quinta-feira, 29 de setembro de 2016

ELEIÇÕES MUITO ESTRANHAS

Hélio Schwartsman

As eleições municipais do próximo domingo são, por várias razões, atípicas. No plano mais estrutural, o pleito ocorre sob o signo da penúria. Por decisão do STF, candidatos e partidos não podem mais receber doações de empresas. Estão se virando como podem para custear suas campanhas e produzir os programas veiculados no rádio e na TV, que também sofreram um belo corte de tempo.

A brutal redução dos recursos financeiros disponíveis combinada com a diminuição das oportunidades de exposição dos candidatos deveria ser uma força a beneficiar o "statu quo", isto é, os políticos já estabelecidos e conhecidos do eleitor. Essa tendência, porém, se de fato existe, é contrabalançada pelas ondas de choque do terremoto político que o país atravessa desde 2014.

As investigações da Lava Jato criaram um clima que coloca todos os políticos automaticamente sob suspeita. Isso faz com que postulantes que se exibem como "outsiders" levem uma vantagem. Não é coincidência que o primeiro colocado nas pesquisas em São Paulo, João Doria (PSDB), insista em vender-se como empresário e não como político, mesmo que essa descrição não se coadune muito bem com a realidade.

Outra anomalia no pleito deste ano é que o mais tradicional partido de esquerda do país, o PT, está acuado. Além de constar como um dos principais envolvidos nos esquemas de corrupção revelados pela Lava Jato, o PT ainda tem de enfrentar o desgaste de ser a legenda da ex-presidente Dilma Rousseff, cujo governo colocou o Brasil na maior recessão de sua história. Não parece exagero prever uma onda antipetista, especialmente no Sudeste. Um sintoma disso é que Fernando Haddad (PT-SP), apesar de segurar a normalmente poderosa caneta de prefeito, não está muito cotado para conseguir vaga para disputar o segundo turno.

Por tudo isso, essas serão eleições muito, muito estranhas.

Fonte: Folha de S. Paulo

O casamento é a única aventura ao alcance dos covardes. (Voltaire)

LUGARES

ARONA

Arona é uma charmosa cidade italiana da região do Piemonte, na beira do Lago Maggiore. 

NÃO TROPECE NA LÍNGUA


SUPERAVIT, SUB EXAMINE E HABEAS CORPUS
--- Por que o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (PVOLP) da Academia Brasileira de Letras (ACL) coloca acento gráfico na palavra superávit sendo que não há regra que o justifique? Agnaldo Martino, São Paulo, SP

Vamos tratar junto de déficit e hábitat, que configuram a mesma questão. O PVOLP editado em 1999 pela ACL trazia os dois registros: superavit - o próprio latim - e superávit, “do latim superavit”. O Vocabulário Ortográfico (oficial) editado em 2009 não traz os dois registros em latim. Só registra défice, que é a forma atualmente usada em Portugal. No Brasil prefere-se a grafia com o acento, porque facilita a leitura. Aliás, a acentuação gráfica nos três vocábulos tem o mero papel de informar a tonicidade. Senão vejamos:
  • Dé – fi – cit
  • Há – bi – tat
  • Su – pe – rá – vit

Como se observa, não é possível afirmar que o acento nessas palavras se justifica porque elas são proparoxítonas, como assim as denomina Napoleão Mendes de Almeida no seu Dicionário de Questões Vernáculas (1981: 305).  Se as duas primeiras são proparoxítonas, a última não pode ser.

PLURAL: superávits, déficits e hábitats

Em Portugal resolveu-se a pendenga de outra maneira: a grafia de deficit é défice. E superávit? Fui informada de que não é termo vulgarmente usado – preferem “excedente”. Mas poderia e poderá ser aportuguesado como “superávite”, não?

De minha parte, ainda prefiro as formas acentuadas que estou acostumada a ver em revistas e jornais, mesmo que não haja coerência nessa grafia!

SUB EXAMINE

Nos meios forenses é comum a dúvida entre a grafia “sub examen” e “sub examine” quando se pretende dizer que a matéria está sendo examinada ou está “sob exame”.

Já vai longe o tempo em que estudei latim, mas tive condições de verificar a questão baseando-me na locução adverbial in limine (desde logo, no início), originada pelo substantivo limen, que significa “limiar, entrada”; o caso nominativo é limen; liminis o genitivo e limine o ablativo, caso latino que representa as palavras na função de adjunto adverbial, em que aparece uma preposição, como in, sub, de.

Então, como examen e limen pertencem à mesma declinação (neutros da 3ª) temos examen, examinis, examine. Consequentemente, deve-se redigir sub examine.

HÁBEAS

O Word acentua automaticamente a palavra hábeas. “Mas latim não tem acento”, surpreendem-se as pessoas. Pois este é um caso parecido com o tratado inicialmente: no Brasil se vulgarizou o uso de “hábeas” como palavra proparoxítona no lugar de “habeas corpus”, que é a expressão latina original e que portanto não levaria nem hífen nem acento. Para que se caracterize o latim em qualquer texto, as palavras devem ser escritas em itálico, entre aspas ou sublinhadas. A imprensa, no entanto, como evita o uso desse tipo de destaque, tem juntado os dois vocábulos com hífen [habeas-corpus] ou utiliza hábeas simplesmente. Recomenda-se que os operadores do Direito usem o termo em latim com o devido grifo.

Fonte: www.linguabrasil.com.br

CHARGES


FALTA O TORPEDO FINAL PARA DESTRUIR O PT

Carlos Chagas

Cada vez que a Operação Lava Jato manda prender um dos marechais do PT, quantos companheiros desistem e se desligam da legenda, formal ou informalmente? Centenas ou milhares? A degola de Antônio Palocci constitui-se numa explosão de  profundas consequências para  o partido, menos porque o ex-ministro será condenado à  prisão por longo período, mais porque, depois dele, só resta mesmo disparar o torpedo final sobre  o Lula. Nessa hora, estará acabado  o PT. Esse golpe de graça ou petardo definitivo, porém, exige tornar o ex-presidente  inelegível  por via  judicial.

Por enquanto, a sobrevivência do PT liga-se à sorte do Lula. Procuradores, Polícia Federal, Ministério Público e Receita atuam para levar o combate às últimas consequências, ou seja, ao afastamento do Lula da vida política. É o embate derradeiro, ainda de resultado inconcluso.

ACUSAÇÕES – Afinal, as acusações contra o primeiro-companheiro, por enquanto costeando  o alambrado, restringem-se a um apartamento triplex cuja propriedade ele nega,  e ao armazenamento de presentes recebidos durante seus dois mandatos na presidência da República. Crimes, é claro, mas nada parecido com os  praticados por Antônio Palocci, orçados em mais de uma centena de milhões carreados para  seu bolso e para o partido. Daí para trás, até chegar a José Dirceu, há munição capaz de implodir o Partido dos Trabalhadores, desde que disparado o último torpedo.


Os petistas aferram-se à possibilidade de blindar seu chefe maior para levá-lo até a próxima sucessão presidencial.  Difícil é, mas impossível, não será.

Fonte: Tribuna da Internet

FRASES ILUSTRADAS


terça-feira, 27 de setembro de 2016

27.09.2016 - LISBOA

Hoje deve ser um dia menos agitado. É dia de arrumar as malas, de guardar energias para as incontáveis horas de espera vôo. É dia de dizer adeus. Aproveitamos apenas a parte da manhã para duas visitas ainda pendentes. A primeira foi conhecer a Igreja São Domingos e aproveitar o belo visual no seu entorno.







A segunda foi finalmente conhecer a Casa do Alentejo, local que reputo imperdível para quem vem à Lisboa.






Depois do almoço retornamos ao hotel para o merecido descanso, encerrando os relatos de mais esta viagem.  

ROMANCE FORENSE

O advogado burro e o deputado (in) escrupuloso

A contestação a uma ação de despejo era reveladora que seu signatário não tinha o mínimo de formação cultural. “O primarismo é palmar, de ignóbil nível de conhecimento jurídico, com erros crassos de português”. – informou o juiz à OAB.

O magistrado se espantara com o pouco conteúdo jurídico e a inexistência de nexo - entre fatos e negações - de uma contestação a uma ação de despejo que lhe chegou ao gabinete.

O magistrado vira, também, que algumas longas frases se estendiam por quatro ou cinco linhas. E que o comum era o texto conter uma vírgula antes de – logo adiante – prosseguir em mais duas ou três outras linhas que, sem pontuação, mudavam completamente de assunto.

Em linguagem jornalística, era um calhamaço. Pior: o ´conteúdo´(?) tinha grafias como “denumciados", "vestijos", "emediatos" e "posivel".

O juiz, então, conferiu e comprovou: o advogado era diplomado em Ciências Jurídicas e Sociais e estava regularmente inscrito na Ordem.

Foi por isso que o magistrado enviou à seccional da OAB um ofício contundente: “Escuso-me por expressar minha avaliação de que a contestação se revelou de um primarismo palmar, de ignóbil nível de conhecimento jurídico, com erros crassos de português e sem o mínimo de formação cultural".

O juiz arrematou: "Como essa entidade é órgão de seleção disciplinar e de defesa da classe dos advogados, acredito seja de seu interesse apurar as razões da inépcia desse integrante de seus quadros”.

Eram os anos noventa. Foi o ponto de partida, então, para que a OAB de São Paulo - destinatária da carta enviada pelo atento juiz - liderasse um movimento nacional entre as congêneres, e com forte apelo e apoio políticos no Congresso. Foi assim que, em 1994, o então novo Estatuto da Advocacia (Lei nº 8.906) passou a estabelecer: “Art. 8º - Para inscrição como advogado é necessário: (...) IV - aprovação em Exame de Ordem”.

Agora em 2015, o estranho deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) procura mover o que estiver à sua frente para tentar extinguir o Exame de Ordem. Autor da frase “o povo não está nem aí para o que eu digo, só pega a última frase", o presidente da Câmara Federal já foi comparado ao protagonista Francis Underwood - da série (EUA) ´House of Cards´ - que encarna um parlamentar inescrupuloso capaz de qualquer coisa para alcançar as ambições.


Mas Cunha ri e diz que “o cara é ladrão, gay e corno – e assim não posso me identificar com um cara desses”. 

Fonte: www.espacovital.com.br