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quinta-feira, 15 de outubro de 2020

NÃO TROPECE NA LÍNGUA


 PONTO E VÍRGULA

Comentário ouvido num bonde Que moça culta, a Maria Eduarda: usa ponto e vírgula! (Mário Quintana)

Tinha razão o poeta gaúcho. O ponto e vírgula traz em si algumas sutilezas que poucos captam. Mas, por outro lado, todos acabam usando este útil sinal gráfico em enumerações, leis e sequências ou para separar orações. Em síntese, o ponto e vírgula:

1 - Separa os vários membros de uma enumeração descritiva ou narrativa:

Em sua oração fúnebre, Péricles refere-se ao heroísmo dos combatentes mortos; à dor de suas mães; à gratidão dos sobreviventes e à necessidade de guardar a memória dos que morreram pela pátria.

Anota Celso Luft que o ponto e vírgula “é inevitável sobretudo entre os vários membros de enumeração e paralelismo cuja estrutura interna contenha vírgula”, como neste período:

Participaram daquela reunião: Roberto M. Lacerda, 43 anos, que veio a ser reitor entre 72 e 76; Caspar Stemmer, engenheiro, mais tarde prefeito do câmpus, também reitor de 76 a 80; Ernani Bayer, hoje membro do CFE; Acácio Santiago, professor, e toda a equipe técnica.

2 - Separa as orações adversativas (introduzidas por mas, porém, contudo, todavia, entretanto) e as conclusivas (caracterizadas por logo, portanto, assim, então, por isso, consequentemente etc.), esteja subentendida ou explícita a conjunção, quando se quer fazer uma pausa maior do que vírgula:
  • Crê em ti; mas nem sempre duvides dos outros.
  • Era incrível a variedade dos adornos; contudo, a pessoa não gostou de nenhum.
  • Há muitos modos de afirmar; há um só de negar tudo. [conj. adversativa implícita]
  • As doses eram diminutas; tinham, portanto, de aguardar longo prazo pelo efeito.
  • A natureza das relações sociais constitui a base do desenvolvimento das capacidades humanas; logo, das qualificações.
  • "Tinha a pedra na mão, mas já não era necessária; jogou-a fora." [conjunção conclusiva subentendida antes da última oração]
3 - Separa os considerandos, incisos de leis ou decretos e os diversos itens de uma enumeração. Três exemplos:

O Governador do Estado, 
Considerando que ... ;
Considerando que ... ;
Considerando, finalmente, que ... , decreta

Constataram os técnicos vários problemas:
a) vazamento de água;
b) ruptura da rede em três pontos e
c) alteração do medidor.

Art. 14. Os infratores das disposições desta Lei ficam sujeitos às seguintes sanções:
I - notificação;
II - multa;
III - cassação do atestado;
IV - embargo da obra.

É importante observar que se usa letra minúscula depois de ponto e vírgula. A única exceção fica por conta dos Considerandos. Caso você opte pela inicial maiúscula em cada item/linha de uma enumeração, feche todos eles com o ponto final.

Fonte: www.linguabrasil.com.br

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

NÃO TROPECE NA LÍNGUA


ARQUIVEM-SE OS AUTOS - VOZ PASSIVA 

De Porto Belo/SC recebi consulta nos seguintes termos: "Ao concluir uma sentença, o juiz determina que o cartório ou o escrivão faça chegá-la ao conhecimento dos interessados (partes, autores, réus, etc.). Outras vezes profere despacho mandando chamar os litigantes à sua presença. Seguidamente passa determinações para algum funcionário. Para dar tais ordens, nos autos do processo, deve escrever:
1. Arquive-se, ou arquivem-se os autos?
2. Cite-se os réus, ou citem-se os réus?
3. Intime-se, ou intimem-se os litigantes do teor da sentença?
4. Apense-se, ou apensem-se os autos da falência?
5. Publique-se, ou publiquem-se os editais?
6. Expeça-se, ou expeçam-se os mandados de prisão?"
Já grifei as formas que se preferem (olha aqui o verbo no plural!) na língua culta formal – como é o caso – pois se trata da voz passiva sintética, em que o pronome SE é partícula apassivadora. O verbo vai para o plural porque o sujeito está no plural – sujeito gramatical, bem entendido. Esse sujeito passivo fica mais claro quando se usa a voz passiva analítica, construída com o verbo auxiliar "ser". São, portanto, formas equivalentes:
1.(Que) os autos sejam arquivados.
2.(Que) os réus sejam citados.
3.(Que) os litigantes sejam intimados.
4.(Que) os autos da falência sejam apensados.
5.(Que) os editais sejam publicados.
6.(Que) os mandados de prisão sejam expedidos.
Estamos vendo aí uma ordem/determinação subentendida: "(Determino que) os autos sejam arquivados" etc. Nos dois blocos de exemplos temos o caso não muito comum de imperativo na voz passiva. Isso provavelmente justifica a dúvida, que em geral não se tem diante de frases como Vende-se casas / Vendem-se casas ou Publicou-se os editais / Publicaram-se os editais, as quais se distinguem como linguagem popular / linguagem culta (norma-padrão). 

Já em orações de verbos intransitivos ou transitivos indiretos (que não podem ser passados para a voz passiva), a gramática considera o SE como índice de indeterminação do sujeito. Isso significa que o verbo acompanhado do pronome SE mantém-se na 3ª pessoa do singular mesmo que o substantivo a que ele se refere esteja no plural, porque esse substantivo não é o sujeito da oração – no caso, o sujeito é indeterminado. Em termos práticos: a presença da preposição que caracteriza o verbo transitivo indireto indica que ele não deve ser pluralizado. Exemplos:
  • Trata-se de sentenças já analisadas.
  • Precisa-se de operários qualificados.
  • No voleibol usa-se de vários artifícios para segurar a partida.
  • Acabou-se finalmente com os mosquitos.
  • No Brasil, infelizmente, não se obedece às normas de trânsito como se devia.
  • Procedeu-se, de imediato, às apurações dos votos.
  • Ou se desmontam as altas taxas de juros, ou se chegará aos tempos difíceis em que restos de comida valerão mais que um prato cheio.
É preciso alertar que existem verbos com dupla regência, isto é, o mesmo verbo pode ser usado tanto como transitivo direto como indireto; como direto, então, ele deve ser pluralizado na voz passiva. É o que acontece, por exemplo, com tratar, acabar e usar:
  • Naquele nosocômio tratam-se enfermidades raras.
  • Acabaram-se as preocupações com a dengue.
  • No vôlei usam-se artifícios para segurar a partida.
Fonte: www.linguabrasil.com.br

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

NÃO TROPECE NA LÍNGUA


O QUE É CRASE + DE...A OU DA...À 

Entende-se por crase a fusão de vogais idênticas. Em Gramática Descritiva se utiliza o termo para designar a contração da preposição a com o artigo definido a (as) e com aquilo, aquele e flexões, indicada pelo acento grave: à/às, àquele, àquilo.

Só nós falantes do português temos de lidar com a crase. A origem do problema – e é um problema porque existem três fonemas iguais com grafias diferentes: a / há / à – está no artigo definido feminino, que no latim vulgar era “illa”, tendo evoluído para "la" em francês, italiano e espanhol. No português arcaico o artigo também era "la", passando mais tarde para "a". Se o artigo tivesse permanecido com o L, seria fácil distingui-lo da preposição, e o caso estaria encerrado!

Uma curiosidade: até meados do século XX não existia o acento grave. Essa notação era feita pelo acento agudo: áquelle por a aquelle, á mão por a a mão.

Gostaria ainda de destacar duas acepções do Dicionário Houaiss (2001) no verbete crase que corroboram o modo brasileiro de se expressar sobre esse fato linguístico:

“3.1 A contração da preposição a e o artigo a (ou no pl.: as), grafada à, às, e seu emprego na língua escrita (já que na fala essas formas geralmente não se distinguem). Ex.: <erra muito em crase> <fez muito erro de crase>"
“4. Derivação: por extensão de sentido. O acento grave que marca na escrita a contração.”

DE 1 A 10, DE SEGUNDA A SEXTA, DA 1ª À 4ª

Quando se faz a ligação de dois numerais ou substantivos por DE ... A, não se deve crasear o segundo; mas quando se determina o primeiro elemento com DA ou DO, o segundo inicia com À (ou AO, se masculino). É uma questão de coerência: havendo determinação no 1º substantivo ou numeral ordinal (que acompanha o substantivo), deve haver determinação no segundo. O que não pode acontecer é a mistura, por exemplo: L *de 2ª à 6ª. Modelos bons:

SEM DETERMINAÇÃO:
  • Trabalhamos dea sábado.
  • A exposição ficará aberta ao público de hoje a domingo.
  • Ainda há vagas para alunos dea 8ª série.
  • Só sabe contar de 1 a 100.
  • Os eletrodomésticos estão em todas as casas, de norte a sul do país.
  • As inscrições poderão ser feitas de 1° de maio a 15 de junho.
COM DETERMINAÇÃO:
  • Todas as alunas da à 4ª série foram dispensadas.
  • Molhou-se dos pés à cabeça.
  • A ceia será servida da meia-noite à uma hora.
  • Trabalho desta segunda à quinta-feira próxima.
  • O jantar estava perfeito da entrada à sobremesa.
  • Tudo parece estar em constante subida – da mensalidade escolar à consulta médica, do aparelho de som à geladeira.
A propósito, com o intuito de nos ajudar a identificar quando ocorre a crase, o biólogo uruguaio Diego Perez nos escreveu: “Gostaria de passar uma dica para meus colegas de língua hispânica. Quando traduzimos ao espanhol uma frase em português e utilizamos a la é certo que em português utilizamos a crase, exemplo: Eu vou à escolaYo voy a la escuela”. Vale a dica também para os brasileiros que conhecem espanhol ou francês (à la).

Fonte: http://www.linguabrasil.com.br

quinta-feira, 5 de março de 2020

NÃO TROPECE NA LÍNGUA



O USO DE POR QUE EM PERGUNTAS E AFIRMAÇÕES

De São Paulo, o leitor W. Santos sugere o tema por que e porque. E sei por quê. É que há toda uma geração de brasileiros que aprendeu o seguinte: por que separado se usa em perguntas; porque junto se usa na resposta. É verdade, mas não é a verdade toda. O correto é acrescentar que por que separado também se usa em respostas e afirmações. Vejamos esses casos esquematicamente.

1. POR QUE

Expressão formada pela sequência de preposição + pronome interrogativo ou relativo. Utilizada em perguntas diretas e indiretas; em frases afirmativas/negativas e exclamativas; em títulos de obras/artigos. Equivale a por qual razão / por qual motivo. Exemplos:

  • Por que está tão difícil a captação de recursos?
  • Vocês entenderam agora por que é importante ler bons textos?
  • Sabes por que ela não veio? Sinceramente, não sei por que ela não veio.
  • Por que entrar no orkut, eis a questão.
  • Sempre me pergunto por que a inflação está voltando a esse patamar.
  • Teve de explicar aos superiores por que acontecera outro acidente.
  • Ninguém entende por que você o abandonou.
  • POR QUE PARAR DE FUMAR  [título de artigo]
  • Por que formar uma miniempresa – anote dez razões [título de livro]
  • Vamos verificar por que as vendas estão caindo nesse setor.

Observe que a palavra razão/motivo pode estar apenas subentendida ou aparecer claramente na frase:

  • Se pago, quero saber por que (motivo) pago.
  • O cliente teve de explicar por que (razão) atrasou o pagamento.
  • Houve um engarrafamento, daí por que nos atrasamos. [ = daí o motivo pelo qual ]
  • Eis os motivos por que eles parecem tão felizes.
  • Não consigo entender por que razão foram descontados os dias de greve.

2. POR QUÊ?!

O monossílabo átono que passa a ser tônico em final de frase. Acentue-o, portanto, antes do ponto (final, de interrogação ou de exclamação):

  • Obrigado. – Não há de quê.
  • O prefeito convocou uma reunião mas ninguém compareceu, só Deus sabe por quê.
  • Quem foi à festa adorou. Você não quer descobrir por quê?
  • Correr tanto pra quê?!
  • Ela é especial, sabes por quê?
  • Qual o quê! Isso é pura intriga.

3. PORQUE

Conjunção explicativa ou causal, substituível por pois, uma vez que, já que, porquanto, ou pelo fato de que, como (caso dos dois últimos exemplos a seguir):

  • Não foi ao treino porque não se sentia bem.
  • Ele se sente meio confuso porque não leu a matéria com concentração.
  • Por que foram a juízo? Porque estavam cheios de razão.
  • Abandonou o curso de pós-graduação porque, tendo de dar aulas à noite e trabalhar de manhã, sentiu-se no limite.
  • Ela, sim, soube a razão do confisco, porque além do cargo tinha outros poderes.
  • Porque o fumo é plantado em lombas, as mudas nem sempre podem ser replantadas em terreno contínuo.
  • Porque a onça caça à noite é difícil registrar seus hábitos.

4. PORQUÊ

Acentuado, numa palavra só e antecedido de artigo, agora é substantivo masculino, pluralizável, equivalente aos substantivos motivo, causa, razão, indagação:

  • Não entendo o porquê da rejeição.
  • O Congresso precisaria analisar o porquê de tantos desmandos.
  • É difícil achar respostas para todos os nossos porquês.

  • Fonte: www.linguabrasil.com.br/

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

NÃO TROPECE NA LÍNGUA


O USO DE POR QUE EM PERGUNTAS E AFIRMAÇÕES

De São Paulo, o leitor W. Santos sugere o tema por que e porque. E sei por quê. É que há toda uma geração de brasileiros que aprendeu o seguinte: por que separado se usa em perguntas; porque junto se usa na resposta. É verdade, mas não é a verdade toda. O correto é acrescentar que por que separado também se usa em respostas e afirmações. Vejamos esses casos esquematicamente.

1. POR QUE
Expressão formada pela sequência de preposição + pronome interrogativo ou relativo. Utilizada em perguntas diretas e indiretas; em frases afirmativas/negativas e exclamativas; em títulos de obras/artigos. Equivale a por qual razão / por qual motivo. Exemplos:
  • Por que está tão difícil a captação de recursos?
  • Vocês entenderam agora por que é importante ler bons textos?
  • Sabes por que ela não veio? Sinceramente, não sei por que ela não veio.
  • Por que entrar no orkut, eis a questão.
  • Sempre me pergunto por que a inflação está voltando a esse patamar.
  • Teve de explicar aos superiores por que acontecera outro acidente.
  • Ninguém entende por que você o abandonou.
POR QUE PARAR DE FUMAR [título de artigo]
  • Por que formar uma miniempresa – anote dez razões [título de livro]
  • Vamos verificar por que as vendas estão caindo nesse setor.
Observe que a palavra razão/motivo pode estar apenas subentendida ou aparecer claramente na frase:
  • Se pago, quero saber por que (motivo) pago.
  • O cliente teve de explicar por que (razão) atrasou o pagamento.
  • Houve um engarrafamento, daí por que nos atrasamos. 
[ = daí o motivo pelo qual ]
  • Eis os motivos por que eles parecem tão felizes.
  • Não consigo entender por que razão foram descontados os dias de greve.
2. POR QUÊ?!
O monossílabo átono que passa a ser tônico em final de frase. Acentue-o, portanto, antes do ponto (final, de interrogação ou de exclamação):
  • Obrigado. – Não há de quê.
  • O prefeito convocou uma reunião mas ninguém compareceu, só Deus sabe por quê.
  • Quem foi à festa adorou. Você não quer descobrir por quê?
  • Correr tanto pra quê?
  • Ela é especial, sabes por quê?
  • Qual o quê! Isso é pura intriga.
3. PORQUE
Conjunção explicativa ou causal, substituível por pois, uma vez que, já que, porquanto, ou pelo fato de que, como (caso dos dois últimos exemplos a seguir):
  • Não foi ao treino porque não se sentia bem.
  • Ele se sente meio confuso porque não leu a matéria com concentração.
  • Por que foram a juízo? Porque estavam cheios de razão.
  • Abandonou o curso de pós-graduação porque, tendo de dar aulas à noite e trabalhar de manhã, sentiu-se no limite.
  • Ela, sim, soube a razão do confisco, porque além do cargo tinha outros poderes.
  • Porque o fumo é plantado em lombas, as mudas nem sempre podem ser replantadas em terreno contínuo. 
  • Porque a onça caça à noite é difícil registrar seus hábitos.
4. PORQUÊ
Acentuado, numa palavra só e antecedido de artigo, agora é substantivo masculino, pluralizável, equivalente aos substantivos motivo, causa, razão, indagação:
  • Não entendo o porquê da rejeição.
  • O Congresso precisaria analisar o porquê de tantos desmandos. 
  • É difícil achar respostas para todos os nossos porquês.
Fonte: www.linguabrasil.com.br

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

NÃO TROPECE NA LÍNGUA


A QUE PONTO CHEGAMOS

“Roubaram as roupas da cachorrinha. A que ponto chegamos!” Terminou assim o comentário do jornalista Luiz Carlos Prates sobre um inédito caso de furto. Isso vem a propósito da dúvida que assaltou a leitora Cláudia N. M. da Cunha, de Florianópolis/SC: Como é correto escrever e por que: chegando AO ponto de ou chegando A ponto de.

Assinale a primeira opção, Cláudia, por causa do verbo chegar. A questão é que existem três expressões parecidas:

1. AO PONTO. Diz-se de carne medianamente passada:
Quero minha picanha ao ponto.

2. A PONTO DE. 
a) Locução que significa "prestes a; em perigo de"; segue-lhe um verbo no infinitivo:
  • Quando chegou a visita, estávamos a ponto de sair de casa.
  • Estivemos a ponto de comprar a casa que ruiu na última enchente – sorte nossa.
  • Jota estava a ponto de afogar-se quando chegou o salva-vidas.
b) Locução de valor consecutivo [recordemos as conjunções consecutivas: tão...que, tal...que, tanto...que, tamanho...que], com sentido equivalente a "a pique de"; também seguida de um verbo no infinitivo:
  • O sujeito ficou superfurioso, a ponto de agredir fisicamente o árbitro (que esteve a ponto de perder sua imparcialidade).
  • Jota indignou-se a ponto de interromper o discurso do paraninfo.
  • O programa – que é não governamental – vem cumprindo sua missão de maneira invejável, a ponto de suscitar muitas imitações.
  • A inflação recrudesceu, a ponto de o presidente convocar reunião de emergência com a equipe econômica.
3) PONTO. Substantivo com o sentido de "limite, situação extrema" e que pode ser definido: o ponto, esse ponto, que ponto, tal ponto etc.; muito usado com o verbo chegar, que requer a preposição a (se for usado o artigo, ficará ao):
  • Bateu na mulher – nunca pensei que fosse chegar a esse ponto. 
  • A lei não chega ao ponto de exigir a assinatura do destinatário.
  • O desequilíbrio o levou ao ponto da violência física.
  • O condomínio tradicional perdeu importância nos últimos 40 anos diante da avassaladora presença dos empreendimentos imobiliários subordinados à Lei 4.591/64, [chegando] a tal ponto que hoje se costuma adjetivá-lo como milenar, antigo etc.
Sendo assim, analise cuidadosamente o caso antes de trocar precipitadamente o “ao ponto de” que seu computador assinala em verde por “a ponto de”, visto que Você pode estar com a razão!

Fonte: Instituto Euclides da Cunha

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

NÃO TROPECE NA LÍNGUA


ARMAGEDON, REMONTAR, PRONOME O E OUTROS DEMONSTRATIVOS

--- O que significa e como se escreve corretamente a palavra Armaggedon? J. Rodrigues.

Armageddon é a grafia inglesa para o português Armagedon ou Armagedão, palavra que vem do hebraico ar meggido, nome de uma montanha e vale – também chamados de “Tel Meggido” – que se localiza no norte de Israel, onde se dará a batalha do Juízo Final a que se refere S. João Apóstolo no livro do Apocalipse 16:14-16. Daí que, figurativamente, o termo se aplica a qualquer conflito decisivo, a uma guerra total.

REMONTAR A

O mesmo leitor solicita esclarecimento sobre o uso do a ou há na seguinte frase: “Determino a citação dos alienantes ou sucessores, dispensada a citação destes últimos, se a data da transcrição remonta a (ou há) mais de vinte anos”.

O correto é escrever a, que nessa frase é simples preposição, exigida pelo verbo transitivo indireto remontar, o qual tem aqui o sentido de voltar atrás no passado, buscar a origem ou data: remonta ao Renascimento, remonta à Idade Média, remonta a mais de 20 anos (pode-se ver que nesses exemplos não é possível trocar o a por faz, como acontece em "mora ali há mais de 20 anos = mora ali faz mais de 20 anos).

PRONOME DEMONSTRATIVO O

Diante da frase "Se a opinião é desprezível, a gramática não o é", o leitor J. F. Filho, de Joinville/SC, pergunta se o “o grifado é facultativo, obrigatório ou foi equivocadamente incluído”.

Não foi equívoco, não. Eu o utilizei para exprimir que "a gramática não é desprezível" mas sem ter de repetir o adjetivo "desprezível". Trata-se de um pronome demonstrativo, equivalendo a isso (isto/aquilo). Ele é obrigatório na língua culta padrão, porém dispensável na fala, no linguajar coloquial. Sua utilidade é evitar a repetição do adjetivo e, em outras ocasiões, de um substantivo ou do sentido geral de uma frase. Seguem exemplos em que assinalo os termos a que o pronome "o" se refere:
  • Eles são tão pobres de espírito quanto o são de inteligência.
  • Não foi apenas a pesquisadora que se mostrou surpreendida. Os próprios entrevistados também o estavam. 
  • Era conhecido – e ainda o é – em todos os círculos sociais do Rio de Janeiro. 
  • O valor de uma desilusão, sabia-o ela. 
  • Não cuides que era sincero, era-o. 
  • “Ser feliz é o que importa / Não importa como o ser!”
USOS ESTEREOTIPADOS DO PRONOME DEMONSTRATIVO (Cont. NTL 29 e 30)

Além disso - Estamos sem água. Além disso, a luz foi cortada.

Desta forma (ou dessa forma/maneira, deste/desse modo) - Não pude consultá-la com antecedência. Desta forma, peço que me desculpe.

Isto é [= quer dizer] - Disse que não se dão bem, isto é, se detestam.

Isto posto - A realização de um curso de inglês na empresa é importante pelos seguintes motivos: 1) ----- 2)------ etc. Isto posto, solicitamos que V. Exa. aprove nosso projeto. 

Nem por isso - Ela não me deu bom-dia, nem por isso vou deixar de cumprimentá-la.

Nisto [então, em tal momento] - Pensei largar tudo e ir dormir cedo. Nisto, bateram à porta.

Por isso - Estou exausto; por isso, quero silêncio.

Fonte: www.linguabrasil.com.b