sábado, 19 de agosto de 2017

O RABO QUE PERSEGUE O CACHORRO

Bernardo Mello Franco

A reforma política passou a seguir a lógica do rabo que corre atrás do cachorro. Quem diz é Lúcio Vieira Lima, presidente da comissão que discute o tema na Câmara. O deputado afirma que um sentimento move os colegas: o medo de ficar sem dinheiro na eleição de 2018.

"A reforma só está sendo feita por causa do financiamento", resume o peemedebista. "Foi por isso que nós começamos a discutir sistema eleitoral, voto em lista, distritão. Agora tudo é para aprovar o fundo, porque sem ele não tem dinheiro", afirma.

Segundo o deputado, o impasse se instalou em 2015, quando o Supremo vetou as doações de empresas. "Todas as fontes de recurso foram criminalizadas", reclama o irmão de Geddel Vieira Lima, que cumpre prisão domiciliar na Lava Jato.

"Se eu recebo dinheiro de empresa, dizem que sou ladrão. Se uso dinheiro público, dizem que vou tirar da saúde. A democracia tem um custo, com ou sem fundo", discursa.

Apesar da ênfase, o deputado reconhece que o argumento não tem convencido muitos eleitores. "A gente ouve na rua: 'Por que você não faz campanha com o seu dinheiro, filho da mãe?'". Ele se apressa e responde: "Se for assim, só vai ter rico e coronel no Congresso".

Defensor do distritão, que não é adotado em nenhuma democracia avançada, o peemedebista define o modelo como "o que sobrou". "Todo mundo dizia que o sistema estava falido. Se ficar como está, você não reduz o custo da campanha", sustenta.

Com a regra em vigor, ele diz que os partidos são forçados a lançar dezenas de candidatos sem votos, "que não sabem nem fazer prestação de contas". "Se com dinheiro privado já está todo mundo sendo preso, imagina com dinheiro público", prevê.

Com ou sem fundo, o deputado reconhece que o problema do financiamento ilegal deve continuar. "Caixa dois não é questão de sistema político. É questão de consciência", argumenta. Pelo visto, o rabo vai continuar a perseguir o cachorro.

Fonte: Folha de S. Paulo

Há certas pessoas a quem o fracasso sobe à cabeça. (Wilson Mizner)

LUGARES

PARIS - FRANÇA

MR. MILES


A praga bíblica que se espalha

Alguns leitores já nos escreveram pedindo o número do celular de nosso grande viajante. Pois na resposta da correspondência desta semana, mr. Miles deixa bem claro o que pensa a respeito.

Mr. Miles, o senhor aderiu aos telefones celulares para facilitar sua comunicação em viagens?
Otávio Conucci, por email

Well, my friend: há alguns anos atrás, essa pergunta não faria o menor sentido. Eu não tinha esse aparelhinho diabólico, porque tenho horror a traquitanas deselegantes, que — mais que isso — comprometem a comunicação pessoal, substituem amizades ao vivo e, of course, são um incômodo em bares, restaurantes, cinemas, teatros ou óperas. O pior de tudo, dear Oswald, é que os celulares ditos "inteligentes", mas, de fato, nada cultos, entraram no dia-a-dia das pessoas, atropelando, como máquinas do apocalipse, a civilidade humana. Hoje, my friend, as pessoas vão à lanchonetes com amigos e não trocam palavras com seus pares. Eles estão muito ocupados em caçar desenhos japoneses, acompanhar suas redes sociais — que não socializam e sequer aproximam e, claro, banalizar a arte da fotografia a níveis de baixa qualidade jamais alcançados. Meu amigo Melquiades, que é jornalista, comemora — como se fosse seu sucesso — o número de curtidas em sua revista. Não informa, however, que ele tem uma assessoria de imprensa para fazer o trabalho ou que ele paga centenas de dólares por mês para obter curtidas de qualquer um, incluindo indios inuit do norte do Canadá.

Ou seja: ele já não se importa mais com o que faz, mas apenas com o que repercute.

However, voltando à sua questão, fui obrigado a aderir à maldita maquininha porque muitos de meus amigos simplesmente desapareceram dentro delas e já nem sabem o que é a vida real. Até a minha querida rainha têm assessores que comunicam-se por mobiles — e é claro que eu não perderia um chá com a soberana só por não ter o diabinho. Estou preocupado demais em viajar e viver ao invés de dedicar qualquer tempo que seja a essa coisa de aplicativos, que existem para substitui-lo nas atividades que deveriam ser feitas com a cabeça. Sei que, muitos de vocês, meus caros leitores, vão achar que esse texto é um rabugice. Eu os compreendo por não compreenderem o que eu digo. Mas eu adoraria poder influenciá-los e fazê-los pensar na demência dessa doutrina inesperada. Ter influência criam amizades que não existem.

Esses gadgets são — perdoem-me a franqueza — algo como uma praga bíblica. Tenho visto esses besourinhos prateados, cromeados ou coloridos pendurados como adornos nos pescoços de zulus, maoris, berbéres, gregos e, oh, my God, até de cavalheiros britânicos. Não contesto sua funcionalidade — se é que existem coisas tão importantes que não possam deixar de ser comunicadas instantaneamente. 

Ainda nesta semana, convidei uma velha amiga romancista para um chá no Dorchester, de Londres e, para minha desagradável surpresa, ela veio acompanhada de um desses aparelhinhos. A engenhoca era quase tão pequena quanto um tubo de batom, de modo que, para que sua voz alcançasse o bocal, esta senhora (já entrada em anos), tinha de entortar a face, produzindo um ésgar disgusting. Mas muito pior que isso, foram as constantes interrupções na nossa conversação. Por uma estranha inversão de valores, in this strange new world, pessoas que chamam de longe sempre têm preferência sobre interlocutores presentes.

Só não abandonei o recinto porque sou um gentleman, mas, decididamente, da próxima vez, farei um chá by myself e, quando resolver conversar sem ser interrompido, ligarei para seu celular.

De minha parte, my friend, seguirei viajando pelo mundo sem a horrível sensação de estar permanentemente conectado. Que estranhos marionetes estamos nos tornando? Lembram-se quando, após o tsunami de 2004, refugiei-me em Botswana, nos alagados do delta do Okavango? Pois certa manhã, partimos numa canoa para fotografar pássaros. Havia, a bordo, um remador, um guia, um turista americano e myself. De repente, avistei um cormorão de peito branco que jamais havia conseguido fotografar. Ele estava tranqüilo e indiferente quando ajeitei minha câmera. Eis que soa uma metálica versão da Cavalgada das Valquírias no inesperado celular do americano e o cormorão assustado some no arvoredo. Sabem o que era? Uma empresa de telecomunicações propondo vantagens na troca do serviço. Vou lhes fazer uma confissão: só não joguei o americano na água, porque, unfortunately, ali não haviam crocodilos.

Fonte: Facebook

CHARGES


VENHA LOGO

Ruy Castro

Um conselho: se estiver a fim de vir ao Rio, venha logo. Não que estejamos em risco de perder o sol, o mar, a luz do inverno, o contorno das montanhas e outras atrações de autoria da natureza. Mas, com Marcelo Crivella como prefeito, tudo mais corre o risco de desaparecer. Ele não gosta da cidade.

Para começar, não conhece o Rio. Pode saber tudo de Tebes, Jericó ou Jerusalém, pelos anos que levou decorando o Velho Testamento, mas não sabe nada de ruas como a da Quitanda, o Ponto de Cem Réis ou a ladeira do Quebra-Bunda. Tem também mais intimidade com a África, onde foi, segundo diz, missionário, do que com a história da Pequena África, nos arredores da antiga praça Onze, onde se gestou o samba. Como não conhece nosso patrimônio histórico e cultural, Crivella o despreza ou trabalha para derrubá-lo. O Carnaval, por exemplo, seria mais tolerável se tocassem "Mamãe Eu Quero" em ritmo de gospel.

Em sua campanha à prefeitura, ele pregou que vinha para "cuidar das pessoas" —uma cotovelada na administração anterior, que se especializou em obras. Bem, sob Crivella, o Rio está batendo recordes de moradores de rua, e não adianta botar a culpa no desemprego. O que ele está fazendo para criar empregos e gerar riqueza?

Mas o que Crivella está mais exigindo dos visitantes é que, ao passear pelas ruas do Rio, exibam seus dotes de contorcionistas —para driblar as bancas de camelôs ou não pisar em todo o tipo de muamba espalhada sobre as calçadas. Entregue aos ambulantes, a cidade está aberta ao contrabando, ao roubo de cargas e à pauperização do comércio organizado, aquele que paga impostos e mantém empregados.

Crivella parece não gostar do comércio organizado. Mas com uma exceção: tente botar uma banquinha de Bíblias na porta de seu templo para ver se o pastor vai gostar.

Fonte: Folha de S. Paulo

FRASES ILUSTRADAS


sexta-feira, 18 de agosto de 2017

TIRA O P, FICA O RESTO


Bernardo Mello Franco

O PMDB teve uma ideia para tirar o nome da lama: aposentar o P da sigla. Parece piada, mas a proposta foi discutida a sério nesta quarta-feira. O presidente do partido, Romero Jucá, associou a mudança a planos grandiosos. "Queremos realmente ganhar as ruas", declarou.

Antes que alguém perguntasse, o senador disse que a troca de nome não seria mera maquiagem. "Quero rebater críticas de que o PMDB estaria mudando de nome para se esconder. Não é verdade", apressou-se.

Sem a letra inicial, o partido voltaria a se chamar MDB. Esta era a sigla do Movimento Democrático Brasileiro, criado em 1966 para fazer oposição à ditadura. Nos anos de chumbo, a legenda abrigou figuras como Ulysses Guimarães e Tancredo Neves. Eram políticos honrados, que não têm culpa pelo que está aí.

Conversei com dois fundadores do MDB sobre o plano de reciclar a sigla histórica. O deputado Jarbas Vasconcelos, 74, expressou sua opinião em poucas palavras: "É uma ideia irrelevante. O que melhora a imagem de um partido não é mudar o nome, e sim o seu comportamento".

O ex-senador Pedro Simon, 87, pareceu mais preocupado. Ele ainda sonha em reviver o velho MDB, mas não quer ver as três letras misturadas aos escândalos de hoje. "Fazer isso agora vai parecer malandragem", resumiu.

Para o político gaúcho, a ideia deveria ser guardada para outro momento. "Mudar o nome sem ter um projeto não significa nada. Qual é a bandeira nova? Vão tirar uma tabuleta e botar outra?", questionou.

Simon não acredita em renovação enquanto o partido continuar nas mãos de personagens notórios. "O Jucá é um cara meio comprometido, né? Ele representa o que está aí", disse, numa referência elegante à multidão de colegas na mira da Lava Jato.

O ex-senador se limitou a citar o atual presidente da sigla, alvo de nove inquéritos no Supremo. Mas poderia ter mencionado Michel Temer, Eduardo Cunha, Renan Calheiros, Geddel Vieira Lima, Jader Barbalho...

Fonte: Folha de S. Paulo

O verdadeiro líder não precisa conduzir. Basta que ele mostre o caminho. (Henry Miller)

LUGARES

MAINAU - ALEMANHA

DOS MEUS LIVROS

Em Busca do Tempo Perdido - vol 7 - O Tempo Redescoberto - Marcel Proust

Comentário:
Numa espécie de exame de consciência, o narrador reconhece que a sua relação com Albertina fracassou devido ao seu “génio indeciso e impertinente”. Depois de tantas reflexões, de tantos fracassos e desilusões, ele parece chegar ao âmago da questão – entre indecisões e reflexões excessivas, ele deixou que o tempo o ultrapassasse; é o tempo que governa a vida, e não o pensamento. Mas agora, só pelo pensamento, pela memória, ele pode regressar a esse tempo perdido. Inicia-se aqui a grande luta: entre o tempo perdido e o tempo recuperado, reencontrado nos confins do pensamento. A dicotomia passado/presente é então substituída por uma outra: a dicotomia mundo real versus pensamento, como se estivéssemos perante dois mundos paralelos: o real e o pensado. 

Mas agora é o mundo real que se impõe com toda a sua crueza; é a guerra; a Primeira Guerra Mundial. A Grande Guerra. Nesse contexto não há espaço para o pensamento. A guerra abafa a memória e destrói o tempo ao eternizar o horror. Mas nos salões da aristocracia parisiense, tudo contínua igual, porque “a morte de milhões de desconhecidos traz apenas um arrepio, talvez menos desagradável que o causado pelas correntes de ar” (pág. 73). É a vulgarização da morte. Nos salões e nas discussões políticas isso pouco parece interessar. A alta sociedade parisiense tenta viver acima da guerra, mantendo as suas aparências, vícios e virtudes… mais aqueles que estas, diga-se. O próprio Charlus, germanófilo, tradicionalista, confessa: "perdemo-nos no diletantismo”.

Da mesma forma que Proust retrata as virtudes de grandes aristocratas como a Sra. de Guermantes, também retrata, com a mesma objetividade e crueza, os vícios incríveis de alguns outros nobres, como o quase louco Sr. de Charlus.

Mas este volume distingue-se dos outros, a meu ver, por ser o mais revelador da alma do narrador e, por extensão, do escritor; Marcel viaja constantemente para dentro de si, como se cada experiência vivida necessitasse de uma dimensão paralela, que ocorre interiormente.

Neste reinado do interior cabe um papel especial à arte. A arte é o único meio que permite ao homem sair de si mesmo e comungar com os artistas a múltiplas visões do mundo.

Mas o tempo é inexorável e é basicamente disso que trata este livro. Marcel sente a velhice aproximar-se e encara essa aproximação como uma espécie de derrota pessoal face ao Tempo. Na parte final do livro, à medida que as personagens principais envelhecem, o tom cada vez mais melancólico da linguagem vai sendo acompanhado por uma espécie de decadentismo latente. Sente-se a decadência da aristocracia. Com a derrota dos impérios na Primeira Guerra Mundial o novo mundo, é, definitivamente, da burguesia.

Mas o grande confronto dá-se no interior do narrador. Passado e presente, real e pensado, são elementos em conflito. A síntese há de encontrá-la Marcel na escrita; ele vai, finalmente, escrever o seu livro e nele se fará a fusão do Tempo; aí sim, será o Tempo reencontrado.

Fonte: aminhaestante.blogspot.com.br

CHARGES


REDUÇÃO DE SALÁRIOS


Para os militares, aumento salarial; para os civis, redução indireta dos salários

Pedro do Coutto

Os ministros Henrique Meirelles e Dyogo Oliveira, chefes da equipe econômica do presidente Michel Temer, anunciaram no final da tarde de terça-feira o aparente acerto de contas orçamentárias para o exercício de 2017 e também para o exercício de 2018. Saiu finalmente o pacote de elevação e de falsa redução das despesas do governo federal.

No pacote – reportagem de Bárbara Nascimento e Martha Beeck, O Globo desta quarta -feira, há o adiamento do reajuste para os servidores civis e também o aumento, a partir de janeiro de 2018 para os militares. A medida é inconstitucional.

ARTIGO 37 – O item 10 do artigo 37 da Constituição Federal determina revisão anual e geral de vencimentos, sem distinção de índices e na mesma data. O presidente Michel Temer, de acordo com Meirelles e Oliveira, vai desrespeitar a exigência. Tanto assim que está previsto o reajuste dos militares para janeiro do próximo ano e a reposição inflacionária para os civis fica adiada para 2019.

Além disso, para os servidores civis ficou basicamente estabelecido um aumento de suas contribuições previdenciárias de 11 para 14%. A diminuição dos vencimentos fica clara. Para os civis não há reposição inflacionária relativa a 2016, 4,5% de acordo com o IBGE, e tão pouco a compensação relativa a este ano. Como a inflação de 2017 está projetada na escala de 3,5%, se tal perspectiva se confirmar, funcionalismo civil estará sofrendo uma redução real de 8,2% de seus salários. Além de sofrerem uma perda adicional de 3% referente ao aumento concreto de seus descontos previdenciários.

NO CONGRESSO – Vale acentuar que também com base no ítem 10 do artigo 37 da CF, tudo dependerá de aprovação de lei pelo Congresso Nacional. Assim o problema vai se encontrar nas mãos dos deputados e senadores.

Em matéria de déficit orçamentário, reportagem de Adriana Fernandez, Eduardo Rodrigues, Idiana Tomazelli e |Lorena Rodrigues, em O Estado de São Paulo, destaca um ponto essencial. Os ministros Henrique Meirelles e Dyogo Oliveira, na entrevista coletiva de terça-feira, tentaram iludir a opinião pública mesclando as contas de 2017 e a projeção orçamentária para 2018. Como o rombo foi ampliado de 139 bilhões para 159 bilhões, a impressão predominante é de que 159 bilhões será o déficit deste ano, 2017, e também a projeção para o orçamento de 2018.

Dessa forma o déficit nas contas públicas está projetado, de fato, na escala de 318 bilhões de reais para os dois anos. A população brasileira, como sempre sofre as consequências e paga as diferenças.

Fonte: Tribuna da Internet

FRASES ILUSTRADAS


quinta-feira, 17 de agosto de 2017

O MUNDO COMO ELE SE TRANSFORMOU


O desafio é se adaptar ao mundo como ele realmente se transformou
Eduardo Aquino - O Tempo

Vivemos de mania em mania, de moda em moda, tentando nos agarrar a pequenos milagres ou a grandes ilusões para seguir vivendo nosso agitado dia a dia. A última é a onda de “esvaziamento mental”, um desaceleramento dessa enxurrada de pensamentos, preocupações e sofrimentos antecipatórios, que nos mantêm em estado de alerta e estresse a cada instante. Surgem “gurus” e oferecem caminhos como se não fôssemos nós os autores e as vítimas de nossa realidade, como se a meditação não fosse milenar, assim como clausuras e monastérios.

O silêncio interior, assim dito, parece coisa de natureba ou riponga. Afinal, estamos submetidos a um bombardeio inclemente de informações e notícias sob a forma de sons e imagens de arrepiar. Tragédias, ameaças, dramas e violências são digeridos junto à macarronada, ao arroz com feijão, à cerveja ou ao refrigerante. Digerimos tudo.

NOVO NORMAL – Nós nos acostumamos com essa azia física e mental. É o “novo normal”: ser ansioso, nervoso, irritado, insatisfeito, preocupado. Esvaziar a mente, no fundo, seria a capacidade de desconectar sem sentir culpa. Seria não sentir abstinência das redes, do smartphone, não existir internauticamente, mas interagir e saber usar como meio o ambiente eletrônico, o mundo virtual e relaxar no fim de seu uso.

Seria ficar de plantão aos sons irritantes e simultaneamente viciantes dos avisos de mensagens das redes e não sofrer imaginando o que se está perdendo ao não responder às mensagens, temendo uma tragédia, uma urgência do trabalho, um problema sério com os filhos.

MORTO-VIVO – Simples, não? Imaginar que o mundo pode seguir rodando sem nossa presença, sem nossa interferência, sem nossa ação; ser acusado de não responder aos whats e aos e-mails ou de não se exibir nas diversas redes sociais; ser um morto-vivo, um rebelde sem causa, alienado tecnológico, mas um feliz relaxado, desapegado, observador da natureza que nos rodeia, aprendiz de sábio.

O desafio é se adaptar ao mundo como ele é, usufruir o que ele nos oferece e, ainda assim, conseguir, no meio de tudo que não para de acontecer, ter momentos sagrados de paz interior, tempo para não fazer nada ou um lazer que desacelere o turbilhão de preocupações, seja sozinho, a dois ou em grupo. Pois quem consegue, sem dúvida, haverá de compartilhar.

Fonte: Tribuna da Internet

O gênio, esse poder que deslumbra os olhos humanos, não é outra coisa senão a perseverança bem disfarçada. (Johann Wolfgang von Goethe, escritor alemão, 1749-1832)

LUGARES

JOSSELIN - FRANÇA

NÃO TROPECE NA LÍNGUA


POR UM LADO E POR OUTRO...

--- Li que são regras de paralelismo que não se deve usar a expressão “por outro lado” no início de frases sem que antes haja “por um lado” expresso, mesmo que anteriormente esteja subentendida a ideia de oposição. A. C., Brasília/DF

Em primeiro lugar, deve ficar claro que a expressão “por outro lado” pode ser usada, sim, “isoladamente”, como elemento de transição que é. 

Sabe-se que um dos recursos para dar conexão entre ideias é o uso das chamadas partículas, locuções ou expressões de transição. São elas que permitem encadear de maneira coerente vários enunciados. O autor do prestigiado livro “Comunicação em Prosa Moderna” (14ª ed. 1988), Othon M. Garcia, separa-as em grupos analógicos que encerram o sentido de “prioridade, relevância [como ‘primeiramente, antes de mais nada” etc.] / tempo / semelhança, comparação, conformidade / dúvida / certeza, ênfase / surpresa, imprevisto / esclarecimento / propósito, intenção / causa e consequência / resumo, conclusão / lugar / oposição / adição, continuação”.

No último grupo citado encontramos “por outro lado, além disso, ademais, outrossim, também”, entre outras locuções e partículas.

Vejamos um exemplo prático:

Como expusemos anteriormente, na década de 1910 o Estado chamava para o espaço escolar as camadas pobres da população, incluindo os negros. Por outro lado, a inclusão dos negros na escola deveu-se em alguns casos a uma oportunidade apadrinhada. O caso mais conhecido é o do poeta catarinense Cruz e Sousa.

Tanto é uma expressão a ser usada por si mesma que ela tem substitutos ou equivalentes:

De outra parte...

Por seu turno...

Por sua vez...

Por seu lado / De outro lado

De outro ponto de vista...

Sob outra perspectiva...

No tocante ao paralelismo mencionado na consulta, o que na verdade não pode ocorrer é você usar por outro (sem a palavra lado) sem colocar um por um lado anteriormente. Nem tampouco você pode dizer por um lado esquecendo-se do correspondente por outro (lado).

Aproveitando o espaço, vejamos dois exemplos de pontuação usada com ambas as expressões. Note-se que elas não precisam ficar necessariamente entre vírgulas.

Essa prática tem suas raízes históricas nos critérios estéticos neoclássicos impostos de um lado pela Missão Francesa (1816) e, de outro, pelo ensinamento de artes e ofícios (1549 a 1780) desenvolvido pelos jesuítas.

Ao longo dos anos 80 ocorreu a consolidação da sistemática da avaliação: por um lado, foram introduzidos aprimoramentos nos formulários de obtenção de dados, bem como sua progressiva informatização, foram criadas comissões de especialistas, etc.; por outro, a instituição oficial passou a consultar as áreas de conhecimento para obter indicações de nomes.

Fonte: www.linguabrasil.com.br

CHARGES


TEMER CORTA VERBAS DAS FORÇAS ARMADAS


Temer corta verbas das Forças Armadas e não fecha contas do orçamento 2018
Pedro do Coutto

O presidente Michel Temer, provavelmente por pressão do ministro Henrique Meirelles, chefe da equipe econômica, aprovou um corte de 44% nas verbas do Exército, Marinha e Aeronáutica (reportagem de Tânia Monteiro e Lourencio Nossa, O Estado de São Paulo de segunda-feira) talvez em levar em conta o reflexo político. Agiu no sentido de equilibrar o orçamento, mas não conseguiu fechar as contas para 2018. A redução foi de 17,5 bilhões para 9,7 bilhões de reais. O comando das Forças Armadas sustentou que as consequências administrativas serão muito ruins.

No caso do Exército o projeto de segurança das fronteiras estará fortemente prejudicado, da mesma forma as operações voltadas a conter os desvios de explosivos que vão parar na mão do crime organizado.

ALHEIAMENTO – O presidente Michel Temer não levou em conta a sensibilidade que os cortes causam para o Exército, Marinha e Aeronáutica. Procurado pela reportagem, o Ministério do Planejamento informou que vai se esforçar para resolver os problemas mais graves do contingenciamento, evitando revelar essa disposição em relação ao corte das Forças Armadas. Acrescentou que aumentar os limites das verbas orçamentárias depende do alargamento do espaço fiscal.

Com sua resposta, deixou a impressão que o corte militar foi mais inspirado no ministro Dyogo Oliveira, titular do Planejamento, do que em Henrique Meirelles, chefe da equipe econômica. Mais uma vez evidencia-se um ponto de atrito entre os dois ministérios na disputa por mais espaço na Esplanada de Brasília.

NUVENS DIVERGENTES – A Esplanada de Brasília vem apresentando nuvens de divergências bastante amplas. Marta Beck, Geralda Doca e Cristiane Jungblut, O Globo desta terça-feira, destacam que o presidente Michel Temer concordou com o déficit de 159 bilhões de reais para as contas do orçamento de 2018, mas afirmou que não vai propor aumento de impostos, ao contrário da possibilidade admitida pelo ministro Henrique Meirelles.
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Enquanto isso, o Centrão da Câmara dos Deputados está pressionando para que a projeção do déficit seja alargada para 179 bilhões.

A missão de harmonizar os cortes nas verbas militares, que ameaçam sofrer um colapso, o déficit previsto para 2018 e o entendimento de Henrique Meirelles, este admitindo elevação de tributos, tudo isso compõe um tema de solução difícil para Michel Temer. Difícil, porque depende em grande parte da sintonia entre Henrique Meirelles e Dyogo Oliveira, e isso não existe mais.

SEM SINTONIA – A sintonia mais difícil, entretanto, volta-se para um denominador comum, a esta altura quase impossível, entre o presidente da República e a população brasileira.

O aumento de impostos, além de ser repudiado, vai reduzir ainda mais o mercado de consumo. E sem consumo o país não avança, tão pouco se recupera.

Fonte: Tribuna da Internet