domingo, 2 de outubro de 2022

EM LOUVOR DO VOTO INÚTIL

Alexandre Schwartsman

… Não a assinei, nem pretendo fazê-lo, assim como não tenho a menor intenção de entregar meu voto, inútil, ao ex-presidente (muito menos ao atual, já adianto). E sequer é pelo lamentável programa econômico, cuja expressão mais recente só revela que nada esqueceram, nem aprenderam com os erros que levaram o país a uma das piores recessões dos últimos 50 anos…

Colegas economistas, a quem respeito, discordam das propostas do PT, mas mesmo assim lançaram recentemente uma carta de apoio ao dito “voto útil” em Luis Inácio Lula da Silva. Não a assinei, nem pretendo fazê-lo, assim como não tenho a menor intenção de entregar meu voto, inútil, ao ex-presidente (muito menos ao atual, já adianto).

E sequer é pelo lamentável programa econômico, cuja expressão mais recente só revela que nada esqueceram, nem aprenderam com os erros que levaram o país a uma das piores recessões dos últimos 50 anos, ainda atribuída às “pautas-bomba” e outras atividades paranormais. Por pior que seja, não é, nem de longe, o motivo da minha recusa.

Não votarei em Lula no primeiro turno, tampouco, se houver, no segundo, porque não estou minimamente convencido das credenciais democráticas do PT, como, inclusive, tive a oportunidade de escrever há cerca de quatro anos, sob circunstâncias não muito distintas das atuais.

No que diz respeito à liberdade de expressão, trata-se do partido que ainda propõe o “controle social da mídia”. Ainda que muitas interpretações possam caber em tal rótulo, deixo aqui a utilizada por Lula há cerca de um ano: “Eu vi como a imprensa destruía o Chávez. Aqui eu vi o que foi feito comigo. Nós vamos ter um compromisso público de que vamos fazer um novo marco regulatório dos meios de comunicação”. Quem quiser que se (auto) engane, mas, não resta dúvida que o propósito da coisa é impedir que a “imprensa destrua o governo”. Super democrático.

A propósito, órgãos de imprensa que criticavam o governo petista foram devidamente rotulados como Partido da Imprensa Golpista por jornalistas a soldo do partido. Ah, e também por deputados do PT, como Emiliano José, em texto devidamente divulgado pela Fundação Perseu Abramo. Da mesma forma que as redes bolsonaristas de hoje, a militância digital da época atacava com gosto a imprensa, ou melhor, “a grande mídia”.

Aliás, se a questão é o assédio a jornalistas, militantes do partido têm o que contar, como a violência verbal sofrida por Miriam Leitão em 2017. Em nota oficial, o partido disse lamentar o ocorrido, afirmando, porém, que: “Não podemos (…) deixar de ressaltar que a Rede Globo, empresa para a qual trabalha a jornalista Miriam Leitão, é, em grande medida, responsável pelo clima de radicalização e até de ódio por que passa o Brasil”. Quem mandou a Miriam trabalhar para a Globo, né?

Se a defesa da liberdade de expressão se limita apenas aos interesses do partido, o respeito às instituições não chega mais longe. Por exemplo, em 2018 o então deputado Wadih Damous defendeu o fechamento do STF (lembra alguém?), centrando fogo, vejam só, no ministro Luiz Roberto Barroso, afirmando: “não foi para isto que esta turma foi colocada lá”, e, continuando, “ou nós enquadramos essa turma ou essa turma vai enterrar de vez a democracia”.

Em sua “autocrítica” oficial, partido lamentou apenas: (a) “priorizar ‘o pacto pluriclassista’ que permitiu a vitória de Lula em 2002; (b) “não ‘impedir a sabotagem conservadora nas estruturas de mando da Polícia Federal e do Ministério Público’”; (c) não “modificar os currículos das academias militares e de promover oficiais com compromisso democrático e nacionalista”; e (d) não “redimensionar sensivelmente a distribuição de verbas publicitárias para os monopólios da informação (sic)”.

Dito de outra forma, se algum arrependimento houve foi o de não avançar no aparelhamento das instituições de estado a favor dos interesses do partido, um primor de compromisso democrático.

E, finalizando, não nos esqueçamos do “mensalão”. Sei bem que hoje isto é considerado café pequeno perto do orçamento secreto, mas continuo sem entender como um erro justifica outro. O partido nada viu de censurável em corromper o Congresso para se manter no poder, tanto que repetiu a dose com o “petrolão”.

Faço questão que meu voto vá pra quem tem comprometimento com a democracia, o que, de cara, exclui os dois líderes das pesquisas. Pode ser inútil, mas dormirei bem à noite.

Fonte: Folha de S. Paulo - 30/09/2022

O CASO DO CAVALO VERDE

Fernando Albrecht
Entre as pegadinhas célebres feitas no passado envolvendo o símbolo máximo do gaúcho, o cavalo, está o causo do cavalo verde. O jornalista Justino Martins, da revista Manchete, já dizia nos anos 1960 que o sonho do gaúcho era ser cavalo ou avião da Varig. Bueno, só causo.

Um veterinário que estava de plantão no Hospital Veterinário recebeu um telefonema aflito. Qual seria o problema?

– É que meu cavalo está ficando verde.

– Como assim, verde? No pelo?

– Não só no pelo. Está passando para mim, que Deus e o senhor me ajudem!

A essa altura, o veterinário tinha toda sua atenção. Quis mais detalhes.

– Pois é, doutor. Começou pelas patas depois minhas botas ficaram verdes, depois foram minhas pernas, roupas e depois todo o corpo. Como pode isso?

– Realmente, nunca tinha visto coisa igual. Passe seu endereço que vou lá ver o que se trata.

– Pois não. Meu nome é Marechal Osório. Eu e meu cavalo estamos na Praça da Alfândega. Restamos lá 24 horas por dia.

Fonte: https://fernandoalbrecht.blog.br
Ao contrário do que se diz, pode-se enganar a muitos durante muito tempo. (James Thurber)

LUGARES

ORTIGIA - ITÁLIA
Ortígia é uma pequena ilha italiana onde se encontra o centro histórico de Siracusa, Sicília. Segundo a lenda, recebeu o nome de Ortígia quando os deuses a deram a Ártemis; as ninfas da ilha fizeram brotar a fonte de Aretusa para agradar Ártemis. Wikipédia

FREDDIE MERCURY AND MONTSERRAT CABALLE

HOW CAN I GON ON
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FRASES ILUSTRADAS

sábado, 1 de outubro de 2022

CUIDAR DOS PAIS

Valter Hugo Mãe

A minha mãe é a minha filha. Preciso de lhe dizer que chega de bolo de chocolate, chega de café ou de andar à pressa. Vai engordar, vai ficar eléctrica, vai começar a doer-lhe a perna esquerda.

Cuido dos seus mimos. Gosto de lhe oferecer uma carteira nova e presto muita atenção aos lenços bonitos que ela deita ao pescoço e lhe dão um ar floral, vivo, uma espécie de elemento líquido que lhe refresca a idade. Escolho apenas cores claras, vivas. Zango-me com as moças das lojas que discursam acerca do adequado para a idade. Recuso essas convenções que enlutam os mais velhos. A minha mãe, que é a minha filha, fica bem de branco, vermelho, gosto de a ver de amarelo-torrado, um azul de céu ou verde. Algumas lojas conhecem-me. Mostram-me as novidades. Encontro pessoas que sentem uma alegria bonita em me ajudar. Aniversários ou Natal, a Primavera ou só um fim-de-semana fora, servem para que me lembre de trazer um presente. Pais e filhos são perfeitos para presentes. Eu daria todos os melhores presentes à minha mãe.

Rabujo igual aos que amam. Quando amamos, temos urgência em proteger, por isso somos mais do que sinaleiros, apontando, assobiando, mais do que árbitros, fiscalizando para que tudo seja certo, seguro. E rabujamos porque as pessoas amadas erram, têm caprichos, gostam de si com desconfiança, como creio que é normal gostarmos todos de nós mesmos. Aos pais e aos filhos tendemos a amar incondicionalmente mas com medo. Um amigo dizia que entendeu o pânico depois de nascer o seu primeiro filho. Temia pelo azedo do leite, pelas correntes de ar, pelo carreiro das formigas, temia muito que houvesse um órgão interno, discreto, que disfuncionasse e fizesse o seu filho apagar. Quem ama pensa em todos os perigos e desconta o tempo com martelo pesado. Os que amam sem esta factura não amam ainda. Passeiam nos afectos. É outra coisa.

Ficar para tio parece obrigar-nos a uma inversão destes papéis a dada altura. Quase ouço as minhas irmãs dizerem: não casaste, agora tomas conta da mãe e mais destas coisas. Se a luz está paga, a água, refilar porque está tudo caro, há uma porta que fecha mal, estiveram uns homens esquisitos à porta, a senhora da mercearia não deu o troco certo, o cão ladra mais do que devia, era preciso irmos à aldeia ver assuntos e as pessoas. Quem não casa deixa de ter irmãos. Só tem patrões. Viramos uma central de atendimento ao público. Porque nos ligam para saber se está tudo bem, que é o mesmo que perguntar acerca da nossa competência e responsabilizar-nos mais ainda. Como se o amor tivesse agentes. Cupidos que, ao invés de flechas, usam telefones. E, depois, espantam-se: ah, eu pensei que isso já tinha passado, pensei que estava arranjado, naquele dia achei que a doutora já anunciara a cura, eu até fiz uma sopa, no mês passado até fomos de carro ao Porto, jantámos em modo fino e tudo.

Quando passamos a ser pais das nossas mães, tornamo-nos exigentes e cansamo-nos por tudo. Ao contrário de quem é pai de filhas, nós corremos absolutamente contra o tempo, o corpo, os preconceitos, as cores adequadas para a idade. Somos centrais telefónicas aflitas.

Queremos sempre que chegue a Primavera, o Verão, que haja sol e aqueçam os dias, para descermos à marginal a ver as pessoas que também se arrastam por cães pequenos. Só gostamos de quem tem cães pequenos. Odiamos bicharocos grotescos tratados como seres delicados. O nosso Crisóstomo, que é lingrinhas, corre sempre perigo com cães musculados que as pessoas insistem em garantir que não fazem mal a uma mosca. Deitam-nos as patas ao peito e atiram-nos ao chão, as filhas que são mães podem cair e partir os ossos da bacia. Porque temos bacias dentro do corpo. Somos todos estranhos. Passeamos estranhos com os cães na marginal e o que nos aproveita mesmo é o sol. A minha mãe adora sol. Melhora de tudo. Com os seus lenços como coisas líquidas e cristalinas ao pescoço, ela fica lindíssima. E isso compensa. Recompensa.

Comemos o sol. Somos, sem grande segredo, seres que comem o sol. Por isso, entre as angústias, sorrimos.

Falemos sempre de qualquer pessoa como se ela estivesse presente. (Chiara Lubich)

LUGARES

TRENTINO ALTO-ÁDIGE - ITÁLIA

O Trentino-Alto Ádige é uma região situada no extremo norte da Itália. Tem mais de um milhão de habitantes e uma área de 13 607 km². A capital é Trento. Wikipédia

QUANDO VIAJAR É PERIGOSO

Por Janer Cristaldo
Em uma discussão no Facebook, ouvi de uma conterrânea uma frase curiosa: viajar é perigoso. Dado o contexto – discutíamos questões de Dom Pedrito -, a moça não falava dos riscos usuais de uma viagem, tipo queda de avião, doença no estrangeiro, roubo, perda de bagagens. Nada disso. A moça se referia ao risco de o viajante adquirir senso crítico. Ora, esta é a mais nobre motivação de uma viagem.

A frase que vou citar é de Chesterton e nada tem de novo para quem me acompanha: não se conhece uma catedral permanecendo dentro dela. Você não conhece seu país se dele não sair. Muito menos sua cidade. Para mim, sair do Brasil foi fundamental para conhecer o Brasil. O homem não conhece exatamente valorando. O homem só conhece comparando.

Viajar ilustra, costuma dizer-se. É verdade, embora haja pessoas que podem dar voltas ao mundo e não vão aprender nada. Mas o mais inculto dos viajantes – mesmo aquele que só viaja em excursões - tem olhos, e olhos servem para ver. Digamos que alguém vá a Paris, Londres ou Estocolmo. Ao pegar um ônibus urbano, pode ocorrer que pegue um daqueles que inclinam um lado para o passageiro subir. Por mais curto que este alguém seja, vai perceber que há países onde o ônibus se inclina para facilitar seu embarque. Então surge a pergunta: por que em meu país os ônibus não se inclinam para que eu suba?

Quando voltei da Suécia, em 72, fui convidado para uma entrevista na televisão pelo jornalista Ernani Bês. Fui à emissora, fiquei esperando em uma sala, o programa entrou no ar e nada de ser chamado. Perguntei o que estava ocorrendo.

- É a policial federal. Há dois agentes aqui que não querem tua entrevista.

Fui falar com os policiais. Qual é a restrição? Não sou comunista, não vou falar de socialismo nem países socialistas, a entrevista é sobre a Suécia.

- Você não pode comparar.

Estavam ali para proibir qualquer comparação entre Suécia e Brasil. Que não se preocupassem. Eu pretendia falar apenas da Suécia. A entrevista finalmente saiu e as comparações – inevitáveis – ficaram com o telespectador. Se eu dizia que todo cidadão sueco pagava até quinze coroas em medicamentos – o que fosse além das quinze era subsidiado pelo Estado – é claro que lá do outro lado da tela o brasileiro se perguntava: e por que eu tenho de pagar tudo?

Comparar também é perigoso.

Nos anos 70, o que mais atraía turistas à Suécia era a propalada liberdade sexual, divulgada até mesmo por instituições oficiais para atrair mão-de-obra imigrante ao país. A Suécia foi o primeiro país europeu a liberar a pornografia e era procurada pelos liveshows, espetáculos em que atores faziam sexo em um teatro e os assistentes eram muitas vezes convidados a participar da festa. (Aqui no Brasil, livrinho sueco dava cadeia, como se constituísse uma ameaça às instituições do país). Além da pornografia, o bem-estar da social-democracia nórdica era sua segunda marca registrada. Mas não foi a pornografia nem o bem-estar social o que mais me marcou na Suécia. E sim um pequeno incidente do cotidiano.

Fui postar uma carta. Na fenda de uma caixa automática, pus uma moeda de duas coroas. Em vez de uma cartela com selos, recebi de volta um impresso com um pedido de desculpas. Não havia mais selos na caixa. Para recuperar minhas coroas - ou os selos - teria de telefonar para um número X.

Decidi pagar para ver. Estava na Suécia há menos de um mês e falava o sueco precariamente. Os problemas começaram com meu nome, que na língua lá deles se pronuncia Ianér. Do outro lado da linha, uma voz me pediu para soletrá-lo. E como é que diz jota em sueco? Pacientemente, a moça aventou outras palavras. Confirmei a letra que, descobri então, pronunciava-se "ií". Mas o pior estava por vir. Eu morava na Öregrundsgatan, informação que tampouco foi fácil de passar. Muito bem - disse a moça - amanhã, às 11hs, o senhor receberá o equivalente, em selos, a duas coroas. O senhor prefere a série do rei ou a série da ponte?

Recém-chegado naquelas bandas, apenas balbuciando o idioma local, eu preferia mesmo era piedade. Qualquer uma, respondi. Dia seguinte, mal passavam dois ou três minutos das onze, o carteiro enfia um envelope em minha porta. Nele vinham os selos, série do rei, com um compungido pedido de desculpas dos Correios.

Estou na Europa! - pensei, incrédulo. Este terá sido o episódio mais marcante de meus dias de Suécia. Lá, o Estado respeitava os direitos mínimos do cidadão. Um ano depois, encerradas minhas deambulações por aqueles nortes, voltei ao Brasil. Em Porto Alegre, fui telefonar de um orelhão e a máquina engoliu a ficha. Chamei a CRT, expliquei o caso, perguntei como devia fazer para telefonar. Ora, ponha outra ficha - me respondeu a moça.

Subi em meus tamancos. Eu quero a minha ficha de volta. A moça disse nada poder fazer. Pedi para falar com seu superior. Ela me passou alguém que também me sugeriu pôr outra ficha. Respondi que não pretendia pôr ficha nenhuma, queria a minha de volta, etc., pedi falar para com seu superior, falei com outro superior, repetiu-se toda a lenga-lenga e esta terceira e última instância me bateu o telefone na cara. Indignado, fui à televisão reivindicar meus direitos. O próprio jornalista que comentou o fato deveria estar pensando que eu havia voltado pirado da Escandinávia, contaminado talvez por alguma escandinavite aguda.

Nada disso. Eu havia vivido em um país onde o cidadão era respeitado. Para um brasileiro, isto era mais marcante que qualquer liveshow. Não por acaso, os países socialistas proibiam seus cidadãos de viajar à Europa ocidental. O viajante voltaria comparando.

Por que um operário, alemão como eu e meu vizinho - perguntava-se o alemão oriental - pode comprar na hora um Mercedes e eu tenho de esperar cinco anos para comprar um Trabant? Por que os dentistas usam anestesia em outros países, enquanto eu tenho de extrair dentes sem anestesia? Por que as universidades européias têm máquinas de xerox à disposição dos alunos e eu tenho de registrar na polícia até mesmo uma máquina datilográfica? Estas notícias não chegavam apenas a partir das viagens de ocidentais a seus parentes do outro lado, mas também através da televisão e do rádio que conseguiam burlar fronteiras. Os soviéticos consideravam um perigo viajar. E por isso proibiam as viagens.

Mais tarde ocorreu o inverso. O PC português, por exemplo, proibia seus militantes de ir a Moscou. Ao voltar, eles nada queriam saber com o comunismo.

De fato, viajar é perigoso. Viajar leva a comparar. E comparar leva a pensar. Melhor ficar em Dom Pedrito.

FRASES ILUSTRADAS

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

A SITUAÇÃO DO ENSINO NO BRASIL EM ESTADO DE COMA

Por Francisco Bend
Por que a diferença de qualidade do ensino público para o privado? Os professores da rede pública ganham praticamente o mesmo salário dos professores que ensinam em escolas particulares atualmente, então não reside no professor a causa do ensino pago ser melhor, razão pela qual somos obrigados a pesquisar com mais profundidade os motivos que levaram a este desnível.

Ora, o ensino no Brasil remonta à sua descoberta, quando os padres católicos iniciaram a catequese com os índios e inauguração de escolas para os filhos dos imigrantes e das famílias mais abonadas que vinham para o Brasil enriquecer.

A partir do momento que o Império passou a construir escolas públicas, estas jamais tiveram o mesmo ambiente escolar, as mesmas construções, bibliotecas, a tradição no ensino que os padres trouxeram de várias partes da Europa, e não somente de Portugal.

Portanto, há séculos, a escola particular se notabiliza pela organização, e, na sua maior parte, pertence a grupos religiosos que usam da disciplina e metodologia interna métodos de aprendizado inexistentes na escola aberta, além de os investimentos na área educacional por parte do governo serem desviados de seus objetivos e para onde haviam sido locados inicialmente.

BRIZOLA E DARCY

Por outro lado, sabemos que educar o povo nunca foi meta de governo algum, com exceção do projeto de Brizola e Darcy Ribeiro, os CIEPS, que ministravam a carga horária de ensino, mas também propiciavam tempo integral às crianças, retirando-as das ruas e protegendo-as das más influências e de ambientes negativos.

Por exemplo, as agressões a professores não existem nos colégios pagos, enquanto que, nos públicos, diariamente a imprensa veicula notícias sobre esta falta de educação e respeito para com os mestres.

Portanto, a educação chegou a níveis tão deteriorados e por culpa dos governos, que até os pais deveriam voltar a frequentar o ambiente escolar e aprender a reverenciar quem ensina seus filhos!

O próprio povo não dá valor ao ensino, vamos ser realistas. O Bolsa-Família demonstra que o interesse é pela doação, e não pelo aprimoramento profissional, intelectual e da mão de obra especializada.

MANIPULAÇÃO

O governo conseguiu depois de décadas de ensino deficiente, comandar o povo conforme a sua vontade e interesse, manipulando-o vergonhosa e despudoradamente. Em consequência, os pais transmitem aos seus filhos o mesmo descaso e desvalorização ao estudo, mas os obrigam a pedir esmolas e conseguirem qualquer trabalho que renda alguns tostões para ajudarem em casa, ou seja, o mesmo meio em que vivem de pobreza e de dependência das benesses do governo será o mesmo às crianças pela falta de tradição e costume, apelo e desejo, de se instruírem, de progredirem, de se desenvolverem.

O resultado se expressa nos programas de TV, na ausência de leitura, de não se ler jornais, revistas, e do descaso pela situação política e social do País, importando tão somente a diversão, no caso, futebol, carnaval, o churrasquinho fim de semana regado a boas cervejas geladas. E o futuro, a Deus pertence!

Eu afirmaria que não bastariam pesados investimentos na área educacional se não vierem acompanhados de programas de valorização do estudo estensivos aos pais, de modo que incentivem seus filhos a estudar, apesar dos exemplos nada edificantes de nossas autoridades e, na maioria das vezes, do próprio ambiente familiar, lamentavelmente.
Seria presunção pensar que aquilo que sabemos não é acessível à maioria dos outros homens. (Konrad Lorenz)

LUGARES

BAVIERA - ALEMANHA

O Castelo de Neuschwanstein (em alemão, Schloss Neuschwanstein) é um palácio alemão construído na segunda metade do século XIX, perto das cidades de Hohenschwangau e Füssen, no sudoeste da Baviera, a escassas dezenas de quilómetros da fronteira com a Áustria. Foi construído por Luís II da Baviera no século XIX, inspirado na obra de seu amigo e protegido, o grande compositor Richard Wagner. A arquitectura do castelo possui um estilo fantástico, o qual serviu de inspiração ao "Castelo da Bela Adormecida", símbolo dos estúdios Disney. Apesar de não ser permitido fotografar o seu interior, é um dos edifícios mais fotografados da Alemanha e um dos mais populares destinos turísticos europeus, além de também ser considerado o "cartão postal" daquele país. O nome Neuschwanstein é uma referência ao "cavaleiro do Cisne", Lohengrin, da ópera com o mesmo nome. (Wikipédia)

MR. MILES


O homem que visitou 312 países

Ainda da Ásia, mas agora da Indonésia, onde tem outro afilhado aniversariando, nosso incansável viajante manda as noticias desta semana:

Gostaria de saber se O Homem mais viajado do mundo parou de viajar, pois sempre que leio sua coluna, vejo que ele esteve em 183 países e 16 territórios ultramarinos. Não muda nunca?
Roque Risarto, por email

Well, my friend: atendendo ao seu pedido e ao de muitos outros leitores que não compreenderam minhas respostas anteriores, vou atualizar o número de países que visitei: foram 312!. Sim: são muito mais do que os países atualmente existentes. Tomei a liberdade, if you don't mind, de incluir países que já existiram várias vezes em realidades diferentes. Por exemplo: fui ao Zimbabwe e à Rodésia; ao Alto Volta e à Burkina Faso; à Iugoslávia e à Sérvia, a Birmânia e à Mianmá, o Ceilão e Sri Lanka and so on. Foram várias dezenas de países que tive o prazer de visitar em situações diferentes. Geograficamente, eles ficam no mesmo lugar (com ligeiras variações), mas visitar um deles foi uma experiência diferente do que visitar o outro. Do you know what I mean?

As condições políticas, institucionais, sociais e demográficas mudaram do mesmo modo que os países mudaram de mandantes. A população, quase sempre, permaneceu a mesma, mas mesmo ela, however, sofreu mudanças de status — para pior ou para melhor —, que, for sure, justificaram meu retorno, com alegrias e decepções.

Vou assumir, agora, esse número, para evitar questionamentos futuros. Mesmo ele talvez tenha algum erro, porque, apesar de minha memória e minha coleção de 36 tomos de passaportes encadernados, é possível que eu tenha esquecido de alguma passagem, já que, as you know, minha vida é viajar.

Relembro que comecei cedo, depois que herdei inesperada fortuna de uma contraparente que jamais cheguei a conhecer.: Shame on me: imprevidente, gastei tudo. Mas, at least, gastei meu dinheiro com o que deve ser gastado. Conhecendo e ganhando, dia a dia, mais tolerância e discernimento. Anos mais tarde, contudo, eu já havia me tornado sócio-remido de oito programas internacionais de milhagem que me permitem, ainda hoje, viajar quando quero pelo planeta. Também fiz, thank God, inúmeros amigos, padrinhos e compadres no mundo dos hotéis, pousadas e restaurantes — razão pela qual, como muitos sabem, jamais forneço dicas pontuais, de modo a não magoar pessoas queridas around the world.

Não sou um colecionador de países e nem ponho agulhas em mapas para registrar minha passagem — um episódio, by the way, irrelevante para as outras pessoas.

O número que consta dessa coluna era apenas uma ficção para dar noção de grandeza — e foi, of course, inúmeras vezes contestado por queridos viajantes que estiveram em uma quantidade ainda maior de lugares.

Quero lembrar que esse número só surgiu, nos anos 60, quando fui entevistado por uma linda jornalista do San Francisco Chronicle. Contei muitas de minhas histórias para a bela repórter e ela quis saber em quantos países eu havia estado. É claro que eu não tinha qualquer número para mencionar. Mas, de modo a poder marcar um segundo encontro, garanti a ela que iria pesquisar com denodo. Três dias depois surgi com um número suficientemente grandioso para convencê-la a passar a noite comigo. Essa é a única realidade.

Agora, entretanto, pesquisei e tenho essa nova informação: 312 países. É muito. Depende do ponto de vista. Gosto mutio de tê-los visitado. But, unfortunately, confesso que, pelo menos cem deles só conheço superficialmente. Ainda vou voltar!

Fonte: Facebook

FRASES ILUSTRADAS

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

VOTO DESPARELHADO

Golden Gate Bridge, San Francisco (California)
José Horta Manzano
De quatro em quatro anos volto ao assunto na época das presidenciais. Mas vamos começar pelo começo.

No Brasil, a colonização europeia chegou pela costa marítima. No primeiro século, com a notável exceção do vilarejo de São Paulo, os numerosos estabelecimentos portugueses estavam à beira-mar, de norte a sul do território.

Diferentemente dos EUA e do México, países com duas faces costeiras, o Brasil só pode contar com a costa atlântica. Sem a atratividade de uma outra face marítima, nosso povoamento demorou a penetrar fundo no território. A construção da nova capital federal, Brasília, e os incentivos dados nos anos 1970 à internalização do “progresso” não provocaram caudalosa marcha para o Oeste. O grosso da população e das atividades do país continuaram concentradas numa faixa de poucas centenas de quilômetros ao longo da faixa costeira.

Assim é até hoje. Veja um exemplo flagrante. Nosso país, com seus 4.400 km de extensão leste-oeste, cobre 4 fusos horários. No entanto, quando o locutor de alguma estação de rádio de projeção nacional ouvida em todo o território proclama, com voz empolada, que são 10 horas, está dando somente a hora da costa atlântica.

É verdade que cerca de 90% dos brasileiros se encontram dentro desse fuso, mas não deixa de ser injusto para com os demais. O relógio de mato-grossenses, amazonenses e vizinhos ainda está marcando 9 horas. Devem sentir-se cidadãos de segunda zona. Pior ainda são os acrianos, para os quais são ainda 8 horas. Ah, e tem o caso dos habitantes de Fernando de Noronha. São poucos, mas merecem atenção como os demais. Os relógios do arquipélago estão marcando 11 horas.

Até aqui, tratei de uma indelicadeza para com parte da população. Fica feio, mas não é ilegal. Já o que vem a seguir resvala para terreno pantanoso.

Faz uns vinte anos que os brasileiros do exterior temos direito de votar nas presidenciais. Vota-se somente para presidente, visto que, no Congresso, ainda não foram criadas vagas de deputados e senadores para defender especificamente os interesses dos expatriados.

Brasileiros da Nova Zelândia são os primeiros a apertar teclas na urna eletrônica. Em seguida, vêm os conterrâneos estabelecidos na Austrália, no Japão, na China, e assim por diante, até a Terra girar e o dia clarear em território nacional. Começam primeiro a votar os fernando-noronhenses, em seguida votam os da grande faixa que segue a hora de Brasília. Uma hora depois, abrem-se as urnas de amazonenses e mato-grossenses. Por último, vêm os acrianos.

Enquanto isso, continua o voto no exterior. A Terra vai girando – Ásia, África, Europa – e as urnas vão se abrindo. E chega a vez dos Estados Unidos. Consulados da costa atlântica são seguidos pelos do interior do país até chegar à costa do Pacífico.

No Brasil, cada estado encerra a votação às 17 horas locais. Os últimos a bloquear as maquinetas são os do Acre, que só terminam de votar duas horas depois do grosso da população do país. Fechadas as urnas do Acre, todos os veículos de informação anunciam a esperada estimativa geral colhida na boca de urna. Em seguida, vão pingando, um atrás do outro, resultados parciais daqui e dali. Em meia hora ou coisa assim, conhece-se o nome do(s) vencedor(es).

Até aí, beleza pura. Só que… nos EUA, na costa do Pacífico, as urnas ainda estão abertas e há gente esperando pra votar. Temos aí um grave problema. Em princípio, o horário de votação de todos os brasileiros tem de estar encerrado pra que se saiba dos resultados. Como é possível terem esquecido os que votam em Los Angeles ou em San Francisco? E não são poucos.

Chegamos assim à bizarra situação de ver eleitores que votam sabendo já do resultado, como se o voto deles não fizesse a menor diferença. Ou, pior ainda, podendo, sim, fazer diferença no caso de resultado apertadíssimo.

É uma anomalia que tem de ser sanada. Quem sabe para as próximas eleições, quando estará menos absorvido em se esquivar de ataques da extrema-direita belicosa, o TSE vai poder se debruçar sobre esse problema.
Como fazer então?
A França, que tem ilhas e pequenos territórios ao redor do planeta, já resolveu o problema faz tempo. Os eleitores do exterior não votam no domingo, mas um dia antes, no sábado. Assim, sem afobação, as seções eleitorais transmitem o resultado a Paris. Os votos do estrangeiro ficam armazenados no computador central à espera do fim do voto nacional.

Pra tudo tem remédio, basta querer.

Fonte: brasildelonge.com
Ambição é uma pobre desculpa por não ter suficiente senso de preguiça. ( Steven Wright)

LUGARES

SÃO PETERSBURGO - RÚSSIA

A Catedral do Salvador sobre o Sangue Derramado ou Igreja da Ressurreição do Salvador sobre o Sangue Derramado é uma igreja ortodoxa russa de São Petersburgo, situada na margem do canal Griboedov próximo ao parque do Museu Russo e da Nevsky Prospekt. Wikipédia

NÃO TROPECE NA LÍNGUA


TENDÊNCIA A VIVER – REGÊNCIA
-- Minha dúvida diz respeito ao uso da preposição de em situações como “a tendência é de”. Tenho encontrado frases ora com a preposição, ora sem, como exemplifico a seguir. Maria Laís Pestana, São Paulo/SP
  • Tendência é de que problemas com chuvas aumentem em São Paulo. Portanto, a tendência é que I. 
  • Tendência é ampliar política de benefícios.
  • Tendência é de aumentar as exportações agropecuárias este ano.A tendência é de as provas oficiais se expandirem para além do Estado.
  • A tendência é as taxas futuras seguirem o comportamento do mercado de câmbio.
  • Em outubro, tendência é de melhoraMercado não teme mais Lula e a tendência é a queda do dólar.
O substantivo tendência pode ser regido por mais de uma preposição, quais sejam a, de, em, para:
  • Tem tendência à embriaguez.
  • Opõe-se à sua tendência de conferir o ascendente.
  • Observou a tendência natural das crianças em contrariar tudo.
  • A senhora respondeu que não tinha tendências para freira.
Contudo, quando se tem a construção tendência + verbo ser + predicativo (ou oração predicativa), a preposição pode ser omitida. Aliás, a frase fica melhor sem ela:
  • A tendência é melhorar.
  • Nossa tendência é conquistarmos o hexa.
  • A tendência é a queda dos preços.
--- No jornal O Estado de S. Paulo de 1º/10/02, na coluna Espaço Aberto, foi publicado o artigo “Para onde vamos”, de Rubem de Freitas Novaes. Dele extraí o excerto: “Descontado o exagero, é muito apropriada ao momento que vivemos.” Pergunto se a regência do verbo viver está correta. A. A. F., São Paulo/SP

Segundo os dicionários, o verbo viver é usado com a preposição em no caso de complemento de lugar:
  • Ele vive em São Paulo há anos.
  • Vive na casa do sogro.
A mesma regência acontece nas expressões “viver em paz” e “viver em família”. Também se usa a preposição em quanto se tem um adjunto adverbial de tempo posposto ao verbo:
  • Nossos avós viveram em um século marcado por profundas transformações.
  • Vivemos/estamos vivendo numa época de muita violência.
  • Esse autor viveu no século das Luzes.
Por outro lado, o verbo viver dispensa qualquer preposição quando significa “passar a vida; vivenciar, experimentar, passar por; fruir, desfrutar, aproveitar (a vida)”
  • Ela disse que nunca viveu certas experiências.
  • Vive uma vida folgada.
  • Os melhores momentos da minha infância foram vividos solitariamente.
  • Vivemos bons momentos juntos.
Assim sendo, o autor da frase poderia defender sua redação dizendo que ali o verbo viver é transitivo direto (sendo o pronome “que” o objeto direto) porque ele quis lhe dar o sentido de “experimentar, gozar, desfrutar”: os momentos que vivemos = os momentos vividos, os momentos presentes

Fonte: www.linguabrasil.com.br