sexta-feira, 31 de julho de 2020

A FRAGILIDADE DAS PESSOAS QUE CRITICAM OS OUTROS

A FRAGILIDADE DAS PESSOAS QUE CRITICAM OS OUTROS

Há pessoas de fácil crítica. Elas estão sempre prontas para julgar, têm uma palavra cortante na ponta da língua e geralmente olham por cima dos ombros para os outros. Essas pessoas não deixam passar nada. Elas aproveitam todas as oportunidades para criticar o que dizemos ou fazemos. Mas também nos criticam se permanecermos em silêncio ou ficarmos ociosos, porque o objetivo delas não é ajudar-nos a melhorar ou corrigir um erro, mas apenas afirmar sua opinião. Criticar.

Relacionar-se com pessoas assim é complicado. Suportar suas críticas constantes não é fácil; portanto, às vezes elas podem trazer à tona o pior de nós, perdendo a paciência e a compostura. No entanto, no fundo, essas críticas escondem uma profunda fragilidade emocional. Não é uma desculpa para o seu comportamento, mas nos ajudará a entender o que está acontecendo no seu mundo interior.

Como são as pessoas que criticam os outros constantemente?

Psicólogos das Universidades da Califórnia e Tilburg submeteram centenas de pessoas a uma série de testes para avaliar seus traços de personalidade e descobriram que aqueles que eram mais críticos e desdenhosos também compartilhavam essas características:

• Pouca simpatia. Essas pessoas tinham pouca empatia pelos outros e uma incapacidade manifesta de se colocar no lugar deles e de entender tanto seus pontos de vista quanto seus estados emocionais. Às vezes, essa falta de empatia os impede de perceber o dano que suas críticas podem causar.

• Inveja e narcisismo. As pessoas mais críticas costumavam se comparar continuamente com os outros, invejando a sorte dos outros. Mas eles também nutriram a ideia narcísica de que mereciam mais sorte do que os outros porque acreditavam que estavam em um nível superior.

• Estilo de apego ansioso. São pessoas com baixa autoestima, com tendência a apreensão e dificuldades para comunicar assertivamente suas necessidades emocionais, por isso recorrem a críticas e drama para alcançar seus objetivos.

• Mentalidade fixa. As pessoas mais críticas geralmente atribuem conquista e sucesso a habilidades e competências imutáveis, não a esforço. Elas não acreditam que é possível mudar.

• Dependência social. Essas pessoas demonstram grande preocupação com status social e hierarquia em diferentes contextos, por isso atribuem grande importância ao julgamento de outras pessoas.

• Perfeccionismo. As tendências perfeccionistas se manifestavam por uma propensão a criticar os outros e um profundo medo de serem julgados.

Tudo isso significa que, embora as pessoas que criticam outras possam ser muito contundentes, na base de sua atitude há uma grande fragilidade emocional, um ego hiper-reativo e extremamente sensível que procura se acalmar através de críticas negativas.

Muitas vezes, a crítica diz mais sobre quem critica do que quem é criticado. A crítica envolve julgar uma situação ou pessoa. Mas, nesse processo, geralmente não somos observadores imparciais, nossa subjetividade é média.

Portanto, a crítica é frequentemente a expressão de uma fragilidade emocional, de um ego que se sente constantemente ameaçado e reage se defendendo através da crítica. Como Alphonse de Lamartine disse, “a crítica é o poder do impotente “. Subtraindo valor do outro através de suas críticas, essas pessoas reafirmam a si mesmas.

Fonte: https://www.pensarcontemporaneo.com
Assim como uma gota de veneno compromete um balde inteiro, também a mentira, por menor que seja, estraga toda a nossa vida. (Gandhi)

LUGARES

OLÍMPIA - GRÉCIA
Olímpia é uma cidade da Grécia famosa por ter sido o local onde se realizavam os Jogos Olímpicos da Antiguidade até sua supressão em 394 pelo imperador romano Teodósio I — Jogos estes que só foram igualados em importância aos seus equivalentes realizados em Delfos, os Jogos Pítios. Olímpia também é conhecida pela gigantesca estátua de Zeus em marfim e ouro, criada pelo escultor Fídias para o templo do deus localizado na cidade, e que foi uma das sete maravilhas do mundo antigo. Escavações junto ao templo de Zeus, durante a década de 1950, revelaram a existência de um estúdio que se supõe ter pertencido a Fídias. Hoje o local preserva um importantíssimo sítio arqueológico tombado pela UNESCO. (Wikipédia)

MR. MILES

APRESENTANDO MR. QUEUE

Mr. Miles recebeu e agradece a todos os votos de pronta recuperação enviados a Trashie, sua cadelinha russa. Informa, aliás, que Trashie está prestes a ter alta da clínica Promises e se encontra ansiosa por retomar as viagens com seu companheiro.
A seguir, ele responde à pergunta da semana:

Caro mr. Miles: fui embarcar outro dia no Aeroporto de Congonhas e descobri que o velho e tumultuado check-in de minha companhia aérea tinha sido substituído por dois velhos e tumultuados check-ins. Não é muito azar?
César Romero, por e-mail

''Well, my friend, o azar de alguns é a sorte de outros. No caso, a inexplicável sorte de um velho desafeto meu, o decrépito e quase aposentado mr. Queue, cuja especialidade sempre foi criar dificuldades. Por cumprir essa tarefa, Queue conquistou títulos imponentes, como superintendente de Operações ou vice-presidente de Planejamento Estratégico e, there''s no doubt about, sempre foi competente ao exigir novos atestados e certificados, de modo a dificultar a vida de quem quer que fosse.

Tinha, as well, uma rara habilidade para negacear estoques de produtos cobiçados, de modo a aumentar seu preço e, sobretudo, provocar longas filas nos estabelecimentos que geria. A idéia, most of the time, era fazer com que a empresa ou o governo para quem trabalhava lucrasse, mais tarde, com o alívio decorrente da interrupção de suas ações.

Believe me, fellow: pessoas assim podem ser muito úteis. Mr. Queue chegou a ter uma frota de Rolls Royces quando implementou a filosofia dos call centers, muitos dos quais ainda funcionam sob sua inspiração.

Nesse caso, of course, a proposta era criar mecanismos protelatórios para que assinantes de determinados serviços raramente conseguissem dispensá-los. As más línguas dizem que foi ele o inventor do gerundismo, um linguajar brilhantemente evasivo.

Well, as boas práticas da administração tornaram meu compatriota obsoleto. However, devido a seu alentado currículo, soube, recently, que ele foi contratado por uma grande companhia aérea brasileira, com o propósito de racionalizar os check-ins, diminuindo a espera dos passageiros.

Queue, of course, trabalhou com seu talento de praxe. Propôs a criação do pré-check-in eletrônico. Computadores resolvendo tudo. Da emissão do boarding pass à inserção eletrônica da milhagem no sistema. Uma idéia genial. Donde nasceu, however, uma segunda fila: a dos desafortunados passageiros já registrados que tinham a péssima idéia de levar roupas e objetos pessoais consigo.

Queue tornou tudo ainda melhor (do seu ponto de vista). Profissional sofisticado, ele programou os novos computadores para errar na aceitação dos dados de forma randômica, para que os que usassem o antigo sistema (sem bagagem) tampouco sentissem qualquer alívio.

Well: está tudo funcionando às mil maravilhas. Encontrei Queue, dias atrás, com a auto-estima renovada. Orgulhoso, ele me contou a respeito de sua nova façanha. ''Você deveria envergonhar-se, Queue'', disse-lhe, indignado. ''You''re right, Miles'', respondeu-me, com franqueza. ''Faltou acoplar ao computador uma câmera para que os bilhetes sejam emitidos com a foto do passageiro impressa em quadricromia. Seriam, pelo menos, mais 60 segundos por passageiro...''

E pôs-se a fazer contas, incorrigível.''

Fonte: O Estadão

FRASES ILUSTRADAS

quinta-feira, 30 de julho de 2020

FICA COMBINADO ASSIM

FICA COMBINADO ASSIM
Carlos Brickmann

Bolsonaro erguer uma caixinha de hidroxicloroquina com os braços estendidos acima da cabeça, como Bellini, que celebrizou o gesto ao festejar nossa primeira Copa do Mundo, é ridículo. Insistir em louvar a hidroxicloroquina para as emas é ainda mais ridículo. Devolver ao Governo Federal a hidroxicloroquina que receberam de presente, como fizeram alguns Estados, é tão ridículo quanto. E nocivo: a hidroxicloroquina é remédio padrão para malária, para lúpus, usada nestes casos há mais de 70 anos. Deixar os pacientes à míngua, ou pagando o triplo, é inaceitável, além de ridículo. Pode-se ir mais longe: se o médico prescreve hidroxicloroquina e o paciente concorda, por que impedi-los de combater a Covid de seu jeito?

Há uma explicação lógica para a devolução da hidroxicloroquina à União. Os três milhões de doses que o Brasil ganhou de Trump e da Novartis vieram em cartelas de cem comprimidos, que deveriam ser fracionadas em cartelas de menos de cinco comprimidos. É tarefa para um exército de farmacêuticos, e cara. Como não havia verba para o fracionamento, devolveu-se o remédio.

É uma explicação simples, lógica e imbecil. Se o remédio veio de graça, que se enviem as cartelas às farmácias populares para distribuição gratuita. E sejam entregues aos médicos que as solicitarem. O que não se admite é deixar sem remédio que dele necessita – para malária, lúpus ou coronavírus.

Chega de política partidária em Saúde. Deixem o médico trabalhar.

Fonte: http://www.chumbogordo.com.br
O meu pai ensinou-me a trabalhar; não me ensinou a amar o trabalho. (Abraham Lincoln)

LUGARES

ROUEN - FRANÇA
Rouen é uma cidade localizada na região histórica da Normandia, no noroeste da França. Uma das mais prósperas cidades do norte europeu na Idade Média, Ruão é, hoje, a capital da região francesa da Alta Normandia. Quando a cidade estava sob o controle dos ingleses que foi aprisionada e executada Joana d'Arc, em 30 de maio de 1431.

NÃO TROPECE NA LÍNGUA





OMISSÃO DAS PREPOSIÇÕES EM E DE

A questão de hoje é suscitada por uma pergunta da leitora Sandra Regina Martins, de Florianópolis/SC, já que “não achei nas consultas que fiz a expressão no momento que. Escrevo dessa forma ou no momento em que?”

Em primeiro lugar, a elipse da preposição é uma liberalidade da língua nos adjuntos adverbiais de tempo, sobretudo na fala. Podemos dizer de uma ou de outra maneira:
  • Neste ano / Este ano mudaremos de casa.
  • Chegarei no sábado / Chegarei sábado.
  • B dia 10 / Dia 10 teremos Lua Cheia.
  • Domingo próximo / No próximo domingo voltaremos.
  • O resultado sai esta semana / nesta semana.
  • Na terça-feira / Terça-feira o programa se repete.
Da mesma forma, a preposição em também pode ser omitida antes do pronome relativo que quando este introduz uma oração temporal. São exemplos clássicos:
  • Neste tempo que as âncoras levamos... (Camões)
  • No instante que sucedeu o que vos citei... (A. Garret)
  • No tempo em que o lobo e o cordeiro... (Bernardes)
  • No momento em que se quis erguer... (A. Herculano)
Como se vê, o uso da preposição em frases desse tipo não é questão de certo/errado, mas sim de escolha por conveniência ou bom ouvido. Na dúvida, contudo, ou num texto formal, é sempre melhor usar a preposição. Exemplos atuais:
  • No tempo (em) que Sarney era presidente, a inflação corria solta.
  • Todos se levantaram na hora (em) que o imperador Hiroito falou.
  • No momento (em) que os discípulos se aquietaram, o mestre desapareceu.
  • No/O dia (em) que eu souber de uma falha sua, ficarei desapontado.
Fora desse caso relacionado a "tempo", a preposição diante do pronome relativo é obrigatória na linguagem culta formal (V. Não Tropece na Língua 9).

CERTO (DE) QUE

Também a preposição DE é facultativa ao introduzir uma oração: (1) completiva nominal ou (2) objetiva indireta. Vale dizer que depois de adjetivos como certo/seguro/ansioso ou substantivos como esperança/receio/medo (no caso 1), ou de verbos transitivos indiretos que regem a preposição DE, como duvidar/lembrar/convencer-se (no caso 2), muitas vezes a preposição DE é omitida, especialmente na linguagem falada. Exemplos:
  • Caso 1 - Estou certo (de) que seremos bem-sucedidos.
  • Estamos convencidos (de) que ele virá.
  • Estava ansioso (de/para) que ele viesse.
  • Tenho esperança (de) que meus colegas concordem.
  • Temos certeza (de) que nosso time vencerá.
  • Temos receio (de) que ela não passe no vestibular.
  • Tenho conhecimento (de) que ela foi aprovada.
  • De Machado de Assis, sem a preposição: Já achava o Elisiário à minha espera, à porta, ansioso que eu chegasse.
  • Caso 2 - Convenceu-se (de) que a situação vai melhorar.
  • Lembre-se (de) que nada é perfeito.
  • Esqueceu-se (de) que já havia comentado o caso.
  • Assegurei-me (de) que nada faltaria.
  • Duvido (de) que eles reatem o namoro.
  • Torço (para) que ele volte.
Fonte: www.linguabrasil.com.br

FRASES ILUSTRADAS

quarta-feira, 29 de julho de 2020

A PANDEMIA E A REVOLUÇÃO URBANA

A PANDEMIA E A REVOLUÇÃO URBANA
Claudia Aragão Soares*

O mundo está vivendo uma revolução irreversível. A pandemia pressionou e as sociedades passaram a aplicar subitamente, e em larga escala, os recursos da tecnologia digital que vinham sendo utilizados apenas por uma parcela da população. A necessidade de se manter o mercado em atividade alterou rapidamente muitos paradigmas nas relações com o trabalho e com a Urbe…

Ainda não estamos na pós-pandemia. Estamos nela e não sabemos por quanto tempo mais. Esperemos que não muito. O que isso tem a ver com o urbanismo ou a cidade? Tem tudo a ver. A cidade é o resultado dos modelos de infraestrutura que as condicionam às demandas sociais e econômicas. Há tempos, as infraestruturas demandadas eram sinônimo de estradas, saneamento, energia, entre outros insumos. Agora o fator condicionante tende a ser, cada vez mais, a infraestrutura digital. A necessidade do isolamento social forçou uma camada da população a mudar os hábitos do cotidiano. De um dia para outro passamos a realizar as nossas atividades em casa e completamente dependentes das plataformas digitais.

Tais plataformas, inclusive já vinham mudando hábitos, como o Airbnb que surgiu na crise de 2008 e a ameaçou a comunidade hoteleira, os Delivery que ameaçam constantemente os restaurantes tradicionais, a Netflix que ameaça os cinemas (e, de alguma forma até as academias de ginástica). Ou seja, o que se vê é a estrutura digital ameaçando a estrutura física. Mas não parece admissível que um deva ou vá suprimir o outro. Precisamos de uma conectividade entre o físico e o digital. No século XIX os principais movimentos do planejamento urbano surgiram como resposta às necessidades de caráter higienista ou sanitarista.

Hoje, mais que nunca, precisamos de um planejamento urbano eficaz para criar uma boa infraestrutura que, para além de físico tenha em conta a importância do papel desempenhado pela infraestrutura digital, o que poderá representar, por consequência, algo determinante na democratização do espaço urbano e da sociedade. Na verdade, apenas as guerras, terremotos e pandemias são capazes de criar ou provocar momentos de rupturas transformadoras das cidades. Demandam respostas velozes para súbitas novas realidades.

Este é, com certeza, um bom momento para refletir, colher dados gerados por esta pandemia e, desde logo, absorver reflexões de novos hábitos na vida nas cidades. Até porque alguns deles vieram para ficar. Para isso temos que analisar o que mudou apenas porque realmente era uma emergência, o que veio para ficar apenas circunstancialmente, e o que efetivamente serão consideradas mudanças.

A infraestrutura digital chegou para mudar hábitos e rotinas num tempo mais veloz que as evoluções da infraestrutura física. Sugere a necessidade de ser implementada nas cidades (e demais territórios), principalmente onde exista a prevalência econômica da equação trabalho e renda. A “oportunidade” de se reduzir significativamente as necessidades de deslocamentos casa-trabalho tende a ser um foco do novo modelo de ocupação do território. Indaga-se nesse momento quais serão as novas tendências da ocupação do território, se vai haver concentração ou a dispersão, e o que as cidades querem para si próprias no “novo normal”.

Alguma coisa já mudou. Percebemos algumas movimentações no campo da estrutura física que se alterou pela chegada da estrutura digital. Quando grandes empresas foram forçadas a usar plataformas digitais para continuar seu trabalho remoto e viram que funcionou muito bem e que, mesmo com toda a dificuldade do stress da pandemia e com a pouca estrutura doméstica, com filhos, netos, etc, tiveram até aumentos de produtividade e constataram que as relações de trabalho funcionaram perfeitamente por estes caminhos, as corporações começaram a questionar os custos relacionados à manutenção do espaço físico.

Em São Paulo, grandes empresas entregaram prédios inteiros e isso provavelmente acontecerá no mundo inteiro. É evidente que os espaços físicos não irão sumir. Porém, claramente tendem a diminuir. E o que acontecerá com esses tantos edifícios que poderão ver suas ocupações significativamente reduzidas? Serão readaptados? Que uso terão?

Só no Recife, um recente estudo identificou cerca de 450 edifícios empresariais. A verdade é que se no começo do isolamento a adaptação à rotina de home office foi difícil, passados três a quatro meses muita gente refletiu e provavelmente contabilizou inúmeros benefícios por trabalhar em casa ou bem próximo a ela.

Falamos aqui de um trabalho que é tipicamente de escritório, porque sabemos que uma grande parcela da população não teve condições de fazer sequer a quarentena e nem home office. E essas pessoas precisam estar incluídas na transformação da cidade e terem acesso a infraestrutura física e digital, senão nunca teremos uma cidade inteligente. O fato é que a dinâmica casa-trabalho poderá ter mudado de forma radical.

A pessoa pode não querer trabalhar exatamente na sua casa, mas desejar morar perto do espaço onde trabalha. Ainda que esse novo espaço seja uma extensão ou espécie de filial da matriz onde tradicionalmente trabalharia (que pode deixar de existir). Novos horizontes se abrirão no mundo laboral e o trabalho presencial poderá ser opcional mais cedo do que se imaginava.

O impacto na mobilidade urbana pode ser imediato: menos desperdício de tempo com deslocamentos viários ou aéreos entre cidades e regiões. As reuniões por teleconferências mostraram-se tão eficazes quanto as suntuosas mesas de conselhos administrativos. As agendas presenciais seriam dispensáveis a partir dessa nova realidade pós pandemia. Podemos inclusive supor que a peste do século tenha vindo para reforçar e agilizar as ideias de ordenamento dos planos diretores das cidades que tentam fazer com que a ocupação do centro tradicional seja mais plural e desejam colocar mais habitação onde há mais serviços e onde já se sabe que ao se criar novas centralidades haverá menos mobilidade.

Adivinha-se que os movimentos pendulares casa-trabalho tendam a ser cada dia menos relevantes no dia a dia das cidades (particularmente nas de maior dimensão). Como se sabe, um plano diretor indica diretrizes e estratégias que a cidade precisa para crescer em harmonia com a concepção dos planejadores, criando normas e induzindo o mercado.

Mas, e se os dados científicos ou os órgãos de saúde influenciarem a criação de novas normas técnicas de construção nesse novo normal? E se as mudanças nas normas de ABNT, NBR e ISOS forem redimensionadas, como por exemplo para o uso de elevadores? Quantas pessoas devem trabalhar num determinado espaço? Como se podem criar distintos ciclos de trabalho diminuindo picos de afluência de transportes públicos? Que impacto teremos na economia, no gerenciamento do espaço, e na produção do mercado imobiliário no futuro?

Nesta relação de home office o espaço público exercerá um papel de socialização muito importante e terá que ser bem tratado. No entanto, será que estamos dispostos a mudar de atitude e redimensionar os espaços? No jornal El País eles enumeraram as dez tendências para o mundo pós pandemia: Revisão de crenças e valores; Menos é mais; reconfiguração dos espaços do comércio; novos modelos de negócios de alimentação; experiências culturais imersivas; trabalho remoto; morar perto do trabalho; shopstreaming; busca por novos conhecimentos e educação à distância.

O mundo está vivendo uma revolução irreversível. A pandemia pressionou e as sociedades passaram a aplicar subitamente, e em larga escala, os recursos da tecnologia digital que vinham sendo utilizados apenas por uma parcela da população. A necessidade de se manter o mercado em atividade alterou rapidamente muitos paradigmas nas relações com o trabalho e com a Urbe. Ingressamos num novo ciclo como consequência da ameaça de um vírus mortal. Somos, nesse momento, seres em plena evolução de costumes. Torcemos que para melhor.

*Claudia Aragão Soares – Especialista em questões urbanas. Arquiteta pela UFPE, com passagens pela Europa. Integra a equipe do cientista político, PhD em Ciência Política por universidade de New York e vereador do Recife, André Régis. O tema foi discutido em recente seminário da equipe.

Fonte: http://www.chumbogordo.com.br
Os professores ensinam para ganhar dinheiro e não se esforçam pela sabedoria, mas pelo crédito que ganham dando a impressão de possuí-la. E os alunos não aprendem para ganhar conhecimento e se instruir, mas para poder tagarelar e ganhar ares de importante. (Schopenhauer)

LUGARES

ALBEROBELLO - ITÁLIA
Alberobello é uma comuna italiana da região da Puglia, província de Bari. É conhecida pelo seu conjunto de trulli, construções de telhado cônico características daquela região, considerado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO desde 1996.

O ANALISTA DE BAGÉ

OUTRA DO ANALISTA DE BAGÉ

Embora ele só fale, como ele mesmo diz, “inglês pra comprá boi”, o analista de Bagé causou alguma sensação num recente congresso de psicanalistas nos Estados Unidos quando relatou, sem a ajuda de intérprete, sua experiência pessoal com a trasnsferência durante a análise.

Contou que estava tratando de um complexo de Édipo “mais entravado do que carteira em bolso de sovina”. Ou como disse the wallet in the pocket of the hard Bread. O índio gostava da mãe uma barbaridade. O analista de Bagé sabe que durante uma sessão de análise o analista deve falar o menos possível mas não se conteve nas bombachas. Tentou convencer o cliente a abandonar aquela sua obsessão. Era um amor sem futuro.

- Pra começar, ela já é casada e tem um filho da tua idade.

Também apelou para a sua vaidade. Ele era um rapaz boa-pinta e a velha já estava “meio passadita”. Ninguém ia dizer que o romance era por interesse, “porque herdeiro tu já é, mas ia pegar mal”.

Com o tempo, e ouvindo argumentos como estes, o cliente foi deixando de falar na mãe. Até que ficou uma sessão inteira sem tocar uma vez no nome dela. Foi quando o analista de Bagé, lhe passando a cuia de chimarrão, anunciou:

- Pos acho que te curei, tchê.

- Sim, mãe – disse o cliente.

- Que disse?

- Eu disse “sim, mãe”.

Era a transferência. O analista de Bagé ainda tentou lhe chamar à razão:

- Tê fresqueia!

Mas não adiantou. Por mais que o analista insistisse que não era sua mãe, que não não usava costeleta e bigode, o cliente não se convencia. Continuava tentando sentar no seu colo.

E sempre que chegava no consultório dava dois beijos no analista. Mas um dia chegou e foi recebido com um cascudo na cabeça.

- Ai!

- Isto é pra aprendê a não sujar meu pelego.

- MaS MÃE! Tinha barro nos sapatos e... Ai!

Levou outro cascudo para aprender a não responder. Daí em diante, recebia cascudo por qualquer coisinha. A única concessão que o analista de Bagé fazia era lhe dar um lanche no meio da sessão.

O homem finalmente desistiu. Ficou curado também da transferência. Hoje odeia a mãe e leva uma vida normal. Para os psicanalistas reunidos no congresso, o analista anunciou que filho se tratava a croque. E diante da plateia boquiaberta, mostrou o instrumento terapêutico, o punho cerrado com um dos dedos mais saliente do que os outros.

- Look: the crock.

(VERÍSSIMO, Luis Fernando. O Analista de Bagé, Porto Alegre : L&MP Editores, 1995, p. 144)

FRASES ILUSTRADAS

terça-feira, 28 de julho de 2020

DA PARALISIA CELEBRAL À MILITÂNCIA

DA PARALISIA CELEBRAL À MILITÂNCIA
* Emílio Figueira

Quando fiquei com paralisia cerebral durante o meu parto no final dos anos 1960, com sérios danos na fala e na coordenação motora, para grande parte das pessoas eu já estava com o meu destino traçado: ser dependente das outras pessoas, isolado dentro das instituições. Ainda mais naquela época em que nós, pessoas com deficiência, vivíamos totalmente excluídos da sociedade. Como conto no meu recém-lançado livro “O Caso do Tipógrafo – Crônicas das minhas memórias”, vivíamos uma época que os estudos e técnicas de tratamentos ainda engatinhavam. Por cinco anos usei aparelhos em quase todo o corpo para ele endurecer. Assim fiz parte de muitos outros experimentos e pesquisas no início dos anos 1970.

Alguns médicos chegaram a dizer que eu nem seria alfabetizado. Só que meus pais não acreditaram nisso e me ensinaram a ler e escrever aos cinco anos de idade. E, ao descobrir o mundo das letras, se minha vida fosse uma fábula, eu começaria assim: era uma vez um menino que, aos cinco anos, já escrevia seus primeiros textos e dizia que seria um escritor.

No final dos anos 1980, ao deixar essa cidade e ir morar em outra bem maior, eu estava sem rumo. Passei por algumas entrevistas até chegar à psicóloga. Ela começou me criticando duramente por não andar sozinho pela cidade, mas eu tinha acabado de sair de uma cidade com seis mil pessoas para viver em outra com trezentos e vinte mil habitantes. Tudo ainda era muito novo e assustador para mim. À certa altura, ela me perguntou o que eu gostaria de fazer. Expliquei-lhe que era um jornalista e desejava dar continuidade a isso. Ela me disse secamente: “Você precisa tomar consciência que é um deficiente e por isto não pode ser um jornalista!” Eu simplesmente desejei-lhe um bom dia, levantei-me e nunca mais voltei lá.

Hoje muitas pessoas se espantam ao saberem que, mesmo com paralisia cerebral, tenho três graduações, cinco pós-graduações e dois doutorados. Tenho mais de 80 livros editados, 98 artigos científicos publicados. E, enquanto jornalista, já publiquei mais de 500 textos. Grande parte voltados às questões humanitárias!

Hoje moro novamente em São Paulo e há sonhos que nunca morrem. E vou continuar a alimentá-los mesmo conhecendo todos os meandros e dificuldades da minha profissão! Àquela psicóloga que nem de longe representa o pensamento de nossa categoria, pediu-me para ter consciência que eu era um “deficiente”. Porém, ao longo da minha existência, preferi ter a consciência que, como qualquer pessoa que sonha e vai buscar seus objetivos, sou totalmente capaz! O importante é que aquele menino limitado por sua paralisia cerebral, alfabetizado aos cinco anos e que queria ser escritor, nunca deixou de sonhar!

*Emílio Figueira é jornalista, psicólogo, palestrante e escritor

Fonte: http://fernandoalbrecht.blog.br/da-paralisia-cerebral-a-militancia/
Quem se está afogando não repara naquilo a que se agarra. (José de San Martin)

LUGARES

CHENONCEAUX - FRANÇA
O Castelo de Chenonceau (em francês, "Château de Chenonceau"), também conhecido como Castelo das Sete Damas, é um palácio localizado na comuna de Chenonceaux, departamento de Indre-et-Loire, na região do rio Loire, a Sul de Chambord, na França. O primeiro castelo foi construído no local de um antigo moinho, em posição dominante sobre as águas do rio Cher, algum tempo antes da sua primeira menção num texto, no século XI. O atual palácio foi construído pelo arquitecto Philibert Delorme, e a sua história está associada a sete mulheres de personalidade forte, duas das quais rainhas de França. (Cfe. Wikipédia)

NO AUTOMÓVEL ERRADO...

Charge de Gerson Kauer
O casal recém formado entrou em um carro para uma rapidinha - no estacionamento de uma festa ´rave´, nos arredores da cidade grande gaúcha. Logo vieram os amassos, os sussurros etc.

Quando descansavam da sessão aeróbica desempenhada em apertado espaço geográfico-automobilístico, os dois foram presos porque, ao naturel, estavam no... veículo errado!

O homem, 23 de idade, estacionara horas antes o Fiat Pálio, locado, ao lado de outro carro de mesmas marca e cor. Como a chave (que azar de coincidência!) funcionava em ambos os veículos - e a parceira e ele se encontrassem "altos" - ingressaram no veículo errado. 

Ainda ofegantes, curtiam a fase gostosa do pós - quando foram descobertos pela verdadeira dona do veículo invadido, acompanhada dos seguranças da festa e da PM. Todos foram parar na delegacia, onde o delegado enfrentou a dúvida: como tipificar, no Código Penal, o ingresso erótico ou pornográfico em carro errado?

Sem saída jurídica para o quiproquó, o policial mandou lavrar um termo circunstanciado "por ato libidinoso praticado no interior de bem alheio, em local público".

O rolo - já sob a forma de processo - foi parar no JEC Criminal. O juiz ouviu os personagens - ele estudante de Engenharia, ela estudante de Enfermagem, recepcionista de notória clínica de cirurgia plástica. Sem delongas, o magistrado convenceu-se de que estava diante de um delito de menor potencial ofensivo. E - tal qual sexólogo - discorreu sobre a conveniência de "o amor ser praticado em recôndito privado e seguro - e certamente mais confortável do que um carro popular". 

O par concordou em pagar uma cesta básica. O advogado, que a ambos defendeu, confidenciou a colegas que seus clientes estabeleceram duas premissas - e um quase silogismo: "1) Carro popular é coisa para estudante pobre; 2) A bordo de um Corolla, ou de um Honda Civic sempre haverá mais substância, mais conforto e sem o risco de entrar em carro errado; 3) A próxima rapidinha será num...Mercedes Benz - nem que seja alugado". 

O processo já foi para o Arquivo Judicial. 

Fonte: www.espaçovital.com.br

FRASES ILUSTRADAS

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Ninguém é suficientemente competente para governar outra pessoa sem o seu consentimento. (Abraham Lincoln)

LUGARES

TOLEDO - ESPANHA

MEU MUNDO, MEU PERIGO

Por Fernando Albrecht

Quando eu era menino e já encaminhando para a adolescência, meus temores eram os mesmos de todos, eu acho: medo do mundo. À medida que fui crescendo e lendo cada vez mais, passei a temer doenças e a III Guerra Mundial. No primeiro caso era a tuberculose, tétano – perdi um irmão que não conheci, o Mario para esta terrível doença – e a então chamada lepra.

Basicamente eram essas, mais o estresse normal desta idade de crescimento. Em uma ocasião, fui picado no polegar por uma cobra. Meus pais tinham viajado, então apelei para uma senhora de São Vendelino que fazia remédios com ervas. Fiquei mal por três dias, mas passou.

Quando comecei a ler mais sobre bomba atômica, meus temores se estenderam para os efeitos da radioatividade. Quem viu a série Chernobtl vai me entender. Foram os tempos da guerra fria.

A literatura sobre o fim do mundo, a chegada do Apocalipse me pegou de cheio por causa da Igreja Católica. Mas antes disso, o medo maior foi o inferno

Os padres adoravam falar nele. Via de consequência, o medo maior era virar espetinho de gente com direito a espetadas de salmoura na churrasqueira de Belzebu.

Vocês mais jovens não têm ideia do pavor que a Igreja inculcou nas crianças e adolescentes. Dava a impressão que seriam queimadas para todo o sempre, mesmo se confessando, algo como estar amparado por liminar.

Resumindo, meu maior medo era o inferno da Igreja Católica. Nunca cheguei a pensar em pandemias ou algo assim.

Hoje a temos. Moral: mudam os tempos e a idade, sempre vivemos com algum tipo de medo. O inferno é aqui.

Fonte: http://fernandoalbrecht.blog.br

FRASES ILUSTRADAS


domingo, 26 de julho de 2020

O DESEMBARGADOR QUE RASGA MULTA É COMO VOCÊ E EU

O DESEMBARGADOR QUE RASGA MULTA É COMO VOCÊ E EU
Por Marcelo Dias

Preparem a pipoca: nos próximos dias o esporte nacional brasileiro vai ser esculhambar o desembargador Eduardo Siqueira, aquele que ofendeu guardas municipais de Santos. Se vendesse camisetas com a frase “100% contra o Siqueira” eu ficaria rico. E está todo mundo certo em se revoltar com o sujeito, já que ele ultrapassou todos os limites da petulância. Tô com vocês. Se for ele penalizado, quero soltar rojões, como se fosse um gol da justiça social. Vai Brasil-sil-sil!

Só tem um problema: todos nós somos um Siqueira em potencial. Vai ver é porque somos um país que, além de absurdamente desigual, também é moralmente falido. Como nação não temos muito do que nos gabar. Então esnobar tornou-se uma necessidade individual para alimentar a nossa autoestima. Toda e qualquer chance de subir nas tamancas e ficar alguns centímetros acima dos outros acaba sendo aproveitada.

Eu vejo exemplos quase diários disso. É só prestar atenção no motorista de ônibus. Ele é xingado por todos, do playboy do carrão à faxineira que dorme no banco da frente. Uma freada fora de hora e todos exibem sua posição na pirâmide social: o motorista é tratado como serviçal do senhor e senhora “Eu pago os meus impostos”.

Balconistas? São tratados como “dalits” de nosso sistema de castas. Já vi um marmanjo de cabelos brancos dar chilique com o atendente de uma bomboniere de cinema, só porque o rapaz se recusou a carregar os sacos de pipoca do sultão. O rapaz tentou, em vão, explicar: ele não podia abandonar o caixa. O sultão saiu bufando com cara de “como ousa?” Garçons? Já vi cliente jogando prato no chão de raiva. Vendedor de celular? Palavrão e dedo no rosto.

Não estou exagerando. Se todos nós fôssemos acompanhados por câmeras, o Datena ficaria 24 horas no ar berrando “imagens, eu quero imagens!”. E, não, não é só coisa de reaça ou de elite. É geral. Parece estar no sangue de qualquer brasileiro. Do barbudinho hipster de coque à sua vizinha de lenço na cabeça. Esnobar é coisa nossa.

Você duvida? Há alguns anos eu fiz uma reportagem em uma comunidade da Zona Leste de São Paulo. Um terreno invadido que foi aos poucos se legalizando e se urbanizando, mas de forma desigual. Os próprios moradores me contaram como é a “divisão de classes” do local. Próximo a uma avenida, em uma faixa mais urbanizada e com casas de alvenaria, ficam “os da frente”. E que esnobam “os do fundo”, que moram em casebres de madeira a beira de um córrego. É pobre esnobando miserável.

E eu devo ter vários exemplos meus, também. São ridículos, mas eu os escondo sob camadas profundas de vergonha. Só conto para minha analista. E você também deve ter os seus. Não precisa me dizer. Eu te entendo: é um vício jeca nosso. E quando dá, a gente esconde.

Por isso, sim, o desembargador merece punição. Mas é bom assumirmos que ele é apenas um bode expiatório, uma espécie de “grande réu branco” que queremos ver exposto apenas para redimir nossa própria arrogância.

Quanto mais cedo combatermos o Siqueira que há em nós, mais cedo temos a chance de ter um país de verdade nas mãos.

Fonte: https://www.revistabula.com

A INVEJA DE UM AMIGO

A INVEJA DE UM AMIGO É PIOR QUE O ÓDIO DE UM INIMIGO
Por: Sara Espejo

A inveja se manifesta como um sentimento de ressentimento, antipatia ou ciúme pelo que outra pessoa tenha conseguido ou mesmo pelo que essa pessoa representa, quando o outro se ver limitado para conseguir alcançar ser o que a pessoa é ou ter o que ela tem.

A inveja que parte de um amigo é uma das mais tóxicas, porque raramente será identificável, ninguém se sente orgulhoso de sentir inveja e, desde que ele possa evitar ser descoberto, melhor. Mas no caso de amigos, eles geralmente têm um grau de influência sobre nós, são livres para dizer ou “nos” ajudar a resolver algumas coisas, e conscientemente ou inconscientemente, poderiam estar sabotando nossas ações por seus desejos ocultos.

São poucas as pessoas que sentem satisfação real com as conquistas dos outros e até mesmo muitos podem até se alegrar com nossos problemas, incluindo nossos amigos e inimigos, pois, ser bem sucedido é uma coisa que incomoda… Embora todos estejam razoavelmente nivelados, as coisas fluirão melhor para a maioria, de acordo com percepções egoístas.

Quando alguém começa a se destacar em qualquer uma de suas áreas, aqueles que olham ao seu redor, a menos que coloquem um benefício associado a essa decolagem, normalmente estarão desejando que os que o rodeiam estejam bem, mas não melhor que eles. São poucos os que, honestamente, de coração aberto, podem mostrar alegria pelo bem que os outros recebem.

É por isso que quando ouvimos nossos amigos, precisamos colocar muitos filtros, porque suas recomendações podem ser alinhadas apenas com o que os faz se sentir melhor ou se adequam de alguma forma.

A inveja é muito frequente e se manifesta de mil maneiras, sua energia é sempre negativa e muitas vezes quem sente não se sente capaz de reconhecê-la. A maioria deles vive de alguma forma comparando suas vidas com as dos outros e sentindo-se superior a alguns e inferior aos outros. Se investissem essas energias no crescimento, em se apaixonar por suas vidas, não precisariam estar tão conscientes dos eventos da vida de outra pessoa e, provavelmente, sua qualidade de vida melhoraria consideravelmente.

Fonte: https://www.pensarcontemporaneo.com

OS TRÊS TREMORES

 'O Sole Mio
Eros Ramazzotti 
Lucio Dalla 
Gianni Morandi

Encanto é o que alguns têm até que começam a acreditar que, de fato o têm. (Simone de Beavouir, escritora francesa, 1908-1986)

LUGARES

SANTO ANTONIO DE LISBOA - FLORIANÓPOLIS
 

MÚSICOS DE RUA

Partimos de Saint Malo antes das 9,00 hs da manhã, já que teríamos mais de 200 km até chegar à próxima base: Quimper. Pensávamos curtir a paisagem mas a neblina baixa não permitiu. Somente a poucos quilômetros do nosso destino é que o sol apareceu. Bem, aí ele disse a que veio - acho que a temperatura superou os 30 graus. No Ofício de Turismo recebemos os mapas e demais informações e partimos para o almoço. O prato do dia era peixe com acompanhamentos diversos, com destaque para uma cebola agridoce, parece que cozida no vinho. Para acompanhar, uma cerveja vermelha, com baixo teor alcoólico e um pouco adocicada. Uma delícia! Depois aproveitamos para conhecer um pouco do centro da cidade.

Numa esquina havia um rapaz fazendo variações diversas no sax alto. É admirável a quantidade de excelentes músicos de rua encontrados em grande parte das cidades europeias. Depois de uma breve audição, deixei uma moeda, como sempre faço, e depois falei: 

- Stan Getz! 

Ele entendeu e sorriu e quando estávamos um pouco distantes ouvi o som de Garota de Ipanema. Agradeci com um aceno e nos afastamos, ouvindo as variações e floreios sobre o tema. O sujeito sabia tudo de sax. 

Os músicos de rua fazem do seu talento o próprio meio de vida. Isto me faz pensar nas dificuldades por eles enfrentadas Sem plateia e sem faturamento em tempos de pandemia, principalmente nos meses de inverno.

FRASES ILUSTRADAS

sábado, 25 de julho de 2020

VACINA: VAI FUNCIONAR CONTRA RAIVA?

VACINA: VAI FUNCIONAR CONTRA RAIVA?
Marli Gonçalves

Mais do que uma vacina contra o coronavírus precisaremos insistentemente apelar aos cientistas e pesquisadores de todo o mundo para que, por favor, também desenvolvam vacinas, fórmulas, indicação de ervas ou remédios eficazes contra a loucura humana nesse período alucinante que vivemos. E pra que não tenhamos raiva do que aconteceu, acontece e terá repercussão durante ainda longo tempo. Não está fácil, especialmente por aqui, acompanhar o andar dessa carruagem desgovernada.

Todos os dias tentamos acompanhar e entender gráficos, tabelas, cálculos, dados móveis e imóveis, flechinhas coloridas apresentadas sobre as tais últimas 24 horas. Um leve ar alegre dos apresentadores tentando passar algum otimismo informa, enfim, termos alcançado um platô, o cume. Mas quando vamos ver com atenção é apavorante, o cume do terror – como tão bem definiu claramente um especialista, essas curvas e tendências nos mostram nada mais do que uma “assinatura do fracasso”. Lá em cima. Mais de mil mortes dias seguidos, outros milhares de contaminados dia após dia. Isso contando só números oficiais, que todo sabem bastante defasados.

Os dados mostram números ora estacionando, ora dando pequenas marcha-a-ré, ou engates de primeira, como se fosse algum teste de direção para tirar habilitação. Como não diria, ou diria, Michel Temer, “não tem de manter isso aí”. O tal platô está lá no alto, não tem o que comemorar, relaxar. Mas não é o que o parece ser entendido como informação para a população deste nosso país atrasado, com tal ignorância de consciência social e de coletivo, além da sua enorme população tão carente de recursos que exigir compreensão, “protocolos” e mais sacrifícios chega a ser surreal e malvado.

E daí? E daí que é como se alguém embaralhasse de tal forma as informações, que ninguém sabe direito ou tem segurança é de mais nada. Vêm sendo liberadas atividades aqui e ali, as pessoas já estão tomando as ruas, o trânsito, os problemas do velho normal agora somam-se aos do tal novo normal. Tudo parece meio chutado. Uma coisa pode abrir cinco horas, outras oito. outras só de dia; ambulantes podem, e já invadem com suas máscaras penduradas no queixo as calçadas das grandes cidades. Tanto pode e não pode como se houvesse alguma fiscalização real sobre o cumprimento dos tais protocolos. Tenho vontade de rir quando ouço falar em multas, punições de estabelecimentos; coitados dos quatro ou cinco escolhidos como flagrados, para dizerem que estão agindo. A real é que a Casa da Mãe Joana está com as portas abertas, escancaradas. E a economia, pálida, sem energia.

Enquanto isso, dá para acreditar? Não sei se temiam a reação ou alguma revolução popular nacional se não acenassem logo com nova data, transferiram o Carnaval de 2021, que cairia de 12 a 16 de fevereiro, e remarcaram para maio do ano que vem. Ou junho, ou julho, ou agosto, sabe-se lá. Então, combinado: em maio do ano que vem, junto com noivas e mães, arlequins, pierrôs, colombinas, unicórnios, e um pouco mais de dias, que se junte logo às festas juninas, com seus alegres caipiras e quadrilhas. Só não fizeram o papel ridículo total porque ainda, pelo menos ainda, apenas cancelaram as festas da passagem do ano, não tentaram mudá-las de data. Mas não duvidem. Agora não duvido é de mais nada. Depois de transferirem, deslocarem, o Carnaval, tudo pode acontecer.

Datas, todas, inclusive, que dependerão sempre, exclusivamente, da existência de uma vacina. Vacina que a ignorância da negação já ataca, de antemão, com os mais estapafúrdios argumentos.

Enquanto isso um presidente infectado com o vírus passa as tardes pensando como vai aparecer para nos aborrecer um pouco mais, tinhoso que é. Corre atrás de uma ema em seu jardim encantado. Empunha nas mãos uma caixa de cloroquina, da qual aliás não se desgruda mais, e um dia saberemos a verdade atrás dessa história – como um maluco, esperando tomar mais alguma bicada, ser confundido com um prego. Sem ter ao que parece nada o que fazer – nesse desesperador momento – vai passear de moto, parando para conversar bem de perto e sem máscara com os serviçais de seu palácio. Vive em outro mundo, assim como alguns de seus ministros irreais. O da Saúde, general interino, disse, repito, disse, falou, eu ouvi, você também deve ter ouvido, que assintomáticos não transmitem os vírus para outros, fora ignorar todos os alertas que recebeu e tudo que a Ciência propõe. E ainda tem o ministro Imposto Ipiranga querendo mais…impostos! E queimadas, e o mundo perplexo, e o tempo passando.

Não bastasse já estarmos precisando conviver com a gente mesmo de uma forma que jamais imaginávamos, e que é tão difícil, não temos um dia de paz, nem um dia que não nos envergonhemos de alguma fala, ato, decisão, ou que não tenhamos de fazer de conta que tudo isso vai passar logo. Não tem nem um dia em que não passamos pelo sentimento que tanto mal pode fazer, principalmente por nos sentirmos imobilizados e impotentes: raiva. Ainda não estamos babando, mas falta pouco.

Precisamos poupar energia para pedir uma vacina também contra isso, contra eles. E essa fórmula não parece que será dada nas próximas eleições, que essas – interessante – ninguém teve coragem de cancelar.

Fonte: http://www.chumbogordo.com.br
A verdadeira liberdade é poder tudo sobre si. (Michel de Montaigne, pensador francês, 1533-1592)

LUGARES

DRESDEN - ALEMANHA
Dresden  é uma cidade da Alemanha, capital do estado da Saxônia. Localiza-se nas margens do rio Elba. Tem 535 810 habitantes segundo censo de 2013. A cidade tem origem num povoado eslavo de nome Drezdane, que começou a ser germanizado no século XIII. Dresden tem uma longa história como capital e residência real dos Reis da Saxônia e é possuidora de séculos de extraordinária cultura e esplendor artístico.

O controverso bombardeamento de Dresden na Segunda Guerra Mundial em 1945 onde cerca de 35 mil pessoas morreram [carece de fontes] e quarenta anos de RDA mudaram a face da cidade dramaticamente.

Desde a reunificação Alemã, Dresden tem sido um importante centro cultural politico e econômico na parte este da República Federal Alemã.

Em Dresden surgiu o segundo curso de Fisioterapia do mundo, em 1918, sendo o primeiro surgido na cidade de Kiel, também na Alemanha. (wikipédia)

LIMITES DA TOLERÂNCIA

LIMITES DA TOLERÂNCIA
Leonardo Boff

Tudo tem limites, também a tolerância, pois nem tudo vale neste mundo. Os profetas de ontem e de hoje sacrificaram suas vidas porque ergueram sua voz e tiveram a coragem de dizer: “Não te é permitido fazer isto ou aquilo”. Há situações em que a tolerância significa cumplicidade com o crime, omissão culposa, insensibilidade ética ou comodismo.

Não devemos ter tolerância com aqueles que têm poder de erradicar a vida humana do planeta e de destruir grande parte da biosfera. Há que submete-los a controles severos.

Não devemos ser tolerantes com aqueles que assassinam inocentes, abusam sexualmente de crianças, traficam órgãos humanos. Cabe aplicar-lhes duramente as leis.

Não devemos ser tolerantes com aqueles que escravizam crianças para produzir mais barato e lucrar no mercado mundial. Aplicar contra eles a legislação mundial.

Não devemos ser tolerantes com terroristas que em nome de sua religião ou projeto político cometem matanças. Prende-los e condená-los duramente às barras dos tribunais.

Não devemos ser tolerantes com aqueles que, no afã de lucro, falsificam remédios que levam pessoas à morte ou instauram políticas de corrupção que dilapidam os bens públicos. Cada país impõe duras penas a esses criminosos. 

Não devemos ser tolerantes com as máfias das armas, das drogas e da prostituição que incluem seqüestros, torturas e eliminação física de pessoas. Há punições claras.

Não devemos ser tolerantes com práticas que, em nome da cultura cortam as mãos dos ladrões e submetem mulheres a mutilações genitais. Contra isso valem os direitos humanos.

Nestes níveis não há que sermos tolerantes, mas positivamente intolerantes, que implica sermos firmes, rigorosos e severos. Isso é virtude e não vício. Se não formos assim, não teremos princípios e seremos cúmplices com o mal.

A ilimitada liberdade conduz à tirania do mais forte. Da mesma forma também a ilimitada tolerância acaba com a tolerância. Tanto a liberdade quanto a tolerância precisam da proteção da lei. Senão assistiremos a ditadura de uma visão de mundo que nega todas as outras. O resultado é raiva, amargura e vontade de vingança, fermento do terrorismo.

Onde estão os limites da tolerância? No sofrimento, nos direitos humanos e nos direitos da natureza. Lá onde pessoas são desumanizadas, aí termina a tolerância. Ninguém tem o direito de impor sofrimento injusto ao outro.

Os direitos ganharam sua expressão na Carta dos Direitos Humanos na ONU, assinada por todos os países. Todas as tradições devem se confrontar com aqueles preceitos. Se práticas implicarem violação da dignidade humana, não podem se justificar. A Carta da Terra zela pelos direitos da natureza. Quem os violar perde legitimidade. 

Por fim, dá para ser tolerante com os intolerantes? A história comprovou que combater a intolerância leva à aspiral da intolerância. 

A atitude pragmática busca estabelecer limites. Se a intolerância implicar crime e prejuízo manifesto a outros, vale o rigor da lei e a intolerância deve ser enquadrada. Fora deste constrangimento legal, vale a liberdade. 

Deve-se confrontar o intolerante com a realidade que todos compartem como espaço vital. Deve-se leva-lo ao diálogo incansável e faze-lo pensar sobre as contradições de sua posição.

O melhor caminho é a democracia sem fim que se propõe incluir a todos e a respeitar um pacto comum social.

FRASES ILUSTRADAS

sexta-feira, 24 de julho de 2020

RETORNO ÀS AULAS

Por Dany Santos
Só acredita em retorno seguro sem vacina quem não sabe o que é escola

Só acredita na segurança da “volta às aulas com protocolo” quem nunca mais pisou numa escola desde que terminou os estudos. Na teoria, tem tapete sanitizante, álcool em gel e uso obrigatório de máscara. Na prática, tem um monte de criança com saudade dos amigos se abraçando, incomodada com a máscara e tocando nela o tempo todo, compartilhando lanche sem dar tempo de a professora interferir. Também tem empréstimo de borracha, tem falta de profissional de limpeza de banheiros — e às vezes não tem sabonete pra lavar as mãos. E mais: se não pode brincar, não pode ir pra quadra, não pode parquinho, não pode cantina, não pode e não pode, voltar pra quê? Pra criança se sentar, solitária, com uma máscara incomodando e só fazer os deveres? Escola é mais, muito mais que sentar-se longe dos amigos e só absorver conteúdos.

Mas os gestores das escolas, principalmente das particulares, precisam desse retorno. Não é seguro voltar, mas é preciso garantir as mensalidades. Mesmo que pra isso a gente coloque em risco as crianças e seus cuidadores, que em muitos casos são do grupo de risco.

Só acredita em retorno seguro sem vacina quem não sabe o que é escola.

Fonte: https://www.revistabula.com
A vida vai ficando cada vez mais dura perto do topo. (Friedrich Nietzsche)

LUGARES

DUBROVNIK - CROÁCIA

MR. MILES

Frágil como um vaso de porcelana

Depois de acompanhar a odisséia de seu velho amigo Sir Arthur Clarke rumo ao espaço, nosso insuperável viajante aproveitou a inesperada viagem ao Sri Lanka para praticar uma de suas atividades prediletas: o birdwatching. Com a ajuda de Riza Badurdeen, o melhor cicerone da ilha, dirigiu-se à Reserva Florestal de Sinharaja, área nomeada para a eleição das Sete Novas Maravilhas da Natureza. Após três dias de caminhada, observando e registrando o que chama de ordinary birds, por fim Mr. Miles foi premiado com a visão de um tordo de asas manchadas do Ceilão.

''Há décadas persigo este momento'', exultou nosso correspondente. ''Unfortunately, não consegui o foco adequado para o registro fotográfico. Mas a imagem do pássaro, for sure, está indelevelmente gravada em minha memória.''

A seguir, a carta da semana:

Olá, sr. Miles: gostaria de pedir seus conselhos para realizar uma viagem por conta própria à China para conhecer locais antigos, povão ainda não contaminado pelo mundo moderno, etc. Já aprendi inglês suficiente para manter uma boa conversação. Fernando Pompêo de Camargo, por e-mail.

''Fernando, my fellow: antes de mais nada, minhas desculpas por tardar em responder à sua consulta. Recebi ambos os e-mails (o segundo deles quite unpolished, isn''t it?), mas a confluência do acúmulo de questões com a exigüidade de espaço para respondê-las acarreta, unfortunately, inevitáveis delongas. Tenho algumas considerações sobre o seu projeto de viagem. Está cada dia mais difícil encontrar esta China que você procura. Embora ainda cuspam no chão e comam gafanhotos, os chineses vivem, nowadays, um furor capitalista semelhante ao que, décadas atrás, transformou milenares samurais japoneses em ávidos cantores de karaokê.

Existem, of course, redutos de uma China inocente nas áreas mais remotas do país. Não será fácil chegar a elas, entretanto. I''m very sorry to say, mas seu inglês não terá qualquer serventia em aldeias distantes. Eu mesmo só consegui conquistar a confiança de mestres como Huang Tsu e Xin Lai Min depois de dominar os dialetos wu e hakka. O mandarin e o cantonês, que aprendi anteriormente, não me bastaram nessa busca pela China perdida.

Mesmo assim, não foi fácil. Ao primeiro contato com um ocidental, o aldeão chinês é muito desconfiado, ainda que gentil. Conquistar-lhe a confiança é uma tarefa longa, que requer paciência, voz baixa e respeito. A chave para ganhar a sua simpatia é mostrar conhecimento por seu universo: mencionar um poeta ou artista local. Citar Confúcio, for instance. Nada disso, of course, será possível sem o domínio da língua local.

However, fellow, no ritmo em que as coisas caminham no país da Grande Muralha, é possível supor que, em poucos anos, haverá guias para levar viajantes estrangeiros ao que você chama de ''povão não contaminado''. Eles estarão, provavelmente, confinados em parques temáticos, representando disciplinadamente a linda história que um dia tiveram. Linda e - what a pity - tão frágil quanto um vaso de porcelana da dinastia Ming.''

Fonte: O Estadão

FRASES ILUSTRADAS

quinta-feira, 23 de julho de 2020

O 'LAVAJATISMO' ESTÁ ÓRFÃO

William Waack

Com os heróis da Lava Jato encurralados, um fenômeno político perde força

A frase que ressoa com força no topo da Procuradoria-Geral da República e entre vários ministros do STF é a seguinte: “A Lava Jato não vai acabar, mas vai acabar o lavajatismo”. Como toda encarniçada luta política, também nesta briga-se, em primeiro lugar, por impor uma narrativa.

A que vigora entre quem tem força política ou posição institucional para enfrentar a “Lava Jato” é a de que a força-tarefa de Curitiba se desenvolveu como grupo político com agenda própria e capacidade de dominar decisões das esferas políticas, nisto incluindo Executivo e Legislativo. Mas, para sorte do País, o grupo de procuradores, juízes e policiais da Lava Jato se perdeu no meio do caminho, e cabe agora dar um jeito nisso.

Os principais expoentes da força-tarefa enxergam exatamente o contrário. Em especial a decisão de terça-feira do presidente do STF de impedir buscas no gabinete do senador José Serra em Brasília – atendendo à queixa do próprio presidente do Senado – foi por eles qualificada como tentativa de “dificultar a investigação de poderosos contra quem pesam evidências de crimes” (Deltan Dallagnol, procurador da força-tarefa).

Era algo já previsto na literatura que consumiram: deixados entregues a si mesmos, sem controles externos (como o do Ministério Público), os políticos só produziriam medidas para se proteger e garantir seus interesses (lícitos ou ilícitos). Desnecessário dizer que, para o grupo da Lava Jato, o STF sempre foi visto como parcialmente entrelaçado aos diversos interesses políticos, incluindo ilícitos.

O grupo de Curitiba faz questão hoje de se distanciar do “lavajatismo”, uma denominação que, no seu mínimo denominador comum, expressa um anseio punitivista que ignora consagrados princípios legais contanto que se peguem corruptos. É difícil entender a eleição de Jair Bolsonaro sem a repercussão social e política do “lavajatismo”, mas seu potencial eleitoral para 2022 é um ponto de interrogação cujo tamanho aumenta à medida que transcorre o tempo desde que o ex-juiz Sérgio Moro – de longe a maior expressão da Lava Jato – deixou o Ministério da Justiça.

Moro embarcou na política aparentemente sem um plano claro. Deixou-se levar pelas circunstâncias de um jogo que ele não dominava e elas o obrigaram ao famoso “salto no escuro” – que foi a saída do governo, uma atitude que hoje parece muito mais de preservação do que de ataque. As armas de Moro para atingir Bolsonaro até o momento revelaram-se pouco contundentes, enquanto as do STF contra ele (onde se arguirá a suspeição do então juiz) ainda surgirão.

Ocorre que as circunstâncias estão fazendo com que ele desenvolva um discurso de candidato, postura que não quer (ainda ?) assumir. Onde é convidado a se pronunciar, Moro começa hoje falando de economia, de melhoria do ambiente de negócios, de segurança jurídica e de reformas estruturantes. Evita qualquer postura que o possa associar a radicalismos do espectro político. Defende “união”, “harmonia” e um por enquanto vagamente definido “centro democrático” como linha de atuação.

Não parece disposto de forma alguma a assumir a herança do “lavajatismo”, na medida em que seus heróis de ontem são hoje figuras encurraladas do ponto de vista político e institucional, e na linha do tempo estão longe ainda de um novo teste das urnas. Parece intuir que só o combate à corrupção e o apego à lei e à ordem não trarão vitória eleitoral, diante de um momento político no qual as profundas consequências da dupla crise econômica e de saúde pública estão apenas começando.

A Lava Jato ainda produz ações de repercussão, como a deflagrada contra o senador José Serra, mas que surgem como eco de um passado tornado rapidamente longínquo diante da percepção de quais são os piores problemas da atualidade. O “lavajatismo”, que era também um ânimo de mudança, está perdendo sua principal referência.

Fonte: O Estado - 23/07
Opinião é uma coisa que a gente dá e, às vezes, apanha. (Max Nunes)

LUGARES

LUZERNA - SUÍÇA

NÃO TROPECE NA LÍNGUA


COLOCAÇÃO PRONOMINAL E VÍRGULA (3)
Perguntaram-me se “não se pode colocar pronome átono depois da vírgula”. O que posso afirmar é que a vírgula, por constituir uma pausa, predispõe à ênclise, mas não a obriga. É possível escrever como o escritor Luandino Vieira: “A sua prima Júlia, do Colungo, lhe mandou um cacho de bananas”, ou preferir a ênclise depois de um termo virgulado, como por exemplo um advérbio, que de outro modo atrairia o pronome:
  • Agora, reconheço-a.
  • Aqui, como sempre, trabalha-se muito.
  • Finalmente, dispôs-se a me ouvir.
  • Por fim, peço-te perdão.

No entanto, se depois da vírgula houver um verbo numa das formas chamadas de futuro, que não toleram posposição de pronome oblíquo, deve-se deixar o pronome na frente do verbo:
  • Desconhecia as normas de uso e, por isso, as utilizaria sem distinção.  [em vez de  *utilizaria-as ou do complicado utilizá-las-ia].

Já na frase “Não demorou a definir um tipo de arte que, embora tenha ganho feições diferentes nos últimos anos, se manteve/ manteve-se fiel a uma visão transfiguradora do real”, tanto se pode usar a próclise porque o relativo que, embora distante, atrai o pronome, como se pode preferir a ênclise em razão da pausa marcada pela vírgula.

A propósito, gostaria de chamar a atenção das pessoas que gostam de usar a ênclise, sobretudo com as locuções verbais, em que teoricamente o pronome oblíquo pode ocupar quatro posições: tomem cuidado quando antes da locução aparece um que, quem, quando ou outro termo que atraia o pronome. Aí a ênclise passa a ser erro, pois o que prepondera é a palavra atrativa. Escreva, então:
  • - em vez de A briga *que foi-se* armando: briga que se foi armando/ que foi se armando /que foi armando-se
  • - em vez de Espero *que deixes-me* ser eu mesmo: que me deixes ser eu mesmo
  • - em vez de Não sei *quando vou-te* encontrar: quando vou te encontrar/ quando vou encontrar-te/ quando te vou encontrar
  • - em vez de Já disse *que pretendo-lhe* pagar logo: que pretendo lhe pagar/ que pretendo pagar-lhe/ que lhe pretendo pagar...

Para finalizar, relembremos um relato de Sebastião Nery, publicado na Folha de S. Paulo em 18.2.81 e posteriormente transcrito por Celso Luft no jornal Correio do Povo:

O deputado Teixeira Coelho, do Maranhão, fiel ao purismo linguístico de São Luís, a Atenas brasileira (que depois do Sarney virou a apenas brasileira), ficou indignado:

 – Deputado Flores da Cunha, V. Exa. não pode estar nesta Casa, onde se deve primar pela pureza da língua, a cometer esses deslizes de pronome fora do lugar, começando os períodos.

– Isso é coisa de importância menor, deputado. O principal é a ideia.

– Desculpe, Exa., mas não é. Lá em São Luís não admitimos isso em estudante de ginásio.

Flores da Cunha deu uma baforada, olhou lá de cima com total desprezo:

– Senhor deputado, lá no Rio Grande a gramática é livre, como livre são os pampas e o minuano, como é livre o gaúcho.

– Mas não está dispensado de respeitar a língua.

– Ora, deputado, quem é V. Exa. para corrigir minha linguagem?

– Sou um deputado, como V. Exa.

– Mas sem autoridade nenhuma para falar de pronomes. V. Exa. é o próprio pronome mal colocado. V. Exa. é um pronome errado.

– Não entendi, deputado.

– Olhe sua carteira de identidade. V. Exa. é "Teixeira" Coelho. Em nome do purismo da língua deveria chamar-se "Xeira-te" Coelho.

O Teixeira calou.

Sobre o assunto "colocação pronominal", ver também as colunas Não Tropece na Língua 201 a 203. 

Fonte: www.linguabrasil.com.br

FRASES ILUSTRADAS

quarta-feira, 22 de julho de 2020

COMPLEXO DE JABUTICABA

COMPLEXO DE JABUTICABA
Por Meraldo Zisman*

Já é tempo de também nos livrarmos do recém criado “complexo de jabuticaba”, que seria de exclusividade nacional. Não nos esqueçamos de que nossos desmandos, safadezas, corrupções são atributos da espécie Homo sapiens…

A jabuticaba não é tão exclusiva assim do Brasil, encontrada que foi na Argentina e no México. Ultimamente, a jabuticaba passou a ser o símbolo das nossas peculiaridades. Esse significado da jabuticaba foi evocado por vez primeira pelo econômico Pérsio Arida, um dos pais do Plano Real, que mencionou essa fruta da família vegetal das mirtáceas (Myrciaria jaboticaba) para definir coisas que só existem/acontecem/ocorrem no Brasil.

A nossa formação pode ter sido até diferente dos outros povos, mais a NAÇÃO BRASILEIRA sempre foi constituída com muita luta e sofrimentos.

Chegou a hora de sermos respeitados por nós mesmos. Tivemos guerras, revoluções, escravatura e estamos maduros para assumirmos o nosso lugar no consenso das nações.

O brasileiro não é diferente de nenhum povo, por mais que sejamos grandes territorialmente e tenhamos uma população de mais de duzentos milhões de pessoas. Petrolão, mensalão e outros desmandos devem ser punidos/combatidos/ajustados/corrigidos e jamais devemos pensar que o nosso País é o único lugar onde ocorre corrupção, entre outras tantas “cositas más” …

As crises fazem parte da vida, tanto das pessoas quanto das nações.

Basta desse complexo de vira-lata, como dizia nosso jornalista-mor Nelson Rodrigues (1912-1980) e do Brasil País do Futuro do escritor judeu austríaco Stefan Zweig (1881-1942).

Já é tempo de também nos livrarmos do recém criado “complexo de jabuticaba”, que seria de exclusividade nacional.

Não nos esqueçamos de que nossos desmandos, safadezas, corrupções são atributos da espécie Homo sapiens.

Intrincados, sim, são os nossos complexos— sentimento de depreciação por si mesmo que sobrevém regularmente; medo e ressentimento reprimidos de sentir-se inferiorizado, que levam as condutas desviadas e as polarizações desmedidas, como estamos todos vivenciando.

Como aposentado pediatra, sei que a sociedade tem de sofrer, à semelhança dos seres humanos, suas próprias dores de crescimento para vir a se tornar adulta.

Em tempo: dores de crescimento não são associadas a alguma doença e geralmente se resolvem ao final da infância, embora episódios frequentes possam ser capazes de ter um efeito substancial durante a vida.

*Meraldo Zisman – Médico, psicoterapeuta. É um dos primeiros neonatologistas brasileiros. Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha). Vive no Recife (PE). Imortal, pela Academia Recifense de Letras, da Cadeira de número 20, cujo patrono é o escritor Álvaro Ferraz.

Fonte: http://www.chumbogordo.com.br