quinta-feira, 23 de setembro de 2021

A RUÍNA DO CORONEL QUEIROGA

A RUÍNA DO CORONEL QUEIROGA
Elio Gaspari

Saudades dos ex-ministros Pazuello e Teich

Os tupinambás que dançaram em 1550 em Rouen na festa da rainha Catarina de Médici eram pitorescos e seus costumes intrigavam os franceses. Já a comitiva de Jair Bolsonaro comendo pizzas numa calçada de Nova York não tinha graça alguma.

Selvagem seminu, tudo bem, mas Gilson Machado, o ministro do Turismo da Terra dos Papagaios, estava com a parte frontal da cueca para fora da calça. Quem já viu coisa igual ganha um cinto.

Ao seu lado, estava o doutor Marcelo Queiroga, quarto ministro da Saúde do governo de um país onde falta pouco para que seja atingida a marca dos 600 mil mortos.

Queiroga comeu pizza de dia, mostrou o dedo à noite e ontem ouviu um discurso delirante. Está há seis meses na cadeira e tornou-se símbolo do caos da administração de Jair Bolsonaro. Quem achava que depois do general Eduardo Pazuello qualquer substituto seria boa escolha enganou-se.

No início da pandemia, com 2.141 mortos, Bolsonaro demitiu Luiz Henrique Mandetta e nomeou o médico Nelson Teich, que havia farfalhado em torno do cargo, mas foi-se embora depois de 28 dias, honrando seu diploma.

O capitão substituiu-o por um general que ocupou a pasta com uma desastrosa patrulha. Entrou na marca dos 15 mil mortos e saiu com 298 mil. Ficou a lembrança do seu humor de caserna e de um mandonismo inútil. Pior, parecia impossível.

Foi quando chegou o médico Marcelo Queiroga, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Aos poucos, saiu da casca um coronel paisano.

Astucioso, evitou a discussão da cloroquina e colocou-se sob a proteção da família Bolsonaro. Dizia que seu ministério “não vai colocar qualquer tipo de óbice para ampliar a vacinação”. Passou o tempo e suspendeu a vacinação de adolescentes para agradar seu chefe. Fez propaganda de 500 milhões de vacinas inexistentes e deu-se a pitis durante entrevistas.

Nomeou a médica Luana Araújo para a Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 e demitiu-a quando o Planalto viu que a doutora criticava charlatanices. Mandão, não quis se explicar: “Já falei sobre a doutora Luana. Esse é um assunto que nós consideramos encerrado. Não vou mais abordar esse assunto”. Abordou-o, para dizer que cumpre ordens.

Cumprindo-as, nomeou uma inimiga da vacinação para a diretoria de um hospital federal do Rio. De trapalhada em trapalhada, Queiroga firmou-se como um coronel do gênero paisano, um tipo que ao autoritarismo junta hábitos senhoriais.

Essa percepção poderia parecer má vontade com o doutor, até que o repórter Mateus Vargas mostrou a planilha dos voos do ministro pela FAB-Air. Entre março e agosto, o Ministério da Saúde fez 68 requisições. Em 11 voos Queiroga estava com a mulher. Como ela é médica e há uma pandemia por aí, vá lá. Três filhos de Queiroga voaram oito vezes. Coronel que se preza esparge seu poder.

Assim, num voo dos Queiroga viajou uma parente do ministro do Turismo, o da cueca. Noutro, embarcou o casal Fernando e Adriana Bezerra.

Ele, um Coelho, teve tio governador, foi ministro de Dilma Rousseff e de Michel Temer. É o atual líder de Bolsonaro no Senado. Ela é uma Souza Leão. Ilustres representantes da elite pernambucana, os Coelho mandam em Petrolina desde 1895. Os Souza Leão deram ao Império sete barões e são famosos pelo bolo que serviram a d. Pedro 2º em 1859. O coronel Queiroga chegou lá e pegou Covid.

Fonte: Folha de S. Paulo
O passado e o futuro parecem sempre melhores; o presente, sempre pior. (William Shakespeare (dramaturgo inglês, 1564-1616)

LUGARES

PARIS (LA DEFENSE)

NÃO TROPECE NA LÍNGUA


RASTREABILIDADE E RENUMERAÇÃO – PREFIXO RE
--- Existe a palavra rastreabilidade? Só encontrei rastreamento. É modismo? Inclusive nosso Ministro da Agricultura [2002] usa esse termo.Lúcia, São Paulo/SP
Devemos nos lembrar que não se encontram nos dicionários todas as palavras de uma língua que os falantes utilizam. Os dicionários não dão conta dos milhares de vocábulos potencialmente dicionarizáveis; apenas registram as palavras que são matrizes do idioma e só algumas das várias outras que podem ser delas derivadas. Por isso é que não se vê dicionarizado nenhum advérbio em “mente”, pois se sabe que para formar “admiravelmente”, por exemplo, basta conhecer o adjetivo “admirável”.
Nesse sentido é interessante conhecer os prefixos e sufixos de uma língua, pois eles nos permitem não só formar as palavras que desejamos como também entender melhor novos vocábulos. É o caso, por exemplo, do termo “desbussolado”, que um psicanalista usou (Istoé nº 1648, p. 75) para exprimir que não há mais bússola a nos guiar: “O homem está desbussolado”.

Há alguns sufixos que se agregam ao adjetivo para formar substantivos que indicam qualidade, propriedade ou estado. Um deles é -dade, sufixo que se encontra em:
  • bondade (de bom)
  • imprevisibilidade (de imprevisível)
  • umidade (de úmido)
  • possibilidade (de possível)
  • felicidade (de feliz)
  • modernidade (de moderno)
Rastreabilidade, portanto, é a qualidade do que é rastreável. Ou por outra, rastreabilidade é a possibilidade que algo tem de ser rastreado. Exemplo:

A Embrapa acompanha a implantação do sistema de rastreabilidade dos bovinos, com implantação de um chip nos animais para identificar sua origem e genética.

Esta palavra, aliás, tem um sentido diferente do substantivo rastreamento, que se origina de rastrear + -mento. O sufixo -mento é utilizado na formação de um substantivo derivado de verbo para indicar ação, resultado da ação ou instrumento. É o caso, por exemplo, de:
  • pensar – pensamento
  • impedir – impedimento
  • recolher – recolhimento
  • acompanhar – acompanhamento
  • polir – polimento
Rastreamento, por conseguinte, é a ação, o ato ou efeito de rastrear:

Velloso quer ainda o rastreamento das operações financeiras já detectadas pelo BC envolvendo os cheques administrativos.

--- Renumeração e renumerar não existem?! Consultei o Aurélio e o Michaelis e não encontrei essas palavras em nenhum deles... Como numeração e numerar existem, posso criar renumeração e renumerar ou haveria outras palavras mais adequadas para indicar que vou dar novo número a algo (no caso, um inciso) anteriormente numerado? Myrna Christina Moroz, São Paulo/SP

Podemos usar renumerar e renumeração à vontade. Como já disse, os dicionários não trazem todas as palavras a que se pode agregar o prefixo re-, mas a língua faculta a sua composição com verbos e substantivos para lhes dar o sentido de repetição ou de movimento para trás.

Só devemos observar que re se une ao radical sem hífen – dobra-se o s ou o r quando for o caso, e cai o h: refluir, refazer, remarcação, renomeação, reaver, reidratar, rerratificação, ressaber, ressignificar, etc. O Acordo Ortográfico manteve a tradição na grafia de reedição, reeducar, reestabelecer, etc. Ou seja, não se usa hífen para separar as duas vogais iguais neste caso.

Fonte: www.linguabrasil.com.br

FRASES ILUSTRADAS

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

A VACINAÇÃO DOS ADOLESCENTES CONTRA A COVID É URGENTE!

A VACINAÇÃO DOS ADOLESCENTES CONTRA A COVID É URGENTE!
Pedro Hallal

Suspender imunização dessa faixa etária expõe o Ministério da Saúde: mentira ou negacionismo?

Desde que surgiram as primeiras informações sobre a disponibilização, em tempo recorde, de uma vacina contra Covid-19, eu e outros profissionais fomos questionados sobre vacinas. Invariavelmente dizíamos que a vacina, muito mais do que uma estratégia de proteção individual, era uma estratégia de proteção coletiva. No texto de hoje, vou detalhar as razões que justificam essa afirmação.

Mas para explicar isso é necessário retornar aos princípios mais elementares da saúde coletiva, que são diferentes dos princípios da saúde individual. Na maioria dos cursos da área da saúde (medicina, nutrição, fisioterapia, entre outros), os estudantes são preparados com uma abordagem clínica, individual: ou seja, o que posso fazer para resolver o problema de saúde do meu paciente?

Pessoas treinadas com essa abordagem, quando pensam na vacinação, avaliam os efeitos individuais da vacina aplicada no braço de seus pacientes. Qual a eficácia do imunizante para evitar que a pessoa seja contaminada pelo vírus? A vacina impede casos graves? Qual a chance de alguma pessoa imunizada acabar morrendo?

Embora essa lógica tenha o seu valor na prática clínica cotidiana, ela não é a mais adequada para o enfrentamento de uma doença que não afeta uma pessoa de cada vez, mas que, na verdade, está descontrolada (pandêmica), como o coronavírus. Nesses casos, precisamos compreender as estratégias de proteção coletiva.

E poucas estratégias de proteção coletiva são tão efetivas quanto a vacinação. Quanto mais gente imunizada, menos o vírus consegue circular. Quanto menos o vírus circula, menor a quantidade de pessoas que ficam doentes. Em outras palavras, a pessoa vacinada não protege apenas a si própria, mas protege a população inteira.

Profissionais com uma visão clínica, individualista, pensam na vacinação exclusiva ou prioritariamente para pessoas em maior risco de desenvolverem casos graves da doença. Profissionais com uma visão populacional, coletiva, pensam na imunização para todos, para reduzir a circulação do vírus.

Nesse contexto, a suspensão da vacinação contra Covid-19 entre os adolescentes é uma atrocidade. Na ótica da saúde pública, a imunização dos milhões de adolescentes brasileiros ajudará, e muito, a reduzir a circulação do vírus, protegendo a saúde de crianças, adultos, idosos e pessoas com sistema imunológico comprometido. Vacinar os adolescentes não é uma estratégia para proteger somente os adolescentes: vacinar os adolescentes é uma estratégia para proteger a todos.

Nesse contexto, a suspensão da imunização entre os adolescentes brasileiros expõe o Ministério da Saúde: mentira ou negacionismo?

Se a justificativa real para a suspensão é a ausência de vacinas, fica evidente que o ministério mentiu, e mente reiteradamente, ao dizer que o Brasil tem doses de sobra para imunizar toda a sua população.

Se a justificativa oficial é verdadeira, ou seja, o ministério não vê benefícios em vacinar os adolescentes, trata-se de um caso grave de negacionismo, gerado por uma visão clínica, individualista de um problema que é coletivo.

Qualquer que seja a verdadeira razão, o anúncio feito essa semana pelo ministro da Saúde é errado e lamentável. Para piorar, o Brasil ainda teve que aturar o comportamento inadequado, debochado e negacionista do ministro da Saúde na coletiva de imprensa realizada pela manhã e na live com o presidente realizada à noite. Um ministro que, pela manhã, gera pânico em pais e mães ao comentar irresponsavelmente sobre a segurança das vacinas para adolescentes e, à noite, ouve calado a um deboche preconceituoso do presidente sobre uma vacina amplamente usada no país não está à altura de ocupar o cargo mais elevado na estrutura de saúde do país.

Aguardamos ansiosamente que o ministro volte a ser mais médico e menos político, e anuncie logo a retomada da vacinação entre adolescentes. As famílias brasileiras esperam por esse anúncio e por um pedido de desculpas, sr. ministro.

Fonte: Folha de S.Paulo
Nenhum homem sábio ou valente se coloca nos caminhos da história e espera que o trem do futuro o atropele. (Dwight D. Eisenhower, estadista americano, 1890-1969)

LUGARES

BUDAPESTE - HUNGRIA

O MONSTRO TERNO

O MONSTRO TERNO
Ruy Castro

A realidade política brasileira tem sido comparada a um filme de terror. E com razão, porque, não importa para que lado se olhe, o cenário é de porões de castelos assombrados, caninos ensanguentados, homens peludos, mortos que caminham e mulheres de maus bofes. Para completar, vários dos nossos políticos têm o "physique du rôle" para interpretar Drácula, o Lobisomem, Norman Bates, Freddy Krueger e até Minnie Castevet, a vizinha de apartamento de "O Bebê de Rosemary".

Em muitas dessas comparações, as pessoas citam Boris Karloff —como se, por ter feito os papéis-título em "Frankenstein" (1931) e "A Múmia" (1932), ele fosse um símbolo do horror. Mas, olhe, é uma injustiça. Boris Karloff apenas viveu aqueles papéis, e os dois filmes ficaram entre os maiores do gênero. Na vida real, Karloff (1887-1969) foi um dos homens mais queridos de Hollywood.

Ele era, na verdade, inglês, com formação teatral, fã de Joseph Conrad e amigo de escritores e dramaturgos. Devia ser um grande ator, já que, conhecido por sua suavidade e ternura para com os amigos, os filmes só o queriam para viver loucos, drogados, carrascos, sádicos e até violadores de túmulos.

Karloff trabalhava em Hollywood, mas mantinha um apartamento em Nova York, no —logo onde— edifício Dakota, onde se passa "O Bebê de Rosemary" e onde John Lennon seria morto em 1981. No Halloween, Karloff deixava doces e balas à porta dos apartamentos do Dakota onde moravam crianças –adorava-as e não queria que tivessem medo dele. Para elas, gravou disquinhos infantis e trabalhou em "Alice no País das Maravilhas" e "Peter Pan" na Broadway.

Karloff dizia que, ao morrer, queria ser enterrado maquiado de Frankenstein. Não foi possível. Nossos políticos não terão esse problema —bastará que sejam enterrados como si mesmos.

Fonte: Folha de S. Paulo

FRASES ILUSTRADAS


terça-feira, 21 de setembro de 2021

PESQUISA BOA É A DE PREÇOS

 
PESQUISA BOA É A DE PREÇOS
Carlos Brickmann

Depois de um mês afastado, voltei a consultar os supermercados e suas ofertas. Foi um susto: o preço do óleo de soja pulou, as carnes de peixe, frango ou boi subiram tanto que o velho caldo de pé de galinha voltou à moda, quem não gostar que coma ovos – por enquanto. Arroz, feijão, milho, em alta. Feira, sacolão, supermercado, todos cobram o que é difícil pagar.

Esta é a grande pesquisa presidencial: somar motos (e multiplicar o número real por cem antes de divulgá-lo) é bobagem, comparar fotos de manifestações não resolve, pesquisas eleitorais (a um ano das eleições) valem só para que os candidatos orientem suas campanhas. Quem tem razão, o DataFolha e o DataPoder, que indicam que o apoio a Bolsonaro é uma avalanche, só vai para baixo, ou o Paraná Pesquisas que mostra Lula como bem colocado, mas atrás de Bolsonaro? Como ensinou James Carville, o vitorioso marqueteiro de Bill Clinton, o que vale é a comida no prato, é ver os filhos alimentados e agasalhados, é poder comprar móveis a prestação, para preencher espaço nas casas populares ampliadas aos poucos.

É provável que o preço dos alimentos, o desemprego e, para a parte mais politizada do eleitorado, a comprovação de que falta dinheiro para auxiliar os necessitados, mas não falta para mordomias em Executivo, Legislativo e Judiciário, estejam mesmo derretendo a candidatura Bolsonaro. Ou ele cuida disso ou nenhum tanque movido a carvão fará com que se reeleja.

Fonte: https://www.chumbogordo.com.br
Nunca tenha filhos, apenas netos. (Gore Vidal)

LUGARES

FLORENÇA - ITÁLIA

ROMANCE FORENSE

filmagem ev.jpg
Charge de Gerson Kauer

Filmagem íntima 

 A universitária sentiu-se vítima e pediu a ajuda da família. O pai acionou polícia e Ministério Público. Poucos dias depois, o provedor de Internet recebeu uma ordem judicial para, em 24 horas, retirar as imagens de um blog. Mas ainda assim, algumas cenas editadas ilustraram os anexos de dezenas ou centenas de e-mails que pulularam na web.

O gerente de agência bancária responsável (?) pela filmagem admitiu no Juízo Criminal - para se beneficiar da confissão espontânea - já haver cansado de transas pós-baladas, com filmadas às escondidas feitas por amigos.

- A intenção era assistir no outro dia e dar risadas. Depois a gente apagava, pois perdia a graça. A maioria dos caras que eu conheço já fez isso. E algumas vezes as meninas sacaram. Algumas não gostaram, outras proibiram, mas também teve quem gostasse - contou.

Com esse mesmo introito no depoimento pessoal - já então no Juízo Cível - o homem procurou justificar seu ´modus operandi´, quando se viu réu da ação reparatória por dano moral. E explicou como as imagens haviam vazado: um colega perdera, justamente, a cópia da gravação em que o gerente bancário recebia, da namorada, sexo oral.

O juiz da causa ficou perplexo ao ver o vídeo e ouvir o áudio com a voz inconfundível da lesada:

- O que você está fazendo? Você não está filmando, né? - pergunta ela.

Para o magistrado, "embora, dessa frase, se possa concluir que a estudante universitária desconfiasse que estava sendo filmada em seus momentos íntimos com o parceiro, concluo que, ainda que acaso ela tivesse consentido com as gravações, jamais estava ele autorizado a fazer a divulgação posterior na Internet".

O acórdão da apelação definiu que "imagens íntimas sem consentimento se constituem em crime contra a honra". E confirmou a condenação do gerente bancário em R$ 20 mil.

Feita a constrição geral numa das contas do réu - em agência diversa daquele em que ele exercia as atividades - o caso chegou ao conhecimento da diretoria do banco.

Na semana seguinte houve a dispensa, sem justa causa.

Fonte: www.espacovital.com.br

FRASES ILUSTRADADAS


segunda-feira, 20 de setembro de 2021

O QUE MAIS BOLSONARO PRECISA FAZER?

O QUE MAIS BOLSONARO PRECISA FAZER?
Hélio Schwartsman

São pequenas as chances de reeleição; mas ainda falta um ano até o pleito

É assustador que 22% dos brasileiros ainda considerem o governo de Jair Bolsonaro ótimo ou bom —só dois pontos percentuais a menos do que o medido em julho. É uma resiliência impressionante. Afinal, um resumo de poucas linhas da gestão inclui quase 600 mil mortos na pandemia, inflação batendo nos dois dígitos, desemprego em alta, provável apagão elétrico, aumento na destruição ambiental e retrocessos em direitos humanos. O pseudoargumento do "pelo menos não tem corrupção" não vale, como mostraram as "rachadinhas" e a CPI da Covid.

Nem mesmo a pantomima golpista que o presidente ensaiou no 7 de Setembro parece ter afetado sua popularidade. Pergunto-me o que ele precisaria fazer para colocar seus apoiadores abaixo dos 10% —a estatura de nanico que a história lhe reserva. Estuprar criancinhas ao vivo no horário nobre da TV? Declarar que é ateu, gay e costuma vender maconha na porta das escolas?

É claro que, se escarafuncharmos com cuidado os dados do Datafolha, encontraremos notícias menos lúgubres. Já vão surgindo fissuras no apoio a Bolsonaro em grupos demográficos importantes, como o dos mais pobres e o dos evangélicos. Mais, olhando para as perspectivas econômicas, parece difícil encontrar algo em que o presidente possa se escorar para recuperar a popularidade.

Embora as dificuldades impostas pela epidemia tendam a arrefecer, um espetáculo do crescimento em 2022 é altamente improvável. Programas populistas capazes de alavancar o voto estão severamente limitados por uma situação fiscal difícil. Bolsonaro pode até tentar uma mandrakaria para burlar as regras, mas o mercado provavelmente perceberia o truque e jogaria dólar e juros nas alturas, o que significa mais inflação e menos votos.

A boa notícia é que, hoje, me parecem pequenas as chances de Bolsonaro ser reeleito. A má é que ainda resta um ano até o pleito, tempo suficiente para muita coisa ruim acontecer.

Fonte: Folha de S. Paulo
O fracasso é oportunidade de se começar de novo inteligentemente. (Henry Ford, industrial americano, 1863-1947)

LUGARES

MARBELA - ESPANHA

AMOR É PACIÊNCIA

Fabrício CarpinejarFabrício Carpinejar

Se você não faz questão de conversar, não ama mais.

Se a pessoa telefona e acredita que não é nada e nem atende e deixa para depois, não ama mais. Se ela não é mais prioridade, não ama mais.

Se toda história é remorso, não ama mais.

Se já fica irritado somente em escutar a voz, não ama mais.

Se arruma um jeito de retardar a volta para casa, não ama mais.

Se não festeja os finais de semana de folga, não ama mais.

Se não resta vontade de narrar a sua vida, não ama mais.

Se não faz programas a dois, não ama mais.

Se implica com a rotina, não ama mais.

Se beija virando o rosto, não ama mais.

Se empurra a comida com a água, se empurra a convivência com a televisão, não ama mais.

Se não é capaz de esperar o outro terminar de comer para levantar, não ama mais.

Se ameaça antes de ouvir, não ama mais.

Se acredita que a razão tem dono e cobra aluguel, não ama mais.

Se deita em horário diferente de propósito, não ama mais.

Se criou o vício de só falar mal da relação para os amigos, não ama mais.

Se não se importa onde o outro vai e quando volta, não ama mais.

Se o ciúme desfeito não vira saudade, não ama mais.

Se aproveita um erro para criar culpa, não ama mais.

Se a desculpa vem após tortura, não ama mais.

Se não tolera atrasos, se não brinca com os defeitos, se não releva discordâncias, se não procura soluções, não ama mais.

Amor é proporcional à paciência. Quanto mais você tem, mais você ama. Quanto menos você tem, menos você ama.

Fonte: Facebook

FRASES ILUSTRADAS