segunda-feira, 12 de abril de 2021

DISCURSO À NAÇÃO BRASILEIRA

DISCURSO À NAÇÃO BRASILEIRA
Thiago Amparo

Falta ao presidente da república decência política, eis um discurso que faria se a tivesse.

Brasileiros e brasileiras. Primeiro, quero agradecer a Deus por estar vivo, repetindo o que eu disse à nação em 1º janeiro de 2019. Não posso afirmar o mesmo sobre outros 350 mil brasileiros e brasileiras. “E daí? Lamento”, eu disse em abril de 2020 sobre a “gripezinha”. Confesso que errei. Errei como Epitácio Pessoa, quando no auge da gripe espanhola em 1919, discursou pregando o nacionalismo e austeridade fiscal (“Todos os brasileiros devem fazer do bom nome do Brasil uma questão de honra nacional”, disse). Hoje, afastado da presidência, confesso que errei.

Meus colegas cidadãos, as mortes por Covid-19 estão sob os meus ombros. Eu menti, quando em 10 de junho, eu disse à Nação “que, por decisão do STF, as ações de combate à pandemia (fechamento do comércio e quarentena, p.ex.) ficaram sob total responsabilidade dos governadores e dos prefeitos''. A Constituição Federal, no seu artigo 23, estabelece que “é competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios cuidar da saúde e assistência pública.” Eu menti e sabia que estava mentindo. Sei que minha omissão deliberada matou milhares.

Quando eu disse, perante o mundo todo nas Nações Unidas em 22 de setembro de 2020, que “parcela da imprensa brasileira politizou o vírus, disseminando o pânico entre a população”, eu estava me referindo a mim mesmo. Politizei o vírus por omissão, pisoteei com meus próprios pés cada um dos mortos pelo vírus que poderiam estar vivos hoje. Quando eu disse, neste mesmo dia, que “sob o lema ‘fique em casa’ e ‘a economia a gente vê depois’, quase trouxeram o caos social ao país”, eu menti e sabia que estava mentindo. Sei que a economia só será retomada com vacinação em massa.

Brasileiros e brasileiras, quando eu disse em 24 de outubro de 2020 que vacina obrigatória só em cachorro, eu quis esconder o meu próprio fracasso. Como nenhum outro presidente no mundo, eu lutei ativamente contra a vacina, porque é no caos que eu floresço. Se eu não tivesse rejeitado a oferta da Pfizer de 70 milhões de doses lá em agosto de 2020, como eu conseguiria manter o caos no país para depois galvanizá-lo em benefício próprio? Sou relevante porque quero destruir o país para depois dizer que vim para por ordem no lugar. Hoje, afastado da presidência, confesso que errei.

Sei que estão irritados. Quando, à luz do que aconteceu primeiro no Paraguai, um tsunami de protestos inundou a matança em curso por aqui, percebi que a maré havia virado. A vacina acabou, o apoio popular apagou, o auxílio sumiu, a economia esfriou, os militares ficaram sem discurso, o dólar não baixou, o mercado mofou. Não teve spray mágico de Israel, não deu tempo de ganhar o Congresso como Orban na Hungria ou “fuzilar a petralhada” como Duterte nas Filipinas.

Cá estou eu, sozinho no escuro, sem cavalo que fuja a galope, o que fazer senão renunciar?

***

Câmeras de TV são desligadas. Pronunciamento ao vivo se encerra. O 38º Presidente da República do Brasil se levanta. Naquela manhã, Jair Bolsonaro fora suspenso de suas funções como presidente após ter sido recebida denúncia de genocídio pelo pleno do Supremo Tribunal Federal e por dois terços da Câmara dos Deputados, como determina a Constituição Federal. Nos próximos 180 dias a nação respirará sem aparelhos ao julgamento em cadeia nacional. Bolsonaro sairá da presidência e entrará para os livros de história como o presidente que sonhou que o país só iria “mudar matando uns 30 mil”. Outros 320 mil morreram.

Fonte: Folha de S. Paulo - 07/03/2021
Alguns vencem por seus crimes, outros são derrotados por suas virtudes. (William Schakespeare)

LUGARES

BATALHA - PORTUGAL
A Batalha é uma vila portuguesa no Distrito de Leiria. A povoação foi fundada pelo rei D. João I, juntamente com o Mosteiro de Santa Maria da Vitória, para agradecer o suposto auxílio divino concedido na vitória da batalha de Aljubarrota (14 de Agosto 1385). (wikipédia)

MELHOR, PIOR. PIOR, MELHOR

Fabrício CarpinejarFabrício Carpinejar

Aquele que convive com pais mais velhos entenderá o que digo.

Eles são representantes da contraespionagem.

Podem falar a verdade em qualquer área da vida, menos quando abordam a própria saúde. Não há como confiar literalmente em seu estado. Pregam peças em abundância.

Tendem a piorar quando não é nada e subestimar quando é grave. Engrandecem o alarme falso e boicotam os chamados sérios.

Se têm uma enxaqueca agem com o acento de um derrame. Se têm uma indisposição já convocam uma coletiva com os filhos para adiantar o testamento. Se sofrem de uma gripe tapam o rosto com cobertor aguardando a caveira encapuzada e a sua foice.

Colocam uma lupa na letra miúda das bulas. Dor de garganta é câncer. Dor nas costas é osteoporose. Dor no ouvido é surdez.

Eu até prefiro o exagero ao menosprezo. Melhor um fóbico a um cético. A prevenção, ainda que errada, continua sendo um cuidado.

Os pais me complicam mesmo ao negar os seus ataques mais contundentes e menosprezar a autenticidade do quadro clínico. Encontram-se à beira da morte e fingem que é uma fraqueza passageira.

A pressão dispara acima dos 23 e procuram me convencer que é  normal e que só precisam descansar um pouco. "É apenas uma tontura, vou tirar um cochilo e melhoro". 

A desidratação avança no Saara da testa e a crise se reduz a um desconforto momentâneo, resultado de algo que se comeu no almoço.

Quando não estão mal querem correr ao hospital. Quando estão mal querem ficar em casa a todo custo. É enlouquecedor. No primeiro caso, julgam os filhos como omissos. No segundo, os filhos são autoritários e pretendem forçar internações.

Não tenho problema com o teatro, não me irrito com a invenção dos sintomas, desgastante é ter que provar a doença para o doente.

Fonte: Facebook

FRASES ILUSTRADAS


domingo, 11 de abril de 2021

O CASO DAS CPIS

O CASO DAS CPIS
Hélio Schwartsman

Elas se tornaram uma sombra daquilo que foram no passado

Parece-me corretíssima a liminar exarada por Luís Roberto Barroso, do STF, que determina a abertura da CPI da Covid-19 no Senado.

Os três requisitos legais para a instalação estão dados: assinatura de 1/3 dos senadores, existência de fato determinado a investigar e prazo de vigência. No mais, a decisão de Barroso está de acordo com a jurisprudência do Supremo, que já mandou abrir outras comissões no passado.

Comissões parlamentares de inquérito, vale lembrar, são um dos instrumentos à disposição das minorias para exercer a função de fiscalização de governos —uma das principais missões das oposições—, daí que nem a Constituição nem os regimentos admitem que seu funcionamento seja obstado pela vontade da maioria e muito menos pela do presidente da Casa.

A CPI da Covid-19 é, portanto, muito bem-vinda. Não vejo, porém, como deixar de observar que as CPIs de hoje se tornaram uma sombra daquilo que foram no passado.

Com efeito, nos anos 90, elas nos permitiram acompanhar com lupa grandes escândalos, como no caso da CPI do Orçamento. Mesmo quando tratavam de temas menos explosivos, não raro saíam com recomendações úteis para aperfeiçoamentos legais.

Ocorre, porém, que a política, como tudo na vida, está sujeita às agruras da evolução. Percebendo o potencial de danos das CPIs, as maiorias passaram a trabalhar para contê-los. Um dos muitos caminhos para fazê-lo era ampliar o escopo da investigação e, para cada convocado com potencial de incomodar o governo, convocavam um que poderia criar embaraços à oposição. Com isso, entramos numa dinâmica semelhante à da corrida armamentista entre predadores e presas, o que acabou tirando muito da efetividade das CPIs.

Não diria que elas se tornaram inúteis. Os chiliques de Bolsonaro contra Barroso dão mostra de que ainda assustam. Mas eu não esperaria nada parecido com a CPI do PC Farias que derrubou Collor.

Fonte: Folha de S. Paulo

SENHA DA INTERNET

A internet entrou na vida das pessoas sem pedir licença. Guardadas as proporções, a necessidade de sinal equipara-se à necessidade de ar. No início, não tínhamos noção de quando, como e onde chegaríamos com a fantástica inovação. E ainda não sabemos ao certo. O certo é que nos tornamos escravos da inovação. Dos grilhões da internet discada à fase libertadora da fibra ótica e do chip, nossa dependência é cada vez mais viciante. No princípio era caríssima. Num hotel em Milão paguei cinco (5) euros para utilizar a internet por apenas quinze (15) minutos. Coisas do passado. Também é coisa do passado a fase da internet franqueada nos hotéis e pousadas, mediante o fornecimento de senhas que eram trocadas a cada dia. Nem tudo era para facilitar. Numa pousada, na região do Piemonte, recebi a senha que ilustra esta postagem. Cansado, tarde da noite, devidamente acomodado, tentei conexão com o mundo. A senha não correspondia. Desisti, não sem antes digitá-la repetidas vezes. No café da manhã falei com a responsável e então tudo ficou esclarecido, embora de uma forma inusitada. A senha, como se vê na foto, fora anotada à mão, além de ser um tanto longa.

Acontece que interpretei a letra "c", em verde assinalada, como sendo um "6", equívoco que foi desfeito pela Maura. Fácil para ela que entendia a própria letra!

Os tempos são outros. Já não é necessário adquirir um chip no exterior. Operadoras já oferecem o serviço denominado passaporte a um custo razoável, sem a troca do número original. Foi o que utilizei na última viagem antes da pandemia. Na próxima viagem, assim que a pandemia permitir, só Deus sabe quando, por certo outras facilidades estarão disponíveis.

No momento, vamos nos contentando com viagens virtuais em nossa própria casa, onde a internet funciona sem sobressaltos.
A moda é a luta entre o instinto natural de se vestir e o instinto natural de se desnudar. (Dino Segre, escritor italiano, 1893-1975)

LUGARES

ZURIQUE - SUÍÇA

2CELLOS

VIVALDI (STORM)

FRASES ILUSTRADAS


sábado, 10 de abril de 2021

LULA NÃO TEM EMENDA

LULA NÃO TEM EMENDA
José Horta Manzano

Todos devem se lembrar do maior vexame internacional que Lula da Silva impôs ao Brasil. Foi quando, no último dia de seu mandato (31 de dez° de 2010), se recusou a entregar o terrorista Cesare Battisti à Itália. A surpreendente decisão contrariava o STF, atropelava o bom senso e envenenava as relações entre os dois países. A insinuação de que a Itália não tinha sabido julgar o homicida foi recebida, por lá, como afronta, um tapa na cara.

Mas ninguém perde por esperar. O dia do acerto de contas sempre acaba chegando. E chegou para ambos. Por ironia do destino, acabaram os dois atrás das grades. Lula, por ano e meio; Battisti, para o resto de seus dias.

Em março de 2019, já preso na Itália, o terrorista respondeu a um interrogatório. Depois de 40 anos de negativa obstinada, confessou todos os assassinatos pelos quais tinha sido condenado. Assumiu ainda os disparos nas pernas de outras vítimas ‒ método típico dos terroristas dos anos de chumbo na Itália. Admitiu ainda ter participado de uma baciada de assaltos.

A confissão pôs nosso guia em posição desconfortável. Como sustentar agora a tese de que o terrorista era inocente, nada mais que um perseguido político? Lula, na época, estava numa masmorra de Curitiba. Posteriormente, apesar de seu costume de proferir ‘quase verdades’, não houve jeito. Teve de reconhecer que estava errado, mas fez durar o suspense: disse que, se fosse necessário, pediria desculpas.

O momento chegou. Faz uns dias, foi entrevistado pelo segundo canal da RAI (Radiotelevisão italiana). Realmente pediu desculpas aos italianos. Só que a maneira como apresentou o assunto anulou o que tinha acabado de dizer. Deu com uma mão e tirou com a outra.

Para justificar o asilo concedido, Lula confessou que estava enganado sobre Battisti. Acreditava que fosse inocente. Até aí, está no limite do aceitável. Em seguida, admitiu só ter se convencido quando o homem, já preso na Itália, assinou a confissão diante de um juiz.

Ficou claro que, se esperou até ouvir a confissão da boca do próprio Battisti, é porque acredita mais na palavra do encarcerado do que nos veredictos da justiça italiana.

Dos relatos que li na imprensa italiana, nenhum se ateve a esse ponto. Acho que, tão embevecidos estão com nosso ‘pai dos pobres’, que se esquecem de analisar o que ele diz. Este blogueiro, que nunca esteve embevecido pelo personagem, analisou.

Fonte: brasildelonge.com

PÓLEN & COVID

PÓLEN & COVID
José Horta Manzano

Você sabia?

Em regiões de clima mais frio, a vegetação descansa no inverno. Com a chegada da primavera, cada espécie vai despertando, lançando brotos e flores. Com as flores, vêm os pólens, cuja função é fecundar outras plantas da mesma espécie, num fenômeno chamado polinização.

Para o caso de flores ornamentais, a natureza dispõe das abelhas que, ao colher o néctar de uma flor, levam pólen grudado às patinhas. Esse pólen acabará sendo depositado em outra flor, fecundando-a. Essa é a função das abelhas: a polinização.

Para o caso de árvores – que também botam flores e dependem de polinização –, quem se encarrega de transportar o pozinho é o vento.

Enquanto pólen de flor ornamental é mais pesado e dificilmente levado pelo vento, o de árvore é fininho, levinho, às vezes invisível. Voa pelo ar. Em organismos mais sensíveis, costuma provocar a febre do feno, uma rinite alérgica – doença respiratória que causa grande desconforto.

A National Academy of Sciences (EUA) publicou recentemente um vasto estudo coapresentado por uma penca de cientistas originários de uma dúzia de países. Ele trata da interferência entre pólens e covid-19, visto que os dois causam afecção respiratória. O trabalho, muito completo, baseou-se nos dados de 130 estações de medição de pólen, situadas em 31 países do Hemisfério Norte.

O estudo é longo e altamente técnico, mas o que interessa saber é que a ação dos pólens é realmente fator agravante da covid. A abundância de pólen no ar resulta em significativo aumento das taxas de infecção. Não se tem absoluta certeza do mecanismo, mas o fato é este: mais pólen, mais covid.

Que eu saiba, não existem no Brasil estações destinadas a medir a quantidade de pólen no ar. Se as árvores de clima temperado se fecundam por meio de pólen lançado ao ar, quero crer que árvores tropicais sigam o mesmo caminho. A diferença é que, dado que nosso inverno não é tão marcado, as árvores não soltam o pólen todas ao mesmo tempo. Como resultado, nosso ar contém pólens de modo constante.

Talvez um dia alguma instituição que tiver escapado à atual sanha obscurantista consiga fazer um estudo sobre a interferência dos pólens tropicais na infecção por coronavírus. Enquanto nossa civilização não atinge esse estágio, distinto leitor, a melhor arma é a máscara. Para pessoas sensíveis ao pólen, são recomendadas máscaras mais especiais ainda: aquelas que protegem contra micropartículas.

Ao fugir de aglomeração, evita-se contaminação pelo bafo alheio. Mas não se evita respirar os pólens que, invisíveis, dançam por todos os ares em busca de uma árvore amiga. A única maneira de escapar aos dois – ao bafo e ao pólen – é usando máscara. Não é má ideia usá-la o tempo todo que se passa fora de casa, seja num baile clandestino, seja passeando no bosque.

Fonte: brasildelonge.com
Tornar o simples em complicado é fácil, tornar o complicado em simples é criatividade. (Charles Mingus)

LUGARES

ALLEGHE - ITÁLIA

Alleghe é uma comuna italiana da região do Vêneto, província de Belluno, com cerca de 1.408 habitantes. Estende-se por uma área de 29 km², tendo uma densidade populacional de 49 hab/km². Faz fronteira com Colle Santa Lucia, Rocca Pietore, San Tomaso Agordino, Selva di Cadore, Taibon Agordino, Zoldo Alto. (wikipédia)

QUAL É A ORIGEM DA INFELICIDADE?

Você já se perguntou qual é a origem da infelicidade? Por que não somos tão felizes quanto desejamos?

Você já se perguntou qual é a origem da infelicidade? De onde ela vem? Ao longo do tempo, foram escritos inúmeros livros sobre o que é a felicidade e se é possível ou não alcançá-la. Isso nos dá uma ideia da importância que damos a ela.

No entanto, até o momento, não se chegou a nenhum consenso. Além disso, também não sabemos o que fazer para conservá-la. Será que é possível? O que parece inegável é a percepção quase constante de que algo nos falta ou do quanto estamos preocupados com uma infinidade de problemas. A questão é que o mal-estar ocupa um espaço muito grande em nossas vidas diárias.
Remendando a infelicidade

Existem muitas teorias que giram em torno do sofrimento. São descritas técnicas para superar medos, para viver no presente, para ignorar nossos pensamentos, etc. No entanto, em muitos casos, uma pergunta importante permanece sem resposta: por que nossa natureza humana tende a fazer exatamente o contrário? Qual é a origem da infelicidade?

Nós, seres humanos, nos contentamos em consertar a infelicidade, mas não nos aprofundamos no funcionamento das nossas emoções, pensamentos e comportamentos. Nós não mergulhamos na raiz do problema.

Antes de mais nada, devemos aceitar uma coisa: a natureza não se importa se estamos felizes. Ela não se importa se estamos plenamente conscientes o tempo todo, não se importa se inventamos medos nem se nos apegamos aos nossos desejos.

Portanto, a natureza não se importa com a nossa felicidade, e sim com a nossa sobrevivência. E isso, às vezes, é uma contradição. Esses dois objetivos às vezes colidem estrondosamente. Somos como uma criança com um martelo na mão. Em vez de construir, essa criança se dedica a martelar tudo ao seu redor, inclusive a si mesma. Ela não sabe como a ferramenta funciona nem para que serve.
A origem da infelicidade

Segundo os pesquisadores, a origem da infelicidade reside em quatro causas básicas. Quais são essas quatro causas básicas? Vamos ver mais detalhes a seguir. Nós nascemos com tendências ancestrais úteis, e vamos desenvolvendo essas tendências (estruturas mentais, sistemas emocionais e comportamentos) à medida que crescemos. Elas foram desenvolvidas tanto para a sobrevivência quanto para simplificar, organizar e dar coerência ao mundo exterior.

Essas tendências criam raízes em todos nós, ainda mais quando as observamos ou sofremos durante nossas experiências de vida. Na maioria das vezes, elas são inconscientes e automáticas. Se não fizermos bom uso delas, elas podem nos fazer interpretar o mundo de forma a nos afastar da realidade ou nos deixando à deriva em um mar emocional.

Em segundo lugar, essas tendências inatas não funcionam mais no mundo atual em que vivemos. Elas serviram antes, em um tempo completamente diferente do atual. No entanto, continuamos a pensar e sentir da mesma maneira que os indivíduos daquelas épocas. Isso nos leva a confundir nossas verdadeiras necessidades.

Em terceiro lugar, ao longo da evolução, as inovações não começam do zero. Elas se sobrepõem aos recursos já existentes. Portanto, nosso cérebro comporta desde o cérebro mais primitivo até o mais recente. Todos são úteis, mas podem lutar para assumir o comando e levar a pessoa a ficar confusa em suas contradições.

Por fim, a falta de autoconhecimento e as dificuldades que temos para superar essa falta nos desconectam do que está acontecendo dentro de nós. Somos empurrados por marés que nos atingem em todos os lugares e não sabemos como assumir o comando.

Segundo Eduard Punset, os padrões de conduta que eram excelentes há milhares de anos deixaram de ser úteis e, no entanto, continuam em vigor. No âmbito físico, existem muitos exemplos disso: o dente do siso, a necessidade de criar um estoque de gordura em nosso corpo…

Continuamos prestando atenção, como há milhares de anos, ao que nos falta, aos erros que cometemos, aos preconceitos com aqueles que são diferentes de nós, mesmo sabendo que não são perigosos. Também continuamos desejando o que o outro tem, mesmo que isso não nos ajude a sobreviver. Temos as mesmas tendências que nossos ancestrais tinham, mas nossas sociedades mudaram.

99% dos nossos genes são semelhantes aos dos nossos antepassados. No entanto, a evolução do nosso DNA e sua manifestação é, infelizmente, mais lenta que nossos avanços técnicos, sociais, culturais, econômicos ou científicos.

Como vemos, a origem da infelicidade parece estar em nossas tendências ancestrais inúteis. Antes elas tinham um objetivo claro, mas no momento evolutivo atual, deixaram de ser válidas, levando a desequilíbrios significativos.

Fonte: https://amenteemaravilhosa.com.br

FRASES ILUSTRADAS


sexta-feira, 9 de abril de 2021

VACINAÇÃO DIFERENCIADA

VACINAÇÃO DIFERENCIADA
José Horta Manzano

Dos países civilizados que conheço, nenhum pensou, até agora, em privatizar a vacinação contra a covid. A lógica é a mesma das vacinas tradicionais – poliomielite, tuberculose, varíola, febre amarela, hepatite. Cabe ao governo cuidar da imunização da população.

Só o fato de haver cogitado essa possibilidade já mostra que algo continua torto em nosso país. Se o projeto for realmente posto em prática, será passado atestado de nossa fé inabalável na desigualdade social.

Não respondo pelos laboratórios situados, digamos assim, em países menos tradicionais – Rússia, Índia. Mas me surpreenderia que empresas farmacêuticas sérias acatassem um pedido de compra de vacina vindo de particulares brasileiros, enquanto os demais cidadãos continuam fazendo novena pra Santa Genoveva pra conseguirem ser imunizados logo. Sem muita esperança.

Se, no Brasil, esse projeto não causa escândalo, além-fronteiras não é bem assim. Num momento em que o mundo corre atrás de imunizantes, cairia mal fornecer imunizante para abastados enquanto o povão continua ao deus-dará.

Fonte: brasildelonge.com
A história, na verdade, é pouco mais que o registro dos crimes, das loucuras e das desgraças da humanidade. (Edward Gibbon, Historiador inglês, 1737-1794)

LUGARES

PARIS - FRANÇA

MR. MILES

Mr. Miles: para conhecer o mundo, qual é o melhor caminho: mudar os lugares por onde se passa ou deixá-los como estão?
Roberto Pedreira de Freitas Ceribelli, por email

Nice question, Robert: missionários, cruzados, invasores, evangelizadores e divulgadores de todas as fés e ideologias vagam pelo mundo para mudá-lo. Eu os vejo, sempre, my friend. Eles não vêem nada. Não escutam som algum. Não aspiram o aroma dos mercados e dos campos. Não procuram a alegria nas pessoas. Pessoas que transitam dessa forma não são viajantes, I’m afraid to say. Eles transportam um mundo irremediavelmente pronto no interior de seus corações e querem mudar os lugares e as pessoas porque — poor people! — têm a ilusão de que sabem tudo.


Viajar, my fellow, é justamente o contrário. Mente desarmada, disco rígido limpo, olhos ávidos, desejo de aprender (ainda que seja para ter substância ao discordar). 

É de uma ultrajante pretensão passar pelos lugares para deixar marcas. São os lugares, my friends, que marcam as pessoas. Plantam flores no jardim da memória; erguem mirantes para pontos-de-vista mais amplos e abrangentes. E, last but not least, costumam ser extremamente divertidos.

Fonte: Facebook

FRASES ILUSTRADAS


quinta-feira, 8 de abril de 2021

BOAS E MÁS NOTÍCIAS DA VACINA

BOAS E MÁS NOTÍCIAS DA VACINA
Hélio Schwartsman

Esse vírus não cessa de nos surpreender

É com a vacina que controlaremos a pandemia de Covid-19, mas vai dar trabalho.

A boa notícia vem de Israel e do Reino Unido. Com respectivamente 116 e 87 doses aplicadas para cada 100 habitantes, os dois países viram suas curvas de mortes, hospitalizações e infecções baixarem significativamente e parecem estar retomando algum tipo de normalidade. Em Israel, houve celebrações presenciais de Páscoa —e não porque um magistrado assim o quis, mas porque os dados epidemiológicos sugeriam que era seguro fazê-las.

A má nova vem do Chile e dos EUA. Com respectivamente 56 e 49 doses por 100 habitantes, as duas nações vinham conseguindo baixar as transmissões, mas, nas últimas semanas, viram os números voltar a subir. O principal suspeito é a disseminação de variantes virais mais infecciosas. O cúmplice é o relaxamento dos cuidados não farmacológicos, mais ou menos inevitável quando as pessoas se sentem mais seguras.

Em Israel e no Reino Unido, o problema das variantes não ficou muito evidente porque a vacinação em massa ocorreu quando uma delas, a B.1.1.7, já circulava com força nos dois países. O que provavelmente ocorreu é que a maior transmissibilidade/virulência dessa cepa retardou os benefícios da vacinação, mas isso é mais difícil de perceber do que inversões na curva de contágios.

O Brasil, com 10 doses por 100 habitantes, está longe dos níveis estimados para a proteção comunitária, que só chegaria quando de 70% a 90% da população estiver imunizada, mas já enfrentamos o poder destrutivo de pelo menos uma das variantes.

A grande questão, enquanto a imunidade coletiva não chega, é se estaremos sujeitos a reedições do caos a cada nova variante que passar ou se, de alguma forma, ter lidado com uma já protege contra a próxima.

A notável convergência evolutiva das cepas que causam preocupação sugere alguma proteção, mas esse vírus não cessa de nos surpreender.

Fonte: Folha de S.Paulo
Alguns livros são provados, outros devorados, pouquíssimos mastigados e digeridos. (Francis Bacon, filósofo inglês, 1561-1626)

LUGARES

CHAVES - PORTUGAL
(Ponte de Trajano)
Chaves é uma cidade portuguesa do Distrito de Vila Real, Região Norte, sub-região do Alto Tâmega, com cerca de 18 500 habitantes no seu perímetro urbano. À época da invasão romana da península Ibérica, os romanos instalaram-se no vale do rio Tâmega, onde hoje se ergue a cidade e, construíram fortificações pela periferia, aproveitando alguns dos castros existentes. Para defesa do aglomerado populacional foram erguidas muralhas e, para a travessia do rio, construíram a ponte de Trajano. (wikipédia)

NÃO TROPECE NA LÍNGUA



VÍRGULA: DOIS VERBOS E NÚMEROS POR EXTENSO
--- Na frase “quem ler, viaja”, há gramáticos que condenam essa vírgula, pois estaria separando o sujeito do predicado. Outros aceitam argumentando que não se deve repetir dois verbos. O que a senhora acha? Luiz Neto, Natal/RN
Acho que se pode – no caso de frases iniciadas com o pronome quem – quebrar a norma e usar a vírgula entre o sujeito e o predicado quando aparecem dois verbos juntos ou mesmo aproximados:
  • Quem luta, consegue. 
  • Quem sabe, sabe. 
  • Quem for, verá. 
  • Quem não lê, não escreve. 
  • Quem lê bem, escreve bem. 
  • Quem ama, não mata. 
  • Quem diz sou, não é. 
  • Quem diz vou, não vai.
  • Quem quer o melhor, escolhe XY. 
  • Quem diz não, é teimoso.
Não havendo problemas de clareza ou de estética, pode-se deixar a vírgula de lado, é claro:
  • Quem não deve não teme. 
  • Quem ama não adoece. 
  • Quem tudo quer tudo perde. 
  • Quem dá aos pobres empresta a Deus.
--- Ao escrevermos “dois mil, trezentos e vinte e seis reais e doze centavos”, é necessário pormos essa vírgula?  Luiz Neto, Natal/RN

Não é necessário mas é bem possível. O gramático Celso Luft advoga a colocação dessa vírgula depois de mil, pois é a marca da coordenação sem conjunção (“assindética”). Napoleão Mendes da Almeida, na sua gramática, também a usa. Exemplos:
  • 22.501 = vinte e dois mil, quinhentos e um
  • 4.455 = quatro mil, quatrocentos e cinquenta e cinco
  • 3.440.205.528.367= três trilhões, quatrocentos e quarenta bilhões, duzentos e cinco milhões, quinhentos e vinte e oito mil,trezentos e sessenta e sete.
Com zeros, porém, é diferente. Usa-se o e: 1.400 = mil e quatrocentos; 4.005 = quatro mil e cinco.

Por outro lado, jornais modernos já não trazem a vírgula depois de mil, no que têm o respaldo do gramático Celso Cunha:
  • 62.540 = sessenta e dois mil quinhentos e quarenta
  • 293.572 = duzentos e noventa e três mil quinhentos e setenta e dois
  • 3. 415.741.210 = três bilhões, quatrocentos e quinze milhões, setecentos e quarenta e um mil duzentos e dez.
Fonte: www.linguabrasil.com.br

FRASES ILUSTRADAS


quarta-feira, 7 de abril de 2021

PERDOAI-OS, ELES NÃO SABEM O QUE FAZEM

PERDOAI-OS, ELES NÃO SABEM O QUE FAZEM
Hélio Schwartsman

Kassio e milhões agem como se a epidemia fosse uma fatalidade imposta por Deus

A liminar do ministro Kassio Nunes Marques, do STF, que liberava a presença do público em cerimônias religiosas é um contrassenso, sintomático de quem ainda não entendeu bem o que está acontecendo no país.

O raciocínio marquiano parte de um elemento de verdade. Os decretos anti-Covid-19 de governadores e prefeitos limitam a liberdade religiosa. Mas não só. Também limitam a liberdade de ir e vir, de reunir-se pacificamente etc. E é o que se espera que façam. Os decretos, afinal, estão baseados numa lei de emergência sanitária, que tem o propósito explícito de limitar temporariamente direitos para conter a epidemia.

Rezar é, de todas as atividades humanas, a mais facilmente adaptável para o “home office” —se Deus existe e é onipresente, como quer a tradição, ouve preces de qualquer lugar que sejam feitas. Diante de uma entidade assim tão poderosa, o papel que resta às igrejas é muito menos o de estabelecer a comunicação com o divino do que o de favorecer uma vida comunitária significativa para os fiéis.

Assim, os religiosos só teriam motivo para queixa se os templos estivessem recebendo das autoridades terrenas um tratamento menos favorável que o dispensado a outros negócios que promovem contatos sociais positivos, como clubes e grêmios recreativos. Não sendo esse o caso, a liminar só cria uma exceção injustificável para templos.

Nunes Marques, porém, não está sozinho. Ele e milhões de brasileiros continuam agindo como se a epidemia fosse uma fatalidade imposta por Deus e não a expressão matemática de interações sociais desprotegidas entre portadores do Sars-CoV-2 e suscetíveis. Como ainda permaneceremos meses sem vacinas nas quantidades necessárias, o único jeito de reduzir o contágio é reduzir essas interações.

Enquanto os brasileiros, em especial autoridades como Marques, não entenderem isso, continuaremos colecionando milhares de mortos por dia.

Fonte: Folha de S. Paulo
Não podemos dar a verdade àquele que quer decidir que aparência ela deve ter. (Gunnar Björling, poeta finlandês)

LUGARES

BASSANO DEL GRAPPA - ITÁLIA
Bassano del Grappa (em vêneto Bassan) é uma comuna italiana da região do Vêneto, província de Vicenza, com cerca de 40.411 habitantes.