domingo, 8 de dezembro de 2019

HAPPY TOGETHER

THE TURTLES

Posso resistir a tudo, menos à tentação. (Oscar Wilde, escritor irlandês, 1854-1900)

FRASES ILUSTRADAS


PEDINTES

PEDINTES

Desde criança acostumei com a expressão "esmoleiro" para identificar aquelas pessoas que dependem da caridade alheia para a própria sobrevivência. 

Conheci algumas dessas pessoas e o respectivo modus operandi e exemplifico com apenas dois deles. 

Lembro de um mudo que sempre ficava junto à bilheteria do Cinema Central. Seu apelo era gestual e todos entendiam. Sempre captava um troquinho junto às almas caridosas. 

Outro portava visível deficiência nos membros inferiores. Se movia auxiliado por um bastão. Tinha cadeira cativa na esquina da Farmácia Velgos. Sentado na calçada, estendia a mão segurando um velho chapéu de feltro para que nele as pessoas de boa vontade depositassem alguma coisa. Dizia-se que era bem de vida. Ao final da tarde um taxista vinha buscá-lo. 

Prefiro identificá-los como pedintes e me adianto em dizer que aqui não faço qualquer distinção entre os bem ou mal intencionados. 

Mas do rol de pedintes que encontrei pela vida destaco quatro deles, que pela inusitada forma de pedir, vale apenas compartilhar com os leitores.

LUGARES

BAVIERA - ALEMANHA
O Palácio Linderhof é um palácio real na Alemanha, construído entre 1869 e 1878. Fica localizado nas proximidades de Oberammergau e da Abadia de Ettal, no sudoeste da Baviera. Uma foto dos jardins do palácio.

sábado, 7 de dezembro de 2019

O que nos parece ser a história da natureza é apenas a história muito incompleta de um instante. (Denis Diderot, filósofo francês, 1713-1784)

FRASES ILUSTRADAS


ATRITOS

ATRITOS 
Roberto Crema

Ninguém muda ninguém;
Ninguém muda sozinho;
Nós mudamos nos encontros.

Simples, mas profundo, preciso.

É nos relacionamentos que nos transformamos. Somos transformados a partir dos encontros, desde que estejamos abertos e livres para sermos impactados pela idéia e sentimento do outro.

Você já viu a diferença que há entre as pedras que estão na nascente de um rio, e as pedras que estão em sua foz?

As pedras na nascente estão toscas, pontiagudas, cheias de arestas. À medida que elas vão sendo carregadas pelo rio, sofrendo a ação da água e se atritando com as outras pedras, ao longo de muitos anos, elas vão sendo polidas, desbastadas.

Assim também agem nossos contatos humanos. Sem eles, a vida seria monótona, árida. A observação mais importante é constatar que não existem sentimentos, bons ou ruins, sem a existência do outro, sem o seu contato.

Passar pela Vida sem se permitir um relacionamento próximo com o outro, é não crescer, não evoluir, não se transformar. É começar e terminar a existência com uma forma tosca, pontiaguda, amorfa.

Quando olho para trás, vejo que hoje carrego em meu ser várias marcas de pessoas extremamente importantes. Pessoas que, no contato com elas, me permitiram ir dando forma ao que sou, eliminando arestas, transformando-me em alguém melhor, mais suave, mais harmônico, mais integrado. Outras, sem dúvidas, com suas ações e palavras me criaram novas arestas, que precisaram ser desbastadas. 

Faz parte...

Reveses momentâneos servem para o crescimento. A isso chamamos de experiência.

Penso que existe algo mais profundo, ainda nessa análise. Começamos a jornada da vida como grandes pedras, cheias de excessos.

Os seres de grande valor, percebem que ao final da vida, foram perdendo todos os excessos que formavam suas arestas, se aproximando cada vez mais de sua essência, e ficando cada vez menores, menores, menores...

Quando finalmente aceitamos que somos pequenos, ínfimos, dada a compreensão da existência e importância do outro, e principalmente a grandeza de Deus, é que finalmente nos tornamos grandes em valor.

Já viu o tamanho do diamante polido, lapidado? Sabemos quanto se tira de excesso para chegar ao seu âmago. É lá que está o verdadeiro valor... Pois, Deus fez cada um de nós com um âmago bem forte

E muito parecido com o diamante bruto, constituído de muitos elementos, mas essencialmente de AMOR.

Deus deu a cada um de nós essa capacidade de amar...

Mas temos que aprender como.

Para chegar a esse âmago, temos que nos permitir, por meio dos relacionamentos, ir desbastando todos os excessos que nos impedem de usá-lo, de fazê-lo brilhar.

Por muito tempo em minha vida acreditei que amar significava evitar sentimentos ruins. Não entendia que ferir e ser ferido, ter e provocar raiva, ignorar e ser ignorado faz parte da construção do aprendizado do Amor.

Não compreendia que se aprende amar sentindo todos esses sentimentos contraditórios e... os superando.

Ora, esses sentimentos simplesmente não ocorrem se não houver envolvimento...

E envolvimento gera atrito. Minha palavra final: ATRITE-SE.

Não existe outra forma de descobrir o Amor.

E sem ele a Vida não tem significado.

LUGARES

BUENOS AIRES - ARGENTINA

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Ainda que eu seja um homem de letras, não se deve supor que eu não tenha tentado ganhar a vida honradamente. (George Bernard Shaw, escritor alemão)

FRASES ILUSTRADAS


MR. MILES


Multas de trânsito: pagar ou esquecer? 

A última crônica de nosso solerte viajante, em que ele contou 9 verdades e uma mentira sobre sua longa vida provocou um estouro em sua caixa postal, usalmente muito ocupada. A maior parte dos leitores, segundo Mr. Miles, riu a valer com suas afirmações. Outros, unfortunately (como diria o bravo correspondente) chamaram-no de mentiroso e puseram reparos em quase todos os itens. O súdito mais viajado da Grã-Bretanha deu de ombros aos detratores, lembrando que só é dado a incansáveis viajantes passar por tantas aventuras. Mas ficou, mais uma vez, ofendido com os leitores que ousaram duvidar de sua idade, "como se fosse impossível ter uma vida tão longa e profícua como a minha." Perdendo sua fleugma usual, o bravo peregrino pediu a esses leitores que fossem to lick a soap , o que em português significa "lamber sabão".
A seguir, a correspondência da semana: 

Mr. Miles: aluguei um carro na Itália e recebi uma notificação de multa no valor de 18 euros, que já me foi debitada no cartão de crédito. Se eu receber uma multa internacional pelo correio, sou obrigado a pagar?
João Antonio Martinelli, por email

Well, my friend: a julgar pelo valor que você menciona, I’m sorry to say, mas você ainda não pagou sua multa de trânsito. A maior parte das locadoras de automóvel cobra uma taxa como essa apenas pelo serviço de notificá-lo de que o carro em questão foi autuado durante o periodo em que ele estava sob sua responsabilidade e, of course, notificar as autoridades, para que elas possam enviar a multa para sua casa. Bad news, isn’t it?

Sobre pagar (ou não) uma penalidade contraída em qualquer outra nação do mundo, eu diria que it’s up to you. Desde já deixo registrada a minha posição contra qualquer tipo de calote, mas sou obrigado a admitir que, em certos países do mundo, as regras de tráfego podem diferir daquelas as quais você está habituado. Na Alemanha, for instance, há ruas estreitas em que o motorista é autuado se não estacionar com duas rodas em cima da calçada — e é preciso dominar brilhantemente o delicado idioma de Goethe e Heine para decifrar uma placa com estas instruções. Do you know what I mean?

O fato, fellow, é que se você for multado, digamos, por excesso de velocidade no Tajiquistão e, well, não estiver em seus planos retornar para lá, será aceitável fazer vistas grossas para a penalidade. Não acredito que um comando tajique venha a persegui-lo no Brasil por essa razão. Já em outros países mais organizados e, indeed, mais atraentes, existe a possibilidade de que o não-pagamento de uma multa de trânsito fique registrado forever. Em outras palavras: quando você desembarcar no destino novamente, em uma viagem de férias ou de negócios, o simpático burocrata de plantão poderá barrar sua entrada ou, em alguns casos, autorizá-la mediante o pagamento da infração devidamente ampliado pelos juros previstos em lei. As you say in Brasil: é mole ou quer mais?

É claro que você pode apostar na desorganização do país em questão. Eu não diria que a eficiência chega a tal nível de sofisticação sequer em uma pequena parte das nações do mundo.

Anyway, believe me, my friend: o melhor que você tem a fazer é tentar conduzir cautelosamente, mesmo nesses estranhos países de mão contrária, como a França, os Estados Unidos e o próprio Brasil. 

Um último conselho: caso você seja multado na Bélgica ou na Holanda, arrume, logo, um servicinho extra. Esses dois países, conhecidos como baixos, têm as penalidades de tráfego mais altas do planeta. Na média, as 15 infrações de maior pontuação custam algo em torno de 1600 euros! Each one, fellow, each one!!!

Fonte: Facebook

LUGARES

BARCELONA - ESPANHA

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Quanto mais o homem pleneja seu procedimento mais fácil será encontrar-se com a causalidade. (Friedrich Dürrenmatt, dramaturgo suíço)

FRASES ILUSTRADAS


NÃO TROPECE NA LÍNGUA


COMPUTO, ME ADÉQUO, EXPLUDO (1)

--- Há algum tempo tenho inquietações para com o verbo adequar. No Aurélio Eletrônico, a conjugação do presente do indicativo (1ª, 2a, 3a e 6ª pessoas) inexiste. Nele, também não há conjugação do presente do subjuntivo. Já no Houaiss, as conjugações acima consignadas são feitas. Diante dessa dissonância, gostaria de saber se a conjugação do Houaiss é aceita pela forma culta da língua portuguesa. Em caso positivo, por que o Aurélio não passou a registrá-la em suas recentes atualizações? Qual é, afinal, a referência mais conveniente a ser usada, já que se trata de duas sumidades no assunto? B., São Paulo/SP

--- Estou estudando para concursos públicos e deparei-me com uma dúvida. Diz respeito ao verbo computar. Seria (ainda) este verbo defectivo? Adriana Coelho, Rio de Janeiro/RJ

--- Como se conjuga a primeira pessoa do verbo colorir? Me disseram que é eu “coluro”, mas achei esquisito demais. Valéria, Frutal/MG

Verbo defectivo é aquele que tem “defeitos”, falhas na conjugação. Ou seja, sua conjugação não é completa. Isso acontece principalmente na primeira pessoa do presente – ninguém diz, por exemplo, ‘eu falo’ e ‘paro’ referindo-se aos verbos falir e parir. Ou: eu não *fedo (feder), eu *abulo ou *abolo (abolir). Nem se diz *coluro ou *coloro, mas se usa o gerúndio ou um circunlóquio: não estou fedendo, estou colorindo, dou/faço um colorido... São formas inexistentes mesmo, e vamos seguindo sem elas. Entretanto, algumas dessas lacunas se devem a uma questão mais propriamente estética do que técnica. É o caso de adequar, computar e explodir.

ADEQUAR é cada vez mais usado nas pessoas do singular e na terceira do plural do presente do indicativo e mesmo no subjuntivo, inclusive por falantes cultos, que contam com o aval do dicionário Houaiss. Se temos obliquo, abliqua, obliquam, por que não adequo, adequa, adequam? 

Noto que obliquar é citado no Acordo Ortográfico (2009), junto com apropinquar, averiguar, delinquir e afins, como verbos que oferecem dois paradigmas e por isso podem ter as formas rizotônicas “acentuadas no u mas sem marca gráfica” (p. ex. averiguo, enxaguas, delinquem) ou “acentuadas fônica e graficamente nas vogais a ou i radicais” (a exemplo de averíguo, oblíquas, enxágua, delínquem).

Então, analogamente, quando se encontram as formas sem acentuação nessas pessoas consideradas defectivas, deve-se ler adeqUa, adeqUo, adeqUa, adeqUam, adeqUe, com a tonicidade na vogal u, que antes do Acordo levava acento agudo. Em Portugal, conforme assinalado no dic. Houaiss, a ocorrência dessa pronúncia é maior. No Brasil preferem-se as formas paroxítonas em ditongo decrescente, com a tonicidade na letra e, que então devem ser acentuadas graficamente: adéquo, adéqua, adéquam, adéque, adéques, adéquem. Exemplos:

Infelizmente eu não me adéquo a estas circunstâncias.

Diz o instrutor que o menino, ainda que tenha boa vontade, não se adéqua a nada.

Pessoas flexíveis e maduras se adéquam facilmente às novas situações.

Em seu livro, a autora se preocupa em apresentar receitas que se adéquem ao dia a dia das pessoas que não têm tempo para cozinhar.

Esperamos que esse município se adéque à nova lei. 

Finalizaremos na próxima coluna.

Fonte: www.linguabrasil.com.br

LUGARES

BRIENZ - SUÍÇA

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te. (Nietzsche)

FRASES ILUSTRADAS


A TRAGÉDIA

A TRAGÉDIA
Por Sérgio Jockymann

Pois, quem anda a sentar em louças, nem de longe imagina a angústia de quem sentava em madeira. Era uma segunda natureza entrar na casinha e, antes de sentar, lançar uma olhada temerosa para todas as juntas do assoalho.

E não havia pavor maior do que, no meio da operação, ouvir um rangido no madeirame. Claro que os ricos construíam casinhas luxuosas de madeira de lei, mas o tempo junto com os detritos humanos, conspirava até mesmo contra a segurança dessas fortalezas sanitárias. E como era feio falar no assunto, as casinhas iam apodrecendo sem a menor fiscalização, até que um dia vinha abaixo. A família inteira agradecia a Deus, quando uma ventania derrubava a construção, porque assim alguém havia sido poupado da maior miséria que era cair dentro da fossa. Ah, sim, não havia miséria maior. Em Vila Velha, um advogado após tão amarga experiência não resistiu e estourou os miolos. Porque por mais banhos que a vítima tomasse, permanecia sempre uma espécie de odor psicológico, que o afastava da companhia dos seus semelhantes. Ora, tudo isso era sabido e pensado por todos os habitantes de Vila Velha, mas ninguém se preocupava particularmente com o assunto, porque, como a morte, a queda na fossa sempre atingia os outros. No caso da Flavinha, a possibilidade de um desastre dessa natureza jamais passou pela sua cabeça. Ela não apenas era filha de uma família muito pernóstica como havia acabado de casar com o advogado mais promissor da região, o Murilinho.