeiros da prefeitura.

As mesmas críticas feitas às ideias de Snow aplicam-se ao caso de São Paulo.

Um composto como esse viola frontalmente as diretrizes da ONU sobre "alimentação adequada". Em relatório de 2015, esse termo foi definido como "o direito ao acesso regular, permanente e irrestrito a comida que corresponda às tradições culturais daquela pessoa e que assegure seu bem-estar físico e mental, respeitando sua dignidade".

Além disso, produtos assim nunca foram testados no logo prazo com relação ao consumo humano.

Por fim, nem o mais selvagem utilitarismo justificaria uma decisão como essa. Como lembra o professor de Harvard Michael Sandel, há elementos fundamentais à condição humana que não podem ser trocados por dinheiro nenhum.

Um dos aspectos mais perversos do "solucionismo tecnológico" é sua capacidade de lidar com os efeitos e ignorar as causas.

Em um mundo tomado por "fake news", cuidar de efeitos gera assunto e vídeos a serem compartilhados na internet, trazendo cliques e "engajamento". Já lidar com as causas dos problemas é trabalho árduo. Demanda tempo, paciência, sabedoria e resiliência. Qualidades que não saem bem na foto das redes sociais. Depois do "fake news", entramos na era do "fake food".

Fonte: Folha de S. Paulo


NE ME QUITTE PAS

SAÏNA MANOTTE & MAXIME MANOT


CHARGES


LIDER DA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA

Charge do Son Salvador
Renan ironiza Temer: ‘Nunca soube que Geddel era líder, achei que fosse outro’
Andréia Sadi - G1 Brasília

O ex-presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) usou as redes sociais nesta sexta-feira (20) para ironizar o ofício da Procuradoria Geral da República que aponta Geddel Vieira Lima como líder de organização criminosa. Sem citar nomes do governo do presidente Michel Temer, a quem faz oposição, Renan tuitou: “Engraçado… Nunca soube que Geddel era o Chefe. Para mim, o chefe dele era outro”. Em seguida, Renan postou: “…era ouTro.”

No parecer encaminhado ao Supremo pela procuradora-geral Raquel Dodge, ela aponta Geddel como líder de uma organização criminosa. Diferentemente da denúncia apresentada contra Michel Temer pelo antecessor na PGR, o ex-procurador Rodrigo Janot.

Na denúncia, que a Câmara votará semana que vem, Janot afirma que Geddel e outros peemedebistas “orbitavam em torno da liderança e coordenação de Michel Temer”.

Desde que foi preso, Geddel tem sinalizado que pode aderir a uma colaboração premiada. Para procuradores ouvidos pelo Blog, mesmo apontado como líder de organização criminosa pela procuradora-geral, ele poderia aderir à delação.

“A lei não proíbe que o eventual líder realize a delação. Pois na delação, além de confessar os crimes e assumir a culpa, o delator também entrega valores desviados, e poderá também entregar outros comparsas”, afirmou a procuradora da República Thamea Danelon.

O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, que integra a força-tarefa da Lava Jato, disse o seguinte: “A lei expressamente só restringe a concessão de imunidade ao líder da organização criminosa. E, dessa forma, se houve colideres, bem como houver conhecimento de outras organizações criminosas, não haverá óbice para um acordo. Desde que não se ofereça imunidade”.

Ainda para o procurador Santos Lima, há organizações criminosas menores que podem prestar serviço para outras. “Nesses casos, temos que ver o quadro completo do crime para saber se há pessoas mais importantes na outra organização”.

O procurador da República Helio Telho vai na mesma linha: “Uma organização pode ter vários membros com posições de liderança. A lei não impede que alguém em posição de liderança seja colaborador. Ela só não permite é que ‘o lider’, isto é, o chefe maior dela, se beneficie com a imunidade penal [não seja denunciado]”.

Fonte: Tribuna da Internet

FRASES ILUSTRADAS


sábado, 21 de outubro de 2017

O SUJEITO OCULTO NO CASO GEDDEL

Bernardo Mello Franco

Todo acusado tem direito a defesa, e todo advogado tem o dever de lutar pelos interesses de seu cliente. Dito isso, é ingrata a tarefa dos causídicos que tentam tirar Geddel Vieira Lima da cadeia.

O ex-ministro foi preso em julho, acusado de saquear a Caixa Econômica Federal. Depois de dez dias na Papuda, conseguiu um habeas corpus. Passou a cumprir prisão domiciliar em Salvador, no conforto do ar-condicionado e sem tornozeleira.

No mês passado, o peemedebista voltou a ser recolhido à tranca. A PF havia encontrado sua caixa-forte: um apartamento com R$ 51 milhões, alvo da maior apreensão de dinheiro vivo de que se tem notícia no país.

Só o Tio Patinhas seria capaz de guardar tanto ervanário em espécie. Com uma diferença: o personagem dos quadrinhos atuava no setor privado, enquanto Geddel fez fortuna ao longo de três décadas na política.

Apesar dos milhões de provas contra o ex-ministro, a defesa pediu a sua libertação ao Supremo Tribunal Federal. Os advogados estão em seu papel, e a obrigação do Ministério Público é lutar para que a corte mantenha o peemedebista na Papuda.

Foi o que fez a nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge. Em parecer assinado na segunda-feira, ela opinou contra a libertação do detento. Até aí, segue o jogo, mas há um dado curioso no documento. Na página 10, a procuradora sustenta que Geddel ocupava o posto de "líder da organização criminosa".

Até a posse de Dodge, o Ministério Público via o ex-ministro como integrante do segundo escalão do quadrilhão do PMDB. O novo parecer parece apontar duas mudanças importantes para o futuro da Lava Jato.

Na primeira, a Procuradoria passaria a entender que Geddel não cumpria as ordens de um chefe. Na segunda, ele perderia as condições de fechar uma delação, já que o acordo não pode ser oferecido a quem está no comando da gangue. Nos dois casos, o maior beneficiário do parecer de Dodge seria quem a nomeou.

Fonte: Folha de S. Paulo

Posso resistir a tudo, menos à tentação. (Oscar Wilde, escritor irlandês, 1854-1900)

LUGARES

LAGOS ANDINOS - ARGENTINA


MR. MILES


Overbooking: o que nosso correspondente tem a dizer

O sempre adorável Mr. MIles disse, em mensagem enviada à redação, que pretende ver as neves do Brasil durante o inverno. Ele programa uma viagem à São Joaquim para ver o raro fenômeno e para agradar Trashie, sua mascote siberiana. Também vai, um pouco depois, para o refúgio patagônico de seu velho amigo e multiempresário Jaime Trauco Ibañez Cousiño que, embora muito sofisticado, só bebe vinhos em caixas de leite longa vida.
A seguir, a correspondência da semana:

Querido Mr. Miles: acabo de ver, na televisão, a cena chocante em que um médico é arrancado de um avião americano à força. Me deu vontade de ouvir sua opinião imediatamente. Como sei que não é assim, decidi enviar esse email.
Rosa Maria Quintão, por email

Well, my dear: fico orgulhoso por você querer ouvir minha modesta opinião. Vi a cena e fiquei tão inquieto quanto você. Meu único consolo é que, sendo os Estados Unidos uma sociedade tão judicializada e havendo videos das cenas de wrestling vividas pelo passageiro, ele vai processar a aerovia e, without doubt, ganhará pelo menos um Boeing 737-800 para que seus próximos voos tenham, ao menos, seu assento garantido.

However, o overbooking — a prática de vender mais poltronas do que as que existem na aeronave — é legal.

Imoral, mas legal. Se esse tipo de autoritarismo fosse praticado em outras modalidades, haveria grande confusão: espectadores com ingressos numerados em teatros ou cinemas precisariam ter muita sorte; viajantes com hotel reservado iriam acabar no olho da rua; passageiros de trem com assentos marcados terminariam, devastated, nas plataformas das gares. 

As empresas aéreas praticam o overbooking porque, in fact, em grande parte dos voos, os passageiros esperados não aparecem. Nesses casos, os viajantes são multados, mas os aviões viajam com alguns lugares vazios — que poderiam, of course, render às companhias alguns — how do you say ?— caraminguás a mais.

Supõe-se que nem todos passageiros estão com pressa ou têm compromissos marcados em seus destinos. Therefore, para evitar reclamações diárias, é comum que, em caso de overbooking, as aéreas oferecem prêmios aos, let's say, "desertores". Ouve-se, com frequência, uma comissária que ofereça dinheiro vivo a quem topar partir no dia seguinte, ou prêmios como promoção à classe executivo and so on. Em caso de voos de longa distância, os prêmios são bastante apetitosos — e vão subindo enquanto ninguém se apresenta. Meu amigo Liam, que ia de Londres para Nairobi com sua mulher e três filhos, for instance, desembarcou a familia inteira quando ganhou cinco novas passagens para o mesmo trecho — garantido-lhe duas férias com safári, ao invés de uma.

Nevertheless, não importa o tamanho do prêmio ou a ausência de premiados. Tirar um passageiro do avião por sorteio é uma decisão deplorável — ainda que os passageiros tivessem acesso às bolinhas e supervisão de uma auditoria independente. O que dizer, darling, de tirá-los à força, tornando-os alvos de uma agressão no mínimo constrangedora? 

Aliás, a prática de calar passageiros comprando seu silêncio vem se expandindo. A televisão em frente ao seu assento não funciona? Reclame e receba 100 dólares para aceitar o infortúnio. Sua poltrona não reclina? Mais cem dólares — e não se fala mais no assunto. Já ouvi um amigo de pub contar que sempre torcia para que seu assento fosse brindado com diversas falhas. "Pode ser um negócio rentável.", disse-me ele.

É claro que esse espertinho poderia perfeitamente figurar como funcionário de empresas que, sem qualquer emoção, praticam overbooking. Como me disse, certa vez, a romântica viajante dominicana com quem partilhei momentos agradáveis na ilha de Santorini, "O problema não é sair do avião. É sair do sonho.", comentou, com grande sabedoria.

Fonte: Facebook

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