sábado, 18 de janeiro de 2020

Nada faz um homem ter tantas suspeitas como o fato de saber pouco. (Francis Bacon)

LUGARES

CIDADES EUROPEIAS ALTERNATIVAS PARA CONHECER

As cidades são opções interessantes para fugir dos roteiros padronizados de viagem para a Europa

Paris, Londres, Madri, Lisboa. Os roteiros de viagem para a Europa geralmente passam pelas capitais de países ou por cidades mais conhecidas, como Pamplona, na Espanha. São cidades predominantemente turísticas e mundialmente conhecidas, mas existem muitas outras que valem a visita tanto quanto estas. Para variar o roteiro europeu, o site de viagens KAYAK selecionou seis cidades europeias alternativas que valem a pena a viagem, como Jersey, no Reino Unido, e Cádis, na Espanha. 

Confira: 

1. Poznan, Polônia 

A cidade já foi capital da Polônia e fica entre as cidades de Berlim e Varsóvia. Dentre as atrações turísticas estão a praça da cidade, Stary Rynek, uma das mais bonitas da Europa, e o Lago Malta, localizado numa área de comércio, cafés e trilhas. 

2. Trieste, Itália 

Localizada na Costa Adriática e quase completamente cercada pela Eslovênia, a cidade possui diversas nacionalidades e culturas interconectadas. O Castello di Miramare, onde morou o arquiduque Maximiliano, da Áustria, é uma das atrações principais. O mais belo, entretanto, é a Piazza dell'Unita d'Italia. 

3. Jersey, Reino Unido 

Jersey é uma das ilhas do Reino Unido, localizada próximo ao litoral da Normandia, na França. É possível visitar os túneis de guerra da ilha, onde se ocupavam os alemães durante a Segunda Guerra, e o Mont Orgueih, um dos castelos mais antigos da Inglaterra. 

4. Carcassonne, França 

A cidade é onde fica o Château Comtal, castelo do século 12 que possui 31 torres. É outro destino francês que possui grande viés histórico e artístico, com arquitetura impecável. É considerada patrimônio mundial pela UNESCO desde 1997. 

5. Cádis, Espanha 

Parte da província de Andalucía, Cádis fica localizada no litoral espanhol e abriga a Catedral de Cátis, um dos monumentos mais conhecidos da região, e a Torre Tavira, construída no século 18. 

6. Leipzig, Alemanha 

O compositor mundialmente famoso Bach é nativo de Leipzig. Anualmente, a cidade recebe o Bach Festival, que celebra sua obra. É um local que possui vida artística e cultural muito forte, um dos melhores locais para descobrir um pouco mais sobre a história da Alemanha. 

Fonte: infomoney.com.br


POBRES MENINOS RICOS

POBRES MENINOS RICOS
Contardo Calligaris

A pobreza não é boa para a saúde física (hospitais lotados, hábitos alimentares baratos e ruins etc.).

Também a pobreza não é boa para a saúde mental. Há o estresse da luta para colocar comida na mesa. Há a frustração produzida pelo triunfo da necessidade sobre os desejos ("Pense no pão, esqueça-se dos seus sonhos"). E falta dinheiro para terapia e medicação.

Além disso, numa sociedade vaidosa e exibicionista, a falta de meios e perspectivas encoraja "vacilações" morais: tentações e condutas criminosas.

Nessa direção, aliás, é quase sempre proposta uma distinção entre 1) pobreza (que, por si só, não "explica" nada), 2) miséria (extrema necessidade que quase justifica o crime) e 3) exclusão social (em que a lei e os princípios da comunidade não valem para mim porque, se não faço parte da comunidade, não tenho por que obedecer às suas regras).

Agora, se estamos dispostos a considerar que a falta de recursos e de cidadania (num leque que vai desde a pobreza até a exclusão) tem efeitos na saúde mental e no comportamento do cidadão, como não considerar o inverso?

Como recusar a ideia de que o excesso de recursos também transforma nossa maneira de pensar, sentir e julgar? Ou você acha que o fato de dispor sempre do supérfluo não tem consequências? E o poder quase infinito de corromper os outros?

Esta era a visão do Evangelho: "E lhes digo mais: é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos céus" (Mateus, 19:24). Os calvinistas, por exemplo, se esforçaram para mostrar ao mundo que era possível ser rico sem ostentação, desperdício, soberba etc. Óbvio que é.

De qualquer forma, duvido que, na perspectiva do Evangelho, a riqueza fosse uma culpa em si: os ricos não são sinistros por sua riqueza, mas pela "patologia" mental e moral facilitada ou produzida pela riqueza.

A suspeita que exista uma doença moral e mental dos ricos começou no início dos anos 2000, com a ideia de que o consumismo fosse uma "epidemia" com consequências psíquicas sérias: insatisfação, ansiedade, procura abstrata de "mais algo", depressão –até obesidade, como consequência. O termo para essa doença dos ricos é "Affluenza", de "affluent" (rico) e "influenza" (gripe).

O que era, inicialmente, uma crítica moral à sociedade de consumo se transformou numa defesa penal. Em 2013, Ethan Couch, um adolescente do Texas, matou quatro pessoas dirigindo bêbado. A defesa pretendeu que ele sofria de "affluenza", ou seja, de problemas psicológicos produzidos pela riqueza (substancial) de sua família: incapacidade de entender o valor da lei, certeza de impunidade, desprezo pelos menos favorecidos etc.

Aposto que o advogado de Thor Batista não pensou nessa. Os advogados dos assassinos do índio Galdino não tinham como –era 1997, antes que a "affluenza" fosse "descoberta".

Engraçado, hein? No tribunal, os pobres poderiam ter desconto por serem pobres; os ricos, por serem ricos.

Não sou muito a favor de descontos para ninguém, mas é verdade que 1) a decadência moral do soldado do tráfico pode ser um efeito colateral da miséria e da exclusão; e 2) ao menos no Brasil, a decadência moral das elites políticas e econômicas é tamanha que é difícil não pensar que se trate de uma espécie de "epidemia".

No dia 1º de janeiro, Paul Krugman, prêmio Nobel de Economia, escreveu, no "New York Times", a coluna "Privilege, Pathology and Power " (privilégio, patologia e poder). Sugestão: pegue alguém que seja só um idiota ou um mau-caráter e acrescente o tipo de riqueza que lhe permite se circundar só de bajuladores e obter tudo o que ele quer... Você não acha que o cara vai piorar? Não é só que ele será um canalha com mais poder, mas o poder o tornará mais canalha do que ele já era.

Em suma, poderíamos instituir um exame psicotécnico de seleção para ser rico e poderoso. Ok, estou brincando, mas seria bom que a riqueza tivesse limites que ajudassem os ricos a não adoecer de "affluenza".

É importante cuidar para que a pobreza não se torne miséria e exclusão; mas sem esquecer que a riqueza parece com o anel de "O Senhor dos Anéis", que acaba com a alma de quem o usa.

Nas palavras de Krugman, nossas "democracias" estão se tornando "narcisocracias", comandadas por elites doentes: "egomaníacos mimados", "monstruosamente autocentrados". E olhe que ele mal deve saber o que é a Lava Jato. 

Fonte: Folha de São Paulo - 14/01/2016 

FRASES ILUSTRADAS


sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Um tolo e seu dinheiro logo se separam. (James Howell)

LUGARES

O Lago de Como (em italiano Lago di Como) é um lago de origem glacial na Lombardia, Itália. Com uma área de 146 km², é o terceiro maior lago da Itália, depois do Lago de Garda e do Lago Maggiore. Com uma profundidade máxima de 410 metros é um dos mais profundos lagos da Europa. O lago localiza-se entre os Alpes e o vale do rio Pó, perto da divisa com a Suíça e tem um formato muito particular de um "Y" invertido. A cidade situada na parte mais setentrional do lago é Colico. As cidades de Como e Lecco situam-se nas partes sudoeste e sudeste respectivamente. As pequenas cidades de Bellagio, Menaggio e Varenna estão situadas na intersecção dos três ramos do lago e podem ser fácilmente acessados através de barcos e balsas. O Lago de Como é circundado por montanhas altas ácima de 2.000 m de altura e por serras baixas bastante arborizadas. As cidades maiores concentram-se nos vales mais largos de clima ameno e nas planícies ao redor do lago. A Ilha Comacina é a única ilha do lago, localizada no braço sudoeste do lago, próxima da comuna de Ossuccio. (Wikipédia)

MR. MILES







Em Roma, sem os romanos 

Com um grande embornal repleto de mantimentos não perecíveis, muito protetor solar e a companhia de Trashie, sua raposa das estepes siberianas, nosso grande viajante dirigiu-se a Roma, de onde nos envia esta mensagem: "Well, my friends: adoro vir para Roma quando todos a abandonam. O Ferragosto, para os que não conhecem, é a ocasião em que todos os romanos saem da cidade em busca de lugares menos insuportavelmente quentes. Believe me: praticamente todas as lojas, restaurantes, bares, museus fecham suas portas e concedem férias a seus empregados. Só são vistos, na terra dos césares, americanos mal informados que não entendem o que se passa e, well, minha mascote e eu. Não há ocasião melhor para apreciar as relíquias desta grande civilização do que sozinho, no silêncio, sem hordas de turistas ao redor." 

A seguir, a correspondência da semana:

Mr. Miles: tenho lido sobre um sem-fim de novidades para viajantes: hotéis de gelo, spas de vinho e chocolate, albergues submarinos. O senhor já viveu alguma experiência dessas? Onde é que isso vai parar? 
Solano Consentini, por e-mail

"Well, my friend, vejo que você está muito bem informado. Há, de fato, uma nova onda de ofertas turísticas que transitam em uma delicada faixa entre o sensorial, o bizarro e o absolutely ridiculous. 

Frequentemente, em minhas jornadas mundo afora, sou convidado a participar desses experimentos. Sometimes, of course, dispenso o papel de cobaia. Os hotéis de gelo - oh, my God - definitivamente estão na moda. Mas é claro que só funcionam no inverno, pelo menos até que Dubai decida criar o seu, no meio do deserto, dentro de uma bolha de inverno artificial. Believe me: eles são capazes de fazê-lo.

Até a Romênia já tem o seu e suponho que a proposta seja simular um gélido castelo do Conde Drácula. Hospedei-me em um deles anos atrás, no Canadá. Confesso-lhe que foi a única vez em minha vida que me senti like a frozen sausage. However, havia filas de interessados no below zero apartment, a maioria deles, claro, happy american citizens em busca do que convencionou-se chamar de experiência. What an experience! 

Dorme-se sobre uma lápide de gelo, enfurnado em um saco de dormir estilo Tutancâmon. Casais ganham um sleeping bag duplo tão apertado que torna obrigatórios os interlúdios sexuais. O que, of course, seria ótimo, não fosse o fato de que qualquer tipo de líquido congela na temperatura ambiente. It's really disgusting.

Muito mais agradável teria sido minha experiência em um restaurante alemão muito moderno, onde todos os comensais deitam-se em uma cama comunitária. O chef era ótimo, a carta de vinhos, variadíssima. Unfortunately, o cidadão que se aninhava a minha direita no leito, em posição contrária a de meu corpo, era, for sure, um maratonista que esquecera de lavar os pés depois da competição. Can you imagine such a pleasure?

Na África, estive em vários hotéis cujos bangalôs ficam instalados nas copas das árvores. São muito seguros contra hipopótamos, rinocerontes, búfalos e leões. Nevertheless, se aparecer um leopardo, o melhor que você tem a fazer é oferecer-lhe um brandy. 

Anyway, an unforgettable trip. 

Lembro-me também que estive em um restaurante às escuras na Suíça. Foi como ser personagem de Ensaio Sobre a Cegueira, de meu saudoso amigo Saramago. Achei a comida deliciosa, mas faltava alguma coisa. Só depois me lembrei que não é apenas com a boca que se degusta. Faltou-me, indeed, comer com os olhos. 

A hotéis submarinos nunca fui, my fellow. Bastaram-me os anos de experiência nos submarinos da Royal Navy para entender que, se eu tivesse de viver sob as águas, ter-me-iam dotado de guelras. Spas de vinho também não frequentei. Estou esperando, however, que alguém desenvolva um spa de whisky, cujas propriedades, sem sombra de dúvida, me fariam muito melhor."

Fonte: O Estado de S. Paulo

FRASES ILUSTRADAS

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Nada mais tão útil ao homem como a resolução de não ter pressa. (H. Thoreau)

LUGARES

CAXIAS DO SUL

NÃO TROPECE NA LÍNGUA


MÊS, RÁDIO-RELÓGIO, POR ISSO, PRA, QUE NEM

--- Sempre que colocam data nas mensagens que recebo, a grafia do mês inicia com letra maiúscula. Está certo? Não seria correto “maio” ao invés de “Maio” no meio da frase? J. Poloni, de Pirajuí/SP

Sem dúvida, escrever maio – com minúscula – é o correto no português brasileiro. Essa questão é particular a cada língua; embora no inglês, por exemplo, tenha se convencionado que a inicial é maiúscula (in July, in May), no Brasil valem as regras estabelecidas no Formulário Ortográfico de 1943 (oficial), que na observação do § 3º - 49 reza: “Os nomes dos meses devem escrever-se com inicial minúscula: janeiro, fevereiro (...) e dezembro”. E o Acordo Ortográfico promulgado em 29 de setembro de 2008 também fixa o uso da letra minúscula inicial “nos nomes dos dias, meses, estações do ano”.

PREFIXO RADIO X RÁDIO-RELÓGIO

--- Por que se deve escrever rádio-relógio com hífen, e não radiorrelógio, uma vez que se escreve radiorrepórter?

Porque no primeiro caso não está se usando o elemento de composição radio- (do latim "radius") mas apenas o substantivo masculino "rádio" (aparelho receptor dos sinais radiofônicos de uma estação radiodifusora). A palavra composta rádio-relógio é formada por substantivo + substantivo, conforme se explica na coluna Não Tropece na Língua 300. Significa um aparelho que é rádio e relógio ao mesmo tempo; daí o hífen, pois se criou um novo substantivo da união de dois outros.

Também é o caso do substantivo composto rádio-gravador – dois aparelhos distintos formam um terceiro.

Compare-se: o radiorrepórter não é a um só tempo rádio e repórter, mas sim uma pessoa que faz reportagens para o rádio. O radiotáxi não é um rádio e um veículo ao mesmo tempo – é um táxi que se comunica por meio de aparelho de transmissão-recepção.

Vemos que o elemento prefixal radio-, sim, é agregado sem hífen a um substantivo ou adjetivo, formando então um outro tipo de palavra composta, ou mesmo outros vocábulos em que "radi(o)-" passa a ser o radical. Nesses casos, o elemento antepositivo pode assumir vários significados: 1) raio (de roda ou de círculo): radiado, radial 2) raio (de luz): radioestesia, irradiar 3) energia radiante: radiodifusão, radiofonia 4) raios X: radiografia, radioterapia 5) ondas hertzianas: radiocondução, radiotelefonia, radiotelegrafia 6) radioativo: radiocobalto, radioelemento 7) osso do antebraço: radiocubital.

Outros exemplos: radiopatrulha, radioamador, radioator, radionovela, radiouvinte, radiojornalismo, radiodifusão, radiotransmissão, radiocondutor, radiobiologista, radioescuta, radiossondagem, radiorreportagem, radiorrecepção. Observe-se que se dobra o R e o S quando a palavra-base começa com uma dessas consoantes, de modo a informar a pronúncia correta.

POR ISSO

Convencionou-se que o certo é "por isso", em duas palavras. Mas “por ventura” já se uniu numa só: PORVENTURA. Ortografia é isso aí, não se discute...

PRA

É correta a contração pra (para a) em determinados contextos – na linguagem coloquial, na reprodução de um diálogo, na propaganda, em frases-feitas tipo “é bom pra chuchu, correu pra burro”; mas então não coloque o acento agudo no a.

QUE NEM

Em frases comparativas, como recurso expressivo, usa-se que nem no lugar de como, mas apenas na fala coloquial: “Você agiu que nem uma criança!” No português formal diga-se: “Eu sou como você, tal como ela é”.

Fonte: www.linguabrasil.com.br

FRASES ILUSTRADAS

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

A amizade começa onde termina ou quando conclui o interesse. (Cícero)

LUGARES

CASSINO DE MONTE CARLO
Um dos mais glamurosos e mais bem frequentados cassinos do mundo, o afamado Monte Carlo continua atraindo multidões para o pequeno Principado de Mônaco, que faz borda com a França na Europa.

O FORQUILHEIRO

O FORQUILHEIRO 
Por Sérgio Jockymann 

Pois, o Alvício era forquilheiro. Não nasceu forquilheiro. Veio vindo como qualquer menino até que um dia, com treze anos feitos, pegou uma forquilha e saiu andando pelo campo. De repente, a forquilha entortou para baixo e um peão do major Otacílio, que assistia à operação, disse:

- Tem água aí embaixo.

Muito sério isso de encontrar água. Havia gente que fundia fortunas imensas em busca de um miserável veio d'água e não encontrava uma só gota. Nessas horas é que apareciam os forquilheiros e resolviam o problema. Quer dizer, nem todos resolviam. A carreira de um forquilheiro era cheia de altos e baixos. Um dia encontrava água, no dia seguinte não encontrava nada. Ninguém sabia ao certo como a coisa funcionava. O major Otacílio dizia:

- Isso é como veneta, tem dia.

E o sucesso de cada forquilheiro dependia exatamente dos dias em que ele funcionava. Alguns vinham de longe, ficavam sentados noites inteiras à beira do fogo sem dizer palavra, esperando um sinal. Outros apeavam do cavalo, seguravam a forquilha e ela entortava logo ali. O Alvício desde menino provou que era um desses. Cresceu descobrindo água. Nem sempre ela estava onde os estancieiros queriam, mas sempre estava onde o Alvício indicava. Fracasso não teve nenhum, o pior que conseguia era dizer:

- Essa tá meio funda.

Foi aí que veio uma seca danada, dessas de torrar o campo. Muito fundo de banhado que ninguém conhecia, apareceu para tomar sol. O Lagoão ficou reduzido a uma poça e trinta dias depois, estava levantando pó. A Sanga dos Melo amarelou e por fim só deitava uma gosma preta. Até o Uruguai minguou e dava para ser cruzado a pé enxuto. Para mal dos pecados, o Alvício estava com tifo preto. Ficou três meses morre não morre, enquanto Vila Velha inteira rezava por ele. No quarto mês, Alvício conseguiu levantar e soube da seca. Pegou a forquilha e tentou dar quatro passos e caiu ao comprido. Veio o dr. Wurtember e proibiu terminantemente qualquer trabalho:

- O rapaz está sem forças até para segurar a forquilha.

Foi uma romaria de caldos e sopas, porque Vila Velha percebeu logo que a recuperação do Alvício era também a recuperação do município. No quarto mês, quando o Alvício apareceu na porta, ainda sem cabelos, mas com uma penugem tremeluzindo na cabeça, a cidade inteira aplaudiu. Mais duas semanas e ele partiu para o campo. Fazia um sol de rachar a cabeça da cristandade e o major Otacílo fez questão de segurar o guarda-chuva para proteger o Alvício. Só que ele caminhava e a forquilha não se mexia.

Assim foi indo, um pouco de charrete um pouco a pé e a forquilha nem se mexia. Vila Velha começou a tremer e a suar.

- Só pode ser castigo de Deus.

Então bem no limite do campo do Major, o Alvício pediu para descer da charrete, caminhou decidido para uma várzea, espichou a forquilha, ela tremeu, tremeu e baixou de sopetão. Foi um berro só.

- Tá meio funda mas tem, avisou Alvício.

E tinha mesmo. A sete metros de fundura, lá estava ela. No dia seguinte, o Alvício encontrou mais quatro e salvou a pecuária do município. Foi então, no meio do churrasco de regozijo, que o major Otacílio fez a revelação:

- Vamos mandar esse rapaz estudar em Porto Alegre.

Vila Veha inteira concordou que o Alvício merecia porque, se sem estudo descobria água, imaginem o que não faria bem estudado. E o Alvício, meio achando que não merecia, foi para Porto Alegre. Voltou no primeiro ano e descobriu cinco poços novos, mas já no segundo teve compromissos, no terceiro foi visitar parentes e só depois de cinco anos, já formado em contabilidade, voltou à Vila Velha. E voltou com outra seca à espera. Nem bem desceu do ônibus e já o major Otacílio mostrava os campos amarelados e dizia:

- Pega a forquilha e dá um jeito nisso.

E aí veio o choque. O Alvício meio que riu.

- Forquilha, major?

O major Otacílio explodiu:

- Que conversa é essa, filho? Tá uma percisão de água que nem se fala e tu vem me perguntar de forquilha?

O Alvício baixou a cabeça meio encabulado, mas quando levantou já tinha qualquer coisa de diferente. Pôs a mão no ombro do major e com o melhor dos sorrisos disse:

- Ora, major, aquilo era superstição.

Nem terminou de falar e já levava um sopapo. Pôs a boca no mundo, mas nem assim o major desistiu.

- Bota a forquilha na mão dele. Toca o infeliz pro campo.

E lá se foi o Alvício carregado por quatro, com a forquilha nas mãos, protestando que era um homem civilizado.

- Vira essa forquilha!

Foi preciso rabo de tatu para que ele virasse. E mesmo assim nem barro deu. Como não deu também nas trinta vezes em que o Alvício soluçando apontava para o chão. Quando a noite caía, o Padre Ramão apareceu e retirou o rapaz das mãos do pessoal. Ninguém dormiu naquela noite. Todo mundo foi para o Café Central, onde, às quatro da manhã, o major Otacílio deu um murro na mesa e disse:

- Cinco anos de estudos e taí o resultado, estragaram o rapaz.

E no dia seguinte o Alvício teve que deixar a cidade, porque seu pai indignado o expulsou de casa:

- Doutor a gente já tem que chega, o que tá faltando aqui é forquilheiro.

E só cinco anos depois foi que apareceu outro igual, mas essa já é outra história. (JOCKYMANN, Sérgio. Vila Velha, Porto Alegre : Editora Garatuja, 1975, p. 59)

FRASES ILUSTRADAS

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Acho que a televisão é muito educativa. Todas as vezes que alguém liga o aparelho, vou para a outra sala e leio um livro. (Groucho Marx)

LUGARES


LAS RAMBLAS
 
"Rambla" (do árabe ramla, que significa "leito de rio seco) é um tipo de rua larga e com grande movimentação de pedestres típica da Espanha. A mais conhecida das ramblas é Las Ramblas, ou La Rambla (Les Rambles, em catalão), que liga a Praça da Catalunha ao Porto Velho, em Barcelona, na Catalunha. Oficialmente, Las Ramblas são uma série de pequenas ruas que se juntam (daí, o nome no plural). Elas têm, ao todo, 1,2 quilômetros de comprimento. Se chamam sucessivamente Rambla das Calhas (Rambla de Canaletes), Rambla dos Estudos (Rambla dels Estudis), Rambla de São José (Rambla de Sant Josep), Rambla dos Capuchinhos (Rambla dels Caputxins) e Rambla de Santa Mônica (Rambla de Santa Mònica). Embora sejam mais de uma, é comum elas serem chamadas simplesmente de "Rambla". Las Ramblas possui uma espécie de calçadão no centro, onde pedestres podem caminhar. É margeada por ruas por onde carros passam. Possui várias lojas, cafés, restaurantes, floriculturas e performances de vários tipos (mímicos, atores, músicos etc.). Vive lotada principalmente de turistas desde a manhã até altas horas da noite. Vários locais de interesse podem ser admirados ao se passear pelas Ramblas: La Boqueria, Grande Teatro do Liceu, Praça Real, Monumento a Colombo etc. (Wikipédia)

SERVIÇOS (MAL) PRESTADOS DE CAMA

Charge de Gerson Kauer
SERVIÇOS (MAL) PRESTADOS DE CAMA

Notório fazendeiro do interior gaúcho, após tratar de assuntos comerciais em Porto Alegre (RS), deu uma esticada nas bandas da avenida Farrapos. No local escolhido, sentou-se, pediu um uísque, e outros mais... 

Já alegre, entreteve-se libando com uma produzida "dama" da noite. Alinhavado o programa, ela não aceitava pagamento com cartão e o provecto cliente alegou só dispor de dinheiro para o táxi de volta ao hotel.

Conversando, estabeleceram o antecipado pagamento com cheque – e, assim, a dupla rumou para o pernoite.

No amanhecer seguinte, dando-se conta de "quão alta" havia sido a tarifa dos “serviços prestados de cama” e – já chegado ao hotel – arrependido pela iminente compensação do cheque de R$ 2.000, o fazendeiro deu ordem ao banco para sustar a cártula.

A ´vítima´ sentindo-se lesada, em seguida ajuizou ação ordinária, buscando o pagamento do "efetivos serviços prestados de cama e entretenimento sexual".

A contestação sustentou que “os serviços sexuais não foram proporcionados de acordo com o combinado”.

Mas a juíza, em julgamento antecipado, condenou o réu ao pagamento do valor do cheque, corrigido, com juros, mais custas e honorários advocatícios. Estes, de um salário mínimo "ante o pequeno valor da causa". A magistrada também negou o segredo de justiça pedido pelo fazendeiro réu.

Sem recurso, houve o trânsito em julgado e o débito foi pago.

O advogado do fazendeiro só descansou quando teve a certeza de que o processo já fora encaminhado ao arquivo judicial e que os fatos não tinham vazado para o Espaço Vital... (He, he, he).

Fonte: www.espacovital.com.br

FRASES ILUSTRADAS

(Albert Einstein)