segunda-feira, 22 de abril de 2024

SOBRE A IMPORTÂNCIA DE PENSAR

 Franciele Andrade

Cada vez mais, tenho notado como as pessoas falam! Todo mundo tem opinião, todo mundo quer expressar a sua e, inevitavelmente, quer convencer o interlocutor de que o seu próprio achismo é o melhor ou o mais correto. Há uma frase, que, aliás, me agrada muito, que diz assim: “O pensamento é o ensaio da ação”. Bom se fosse!

O valor do pensamento está, cada vez mais, sendo menosprezado. Mas, pensar antes de falar e de agir, evita inúmeros incômodos. O pensamento é como se fosse o planejamento da ação. Se nos propusermos a fazer uma retrospectiva mental, veremos que a maioria das coisas que não deram certo foram precedidas da falta de planejamento.

Além disso tudo, tem mais uma questão que pode, facilmente, ser evitada ao estarmos dispostos a pensar. Em função de estarmos tão acostumados a receber opiniões, ouvir todos se manifestando sobre qualquer assunto, verdadeiros especialistas em tudo, não nos damos conta de que nos estamos aproveitando da opinião do outro. Se algo que for dito nos fizer sentido, nós simplesmente adotaremos a ideia e a repetiremos depois. Quer dizer, então, que muitas das opiniões nem são opiniões e, sim, repetições de coisas que outros venderam e foram compradas por preguiçosos.

Não digo que não se deva debater sobre qualquer tema, muito pelo contrário. Digo, apenas, que o exercício de pensar não deve ser deixado em segundo plano. Ele é fundamental para que nos possamos descobrir, tomar contato com nossa subjetividade, conhecê-la e, se der vontade, partilhá-la. Acredito ser muito mais justo, e honesto, da nossa parte, desse jeito, tirar as próprias conclusões. Lógico, temos que nos informar, ir atrás, ler. É muito perigoso não ler, pois, assim, acreditaremos em tudo o que nos disserem.

Mas essa é apenas uma opinião; expressa, porém, pela minha subjetividade!

Fonte: https://modaaz.com.br
Aprende a viver e saberás morrer bem. (Confúcio, filósofo chinês, 551-479 a.C.)

LUGARES

FLORENÇA - ITÁLIA
A Basílica de Santa Cruz é a principal igreja franciscana em Florença, na Itália, e uma das principais basílicas da Igreja Católica no mundo. Está situada na Piazza di Santa Croce, a leste da basílica de Santa Maria del Fiore. Wikipédia

FRASES ILUSTRADAS

domingo, 21 de abril de 2024

EXTRAVIO DE BAGAGEM

É extremamente desagradável chegar ao destino e depois de aguardar na esteira e constatar que a mala não veio. 

Não raras vezes é o próprio passageiro quem causa todo o problema, como aliás, aconteceu comigo. Meu destino era Brasília, partindo de Curitiba. Cheguei com bastante antecedência ao aeroporto, como sempre costumo fazer. Dirigi-me ao balcão da Varig (que saudade!) para os procedimentos de check in. Coloquei minha mala na balança e tão logo recebi o bilhete me dirigi à sala de embarque. 

Chegando em Brasília, como de hábito, identifiquei a esteira pelo número do vôo e fiquei aguardando, na esperança de que ao menos uma vez na vida, a minha bagagem seria a primeira a apontar lá no início. 

Não foi a primeira e nem a última pois quando não restava mais ninguém aguardando por sua bagagem percebi que a minha efetivamente não viera. 

Fui registrar o ocorrido junto ao setor competente da companhia, com a preocupação precípua acerca dos processos que estavam na mala. Eram processos da Secretaria da Receita Federal, caso em que, além da reclamação de praxe junto à Varig, era necessário dar ciência do ocorrido à Polícia Federal. 

Na hora lembrei de fato semelhante ocorrido com um colega de trabalho que teve sua mala extraviada e posteriormente localizada em Nova York. 

Como primeira providência fui solicitado a apresentar o comprovante de embarque o que fiz de imediato, como de imediato a pessoa que me atendeu constatou que não se encontrava colado, como de hábito, o comprovante da entrega da bagagem. 

Comecei a ficar preocupado pois não tinha como provar que efetivamente entregara a mala quando do check in

Repassei mentalmente cada momento desde a chegada ao aeroporto até a entrega da mala e tinha absoluta certeza de que a mesma, ao menos, havia sido colocada na balança e não na esteira, junto ao balcão de check in

Chegamos à conclusão de que simplesmente eu deixara a mala na balança, fato não constatado pela funcionária da Varig. Assim como não fui indagado acerca de bagagem a despachar, também não tive o cuidado de verificar se junto ao cartão de embarque estava afixado o respectivo comprovante de despacho. 
Registrada a minha reclamação, nada mais havia a fazer. Recebi instruções que deveria aguardar. Nada mais. Minha esperança estava em que a mala estava identificada com o cartão smiles o que certamente ajudaria na localização da mesma. 

Como no dia seguinte eu deveria comparecer ao trabalho, fui diretamente ao centro comercial para comprar meias, lenços e cuecas, além de uma camisa de colarinho. Só não precisei comprar um traje social pois viajei devidamente paramentado. 

 No dia seguinte recebi um telefonema da Varig me informando que a mala havia sido localizada em São Paulo. Efetivamente, só recebi a mala dois dias após o embarque. 

Noutra oportunidade, saindo de Brasília com destino a Joinville, também viajando pela Varig, fiquei aguardando, aguardando e a mala não chegou. Neste caso a solução foi bem mais simples. 

Em razão do atraso no trajeto Brasília-Congonhas, acabei perdendo a conexão para Joinville, o que fez com que esperasse o próximo vôo. Quando finalmente cheguei ao meu destino e constatando que a mala não viera, fui apresentar a necessária reclamação. 

Nem bem comecei explicar a falta da mala e a pessoa que me atendeu indagou se não era aquela a minha mala, apontando para um lugar nos fundos da sala. 

De pronto identifiquei-a e tudo ficou resolvido. Surpreso, desejei saber como a mala estava alí e não na esteira. A explicação foi de que a mala viera no vôo anterior. Convenhamos que a explicação não convenceu. 

Em outra oportunidade ocorreu o extravio típico, daqueles que causam muito aborrecimento, haja vista que se tratava de uma viagem internacional, cujo destino era Frankfurt, caso em que o idioma alemão é uma barreira intransponível.  

Era a nossa primeira viagem para a Europa e estávamos com um casal de amigos nossos. Nosso quartel-general na Alemanha seria numa pequena cidade chamada Neuhof, onde residem nossos amigos Kalle e Bruna, que foram nossos anfitriões. 

Comunicamos a eles os horários de chegada no aeroporto de Frankfurt, distante cerca de cem quilômetros de Neuhof e eles se prontificaram em nos receber logo na chegada. Porém, nem toda programação acaba dando certo. 

Ao chegarmos no aeroporto de Curitiba a primeira providência foi embalar nossas bagagens, o que protege as malas dos maus tratos dos carregadores e dificulta a ação dos, digamos, bisbilhoteiros. Depois, o tempo começou a fechar, baixando uma neblina muito espessa que simplesmente suspendeu pousos e decolagens. Com o imprevisto acabamos perdendo a nossa conexão para Frankfurt. 

Depois de ajustar as mudanças que se faziam necessárias ligamos para a Alemanha avisando-os que chegaríamos no dia seguinte ao inicialmente combinado. Dormimos em Curitiba e nem abrimos nossas malas já que estavam embaladas. 

No dia seguinte, bem cedo, rumamos para o Rio de Janeiro. Chegamos no aeroporto e logo providenciamos a custódia da nossa bagagem pois tínhamos todo o dia livre, já que o nosso vôo para Frankfurt sairia por volta de vinte e três horas. 

Contratamos um taxista que ficou à nossa disposição todo o dia e aproveitamos para passear pela cidade maravilhosa, usando a mesma roupa do dia anterior. 

Finalmente embarcamos rumo a Paris onde fizemos conexão para Frankfurt, lá chegando no horário previsto. Após a rotina de imigração, finalmente fomos apanhar nossas bagagens. Surpresa! As malas não chegaram. 

Nos dirigimos ao guichê da Lufhtansa e depois de um longo e complicado interrogatório deixamos consignado o endereço para entrega das malas, quando e se viessem. Sorte minha que o Adolar, meu companheiro de viagem, falava alemão. 

A Bruna nos recebeu no aeroporto e pediu desculpas pela ausência do Kalle, visto que naquele dia ele estava trabalhando num hotel de turismo, fazendo aquilo que sempre gostou de fazer: música. 

Diante do extravio das nossas bagagens e pelo estado deplorável dos nossos corpos que pediam banho e roupas limpas, a Bruna nos levou para uma loja onde pudemos adquirir o necessário e possível. É que chegamos quase na de encerrar o expediente e horário, por lá, é sempre respeitado. Mesmo assim conseguimos comprar meias, cuecas, sabonete, creme dental e escovas, além de uma camiseta cada um. 

Instalados no hotel próximo à casa dos nossos amigos, no dia seguinte a Bruna veio buscar-nos para um passeio pela cidade de Fulda, sendo que o Kalle só chegaria mais tarde do seu compromisso. Passeamos por Fulda, cidade cuja história se confunde com a própria história da Alemanha medieval. 

Quando retornamos para Neuhof, mais precisamente para a casa dos nossos amigos, as nossas malas estavam depositadas na calçada, intactas, com a mesma embalagem que havíamos colocado no aeroporto em Curitiba. 

O inusitado de tudo é que a rua defronte à casa dos nossos amigos não é muito larga. No passeio público tem um espaço para que eles estacionem seus automóveis já que não têm garagem. E não tem cerca! 

Os funcionários da Lufthansa foram entregar as malas no endereço indicado e não tendo ninguém em casa, simplesmente deixaram as malas na rua, na certeza de que ninguém ousaria pegá-las. 

Foi maravilhoso ver as nossas malas e mais maravilhoso ainda constatarmos a índole de um povo que respeita a propriedade alheia.
Sempre que alguém quer esgotar um assunto, esgota a paciência do leitor. (Oscar Wilde, escritor irlandês, 1854-1900)

LUGARES

MONTEVIDEU - URUGUAI
Montevideu, capital do Uruguai, é uma grande cidade ao longo da Baía de Montevideu. Gira à volta da Plaza de la Independencia, que outrora albergava uma cidadela espanhola. Esta plaza leva à Ciudad Vieja (cidade velha), com edifícios art déco, casas coloniais e pontos de referência como o eminente Palácio Salvo e a sala de espetáculos neoclássicos, Teatro Solís. O Mercado del Puerto é um antigo mercado portuário repleto de churrascarias. ― Google

FRASES ILUSTRADAS

sábado, 20 de abril de 2024

Morrer por uma idéia é muito bonito, mas por que não deixar a idéia morrer antes de você? (Wydham Lewis, escritor inglês, 1882-1957)

LUGARES

BUDAPESTE - HUNGRÍA
Budapeste, a capital da Hungria, é dividida pelo rio Danúbio. Sua ponte Széchenyi Lánchíd, do século XIX, conecta o elevado distrito de Buda ao lado plano de Peste. Um plano inclinado, chamado de Budavári Sikló, sobe a Colina do Castelo até a Cidade Antiga de Buda, onde o Budapesti Történeti Múzeum conta a vida da cidade desde a época romana. A praça Szentháromság tér abriga a igreja Mátyás-templom, do século XIII, e as torres do Bastião dos Pescadores, que oferecem vistas panorâmicas. ― Google

FRASES ILUSTRADAS

sexta-feira, 19 de abril de 2024

MIRIAM MAKEBA

CHOVE CHUVA (Live At Berns Salonger, Stockholm, Sweden, 1966)



As convicções são mais inimigas da verdade que as mentiras. (Friedrich Wilhelm Nietzsche, filósofo alemão, 1844-1900)

LUGARES

DINAN - FRANÇA
Dinan é uma comuna francesa na região administrativa da Bretanha, no departamento Côtes-d'Armor. Estende-se por uma área de 3,98 km². Em 2010 a comuna tinha 10 819 habitantes.912 hab/km². Wikipédia

FRASES ILUSTRADAS

quinta-feira, 18 de abril de 2024

Se as pessoas só falassem quando tivessem algo a dizer, os seres humanos perderiam rapidamente o uso da linguagem. (William Somerset Maugham, escritor inglês, 1874-1965)

LUGARES

MUNIQUE - ALEMANHA
Munique, capital da Bavária, abriga prédios centenários e inúmeros museus. A cidade é conhecida pela celebração anual Oktoberfest e pelas cervejarias, inclusive a famosa Hofbräuhaus, fundada em 1589. Na Altstadt (Cidade Velha), a praça central Marienplatz contém pontos turísticos como o Neues Rathaus (paço municipal) neogótico com um famoso espetáculo de glockenspiel que ressoa e reencena histórias do século 16. ― Google

FRASES ILUSTRADAS

quarta-feira, 17 de abril de 2024

GAITEIRO DORMINHOCO

Quem é ligado às tradições gaúchas conhece o Bochincho do inigualável Jayme Caetano Braun. Pois nas preliminares, quando ainda apresenta aos ouvintes o que era o "ambiente fumacento" e seus personagens, nos fala de um gaiteiro mulato, que até dormindo tocava… 

Nos bons tempos em que aconteciam bailes pelos clubes da cidade, eu era pequenote ainda, conheci um gaiteiro que também tocava mesmo dormindo. Não era mulato, mas descendente de alemão. Seu nome era Otto. 

Houve um tempo em que o salão de bailes do Floriano era administrado pela família dos proprietários do prédio, sendo que um deles, o Nilo, era meu cunhado e padrinho. A convite dele eu ia ajudar na copa, atendendo aos pedidos dos garçons, entregando bebidas, recolhendo copos sobre o balcão, etc. 

Nunca apareceu por lá nenhum comissário de menores para flagrar aquela irregularidade. Minha idade? Doze (12) anos, talvez menos.  

Foram muitos bailes, a maioria deles com presença da Orquestra Típica Céu Azul dos Irmãos Zanchin. Outros grupos também animavam os bailes e eu era muito novo para conhecer e distinguir as formações desses grupos. Por vezes, num mesmo baile, eram mesclados diversos gêneros musicais. Quando era vez dos tangos e valsas, apareciam executantes de violinos e bandoneons. Na hora dos boleros havia algum crooner se quebrando pela falta de aparelhagem de som. E sempre tinha alguém tocando acordeão. 

Pois o Otto era freguês de caderno ou melhor, o Floriano era freguês de caderno do Otto e seus colegas.  Sempre tocava sentado. O acordeão pesa muito e a idade também. Com uma bebida por perto, então, o baile estava feito. 

As horas iam passando e o Otto só saia do seu posto para um pipi-stop. Nada mais. Ou melhor, mais uma Brahma… 

Cansaço, bebida e talvez monotonia, iam minando a concentração do valoroso Otto que o compasso da música, marcado no pé direito, ia perdendo o tempo e as mãos já não deslizavam frenéticas sobre as teclas da "cordeona". Até que alguém do grupo, acostumado com os "vôos" do Otto, simplesmente se aproximava da cadeira e o cutucava levemente. O Otto abria os olhos com cara de - quem? eu dormindo? E o baile continuava… 

A cena se repetia umas dez vezes por baile até que finalmente, um galo qualquer da vizinhança, de saco cheio com a barulheira, anunciava a alvorada e era fim de festa. 
A ciência é a procura da verdade; não é um jogo no qual uma pessoa tenta bater seus oponentes, prejudicar outras pessoas. (Linus Pauling, Químico americano)