quarta-feira, 31 de agosto de 2022

BRASIL VIVE EPIDEMIA DE ROUBOS DE CONTAS EM REDES SOCIAIS

Ronaldo Lemos

Criminosos ganham dinheiro todos os dias a partir do desespero das vítimas

Imagine só a situação. Você pega o seu celular e tenta acessar a sua conta no Instagram. Em vez da tela usual que você está acostumado, aparece um pedido de login e senha. Você digita os dados e a senha e recebe um aviso de que estão incorretos. Repete pensando ter digitado errado e nada muda, sua conta está inacessível para você, o dono dela. Percebe então que seu perfil está nas mãos de outra pessoa.

E essa pessoa começa a enviar mensagens dizendo que se você não pagar um valor solicitado, vai começar a publicar fotos e mensagens íntimas. Afinal, o invasor tem acesso a todo seu histórico de trocas de mensagens diretas. Esse é um momento de desespero, que infelizmente se tornou comum no Brasil. Há uma verdadeira epidemia de roubos de contas em redes sociais.

A forma como esses roubos acontecem é diversa. Há uma grande criatividade por parte dos bandidos que se profissionalizaram. Roubo de conta hoje não é uma atividade realizada por "hackers" isolados. É uma indústria organizada que ganha muito dinheiro todos os dias a partir do desespero das vítimas.

Há métodos cada vez mais sofisticados para roubar contas. Um bastante comum é um link enviado por mensagem direta nas redes sociais ou por meio do Whatsapp. Ao clicar no link, as portas se abrem para o bandido assumir a conta. Você pode se perguntar: mas quem clica nesses links? As pessoas não estão espertas?

É nesse momento que entra a engenharia social cada vez mais sofisticada da indústria do roubo. As mensagens enviadas são cada vez mais críveis. Muitas delas enviadas a partir de outras contas roubadas de amigos da vítima. O falsário lê as conversas recentes e manda o link dentro do contexto. Nesta semana recebi o relato de uma conta roubada em que o link foi enviado em um grupo de amigos que estavam combinando de jantar juntos. Um deles teve a conta roubada e o falsário enviou o link no grupo dizendo que era "o link da reserva do restaurante". Todos os participantes clicaram e perderam suas contas.

Outro vetor de ataque preocupante é relacionado às teles. Há cada vez mais relatos de roubos do número de celular. Nesse caso, o bandido procura a companhia telefônica e, de posse de todos os dados da vítima (facilmente encontrados na internet), consegue fazer a portabilidade do chip da pessoa para si próprio. Feito isso, acessa praticamente todas suas contas. Afinal, o número do celular é o portal para praticamente tudo, inclusive resetar senhas e logins.

Esse ataque é preocupante porque não há nada que a vítima possa fazer para se proteger. A falha de segurança é explorada do lado das teles. A pessoa acorda e tem todas suas contas roubadas e seu chip de celular desativado. Essa situação desesperadora infelizmente se tornou comum no país.

O que fazer? É preciso um esforço conjunto de governo, sociedade civil, setor privado e comunidade técnica. A cibersegurança no Brasil entrou em colapso desde que todos os dados dos brasileiros e brasileiras vazaram na internet. Nessa questão você está na maioria das vezes sozinho, com uma indústria criminosa organizada e bem-financiada à sua espreita.

Fonte: Folha de S. Paulo
Decifra-me, mas não me conclua, eu posso te surpreender. (Clarice Lispector)

LUGARES

VILA NOVA DE GAIA - PORTUGAL

Um centro da indústria do vinho do porto, Vila Nova de Gaia está repleta de adegas que oferecem passeios e degustações. Também é conhecida por praias de areia, como a Praia da Madalena, e a cênica estrada ribeirinha Cais de Gaia, com cafés com terraço e vistas amplas sobre o Douro. Pequenos restaurantes servem peixe grelhado e frutos do mar na antiga vila de pescadores de Afurada, onde pitorescas casas de azulejos se espalham por ruas estreitas. ― Google

CONSIDERAÇÕES ALÉM DE TICO E TECO

Ruy Castro

Quem consegue distinguir Huguinho, Zezinho e Luisinho? E Malandro é um vira-lata sem complexo de vira-lata

Walt Disney (1901-66) teria feito 120 anos há algumas semanas e foi inútil você se fingir de indiferente. A mídia martelou o assunto como se Walt fosse um dos nossos. E talvez seja —nenhum brasileiro nascido a partir de 1930, exceto se confinado na mais remota das grotas, deixou de saber dele, de seus personagens, filmes, gibis, álbuns de figurinhas, parques.

Apesar disso, muito do universo Disney continua inexplorado. Vide os sobrinhos do Pato Donald. Nos EUA, chamam-se Huey, Dewey e Louie; aqui, claro, Huguinho, Zezinho e Luisinho. Mas, embora eles se tratem nos quadrinhos pelos respectivos nomes, nenhum garoto americano ou brasileiro já foi capaz de distinguir um do outro. E quantos, nos últimos 90 anos, perceberam que Mickey tem só quatro dedos e suas orelhas estão sempre em diagonal? E que Donald não é bem um pato, mas um marreco —patos têm uma membrana vermelha no bico; Donald, não; e seu rabicho proeminente é típico dos marrecos.

Nem todos os personagens de Disney envelheceram bem. O Capitão Gancho ficou mal com sua piteira para dois cigarros —hoje nem os vilões de desenho animado podem fumar. Os queridos esquilos Tico e Teco tornaram-se sinônimos de dois neurônios, usados para qualificar gente burra. E, pelos padrões atuais, o beijo do Príncipe em Branca de Neve pode ser visto como assédio. Afinal, ela estava morta.

Sabia que, embora aplicasse a famosa assinatura a tudo que saía de seu estúdio, Disney nunca desenhou ninguém? Quem deu forma a Mickey foi Ub Iwerks; a Donald, Carl Barks; e a Pateta, Art Babbitt; em vida, Walt, mau patrão, nunca lhes deu crédito. Ele não era muito admirado como pessoa. No passado, George S. Kaufman definiu a Disneylândia como "a maior ratoeira humana dirigida por um rato".

Mas nada disso atinge Malandro, o cachorro de "A Dama e o Vagabundo" —um glorioso vira-lata sem complexo de vira-lata.

Fonte: Folha de S. Paulo - 25/12/2021

FRASES ILUSTRADAS


terça-feira, 30 de agosto de 2022

SAIBA COMO SURGIU A IDEIA DE QUE O NÚMERO 13 DÁ AZAR

Marcelo Duarte

Na minha coluna de número 13 na Folhinha, falo até de Fórmula 1 e Nasa

Esta é a minha 13ª colaboração para a "Folhinha". Deveria ter pulado a coluna de hoje? Não, não sou triscaidecafóbico, que é o nome que se dá a quem tem medo do número 13 (a palavra difícil vem dos termos gregos para "treze" e "fobia").

Como essa história começou? Uma das explicações diz que havia 13 pessoas na última ceia de Jesus Cristo (ele e os 12 apóstolos). Judas Iscariotes, o traidor, foi o 13º a se sentar.

Por isso, alguns restaurantes não aceitam reservas para 13 comensais, sabia? Cerca de 80% dos prédios nos Estados Unidos não têm o 13º andar. Alguns aeroportos decidiram abolir o portão de embarque 13. E por aí vai.

Há algum caso assim no esporte?

Durante um bom tempo, o número 13 ficou proibido nos carros da Fórmula 1. Só dois pilotos usaram o número desde que a categoria foi criada em 1950. Os dois eram latinos.

O primeiro foi o mexicano Moisés Solana, competindo pela BRM, em 1963. Ele disputou uma única corrida e o carro quebrou. O 13 só voltaria a ser usado em 2014 pelo venezuelano Pastor Maldonado, correndo pela Lotus.

O que se conta é que aconteceram dois acidentes fatais com carros que usavam esse número, um em 1925 e outro em 1926. Pronto: o 13 se tornou amaldiçoado nas pistas.

A inglesa Divina Galica escolheu o 13 em sua passagem pela escuderia Surtees para a disputa do GP da Inglaterra de 1976, mas não se classificou para a corrida. Ah, ela nasceu num 13 de agosto.

Tudo com o número 13 acaba em tragédia?

Um terrível acidente aconteceu com a Apollo 13 da Nasa. A missão para a Lua partiu às 13h13min13s de 11 de abril de 1970. No dia 13 (!), o tanque de oxigênio no módulo de serviço explodiu, forçando a tripulação a permanecer em condições mínimas de sobrevivência durante seis dias.

O desastre só não foi maior porque os três astronautas conseguiram voltar para a Terra, sobrevivendo ao acidente. A aventura virou um filme estrelado por Tom Hanks, em 1995, "Apollo 13: Do Desastre ao Triunfo", indicado a nove estatuetas do Oscar. Ganhou duas.

O 13 dá azar para todo mundo?

O técnico de futebol Zagallo, um dos mais vitoriosos do mundo, usava o 13 como seu número de sorte. A mulher dele, Alcina de Castro Zagallo, era devota de Santo Antônio e gostava do número (o dia de Santo Antônio é comemorado em 13 de junho).

Uma das principais diversões de Zagallo era fazer contas mirabolantes para provar que o 13 lhe trazia bons resultados. Ele foi campeão mundial pela Seleção Brasileira pela primeira vez em 1958 (5+ 8 dá 13).

Ele começou a carreira de treinador no Botafogo em 1967 (6 + 7 é igual a 13). Curioso demais. Que somam 13 letras.

Fonte: Folha de S.Paulo
O exemplo impressiona muito mais a mente e o coração do que as palavras. (São João de La Salle)

LUGARES

FRANKFURT - ALEMANHA
(Estátua da Justiça)
Frankfurt, cidade localizada à beira do rio Meno na região central da Alemanha, é um grande centro financeiro que abriga o Banco Central Europeu. A cidade é o local de nascimento do famoso escritor Johann Wolfgang von Goethe, cuja antiga residência é hoje o museu Goethe-Haus. Como a maior parte da cidade, a construção foi danificada durante a Segunda Guerra Mundial e, depois, reconstruída. A Altstadt (Cidade Antiga) foi reformada e abriga a praça Römerberg, local onde ocorre um mercado natalino anual. ― Google

ROMANCE FORENSE

O carimbador inveterado
O cartório era um primor de organização e limpeza. E o notário, um apaixonado pelo uso de carimbos e etiquetas. Na mesa dele havia dezenas de carimbos de todos os modelos e formatos. A maioria retangulares; alguns redondos. Sem faltar um em formato de losango, com a expressão "Ordem e Progresso", que era usado durante a Semana da Pátria.

As almofadas das tintas eram três: uma preta (para coisas mais comuns como o reconhecimento de firma por semelhança); uma azul (usada para autenticações de fotocópias) e uma vermelha (usada para casos de firmas autênticas no caso de vendas de veículos, recibos de quitação etc.).

A papelada era carimbada em todo o espaço possível. E quando havia interesse de incapazes, o escrivão apunha uma etiqueta gomada dourada, sobre a qual imprimia um sinete em alto relevo: "Cartório do Doutor...- Documento duplamente conferido por haver interesse de menor(es)."

De repente veio a lei de desburocratização - e muitos papéis que demandavam idas e voltas, carimbos e mais carimbos, não mais deles precisavam.

O tabelião ficou inconsolável; olhava com tristeza a sua coleção de carimbos agora inútil. Mas acabou por arranjar uma maneira inteligente de manter a sua “carimbação” em todos os papéis que por ali transitavam.

Mandou fazer um vistoso carimbo com os seguintes dizeres: “Isento de Carimbo”.

E continuou marcando documentos com seu novo carimbo.

Mas com um diferencial: a cor passou a ser verde.

Fonte: www.espacovital.com.br

FRASES ILUSTRADAS

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

PARA ALCANÇAR A INDEPENDÊNCIA FINANCEIRA DOIS FATORES SÃO OS MAIS IMPORTANTES QUE SUA RENDA

Michael Viriato

Mesmo investidores com alta renda correm risco de não alcançar a independência financeira

Por meio de minha atividade nas últimas duas décadas, tive oportunidade de lidar com algumas centenas de investidores. Nessa pesquisa, verifiquei que existem dois fatores que explicam a razão de a maioria das pessoas não atingir sua independência financeira.

Todas as semanas, participo de reuniões com investidores e potenciais clientes que buscam orientação sobre suas aplicações. Faço isso há muitos anos e posso dizer que tenho experiência.

Alguns indivíduos têm uma renda muito baixa e sua renda é consumida na quase totalidade com o consumo do básico. Vivemos em um país de grande população com baixa renda. Apenas estes podem argumentar que a renda é o principal fator que os distancia da independência financeira.

Mas não é deles que estou falando neste artigo. Me refiro aos que possuem toda a possibilidade de atingir a independência financeira, mas não o fizeram ou ainda estão se distanciando desta meta por causa de dois fatores.

Em minhas entrevistas percebo que, mesmo aqueles que possuem uma renda elevada, também dizem que sua renda é consumida pelo básico. Eles argumentam que não sobra e sempre que poupam algo, a poupança é consumida com uma emergência.

Para estes, não importa que sua renda suba. Eles nunca vão conseguir poupar se não mudarem um hábito.

O que você diria para o diretor financeiro de uma empresa que diz que nunca consegue ter lucro e nunca sobra dinheiro por mais que suas receitas subam todos os anos?

O principal fator que separa aqueles que atingem a independência dos que não conseguem é saber criar uma diferença entre o valor que ganham e o valor que gastam e ter um planejamento financeiro.

Lidar com dinheiro não é algo natural para a maioria das pessoas. Ter disciplina de gastar menos e poupar mais é algo ainda pior.

Da mesma forma, ir à academia parece chato para a maioria das pessoas. Mas, se você perguntar àqueles que vão com frequência, você vai ter uma resposta diferente. Eu gosto de ir à academia. Vou todos os dias da semana e alguns fins de semana.

O hábito torna a ação prazerosa.

O mesmo ocorre com o hábito de gastar menos e poupar mais. Quem o adquire, segue feliz e fazendo cada vez mais.

Mas não basta começar a poupar. É preciso ter um plano de investimento.

O grande problema dos investidores que começam a poupar é que, por não terem um plano, não sabem como deveriam estar em cada momento.

Na matemática dos juros sobre juros, no início, parece que o portfólio se valoriza muito pouco. Assim, a maioria se desestimula e gasta toda a poupança com alguma "premiação" pessoal.

Se você tem um plano, entende em que ponto está no caminho para sua independência. Também, sabe que, se mantiver o hábito de gastar menos e poupar mais, vai alcançar a independência financeira.

Portanto, se deseja alcançar sua independência, crie um plano que mostre o que vai ter de investimentos em cada momento de sua vida e busque elevar a diferença entre o que ganha e o que gasta.

Fonte: Folha de S. Paulo
A vida é uma história contada por um idiota, cheia de som e de fúria, sem sentido algum. (William Shakespeare)

LUGARES

VIENA - ÁUSTRIA
(St. Stephan's Cathedral)
Viena, a capital da Áustria, fica no leste do país, às margens do rio Danúbio. Seu legado artístico e intelectual se consolidou com as obras de figuras como Mozart, Beethoven e Sigmund Freud, que nela viveram. A cidade também é conhecida por seus palácios imperiais, como Schönbrunn, a casa de veraneio da família Habsburgo. No distrito MuseumsQuartier, há construções históricas e contemporâneas que expõem obras de Egon Schiele, Gustav Klimt e outros artistas. ― Google

BOLA NA BOCHECHA DA REDE

Ruy Castro

Aproveite as novas expressões do futebol antes que elas fiquem fora de moda

Volta e meia alguém faz um dicionário de futebol, incorporando as últimas expressões. E é bom que assim seja, porque poucos universos são tão ricos em dizer coisas velhas de um jeito novo. Um torcedor de 1999 que tenha dormido na virada do milênio e só acordado agora não entenderá metade do que os narradores e comentaristas dizem hoje ao microfone na transmissão de uma partida. Para o benefício desse hipotético, embora improvável, torcedor, aí vai um pequeno glossário das falas atuais.

A bola de futebol não é mais o velho balão de couro, que alguns chamavam de redonda, outros de menina e às vezes ia dormir no véu da noiva, digo rede. Aliás, a bola nem é mais de couro. Continua redonda, mas ganhou uma riqueza facial digna de uma diva do teatro. Entre outras coisas, tem cara e orelha —ou assim os locutores se referem a um chute certo, "na cara da bola", ou torto, que pegou "na orelha da bola". A rede, por sua vez, agora tem bochecha —um chute bem colocado é o que vai para a "bochecha da rede".

Ninguém mais joga bem —"faz bom jogo". Ninguém mais entra em campo —"vem pro jogo". E ninguém mais sai —"vai embora". A "marcação alta", de que tanto se fala, é só a antiga marcação por pressão, quando os nossos atacantes vão infernizar a saída de bola do adversário. A "marcação baixa" é a velha retranca ou o velhíssimo ferrolho. O críptico "jogar entre linhas" é apenas receber a bola nas costas do adversário.

Garrincha, hoje, não seria um ponta, mas um "extremo" ou, coitado, um jogador "de beirada". E "camisa pesada" não é mais aquela antiga, de pano, que, quando chovia durante o jogo, absorvia água à beça e o jogador penava para carregar no corpo. Agora é apenas a camisa de qualquer time grande, talvez pesada de títulos.

São só novas frases feitas, como se vê. E, como sói, em breve tão antiquadas e fora de moda quanto chamar goleiro de quíper.

Fonte: Folha de S. Paulo

FRASES ILUSTRADAS

domingo, 28 de agosto de 2022

ÉS PÓ E AO PÓ NÃO VOLTARÁS

 Fernando Albrecht

A história de hoje é contada pela jornalista Osni Machado:

Em uma das inúmeras idas para a praia, levava comigo uma encomenda para a esposa: pó de gelatina incolor para dieta alimentar. No Mercado Público, quando procurei o dito pó de gelatina, o mesmo era vendido em porções que vinham em saquinhos de plástico e sem identificação alguma. (MEDO!!!).

No transcurso da viagem, fui barrado em barreira policial em pleno mês de janeiro. Até então tudo bem, não tinha ligado “alhos a bugalhos”, mas em um segundo momento – CAIU A FICHA. O policial chegou na janela do carro e perguntou, o que o senhor leva naquela mochila?

– Deixe-me ver, disse o policial. CORREU O GELO PELA ESPINHA!!!

E agora, pensei. Como eu vou explicar para o policial o que era aquele misterioso pó branco. MEU DEUS!!!

Pensei novamente, como os meus botões: o pessoal vai ter que me visitar lá na CADEIA.

Bom, voltei à realidade dos acontecimentos. Muito preocupado – COM AS MÃOS TRÊMULAS – entreguei a minha mochila ao homem da Lei.

A minha mochila foi de imediato para o focinho da cadela – ESPECIALISTA EM PÓS.

Então, a referida cadela, após REBOLAR O NARIZ – demoradamente – na bagagem, GRAÇAS A DEUS!!! – perdeu o interesse.

Mesmo assim, o policial passou a revistar o interior da mochila. Mais uma vez: PÂNICO TOTAL!!!E, não sei como e – também – por sorte, eu tinha muitas coisas lá dentro; era guarda-chuva, copo plástico, garrafa de água, produtos dietéticos e outros.

Final da história: o policial não encontrou a gelatina.

Eu jurei nunca mais comprar pó. 

Fonte: https://fernandoalbrecht.blog.br
Quando abrimos um livro descobrimos que temos asas. (Helen Hayes)

LUGARES

VENEZA - ITÁLIA
A Praça de São Marcos é a única praça de Veneza, e o seu principal destino turístico, com permanente abundância de fotógrafos, turistas e pombos. Atribui-se a Napoleão Bonaparte, embora muito provavelmente o deva fazer-se a Alfred de Musset, a autoria do epíteto de le plus élégant salon d'Europe. Wikipédia

SE EU MORRER AMANHÃ

Carlos Heitor Cony
Se eu morrer amanhã, não levarei saudade de Donald Trump. Também não levarei saudade da operação Lava Jato nem do mensalão. Não levarei saudade dos programas do Ratinho, do Chaves, do Big Brother em geral. Não levarei nenhuma saudade do governador Pezão e do porteiro do meu prédio.

Se eu morresse amanhã, não levaria saudade do rock, dos sambas-enredo do Carnaval, daquela águia da Portela nem dos discursos do Senado e da Câmara, incluindo principalmente as assembleias estaduais e a Câmara dos Vereadores.

Se eu morrer amanhã, não levarei saudades dos buracos da rua Voluntários da Pátria, das enchentes do Catumbi, dos técnicos do Fluminense, dos juízes de futebol, da Xuxa e das piadas póstumas do Chico Anysio. Não levarei saudade do Imposto de Renda e demais impostos, e muito menos levarei saudade das multas do Detran.

Não levarei saudade da vizinha que canta durante o dia uma ária de Puccini ("oh mio bambino caro") que ela ouviu num filme do Woody Allen. Aliás, também não levarei saudade do rapaz que mora ao meu lado e está aprendendo a tocar bateria.

Não levarei saudade das cotações da Bolsa, das taxas de inflação e das dívidas externas do Brasil. Não levarei saudade dos pasteis das feiras livres nem das próprias feiras livres, também não levarei saudade dos blocos de índio que geralmente fedem mais do que os verdadeiros índios.

Não levarei saudade dos lugares em que não posso fumar, das lanchas de Paquetá e dos remédios feitos com óleo de fígado de bacalhau. Não terei saudades das mulheres que usam silicone e blusas compradas no Saara.

Enfim, não levarei saudade de mim mesmo, dos meus fracassos e dívidas. Finalmente, não terei saudades dos milagres dos pastores evangélicos nem de um mundo que cada vez fica mais imundo.

Fonte: Folha de S. Paulo - 05/03/2017

VOZES DA PRIMAVERA

KARAJAN - KATHLEEN BATTLE
New Year's Concert From Vienna 1987

FRASES ILUSTRADAS

sábado, 27 de agosto de 2022

ESTRAGARAM O BICENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL


Douglas Nascimento

Como a ´futebolização´ da política se tornou nociva ao país

Por ter nascido em 1974 não tive a oportunidade de vivenciar as comemorações do Sesquicentenário da Independência do Brasil, ocorrida dois anos antes em 1972. Contudo como pesquisador, colecionador e até um pouco acumulador tenho muito material oriundo desse evento que foi muito festejado tanto quanto foram em 1954, as festividades do IV Centenário de São Paulo.

Voltando no tempo, ao distante ano de 1822, sabemos que a proclamação da Independência não foi um movimento de participação popular, tanto que a imagem que mais nos remete ao Grito do Ipiranga é o quadro de Pedro Américo, Independência ou Morte, que mostra uma proclamação gloriosa, épica e que sabemos que nem de longe foi daquele jeito.

Cem anos depois, em 1922, tivemos a celebração do primeiro centenário da Independência. Foi um evento que contou com grande participação da imprensa, dos três poderes e, dessa vez, da população. As recordações visuais são poucas, é claro, não tínhamos os recursos de mídia de hoje, mas quem participou não esqueceu.

Já em 1972, no sesquicentenário, o país era completamente diferente de 1922. Eram os anos da ditadura militar, com confrontos, perseguições, exílios e tudo mais que faziam do cenário o pior possível para que as celebrações transcorressem da maneira organizada e pacífica.

Contudo, tudo transcorreu tranquilamente e as festividades de 150 anos do Brasil independente foram um belo espetáculo para quem teve a oportunidade de presenciar. Naquele momento o grande ápice foi a vinda dos restos mortais de D. Pedro I ao país, algo que já havia sido tentado ­– sem sucesso – em 1921.

As atividades culturais em torno do Sesquicentenário também foram inúmeras, com lançamento de moedas comemorativas, selos, livros e até um filme de muito sucesso estrelado pelo maior galã brasileiro da época, Tarcísio Meira.

Com a redemocratização do país e a caminhada ao futuro, rumo a 2022, a chegada do Bicentenário deveria ser um grande evento nacional como nunca visto antes mas, ao que tudo indica, será um evento fraco, pífio. Por quê?

"FUTEBOLIZARAM" A PÁTRIA

Quis o destino que o Bicentenário caísse justamente em ano de eleições presidenciais. Sendo possivelmente a eleição brasileira mais tensa em um período democrático, acabou por afastar a possibilidade de um evento sem viés de campanha.

Desde as manifestações contra a então presidente Dilma Rousseff o Brasil vem sofrendo de uma espécie de "futebolização" da política, e isso nada tem a ver a princípio com a camisa canarinho em protestos, mas com a forma de enxergar a política nacional como um Corinthians x Palmeiras, ou um Fla x Flu se você preferir.

Essa dicotomia que toma nossa política está impedindo que o patriotismo brasileiro seja visto, ostentado ou mesmo admirado. Está com uma bandeira do Brasil ? Bolsonarista! Camisa da seleção ? É lava-jatista! Gostou da vinda do coração de Dom Pedro I ? Governista !! Por favor, parem. O patriotismo não tem lado.

Qualquer país seja ele pobre ou rico celebra suas datas cívicas com orgulho. Seja qual ideologia estiver no poder, são datas que não são do governante, mas do povo. Estive em 2010 no Bicentenário da Argentina e foram celebrações que encheram os argentinos de orgulho. Paraguai, por exemplo, aquele vizinho que costumamos inferiorizar como "terra do contrabando" tem um cerimonial no Panteão Nacional dos Heróis, em Assunção, de fazer o Brasil chorar de inveja.

Como brasileiro, paulista e patriota assisti na íntegra pela TV Brasil a Solenidade da chegada do Coração de Dom Pedro I à Brasília e devo dizer que me emocionei bastante. Se por um lado acredito que relíquias como o coração de uma pessoa guardada em formol tem certa morbidez, por outro lado enxergo na cerimônia realizada pelo Governo Federal que o coração de nosso Herói da Independência veio ao Brasil para dar um recado aos brasileiros: sem amor à pátria e respeito à nossa história e símbolos nacionais não iremos a lugar algum.

Fonte: Folha de S. Paulo
O Exército pode passar cem anos sem ser usado, mas não pode passar um minuto sem estar preparado. (Rui Barbosa)

LUGARES

ORVIETO - ITÁLIA
(Catedral de Orvieto)
Orvieto é uma comuna italiana da região da Umbria, província de Terni, com cerca de 20.692 habitantes. Estende-se por uma área de 281 km², tendo uma densidade populacional de 74 hab/km². Wikipédia

AS CORES DA MINHA ALMA: NINA SIMONE

“Eu podia cantar para ajudar meu povo, e esse virou o esteio da minha vida. Nem piano clássico, nem música clássica, ou mesmo a música popular, mas a música dos direitos civis.” – Nina Simone, no documentário “What Happened, Miss Simone?”, 2015

Nina Simone pianista clássica, estudou no conservatório de New York “Juilliard School”. Foi uma das primeiras negras a entrar na renomada Escola da Música de Juilliard, depois de ser rejeitada em outro conservatório na Filadélfia.

Nina Simone (Eunice Kathleen Wayman) nasceu em Tryon, Carolina do Norte, EUA, em 21 de fevereiro em 1933, e morreu em Carry-le-Rouet, Provence-Alpes-Côte d’Azur, França em 21 de abril de 2003, aos 70 anos, enquanto dormia.

‘Liberdade’ por Nina Simone – trecho do documentário “Nina: a historical perspective”, de Peter Rodis (1970) 

“É um sentimento. Liberdade é apenas um sentimento. É como tentar explicar para alguém como é estar apaixonado. Como você vai explicar isso para alguém que nunca sentiu? Você não consegue. Mas você sabe quando acontece. Houve algumas vezes no palco em que eu realmente me senti livre. E isso é uma coisa incrível. É realmente incrível. Eu te digo o que liberdade significa para mim: nenhum medo! Realmente nenhum medo. Se eu pudesse ter isso por metade da minha vida… É algo que realmente se sente. Como um novo jeito de enxergar.”
– Nina Simone

Seu engajamento na luta pelos direitos civis

“Não tive escolha, não há como viver nessa época, nesse país e não se envolver.” – Nina Simone (sobre seu engajamento na questão racial norte-americana).

Em 1963 sua música “Mississipi Goddam” (Maldito Mississipi) tornou-se um hino da causa negra. A letra fala do assassinato de quatro crianças negras em uma igreja de Birmingham.

Em plena guerra do Vietnã em 1971, Nina Simone cantou um poema em que Deus é chamado de assassino, após 18 minutos de “My Sweet Lord” de George Harrison, dando voz aos que eram contrários a esse conflito no evento militar em New Jersey.

Nina Simone foi uma artista que viveu em conflito com seu tempo. Parecia que tinha uma dívida insana e permanente com o passado, o presente e o futuro. Sobre o título de “musa do jazz” ela dizia: “É o título que todo branco concede piedosamente aos cantores negros”. Talvez por isso ela tenha se aventurado a experimentar de tudo um pouco, como: George Gershwin, Leonard Cohen, Beatles, George Harrison… Em 1990 gravou com Maria Bethânia.

Negritude “Eles precisam de mim…” Nina Simone – trecho de entrevista rara (legendado)

Nas décadas de 70 e 80, nos Estados Unidos, Nina Simone acompanhou a ascensão e a queda dos direitos civis, a derrota do black power, a opressão sobre as mulheres negras e a persistência do racismo.

“Nas três primeiras horas após o nascimento de Lisa, eu amei o mundo” – Nina Simone 

Lisa Simone Kelly, sua filha diz: “Ela era brilhante, mesmo na velhice ela era brilhante.”

O filósofo e escritor Kwame Anthony Appiah afirma: “A arte é crucial porque a imaginação é crucial.” E, continua “antes que possamos transformar o mundo é preciso imaginar diferente do que é, e essa capacidade de entender, por exemplo, a condição psíquica de alguém num determinado tempo, de alguém oprimido num determinado tempo, que pode ser ou não o meu próprio, jamais pode ser vista simplesmente olhando para os lados ou porque elas nos é externa ou porque estamos imersos nesta mesma condição. Mas é preciso pensar sobre ela.”

O canal Nina Simone no Vimeo disponibiliza vídeos com entrevistas para a TV, shows na íntegra, além de números musicais da artista.

Site oficial: The Official Home of Nina Simone

Fonte: textos extraídos da matéria de Glenda B. Ferreira/ CidadãoCultura 

Fonte: https://www.revistaprosaversoearte.com

FRASES ILUSTRADAS

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

TUDO O QUE É DEMAIS...

José Horta Manzano
Estava observando o número de seguidores de certas personalidades da internet. É pra lá de impressionante: chega a ser estonteante. Tem gente – artistas, influenciadores, políticos, esportistas – que exibe incontáveis seguidores. São 60 milhões para fulano, 95 milhões para sicrano, 130 milhões para beltrano.

De repente, a gente pára e faz as contas. Adicionando todas essas centenas de milhões de fãs, chega-se a um total que equivale a muitíssimas vezes a população do país, incluindo recém-nascidos e anciãos. Conclusão: cada seguidor está inscrito em mais de um, quiçá em dezenas de canais.

Agora vem a pergunta: será que cada um desses fãs lê, sem falta, todas as postagens de todos os canais em que está inscrito?

A meu ver, é praticamente impossível. Passar o dia (e a noite) olhos grudados na telinha não seria suficiente pra ler tudo de verdade, sem deixar escapar nada.

Ao fim e ao cabo, conclui-se que tomar como base o número de seguidores de cada personalidade é uma informação que deve ser estudada com grande precaução. Cada postagem daquele que tem 70 milhões de fãs não será necessariamente lida por 70 milhões de assinantes. O número de verdadeiros seguidores assíduos é infinitamente mais baixo.

E isso significa o quê? Significa que o alcance verdadeiro da influência deste ou daquele artista (ou esportista, ou político) é certamente bem mais modesto do que pode parecer à primeira vista.

Além disso, a influência de cada personalidade se dilui no caldeirão onde borbulham tantas influências vindas de tantas bocas. O balanço final das diversas influências periga se anular.

O bombardeio de opiniões é superior à capacidade de absorção dos seguidores. Tudo o que é demais enjoa.

Fonte: brasildelonge.com
O homem pode subir aos mais altos cumes, mas não pode manter-se aí por muito tempo. (George Bernard Shaw)

LUGARES

RÜDESHEIM AM RHEIN
Rüdesheim am Rhein é uma cidade da Alemanha, localizada em uma região do vale do rio Reno declarada Patrimônio da Humanidade e que é um dos grandes pontos turísticos do país.

MR. MILES


Como fica o mundo sob nova direção

"Oh, my God! — vociferou Mr. Miles após a vitória de Donald Trump na corrida pela presidência dos Estados Unidos. "Eu jamais deveria ter invocado Connie, a rainha do mau presságio, como fiz na coluna da semana passada. Presumo que ela tenha ido até lá, participado das últimas manifestações pró-Hillary e, unfortunately, deu no que deu!

A seguir a pergunta da semana, escolhida por aproximar-se do tema.

Diga-me, caro Mr. Miles: a vida dos viajantes será cada vez mais dificil. O senhor não concorda?
Leonardo S. Taletti, por email

Well, my friend: infelizmente você deve ter razão. Há cada vez mais gente na porta de seu país, a montar barricadas contra o viajante, o ser mais interessado do mundo e, I'm sorry to say, mais facilmente confundido com refugiados e imigrantes. On the other hand, dear Leonard, o viajante, antes de tudo, é um forte! (parafraseando meu velho amigo Euclydes da Cunha em seu livro Os Sertões).

Ou, como diria Gonçalves Dias: "Viver é um combate, que aos fracos abate e aos fortes e bravos só faz exaltar."

Portanto, não nos deixemos abater. Conclamo-os: " Às malas, às frasqueiras e às mochilas!"

Vamos mostrar a esses porteiros que o mundo segue sendo de todos, uma extensão do quintal da casa de cada um — e que não abrimos mão do direito de ir e vir, do direito de conhecer e aprender até que esses senhores vetustos e de maus bofes deixem de ser eleitos por pessoas que só saem dos seus sofás para comprar pipoca e cerveja — o que ocorre em quase todo o centro-oeste americano, terra dos chamados red-necks (nucas vermelhas, queimadas pelo sol da lida rural).

E há uma outra questão: em minha opinião, quem quer ter as rédeas do mundo (como nós mesmo tivemos até o inicio do século 20), deve, as well, carregar a responsabilidade por seus tutelados. Largar o mundo na inércia, como os Estados Unidos da América estão fazendo, é como deixar um carro na ladeira apenas com o passageiro algemado.

Na minha visão antiquada, só fecham as portas os estabelecimentos que não deram certo. Os falidos, os incompetentes e os medrosos.

Essa eleição non-sense, assim como nossa decisão de deixar a aliança europeia, os novos lideres populistas do leste europeu e a real ameaça de Madame Le Pen, na França, lembra-me de um divertido episódio que viví em Honduras. Vivia alí, numa estância, o poderoso Don Enrique Ordoñez, cuja única obsessão era proteger a virtude de sua linda filha Preciosa. Don Enrique chegou a atirar, com doloridas balas de sal, em uma dezena de pretendentes que aproximavam-se de sua propriedade. Eis que, certo dia, ansiosa por estrear seus talentos, a bela Preciosa resolveu seduzir o mordomo da casa, senhor de provecta idade.

"Es lo que tiene para hoy!", exclamou Preciosa que, meses depois, apareceu grávida sem que ninguém houvesse entrado na casa. 

Ainda que desconfiado, mister Ordoñez saiu pela região contando que sua filha, agora chamada de Santa Preciosa, estava prestes a dar à luz ao mais sagrados dos filhos de Honduras.

Em muitos aspectos, o senhor Trump lembra o bravo estancieiro. Ambos creem que quanto mais fechadas estiverem suas casas, melhor será para seus filhos. Lá dentro, porém, sempre haverá um serviçal pronto a passá-lo para trás.

Quanto a mim, Leonard, vou esperar o andar da carruagem. Se a América acha que merece Trump, é possível que muitos viajantes achem que não merecem a América. 

E isso, of course, seria um caos. É cada dia maior a participação do turismo no PIB de vários países, e os Estados Unidos da América, repletos de parques de diversão e atrações naturais, não fogem à regra.

O fechamento daquela nossa antiga colônia aos turistas — que, believe me, vão sofrer tanto quanto os imigrantes —, será sentido na pátria de Lincoln e Washington. E isso vai obrigar o novo presidente a comprar muita tintura laranja para esconder suas ambições grisalhas.

Fonte: Facebook

FRASES ILUSTRADAS

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

PLANEJAR SEMPRE PARA NÃO SUCUMBIR AO SISTEMA DE COBRANÇA DE TRIBUTOS NO BRASIL

Por Luiz Marcatti e Herbert Steinberg*

Levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) encontrou dados alarmantes. Desde a promulgação da Constituição Federal de 1988 foram editadas no Brasil cerca de 6,7 milhões de normas, das quais aproximadamente 443 mil tratam de matéria tributária. Se isso não fosse suficiente para caracterizar um cenário peculiar, para dizer o mínimo, ainda houve nesses quase 36 anos um total de 122 emendas constitucionais. Esses números por si só evidenciam as dificuldades e os entraves que as empresas brasileiras precisam enfrentar para operar e para se perpetuar. Uma verdadeira maratona, não uma corrida de 100 metros.

E os tentáculos de uma implementação equivocada do sistema tributário nacional não se limitam a alcançar as empresas: eles se estendem às pessoas físicas empresárias, o que funciona como um complicador a mais para quem deseja empreender no Brasil, manter de pé seus negócios e ter a tranquilidade de deixar um patrimônio para os herdeiros. Tanto num caso quanto no outro, o antídoto passa, necessariamente, por um bom planejamento. Pessoas físicas e jurídicas precisam estar sempre atentas a novidades legislativas e a decisões (muitas vezes contraditórias) do Judiciário.

Essas são algumas das importantes reflexões do advogado tributarista Marcelo Salomão, professor e sócio do Brasil Salomão e Matthes Advocacia, que foi o convidado de julho do Mesa ao vivo, espaço de debates no canal do YouTube da Mesa Corporate Governance. “Planejamento é a palavra-chave quando se trata de tributos no Brasil”, diz o mantra do tributarista. Planejar é tarefa para ontem, reforça, lembrando que sempre “há dinheiro na mesa” quando uma empresa faz um mapeamento correto de sua situação tributária.

Salomão destaca que o problema não está tanto no sistema tributário estabelecido pela Carta de 1988 — sistema, inclusive, alvo de elogios de especialistas internacionais. A questão está na aplicação, representada pelo excesso de intervenções do Legislativo nas matérias tributárias (e na própria Constituição) e pela desencontrada atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) quando julga a constitucionalidade de leis que envolvem tributos. A combinação desses fatores, pondera, leva a uma perigosa insegurança jurídica e a um movimento de judicialização de temas tributários.

O quebra-cabeça tributário brasileiro sobrepõe cobranças (como os tributos sobre a renda e sobre o lucro das empresas) e cria aberrações como tributos sobre o faturamento, o que evidentemente atravanca o avanço das empresas e limita a geração de emprego e renda. É preciso, nesse ambiente, enfrentar a complexidade gerada pelas ingerências dos parlamentares sobre o sistema e pelas questionáveis decisões do STF.

Outro ponto frágil, observa Salomão, está na relação ainda pouco madura entre os entes federativos no Brasil. A dinâmica da tributação no País a cada dia mais fortalece muito um dos entes (no caso, a União), em detrimento de estados e municípios. Tal estado de coisas deixa os contribuintes — sejam empresas ou pessoas físicas — reféns, na prática, de interesses políticos que muito pouco têm a ver com o fortalecimento dos negócios ou com o desenvolvimento da economia. A distorção do ICMS, por exemplo, provoca guerras tributárias entre os estados, ao mesmo tempo em que obriga a gestão das empresas a traçar uma complicada logística para tomar decisões como de que estado comprar e onde instalar um centro de distribuição.

Interessante notar que um bom planejamento de questões tributárias está também muito vinculado a uma boa governança — esses dois aspectos devem caminhar juntos nas empresas. O momento de organização de uma sucessão, só para tomar um exemplo, necessariamente vai abarcar pontos como a tributação da transferência do patrimônio ou a pertinência da constituição de estruturas que possam abrigar melhor esse patrimônio.

Planejar, planejar, planejar: é essa a receita sugerida por Salomão, profissional que está amparado pela sabedoria e pelo conhecimento do pai, Brasil do Pinhal Pereira Salomão — o fundador do escritório, ainda hoje no conselho — para empresas e pessoas físicas que queiram garantir um mínimo de segurança no intrincado processo tributário no Brasil.

*Respectivamente, sócio e presidente; e sócio, fundador e presidente do conselho da MESA Corporate Governance

Fonte: https://fernandoalbrecht.blog.br
Sofrer por uma infelicidade passada é o mais seguro meio de atrair outra. (William Shakespeare)

LUGARES

BALNEÁRIO PIÇARRAS - SC
O município de Balneário Piçarras possui uma área de 85,4km² e está situado na meso-região do Vale do Itajaí e faz parte da Associação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí Açu. Com uma população de 19.329 habitantes, o município tem a economia baseada no turismo e na construção civil.

NÃO TROPECE NA LÍNGUA


LESAR E LESIONAR
--- O verbo lesionar. Ex. O consumidor foi lesionado. Ana L. Campinas/SP
--- Lemos, com frequência, geralmente nas páginas de esporte dos jornais, algumas palavras como lesionado, lesionar, lesionando, etc., sempre referidas no sentido de machucar, ferir, contundir (jogador ou atleta). Seria correto? Estaria alguém ignorando o emprego dos vocábulos lesado, lesar e lesando? Por que não escrever: O atleta está lesado e não poderá jogar.
Com efeito, o Novo Dicionário Aurélio, à pág. 831, diz: “LESAR – Do latim “laesare” – 1. causar lesão a; ofender fisicamente; contundir; ferir: O motorista lesou o transeunte.” Outros dicionários, igualmente, não se referem ao vocábulo lesionar, porém lesar. 
Na verdade, professora, tenho procurado, insistentemente, o verbo lesionar, mas ainda não encontrei. Se a palavra inexiste em nosso idioma, então as pessoas que usam estão cacografando a palavra. [...]”  L. C. S. Florianópolis/SC

Bem, se as pessoas usam abundantemente o verbo lesionar, já significa que ele existe. E mais: o dicionário Aurélio Séc. XXI (1999) registra LESIONAR: “[De lesão + ar, seg. o padrão erudito.] V. t. d. V. p. Causar lesão a; lesar: A queda lesionou-o fortemente.” O dicionário Houaiss (2001) informa no verbete LESIONAR que se trata de verbo transitivo direto e pronominal e é o “mesmo que lesar (‘causar lesão física’) • ETIM. rad. de lesão sob a forma latina lesion- + ar”.

Já o verbo LESAR é mais abrangente, pois se refere tanto ao físico quanto ao moral, sendo até mais utilizado no sentido de “prejudicar ou ofender moralmente, violar o direito de alguém”. Vejamos seu emprego com alguns exemplos:

> causar ou sofrer lesão física a alguém ou a si mesmo; ferir(-se), contundir(-se)
  • Ao disparar, a arma lesou-lhe o fígado.
  • Lesou-se gravemente num acidente na pista não-duplicada da BR 101.
 > causar lesão moral a alguém ou a si próprio; prejudicar(-se)
  • Vingativo, procurava lesar a reputação do colega.
> violar (direito, lei etc.)
  • Tal projeto de decreto lesa a Constituição, razão por que deve ser reescrito.
  • Ele foi lesado de várias formas em seus direitos como cidadão brasileiro.
> cometer fraude contra (alguém ou algo); roubar, fraudar:
  • Inescrupuloso, lesou a empresa do amigo.
  • O objetivo do convênio é proteger o consumidor para que ele não seja lesado pelas empresas aéreas.
Sendo assim, e embora possamos ter preferência por lesar, devemos admitir que é correto o uso de lesionar quando nos referimos a lesão física:
  • Ele lesionou o joelho na última partida.
  • Os jogadores que de algum modo se lesionarem ficarão no banco.
No caso da frase apresentada por Ana, deve-se alterar o verbo, pois obviamente não se trata de lesão física: O consumidor foi lesado.

Fonte: www.linguabrasil.com.br

FRASES ILUSTRADAS

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

SE

Conheça ‘Se’, um dos mais belos poemas de todos os tempos de Rudyard Kipling

O poema “Se | IF”, escrito em 1895 pelo escritor anglo-indiano Rudyard Kipling (Prêmio Nobel de Literatura – 1907) e publicado pela primeira vez em 1910 numa coletânea de contos e poemas intitulada “Rewards and Fairies”.

Se
Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;
Se és capaz de pensar –sem que a isso só te atires,
De sonhar –sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;
Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti que ainda ordena: “Persiste!”;
Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
E o que mais –tu serás um homem, ó meu filho!

Fonte: https://www.revistaprosaversoearte.com
Aqueles que amamos nunca morrem, apenas partem antes de nós. (Amado Nervo, poeta e escritor mexicano)

LUGARES

ZERMATT - SUÍÇA

Zermatt, no cantão de Valais, no sul da Suíça, é uma cidade turística de montanha conhecida pela prática de esqui, escalada e trilhas. A cidade, elevada a 1.600 m de altitude, fica ao pé da montanha Matterhorn, em formato de pirâmide. Google

A HISTÓRIA SEM REGISTRO

Ruy Castro

Para saber como certos momentos da música popular aconteceram, temos de fechar os olhos e sonhar

"Get Back", a série de Peter Jackson sobre a última vez que os Beatles se juntaram para trabalhar, é o sucesso do momento. A única pessoa de minhas relações que ainda não o viu sou eu --não por falta de interesse, mas de tempo. Além disso, como ele está no streaming, imagino que esperará até que eu me libere do serviço. Pelo que sei, é uma maravilha de quase nove horas de duração, envolvendo a gravação dos álbuns "Abbey Road" e "Let It Be" e o concerto no famoso terraço em Londres. Na época, janeiro de 1969, os jornais e revistas só falavam disso. Ninguém imaginava que, 52 anos depois, aqueles sons e imagens chegariam até nós.

Ótimo para a história da música popular e para as novas gerações, que estão tendo acesso às intimidades de um formidável grupo do passado. Só lamento que, num passado ainda mais remoto, nem os americanos tivessem condições de fazer o mesmo com artistas tão essenciais em seu tempo quanto os Beatles nos anos 60.

Pelos copiosos áudios de que dispomos e, no máximo, algumas fotografias, só podemos imaginar Louis Armstrong em 1927, pouco depois de trocar o cornet pelo trompete, gravando "Potato Head Blues" com Johnny Dodds à clarineta e Kid Ory ao trombone. Ou Duke Ellington e sua orquestra no Cotton Club, em 1930, já com os metais em surdina fazendo wa-wa e o glorioso Johnny Hodges ao sax-alto. E não seria extasiante ver Billie Holiday, aos 20 aninhos, em 1935, cantando "If You Were Mine", com Teddy Wilson ao piano?

Alguém terá filmado o concerto de Benny Goodman no Carnegie Hall em 1938, a primeira vez que se ouviu jazz num espaço "nobre"? E haverá pelo menos um caco de filme com Charlie Parker, Dizzy Gillespie e Thelonious Monk inventando o bebop nas madrugadas da rua 52, em Nova York, em 1942?

Não. Nada disso existe. Eles ainda não eram importantes. Só nos resta ouvir os discos, fechar os olhos e dar curso à nossa capacidade de sonhar.

Fonte: Folha de S. Paulo - 1º.jan.2022

FRASES ILUSTRADAS