quinta-feira, 25 de agosto de 2016

PARA QUE SERVE UM VELHO

Por Paulo Germano

Se os jovens agora gozam de poder e saber, que serventia têm os velhos?

Sinto falta dos velhos. Eles sumiram. Há os que se esconderam, porque ninguém mais quer ouvi-los, e há os que se portam como jovens, na ânsia de serem ouvidos. O velho mesmo, o velho clássico, o velho sábio que nos fazia baixar as orelhas e sentar de perna de índio em volta da cadeira, esse velho nós estamos matando.

Ponha-se no lugar dele: quando era jovem, há algumas décadas, sua meta era entrar no mundo dos velhos – porque eram os velhos que detinham o poder, o saber e o sucesso na carreira. Agora que virou velho, sua meta é entrar no mundo dos jovens, porque são os jovens que detêm o poder, o saber e o sucesso na carreira. Quem aguenta uma rasteira dessas?

O publicitário Dado Schneider, 55 anos, repete em suas palestras que, justo na vez dele, justo na hora de ele ficar velho, houve essa transformação inédita na história da humanidade: um volume brutal de conhecimento passou a ser transmitido das gerações mais novas para as gerações mais velhas. E há um efeito hediondo nessa inversão de papéis.

Porque, se os jovens agora gozam de poder e saber, que serventia têm os velhos? Se o nosso guru se chama Google, se o modelo de sucesso é Zuckerberg – 32 anos –, se a compreensão do mundo parece melhor na juventude, qual é a vantagem da velhice? Quem vai parar para ouvir um velho? Pior: quem vai aceitar ser velho?

É triste que o velho mesmo, o velho clássico, o velho sábio que nos fazia baixar as orelhas e sentar de perna de índio em volta da cadeira, morra no momento em que mais precisamos dele – um momento em que "estamos nos afogando em informações mas famintos por sabedoria", como disse o biólogo E. O. Wilson.

Quer dizer: temos acesso ao conhecimento como ninguém jamais teve, mas falta quem nos oriente. Falta quem nos situe nessa biblioteca de fragmentos, quem nos ajude a filtrar essa enxurrada de informações que mais atormenta do que educa. Falta quem nos ensine a lidar com essa nova vida – ou, em outras palavras, nos falta sabedoria. Que nada mais é do que saber empregar o conhecimento.

Em toda a história da civilização, os velhos exerceram um papel crucial. Na Roma antiga, o conselho de anciãos, que já era comum nas sociedades orientais, ganhou o nome de Senado – e os anciãos passaram a fiscalizar autoridades e a controlar as finanças públicas. Porque o jovem, ele é importante quando precisamos de iniciativa, ímpeto e energia, mas nada disso basta sem prudência, traquejo e paciência. Aos 30 anos de idade, Alexandre, o Grande, já havia conquistado o mundo, mas seu maior conselheiro era o velho Aristóteles.

Que conselheiro nós temos hoje? Qual foi a última vez que você parou para ouvir um velho, frente a frente, sem qualquer obrigação familiar, apenas pelo prazer de beber um pouco de sabedoria? Ainda dá tempo, mas seja rápido. Porque esse velho nós estamos matando. Fonte: Zero Hora


Quando uma pessoa sofre um delírio, se chama loucura. Quando muitas pessoas sofrem um delírio, isso se chama religião. (Robert M. Pirsig)

LUGARES

MORRETES



NÃO TROPECE NA LÍNGUA


IMPLICAR SEM IMPLICAÇÕES
--- Gostaria de saber qual é a transitividade do verbo implicar na frase: a aceitação desta proposta não implica “na” contratação de serviços futuros. A.P., Brasília/DF
--- Gostaria que esclarecessem a seguinte dúvida: implicar é transitivo direto ou indireto? Já vi o referido verbo empregado das duas formas e não sei qual é a tecnicamente correta. Ex: 1) A contratação de funcionários qualificados implicará em gastos excessivos. OU 2) ...implicará gastos excessivos. G.C., São Paulo/SP
No sentido de “ter como consequência, resultar, acarretar, originar, pressupor, exigir, tornar necessário”, o verbo implicar é transitivo direto, devendo ser usado sem a preposição:
Maior consumo implica mais despesas.
Combater a desigualdade implica adotar medidas drásticas neste momento.
A contratação de funcionários qualificados implicará gastos excessivos.
A aceitação desta proposta não implica a contratação de serviços futuros.
Os novos estágios de modernidade na arquitetura não implicam a destruição de épocas passadas.
A utilização de energia nuclear implicaria riscos tremendos.
No entanto, por analogia com três verbos de significação semelhante mas de regência indireta, quais sejam, resultar em, redundar em, importar em, o verbo implicar passou a ser usado com a preposição “em”, sem que nosso ouvido encontrasse nisso alguma estranheza. Tanto é assim que no Dicionário Prático de Regência Verbal, de Celso Pedro Luft, está registrado “TI: implicar em algo”, com a observação de que essa regência é um brasileirismo já consagrado e “admitido até pela gramática normativa”.
Aberta a concessão, nós brasileiros vamos aceitar como correta a regência indireta do verbo implicar nas mesmas frases:
Maior consumo implica em mais despesas.
Combater a desigualdade implica em adotar medidas drásticas neste momento.
A contratação de funcionários qualificados implicará em gastos excessivos.
A aceitação desta proposta não implica na contratação de serviços futuros.
Os novos estágios de modernidade na arquitetura não implicam na destruição de épocas passadas.
A utilização de energia nuclear implicaria em riscos tremendos.
Contudo, se na prática valem os dois usos – e até por uma questão de economia – é melhor deixar a preposição de fora, não é mesmo? Para mim a frase geralmente soa melhor sem a preposição, mas nem sempre – cada caso é um caso.
Outra coisa: seja qual for sua escolha, mantenha a coerência quando usar o verbo implicar com dois objetos diretos coordenados. Não se deve usar um objeto preposicionado e outro não, como neste exemplo: *A exigência das notas fiscais implicaria novos custos e também em operações humilhantes para muita gente. A solução é se valer só da regência inovada brasileira ou só da clássica:
A exigência das notas fiscais implicaria em novos custos e também em operações humilhantes para muita gente.
A exigência das notas fiscais implicaria novos custos e também operações humilhantes para muita gente.
Fonte: www.linguabrasil.com.br

CHARGES


NÃO ADIANTA BRIGAR COM A NOTÍCIA

Charge do Mariano
Não adianta brigar com a notícia: Lula é candidato e já está em campanha

Carlos Chagas

Em dois anos, tudo pode acontecer, até não acontecer nada. Assim, a indagação que se estende para 2018 refere-se a quem será o adversário do Lula no segundo turno das eleições presidenciais. Porque, de início, não se cogita de acabar com o sistema de votação em dois turnos, um com todos os candidatos, outro apenas com os dois primeiros, ficando o vencedor obrigado a apresentar a metade mais um dos votos válidos.

Apesar da torcida que fazem os principais partidos, mais boa parte do eleitorado, das elites, das forças conservadoras e da mídia, a verdade é que o ex-presidente será o candidato do PT e forças afins, mais a maioria dos sindicatos e a legião dos  temerosos beneficiados dos programas sociais hoje ameaçados.

Dúvidas inexistem de que a campanha do Lula já começou, e mais se acentuará após as eleições municipais.

QUEM SERÁ O RIVAL? -Do outro lado, a incógnita prevalece: o segundo colocado será Aécio Neves, Geraldo Alckmin, José Serra, Marina Silva, Ciro Gomes, Henrique Meirelles, Ronaldo Caiado, Jair Bolsonaro ou, hipótese em aberto, Michel Temer? Um deles será forçosamente convocado a terçar armas com o primeiro-companheiro, por maiores esforços que façam seus adversários nessa frente ampla temerosa de mais uma derrota.

Torna-se necessário praticar aquela regra tão simples no jornalismo, ainda que combatida ao máximo por parte da população: é impossível brigar com a notícia. E a notícia, hoje, como ontem e talvez amanhã, dá ao Lula lugar garantido no primeiro turno das eleições presidenciais, abrindo-se o leque das especulações sobre quem ocupará o segundo lugar.


O resto são dúvidas: o ex-presidente encontrará forças para, na hora da decisão, superar a frente ampla certamente organizada contra ele?  E já entrado nos setenta anos, estará fisicamente preparado? Encontrará meios para retomar as propostas que realizou pela metade, nos seus dois primeiros governos? 

Fonte: Tribuna da Internet

FRASES ILUSTRADAS


quarta-feira, 24 de agosto de 2016

INDIGNAÇÃO DE OCASIÃO

Por Bernardo Mello Franco

A crise entre o Ministério Público e o Supremo alcançou um novo patamar nesta terça (23). A água que esquentava desde o fim de semana atingiu o ponto de ebulição. Coube ao ministro Gilmar Mendes soprar o apito. Ele atacou os procuradores da Lava Jato, a quem acusou de vazar uma pré-delação para constranger o tribunal.

Gilmar abriu o verbo depois de a operação esbarrar na proximidade entre o empreiteiro Léo Pinheiro e o ministro Dias Toffoli. Ele sugeriu à colunista Mônica Bergamo que os procuradores seriam movidos a "delírios totalitários". "Me parece que [eles] estão possuídos de um tipo de teoria absolutista de combate ao crime a qualquer preço", afirmou.

Mais tarde, ao jornal "O Estado de S. Paulo", o ministro disse que "é preciso colocar freios" nos investigadores, que se sentiriam "onipotentes". Sem apresentar provas, ele disse que os procuradores "decidiram vazar a delação" para fazer um "acerto de contas" com seu colega.

O procurador Rodrigo Janot aderiu ao bate-boca. Depois de suspender a delação sem explicar suas razões, ele disse que a menção a Toffoli teria sido inventada. Em seguida, num recado a Gilmar, questionou: "A Lava Jato está incomodando tanto? A quem e por quê?"

O ministro tem certa razão ao pedir que os procuradores calcem as "sandálias da humildade", embora ele nunca tenha encontrado um par do seu número. Desde o início da Lava Jato, é comum ver investigadores exagerando na autopromoção e no ativismo político. No entanto, chama a atenção que Gilmar tenha resolvido protestar quando a operação ameaça atingir um de seus colegas.


Os ministros do Supremo merecem respeito, mas não podem ser tratados como indivíduos acima da lei. Em março, quando a Lava Jato divulgou gravação de Lula e Dilma Rousseff, Gilmar não manifestou a mesma indignação com o vazamento. Na época, o que importava para ele era discutir "o conteúdo" do grampo. 

Fonte: Folha de S. Paulo