quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Onde acaba a lei começa a tirania. (William Pitt, ex-Primeiro-ministro inglês, 1759-1806)

FRASES ILUSTRADAS

A ORDEM

A ORDEM
Por Sérgio Jockymann

Pois, quando o Brasil entrou na guerra, o coronel já tinha se aposentado e entregue a Prefeitura para o dr. Aristides, que por sua vez havia entregue a sub-prefeitura de Capão Alto para o Borrachudo, seu desilustre cunhado. O Borrachudo, que na verdade se chamava Olegário, havia apanhado o apelido por culpa de uma dama, que assediada insistentemente por ele, explodiu: 

- Mais chato do que tu, só mosquito borrachudo.

No dia seguinte não existia mais Olegário. O Borrachudo estava definitivamente batizado. Não gostou muito da transformação, mas como tudo habitua neste mundo de Deus, depois de dois anos, até assinava documento com o apelido. O Borrachudo não era mau sujeito. Era apenas uma nulidade completa, dessas que já nasce e fica nulidade sem a ajuda de ninguém. Sua única virtude era ter uma irmã bonita, que casou com o dr. Aristides e levou o irmão no enxoval. Marido e cunhado nunca se deram bem e a malquerença começou já na noite de núpcias quando o Borrachudo teve a brilhante idéia de abrir o quarto nupcial para perguntar aos noivos se tudo estava bem. No momento, os noivos não estavam muito bem e dizem que o dr. Aristides levantou da cama pedindo uma espingarda aos berros, enquanto o Borrachudo muito surpreso dizia:

- Mas o que é que tem? Ela é minha irmã!

Dali por diante o dr. Aristides fez o possível e o impossível para se livrar do cunhado. Tentou inclusive alistar o Borrachudo na Marinha, o que causou um problema monumental porque o marinheiro se perdeu a caminho do mar e foi detido quando falsificava a assinatura do cunhado numa remessa bancária. Por essas e por outras, que o dr. Aristides quando assumiu a Prefeitura remeteu o Borrachudo para o Capão Alto, que ficava lá no meio do mato e só conseguia comunicação com Vila Velha nos meses de verão, porque no inverno nem jacaré podia andar na estrada.

Para felicidade geral da família, o Borrachudo casou com uma paraguaia Tati-bitati, que só sabia rir como uma desesperada de tudo que o marido falasse. Aí então o Brasil entrou na guerra e o chefe de polícia teve a magnífica idéia de prevenir as autoridades do interior, contra a quinta-coluna. O aviso oficial chegou à Delegacia de Vila Velha, que tirou várias cópias para as subdelegacias. Como Capão Alto nem brigadiano tinha, o Borrachudo recebeu a cópia e uma hora depois já se alarmou.

- Alemão não pode andar de barco nas águas territoriais brasileiras.

Despachou imediatamente um emissário ao cunhado pedindo instruções. O dr. Aristides foi apanhado em pleno almoço, jogou um prato de sopa pela janela, arrancou os cabelos, jurou que um dia mataria o cunhado e remeteu o emissário de volta com uma ordem taxativa:

- Faça o que der na telha.

O Borrachudo no dia seguinte confidenciou à paraguaia que o dr. Aristides, embora fosse seu cunhado, era um relapso.

- O país em perigo e ele não toma providência.

E decidiu imediatamente dar o exemplo. Pregou um cartaz na porta da bodega do seu Salustiano, proibindo terminantemente alemão de navegar nas águas territoriais. Desenhou embaixo um Viva o Brasil e assinou. O cartaz provocou muita discussão na bodega, porque uns insistiam que águas territoriais eram águas paradas e outros teimavam que eram águas correntes. A discussão foi decidida no domingo, quando o Borrachudo entrou na bodega armado de quarenta e quatro e avisou: 

- Preciso de um piquete para prender um espião!

Foi a bodega inteira. Tomaram a picada para o Arroio Muçum, com o Borrachudo na frente cantando o Hino Nacional. Isto é, cantando a primeira parte do Hino Nacional, porque de momento não havia ninguém que soubesse a segunda. O piquete venceu a Coxilha do Degolado e marchou ferozmente para as margens do Arroio Muçum, onde fez alto.

- Lá tá ele.

No meio do Arroio Muçum, seu Herrmann pescava tranqüilamente. O Borrachudo sacou o revólver e berrou:

- Chegue aqui!

Seu Herrmann disse que estava com um jundiá na linha, mas o Borrachudo não aceitou a desculpa.

- Chegue aqui se não atiro!

Seu Herrmann piscou várias vezes, mas como era acostumado a obedecer primeiro e perguntar depois, remou para a margem. Mal pôs os pés em terra, foi preso.

- Agora é a lei. Alemão não pode andar em água brasileira.

Seu Herrmann disse que não era alemão e o Borrachudo quase teve um ataque.

- Mas o teu desplante, alemão! Todo mundo sabe que teu avô veio da Alemanha. Tá preso.

E foi assim que, na semana seguinte, seu Herrmann foi acusado de espionagem nas águas do Arroio Muçum e enviado a Porto Alegre, onde levou exatamente um ano e dois meses para provar que só estava pescando jundiá e, assim mesmo, só conseguiu sair depois que jurou que jamais residiria a menos de cem quilômetros do mar. E para desespero do dr. Aristides, o Borrachudo recebeu uma carta de Washington, louvando o seu zelo pela defesa do continente americano. (JOCKYMANN, Sérgio. VilaVelha, Porto Alegre : Editora Garatuja, 1975, p. 18)





LUGARES

PRAGA - REPÚBLICA CHECA

terça-feira, 12 de novembro de 2019

A FALÁCIA DA MULTIPLICAÇÃO DE MUNICÍPIOS

A FALÁCIA DA MULTIPLICAÇÃO DE MUNICÍPIOS*

Assim que se instalou a indústria de criação de municípios, impulsionada por interesses políticos paroquiais, ficou claro que a pulverização de prefeituras não melhoraria a administração pública.

Impulsionada pela Constituição de 1988, esta indústria chegou ao auge com a possibilidade de as assembleias legislativas poderem aprovar a realização de plebiscitos para a emancipação de distritos e povoados. Como as Casas legislativas estaduais estão muito próximas da influência de caciques políticos locais, foi uma farra, principalmente até 1996, quando emenda constitucional passou a subordinar a lei complementar federal a criação de municípios.

De 1984 a 2000, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), surgiram 1.405 prefeituras. Hoje são, ao todo, 5.568, um universo disforme que pesa mais no bolso do contribuinte do que o atende em serviços.

O que era visível há tempos agora passa a ser contabilizado, com a criação, pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, do índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), composto por informações dos ministérios do Trabalho, Educação e Saúde. O Ipea, do governo federal, também trabalha numa metodologia para acompanhar os municípios.

Com base no IFDM, foram analisadas 58 prefeituras criadas entre 2001 e 2010. E ficou comprovado que é uma falácia o discurso de que a emancipação leva ao desenvolvimento. Muitas vezes ocorre o inverso — eles retrocedem, como demonstra reportagem do GLOBO.

O diretor de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais do Ipea, Rogerio Boueri, diz que isso se explica pelo fato de as novas prefeituras criarem despesas antes inexistentes. Afinal, passam a contar, por exemplo, com uma estrutura de funcionários públicos no Executivo e Legislativo. E como não costumam explorar a principal fonte de receita tributária municipal, o IPTU, viram eternas dependentes do Fundo de Participação, alimentado por repasses federais e estaduais. A grande maioria das 5.568 cidades não sobrevive com recursos próprios. Hoje, esta dependência é sério obstáculo à redução da carga tributária total, para a economia ganhar competitividade.

As 58 prefeituras estudadas criaram 31 mil empregos públicos — o total da folha de servidores de Curitiba —, receberam, nos últimos cinco anos, R$ 1,3 bilhão do Fundo de Participação, mas não melhoraram a vida de suas populações em itens fundamentais: saneamento, coleta de lixo, água encanada. Há também números preocupantes em Educação e problemas em Saúde.

Deveria ser levada a sério a proposta de reversão de emancipações sem qualquer perspectiva de sobreviverem como municípios autônomos. Haverá menos gastos públicos, impostos menos pesados e melhores serviços à população. Mas, para isso, a baixa política, que se beneficia do empreguismo e do tráfego de dinheiro federal e estadual, terá de ser vencida.

Fonte: Editorial de O Globo de 22/01/2013

* Como se vê, o assunto é bem atual

No Brasil há um luxo grosseiro a par de infinitas privações de coisas necessárias. (José Bonifácio de Andrada e Silva, estadista brasileiro, 1763-1838)

FRASES ILUSTRADAS

A PENHORA DO CRUCIFIXO

A PENHORA DO CRUCIFIXO
Charge de Gerson Kauer
Tempos do velho Foro Cível da Rua Siqueira Campos nº 1044, em Porto Alegre, cada vara cível tinha um oficial de justiça próprio. Dentre os meirinhos, um se notabilizava pelo afeto com que tratava os advogados e, principalmente, pelas "aulas" de Direito que dava aos bacharéis iniciantes, a quem costumava dizer que "lendo Pontes de Miranda se encontra solução para tudo".

Certo dia - ante a insistência de um novel profissional da Advocacia - o oficial foi cumprir um mandado de citação e penhora numa residência no bairro Partenon. Vislumbrando um sofá rasgado, cadeiras carcomidas pelo uso, um rádio que emitia som roufenho e um televisor obsoleto, o oficial constatou que pouco ou nada tinha para penhorar. 

Chamou-lhe a atenção, todavia, um crucifixo grande - com seus 60 cm. de altura - pendurado na parede principal da modesta sala. Como não queria voltar com a diligência negativa, o oficial informou ao casal devedor que estava penhorando aquele símbolo religioso, mas que deixaria os devedores como depositários do bem.

E lascou a certidão: "Dirigi-me à residência dos executados e lá - nada mais encontrando o que pudesse servir para a garantia do Juízo - penhorei um crucifixo, em material latonado amarelo, brilhante. A marca do objeto é INRI - sem número de série, em bom estado de conservação".

Recebendo os autos, o bem falante juiz da causa - que anos depois chegou à presidência do TJRS - avaliou que tinha, ao seu alcance, uma oportunidade de pilheriar com o oficial, a quem mandou chamar no gabinete.

- Veja, seu Carlos, admiro muito o seu trabalho, mas crucifixo jamais teve ou terá número de série. Ademais, INRI nunca foi marca. 

E puxando da gaveta o livro "À margem do Direito", obra de Pontes de Miranda que trazia ensaios de Psicologia Jurídica, o juiz fez de conta que dali extraia a leitura professoral que, na verdade, havia decorado pouco antes de um livro de Religião. E falou convincente:

- INRI é o acrônimo de Iesus Nazarenus Rex Iudeorum; ou seja, Jesus Nazareno Rei do Judeus. Segundo os evangelhos, foi o título que Pilatos ordenou que fosse fixado na cruz onde Jesus Cristo foi morto. Conforme o Evangelho de São João, Pilatos teria feito redigir o texto em latim, grego e aramaico. 

E preparava-se o magistrado para seguir explicando a "marca INRI" quando o oficial - que era conhecido também pelas mentiras que aplicava - atalhou:

- Doutor, não me crucifique! Eu já conhecia isso também de um outro livro - Tratado de Direito Privado, de Pontes de Miranda. Se não me engano isso está escrito na página 377, do tomo 1...

O oficial de justiça pediu desculpas ao juiz e saiu de fininho de sua sala, para retificar a certidão: "Penhorei um crucifixo, em material latonado amarelo, brilhante. O proprietário me disse que é banhado a ouro. A insígnia INRI ostentada pelo objeto está explicada em duas obras do jurista Pontes de Miranda".

* * * * *

Algumas semanas depois, o credor não aceitou a penhora do crucifixo. O objeto permaneceu imóvel na parede da casa dos devedores. Sem outros bens que pudessem ser constritos, o credor desistiu da execução.

Fonte: www.espacovital.com.br

LUGARES

VENEZA - ITÁLIA

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Prefiro o paraíso pelo clima, o inferno pela companhia. (Mark Twain, escritor americano, 1835-1910).

FRASES ILUSTRADAS

ESCUTATÓRIA

ESCUTATÓRIA
Rubem Alves

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular. 

Escutar é complicado e sutil. Diz Alberto Caeiro que "não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma". 

Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia. 

Parafraseio o Alberto Caeiro: "Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma". Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. 

Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. 

Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos... 

Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64. Contou-me de sua experiência com os índios. 

Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, abrindo vazios de silêncio, expulsando todas as idéias estranhas.). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. 

Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que ele julgava essenciais. São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se eu falar logo a seguir, são duas as possibilidades. 

Primeira: "Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado". 

Segunda: "Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou". 

Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: "Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou". E assim vai a reunião. 

Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. 

Eu comecei a ouvir.

Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras. 

A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa.

No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar. 

Para mim, Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também.

"Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto". 

LUGARES

MARBELA - ESPANHA

domingo, 10 de novembro de 2019

GINO PAOLI



QUATTRO AMICI AL BAR
Eravamo quattro amici al bar
che volevano cambiare il mondo,
destinati a qualche cosa in più
che a una donna ed un impiego in banca.
Si parlava con profondità
di anarchia e di libertà.
Tra un bicchier di coca ed un caffè
tiravi fuori i tuoi perché
e proponevi i tuoi farò.

Eravamo tre amici al bar,
uno si è impiegato in una banca,
si può fare molto pure in tre
mentre gli altri se ne stanno a casa.
Si parlava in tutta onestà
di individui e solidarietà.
Tra un bicchier di vino ed un caffè
tiravi fuori i tuoi perché
e proponevi i tuoi però.

Eravamo due amici al bar,
uno è andato con la donna al mare,
i più forti però siamo noi,
qui non serve mica essere in tanti.
Si parlava con tenacità
di speranze e possibilità.
Tra un bicchier di whisky ed un caffè
tiravi fuori i tuoi perché
e proponevi i tuoi sarà.

Son rimasto io da solo al bar,
gli altri sono tutti quanti a casa,
e quest'oggi, verso le tre,
son venuti quattro ragazzini.
Son seduti lì vicino a me
con davanti due coca e due caffè.
Li sentivo chiacchierare,
han deciso di cambiare
tutto questo mondo che non va.

Sono qui con quattro amici al bar
che hanno voglia di cambiare il mondo.

E poi ci troveremo come le star
a bere del whisky al Roxy Bar,
o forse non c'incontreremo mai,
ognuno a rincorrere i suoi guai.

E poi ci troveremo come le star
a bere del whisky al Roxy Bar,
o forse non c'incontreremo mai,
ognuno a rincorrere i suoi guai
















 QUATRO AMIGOS NO BAR
Éramos quatro amigos ao bar
que queriam mudar o mundo,
destinados a alguma coisa a mais
que uma mulher e um emprego no banco. Falávamos com profundidade
de anarquia e de liberdade.
Entre um copo de coca e um café
botávamos pra fora os porque
e propúnhamos os farei.

Éramos três amigos ao bar,
um está empregado num banco,
se pode fazer muito também em três enquanto os outros estão em casa.
Falávamos em toda honestidade
de indivíduos e de solidariedade.
Entre um copo de vinho e um café
botávamos pra fora os porque
e propúnhamos os porém.

Éramos dois amigos ao bar,
um foi com a mulher à praia,
os mais fortes porem somos nós,
aqui não é preciso ser em muitos.
Falávamos com tenacidade
de esperanças e possibilidades.
Entre um copo de whisky e um café botávamos pra fora os porque
e propúnhamos os será.

Fiquei eu sozinho ao bar,
os outros estão todos em casa,
e hoje, por volta das três,
chegaram quatro garotos.
Sentaram aí perto de mim
com na frente duas coca e dois café. Escutava-os conversar,
decidiram mudar
todo este mundo que não vai.

Estou aqui com quatro amigos ao bar
que tem vontade de mudar o mundo.

E depois nos encontraremos como as estrelas a beber whisky no Roxy Bar,
ou talvez não nos encontraremos nunca,
cada um correndo atrás dos seus problemas.

E depois nos encontraremos como as estrelas a beber whisky no Roxy Bar,
ou talvez não nos encontraremos nunca,
cada um correndo atrás dos seus problemas
A indiferença faz sábios e a insensibilidade monstros. (Denis Diderot, filósofo francês, 1713-1784)

FRASES ILUSTRADAS


LITTLE ITALY

LITTLE ITALY

Noite de domingo em Nova York. O clima estava bem agradável e a viagem estava chegando ao fim. Nosso grupo original já havia recebido o acréscimo de um casal de Curitiba, outro de São Paulo e um aposentado de Minas Gerais. Todos haviam entrado no clima descontraído da viagem. Mas também já estávamos em clima de despedida. 

Alguém do grupo sugeriu jantarmos num restaurante italiano, de preferência no bairro típico. Sugestão dada, sugestão aceita. O local que nos foi indicado parecia pequeno. No entanto, fomos encaminhados para uma outra sala existente nos fundos onde fomos todos acomodados numa única mesa, grande o bastante para dez pessoas ou mais. 

Era um ambiente bem simples, ou nada sofisticado com mais uma ou duas mesas do mesmo tamanho, sugerindo que era um espaço reservado para as famiglie

Tudo transcorreu maravilhosamente bem. Com algumas taças de vinho a incentivar talentos, não precisou muito para que alguém iniciasse a cantoria, bem baixinho, do tipo intimista, só para nós mesmos. 

O colega mineiro revelou-se um ótimo intérprete da MPB. A coisa foi tomando corpo e o corpo e mente foram sendo invadidos pelos efeitos do vinho, de sorte que o volume chegou às outras mesas, uma em especial, que embora formada por italianos, não era barulhenta. 

Pois foram eles que primeiro aplaudiram nossos cantores, até pediram bis e deram algumas sugestões. Formou-se um ambiente essencialmente fraterno e chegamos a ser brindados pelos nossos vizinhos com garrafas de vinho. 

Foi então que o nosso amigo paulista levantou e disse que iria brindar a todos com uma música. Certamente não era o efeito do vinho que encorajava o nosso colega, pois durante toda a viagem ele enfrentou alguns litros de whisky com muita determinação e naturalidade. Aplausos e silêncio. 

Alto e forte, para não dizer robusto, sua figura impressionava. Se cantasse bem, então, seria a glória. E foi. Fomos brindados com o clássico Granada, de Agostin Lara. 

Com uma voz potente, sem desafinar e com completo domínio do que estava fazendo, o nosso tenor foi conquistando a pequena e silenciosa platéia. 

Mas no fundo, todos esperavam pelo gran finale, quando os agudos exigem do intérprete muito mais do que técnica vocal. 

Pois ele não decepcionou e ainda deu-se ao luxo de alongar as palavras finais ...sangre y tesón

Os italianos que por ali estavam, que tradicionalmente cultuam vozes masculinas, notadamente os tenores, não cansaram de aplaudir o nosso colega, com não poucas expressões de bravo! bravo! E mais botiiglie di vino.

LUGARES

COLONIA DEL SACRAMENTO - URUGUAI

sábado, 9 de novembro de 2019

Nossa razão, tão insuficiente para prevenir nossas desgraças, também o é para nos consolar depois. (Choderios de Lacios, escritor francês, 1741-1803)

FRASES ILUSTRADAS



TIRO FESTIVO - SCHÜTZENVEREIN

TIRO FESTIVO - SCHÜTZENVEREIN
Deutsch-Brasil Schützenverein ( Socidade de Atiradores),
de Picada Santa Cruz, em foto de 1890.
Acervo de Alice Asmann
A mais antiga sociedade de tiro do Estado, a Schützengilde, foi fundada em 1863, por colonos alemães de Santa Cruz do Sul. Os clubes de tiro têm origem nas Corporações de Atiradores na Alemanha Medieval. 

Na defesa contra abusos dos senhores feudais e do poder real, e também para proteger suas cidades e comércio de saqueadores e invasores, essas corporações treinavam seus elementos no manejo de armas e cultivavam o sentimento pátrio.

Foto: Acervo Arthur Matte
A recreação e a camaradagem levavam os participantes, em tempos de paz, a organizar competições de tiro. 

Em 1885, surgiu a Federação das Associações de Tiro, por iniciativa da Sociedade Alemã de Tiro de Porto Alegre, que visava incrementar a prática do tiro ao alvo. 

No ano seguinte, o primeiro torneio reuniu 109 atiradores em São Leopoldo, cidade com forte presença germânica e tradição nesse esporte. 

Um desses clubes (provavelmente o da sede acima), até onde se sabe, ficava em frente ao Estádio da Baixada, no bairro Moinhos de Vento. Cartões-postais (foto baixo) eram confeccionados para saudar torneios importantes como esse de 1901.

Foto: Acervo Arthur Matte

























Colaborou Alice Assmann

Fonte: clicrbs.com.br/almanaquegaucho

LUGARES

LUCERNA - SUÍÇA

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Antigamente a questão era de ser ou não ser. Hoje é de ter ou não ter. Dinheiro, principalmente. (Mário da Silva Brito, escritor brasileiro)

FRASES ILUSTRADAS



MR. MILES


AEROMOÇAS LOIRAS E NOMES DIVERTIDOS

Mr. Miles, juro que é verdade: embarquei no voo 1074 da Gol, dia 11/7. A comissária de bordo, naquele inglês que a mim dá espasmos (imagino então ao senhor, native speaker!), disse: "... our flight to Prudent President ...". E, após aterrissarmos, nos brindou com um "Welcome to Prudent President...". O senhor vê isso como uma tendência? Será que logo vamos ouvir nossas cidades sendo chamadas de Beautiful Horizon, Happy Harbor, Savior, January River ou John Person?

Paulo Simon, por e-mail

"Very funny, my dear Paul! Aliás, falando em traduções, você não é o Paul Simon que cantou belas músicas com o meu amigo Art Garfunkel, are you? Well: ainda que seja, achei divertidíssima essa aeromoça bilíngue. Was she blond?

Lembro-me, anos atrás, quando visitei a ilha de Tristão da Cunha, um lugar muito triste e abandonado no meio do Oceano Atlântico. Vendo a pequena porção de terra enevoada com poucas famílias absolutamente consanguíneas, resolvi chamá-la de Very Sad da Cunha - o que, convenhamos, lembra (na forma e não no espírito) essa inovadora comissária de bordo. Será que quando o voo é para Bauru ela anuncia 'Welcome to cheese, ham andtomatoes city?' Unbelievable!

In fact, as cidades e os países podem ter nomes verdadeiros que não batem com o nosso conhecimento de português. Portanto, funcionárias atentas como a nossa loira da Gol podem ser úteis em diversas circunstâncias. Imagine se você estiver pousando, assustado, em Magyar Ország e a assistente de bordo traduzir: "Bem-vindos à Hungria!". Ou se, por acaso, você for parar na desconhecida Suomi e ninguém lhe disser que o nome pela qual a conhecemos é Finlândia.

However, na maioria dos casos, a tradução se faz tão necessária quanto pedras de gelo em um singlemalt. Sua correspondência me fez lembrar de alguns casos que provocariam gargalhadas. 'Senhoras e senhores', anunciaria a aeromoça. 'Por favor, apertem os cintos de segurança e retornem as poltronas à posição vertical. Dentro de instantes pousaremos em Os Anjos.' Where? Of course: em Los Angeles, mas nem tudo mundo precisa conhecer o castelhano, don't you agree? E vamos adiante: qual é o destino favorito dos brasileiros na América do Norte: Flowered! Em que outro Estado fica Orlando e Miami? Ou você prefere esquiar em Red Coloured, nas estações de esqui de Aspen ou Vail? Se for um bom apostador, há de preferir The Fertile Valleys, tradução literal de Las Vegas, que, by the way, fica no Estado de Snowed (Nevada).

E as surpresas não ficam apenas em nossa ex-colônia, dear Paulo. Um avião que pousasse em Bordeaux - e que tivesse uma aeromoça intérprete -, estaria chegando em Bordéus, um lugar aonde sua mulher não gostaria que você fosse… Am I right?

Enfim, sou obrigado a dizer que o exemplo mais engraçado (ou ultrajante, conforme o ponto de vista) é uma grande cidade de nosso reino, célebre por ter sido o berço daquele conjunto, Os Besouros (The Beatles). Aquela comissária do Prudent President certamente diria ao aterrissar em Liverpool: 'Sejam bem-vindos à Piscina de Fígados!'

I don't know about you, Paul, mas acho que esse é um caso de demissão por justa, justíssima causa."

Fonte: O Estado de S. Paulo

LUGARES

ZAGREB - CROÁCIA

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

O jovem é um ser que se esforça até os trinta anos para destruir sistematicamente tudo aquilo que ele tem de melhor. (Gertrude Stein, escritora americana, 1874-1946)

FRASES ILUSTRADAS






NÃO TROPECE NA LÍNGUA


LATINISMOS: sui generis, pari passu, e.g., apud, suso

--- Já ouvi pessoas falando coisas como: tal situação foi sugênere. Já procurei e não encontrei o significado da palavra sugênere, se é assim que se escreve. O que significa? C. C. F., Castanhal /PA

Essa é uma expressão latina cuja grafia correta é sui generis e quer dizer “de seu próprio gênero”, ou seja, significa que algo (fato, situação, caso) é único no gênero, é original, peculiar, singular, excepcional, sem semelhança com outro. Dizemos então: “tal situação foi sui generis”, “nunca vi disso: o caso é sui generis”.

--- Existe equivalente em português para a expressão latina pari passu? F. V., Florianópolis/SC

Existe: a par e passo. A locução adverbial pari passu quer dizer “em passo igual”, que algo é levado no mesmo passo, no mesmo andar ou ritmo. Frase do escritor José de Alencar: “Renasce a mãe no filho, volve à puerícia, para simultaneamente com ele, a par e passo, de novo percorrer a mocidade e a existência”. Um bom exemplo atual é este que encontrei num texto sobre História da Educação:

Os programas das escolas primárias acompanharam a par e passo as transformações da Escola Normal.

--- O que significa a expressão e.g. usada em livros e textos? R. M. F., Florianópolis/SC

A abreviatura e. g. toma as iniciais do latim “exempli gracia” e significa por exemplo. Também se usa, para o mesmo caso, v. g. , de “verbi gracia”, que pode igualmente ser abreviado em português: p. ex.

--- Qual o significado do termo apud que normalmente vemos em teses e dissertações? M. M. C. B., Petrolina/PE

Usa-se obrigatoriamente a palavra latina apud, ou sua abreviatura ap., quando se faz uma citação de segunda mão, isto é, a citação de uma citação. Em outras palavras, ela se refere à transcrição ou à paráfrase de uma frase ou um trecho de que só se tomou conhecimento na obra de outro autor. Isso dá a entender que a pessoa que transcreve a citação não leu o original, o que se justifica apenas no caso de ser uma obra de difícil acesso. No corpo da tese ou dissertação se faz, por exemplo, a seguinte indicação:

Ao tratar desse tema, em 1945 já afirmava Einaudi, apud Bobbio (1992, p. 215), que “os homens livres não devem renegar suas próprias razões de vida, renegar a própria liberdade de que se professam defensores”. 

E nas referências bibliográficas só vai constar o autor do livro consultado/lido: BOBBIO, Norberto. A era dos direitos (edição ampliada). Trad. Carlos Nelson Coutinho. Rio de Janeiro: Campus, 1992.

--- Sou acadêmico de Direito e ao ler uma petição encontrei a palavra suso. Busquei seu significado no dicionário e não encontrei. O texto era mais ou menos assim: ...nos autos suso mencionados. Gostaria de saber seu significado. R. T., Vila Velha/ES

“Nos autos susomencionados” vale por “nos autos acima citados/ retromencionados/ supracitados/ susoditos ou sobreditos. O termo suso não é facilmente encontrável por ser considerado “desusado, antigo”. Juntando o que dizem os cinco dicionários (dos 19 consultados) em que se registra o elemento de composição suso, temos que se trata de preposição e advérbio, do latim susum ou sursum, com o significado de “acima, anteriormente, antes, atrás”. Observar que a grafia é sem espaço e sem hífen.

Fonte: www.linguabrasil.com.br

LUGARES

TUSCANIA - ITÁLIA

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Quando você morre, você não sabe que está morto. É a mesma coisa quando você é um idiota. (Ricky Gervais)

FRASES ILUSTRADAS

O CORNETEIRO

O CORNETEIRO
Por Sérgio Jockymann

Pois, quando o Batalhão Provisório de Vila Velha recebeu ordem de marchar para São Paulo, o coronel Joaquim decidiu que estava na hora de fazer pelo menos uma ordem unida. Chamou o major Eustáquio do Estado Maior e disse:

- Olha, Eustáquio, quando corre bala é cada um por si e Deus por todos. Aí tem que haver um corneteiro dos bons, pra levantar as guampa do pessoal.

Ora, só havia em Vila Velha um corneteiro capaz de deixar todo mundo de guampa erguida, o Salustiano, preto como carvão, que segundo se dizia era capaz de tocar aqui e ser ouvido no inferno. Em trinta e dois o Salustiano andava meio cansado de revolução e foi com uma certa relutância que atendeu ao convite.

- Se for pra tocar, seu Joaquim, tou aí. Mas se for pra peleia, me faça o bem de chamar um mais novinho.

O coronel Joaquim prometeu de pés juntos que jamais em momento algum o corneteiro seria convocado para a luta.

- Tu sabe como é, Salustiano. É só pra botar ordem na bagunça.

- Pra peleia, eu dou um toque meio puxando a gaita. Pra retirada eu dou um toque puxando a mula.

Dito e soprado e todo mundo entendeu de primeira. De fato, o toque puxando a gaita arrancava o pessoal do chão e o jogava pra frente e o toque puxando a mula, fazia todo mundo dar meia volta. Agora nota por nota os dois eram a mesma coisa. Como nota por nota, o toque servia para tudo desde alvorada até silêncio, passando por rancho, continência e fosse lá o que fosse. O Salustiano soprando a corneta, o Batalhão do Provisório cruzou Santa Catarina, subiu o Paraná e teve o primeiro combate em solo paulista, onde se cobriu de glória, após uma carga de gritaria que acabou com a moral do inimigo. O Batalhão se portou tão bem que foi incorporado a uma Força especial, que deveria travar uma violenta batalha na semana seguinte. O coronel Joaquim concordou com tudo, mas quando falaram em corneteiro, ele saltou:

- Tem que ser o Salustiano.

O general comandante disse que dispunha dos melhores corneteiros do país e recusou o oferecimento. O coronel Joaquim ficou ainda remanchando, mas não conseguiu nada, pelo que foi para a tal batalha com o pior dos humores.

- Não ta me cheirando bem esse negócio.

De fato, o negócio não era de cheirar bem, porque o Batalhão devia recuar para atrair o inimigo e logo em seguida avançar e tudo isso seria ordenado através de vibrantes cornetadas. O cabo Salustiano magoadíssimo se recusou a seguir com o Batalhão e a moral da tropa não andava das melhores. Mesmo assim, o Batalhão tomou sua posição e ficou à espera do sinal. Quando soou a primeira cornetada, como um homem só, o Batalhão se jogou para frente, enquanto os oficiais se jogavam para trás. Nesta altura, o Quartel General danado da vida, achou que o mal estava feito e mudou o toque para avançar. O Batalhão sentiu a mudança e como um homem só deu meia volta e recuou. O Estado Maior estupefato viu suas linhas se desfazerem e ordenou retirada. Foi acorneta dar a ordem e o Batalhão inverteu a marcha e se lançou num ataque. 

Nesta altura, o lado paulista ordenou retirada e quando as séries de cornetas começaram a soprar furiosamente, o Batalhão Provisório simplesmente não soube o que fazer. O único oficial, ainda metido na tropa, era o Surdinho Campos que consultado teve uma resposta memorável:

- Que corneta?

O lado paulista quando viu os legalistas em retirada ordenou o ataque. O Batalhão Provisório achou que era a sua vez de atacar e arremeteu para frente. Nem deu dez passos e os paulistas tocavam em retirada, pelo que o Batalhão Provisório deu meia volta. No Quartel General, um coronel declarou guerra à Vila Velha e um general expediu cinco telegramas perguntando de que lado brigava o Provisório. Nessa altura, a frente ia e vinha e um corneteiro gaúcho descobriu a seu lado um corneteiro paulista e os dois por sinal estavam tocando retirada. Isso aconteceu no exato minuto que as forças de retaguarda descobriram que estavam na vanguarda e o pessoal do remuniciamento entregou quinze caixas de balas para os paulistas. Os dois quartéis generais diante disso resolveram se render e quando as cornetadas da rendição soaram, o Surdinho Campos cuspiu de raiva e baixou uma ordem:

- Para o raio que os parta todos os comandantes. Toca pra frente e só para em São Paulo.

Em menos de três horas, o Batalhão Provisório havia aprisionado cinco regimentos paulistas, duas seções de metralhadoras, dois regimentos legalistas e um pelotão maragato, detido sob protesto do seu comandante que dizia:

- Essa guerra é outra, seu estúpido.
No dia seguinte, o Batalhão de Vila Velha foi mandado devolta por pura inveja como disse o coronel Joaquim. (JOCKYMANN, Sérgio. Vila Velha, Porto Alegre : Editora Garatuja, 1975, p. 14)

LUGARES

INNSBRUCK - ÁUSTRIA

terça-feira, 5 de novembro de 2019

O medo é o pior dos conselheiros. (Alexandre Herculano, Escritor português, 1810-1877)

FRASES ILUSTRADAS


A TESTEMUNHA QUE ACEITA O CONVITE PARA BEBER

A TESTEMUNHA QUE ACEITA O CONVITE PARA BEBER

Charge de Gerson Kauer
Na Vara do Júri de comarca paulista, o juiz presidente da sessão é informado pelo oficial de justiça que uma das testemunhas a ser ouvida, deveria estar bêbada pois exalava cheiro de álcool e não dizia coisas com nexo. 

Ainda assim, para certificar-se da informação e como era testemunha presencial, o magistrado manda chamar o homem para a sua qualificação. 

Ele senta-se no lugar apropriado, em cadeira que estava no meio do Plenário, frente ao microfone, e o juiz determina: 

- O senhor, por favor, levante-se!

A testemunha ergue-se com alguma dificuldade.

O magistrado pergunta o nome e o endereço da testemunha, cujas respostas são arrastadas.

- O senhor bebe? - questiona o juiz.

A testemunha, com voz pastosa e arrastada, responde: 

- Aceito sim senhor”. 

Diante das gargalhadas gerais do próprio juiz, do promotor, do advogado de defesa, dos serventuários e da platéia que a tudo assiste, nada mais disse e nem lhe é perguntado...

Fonte: www.espacovital.com.br - Publicação em 06.03.12 

LUGARES

LISBOA - PORTUGAL

A Torre de Belém é um um dos monumentos mais expressivos da cidade de Lisboa. Localiza-se na margem direita do rio Tejo, onde existiu outrora a praia de Belém. Inicialmente cercada pelas águas em todo o seu perímetro, progressivamente foi envolvida pela praia, até se incorporar hoje à terra firme. Foi construída na era das Descobertas, em homenagem ao santo padroeiro da cidade, São Vicente. Para melhorar a defesa de Lisboa, o rei João II desenhou um plano que consistia na formação de uma defesa constituída por três fortalezas junto do estuário do Tejo. Formava um triângulo, sendo que em cada ângulo se contruiría uma fortaleza: o baluarte de Cascais no lado direito da costa, a de S. Sebastião da Caparica no lado esquerdo e a Torre de Belém na água (já mandada construir por D. Manuel I). O monumento se destaca pelo nacionalismo implícito, visto que é todo rodeado por decorações do Brasão de armas de Portugal, incluindo inscrições de cruzes da Ordem de Cristo nas janelas de baluarte; tais características remetem principalmente à arquitetura típica de uma época em que o país era uma potência global. Com o passar do tempo, e com a construção de novas fortalezas, mais modernas e mais eficazes, a Torre de Belém foi perdendo a sua função de defesa. Durante os séculos que se seguiram, desempenhou funções de controle aduaneiro, de telégrafo e até de farol. Foi também prisão política, viu os seus armazéns transformados em masmorras, a partir da ocupação filipina (1580) e em períodos de instabilidade política. Finalmente, em 1983 a UNESCO classificou-a Património Cultural de Toda a Humanidade.

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Não somos nós que perdemos tempo. É o tempo que nos perde. (Mário da Silva Brito, escritor brasileiro, 1916).

FRASES ILUSTRADAS





A DITADURA DAS UNHAS

Fabrício Carpinejar

Que deixe uma semana sem fazer as unhas. Que se permita uma unha descolorida, uma unha gasta, uma unha desfeita, não há maior libertação do que participar de uma reunião com somente o coração da unha pintado e as bordas descascadas. 

Que não se importe com o que o namorado pensa, com o julgamento do amor, com a cobrança da paixão. Peça primeiro para que ele arrume as cutículas das palavras e aja com educação e respeito. 

Que não sofra com a obrigação da manicure semanal, a ponto de morrer pela aparência. A liberdade não é ansiosa. Não se escravize para agradar. Desligue a câmera dos outros em si. 

Uma unha limpa e pura tem o seu valor, a sua sedução, a sua tranquilidade. Assim como os dentes, combinam com o guarda-roupa inteiro. 

Não aceite a imposição de sempre cavar um horário a ponto de enlouquecer. Que o salão seja um prazer, que a bacia de água quente se faça em batismo. Não enxergue a poltrona como uma extrema unção, um deus-me-acuda, um senhor chefe me acusa. 

A obrigação é machismo, achismo, controle. Que as mãos espalmadas não sirvam para algemas, e sim para o pássaro do pincel relaxar do voo e espalhar a tinta. 

É inaceitável o jugo. A perfeição é pressão. Resista. Pule o calendário de vez em quando, salte a agenda ora e vez. 

Qualquer pessoa riscará as unhas digitando, mexendo no celular, dirigindo o carro, escolhendo as chaves. Não é problema do esmalte, mas de mentalidade. Não volte para reparar, não entre em pânico para corrigir: abandone as cismas pelo improviso. 

Não existe como se prevenir do acidente, da fricção, do contato. Mulheres não são bonecas para a exibição em caixa e plástico. Unhas desfeitas não correspondem a defeitos de fábrica. Cuspa as pilhas para fora das costas. Não se apequene para se mostrar impecável. Não se diminua para impressionar. 

A naturalidade é afrodisíaca. Segure a felicidade com a ponta das unhas, sem medo de estragar.

Fonte: Facebook

LUGARES

BRUXELAS - BÉLGICA

domingo, 3 de novembro de 2019

TANGO

SENSUALIDADE, JUVENTUDE E BELEZA


Participação de Antonio Banderas
As coisas que importam em nossas vidas acontecem em nossa ausência. (Saiman Rushdle, escritor inglês de origem indiana)

FRASES ILUSTRADAS



MIGRANTES E REFUGIADOS

MIGRANTES E REFUGIADOS

Estávamos em Bolonha aguardando a chegado do nosso trem para Faenza, com o propósito principal de conhecer o Museu Internacional da Cerâmica. Durante a espera travei um bate-papo com uma mulher que também tomaria o mesmo trem. Seu destino era Rimini. Na conversa fiquei sabendo que ela também era neta de italianos. Gente do sul da Itália que emigrou para a África. Praticamente as mesmas dificuldades dos nossos antepassados. Contudo, o mais contundente de tudo, foi o seu relato sobre as consequências sofridas pela sua família após a derrota da Itália na Segunda Guerra Mundial, por volta do ano 1943. Segundo ela, os franceses avançaram sobre o patrimônio dos italianos. O pai dela era farmacêutico e sob a acusação de ser fascista, teve o seu estabelecimento sequestrado, sendo que ele foi enviado para um campo de concentração ou de trabalhos forçados onde acabou morrendo. Ela tinha sete meses de idade. Não demonstrou rancor contra os franceses. Antes, mencionou outras perseguições, como aquela dos dias atuais contra italianos e cristãos de um modo geral na Líbia. 

A conversa foi bem oportuna porquanto em Bolonha havia uma interessante mostra sobre sapatos e a relação/importância dos mesmos nas grandes movimentações humanas, seja por guerras, por necessidade de emigrar, etc. 

Era intitulada "As raízes do caminhar". Além de sapatos fisicamente expostos várias fotos e descrições dos mais variados eventos mundiais procuravam demonstrar a importância dos sapatos na vida das pessoas em fuga e/ou retirada. 

Alguns desses eventos eram bem recentes para não dizer atuais, bastando atentar para a realidade dos refugiados que diariamente aportam às costas europeias. 

A violência que sucedeu a desintegração da antiga Iugoslávia, por exemplo, anda bem marcada na vida dos sobreviventes.

No particular, lembro de uma reportagem da TV italiana em que uma senhora, octogenária ou mais, aos prantos, resumia a intolerância de que fôra alvo. 

Segundo ela, depois da primeira guerra mundial, a Itália havia perdido parte do seu território para a Iugoslávia. Hoje, o seu local de nascimento é a Croácia, onde viveu todos aqueles anos. 

Então ela e todas as pessoas de fala latina passaram a ser tratados como italianos, marcados assim, pelo estigma de serem estrangeiros.

Com a violência instalada depois do desmanche da Iugoslávia, mudaram para a Itália e então ela se queixava:

- Lá éramos tratados como italianos, ou seja, como estrangeiros e agora que estamos na Itália somos tratados como croatas, ou seja, continuamos estrangeiros. 

Compreendi bem o drama da nossa interlocutora na estação de trem e muito sobre o significado e importância da mostra "As raízes do caminhar". 

LUGARES

BERGEN - NORUEGA
Bergen ou Berga é o nome da segunda maior cidade da Noruega, com uma população de aproximadamente 250 mil habitantes. A cidade está cercada por sete montanhas, o que lhe confere uma bela paisagem, mas também o título de cidade mais chuvosa da Europa.

Bergen é um centro de cultura, comércio e universitário na costa oeste da Noruega. O compositor Edvard Grieg nasceu e viveu na cidade e lá compôs várias de suas mundialmente famosas peças.

É uma cidade muito popular quer para turistas norugueses, quer para turistas estrangeiros, sendo um do principais pontos de paragens dos cruzeiros dos mares do norte da Europa. É o ponto de partida do barco Hurtigruten, que viaja pelas costas norueguesas até ao Kirkenes, sendo estação final da linha ferroviária de Bergen (Bergensbanen), que a liga a Oslo, por paisagens de grande beleza natural.

Bergen teve a sua própria universidade em 1946. Esta tem hoje cerca de 17 000 estudantes.

A montanha amarela é maior das sete montanhas que rodeiam a cidade, com 987 metros de altura.

Foi fundada em 1070, por Olav Kyrre, tendo sido a capital da Noruega até 1299, quando Oslo passou a ser a capital. Ainda assim, continuou a ser a maior cidade da Noruega até à década de 1830. Entre 1350 e 1750 pertenceu à Liga Hanseática. 

A parte antiga da cidade ligada à baía, chamada Bryggen, circundada por casas datando do tempo da Liga Hanseática, passou a integrar a lista do patrimônio da humanidade da Unesco, em 1979. 

Fonte: Wikipédia