segunda-feira, 23 de maio de 2022

QUEM É FASCISTA NA GUERRA DA UCRÂNIA?

QUEM É FASCISTA NA GUERRA DA UCRÂNIA?
Jaime Pinsky*

A bandeira da Ucrânia tem as cores azul e amarela. Já o grupo nacionalista direitista Pravy Sector usa a mesma bandeira, mas com as cores preta e vermelha. Este grupo se organizou a partir de 2013/14 quando promoveu manifestações contra seu governo, aliado da Rússia, conseguiu depô-lo e acabou por mergulhar o país em um caos político, econômico e étnico. A situação só se equilibrou a partir da surpreendente eleição do atual presidente, Vladimir Zielensky. Ele competiu como um “azarão”, entre os partidários da Rússia e os ultra-direitista. Para surpresa de todo mundo e do mundo todo ele venceu as eleições, tornou-se popular e acabou tendo que sustentar uma guerra contra Putin que não se conformou com sua vitória, uma vez que desejava um governante submisso aos seus desejos.

Todos devem se lembrar que no início do atual governo brasileiro grupos bolsonaristas referiam-se a “ucranizar” o Brasil. Seu objetivo declarado era promover uma guinada para a direita. Mas não seria errado supor que tinham a intenção de destituir poderes da República, algo promovido pelo grupo ucraniano que lhes servia de modelo (em 2014). A ultra direita ucraniana era chauvinista, francamente antirrussa, antissemita e antiglobalização. Além do que, é bom lembrar que agrupamentos políticos como o Pravy Sector promoviam treinamento militar, que ofereciam a correligionários de outros países. A militante bolsonarista, muito evidente no início do mandato presidencial atual, Sara Winter, proclamava a quem queria ouvir e a quem não queria também, que ela própria teria recebido treinamento na Ucrânia, com esse pessoal.

Putin e seu circulo de apoiadores alega que ao derrubar, em 2014, um presidente legalmente eleito, os ucranianos tiveram uma atitude fascista, de nacionalismo extremo, com caráter de antiglobalização, além de chauvinista. De fato, esse perfil político tem se manifestado em muitos países, podendo ser uma ameaça séria às instituições democráticas. Contudo, a invasão russa não se deu por aqueles que poderíamos chamar de “bons motivos”. Em nenhum momento o governo russo preocupou-se com a democracia, mesmo porque o próprio presidente russo não é um exemplo acabado de democrata radical... Ele manipulou e manipula as leis e os tribunais russos, colocando-os a serviço de seus interesses, não do interesse do aperfeiçoamento da democracia russa, muito menos do sistema democrático como concepção e prática política. Aristóteles já dizia, há mais de dois mil anos, que o sistema democrático baseia-se, antes de tudo, em “governar por turnos”, isto é, em haver revezamento de indivíduos e correntes políticas no poder. Oferecer veneno e cadeia aos adversários – o que tem acontecido na Rússia - não é, exatamente, a melhor maneira de estimular o desenvolvimento da democracia, convenhamos.

Não deixa de ser irônico que Putin não esperava por Zelinsky no poder. Um não político (era ator, antes de ser presidente, imitava e caricaturava presidentes na tevê, entre outras atividades artísticas) no poder, um cidadão com antecedentes familiares judaicos, não podia e não pode ser chamado de fascista ou de antissemita. Mas, como a lógica formal não é problema para governos autoritários, Putin e seu círculo de poder fingem que o presidente ucraniano é de extrema direita. Não é. E agora, para coroar a falta de sentido de algumas acusações, além de garantirem que os governantes ucranianos podem ser antissemitas e judeus (!) um ministro russo acaba de afirmar que Zielinsky pode ser fascista, embora judeu, pois até Hitler tinha sangue judaico. O absurdo é evidente. Mas, não se trata apenas de atentado à lógica. É também um atentado às milhões de vítimas do nazismo. Além de infeliz, imbecil, grosseira, agressiva, a frase de uma autoridade russa fere todas as pessoas de bom senso no mundo, as de bom caráter, as sensíveis, todas as que têm compromisso com verdade. E, devo deixar muito claro, sou um apreciador da cultura russa, amo seus escritores – vários assassinados por Stalin - seus músicos, suas orquestras, seus cineastas, seus dançarinos.

Contudo, como neto de imigrantes, que só escaparam das câmaras de gás nazistas, perpetradas pelo mesmo Hitler a quem o ministro russo se refere como tendo sague judeu, eu me sinto no direito e no dever moral de solicitar pedido formal de desculpas por parte dessa autoridade. Minha avó Sara só escapou do Holocausto, com seus nove filhos, porque o Brasil permitiu que para cá ela viesse. Foi um bom investimento do país: hoje somos, entre netos, bisnetos e tataranetos dela mais de duzentos bons brasileiros que trabalham aqui como médicos, professores, empresários, técnicos, dentistas, editores, artistas, ente outras profissões.

Sim, a Ucrânia talvez não possa se vangloriar de seu passado democrático, de ser um país aberto para minorias culturais e étnicas. Sim, durante a II Guerra Mundial nem sempre colaborou com as democracias; na verdade, esteve mais perto da Alemanha nazista e há casos terríveis de massacres perpetrados por ucranianos contra minorias nessa época e até antes da guerra. Contudo, ter ficado do “lado certo” contra o nazismo não dá à Rússia carta branca para invadir seus vizinhos, estados independentes, mesmo que não goste de seus governantes. E inventar mentiras contra ucranianos e outros povos não é digno de um país e um povo tão relevantes quanto o russo.

*Jaime Pinsky – historiador e editor, professor titular da Unicamp, doutor e livre docente da USP. jaimepinsky@gmail.com

Fonte: Correio Braziliense
Desculpe-me, não reconheci você: eu mudei muito. (Oscar Wilde)

LUGARES

ZURICHE - SUÍÇA
A cidade de Zurique, centro bancário e financeiro internacional, fica no extremo norte do lago Zurique, no norte da Suíça. As vias pitorescas do centro de Altstadt (Cidade Antiga), em ambos os lados do rio Limmat, refletem sua história pré-medieval. Calçadões na orla, como o Limmatquai, seguem o rio em direção a Rathaus, a prefeitura da cidade, que data do século XVII. ― Google

PLATÉIA ATUANTE

Martha MedeirosMartha Medeiros

Um amigo, outro dia, conversava com Zé Celso Martinez Corrêa em São Paulo, no Teatro Oficina, quando o dramaturgo perguntou a ele: você é ator? Meu amigo, que é fotógrafo, respondeu: talvez não para seu critério, mas sim para o meu, já que me considero plateia atuante. Zé Celso semicerrou os olhos, demonstrando aprovação à resposta.

Zé Celso é reconhecido por dirigir não apenas peças, mas verdadeiros happenings provocativos, incitando todos a interagir, dançar, gritar, pertencer ao espetáculo. O que me faz refletir sobre que tipo de plateia atuante temos sido, nós que também somos incitados a pertencer a este espetáculo diário da existência.

Em todo momento, entramos em cena para atuar em um enredo que não foi escrito apenas por nós, mas por várias mãos: criação coletiva. Alguém dá uma festa, o chamado é para celebrar e a plateia é você, que pode contribuir para o sucesso do evento circulando, indo para a pista, ou pode permanecer num canto mal iluminado a fim de dedicar-se a comentários ferinos sobre como as pessoas ficam robotizadas pela felicidade obrigatória imposta pelo calendário, sobre como é indecente sorrir quando tantos sofrem, sobre como a virada do ano é um embuste que só visa o consumismo e a ilusão. É o rosno da plateia que se recusa a suspender a descrença.

De fato, ao fim de cada ano somos incentivados a gastar mais do que podemos, a abraçar quem mal conhecemos e a tomar resoluções meio fictícias, já que quem pretende mudar de vida precisa fazer reflexões mais profundas do que simplesmente repetir o mantra “hoje é um novo tempo, de um novo dia”. Mas isso não é motivo suficiente para se afastar do palco.

Em tudo há um quê de farsa. Estamos todos em um grande teatro. Então, resta assumir nosso papel e desempenhá-lo com integridade. A vida fica mais estimulante quando aceitamos o convite para interagir, ao invés de nos isolarmos num mau humor crítico.

Já que está dentro, esteja.

Reze quando diante de um altar, mesmo sendo ateu. Declare-se apaixonado, mesmo sem nenhuma garantia de que haverá amanhã. Diante de um defunto desconhecido, chore do mesmo jeito, pois sempre temos uma morte íntima a lamentar. Ao pegar uma estrada, abra-se para os imprevistos. Disse sim? Então dê o seu melhor para este sim contribuir para o que está à sua volta.

A vida não tem um roteiro determinado. É um happening no gerúndio: vai acontecendo. Ou você se joga e atua junto – e assim aprende, surpreende, colabora – ou assiste a tudo daquela distância segura de quem dá bastante palpite, mas não se envolve com nada.

Boa entrada em 2017.

Fonte: Facebook

FRASES ILUSTRADAS

domingo, 22 de maio de 2022

A RAIZ DOS ÓDIOS

A RAIZ DOS ÓDIOS
Carlos Heitor Cony

Segundo os entendidos, são mais de 8.000 anos do predomínio dos homens no planeta Terra. Pelo calendário gregoriano, são 2017 anos que o cristianismo, religião dominante no Ocidente, prega a igualdade entre os seres humanos, condenando a violência, o racismo e a superioridade de uma raça sobre a outra.

Infelizmente, o atentado desta semana em Barcelona mostrou, mais uma vez, que a humanidade pode superar a brutalidade de certos animais. Nesse particular, tivemos recentemente os casos mais dolorosos da raça humana: o Holocausto nazista, a tragédia de Guernica (na própria Espanha) e os diversos atentados em várias cidades e regiões do mundo em pleno século 21.

Praticamente a cada ano uma grande cidade é devastada por criminosos que, invocando deuses e territórios, colocam a raça humana no mesmo nível dos animais ferozes. O atentado atribuído até agora ao Estado Islâmico é uma prova de que estamos longe de uma sociedade justa. O noticiário desses dias cita os detalhes da carnificina em Barcelona, que se somam às barbaridades de Londres, Nice, Estocolmo, Berlim, Paris, Bruxelas, Munique, Manchester e outras cidades que consideramos civilizadas.

Nesta semana, os atentados de Barcelona e Charlottesville, invocando a supremacia de uma raça sobre outra, demonstram que em pleno século 21 a sociedade humana não aprendeu nem quis aprender os fundamentos básicos da fraternidade que tornariam o mundo mais justo e digno.

Não adiantaram o sonho de Martin Luther King, Nelson Mandela, Mahatma Gandhi e Jesus Cristo. Com lamentável periodicidade, somos obrigados a admitir o bárbaro estágio em que ainda vivemos.

Infelizmente, o atentado em Barcelona nesta semana não será o último. A raiz dos ódios não foi extirpada dos corações humanos.

Fonte: Folha de S. Paulo - 20/08/2017
Não tenhas pressa de fazer novos amigos, nem de abandonar aqueles que tens. (Sólon - Político e poeta grego - 640/ 559 a.C.)

LUGARES

PARIS - FRANÇA

A VERDADE SAINDO DO POÇO

A VERDADE SAINDO DO POÇO

A pintura “A Verdade saindo do poço armada do seu chicote para castigar a humanidade” (no original: La Vérité sortant du puits armée de son martinet pour châtier l’humanité) é um quadro realizado pelo escultor e pintor francês Jean-Léon Gérôme em 1896. A pintura pertence às coleções do museu Anne-de-Beaujeu, em Moulins, na França , e está ligada a uma parábola do século XIX:

“A Verdade e a Mentira se encontram um dia. A Mentira diz à Verdade: Hoje é um dia maravilhoso!

A Verdade olha para os céus e suspira, pois o dia era realmente lindo.

Elas passaram muito tempo juntas, chegando finalmente ao lado de um poço. A Mentira diz à Verdade: ‘A água está muito boa, vamos tomar um banho juntas!’

A Verdade, mais uma vez desconfiada, testa a água e descobre que realmente está muito gostosa. Elas se despiram e começaram a tomar banho.

De repente, a Mentira sai da água, veste as roupas da Verdade e foge.

A Verdade, furiosa, sai do poço e corre para encontrar a Mentira e pegar suas roupas de volta.

O mundo, vendo a Verdade nua, desvia o olhar, com desprezo e raiva.

A pobre Verdade volta ao poço e desaparece para sempre, escondendo nele sua vergonha.

Desde então, a Mentira viaja ao redor do mundo, vestida como a Verdade, satisfazendo as necessidades da sociedade, porque, em todo caso, o Mundo não nutre nenhum desejo de encontrar a Verdade nua.”

Existe um outro final dessa parábola que diz:

“A verdade, por sua vez, recusou-se a vestir-se com as vestes da mentira. E por não ter do que se envergonhar, saiu nua a caminhar pelas ruas e vilas. E desde então, é por isso que, aos olhos de muita gente, é mais fácil aceitar a mentira vestida de verdade, do que a verdade nua e crua.”

Publicado originalmente em oversoso.com.br.

Fonte: https://culturadefato.com.br

MANHÂ DE CARNAVAL

MAYSA

FRASES ILUSTRADAS

sábado, 21 de maio de 2022

DE VOLTA PARA O FUTURO -1

DE VOLTA PARA O FUTURO -1
José Horta Manzano

O sonho de todo comerciante é baixar seus custos sem prejudicar a qualidade do produto ou do serviço fornecido. Os armadores – aqueles que cuidam de transporte marítimo – têm de prever a evolução de seus custos com grande antecedência. Considerando o planejamento, a construção e a entrega, fabricar um cargueiro de grande porte leva muitos anos.

Não é segredo para ninguém que as reservas globais de petróleo são limitadas, e que vão se extinguir um dia, talvez até antes do que se pensa. Guerras e tensões mundiais, por seu lado, podem levar o preço dos combustíveis fósseis às alturas, como é o caso atualmente.

O item mais pesado na planilha de gastos de um navio cargueiro é justamente o óleo combustível. O objetivo de todo armador é baixar quanto possível sua utilização.

“Solid Sail” – retenha essa expressão. Vai se tornar comum dentro em breve. Trata-se de nova geração de vela que, em vez de queimar petróleo caro e poluente, aproveita a energia mais abundante nos mares do planeta: o vento.

A vela tipo “solid sail” não é feita de tecido, como nos atuais veleiros de turismo. É construída com materiais compósitos, uma aliagem que apresenta diversas qualidades interessantes: baixo custo, leveza, solidez e resistência.

A nova geração de velas é fácil de recolher. Não funciona mais como nos filmes de pirata, em que um marujo tinha de subir por uma escada de corda e enrolar o pano no muque, baloiçando aos ventos de mares nunca dantes navegados. Tudo é automatizado. Basta apertar um botão, e a vela se recolhe sozinha, dobrando como persiana. É crucial em caso de forte vento contrário ou de tempestade em alto mar. Nessas horas, o barco volta a ligar o motor tradicional.

Os primeiros navios a experimentar esse novo modo de propulsão estão em fase de construção nos Chantiers de l’Atlantique, canteiros navais franceses. Nesta fase experimental, estão sendo produzidos barcos menores. Dependendo do desempenho deles e de futuras encomendas, porta-contêineres e cargueiros de grande porte serão construídos.

A ideia é excelente e, excetuando as petroleiras, deixa todo o mundo contente. Diminui os custos de transporte, não polui o mar e não contribui para o aumento do efeito estufa. O novo conceito não elimina o combustível, mas reduz fortemente seu uso.

Pensando bem, a ideia de fazer longas viagens em barco à vela não é nova. Mais de meio milênio atrás, as caravelas de Vasco da Gama já havia chegado à Índia à força do vento. Ora pois.

Fonte: brasildelonge.com
Muitas pessoas poderiam ter sucesso em pequenas coisas se não se deixassem atormentar por grandes ambições. (Henry Wadsworth Longfellow, poeta americano, 1807-1882)

LUGARES

MORGES - SUÍÇA

Morges é uma comuna suíça do cantão Vaud, do Distrito de Morges e cuja capital é a própria cidade de Morges. Faz parte da área metropolitana de Lausana Wikipédia

O CADÁVER DE CHARLIE CHAPLIN

A BIZARRA HISTÓRIA DO ROUBO DO CADÁVER DE CHARLIE CHAPLIN

Chegou-se a especular que o corpo teria sido roubado por nazistas querendo se vingar da paródia que o ator tinha feito de Hitler

Um dos artistas mais famosos de todos os tempos, Charlie Chaplin se consagrou ao dirigir e atuar em clássicos do cinema como Tempos Modernos, O Grande Ditador, Luzes da Ribalta e O Garoto. Após uma longa carreira, o intérprete de Carlitos morreu aos 88 anos, no Natal de 1977. O que nem todos sabem é que o corpo do ator foi roubado dois meses depois de seu enterro, em uma tentativa bizarra de extorsão.

O roubo do corpo de Charlie Chaplin

Os restos mortais de Chaplin estavam em um cemitério na localidade de Corsier-sur-Vevey, na Suíça. O ator inglês e sua mulher, Oona, moravam no país desde 1952. Eles se mudaram para lá depois que o artista voltava de viagem para os Estados Unidos, onde vivia, mas teve seu visto de entrada negado por ter sido acusado de ser simpatizante do comunismo.

No início de 1978, o corpo de Chaplin foi roubado do cemitério suíço. Os ladrões simplesmente colocaram seu caixão em uma caminhonete e fugiram. Eles nem ao menos se preocuparam em tapar o buraco. Algumas pessoas chegaram a especular que o corpo teria sido roubado por nazistas querendo se vingar da paródia que o ator tinha feito de Adolf Hitler em O Grande Ditador.

Mas, depois do roubo, Oona recebeu uma ligação dos criminosos pedindo resgate. Eles exigiam U$ 600 mil pela devolução do cadáver. A viúva de Chaplin se recusou a pagar a quantia, dizendo que seu marido teria considerado o pedido “ridículo”. Inexperientes, os criminosos chegaram a negociar para baixar o preço.

Orientada pela polícia, Oona negociou com os criminosos a entrega do resgate. Na verdade, tudo não passava de um truque: um policial disfarçado levaria o dinheiro no carro dos Chaplin e efetuaria a prisão dos homens. Mas um carteiro da cidade que conhecia o veículo da família estragou tudo ao desconfiar do desconhecido no volante e persegui-lo. Confundido com o ladrão de túmulos, ele chegou a ser detido.

Na busca pelos verdadeiros bandidos, a polícia suíça passou a monitorar o telefone de Oona e cerca de 200 cabines telefônicas nos arredores de onde ela morava. Após uma investigação que durou dez semanas, a polícia prendeu dois mecânicos de automóveis: Roman Wardas, da Polônia, e Gantscho Ganev, da Bulgária. A dupla havia enterrado o corpo de Chaplin em um milharal a cerca de 1,6 km da casa da família do artista.

 
Refugiados políticos do Leste Europeu, Wardas e Ganev aparentemente roubaram o corpo de Chaplin na tentativa de resolver suas dificuldades financeiras. Os dois foram julgados e condenados por roubo de cadáver e tentativa de extorsão. Wardas, apontado como o mentor do crime, foi sentenciado a quatro anos e meio de trabalhos forçados. Enquanto isso, Ganev pegou uma pena de 18 meses de liberdade condicional, pois foi considerado que sua participação na trama havia sido limitada.

Como os ladrões eram amadores desesperados, Oona chegou a perdoá-los. Quanto ao corpo de Chaplin, ele voltou a ser enterrado no cemitério após ter sido resgatado do milharal (o proprietário da plantação até colocou uma placa no local dizendo que o ator havia descansado brevemente ali). Depois disso, a família do artista decidiu sepultá-lo em um túmulo de concreto para evitar novas surpresas.

Fonte: https://history.uol.com.br

FRASES ILUSTRADAS

sexta-feira, 20 de maio de 2022

MULHERES NO AR

MULHERES NO AR
Josimar Melo

Comissárias de bordo estrelaram a decolagem e a queda da companhia aérea Varig

Caiu-me nas mãos um livro que, embora seja uma pesquisa acadêmica, soou-me ao mesmo tempo nostálgico e melancólico: "Anfitriãs do Céu: Carreira, Crise e Desilusão a Bordo da Varig" (editora Telha), tese de doutorado da antropóloga argentina radicada no Rio de Janeiro Carolina Castellitti focada nas comissárias de bordo.

É um texto para estudiosos; mas quem não o é, como eu, pode nele navegar sem turbulências, mergulhando na história da aviação comercial do Brasil sob a ótica das profissionais que eram a representação encarnada da imagem das companhias aéreas.

Eram antes chamadas de aeromoças. Ou, aprendi no livro, eram primeiro aeromoços —inicialmente mulheres não exerciam a função.

Por meio de entrevistas com antigas profissionais, tendo a extinta companhia aérea Varig como campo de estudo, Castellitti percorre a viagem com início aventureiro e corajoso de mulheres que desafiavam convenções rumo à independência financeira e familiar, e termina com a lenta agonia da empresa que por anos foi também um retrato do Brasil para o mundo.

A Varig foi o que chamam de companhia aérea de bandeira, uma daquelas que, sendo ou não estatal (a Varig não era), são reconhecidas no mundo como empresa nacional de um país. Em 2005 ela entrou em recuperação judicial, já alquebrada; mas antes disso, pelo menos até a aurora do ano 2000, proporcionava viagens nas quais não respingava a turbulência que nos altos da companhia minava sua administração.

Vivi o tempo em que a sede da Varig em Paris, no térreo da avenida dos Champs-Élysées, era uma verdadeira embaixada do país na França. Tinha um saguão/sala de estar, onde conterrâneos da era pré-internet iam se aboletar para ler jornais brasileiros e encontrar gente que falava a mesma língua.

Esta quase embaixada espalhada pelo mundo funcionava também em outros tipos de ação diplomática: conseguir passagens para um time brasileiro ir representar o país, ou para trazer alguma celebridade que interessava ao Brasil ter em nosso solo, isso para dar dois de infinitos exemplos (entre eles, levar ingredientes para festivais culinários, ou produtos brasileiros para feiras, e por aí vai).

Não esquecendo que, agraciados com passagens ou não, os viajantes encontravam um serviço de bordo digno de nota, do uísque escocês nas rotas nacionais até champanhe com caviar na primeira classe dos voos internacionais (à qual acediam as celebridades em copiosos upgrades).

À época da crise da Varig, este caviar virou o bode expiatório para explicar a derrocada financeira da empresa. Apontava-se para excesso de generosidade no serviço de bordo, e nos convites e cortesias de passagens.

Não estou certo de que tenham sido estes mimos os responsáveis: os luxos nos serviços de bordo eram característica das grandes companhias aéreas de bandeira de outros países também, com as quais a Varig disputava espaço internacional.

Várias delas também estiveram à porta da falência, foram compradas ou incorporadas a outras para sobreviver, e não sei se suas crises foram provocadas pelo caviar —​e, ainda hoje, o luxo a bordo continua sendo um diferencial para várias delas, sem falar naquelas da Ásia e especialmente do Oriente Médio.

Uma coisa é certa: qualquer que tenha sido o culpado, não foram as comissárias de bordo, nem a tripulação ou as equipes de terra, que provocaram os descaminhos da Varig.

No entanto, como mostra o livro de Castellitti, as grandes vítimas destes desacertos foram estes trabalhadores —entre eles, as comissárias de bordo que incorporaram o glamour que a Varig por tanto tempo representou nos ares.

Fonte: Folha de S.Paulo
O homem tem de estabelecer um final para a guerra. Senão, a guerra estabelecerá um final para a humanidade. (John Fitzgerald Kennedy, ex-presidente americano, 1917-1963).

LUGARES

VIENA - ÁUSTRIA
Viena, a capital da Áustria, fica no leste do país, às margens do rio Danúbio. Seu legado artístico e intelectual se consolidou com as obras de figuras como Mozart, Beethoven e Sigmund Freud, que nela viveram. A cidade também é conhecida por seus palácios imperiais, como Schönbrunn, a casa de veraneio da família Habsburgo. No distrito MuseumsQuartier, há construções históricas e contemporâneas que expõem obras de Egon Schiele, Gustav Klimt e outros artistas. ― Google

MR. MILES


Os inimigos somos nós

Nosso solerte viajante tinha escrito uma outra coluna para seu espaço semanal neste caderno. Mais uma vez, porém, foi ultrapassado pelos fatos. Sua crônica, porém, não está perdida. Vai ser publicada na semana que vem. Agora, porém, os leitores têm dúvidas como esta:

Mr. Miles: como é que podemos seguir viajando com episódios como os desse ano e do ano passado? Estive recentemente em Nice e poderia ter sido uma das vítimas. Contra quem esses bandidos estão brigando?
Marcelo Marcinsky, por email

Wel, my friend: não é o imperialismo; não são as políticas internacionais; não é a França, a Turquia ou os Estados Unidos; não é Israel ou a Santa Sé. Não são os deuses, as crenças ou as ideias; não é o bem ou o mal, o certo ou errado. In fact, os verdadeiros inimigos dos terroristas somos nós, os viajantes. Nós que transitamos com nossas malas, mochilas e livros pelo mundo que nos pertence, olhando para cima ou para baixo, sem preocupação, intimoratos.

Nós que queremos ir daqui para lá. Nós que temos a volúpia de conhecer e conviver. Nós que, ao entender o planeta em que vivemos, teremos a possibilidade de salvá-lo, sooner or later. Nós que estamos abertos a ouvir, aspirar e provar; nós que não falamos em empoderamento, porque só queremos o poder de ver e refletir.

Sobre eles, os que atacam, não importa o que defendam, se são justas ou injustas suas causas, sagradas ou pagãs suas demandas. Eles só querem o que logram: aterrorizar-nos. Fazer com que fiquemos em casa e não recebamos ninguém. Fazer com que, oprimidos pelo medo, não pensemos mais em ir para Nice, Paris, Istambul, Damasco ou wherever. 

Aprendi com o general Montgomery, nosso querido Monty, meu comandante na batalha de El Alamein, que o medo é pior do que a morte.  "A disciplina fortalece a mente, que torna-se impermeável à influência corrosiva do medo", disse-me ele, certa vez. Ganhamos a batalha e a guerra, by the way.

Se os inimigos somos nós, temos de nos disciplinar para vencê-los. Viajantes do mundo todo, uni-vos. Eu mesmo já estou, agora, um dia depois do ocorrido, passeando pela Promenade des Anglais (Passeio dos Ingleses), em Nice. Faz sol. Fiz questão de vir, porque, como o nome sugere, o lugar é nosso, de nossos compatriotas britânicos. A Promenade está vazia, I'm sorry to say. Os dois célebres seios de metal que enfeitam o telhado do hotel Ritz Carlton parecem tristemente abandonados. A alegria estival dessas praias um dia frequentadas por reis e imperadores da Europa está obnubilada. Mas estou aqui e convido-os a vir. Sempre. Em qualquer lugar aonde ajam essas pessoas.

Ontem pela noite conversei com Salman (Salman Rushdie, escritor iraniano radicado na Grã-Bretanha). E ele me disse as palavras que gostaria de repetir ao mundo: “How do you defeat terrorism? Don’t be terrorized." ( "Como derrotar o terrorismo? Não se aterrorize").  

Só a nossa coragem tornará inúteis essas demonstrações de covardia. Don't you agree?

Fonte: Facebook

FRASES ILUSTRADAS

quinta-feira, 19 de maio de 2022

A VIDA VOLTANDO AO NORMAL

A VIDA VOLTANDO AO NORMAL
Paulo Pestana

Aos poucos nós, sobreviventes, vamos vendo a vida que a pandemia nos roubou nos últimos dois anos. À parte a tragédia de amigos e queridos perdidos, um pedaço da existência de cada um ficou em uma espécie de câmara criogênica, com sentimentos e sensações suspensos, naqueles dias em que ficamos tão estupefatos que não medimos a gravidade de ficar sem liberdade de fazer o que der na telha.

Era a ditadura do vírus, que devia servir de exemplo para muita gente que fala tanta bobagem, em busca de um salvador, ou pior, de um tutor para – num pensamento torto – tomar conta da sua vida, naquela preguiça de quem faz tudo para não ter que lutar por nada. O vírus passou; as ideias de jerico não passam nunca.

Por causa do vírus fiquei meses sem ir ao estabelecimento do Silvio Ronaldo, o que privou meu paladar do melhor sarapatel que se pode sonhar, além de outras iguarias brutas como mungunzá salgado, maxixe com nata, rabada, costela e tudo o mais que nos entope as carótidas e enche a alma de satisfação.

Silvio finge que tenta ser politicamente correto ao oferecer um prato de salada em pedaços, como uma pizza alta, mas só de folhas e algumas rodelas de tomates. Mas é só para enganar o santo. Logo em seguida traz a feijoada, com muita orelha, pé, rabo de porco e pouco paio. E tudo volta à harmonia, ainda mais que o acompanhamento é a cerveja mais gelada que se pode encontrar, quase no ponto do congelamento, que entorpece as papilas gustativas e rasga a goela.

A volta foi festejada. Uma abrideira, papo curto porque o trabalho é muito, comida na mesa, a qualidade de sempre, o mesmo ambiente. Mas quem era aquela gente toda? A freguesia mudou. Mais engravatada de um lado, mais descolada de outro, o estabelecimento se transformou, mas por mérito do novo público que descobriu o lugar, já que nada foi alterado, nem mesmo as desconfortáveis cadeiras duplas que exigem um fornido par de glúteos para segurar a pressão no cóccix.

O lugar já foi bem mais acanhado. Não tinha nem placa e a referência era a padaria que vendia material de construção na esquina superior da comercial da 114 norte. E tinha uma gama curiosa de frequentadores. A conversa era controlada porque Silvio não gosta de confusão; no primeiro sinal de polêmica ele já interferia – botou muito freguês para correr; mas os sem-vergonha sempre voltavam.

Mulher não ia porque só havia um banheiro, mas esperto como todo comerciante cearense – e há algum que não seja? – Silvio logo notou que as esposas é quem tiravam os maridos do bar. Depois de poucas horas, começava uma sinfonia de telefone convocando as caras metades para outro canto. Foi a senha para a primeira reforma: a construção de um banheiro feminino.

Foi o início da transformação, consolidada com a sedução das crianças, atraídas pela melhor batata frita que se pode comer, já que ele se recusa a comprar o tubérculo cortado e congelado; no mercado, seleciona as melhores batatas, descascadas na hora e fritas em óleo fervendo, o que deixa o miolo cozido e o exterior crocante.

Silvio é bem-humorado como um major endinheirado, mas cumpre muito bem o papel de turrão, necessário para se administrar um local que vende espíritos – que é como os chiques chamam as bebidas alcoólicas. No dia em que um sujeito puxou o violão para cantar, ele interveio: “Você aceita pedidos”. O boêmio aquiesceu: “Claro que sim”. Levou um bate-pronto: “Então para de cantar”.

Como se vê é um lugar em que os casados se sentem em casa.

Publicada no Correio Braziliense em 15 de maio de 2022
As convicções são mais inimigas da verdade que as mentiras. (Friedrich Wilhelm Nietzsche, filósofo alemão, 1844-1900)

LUGARES

FOUGÈRES - FRANÇA
Fougères é uma comuna francesa na região administrativa da Bretanha, no departamento Ille-et-Vilaine. Estende-se por uma área de 10,47 km². Em 2010 a comuna tinha 19 779 habitantes.124 hab/km². Wikipédia

NÃO TROPECE NA LÍNGUA

CRASE COM NOMES DE MULHERES

O acento indicativo de crase antes de nomes próprios de mulheres é tido como facultativo, pois se escreve “à” diante de alguns nomes femininos, mas não diante de outros. O que demarca nossa opção é a possibilidade de esse nome, principalmente o de batismo, ser anteposto por um artigo definido, o que lhe dá um tom de afetividade ou de familiaridade, indicando a pessoa como conhecida ou “de casa”. No Brasil, além disso, esse uso tem caráter regionalista - em algumas regiões, como Sul e Sudeste, é habitual: Marcos, a Lea, a Joana. Isso quer dizer que, se você costuma empregar o artigo definido diante de um nome de mulher, pode usar o “a craseado” quando a situação pedir (ou seja, quando a expressão ou verbo diante do nome exigir a preposição a).

Assim, no caso de mulheres a quem se chama pelo nome de batismo, vale o uso regional. Se você diz: “Gosto de Beatriz. Penso em Rita”, não usará crase: > Contei a Beatriz o que relatei a Rita. Mas se você diz: “Gosto da Beatriz. Penso na Rita”, escreverá: > Contei à Beatriz o que relatei à Rita.

Já quando se faz referência a nome e sobrenome, tão somente a familiaridade é que vai determinar o uso do acento indicativo de crase:

1) a crase não ocorrerá se o nome da pessoa for mencionado formalmente, envolto em distinção, ou se tratar de personalidade pública, pois nessas circunstâncias o nome da pessoa, seja homem ou mulher, nunca é precedido de artigo definido:
  • Referiu-se a Rachel de Queiroz.  [cp. Gosta de Rachel de Queiroz]
  • Fizemos uma homenagem a Euclides da Cunha. [nunca “ao Euclides da Cunha”, pois gostamos de Euclides da Cunha]
  • Muitos fizeram elogios de última hora a FHC e a Ruth Cardoso.
2) a crase ocorrerá se, apesar do nome completo, a pessoa for referida com amizade, numa atmosfera afetiva. É muito comum este tipo de uso nos agradecimentos que se fazem em livros, teses e dissertações, situação que por sua formalidade e tipo de divulgação comporta o nome completo das pessoas homenageadas, embora possam ser da intimidade do autor. É importante que se mantenha a coerência: se o nome do homem é articulado [o, ao], também o da mulher deverá ser precedido de artigo [a, à]. Vejamos um exemplo real:

Desejo externar os meus agradecimentos 
  • ao Dr. Alceu Lima, por sua contribuição nesta pesquisa;
  • ao Prof. Nilo Lima, pela dedicada orientação;
  • à Profa. Maria Lima e Silva, por sua amizade;
  • ao Renato Cruz e Sousa, pelo companheirismo;
  • à Rejane Silva e Silva, pela revisão.
Há igualmente a situação de nomes próprios (verdadeiros ou artísticos) de homens e mulheres famosos com os quais também se usa o artigo definido porque a fama implica uma pretensa familiaridade com a pessoa. No Sul, por exemplo, dizemos “Gosto da Gal Costa. Comprei um disco da Gal”. Portanto, na linguagem escrita: “Refiro-me à Gal (Costa)”. Entretanto, quem diz “Gosto de Gal Costa. Comprei um disco de Gal”, deve escrever: “Refiro-me a Gal (Costa)”.
Fonte: www.linguabrasil.com.br

FRASES ILUSTRADAS

quarta-feira, 18 de maio de 2022

BURKINI

BURKINI
José Horta Manzano


O distinto leitor talvez não tenha ouvido falar em burkini. A palavra, contração brejeira de burka + bikini, designa um traje de banho usado por mulheres que seguem a religião maometana. Grafada à nossa moda, a palavra seria burquini.

Imagino que essa roupa não seja comum nas areias de Copacabana. Trata-se de uma espécie de maiô integral que cobre o corpo inteirinho, só deixando o rosto, as mãos e os pés de fora. Pode ser satisfatório para maridos ciumentos, mas não é adequado para obter um bronzeado completo.

Grenoble está entre as 20 cidades mais populosas da França. É um centro universitário importante. Dispõe de todos os ramos do ensino universitário, mas está especialmente focalizado em alta tecnologia.

A Câmara de Grenoble reuniu-se ontem para um debate curioso. Tratava-se de autorizar (ou não) a entrada nas piscinas municipais de mulheres trajando burkini.


Os que apoiam o uso desse tipo de maiô argumentam que, além de não ser escandaloso, o burkini faz parte dos preceitos religiosos de uma parte da população do país e que, portanto, merece ser respeitado.

Já os que são contra o burkini retrucam que ele é a marca de um insuportável machismo. Acreditam que ele é a prova de que a mulher muçulmana é oprimida pelo marido e pelo mundinho em que vive. Acham que a França, que a pátria dos direitos humanos, não pode tolerar que, em pleno século 21, o sexo feminino seja publicamente humilhado. O uso do burkini, portanto, não deve ser autorizado.

Na Câmara, os debates foram acalorados e levaram 2 horas e meia. O resultado da votação foi apertado: 29 vereadores votaram pela autorização do burkini, enquanto 27 foram contra. Assim, as mulheres que o desejarem (ou que forem obrigadas) poderão frequentar as piscinas municipais no próximo verão trajando burkini.

Contrário à liberação do burkini, o governador da região anunciou imediatamente que ia contestar na Justiça a decisão da Câmara.

Observação
Quem dera o grande problema de nossa sociedade fosse a moda vestimentária de banhistas. Temos outros peixes para fritar, como dizem os portugueses.

Fonte: brasildelonge.com
Só existe uma coisa melhor do que fazer novos amigos: conservar os velhos. (Elmer G. Letterman)

LUGARES

VENEZA - ITÁLIA
Veneza, a capital da região de Vêneto, no norte da Itália, é formada por mais de 100 pequenas ilhas em uma lagoa no Mar Adriático. A cidade não tem estradas, apenas canais (como a via Grand Canal), repletos de palácios góticos e renascentistas. Na praça central, Piazza San Marco, ficam a Basílica de São Marcos, coberta de mosaicos bizantinos, e o campanário, com vista para os telhados vermelhos da cidade. ― Google

SEMIÓTICA DA FALA PICOTADA

SEMIÓTICA DA FALA PICOTADA
Ruy Castro

Os telefones estão horríveis. Às vezes, é como se estivéssemos falando com uma galinha goga

No começo, achei que o problema era só meu —a ligação que começava a picotar assim que eu ou a outra pessoa dissesse "Alô". Um dos dois parecia estar falando em código sem que o outro conhecesse a chave. Como sou um dos últimos protossauros que usam telefone fixo, atribuía-me logo a culpa e saía pelo apartamento em busca de um lugar melhor para falar. Às vezes funcionava, quase sempre não. Até que fui informado de que essa conexão meia-bomba não se limitava às relações entre um celular e um fixo. Dava-se também entre dois potentes celulares.

É claro que o interlocutor que está falando picotado só fica sabendo disso quando o outro o informa —porque, aos próprios ouvidos, sua dicção é digna de um locutor da antiga BBC. Ao ouvir o outro dizer que não está entendendo, ele apenas fala mais alto e pergunta "Está entendendo agora?", frase esta que também sai picotada e é incompreensível. Dá-se o mesmo quando a voz picotada é a do outro e ele nos pergunta a mesma coisa.

Não se pode saber, mas imagino haver casos em que os dois falem picotado ao mesmo tempo e a frase "Está entendendo agora?", pronunciada pelos dois lados, seja desentendida por ambos.

Um amigo meu, chegado à vida rural, campestre e pastoril, comparou o som de um telefonema picotado ao de uma galinha goga [pronuncia-se gôga] —quando seu cacarejo dispara e ela corre desesperada pelo terreiro, com o gogó subindo e descendo sem controle. Já outro amigo, perito em semiótica, me explicou que a ligação picotada é como falar somente com as consoantes. Mas o que se pode fazer facilmente na linguagem escrita —qualquer um entenderá COPACABANA ao ler CPCBN— é impraticável na linguagem oral. Ao ouvir alguém dizer do outro lado ​CPCBN, será como se estivéssemos conversando com a dita galinha goga.

Tudo bem. Nunca é tarde para aprender mais uma língua.

Fonte: Folha de S. Paulo

FRASES ILUSTRADAS

terça-feira, 17 de maio de 2022

POLARIZAÇÃO E TORCIDA PARTIDÁRIA

POLARIZAÇÃO E TORCIDA PARTIDÁRIA
Marcus André Melo

A economia afeta o voto, ou o voto afeta a percepção da economia?

A polarização política afeta a percepção sobre o desempenho do governo e da economia. Mas muitas análises tendem a focar a avaliação do governo ou dos governantes, obtidas em pesquisas, como determinantes cruciais do voto. As respostas às pesquisas são contaminadas por uma espécie de torcida partidária(no jargão, "partisan cheerleading"); elas são uma forma de comportamento expressivo: o(a)s eleitores querem comunicar emoções com suas respostas. Não analisar.

Em "A Política da Beleza: os Efeitos do Viés Partidário sobre Atratividade Física", Nicholson et al concluíram que a polarização atual nos EUA leva os indivíduos a acharem seus copartidários fisicamente mais atraentes que os do partido adversário. Sim, entre nós ela tem levado algumas pessoas a terem um "crush" nos candidatos do partido com o qual simpatizam.

Assim, a polarização política contamina a percepção das pessoas praticamente em todos os domínios da vida social. Não seria diferente no que se refere à economia e às políticas públicas. Mas aqui a forma convencional de pensar a causalidade entre economia e política é posta de ponta-cabeça: os analistas se perguntam como o comportamento da economia afeta o voto, e não o oposto, que é o foco.

Entretanto, temos o conhecido problema da endogeneidade: a economia afeta a política, mas a política afeta a percepção da economia e a avaliação do governo. O termo genérico ‘política’ é usualmente utilizado no sentido de identidade partidária, mas no caso brasileiro, caracterizado por baixíssima identificação partidária, trata-se de clivagem governo vs oposição, ou entre ‘campos’, associados a lideranças individuais (lulismo, bolsonarismo).

As respostas obtidas em pesquisas são expressive cheap talk (fala expressiva): refletem o apoio (ou falta dele) ao governo. As pessoas tipicamente escolhem o(a)s líderes primeiro, e só depois o conjunto de políticas que ele(a)s defendem, como argumentou Lenz, em "Siga o Líder, Como os Eleitores Respondem ao Desempenho e às Políticas dos Governos". Aqui, no nosso caso, é com base na sua lealdade política (ou falta dela) que avaliam o comportamento da economia. A polarização afetiva exacerba estes problemas de endogeneidade.

É óbvio que a inflação, a taxa de juros, e o emprego influenciam o voto e, no momento atual, esta é a questão crucial. Mas não se pode entender esta influência com base em pesquisas com eleitores. O único segmento para o qual este exercício faz sentido são os chamados eleitores voláteis, devido a sua baixa lealdade política.

Sim, na intensa polarização atual as políticas públicas importam pouco; as emoções políticas predominam. Mas a chave da disputa são os voláteis.

Fonte: Folha de S.Paulo
Só há uma coisa mais rara do que uma primeira edição de certos autores: uma segunda edição. (Franklin P. Adams)

LUGARES

BERGEN - NORUEGA
Bergen é uma cidade na costa sudoeste da Noruega. Ela é cercada por montanhas e fiordes, entre eles o de Sogn, o maior e mais profundo do país. Bryggen tem casas de madeira coloridas no antigo cais, que, no passado, foi um centro do império mercantil da Liga Hanseática. O funicular Fløibanen sobe a Montanha Fløyen e oferece vistas panorâmicas e trilhas para caminhadas. A Casa de Edvard Grieg é onde o renomado compositor viveu. ― Google

ROMANCE FORENSE

Imagem da Matéria
Charge de Gerson Kauer

O tio tarado 

A sobrinha, de vida simples e dura, na flor dos seus 17 de idade, costumava visitar semanalmente a casa do aquinhoado tio - viúvo e namorador.
Ela estava habituada a, ali, nos fins-de-semana, banhar-se com conforto, aproveitando os itens avançados de um dos banheiros da casa, equipado com espelhos, chuveiro incrementado e outros quetais.
O tio sempre acedia gentilmente, sem jamais externar qualquer desvio de conduta.
Essa rotina já estava lá pela trigésima ou quadragésima semana, quando a sobrinha descobriu uma microcâmera incrustada em meio a um cano verde, no meio de folhagens que adornavam o banheiro. Tratou, então, de terminar o banho, vestir-se etc.
Voltando à sua casa humilde, a jovem informou seu pai, que foi logo à polícia. O delegado comunicou ao juiz da infância e da juventude, que autorizou imediata busca e apreensão.
Não deu outra: a câmera sem fio emitia sinal para um computador próximo.
Na mesma diligência, noutra peça da casa, apreenderam-se DVDs que continham gravações dos solitários banhos da sobrinha e, em outros momentos, do tio acompanhado de namoradas (sempre uma de cada vez). Também descobriu-se uma grande variedade de peças íntimas femininas e uma boneca inflável, daquelas que saciam (?) taras.
A ação penal contra o tio deu em nada. Mas na ação cível, o juiz de primeiro grau e os desembargadores coincidiram na análise: “as filmagens tinham objetivo precípuo e escuso para a satisfação da lascívia do réu, envolvido nas situações mais estranhas e variadas que, aliadas a outras cenas dele em cenas de sexo com terceira pessoa - e, inclusive, com uma boneca inflável – revelam o seu caráter degenerado e depravado”.
Na semana passada houve o pagamento da indenização: R$ 40 mil. No cartório judicial, a ação é conhecida como “o processo do tio tarado”.

Fonte: www.espacovital.com.br

FRASES ILUSTRADAS

segunda-feira, 16 de maio de 2022

PAGODE NA LAJE

PAGODE NA LAJE
Antonio Prata

Voltei a morar em Get Back

Depois de alguns meses exilado neste inóspito país estrangeiro chamado Brasil, voltei a morar em "Get Back", o documentário com imagens inéditas dos Beatles. Quando o calo aperta, pego meu saco de dormir e me meto no estúdio londrino: entre a Yoko e o hare krishna, passo horas vivendo com meus amigos imaginários de Liverpool.

Uma das partes mais interessantes é quando a Scotland Yard aparece para acabar com o último show da banda, na cobertura da Apple. Enquanto dois delicadíssimos e imberbes policiais são engambelados pela secretária e pelo manager da banda, um repórter na rua entrevista os passantes: o que estão achando daquilo?

Para uma senhora de cabelo azul, o show é "Supimpa! Uma maneira bonita e solar de terminar o dia!". Para um tiozinho de cartola, "Traz vida à cidade de Londres". Há, contudo, almas atormentadas cuja primeira reação, ao ouvirem Beatles entrar pela janela do escritório no final do expediente, não é pensar na sorte de estarem vivos naquela época, naquela cidade, naquele bairro, mas chamar a polícia. Um sujeito cinza, de terno cinza e bigode cinza, grasna: "Atrapalha completamente todos os negócios da região!".

Tenho de concordar com o plúmbeo bigodudo. Os Beatles tocando no telhado, no meio da tarde, atrapalham completamente todos os negócios na região. Acontece que o contrário também é válido: todos os negócios da região, ao chamarem a polícia, atrapalham completamente o show dos Beatles. E aí, como é que fica?

A resposta cinzenta padrão é: as pessoas precisam trabalhar para ganhar dinheiro e pagar as contas, enquanto a música é uma atividade inútil. É. Vá lá. Mas há maneiras menos tacanhas de se encarar o fato de haver nascido.

O mundo produzido por aquelas pessoas que discaram 190 ao ouvir "Don’t Let me Down" viria a dar aqui: neste apocalipse político climático zumbi com tanta desigualdade, Romero Britto e pizza de sushi. Passamos horas no trânsito. Quem não tá gordo é anoréxico. A humanidade se divide entre os ansiosos e os deprimidos e, embora saibamos que a vida é curta, gastamos boa parte dela vendo imagens da falsa felicidade alheia nas redes sociais. O que só nos deixa mais ansiosos ou deprimidos. Ou gordos ou anoréxicos. E ainda aumenta o aquecimento global, pois precisamos de cada vez mais energia pra ver mais fotos da falsa felicidade alheia nas redes sociais. Bem, aqueles caras, ali no telhado, estavam sugerindo uns outros caminhos.

Durante o Carnaval, no Rio de Janeiro, um taxista furibundo começou a rosnar quando viu, num bloco de rua, garotas de maiô com a bunda (meio) exposta. "Falta de vergonha! Elas não se dão o respeito, depois reclamam se alguém passa a mão!". Tentei argumentar que mostrar meia bunda era um direito de qualquer brasileiro, passarem a mão nela, não, mas o homem vivia uma lua de fel com o semelhante.

Lembrei, na hora, do documentário. À época do lançamento, alguém tuitou que a queda de braço entre os SUJEITOS CINZENTOS X BEATLES NO TELHADO seguia vivíssima —e com ampla vantagem para o primeiro time. Ó que enrosco: o mundo acabando, a humanidade infeliz pra burro e ainda acham que loucas são meninas dançando de maiô na rua ou a maior banda de todos os tempos tocando de graça pra população da cidade.

"I have a dream!", diria Martin Luther King. "I have a dream that one day" os Beatles e as bundas poderão mais do que os bigodes grisalhos! "I have a dream" de que um dia o menino da Scotland Yard e o hare krishna e a Yoko Ono estarão de mãos dadas cantando "All together now!".

Não. Aí também já é demais, Antonio. Além de inalcançável, soa piegas. Sejamos pragmáticos na utopia: se deixarem em paz os Beatles e as bundas, já tá de bom tamanho.

Fonte: Folha de S. Paulo
A amizade duplica as alegrias e divide as tristezas. (Bacon)

LUGARES

PRAGA - REPÚBLICA CHECA
A República Tcheca, situada na Europa Central, é um país conhecido pelos castelos ornamentados, pelas cervejas locais e por sua longa história. Praga, a capital, abriga o grandioso Castelo de Praga, do século IX, uma preservada cidade antiga medieval e a Ponte Carlos, repleta de estátuas. Český Krumlov, uma pequena cidade na região da Boêmia do Sul, destaca-se pelo grande número de construções góticas, renascentistas e barrocas, muitas das quais abrigam restaurantes e lojas. ― Google

INIMIGO SECRETO

Fabrício CarpinejarFabrício Carpinejar

Amigo Secreto merecia se chamar de Sofrimento Secreto.

Não tem como se divertir numa brincadeira onde seu principal desafeto pode lhe dar um presente. Ou você pode estar nas mãos do sujeito mais pão-duro do serviço. Como ficar à vontade se tirou o nome do seu chefe?

Nunca vi ninguém pulando de alegria, vibrando por participar da confraternização.

Amigo Secreto é uma praga do Natal, que saiu das empresas para estragar a ceia das famílias.

Amigo Secreto é trocar o presente espontâneo por um brinde. É trocar a loja pelo quiosque.

Amigo Secreto é ir a um rodízio de pizza para comer somente uma fatia.

A pior coisa do Amigo Secreto é quem faz suspense demais, pois aumenta a expectativa para diminuir a recompensa.

A pior coisa do Amigo Secreto é também quem não faz suspense nenhum, preguiçoso e sem vontade.
Todos erram as características na hora do anúncio. É um festival de constrangimentos.

Amigo Secreto oferece chance para os tarados cantarem suas colegas. É um karaokê aberto para péssimos poetas e piadistas.

A Lei de Murphy criou o Amigo Secreto. A lembrança que você recebe consegue ser muito menor do que o limite estabelecido. Você sempre será prejudicado. Terminará com um CD muquirana ou um pacote de meias.

Amigo Secreto é uma rifa sonhando ser Mega-Sena.

Amigo Secreto é fingir que você é feliz.

Fonte: Facebook

FRASES ILUSTRADAS

domingo, 15 de maio de 2022

A TERRA É CHATA

A TERRA É CHATA
Fernando Albrecht

Escrito há nove anos:

Vivemos uma democracia em que não há censura à imprensa como um todo, certo? Errado. Temos a ditadura do politicamente correto com algumas variáveis radicais. No frigir dos ovos, censura.

Não se pode criticar os índios por (censurado) porque eles são tutelados pelo Estado. Nos programas de rádio e televisão, os comunicadores se esmeram em não entrar um milímetro no território das minorias, mesmo que sejam maiorias.

A pretexto de evitar um conflito cria-se outro, que pode ser sintetizado numa frase dos tempos antigos: crê ou morre. Esclareço que não me refiro a pessoas com deficiência.

Eu não posso falar dos (censurado), mas eles podem me chacinar sem dó nem piedade. E ainda tenho que ouvir um “bem-feito!”. E com chance de ser processado.

Em compensação, se alguém me chamar de alemão fdp não acontece rigorosamente nada. O autor é até elogiado por me botar no devido lugar.

A ditadura do politicamente correto engrossa cada vez mais suas fileiras. Ai de quem falar mal das bicicletas e dos ciclistas que não obedecem sinais e faixas de segurança. E trafegam no escuro, sem luz nenhuma. E pior, na contramão.

Garrote vil para mim. Deus me livre de fazer piada com os (censurado). Não devo chamar um baixinho de pintor de rodapé ou algo parecido. Mas se o cara tiver dois metros de altura posso perfeitamente chamá-lo de espanador da lua sem problemas. Esqueceram de botar os jerivás na lista. Ufa! Posso me deitar nos grandalhões. Por enquanto.

PS Atualizando: hoje, pelo menos podemos falar mal do Putin. Provisoriamente.

Fonte: https://fernandoalbrecht.blog.br
O peixe começa a apodrecer pela cabeça. (Provérbio russo)

LUGARES

 ESTRASBURGO - FRANÇA
Estrasburgo é a capital da região de Grand Est, no nordeste da França. A cidade também é a sede formal do Parlamento Europeu e está localizada perto da fronteira alemã, com cultura e arquitetura que misturam influências alemãs e francesas. A gótica Catedral de Notre-Dame oferece exibições diárias do seu relógio astronômico e vistas panorâmicas do rio Reno na parte intermediária do seu pináculo de 142 metros. ― Google

SUPERESTRADAS ANTIGAS

SUPERESTRADAS ANTIGAS
texto original de : Ellen Lloyd
Tradução : Fatos Curiosos
fonte : ancientpages

Em toda a Europa, existem milhares de túneis subterrâneos do norte da Escócia que levam até o Mediterrâneo. Esta enorme rede subterrânea de 12.000 anos é muito impressionante.

Alguns especialistas acreditam que a rede foi uma forma de proteger o homem de predadores, enquanto outros sugerem a ideia de que os túneis interligados eram usados ​​como as rodovias hoje, para as pessoas viajarem com segurança independentemente de guerras ou violência ou mesmo do clima acima do solo. Eles podem ser descritos como uma espécie de superestrada subterrânea antiga.

Outros acham que os túneis podem ser vistos como uma porta de entrada para o submundo.

O arqueólogo alemão Dr. Heinrich Kusch disse que evidências dos túneis foram encontradas sob centenas de assentamentos neolíticos em todo o continente. Em seu livro – Segredos da porta subterrânea para um mundo antigo (título em alemão: Tore zur Unterwelt) – ele diz que o fato de tantos terem sobrevivido após 12.000 anos mostra que a rede de túneis original deve ter sido enorme.

"Só na Baviera, na Alemanha, encontramos 700 metros dessas redes de túneis subterrâneos. Na Estíria, na Áustria, encontramos 350 metros", disse ele.

"Em toda a Europa, havia milhares deles – desde o norte da Escócia até o Mediterrâneo.

A maioria não é muito maior do que grandes buracos de minhoca – apenas 70 cm de largura – apenas o suficiente para uma pessoa se contorcer, mas nada mais.

Eles são intercalados com recantos, em alguns lugares é maior e há assentos, ou câmaras de armazenamento e quartos. Eles não se conectam todos, mas tomados juntos é uma enorme rede subterrânea. "

Em seu livro, ele registra que as capelas costumavam ser construídas nas entradas, talvez porque a Igreja temia o legado pagão que os túneis poderiam ter representado e queria negar sua influência.

Túneis subterrâneos semelhantes existem em outros continentes. Em todas as Américas, há uma série de lendas sobre o segredo das passagens subterrâneas que se estendem por quilômetros.

Por que esses túneis antigos foram construídos? Será que nossos ancestrais tiveram que buscar proteção no subsolo?

Muitas dessas lendas antigas falam de uma grande catástrofe que ocorreu nos tempos antigos. Vários mitos e lendas também se relacionam com como os primeiros seres humanos emergiram de cavernas subterrâneas, túneis e até mesmo cidades.

Fonte: https://fatocuriosos.club

ARENA DI VERONA

AIDA - VERDI
O Festival da Arena di Verona é um festival de ópera de verão, que tem lugar na Arena de Verona, na cidade de Verona, Itália. A primeira ópera foi apresentadas em 1913, para comemorar o centenário do nascimento de Giuseppe Verdi, e tiveram produção do tenor Giovanni Zenatello e do empresário teatral Ottone Rovato. A encenação de Aida no maior teatro lírico ao ar livre do mundo deu início a uma longa tradição. No ano seguinte, Zenatello e outros voltaram e, nos anos anteriores a 1936, várias organizações assumiram as apresentações. (cfe. wikipédia)

FRASES ILUSTRADAS