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quarta-feira, 30 de agosto de 2023

POUPAR PARA A APOSENTADORIAOU PARA A FACULDADE DO FILHO, QUAL DEVE SER SUA PRIORIDADE?


Existem quatro razões para justificar a escolha de qual objetivo priorizar

Naturalmente, não temos o instinto de poupança, nem mesmo para alimentos. A estocagem de alimentos surgiu como uma necessidade. Esse é o problema sempre que não enxergamos a necessidade. Não é simples enxergar as prioridades e necessidades do que precisa ser feito com o dinheiro. Quando nasce um filho, a necessidade fica muito clara. Entretanto, o erro vem em não visualizarmos adequadamente o que deveria ser a prioridade.

Quando nasce sua criança, você já imagina fazer tudo para dar o melhor a ela.

Uma das necessidades básicas de todos nós é uma educação melhor. Você sabe disso.

Entretanto, o melhor não custa pouco e pode sair ainda mais caro dependendo das escolhas dela. Desta forma, a maioria dos pais logo pensa em poupar para a faculdade. A necessidade faz a coisa acontecer.

O Tesouro Nacional junto com a B3, na plataforma do Tesouro Direto lançaram na semana passada o título Educa+ para ajudar pais com esta necessidade. A proposta é muito interessante, mas pode desvirtuar o que deveria ser prioridade.

Assim como o título Renda+ procura facilitar o processo de planejamento e poupança de um indivíduo para sua aposentadoria, o Educa+ visa o pagamento da futura faculdade de seus filhos.

É fácil ver a necessidade de financiar a faculdade de um filho. Já a aposentadoria, costuma ser colocada de lado e encarada como algo que pode esperar.

Lógico que o melhor seria poupar para os dois objetivos. Entretanto, nem sempre isto é possível. Assim, escolhas precisam ser feitas.

Portanto, qual deveria ser sua prioridade de poupança, a faculdade para os filhos ou sua aposentadoria?

Fiz esta pergunta em meu Instagram e para minha surpresa, 71% dos que responderam concordaram comigo

Poupar para sua aposentadoria é mais importante que para a faculdade de seu filho.

Muitos pais podem dizer que eu afirmo isso porque eu não tenho filho. Realmente, não tenho filho. Gosto de pensar que isto me ajuda a pensar mais racionalmente nesta questão.

Talvez, você imagine que esta atitude de priorizar sua aposentadoria seria egoísta, mas é o contrário. Vou explicar em seguida porque não é.

Há quatro motivos que justificam a poupança para a aposentadoria ser sua prioridade:
I – Seu filho pode contrair um financiamento para custear a faculdade, mas você nunca vai conseguir empréstimo para financiar sua aposentadoria;
II – A aposentadoria demanda um maior esforço de poupança. Se você poupar de forma disciplinada visando sua aposentadoria, em 17 anos, quando seu filho for para a faculdade, você vai ter mais que o suficiente para ajudar ele se assim for preciso e você desejar;
III – Se você poupar apenas para a faculdade, corre um grande risco de ao chegar no momento da faculdade, o valor poupado não ser suficiente para a faculdade e você estar muito atrasado para iniciar a poupança para sua aposentadoria;
IV – Como um bom pai, você não deveria desejar ser um peso financeiro para seu filho. Em muitas famílias, no instante em que o filho está constituindo sua família, os pais estão se aposentando. Nenhum filho vai deixar os pais passarem dificuldade. Então se você não poupou o suficiente, seu filho vai ter de fazer um esforço duplo. Assim, poupar para sua aposentadoria é aliviar uma futura preocupação para seus filhos. Lembre-se que, no futuro, este esforço será ainda maior, pois estamos vivendo mais.

Portanto, da mesma forma que no avião em que você é orientado a colocar sua máscara de oxigênio primeiro antes de colocar na criança ao seu lado, também nos investimentos, primeiro você deve salvar sua aposentadoria.

*Michael Viriato é assessor de investimentos e sócio fundador da Casa do Investidor.

Fonte: Folha de S.Paulo

quinta-feira, 13 de abril de 2023

PLANO DE PREVIDÊNCIA NÃO É PLANO DE APOSENTADORIA

Michael Viriato*

O nome plano de previdência induz aplicadores a acreditarem que possuem um plano de renda para aposentadoria

O nome previdência privada não é adequado. Ele leva a um erro de compreensão do que ele promete e de sua razão. Explico o erro, como você tem de interpretar e o que você não deve procurar no mercado ou será enganado.

Na mente da maioria dos indivíduos previdência está associada a um plano de recebimento de renda ao se aposentar.

Recebo vários questionamentos sobre o quanto se deve ganhar de aposentadoria com o plano de previdência que o investidor possui.

Ontem mesmo, a pergunta de um leitor foi sobre a modalidade de previdência que garante uma renda vitalícia.

Quase todos os planos de entidades fechadas, que prometiam pagar uma renda vitalícia definida, ou quebraram ou mudaram seus sistemas para os planos que hoje são conhecidos como "contribuição definida". Portanto, se tornaram planos de acumulação de recursos.

Não poderia ser diferente. Todos sabem que não é possível garantir rentabilidade por anos e como estamos vivendo mais, não tem como ser sustentável um plano que promete te pagar um benefício fixo até você morrer e ainda extensível ao conjugue. Portanto, se você tem um plano de benefício definido como estes, fique atento.

Somente o INSS faz isso, mas quem garante o pagamento é todo o povo brasileiro. Certamente, este produto também em breve vai deixar de ser sustentável e quem não aproveitou, vai lembrar com saudosismo que só pagou para os outros.

O nome correto para os planos de previdência deveria ser "plano de acumulação". Assim como os de entidades de previdência fechadas, ou seja, as fundações. O nome deveria ser plano de acumulação privada.

Todo plano de previdência não passa de uma forma de acumulação. Não são planos de previdência, nem para a previdência.

De fato, a única razão para se ter uma previdência privada são os benefícios fiscais atrelados. Retirando isso, ela é apenas um produto de acumulação de recursos, ou seja, uma forma de disciplinar a poupança.

Também não se iluda com o ponto a seguir.

Se você tem um plano de previdência privada, pois lá está escrito que há a possibilidade de renda vitalícia. Não se engane. Provavelmente, se você contratar este "benefício", você vai receber menos renda neste "benefício" do que se aplicar quase em qualquer ativo. Talvez, até menos que na poupança.

Portanto, nunca, repito, nunca exerça o "direito" de converter sua previdência privada sem ler com cuidado que taxa de juros você vai ganhar no período de renda.

Em quase 100% dos casos, a taxa de juros é ZERO.

Isso quer dizer que se você tem R$ 1,2 milhões aplicados e desejar receber a renda por 20 anos, a seguradora vai apenas dividir o montante por 240 meses. Logo, R$ 1,2 mi/ 240 = R$ 5 mil mensais.

Logo, isso não se trata de um benefício, mas de uma penalidade.

Portanto, não procure no mercado um plano que te prometa renda vitalícia. O mais provável é que você fique com a promessa e com menos dinheiro.

Assim, os planos de previdência privada deveriam ser chamados de "planos de acumulação com penalidades atreladas caso deseje". Tenho certeza de que o leitor desta coluna já me viu escrever sobre isso e nunca vai exercer esta penalidade. Mas, acredite, muitos, inadvertidamente, o fazem.

Por favor, não me interprete mal. Adoro os planos de previdência privada. Acho que são excelentes produtos se você escolher adequadamente. Eles possuem excelentes benefícios, mas estes estão atrelados apenas a parte de impostos. O que já é um tremendo benefício.

*Michael Viriato é assessor de investimentos e sócio fundador da Casa do Investidor.

Fonte: Folha de S.Paulo

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

O FUTURO PERTENCE ÀS WALLETS

Ronaldo Lemos

Carteiras digitais são capazes de guardar qualquer tipo de ativo e crescem no Brasil

Ter conta em banco pode se tornar algo obsoleto e sem graça em um futuro próximo. A razão principal é que as contas tradicionais de banco são capazes de guardar praticamente uma única coisa: dinheiro em espécie. Por isso tendem a ficar cada vez mais demodês. O futuro pertence às chamadas "wallets", termo em inglês que significa "carteira".

O nome é bom. Pense em tudo que você guarda na carteira (para quem ainda usa carteira!): sua identidade, o ingresso para um show no fim de semana, cartões de crédito, cartões de visita e assim por diante. Essa é a característica das wallets digitais: elas são capazes de guardar qualquer tipo de ativo. Tanto os que a gente carrega hoje na carteira física como infinitos outros que existem hoje no presente ou poderão ser criados no futuro.

Em outras palavras, uma wallet pode carregar dinheiro tradicional, pode carregar criptomoedas de qualquer natureza, títulos e valores mobiliários, notas de crédito e débito, ingressos, passagens aéreas, debêntures, identidades, certificados, diplomas, NFTs, stablecoins de qualquer moeda, dados pessoais e assim por diante.

Outra beleza das wallets é que ela torna todos esses ativos também facilmente circuláveis. Não vai conseguir ir no show do fim de semana? Mande o ingresso digitalmente para uma amiga. Precisa dar entrada em um documento ou assinar um contrato? Use sua identidade e assinatura digital armazenada na sua wallet e faça tudo pelo celular sem sair de casa.

O último relatório do "Global Payments Report" mostrou que as wallets crescem também no Brasil. De acordo com o relatório, as carteiras digitais móveis já representam 8% dos pagamentos em pontos de venda físicos e 16% dos pagamentos no comércio eletrônico.

No entanto, é preciso também qualificar as características das wallets. Muita gente defende que para que elas seja inovadoras para valer é importante que sejam descentralizadas e autocustodiadas. Em outras palavras, depositar ativos virtuais na conta de alguma instituição não muda muita coisa. Já custodiar os ativos você mesmo muda tudo. No primeiro caso, se a instituição falir, você perde tudo. Já se eles estiverem sendo autocustodiados na sua wallet, você não perde nada (os ativos, seja dinheiro, ingressos ou criptomoedas, estão sob seu total controle).

Inclusive a Fundação Linux criou a importante iniciativa chamada "Open Wallet Foundation". Seu objetivo é criar e manter código livre, aberto, seguro e gratuito para que qualquer pessoa possa criar e gerir sua própria carteira digital. Isso abre uma oportunidade gigantesca para os bancos e outras instituições: podem se tornar também custodiantes das credenciais de acesso que as pessoas têm sobre suas carteiras digitais descentralizadas, cuidando da segurança delas.

Quando as wallets crescerem, a mercadoria que vai se tornar mais valiosa será a confiança. O surgimento de agentes de confiança que protegem os detentores das wallets sem necessariamente custodiarem seus ativos será promissor. Esse modelo pode se tornar realmente revolucionário. Imagine, por exemplo, que seus dados pessoais possam ser um dos ativos da sua wallet. Você poderá fazer a gestão deles diretamente (e ser pago em dinheiro por seu uso se quiser). Talvez 2023 seja um ano em que muita gente vá baixar e experimentar com o potencial das wallets pela primeira vez.

Fonte: Folha de S. Paulo

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

TRÊS PASSOS PARA DECLARAR SUA PRÓPRIA INDEPENDÊNCIA

Michael Viriato

Datas comemorativas como esta são marcos ideais para criar e acompanhar um planejamento

Independência financeira não pode ser confundida com ausência de trabalho ou ócio. Você é independente quando a renda de seu patrimônio financeiro é capaz de cobrir todas as suas despesas. Assim, você tem mais flexibilidade e pode escolher seguir seu propósito de vida. Para aqueles que desejam ter este controle, descrevo abaixo três passos necessários para você planejar sua independência financeira.

Não espere ficar idoso para entender que é importante ter um capital acumulado. Conforme descreve um dos maiores compositores americanos, Tennessee Williams:

"É possível ser jovem sem dinheiro, mas não se pode ser velho sem ele."

Qualquer um pode alcançar a independência, mas poucos a planejam e menos pessoas ainda colocam em prática o plano que elaboraram.

Como a maioria não consegue, o mais natural é culpar alguém ou algo, por exemplo, o governo, o mercado, os filhos, os pais, a esposa ou o azar.

Os passos são simples, mas não são fáceis. O mais difícil é a disciplina para honrar o plano.

Definir o valor

O primeiro passo é definir o valor necessário para atingir a independência financeira.

Para este passo, faço dois alertas.

Se você é muito jovem, entenda que no futuro constituirá uma família e o valor necessário deve subir. Assim, já considere esta elevação.

Também não estime um valor irreal em relação à sua renda atual. Sem dúvida todos gostaríamos de ter uma renda de R$50 mil mensais. No entanto, se você já tem família e a despesa total é de R$10 mil por mês, estabelecer a meta de R$50 mil é irreal para começar.

Supondo que deseja sua independência seja alcançada se você tiver uma renda de R$ 10 mil por mês.

A regra para calcular o patrimônio necessário é simples. Basta multiplicar esse valor de R$10 mil por 300.

Neste exemplo, você precisaria ter um patrimônio de R$ 3 milhões para ter com tranquilidade a renda desejada.

Sim, é possível ter a mesma renda com patrimônio menor. Mas, isso significaria aplicar em ativos com maior risco e isso poderia comprometer sua independência.

Pare um instante agora e calcule seu objetivo.

A grande maioria das pessoas não consegue definir este primeiro passo. Portanto, se você já o fez, parabéns. Mas não comemore muito, pois os próximos serão mais desafiadores.

Programar o tempo

Definido o patrimônio, agora é o momento de definir o prazo ou horizonte para atingir o objetivo.

Se você está lendo esse artigo no feriado, possivelmente pode pensar: amanhã eu penso melhor. Cuidado para não cair na armadilha da procrastinação.

Aqui vem a primeira dica nessa parte do plano. Quanto menor for o tempo para acumular o capital, maior deve ser o esforço ou a proporção investida em ativos de risco.

Você pode definir o prazo que deseja e passar para o próximo passo, mas se está indeciso, detalho uma dica que te ajudará.

Para um risco moderado da carteira, a regra para o prazo evolui aproximadamente com o montante a ser aplicado.

Por exemplo, se você pode guardar 10% da renda que deseja obter, ou seja, se pretende ter uma renda de R$10 mil e pode poupar mensalmente R$ 1 mil, seu prazo seria próximo de 60 anos com um retorno conservador.

A cada 10% adicionais que você conseguir poupar, você diminui o prazo em aproximadamente 20%. Assim, poupando 20% da renda, o prazo cai para 46 anos. Obviamente esta regra de bolso não é precisa, mas serve para te orientar.

O ideal é realizar o cálculo em uma planilha ou calculadora financeira.

Determinar a rentabilidade alvo

A rentabilidade alvo a ser utilizada deve ser real, ou seja, acima da inflação.

A inflação pode ser expressa como a variação do IPCA.

A taxa de retorno precisa ser acima da inflação, pois esta última apenas corrige a perda do poder de compra. Logo, a taxa real é a parcela que vai proporcionar o crescimento do portfólio.

Considerando as taxas de juros neste momento, você pode assumir um retorno de 4% ao ano acima da inflação se seu perfil é conservador, de 5% ao ano para um perfil moderado e de 6% ao ano para uma alocação agressiva.

Nesse momento, é muito importante avaliar seu perfil de investidor. Não adianta se comprometer com uma meta de retorno mais elevada que o seu perfil suporta.

Carteiras mais agressivas vão em alguns momentos apresentar resultados negativos. Se você não suportar estas oscilações, pode sair de aplicações justamente em momentos inadequados.

Com o plano em mãos, agora você deve buscar os produtos adequados para colocar ele em prática.

Aproveite esta data comemorativa para planejar sua independência financeira e para criar os marcos de acompanhamento dos resultados.

Fonte: Folha de S.Paulo

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

PARA ALCANÇAR A INDEPENDÊNCIA FINANCEIRA DOIS FATORES SÃO OS MAIS IMPORTANTES QUE SUA RENDA

Michael Viriato

Mesmo investidores com alta renda correm risco de não alcançar a independência financeira

Por meio de minha atividade nas últimas duas décadas, tive oportunidade de lidar com algumas centenas de investidores. Nessa pesquisa, verifiquei que existem dois fatores que explicam a razão de a maioria das pessoas não atingir sua independência financeira.

Todas as semanas, participo de reuniões com investidores e potenciais clientes que buscam orientação sobre suas aplicações. Faço isso há muitos anos e posso dizer que tenho experiência.

Alguns indivíduos têm uma renda muito baixa e sua renda é consumida na quase totalidade com o consumo do básico. Vivemos em um país de grande população com baixa renda. Apenas estes podem argumentar que a renda é o principal fator que os distancia da independência financeira.

Mas não é deles que estou falando neste artigo. Me refiro aos que possuem toda a possibilidade de atingir a independência financeira, mas não o fizeram ou ainda estão se distanciando desta meta por causa de dois fatores.

Em minhas entrevistas percebo que, mesmo aqueles que possuem uma renda elevada, também dizem que sua renda é consumida pelo básico. Eles argumentam que não sobra e sempre que poupam algo, a poupança é consumida com uma emergência.

Para estes, não importa que sua renda suba. Eles nunca vão conseguir poupar se não mudarem um hábito.

O que você diria para o diretor financeiro de uma empresa que diz que nunca consegue ter lucro e nunca sobra dinheiro por mais que suas receitas subam todos os anos?

O principal fator que separa aqueles que atingem a independência dos que não conseguem é saber criar uma diferença entre o valor que ganham e o valor que gastam e ter um planejamento financeiro.

Lidar com dinheiro não é algo natural para a maioria das pessoas. Ter disciplina de gastar menos e poupar mais é algo ainda pior.

Da mesma forma, ir à academia parece chato para a maioria das pessoas. Mas, se você perguntar àqueles que vão com frequência, você vai ter uma resposta diferente. Eu gosto de ir à academia. Vou todos os dias da semana e alguns fins de semana.

O hábito torna a ação prazerosa.

O mesmo ocorre com o hábito de gastar menos e poupar mais. Quem o adquire, segue feliz e fazendo cada vez mais.

Mas não basta começar a poupar. É preciso ter um plano de investimento.

O grande problema dos investidores que começam a poupar é que, por não terem um plano, não sabem como deveriam estar em cada momento.

Na matemática dos juros sobre juros, no início, parece que o portfólio se valoriza muito pouco. Assim, a maioria se desestimula e gasta toda a poupança com alguma "premiação" pessoal.

Se você tem um plano, entende em que ponto está no caminho para sua independência. Também, sabe que, se mantiver o hábito de gastar menos e poupar mais, vai alcançar a independência financeira.

Portanto, se deseja alcançar sua independência, crie um plano que mostre o que vai ter de investimentos em cada momento de sua vida e busque elevar a diferença entre o que ganha e o que gasta.

Fonte: Folha de S. Paulo

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

CEMITERIO DE MALANDRO

CEMITERIO DE MALANDRO
Por Daniel Funabashi*

A cada dia que passa, vejo mais e mais pessoas se aventurando em day trade e opções. Na maioria dos casos elas têm uma característica em comum: não entendem nada ou quase nada sobre esses ativos e se expõem ao risco da ruína.

Semana passada tive a triste experiência de ver dois amigos quebrarem no day trade, mesmo após repetidos avisos de que o day trade é um “esporte de alto desempenho” e apenas “atletas de ponta” realmente se destacam nesse “esporte”.

No final da semana, não satisfeito com o fracasso no day trade, um deles me perguntou o que eu achava de uma operação de opções que ele viu na internet, quanto ele poderia ganhar e quanto poderia perder – Para quem não sabe, opções são ativos altamente voláteis, que têm data certa de vencimento e, portanto, deixam de existir após essa data, ou seja, seu dinheiro pode virar pó. São popularmente conhecidos como “o cemitério de malandro”, pois muitas pessoas entram buscando ganhos elevados, num curto espaço de tempo. Mas o que a minha experiência mostra é que o apelido tem muito fundamento.

Respondi a ele com a seguinte frase “Se você não entende como o preço de um ativo se comporta ou os fatores que influenciam na sua precificação, não invista nele, invista no seu próprio conhecimento e volte apenas quando souber”. Espero do fundo do coração que esse meu amigo siga meu conselho e invista no aprimoramento pessoal, antes de se aventurar no mundo das opções ou decidir voltar ao day trade.

No mundo dos investimentos não existe dinheiro fácil. Sem disciplina e paciência, você dificilmente alcançará o que almeja. O mercado é implacável e cobra caro daqueles que se expõem de forma imprudente.

Se você quer começar já e não possui conhecimento, peça ajuda a um assessor de investimentos, ele é um especialista que pode te mostrar as melhores opções, de acordo com os seus objetivos e seu perfil. Em paralelo, dedique-se a aprender. Estude com afinco, para que quando você decida operar em day trade ou opções, isso não seja uma aventura, mas sim, uma jornada rumo aos seus objetivos.

Para terminar com um cliché: “investir em conhecimento sempre rende os melhores juros” (Benjamin Franklin).

*Daniel Funabashi é mestre em Finanças pela Cass Business School de Londres e sócio da iHub Investimentos, um escritório de assessoria de investimentos credenciado à XP Investimentos, a maior plataforma de investimentos da América Latina.

Fonte: http://fernandoalbrecht.blog.br