sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

A VALENTE CHAPECOENSE MERECIA UM PAÍS MELHOR

José Henrique Mariante

Faz sol e a imensa Praça do Mercado de Delft abriga centenas de turistas espalhados com calma por restaurantes, lojas e a Igreja Nova, que é do século 16. A pequena cidade em quase nada se parece com a retratada por Johannes Vermeer em "A Vista de Delft", quadro de precisão fotográfica e detalhes que beiram o absurdo, alojado a quilômetros dali, em um museu em Haia.

Antes das quatro da tarde, o clima de tranquilidade começa a ser substituído por uma sensação estranha. Aos poucos os presentes se dão conta de que algo está prestes a acontecer. As conversas cessam, os olhares baixam, todos param. A gravidade vem dos sinos, que dobram e dobram e se tornam o único ruído possível. Até o instante em que também param.

É julho de 2014, e a Holanda presta homenagem aos mortos do voo MH 17, aquele alvejado estupidamente por míssil disparado de uma Ucrânia convulsa. Participo por acaso de minutos de silêncio profundos e difíceis de esquecer.

Novembro de 2016, a queda do voo da Chapecoense e a morte de atletas, jornalistas e tripulantes consternam o país e o mundo. Penso por um momento se o Brasil é capaz de ficar inteiro em silêncio por um único minuto e por uma única razão. Logo desisto. Para fazer esse tipo de coisa é preciso que milhões se entendam parte de algo maior, de uma nação. Somos apenas um pega pra capar desorganizado, corrupto e violento, em que nossos congressistas varam a madrugada para comprovar mais uma vez que não prestam.

Nenhuma novidade a Câmara dos Deputados, nesse arremedo de país, advogar em causa própria e transformar uma ação popular contra a corrupção, com mais de dois milhões de assinaturas, em uma caça às bruxas contra Ministério Público e magistratura. Muito menos o presidente do Senado Federal tentar acelerar a matéria à luz do dia seguinte.

Fazer tudo isso após um dia tão trágico é covardia demais. Não é possível ficar mais em silêncio.

Fonte: Folha de S. Paulo

Nasce um otário a cada minuto. (P.T Barnum)

LUGARES

BELLUNO - ITÁLIA


DOS MEUS LIVROS

Pedras Negras - Dias de Melo

Comentário:
Logo depois de ler as primeiras páginas, vem-nos à memória as obras mais conhecidas do neorrealismo português. Recordamos os Gaibéus de Redol ou os Esteiros do Soeiro. Mas à medida que a leitura avança depressa verificamos que há aqui algo mais. Dias de Melo apresenta-nos aqui uma estória linear, contada de forma objetiva e entusiasmante.

Francisco Marroco foi escorraçado pela ilha mas haveria de ser atraído fatalmente por ela. Pelo meio fica o sofrimento na indústria baleeira e um drama intenso na procura da sobrevivência numa

América feita de promessas mas também desilusões e injustiças.

Mas por detrás dessa estória há muito mais; há uma intensa reflexão sobre a condição humana.

No magnífico prefácio a esta edição (Varaçor 2008), Luiz Fagundes Duarte atribui a Dias de Melo o mérito de personificar na sua obra o conceito de Açorianidade, criado por Vitorino Nemésio e que é, em parte, sustentado por esta afirmação: “A geografia, para nós, vale outro tanto que a história”. Visão interessante e que este livro reflete na perfeição. Negras são as pedras como as vidas deste povo, condicionado pelo fogo dos vulcões, pela água furiosa dos ciclones, pela seca ou por inundações, pela fúria do mar, enfim por toda a sorte de desvarios da terra e dos elementos. “Somos carne e pedra“, diz Nemésio. Assim é Fernando Marroco que fugiu da miséria para voltar à terra, às pedras negras que haveriam de assistir ao seu fim.

Afirmei acima que havia neste livro algo mais do que neorrealismo; digo isso porque não é só a miséria material que dita a desgraça destes personagens; há aqui algo que provém da própria condição humana: a ambição desmedida de alguns que determina a miséria der muitos, os injustiçados. O que determina a desgraça destas gentes não é só a miséria material: é também uma ingenuidade, uma incapacidade de lutar contra o pior que a alma humana é capaz de criar. O que causa a desgraça do povo, afinal, não é a geografia nem a natureza madrasta; é a injustiça; é a exploração do homem pelo homem. É neste campo que as letras de Dias de Melo nos fazem lembrar, por várias vezes, As Vinhas da Ira.

Em conclusão, estamos perante um livro que envolve uma sensibilidade enorme, uma capacidade para sentir e transmitir o sentimento e sofrimento de um povo. Uma leitura que se faz com prazer devido à enorme capacidade narrativa do autor mas que, no final. Deixa no próprio leitor a dor dos personagens, tal é o realismo com que a história nos é contada.

Citação:
«Porque é de açorianidade que falamos quando falamos de "Pedras Negras", da açorianidade picarota, que o mesmo é dizer, da alma de uma gente rija que jamais se deixou embrandecer por séculos de "fome, secas, ciclones, fogo de vulcões, terramotos", sobrevividos numa ilha de pedras negras de onde sempre se quis sair (porque "a ilha escorraça a gente"), e a que sempre se quis regressar (porque a ilha chama pela gente).»

Luís Fagundes Duarte

Fonte: aminhaestante.blogspot.com.br

CHARGES


EM BREVE APARECERÁ UM CADÁVER

Carlos Chagas

Trata-se apenas de uma questão de tempo. Logo uma dessas violentas manifestações de protesto verificadas nas grandes cidades vão gerar uma vítima. Ou mais de uma. Provavelmente alguém dos grupos mais açodados na arte de depredar. Mas por que não um das forças da repressão? Quem sabe um inocente infeliz colhido entre as duas forças em choque?

Está faltando um cadáver para levar ao ponto de ebulição os sucessivos episódios de rebelião verificados no país inteiro. Quando acontecer, adiantará muito pouco ficar buscando os responsáveis, porque essas coisas costumam ficar fora de controle. E geram resultados imprevisíveis.

Em São Paulo, em 1932, a morte de quatro estudantes fez nascer o MMDC e a revolução constitucionalista.  Em Recife, anos depois, a morte de um estudante pela polícia foi o estopim do movimento que depôs Getúlio Vargas. No Rio, o assassinato de Edison  Luís, quase um menino,  marcou o rompimento final entre a juventude e o regime militar. Antes e depois, quantos mais episódios a História registrou?

MUITOS EXCESSOS – Dúvidas inexistem de excessos se sucederem, como o da noite de terça-feira, em Brasília. Teve de tudo, no confronto aberto entre policiais e manifestantes. Da depredação de ministérios a invasões de patrimônio público até bombas de gás, tiros e pancadaria. Durante horas ficou impossível respirar na Esplanada dos Ministérios e na Praça dos Três Poderes. Carros foram incendiados. Vidros e janelas quebradas. Cabeças ensanguentadas.

Continuando o processo como vai, tanto faz onde, logo virá o primeiro cadáver da temporada. Depois dele, o imponderável e suas consequências. Até a intervenção militar vem sendo cogitada por um bando de energúmenos.

A culpa vai para os arruaceiros ou para o governo que rapidamente perde o controle da vida nacional, fruto de sua incompetência e incapacidade? No fundo de tudo, o desemprego, a crise econômica, a roubalheira na política, o descrédito dos partidos e do Congresso, a falência das instituições.

Fonte: Tribuna da Internet

FRASES ILUSTRADAS


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

DISPENSADOS DE PEDIR DESCULPAS

Ruy Castro

Em seis meses como ministro da Cultura do governo de Michel Temer, Marcelo Calero foi hostilizado, agredido e chamado de golpista em vários eventos relacionados à sua pasta. Em todos, Calero foi calado por manifestantes e precisou ser protegido na saída. No Rio, nas imediações do Palácio Capanema, ocupado por ativistas, teve o carro oficial cercado pela multidão, os vidros socados e tinta vermelha despejada sobre a lataria.

Ironicamente, o homem que, por ser "golpista", sofreu essa violência está agora provocando, com suas denúncias, mais dano ao governo Temer do que todos os grupos que gritam "Fora Temer" pelo país. E o curioso é que, ao contrário de Chico Buarque, Sonia Braga, Letícia Sabatella e outros, Calero nunca votou em Temer. Votou em Aécio Neves — o qual, como senador, em vez de apoiar a investigação das denúncias de Calero, retribuiu recomendando que se investigasse o próprio Calero. "O homem mais forte é o que está mais só", já dizia um personagem de Ibsen.

As consequências do gesto de Calero não se limitarão ao episódio em que um político de segunda, habituado a fazer do Estado seu birô de negócios, como Geddel Vieira Lima, viu exposta uma de suas trampolinagens. Pior é o fato de que a mutreta parecia tão natural aos olhos de Temer — e isto num momento em que o Congresso manobra para se anistiar preventivamente face à delação premiada da Odebrecht.

Daí Temer, de repente, colocar-se de forma tão imperial contra a anistia ao caixa dois. Não fosse o tumor Geddel, teria continuado "neutro", a favor da tramoia de seus pares.

Os que hostilizaram Marcelo Calero ficam dispensados de lhe pedir desculpas. Mas poderiam refletir que, assim como um governo "ilegítimo" pode comportar um homem honesto, nada impede que um legítimo seja apinhado de pilantras.

Fonte: Folha de S. Paulo

Todos os casamentos são felizes. Tentar viver juntos depois é que causa os problemas. (Shelley Winters)

LUGARES

BUDAPESTE - HUNGRIA


NÃO TROPECE NA LÍNGUA


GERÚNDIO SEM VÍRGULA (1)
--- Gostaria de saber em quais casos, efetivamente, deve-se empregar o gerúndio. Rosemary Toffoli, São Paulo/SP
É impossível ver todos os tipos de emprego numa só coluna, Rosemary. Mas há duas semanas tivemos a oportunidade de analisar e estudar um caso, aquele em que o gerúndio precedido de vírgula dá ideia de adição em substituição ao conectivo “e”.  Repito um exemplo: Ligou para o celular de D. Marisa, no sábado, lamentando o sequestro. No domingo voltou a falar com Lula, marcando uma conversa pessoal. Isso equivaleria a dizer: “Ligou para o celular de D. Marisa, no sábado, e lamentou o sequestro. No domingo voltou a falar com Lula e marcou uma conversa pessoal”.
Vejamos agora o uso do gerúndio sozinho (sem verbo auxiliar) numa situação de oração reduzida adverbial de modo depois da oração principal. Neste caso específico, quando o gerúndio denota MEIO, MODO ou INSTRUMENTO – respondendo, portanto, à pergunta como? –, não se usa a vírgula, pois então se trata de uma oração subordinada na sua ordem normal, que é depois da principal. [É importante observar que no parágrafo anterior se falou de gerúndio que une orações coordenadas.] Eis alguns exemplos de orações reduzidas modais de gerúndio (sem a vírgula, portanto):
  • O presidente subiu a rampa correndo.
  • A cigarra passou a vida cantando.
  • Mandou pintar o edifício empregando mão de obra local.
  • Dewey já comentava a importância de “aprender fazendo”.
  • A criança constrói sua cultura brincando.
  • Finda a sessão, a ré saiu chorando da sala.
  • Esse fato contribui ainda mais para afastá-lo da sua missão de eliminar conflitos realizando a justiça.
  • O Direito deve retomar o seu papel de instrumento de ordenação respondendo às convenções morais.
  • Em 1831 um empresário decidiu minorar a falta de transportes públicos de Nova York encomendando um veículo para 12 pessoas a um fabricante de carruagens.

Em Portugal, é bom que se diga, o gerúndio é desprezado nesse tipo de frase. Lá se costuma empregar a oração reduzida de infinitivo, que nós brasileiros também usamos (mas não tanto): Subiu a rampa a correr / passou a vida a cantar / a criança constrói sua cultura a brincar / saiu da sala a chorar e assim por diante.

Podemos afirmar também que a ausência da vírgula diante do gerúndio (ou oração gerundial) é a regra em qualquer tipo de oração adverbial na sua ordem habitual, isto é, depois da oração principal, não anteposta nem intercalada. Constata-se esse uso mais frequentemente quando o gerúndio equivale a uma oração adverbial final, ou seja, aquela que exprime uma finalidade (poderíamos dizer que responde à pergunta para quê?):
  • Telefonou para sua mulher dizendo que ia jantar fora.
  • O BC emitiu nota oficial desmentindo os boatos especulativos a respeito dos juros.
  • Ele renunciou objetivando facilitar as investigações.
  • A imobiliária deve enviar e-mail ao locador avisando-o de que fez despesas em seu favor.

Tem mais. Em breve, abordaremos o gerúndio equivalente a uma oração adjetiva restritiva, igualmente sem vírgula.

Fonte: www.linguabrasil.com.br

CHARGES


INSTITUIÇÕES EM FRANGALHOS, SEGUNDO O PRESIDENTE

Carlos Chagas

Perdeu-se o presidente Michel Temer na trapalhada de conceitos que se obriga a oferecer a seus ministros e ao país. Acaba de declarar, em encontro com empresários, que o Brasil não tem instituições sólidas, pois elas são abaladas por qualquer fatozinho que surja.

Com todo o respeito, o Judiciário é uma instituição sólida. A Polícia Federal, também, assim como o Ministério Público. Claro que a Câmara dos Deputados não é, assim como o Ministério. Mas a operação Lava Jato parece feita de granito. E assim por diante, com vantagem para a solidez de boa parte das instituições nacionais. Se o presidente da República duvida, é problema dele.

Sólido é o processo eleitoral, apesar da fragilidade de seus resultados. Ainda agora vai-se desmanchar como sorvete ao sol um grupo de perto de 200 políticos incluídos na lista da Odebretch. Como alguns ministros que deixaram de ser ministros depois da posse de Temer.

Nas colunas de deve e haver, o governo ainda dispõe de saldo positivo. O que não dá para entender é o desânimo presidencial, estendido a uma parte do Ministério.

DOSE DE ESPERANÇA – Ao aderir ao processo de impeachment da antecessora, Michel conseguiu injetar boa dose de esperança no fortalecimento das instituições. Se agora é ele mesmo a duvidar de seus sentimentos, alguma coisa desandou. Talvez a confiança em seus próprios ministros, ainda que se possa dizer que vem colhendo o que plantou.

Estava escrito que determinados ministros se envolveriam em trapalhadas. Cabe-lhe corrigir a escalação do time. Reconhecer o erro é o primeiro passo para a correção de rumos. Faltam dois anos e um mês para a consolidação das instituições. Jamais para deixá-las em frangalhos.

Fonte: Tribuna da Internet

FRASES ILUSTRADAS


quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A BOIA DO XADREZ

Hélio Schwartsman

A esperança de Michel Temer era que a melhora das expectativas após o impeachment de Dilma lhe desse fôlego para atravessar os primeiros meses. Ele conseguiria ainda algum oxigênio extra com a aprovação das reformas, e isso deveria bastar até que a economia começasse a reagir positivamente. É da recuperação que seu governo extrairia a legitimidade que não conquistou nas urnas. Se a Lava Jato não acertasse em cheio o núcleo duro de sua administração, Temer poderia sonhar até com reeleição. Bem, não está dando certo...

É verdade que a saída de Dilma melhorou as expectativas, mas as reformas vêm num ritmo muito mais lento do que o necessário. E, nesse meio tempo, o cenário econômico mudou para pior. Ainda não apareceram sinais inequívocos de recuperação, e os analistas já reveem para baixo as previsões para 2017. A eleição de Trump adiciona mais algumas incertezas que não ajudam o Brasil.

É na política, contudo, que a deterioração foi mais rápida. O Congresso está acuado pela Lava Jato, e parlamentares já partem para o salve-se quem puder. As movimentações em torno da suposta anistia ao caixa dois são o melhor exemplo disso. Mas, como a opinião pública deixou claro que não vai aceitar passivamente que tudo termine em pizza, o governo não poderá contar com um acordão para acalmar a base aliada e facilitar a aprovação das reformas. E, se houver a percepção de que elas não virão, as expectativas irão para o buraco, levando junto a economia.

A essa altura, nossa melhor esperança é a de que os parlamentares desvinculem a votação da agenda econômica de seus interesses pessoais. Em condições normais, isso não aconteceria. Mas, com exemplos como o do RJ, a gravidade da crise fiscal que nos ameaça está ficando difícil de ignorar. Se isso não bastar para comovê-los, deveriam lembrar que a comida da cadeia tende a ficar ainda pior se o Estado estiver falido. 

Fonte: Folha de S. Paulo

Quando o teu amigo atravessar alguma aflição, não o aborreças perguntando-lhe o que podes fazer por ele. Pensa em algo apropriado e fá-lo. (Ed. Howe)

LUGARES

DOLOMITI - ITÁLIA

As Dolomitas formam uma cadeia montanhosa dos Alpes orientais no norte da Itália. A área dolomítica estende-se entre as províncias de Belluno - que constitui sua parte mais relevante - Bolzano, Trento, Údine e Pordenone.

LET ME TRY AGAIN

Martha MedeirosMartha Medeiros

Você viveu um grande amor que terminou meses atrás. Está só. Nada nesta mão, nada na outra. A sexta-feira vai terminando e, enquanto seus colegas de trabalho aquecem as turbinas para o fim-de-semana, você procura no jornal algum filme que ainda não tenha visto na tevê. Ao descobrir que vai passar Kramer vs. Kramer de novo, não resiste e cai em tentação: liga para o ex.

Tentar outra vez o mesmo amor. Quem já não caiu nesta armadilha? Se ele também estiver sozinho, é sopa no mel. Os dois já se conhecem de trás para frente. Não precisam perguntar o signo: podem pular esta parte e ir direto ao que interessa. Sabem o prato preferido de cada um, se gostam de mar ou de montanha, enfim, está tudo como era antes, é só prorrogar a vigência do contrato. Tanto um como o outro sabem de cor o seu papel.

Porém, apesar de toda boa intenção, nenhum dos dois consegue disfarçar o cheirinho de comida requentada que fica no ar. O motivo que levou à separação continua por ali, escondido atrás do sofá, e qualquer hora aparece para um drinque. O fim de um romance quase nunca tem a ver com os rompimentos de novela, onde a mocinha abre mão do amado porque alguém a está chantageando ou porque descobriu que ele é, na verdade, seu irmão gêmeo. No último capítulo tudo se esclarece e a paixão segue sem cicatrizes. Já rompimentos causados por incompatibilidades reais não são assim tão fáceis de serem contornados.

Toda reconciliação é precedida por uma etapa onde o casal, cada um no seu canto, faz idealizações. As frases que não foram ditas começam a ser decoradas. As mancadas não serão repetidas. As discussões serão evitadas. Na nossa cabeça, tudo vai dar certo: o roteiro do romance foi reescrito e os defeitos foram retirados do script, ficando só as partes boas. Mas na hora de encenar, cadê o diretor? À sós no palco, constatamos que somos os mesmos de antigamente, em plena recaída.

Se alguém termina um namoro ou casamento, passa um tempo sozinho e depois resolve voltar só por falta de opção, está procurando sarna para se coçar. Até existe a possibilidade de dar certo, mas a sensação é parecida com a de rever um filme. Numa segunda apreciação, pode-se descobrir coisas que não haviam sido notadas na primeira vez, já que não há tanta ansiedade. Mas também não há impactos, surpresas, revelações. Ficamos preparados tanto para as alegrias como para os sustos e, cá entre entre nós, isso não mantém o brilho do olho.

Se já não há mais esperança para o relacionamento e tendo doído tanto a primeira separação, não há por que batalhar por uma sobrevida deste amor, correndo o risco de ganhar de brinde uma sobrevida para a dor também. É melhor aproveitar esta solidão indesejada para namorar um pouco a si mesmo e ir se preparando para o amor que vem. Evite a marcha a ré. Engate uma primeira nesse coração.

Fonte: Facebook

CHARGES


TEMER, RENAN E MAIA PARECEM APRESSADINHOS

Carlos Chagas

Costuma dar errado  celebrar a vitória antes do apito final. Michel Temer, Renan Calheiros e Rodrigo Maia proclamaram domingo o pacto contra a anistia ao caixa dois e demais velhacarias quase aprovadas pela Câmara na semana anterior. Peito estufado e sorrisos a mais não poder, anunciaram que não haverá perdão para crimes eleitorais, na votação marcada para amanhã.

Seria bom que tivessem aguardado alguns dias antes das comemorações, porque continuam majoritárias as bancadas que a qualquer custo tentam escapar das punições por conta do conluio entre a Odebretch e a classe política. Está para ser divulgada a lista da empreiteira, com quase duzentos deputados envolvidos na tramoia.  Eles tentaram e continuarão tentando incluir no projeto a ser votado nesta terça-feira artifícios capazes de livrá-los da perda de mandatos e sucedâneos. Mesmo que afastada a torpe anistia, encontrarão meios igualmente pérfidos para sobreviver.

É bom os três presidentes tomarem cuidado. Contam com o apoio do Supremo Tribunal Federal mas necessitam aprovar uma série de projetos ligados à recuperação econômica. No mínimo, os deputados pró-anistia poderiam não comparecer às votações.

DIÓGENES E ALEXANDRE – Nunca  será demais repetir o diálogo entre Diógenes e Alexandre. Depois de tornar-se um dos maiores advogados de seu tempo, o grego decidiu mudar de vida. Distribuiu seus bens, que não eram poucos, tornando-se filósofo. Passou a morar num barril e viver da caridade dos atenienses.

Alexandre havia conquistado Atenas, iniciando a trajetória que o faria Senhor do mundo. Antes de partir, impressionado com a fama de Diógenes, foi visitá-lo. Indagou do que necessitava, pronto para dar-lhe fortunas, palácios e tesouros. Postando-se diante do filósofo, ouviu dele: “Majestade, não me tire aquilo que não me podes dar.”

O jovem olhou em volta e viu que se tinha colocado diante do velho, que tomava sol, impedindo luz e calor chegarem a Diógenes… 

Fonte: Tribuna da Internet