sábado, 24 de outubro de 2020

QUANDO A LEVIANDADE MATA

QUANDO A LEVIANDADE MATA
Hélio Schwartsman 

Chilique presidencial é cálculo político míope e mesquinho

Jair Bolsonaro é o presidente. Foi eleito democraticamente. Mas não tem condição moral nem intelectual de exercer o cargo, do que dá prova a leviandade com que trata a questão da vacina.

Não sei se a Coronavac, a "vacina chinesa do Doria", no linguajar presidencial, vai funcionar bem. Ninguém sabe. Mas, na atual conjuntura, é um dos fármacos mais promissores em fase final de testes. Engajar-se num programa de compra e produção antecipadas é uma opção de risco, mas, se o imunizante tiver sucesso, fazê-lo nos dará um ou dois meses de dianteira no processo de vacinação, o que pode salvar muitas vidas e reduzir o estrago econômico da pandemia.

Vale observar que o governo fez exatamente a mesma aposta no caso da vacina da Universidade de Oxford, o que desmonta por inteiro a afirmação de Bolsonaro de que não se pode avançar na compra de vacinas até que elas tenham sido licenciadas pelos órgãos competentes.

Ao que tudo indica, o chilique presidencial não tem motivação técnica, mas é fruto de um cálculo político míope e mesquinho, que procura agradar à base mais amalucada do bolsonarismo, que tem alergia a coisas feitas por "chineses comunistas", ao mesmo tempo em que se recusa a fazer qualquer gesto que possa beneficiar um rival, no caso, Doria.

Num país um pouco mais sério, um líder que tomasse decisões de vida e morte com base em comentários de simpatizantes em redes sociais e não em justificativas racionais já teria sido democraticamente defenestrado pelo impeachment. Mas estamos no Brasil.

Meu consolo é que a posição dos bolsonaristas é pior que a minha. Quem se opõe ao presidente apenas perdeu uma eleição, mas os que o apoiaram foram traídos. O candidato que falava em acabar com a corrupção, varrer o sistema político carcomido e impor uma agenda ultraliberal se tornou um protetor de corruptos, que come na mão do centrão e está prestes a furar o teto.

Fonte: Folha de S. Paulo
Maridos são ótimos amantes, principalmente quando estão traindo as esposas. (Marilyn Monroe, atriz)

LUGARES

CHARTRES - FRANÇA

A EDUCAÇÃO É UMA ARMA

Nelson Mandela - educação
A EDUCAÇÃO É UMA ARMA

A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo – Nelson Mandela

Símbolo da luta contra o Apartheid, regime de segregação racial que separava brancos e negros na África do Sul, Mandela foi sempre defensor de um sistema educacional mais equânime e digno. “Não está além do nosso poder a criação de um mundo no qual crianças tenham acesso a uma boa educação. Os que não acreditam nisso têm imaginação pequena”, repetiria ele ao longo da vida. Ainda em 1953, antes de passar 27 anos preso por lutar pela democracia, ele disse no Congresso Sul Africano: “Façam com que todas as casas e todos os barracos se tornem um centro de aprendizado para nossas crianças”.

Já como presidente, cargo que exerceu entre 1994 e 1999, Mandela lutou por prover uma educação mais equânime entre negros e brancos. “O presidente Mandela falou com paixão em todos os fóruns possíveis sobre seu compromisso de prover educação de qualidade para todas as crianças da África do Sul, assim como propiciar também uma vida melhor para todos. Ele estabeleceu parcerias valiosas com o setor privado, especialmente para a construção de escolas nas comunidades rurais de todo o país”, diz o Departamento de Educação Básica em seu site.

Mesmo depois de seu período na presidência e já octogenário, Mandela não deixou de lado sua ligação com educação. Em 2003, ele participou do lançamento da rede Mindset, uma organização sem fins lucrativos que provê material educativo e curricular para alunos e professores em vários temas, desde economia, matemática e física até tecnologia e orientação para a vida. Na ocasião, proferiu uma de suas aspas mais famosas e que resume parte de seus valores. “A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”, disse ele. E avisou: “Vou usar o resto dos meus dias para ajudar a África do Sul a se tornar mais segura, saudável e educada”.

Sua militância na área continuou sendo frequente, mesmo depois de se retirar da vida pública em 2004. A instituição que leva seu nome e se responsabiliza por levar adiante seu legado ajudou a reformar escolas e a criar centros de excelência de estudos pela África do Sul. No exterior, suas palestras em universidades foram muitas – no site de sua fundação, a Nelson Mandela Foundation, é possível acessar a transcrição de seus discursos. “As instituições de educação superior têm a obrigação de escancarar suas portas. As que oferecem a educação mais rigorosa é que têm a maior obrigação. Vocês têm a qualidade, a habilidade, o apoio necessário para pressionar por isso”, disse Mandela em 2005 a universidade norte-americana de Amherst.

Ainda em 2005, ele criou outra fundação, a Mandela Rodhes Scholarship, destinada a financiar os estudos de jovens líderes africanos. Dois anos depois, ele criou um instituto voltado para promover a educação na área rural de seu país, o Nelson Mandela Institute for Rural Development and Education. “Ninguém pode se sentir satisfeito enquanto ainda houver crianças, milhões de crianças, que não recebem uma educação que lhes ofereça dignidade e o direito de viver suas vidas completamente”, disse ele por ocasião da fundação da organização.

Além de ele em si ter sido um advogado da educação, documentos relativos à sua vida e à sua contribuição para a história também estão disponíveis e organizados, num trabalho feito pela Nelson Mandela Foundation. Todo o material está disponível na plataforma e pode ajudar educadores de todo o mundo a recontar a importância do líder sul africano para os séculos 20 e 21.

O legado de Mandela para a educação, portanto, passa pela defesa firme de uma educação de qualidade para todos, seja na cidade no campo, na escola ou na universidade. A educação, para ele, era uma forma de empoderar e libertar as pessoas, e a liberdade sempre foi sua maior bandeira. “Uma boa mente e um bom coração são sempre uma combinação formidável. Mas quando você adiciona a isso um idioma bem falado ou uma caneta, então você tem uma coisa realmente especial”, dizia ele.

“… os jovens devem tomar para si a responsabilidade de garantir que terão a melhor educação possível para poder nos representar bem no futuro, como futuros líderes.”

Fonte: JB/Patrícia Gomes, in www.revistaprosaversoearte.com

FRASES ILUSTRADAS

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

AFUGENTANDO A CACHORRADA

AFUGENTANDO A CACHORRADA
Paulo Pestana

Não sei se dá para precisar a data, mas seria útil saber quando é que o Brasil começou o processo que redundou neste cinismo todo. Há tempos vivemos uma epidemia moral que vem acabando com a fama cordata do brasileiro; viramos iconoclastas, detratores, ridículos. Cuspimos para o alto como se não houvesse gravidade.

Foi Antístenes quem, 400 anos antes de Cristo, definiu a doutrina cínica, baseando-se na vida dos cachorros. Ele defendia que os humanos também deveriam ser como os vira-latas, livrando-se de apegos, pudores e convenções sociais para viver sem riquezas ou comodidades. Ficaria orgulhoso de ver o Brasil.

O mais importante hoje parece ser destruir reputações. Desde que, como nas fábulas de La Fontaine, os animais irracionais ganharam voz pelas chamadas redes sociais, o negócio galopou. E assim vamos nos divertindo jogando bosta em quem consegue se destacar de alguma forma.

Por isso, é alvissareiro se deparar com um livro como De Casaca e Chuteiras, onde Silvestre Gorgulho traça um inédito paralelo entre Brasília, Pelé e JK. Gorgulho é fascinado por história e suas datas, e entre suas múltiplas atividades sempre se destacou por ter uma invejável coleção de amigos.

Eternamente inquieto, desconhece o significado de palavras como impossível, impensável, inaceitável ou qualquer outra que apresente o prefixo que se refere a negação ou privação. Amigos passaram anos chamando-o de sonhador, poeta – e ele levou a sério; reuniu poesias no livro Luau de Mim, lançado em plena pandemia.

Mas em De Casaca e Chuteiras, que vem com o subtítulo A Era dos Grandes Dribles na Política, Cultura e História, ele ergue um monumento a heróis brasileiros, como se estivesse imbuído de acabar com essa era de cinismo. A partir de uma confluência de datas, ele traça linhas evolutivas das histórias de Pelé e JK para mostrar uma época em que o Brasil começou a ter orgulho de si próprio.

E tudo começou quando ele recebeu a incumbência de pedir a Oscar Niemeyer o projeto de um monumento em homenagem a Pelé que seria erguido em Santos, a cidade que ele apresentou ao mundo. Gorgulho não apenas conseguiu cumprir a tarefa, como teve a ideia de pesquisar sobre o incontestável rei do futebol, encontrando muitos pontos em comum com a história de Brasília e seu fundador.

Nas pesquisas, Silvestre Gorgulho descobriu até que dona Celeste, a mãe de Pelé, não queria ver o filho jogando bola. Tinha medo dele ter o mesmo destino do pai, Dondinho, tido como grande craque, mas que quebrou a perna jogando pelo Atlético Mineiro e passou muitas dificuldades.

O livro está sendo lançado na semana em que Pelé completa 80 anos de idade e é um grande almanaque sobre o Brasil do final dos anos 50. É também um antídoto contra o baixo-astral desses dias em que perdemos tantos amigos – uns para o vírus, a maioria para a falta de razão – e que nos lembra que ainda é importante ter ídolos.

Ou então podemos seguir o conselho de Antístenes e vamos viver como vira-latas.

Publicado no Correio Braziliense, em 18 de outubro de 2020

Se o homem pudesse ser cruzado com um gato, o homem seria melhor e o gato se deterioraria. (Mark Twain, escritor americano, 1835-1910)

LUGARES

BEJA - PORTUGAL

MR. MILES



LEMBRANÇAS DO QUE FOMOS
Prezado mr. Miles: o que é, na sua concepção, uma atração turistica?
Marcelo Lotario, por email

Well, my friend: eis uma bela questão. Atrações turísticas são lugares, paisagens ou construções que distinguem-se das demais por serem especialmente belas, extraordinariamente esquisitas ou incomparavelmente tristes. Lugares que merecem ser visitados, as I see, não são, por definição, simbolos da virtude humana ou da generosidade da natureza, como muitos costumam acreditar. Veja bem, dear Marcelo: adoramos visitar tumbas e mausoléus, que são, of course, o repositário de mortos. Nessa categoria estão quase todas as catedrais do mundo, sob as quais repousam os ossos de celebridades ou abastados de épocas diferentes. As pirâmides do Egito, erguidas ao custo de milhares de vidas, como mausoléus de longínquos faraós, também não passam de tristes necrópoles e, é claro que sentimo-nos atraídos porque, well, são belas construções e os mortos não dizem nada aos nossos corações. Am I right?

O mesmo raciocínio aplica-se ao Taj Mahal, em Agra, um grande sepulcro construído por Shah Jahan como prova de amor pela sua esposa preferida, Aryumand Banu Began.

Pense, também nos mais magníficos museus do planeta. Todos eles têm, em seu acervo, obras de arte originárias de butins praticados em batalhas do passado, além de objetos subtraídos de povos mais ingênuos ou de gente confiscada, como os judeus na 2ª Guerra. O passado, however, não significa nada neste momento. Não há ética que resista ao passar dos anos. E, of course, não deixamos de ir aos nossos museus preferidos, mesmo sabendo que a origem de seu acervo esteja, probably, inundada de sangue.

Arcos monumentais, esplêndidas torres e monumentos espalhados pelas cidades do mundo são, em sua maioria, a celebração de vitórias militares ou a homenagem aos mortos em batalhas. Parece incrível, my friend, mas o mundo teria menos atrações turísticas se os povos não fossem tão belicosos e a natureza fosse menos explosiva. O que seria, for instance, da maravilhosa ilha de Santorini não fosse a explosão do imenso vulcão da qual ela é apenas uma pequena borda da cratera?

E porque nos sentimos atraídos a conhecer Pompéia, onde corpos petrificados pelas lavas do Vesúvio testemunham, day after day, uma enorme catástrofe do passado?

Tenho pensado sobre essa questão sempre que vejo um palácio construído por um príncipe cruel, um deserto nascido do castigo da seca ou um moai destroçado pela força de um tsunami. São, todos eles, atrações que queremos contemplar. Para lembrarmos, perhaps, de que, de alguma forma milagrosa, somos sobreviventes de toda essa epopeia. E comemorarmos a chance de viajar por todas essas lembranças.

Fonte: O Estadão

FRASES ILUSTRADAS

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

SAI COFRINHO, ENTRA COFRINHO JR.

SAI COFRINHO, ENTRA COFRINHO JR.
Carlos Brickmann (*)

Chico Rodrigues, DEM, o senador cuja história entrou para os anais, tirou 121 dias de licença do Senado. Assim, a decisão do ministro Barroso – que nome predestinado! – de afastá-lo do cargo por 90 dias foi suspensa pelo próprio ministro, por ter-se tornado desnecessária. Mas o importante nem é isso: é que, licenciando-se por 121 dias, um senador automaticamente passa o cargo ao suplente.

No caso, o suplente é Pedro Arthur Ferreira Rodrigues (DEM), filho de Chico Rodrigues e herdeiro, pelo menos temporário, de seu mandato. E passa a desfrutar das mordomias do cargo. Citando a frase clássica, a família é a base da sociedade. E ninguém, claro, criticará tão belo exemplo de solidariedade entre pai e filho.

A história não termina por aqui. Chico Rodrigues insiste em dizer que o dinheiro localizado no insólito esconderijo era destinado ao pagamento de seus empregados. Vá lá, vá lá, mas que é que pode ocorrer se suas empresas crescerem, graças a seu trabalho e seu tino gerencial, e contratarem mais funcionários? Chico Rodrigues, em vídeo que enviou aos senadores, também diz que, ao enfiar o dinheiro no providencial esconderijo sob suas cuecas, tomou “a decisão mais irracional de sua vida”.

Engano: a decisão mais irracional de sua vida foi candidatar-se; e a dos eleitores, dar-lhe o voto. Mas aceitemos. Só que, quando alguém está prestes a ser preso, costuma mastigar e engolir as provas. Errar o lado do aparelho digestivo é novidade.

(*) Carlos Brickmann é jornalista, consultor de comunicação e colunista

Fonte: Brasildelonge.com
Uma boa ação jamais deixa de ser punida. (Gore Vidal)

LUGARES

PAISAGENS ALPINAS

NÃO TROPECE NA LÍNGUA

USOS E NÃO USOS DO ARTIGO DEFINIDO E INDEFINIDO (2)

Vimos, na semana anterior, as regras gerais de emprego do artigo definido e indefinido. Há, no entanto, muito mais: o uso é variado e amplo. Normalmente nos guiamos pela intuição, mas é possível estabelecer algumas normas que presidem o uso ou a omissão do artigo. Vejamos caso a caso.

          - Só é possível comparecer ao baile com trajes de época.
“De época” é expressão usada para designar algo (fantasia, móvel, filme) que traz o estilo ou as características de determinado período (no passado). Com o artigo (da), seríamos obrigados a determinar qual a época.

          -  (A) Maria Cleusa pediu que você ligasse para ela.
O artigo junto ao nome de batismo da pessoa é facultativo: no Sul do Brasil é sempre usado, ao passo que em outras regiões dispensa-se o artigo sistematicamente.

          - João Figueiredo pediu para ser esquecido.
Os nomes próprios de pessoas, quando usados por inteiro, não devem ter artigo; este no entanto poderá ser usado se com a pessoa mencionada houver familiaridade, real ou pretensa: Agradeci a ajuda da Nilcéa P. Lemos na elaboração da tese. Comprei um disco da Gal Costa

          - Gostaria de descer o Amazonas até os Andes.
Usa-se o artigo com nomes próprios geográficos, nomes de países e de alguns Estados brasileiros (o Paraná, o Rio de Janeiro, a Bahia, o Rio Grande do Sul, o Espírito Santo etc.).

          - Visitarei Belo Horizonte e Salvador nos próximos dias.
Nomes de cidades prescindem de artigo. Há exceções: o artigo pode ser usado quando o nome da cidade deriva de um substantivo comum: o Rio de Janeiro, o Cairo, o Porto, sendo optativo em outros casos: (o) Recife, (a) Laguna (SC). 

          - Finalmente visitarei a Ouro Preto dos meus sonhos.
Nomes de cidades passam a admitir o artigo desde que acompanhados de qualificação (“dos meus sonhos”, neste caso).

          - Sua Alteza casou com Dona Teresa Cristina. / Espero não ter interrompido V. Exa.
Não se usa artigo antes de pronomes pessoais e de tratamento.

          - Falei com a srta. Ana, sua secretária, antes de vir procurá-la, senhora deputada.
Dentre as expressões de tratamento, senhor, senhora e senhorita são as únicas que admitem artigo, mas não quando vocativo, ou seja, quando nos dirigimos à própria pessoa.

          - Santo Antônio é seu padroeiro e confidente.
Os adjetivos São, Santo e Santa, quando acompanhados de nome próprio, não admitem artigo; tampouco se articula Nosso Senhor e Nossa Senhora.

          - Voltou para casa mais tarde do que de hábito. / Voltou para a casa dos pais depois da separação.
O artigo é omitido antes da palavra casa quando designa residência, lar. Mas não quando particularizada ou usada na acepção de prédio, estabelecimento

          - Finalmente estou em terra – já não aguentava o enjoo do navio.
Omite-se o artigo junto ao vocábulo terra quando em oposição a bordo, mar.

          - Esteve em palácio por convocação do Governador.
Costuma-se omitir o artigo com a palavra palácio quando designa a residência ou o local de despacho de um chefe de governo.

          - Pagou R$ 4,00 o quilo da maçã. / Custa mil o metro.
O artigo é usado nas expressões de peso e medida com o sentido de “cada”.

          - O inverno brasileiro é moderado.
Usa-se o artigo com as estações do ano, exceto quando elas vêm precedidas de de, significando "próprio de", como em “gosto do sol de inverno”.

Fonte: www.linguabrasil.com.br

FRASES ILUSTRADAS

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

CEMITERIO DE MALANDRO

CEMITERIO DE MALANDRO
Por Daniel Funabashi*

A cada dia que passa, vejo mais e mais pessoas se aventurando em day trade e opções. Na maioria dos casos elas têm uma característica em comum: não entendem nada ou quase nada sobre esses ativos e se expõem ao risco da ruína.

Semana passada tive a triste experiência de ver dois amigos quebrarem no day trade, mesmo após repetidos avisos de que o day trade é um “esporte de alto desempenho” e apenas “atletas de ponta” realmente se destacam nesse “esporte”.

No final da semana, não satisfeito com o fracasso no day trade, um deles me perguntou o que eu achava de uma operação de opções que ele viu na internet, quanto ele poderia ganhar e quanto poderia perder – Para quem não sabe, opções são ativos altamente voláteis, que têm data certa de vencimento e, portanto, deixam de existir após essa data, ou seja, seu dinheiro pode virar pó. São popularmente conhecidos como “o cemitério de malandro”, pois muitas pessoas entram buscando ganhos elevados, num curto espaço de tempo. Mas o que a minha experiência mostra é que o apelido tem muito fundamento.

Respondi a ele com a seguinte frase “Se você não entende como o preço de um ativo se comporta ou os fatores que influenciam na sua precificação, não invista nele, invista no seu próprio conhecimento e volte apenas quando souber”. Espero do fundo do coração que esse meu amigo siga meu conselho e invista no aprimoramento pessoal, antes de se aventurar no mundo das opções ou decidir voltar ao day trade.

No mundo dos investimentos não existe dinheiro fácil. Sem disciplina e paciência, você dificilmente alcançará o que almeja. O mercado é implacável e cobra caro daqueles que se expõem de forma imprudente.

Se você quer começar já e não possui conhecimento, peça ajuda a um assessor de investimentos, ele é um especialista que pode te mostrar as melhores opções, de acordo com os seus objetivos e seu perfil. Em paralelo, dedique-se a aprender. Estude com afinco, para que quando você decida operar em day trade ou opções, isso não seja uma aventura, mas sim, uma jornada rumo aos seus objetivos.

Para terminar com um cliché: “investir em conhecimento sempre rende os melhores juros” (Benjamin Franklin).

*Daniel Funabashi é mestre em Finanças pela Cass Business School de Londres e sócio da iHub Investimentos, um escritório de assessoria de investimentos credenciado à XP Investimentos, a maior plataforma de investimentos da América Latina.

Fonte: http://fernandoalbrecht.blog.br
Condenamos tudo o que nos parece estranho, assim como o que não entendemos. (Michel de Montaigne, Escritor francês, 1533-1592)

LUGARES

SANTIAGO DE COMPOSTELA 
- ESPANHA - 

O ANALISTA DE BAGÉ

OUTRA DO ANALISTA DE BAGÉ

No começo de sua carreira o analista de Bagé também era chamado para atender casos a domicílio. Como na vez em que um peão foi chamar o analista no meio da noite. Era para o seu patrão, seu Vespasiano. Enquanto encilhava o cavalo, o analista de Bagé pediu detalhes sobre o caso. O peão que seu Vespasiano tava variando.
- Pensa que é metade gente, metade animal.
- Que animal?
- Cavalo.
- Que pêlo?
- Castanho.
- Que metade?
- A de baixo.
- Bueno. Pelo menos vou poder charlar com o homem.
Chegaram na estância quase de manhãzinha. Seu Vespasiano já estava de pé, mastigando seu milho. Recebeu o analista de Bagé com desconfiança.
- Que lhe traz aqui?
- Pôs vim olhar a sua tropa. Um cavalo meu desgarrou pra estas bandas.
- E tu cria cavalo no consultório, tchê?
- Tem cliente que só à patada.
- Pôs seu cavalo não está aqui.
- Só vendo.
Saíram para o campo. O analista de Bagé a cavalo e o seu Vespasiano galopando ao seu lado. Olharam toda a tropa. Aí o analista começou a examinar seu Vespasiano de cima para baixo.
- Tá me olhando por quê? – quis saber seu Vespasiano, carrancudo.
- Acho que to reconhecendo meu castanho.
- Endoidou? Eu sou o Vespasiano.
- Só até a cintura.
- Prá baixo também é meu.
- Então mostra a marca.
- O que?
- Quero ver a marca na anca. Se não tá marcado, é meu.
A discussão ainda durou um pouco mas no fim seu Vespasiano se convenceu que não era metade cavalo. Lamentou bastante porque naquele jeito estava economizando montaria. Mas a família suspirou aliviada. Não agüentava mais a bosta no tapete. (VERÍSSIMO, Luis Fernando. O Analista de Bagé, Porto Alegre : L&MP Editores, 1995, p. 254) 

FRASES ILUSTRADAS

terça-feira, 20 de outubro de 2020

TUITE-16

TUÍTE-16
José Horta Manzano

Seguindo uma tradição da América espanhola iniciada em 1692, quando indígenas atearam fogo ao Palacio Nacional da Cidade do México, arruaceiros incendiaram e destruíram ontem a Igreja da Assunção de Santiago (Chile), que tinha sido inaugurada em 1876.

O templo chileno é o mais recente exemplo desse bizarro pendor hispano-americano de exprimir insatisfação queimando edifícios públicos e religiosos. Outro exemplo desse comportamento medieval é o Palacio Quemado, de La Paz (Bolívia), criminalmente incendiado em 1875.

No Brasil, temos grande respeito por edifícios, templos e toda obra humana. Preferimos incendiar e arrasar florestas, o que traz vantagem dupla. Por um lado, nos livramos do mato; por outro, abrimos espaço para erguer edifícios e templos à vontade.

Ah, e tem mais um benefício: dado que a destruição da vegetação enxuga a atmosfera e desertifica o clima, o problema das enchentes das metrópoles brasileiras se resolve sozinho. Como é que ninguém pensou nisso antes?

Fonte: https://brasildelonge.com

NOMEAÇÃO DE KASSIO MARQUES É INCONSTITUCIONAL

Charge do Cazo 
NOMEAÇÃO DE KASSIO MARQUES É INCONSTITUCIONAL
Modesto Carvalhosa
O Globo

Nomeação de Kassio Marques é inconstitucional e tornará o Senado ainda mais ilegítimo

O inconformismo de Merval Pereira (O Globo, dias 6/10 e 10/10) com a falta de reação da sociedade brasileira à indicação do senhor Kassio Nunes para ocupar o cargo de ministro do Supremo Tribunal constitui um repto a todos nós, cidadãos, e às próprias autoridades judiciárias, ameaçadas com tal barbaridade.

A Constituição de 1988, em seu artigo 101, determina que os ministros do STF devem ser escolhidos dentre cidadãos de notável saber jurídico e reputação ilibada. Trata-se de uma exigência constitucional incontornável, a que não pode o Supremo furtar-se de fazer cumprir.

FERE OS REQUISITOS – O Sr. Kassio Nunes fere os dois requisitos. E mais. As duas infringências estão imbricadas, acopladas. Uma contamina a outra. O indicado não tem notável saber jurídico e mente ao tentar se apresentar como sábio do Direito. O indicado, nos documentos curriculares que apresenta, altera a verdade sobre fatos juridicamente relevantes, com o propósito de ostentar notável saber jurídico que não possui.

Cabe aos nossos pouquíssimos partidos políticos decentes, urgentemente, arguir a inconstitucionalidade direta e notória do ato administrativo que indicou o Sr. Kassio Nunes para, assim, tornar inválido e ineficaz o placet que o Centrão dará a seu nome no dia 22 próximo, no Senado Federal.

SABER JURÍDICO – Como leciona o mestre José Afonso da Silva, “notável saber jurídico, exigido pela Constituição, refere-se especialmente à habilitação científica em alto grau nas matérias sobre que o Tribunal tem de pronunciar-se. Não bastam, porém, a graduação científica e a competência profissional presumida do diploma. O candidato deve ser portador de notoriedade, relevo, renome, fama, e sua competência ser digna de nota, notória, reconhecida pelo consenso geral da opinião jurídica do país e adequada à função”.

E, sobre a reputação ilibada, ensina o mesmo autor, fundado em Castro Nunes: “A reputação ilibada é outra notoriedade que se requer, mas agora no campo da ética, do comportamento humano. É a boa- fé, a perfeita idoneidade moral”. E os autores lembram que essa regra já era aplicada aos magistrados romanos.

UMA HUMILHAÇÃO – O fato é que a indicação do Sr. Kassio Nunes, se confirmada, tornará o Senado ainda mais ilegítimo perante o povo brasileiro. E o Supremo será humilhado ao ter que acolher uma pessoa que, durante os próximos 23 anos, comporá, sem idoneidade moral e jurídica, seu colégio.

Está nas mãos do Supremo, provocado pelos partidos que se opõem ao descalabro ético desta República, declarar a inconstitucionalidade da indicação e da aprovação pelo Senado Federal do Sr. Kassio Nunes, por infringir o disposto no referido artigo 101 da Constituição.

Fonte: Tribuna da Internet
Substituir o amor próprio pelo amor aos outros é trocar um tirano insuportável por um bom amigo. (Concepción Arenal)

LUGARES

CASTELO DE CHAMBORD - FRANÇA
O Castelo de Chambord, é um palácio localizado em Chambord, Loir-et-Cher, França. É um dos mais conhecidos castelos do mundo devido à sua distinta arquitetura em estilo Renascentista francês que combina as formas medievais francesas tradicionais com as estruturas clássicas italianas. Embora seja o maior palácio do vale do rio Loire, foi construído apenas para servir de pavilhão de caça para Francisco I de França, que mantinha a sua residência no Château de Blois e no Château d'Amboise. 


ROMANCE FORENSE

O ESTAGIÁRIO INICIANTE

Em demanda na qual o autor postula a concessão de liminar, o escrivão intima o advogado por telefone, dada a necessidade de o mesmo se manifestar sobre importante aspecto não abordado na inicial. O advogado, então, imediata e laconicamente, solicita a providência a um estagiário que contratara havia poucos dias: 

- Precisamos examinar esse processo e falar nos autos. Faz isso ainda hoje, pois me comprometi com o escrivão – determina o advogado, estendendo um papel contendo o número do processo. 

O estagiário vai ao cartório judicial, onde "fala" longamente com a escrevente que atendia o balcão. Ela não entende o que ele deseja - e tudo fica por isso mesmo.

Envolvido pela azáfama do escritório, o advogado esquece de cobrar os desdobramentos seguintes. 

Três dias depois, o escrivão novamente telefona. Preocupado com o não-atendimento ao que o juiz determinara no despacho, o servidor ressalta que o prazo iria se esgotar em 24 horas, e que o juiz analisaria o requerimento no estado em que se encontrava o processo, mesmo que o autor não o instruísse corretamente. 

Surpreso, o advogado informa ao escrivão que já providenciara, mas pede que o mesmo aguarde ao telefone, para que possa verificar o cumprimento da sua determinação. Chama, então, o estagiário: 

- Sabes aquele processo em que tínhamos que falar nos autos com urgência? 

- Sim, doutor, me lembro bem – responde o estagiário. 

- E então, o que houve? O escrivão está na linha, dizendo que o prazo está esgotando e que nada dissemos – retrucou. 

- Olha, doutor, eu estive no cartório naquele mesmo dia e conversei com a atendente. Ele me disse que o senhor tem um prazo a cumprir com urgência – responde o estagiário, com extrema ingenuidade, logo complementando que "eu esperei que o senhor voltasse a me chamar"... 

Perplexo, o advogado volta ao telefone e explica o ocorrido: 

- Escutaste, não é?! Pois eu peço desculpas. Ainda não cumprimos a determinação. Antes, terei de explicar ao meu novo estagiário que ´falar nos autos´ é peticionar, e não conversar sobre eles! 

Ao que o escrivão, conhecido por sua ironia, brinca, encerrando o telefonema: 

- Claro, doutor, vamos aguardar. Ninguém nasce sabendo. Não esqueça de ensinar ao seu estagiário que peticionar em Juízo é ato privativo dos advogados... 

Fonte: www.espacovital.com.br

FRASES ILUSTRADAS

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

DINHEIRO NA ORDEM DO DIA

DINHEIRO NA ORDEM DO DIA
Marli Gonçalves

Pegou em dinheiro? Lave bem as mãos, cantando “parabéns a você”, dizem, é o tempo de fazer isso de forma completa. Use álcool em gel, líquido, água sanitária, purificadores, acenda um incenso, tome banho e passe sal grosso do pescoço para baixo, que ultimamente o dinheiro, além de vivo, é sujo e passa por lugares inimagináveis

Não só porque esse dinheiro que tocou pode conter bactérias, mas porque pode estar impregnado com o pior vírus: o da corrupção. E aí ele, o dinheiro, se originou e andou por lugares incríveis, alguns até bem pequenos. Ultimamente o dinheiro está mesmo na Ordem do Dia. Tudo bem que os bancos não são lá aquelas coisas, mas a quantidade de dinheiro vivo, vivíssimo, que estamos vendo todos os dias sendo aprendido é realmente espantosa, assim como as mais variadas formas de guardá-lo, para lavá-lo sem água. O colchão absolutamente saiu de moda. Cofre? Bem, cofrinho, talvez.

Olha que estou falando em dinheiro guardado, não só sobre o dinheiro que foi manchete espetacular essa semana quando o tal senador Chico, com quem Bolsonaro há pouco tempo disse ter uma relação estável, casadinhos, tentou esconder entre as nádegas e o que ele deve achar uma merrequinha, um troco, perto do que, ao que parece, foi usurpado dos cofres públicos– e da Saúde, minha gente! Somos um país campeão de mortes, passamos de 150 mil mortes e mais de um milhão de casos de Covid-19, e os caras roubando dinheiro dos equipamentos de respiração, dos itens de proteção, dos remédios!

Pelo menos a situação do senadorzinho foi exposta e constrangedora nos detalhes. Pelo menos pudemos rir das notas borradas, da cueca. Desopilamos um pouco nosso fígado.

Esses últimos dias, só de cabeça, lembro de ter visto na tevê a apreensão de um armário desses de ferro, grande, com três gavetonas forradas, repletas de dinheiro – notas de 100 reais arrumadinhas, esticadas, para caber mais; isso fora os pegos em outras operações, em flagrantes nas estradas, misturados com armas e drogas pesadas. Vi até notas sendo jogadas, às gargalhadas, na água, como brincadeira em festa de bandidos no mar, e por eles próprios filmadas. Não são pequenas quantias, são milhares de reais, dólares, euros, que essa gente é tão troncha e grosseira que nem em arte mais tenta investir. Gosta de ver a bufunfa.

Não nos admira o interesse e pressa em implantar a tal nota de 200 reais, com o coitado do lobo guará, que na realidade ninguém cuida, só queima. Foi tanta a pressa que esqueceram de detalhes como o do tamanho das notas que pode confundir os deficientes visuais. Até a tinta usada para essa nova nota laranja anda passeando fora da Casa da Moeda, o que ajuda na falsificação que já ocorre. Tudo muito mal explicado, como sempre.

É a nossa cara de otários que se estampa nas notas que poucos verão. Somos nós os vira-latas laranjas; nós, os brasileiros que ainda temos de aguentar as falas de um presidente e seu vergonhoso governo e equipe. Gente que parece não ter fim em pensar e promover retrocessos em todas as áreas. Que confunde a Nação com o galinheiro de suas ideias esdrúxulas, com seus atos e vontades a bel prazer.

Pior ainda é ver um povo tão necessitado e que se vende por tão pouco. Não entende que é uma obrigação do governo a ajuda em um momento de emergência como este. Ninguém está dando nada. Não é benevolência. É obrigação. A cada dia sabermos de mais e mais milhares, inclusive vários já milionários, que pediram e receberam, na maciota, o auxílio emergencial. Conheço – e você também deve conhecer – muitas pessoas bem pobres que precisaram, pediram, e tiveram o auxílio negado. Continuaram invisíveis aos olhos do Poder Público. E desabrigados da Justiça e suas cegueiras momentâneas.

Mas parece que sempre foi assim, e a política está cada vez mais sórdida, porque agora – agora, agora, exatamente, não, porque a bem da verdade também já tivemos um governo popular petista implantando bolsas para comprar seus próprios sapatos – tenta comprar votos e aprovação.

Aprovação logo de quem, de quem negou e nega a pandemia, as medidas, acaba com a maior operação já feita contra a corrupção no país, a Lava Jato, e bate no peito com orgulho disso. Um governo com vários “líderes” e operadores que de pijamas e remela nos olhos, cedinho, recebem a Polícia Federal na porta de suas casas. Casas essas com gavetas, caixas, malas cheias de dinheiro vivo, grosso e palpitante – quem sabe precisam para fazer a feira ou o mercado, umas comprinhas.

Por dinheiro, o povo parece fechar os olhos sem compreender o quanto o futuro do país está sendo comprometido. Abusar da necessidade premente de miseráveis, roubar dinheiro público, corromper, e ainda vir com moralismos, falando em Deus, família (e tem uma família especialista em usar dinheiro para pagar coisas bem grandes), até quando isso será suportado?

Fonte: https://www.chumbogordo.com.br
É possível descobrir mais sobre uma pessoa numa hora de brincadeira do que num ano de conversa. (Richard Lindgard)

LUGARES

ATENAS - GRÉCIA
Junto à Praça Omonia de Atenas enconta-se Dromeas ("corredor", em Inglês), uma escultura de vidro e ferro com 12 metros de altura, criada em 1994 pelo artista Costas Varotsos. Tem a forma de um enrome corredor e lembra que a Grécia é o berço da maratona.

INFINITA HIGHWAY

Martha Medeiros

Histórias on the road sempre me cativaram, pois se há um lugar onde tudo pode acontecer é na beira de uma estrada. É quando estamos em movimento, com nossas trivialidades deixadas pra trás, a mercê apenas de emoções não programadas. 

Se tiver um posto de gasolina ou um restaurante muquirana no meio do caminho, tanto melhor. Não é dentro do carro que a aventura acontece, mas nos pit-stops. 

Há, em especial, duas histórias que nunca esqueço. Uma se passa no ótimo conto de Milan Kundera, O Jogo da Carona. Um casal de namorados sai de viagem, até que eles param para abastecer num posto. A garota vai até o banheiro e, na volta, faz para o namorado o clássico sinal de quem pede carona. 

Ele entra na brincadeira: ao retomar a estrada, os dois tratam-se como se nunca tivessem se visto. A conversa entre os dois "desconhecidos" começa charmosa, divertida, mas aos poucos vai ficando tensa: eles passam a revelar uma nova faceta de si próprios, e terminam a jornada num enfrentamento pesado, como se realmente fossem dois estranhos. Uma viagem sem volta. 

A outra história de estrada é a do filme Pão e Tulipas, em que uma dona de casa viaja em excursão com a família, mas é esquecida pelo ônibus num restaurante. A família segue sem dar falta dela, que fica sozinha, sem dinheiro e sem documentos, num local que não conhece.

Ela então resolve que esta é uma oportunidade imperdível para se reinventar: vai pra Veneza, adota outro nome e inaugura uma nova vida, em tudo diferente da que tinha. 

É uma metáfora clássica: na estrada (em princípio, uma linha reta que une dois pontos) é que se pode descobrir que os caminhos desta vida são inúmeros e que podemos mudar de rota de uma hora pra outra. 

Nos filmes e livros, isso acontece com frequência, mas fora das telas e páginas, o espírito de aventura não é tão elevado. Dias atrás aconteceu pra valer: um homem parou num posto de gasolina nos arredores de Pesaro, na Itália, e depois voltou para a estrada sem se dar conta de que havia esquecido a mulher, que tinha ido ao banheiro. 

Ele rodou por 360 quilômetros na sua infinita highway, numa boa, enquanto ela, em vez de aproveitar a chance para criar uma nova vida onde sua presença fosse mais notada, chamou a polícia e foi no encalço do banana, que a esta altura já estava em Milão. 

Era ou não o momento de dar o pulo-do-gato? A italiana poderia ter feito da sua história um poema, uma canção, um thriller, mas como isso exige inspiração e ousadia, tudo deve ter acabado apenas numa tremenda e infinita bronca.

Fonte: Facebook

FRASES ILUSTRADAS

domingo, 18 de outubro de 2020

O TRISTE FIM DE UM CANDIDATO SINCERO

O TRISTE FIM DE UM CANDIDATO SINCERO
Antônio Britto

Discurso do candidato sincero não foi reproduzido em nenhum dos 5.570 municípios 

“Bom dia, amigas e amigos.

Sou candidato, quero e preciso do voto de todos.

E para ajudar na decisão de vocês, antecipo aqui algumas coisas que penso, algumas coisas que gostaria de fazer se eleito.

Primeiro, eu acredito na política. Apesar da moda contra, a política segue sendo a única forma, na minha opinião, de mediar os conflitos naturais em nossa cidade, promover o diálogo e construir acordos e soluções. Então, o primeiro papel do prefeito tem que ser conversar e conversar muito com a população, claro, mas também com os vereadores, com os outros poderes. Acho que dá para fazer isso sem cair na corrupção que todos detestamos.

Eu disse melhorar e não chegar ao ideal porque nenhum problema será resolvido em menos de três ou quatro diferentes mandatos, muito a fazer em pouco tempo e sem recursos.

Terceiro, e fundamental: as soluções além de não serem simples necessariamente vão custar algo para alguém. Se a população, por exemplo, não quiser corte nas despesas e nos privilégios de alguns funcionários, precisa concordar com aumento de impostos. Se não quiser aumento de impostos nem corte de despesas, precisa examinar a possibilidade de concessões e privatizações. E se não quiser nada disso, tem que concordar que só ser eficiente na arrecadação e na gestão não basta.

Um famoso político inglês, em tempos de guerra, falou em sangue, sofrimento, suor e lágrimas. Não vamos ser dramáticos, mas a nossa guerra contra o atraso, a miséria, a pobreza da prefeitura e, pior, a dos moradores vai exigir, ao menos, muito suor e algum sofrimento.

Gostaria que vocês aceitassem meu convite, apoiassem essa proposta. Mas prefiro que saibam antes de votar o que terão de ouvir de mim ou de qualquer candidato quando for eleito e cair na realidade. Pesquisem um pouco –quem promete soluções simples geralmente é o mesmo pessoal que eleito denuncia “herança maldita” , diz que “está de mãos amarradas”, “infelizmente não posso fazer mais”.

Então, eu estou simplesmente dizendo durante a campanha para não precisar dizer depois de eleito.”

Nota complementar: o texto acima não foi ao ar em nenhum programa de propaganda eleitoral dos 5.570 municípios brasileiros. O candidato, autor do discurso, foi denunciado como “suicida político” pela equipe de marketing do seu programa, acusado de traidor pelos candidatos a vereador e, a pedido do partido, teve cancelado seu registro para disputar as eleições.

O novo candidato, para economizar tempo, decidiu praticar a utilização de “acervo doutrinário comum” –moda entre altas autoridades do país– e autorizou o pessoal de marketing a fazer um “melhores momentos” de propostas que sejam simples, gerem otimismo e garantam votos. As primeiras pesquisas indicam que a estratégia está dando certo, a exemplo do que acontece em boa parte das principais cidades brasileiras.

Fonte: https://www.poder360.com.br

BRING ME SUNSHINE

THE JIVE ACES
THE JIVE ACES, é uma banda formada em 1989 no Reino Unido. Numa excelente produção, a banda executa "Bring me Sunshine". Para saber mais sobre a banda clique aqui
Um homem nunca deveria ter vergonha de confessar que errou, pois na verdade é como dizer, por outras palavras, que hoje ele é mais sábio do que foi ontem. (Jonathan Swift)

LUGARES

COLMAR - FRANÇA

PENITÊNCIA

Felipe V, rei da Espanha
PENITÊNCIA
José Horta Manzano

Você sabia?

Nos anos 1600, a Espanha era dona de meio mundo. Além do espaço peninsular, a coroa contava com outras possessões: as extensas colônias na América, as Filipinas, entrepostos comerciais na costa africana e ainda territórios na Europa: Sardenha, Sicília, Milão, o Condado da Borgonha (hoje na França), a Bélgica, os Países Baixos, Luxemburgo e alguns territórios hoje alemães. Era um império vastíssimo que despertava muita cobiça.

No ano de 1700, Carlos II, rei da Espanha, morreu sem deixar descendência. Ele era da poderosa linhagem dos Habsburgos – a Casa da Áustria –, família cujos membros reinaram por séculos na Alemanha, na Áustria, na Espanha, na Croácia, na Hungria e em outros territórios.

Famílias da alta nobreza europeia costumam ser muito entrelaçadas e exibir parentesco intrincado. Esse fenômeno perdura até nossos dias. Os reis e rainhas atuais são todos primos próximos ou distantes. É fácil entender que, com a morte de Carlos II, tenha aparecido meia dúzia de pretendentes ao trono, todos oriundos dessa consanguinidade e, de certa forma, parentes do falecido.

Como não houve meios de se pôr de acordo, o jeito foi entrar em guerra. Desses conflitos antigos, não se fala muito. A razão é simples: vivemos num mundo de imagem e dessas velhas guerras não há foto, nem filme, nem vídeo. O máximo que se tem é uma ou outra pintura, em geral executada décadas mais tarde.

A Guerra de Sucessão espanhola foi feroz; representou um prenúncio dos futuros conflitos mundiais. Opôs a dinastia dos Habsburgos à dos Bourbons. Batalhas travaram-se não só na Europa, mas também na América, entre colonos ingleses, espanhóis e franceses. É complicado explicar em duas linhas os comos e os porquês do enfrentamento. Alguns números dão uma ideia da amplitude. A guerra se estendeu de 1701 a 1714. É impossível calcular o total de vidas humanas perdidas, visto que os observadores da época não dispunham dos instrumentos de hoje. As estimativas variam muito, mas a contagem mais impressionante chega a 1.250.000 mortos, entre militares e civis. A fome e a doença são a causa principal de mortes civis.

Importante batalha ocorreu em 1713 na região de Valencia, na cidadezinha de Xàtiva. Dado que o enredo é complicado, não vale a pena descer aos pormenores. Convém notar que a memória coletiva dos habitantes guarda gosto amargo dos massacres de que seus antepassados foram vítimas. O ressentimento contra os Bourbons perdura até hoje.

Passados 300 anos, é justamente a Casa de Bourbon que ocupa o trono espanhol. Tanto Juan Carlos I como seu filho e atual rei, Felipe VI, pertencem a essa dinastia. Em Xàtiva, que hoje conta com 30 mil habitantes, há um museu de arte que abriga pinturas. Entre os quadros, há um retrato do rei Felipe V, aquele que reinava na época da batalha de 1713. Artisticamente, não é nenhuma obra-prima, mas representa justamente o detestado opressor, fato que incomoda os nativos.

Nos anos 1950, o diretor do museu era um señor mais ousado que seus antecessores. Um dia, tomou a decisão de pendurar o quadro de cabeça para baixo. Está até hoje nessa posição. Ficou combinado que só voltará à posição original no dia em que um dos descendentes pedir desculpas pelo massacre que seus antepassados cometeram contra o povo da cidadezinha.

Até hoje, nenhum dos reis da Espanha aquiesceu ao pedido. Para surpresa de visitantes do museu que não conhecem a história, o quadro continua de ponta-cabeça. A depender da vontade dos habitantes de Xàtiva, assim vai continuar.

Fonte: https://brasildelonge.com

FRASES ILUSTRADAS

sábado, 17 de outubro de 2020

QUER PASSAR POR PANACA?

Charge do Sponholz
QUER PASSAR POR PANACA?
Percival Puggina

Quer passar por panaca? Defenda coisas tão absurdas quanto religião, família e valores

“Panta rei” – tudo flui -, afirmava o filósofo Heráclito, no séc. V a.C. Essa antiga idéia, segundo a qual a evolução é regra universal e irrestrita, foi firmando parceria com uma outra, segundo a qual tudo caminha no sentido da perfeição. Esse pacote de crenças está muito presente na cultura contemporânea. A maior parte das pessoas acredita piamente nela. Que tudo muda é verdade, não é certo, porém, que toda mudança implique evolução e aperfeiçoamento.

No século passado, o evolucionismo recebeu dois importantes reforços através de Herbert Spencer e de Charles Darwin. O primeiro expôs uma teoria segundo a qual a evolução é uma passagem do simples ao complexo, do menos ao mais coerente; o segundo deu-lhe a conhecida dimensão biológica: a sobrevivência e o desenvolvimento dos indivíduos são determinados por sua capacidade evolutiva e de adaptação ao ambiente.

ABUSO RELATIVISTA – Não consegui localizar o ponto exato em que o evolucionismo se associou à tese do “constante aperfeiçoamento das coisas”, mas aconteceu aí um abuso semelhante ao que os modernos relativistas cometeram com a teoria física da relatividade. Assim como o que era físico ganhou uma descabida dimensão “moral” (o relativismo), “mudança” passou a ser sinônimo de “aperfeiçoamento”.

E daí? E daí decorre um monte de absurdos. Tudo que é antigo é imperfeito e tudo que é moderno é perfeito; o que muda evolui e o que permanece involui; tudo que se faz hoje supera o que se fazia ontem. Vive-se sob o império da moda: o jovem é bonito e sábio; o velho é feio e burro. Essa curiosa associação de novidade com qualidade produz uma espécie de iconoclastia de fraldas à qual nada antigo resiste.

AMOR E FAMÍLIA – A começar pelo amor – coisa antiga demais – que se esgota na curtição recíproca, não implica laços nem o respeito indispensável à relação entre as pessoas. Como estabelecer, por exemplo, a supremacia do novo sobre o antigo nas relações entre pais e filhos, entre alunos e professores?

Poucas coisas tão antigas e, portanto, tão “superadas” quanto a instituição familiar. Desencadeou-se contra ela um furioso ataque. Afrouxaram seus elos; abriram-na e desoneraram seus membros de maiores deveres; por fim, cumpriu-se a tarefa de desorientá-la com ideias que são droga e drogas que turvam a mente. Tudo moderno, bom e politicamente corretíssimo. Aliás – quer passar por panaca? – defenda coisas tão absurdas quanto religião, família e valores.

Fonte: Tribuna da Internet

BOLSONARO E A CORRUPÇÃO

BOLSONARO E A CORRUPÇÃO
Hélio Schwartsman

Há uma semana, ele declarou que não havia corrupção em seu governo

Os deuses sabem ser irônicos. Poucas horas depois de Jair Bolsonaro ter afirmado que daria uma voadora no pescoço de quem praticasse corrupção em sua gestão, a Polícia Federal flagrou o senador Chico Rodrigues (DEM-RR), vice-líder do governo, com cerca de R$ 100 mil em sua residência, dos quais R$ 30 mil se encontravam em sua cueca, algumas notas "entre as nádegas", como fizeram questão de publicar, por pudicícia, alguns veículos.

A operação policial que apanhou o repleto senador é parte de uma investigação sobre desvio de verbas destinadas ao combate à Covid-19. Uma semana antes dessa pilhéria divina, o presidente declarara que não havia corrupção em seu governo e que por isso ele acabara com a Lava Jat o.

Embora Bolsonaro tenha no passado dito que tinha "quase uma união estável" com Rodrigues, esse não é o caso controverso mais próximo do presidente. Abstraídos os vários rolos de ministros, dois de seus filhos são investigados por desvio de verbas nas famosas "rachadinhas", um nome mais simpático para peculato. Contra o primogênito, o senador Flávio, já há um impressionante acervo de provas. Até a primeira-dama recebeu cheques, cuja soma chega a R$ 89 mil, do arquissuspeito Fabrício Queiroz e de sua fiel esposa.

OK, tecnicamente a família não faz parte do governo, o que, se desobriga o presidente de dar-lhes voadoras no pescoço, não o dispensaria de oferecer explicações à sociedade.

Para quem já atingiu a ataraxia, é possível divertir-se com esse pregar de peças do destino. Mas é preciso reconhecer que, no fundo, a culpa é nossa. Como já escrevi aqui, o Brasil merece Bolsonaro. Ele não apenas foi eleito democraticamente —apesar dos sinais prévios inequívocos de que não era confiável— como sua popularidade vem crescendo —apesar do desastre que é sua administração e da pilha de mais de 150 mil mortos pela Covid-19. Democracia tem consequências.

Fonte: Folha de S. Paulo

NO PAÍS DOS ABSURDOS

NO PAÍS DOS ABSURDOS
Edmilson Siqueira

… estamos caminhando para que todos os absurdos que ocorrerem na política brasileira não mais espantarão pelo ineditismo. Será mais um político que fez aquilo que outro ou outros já tinham feito. E assim vamos caminhando para bater todos os recordes do absurdo na política…

Em se tratando de política brasileira não há limites. Há uma frase que já deve ter sido modificada mil vezes por aí, mas que na essência diz que qualquer coisa absurda que aconteça no Brasil, procure na Bahia (ou em Minas, depende de quem usa a frase) que encontrará antecedente. A frase pode ser injusta com o estado citado, mas estamos caminhando para que todos os absurdos que ocorrerem na política brasileira não mais espantarão pelo ineditismo. Será mais um político que fez aquilo que outro ou outros já tinham feito. E assim vamos caminhando para bater todos os recordes do absurdo na política.

Se já não bastasse um assessor de um deputado pernambucano ser flagrado, em 2005, com cem mil dólares na cueca, fato esse que foi seguido de outros absurdos, pois nem o assessor nem o deputado foram punidos e a origem do dinheiro também não foi explicada até hoje, agora aparece um senador da República, vice-líder do governo, pego numa operação da Polícia Federal com a cueca cheia de dinheiro sujo. Sujo, no caso, com sentido duplamente qualificado, se é que me entendem.

Aí vem o presidente da República e diz que no governo dele não tem corrupção, embora em menos de dois anos, já ululem fatos de sobra sobre malversação do erário, tanto nos arredores da cadeira presidencial, quanto na intimidade da família Bolsonaro.

Hoje mesmo, sexta-feira, a Revista Crusoé – em mais um dos vários “furos de reportagem” que vem publicando há meses e se tornando o mais importante veículo da imprensa política brasileira – mostrou que a relação de Fabrício Queiroz com os Bolsonaros começou bem antes da data que as investigações alcançaram. Ou seja, são amigos do peito há quase 20 anos, desde o primeiro mandato do filho 01 na Assembleia do Rio de Janeiro. E Queiroz, à época, já estava implicado em processo de homicídio, ao lado do “parça” Adriano da Nóbrega, que mais tarde viria a ser um dos mais violentos chefes de milícia do Rio, liderando um tal de “escritório do crime” especializado, entre outras coisas, a assassinar por encomenda, até ser morto na Bahia pela PM, ao resistir à prisão. Como se vê, corrupção e outras mazelas, sempre fizeram parte da família Bolsonaro.

Para continuar no campo dos absurdos, quando veio a público o dinheiro sujo do senador do DEM, vice-líder do governo, seu pares mais chegados e que consideram nada de mais ter algumas centenas de milhares de reais dentro de casa, se calaram. Alguns chegaram ao absurdo de questionar a guarda do dinheiro da na cueca . “logo ele, tão experiente…”. Os que se indignaram com o fato e condenaram o senador pego em flagrante delito foram poucos. Mas foi só o ministro Luís Roberto Barroso, do STF, determinar o óbvio afastamento do senador apanhado com as cuecas recheadas de notas de cem reais, para que o grupo de senadores, talvez tão safados quanto o encuecado, saíssem em sua defesa, dizendo ser “um absurdo um ministro afastar um senador numa decisão monocrática, que o Senado é soberano e ele é quem decide que deve ou não continuar exercendo suas nobres funções para as quais foi eleito pelo povo…”

Como se vê, são as bobagens de sempre em defesa de um colega descaradamente corrupto e da corrupção em geral. E isso, embora se constitua um absurdo, não é inédito. Em governo recentes assistimos a infindáveis desfiles de desculpas esfarrapadas para flagrantes delitos, sem contar a descoberta não de uma cueca, de uma mochila ou de uma única mala recheada de notas de reais, dólares e euros (as três preferidas da bandidagem com mandato), mas sim de um apartamento inteiro servindo de cofre a nada menos que 51 milhões de reais guardados em mais de uma dezena de malas e caixas. A descoberta do apartamento recheado foi em setembro de 2017. Os acusados pelos crimes foram condenados em 2019, mas, por mais absurdo que pareça, ainda estão soltos aguardando julgamento da fieira de recursos que a bondosa Justiça brasileiro oferece a todos os facínoras ricos que podem pagar caros advogados com o dinheiro fruto da corrupção. Já se tentou proibir que advogados sejam pagos com dinheiro da corrupção, mas a OAB e outras entidades ligadas à advocacia, por mais absurdo que pareça, berraram muito por aí e os políticos, que seriam prejudicados com a medida, não a aprovaram, claro.

No país dos absurdos há, por exemplo, uma empresa estatal que foi criada para administrar a implantação de um trem-bala. Os petistas criaram a estatal para o trem, mas não conseguiram fazer o trem. Ora, se não tem trem, não pode continuar existindo uma empresa criada para administrar a implantação do trem. Mas estamos no Brasil e a empresa já tinha centenas de apaniguados dos políticos nela empregados, mamando o erário, que é o que eles mais sabem fazer. Constatado o “elevado serviço social” que a empresa do trem que não existe prestava à “comunidade” (comunidade lá das negas deles, bem entendido), ela continuou existindo, sem qualquer objeto ou objetivo, sem qualquer produto ou produção. E custando alguns bilhões de reais por ano, por mais absurdo etc. e tal…

Só que a história não acaba aí. Tem mais absurdos…

Veio o governo-tampão de Temer e ele, fiel a quem lhe sustentou nos anos anteriores (o PT), manteve a empresa do trem agora já considerada totalmente fantasma. E quem substituiu Temer foi um candidato que não só esbraveja contra a corrupção, como prometera acabar com as estatais todas. Ora, se prometera acabar com estatais que, embora deem prejuízo, produzem alguma coisa, imaginem o que aconteceria com uma estatal que nada produz e nem tem objetivo algum. Pois no país dos absurdos, a estatal não só continuou existindo e nenhuma das outras, até praticamente dois anos de mandato, foi extinta ou vendida. Ensaia-se uma tímida desestatização dos Correios, para o ano que vem, se os absurdos do país dos absurdos não suplantarem, como têm suplantado até aqui, a lógica e o bom senso.

É isso mesmo: a existência de funcionários fantasmas que já é um absurdo, ganhou um novo patamar no Brasil. Temos sim uma empresa inteirinha fantasma, cheia de funcionários fantasmas para cuidar de um trem idem, que jamais saiu e nem vai sair na próxima década do papel.

E assim, de absurdo em absurdo, os políticos brasileiros vão destruindo toda e qualquer esperança de que esse país saia da encalacrada situação a que chegou, por obra e graça dos políticos eleitos pelo povo que, ao invés de se tornarem empregados desse povo que o elegeu, passam a ser seus carrascos.

Estamos em plena campanha eleitoral para prefeitos e vereadores. Eu ia dizer que se trata de mais uma chance para votarmos em cidadãos honestos e interessados em melhorar de fato o país, mas acabei de ouvir o horário eleitoral obrigatório no rádio (outro absurdo) e cheguei à triste e realista conclusão: não há qualquer esperança de melhorar.

Fonte: https://www.chumbogordo.com.br
As faltas que cometo não me ajudam, perturbam-me demasiado. (Georges Bernanos)

LUGARES

MOSCOU - RÚSSIA

FRASES ILUSTRADAS

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

NOVA FAIXA SOCIAL

NOVA FAIXA SOCIAL
Sandra Pujol

Se observamos com cuidado, podemos detectar a aparição de uma nova faixa social que não existia antes: pessoas que hoje têm entre sessenta e oitenta anos.

A esse grupo pertence uma geração que expulsou da terminologia a palavra envelhecer, porque simplesmente não tem em seus planos atuais a possibilidade de fazê-lo.

É uma verdadeira novidade demográfica, semelhante ao surgimento da adolescência; na época, que também era uma nova faixa social, que surgiu em meados do século XX para dar identidade a uma massa de crianças desabrochando, em corpos adultos, que não sabiam, até então, para onde ir ou como se vestir.

Este novo grupo humano, que hoje tem cerca de sessenta, setenta ou 80 anos, levou uma vida razoavelmente satisfatória.

São homens e mulheres independentes que trabalharam durante muito tempo e conseguiram mudar o significado sombrio que tanta literatura latino-americana deu por décadas ao conceito de trabalho.

Longe dos tristes escritórios, muitos deles procuraram e encontraram, há muito tempo, a atividade que mais gostavam e na qual ganham a vida.

Supostamente é por isso que eles se sentem plenos; alguns nem sonham em se aposentar.

Aqueles que já se aposentaram desfrutam plenamente de seus dias, sem medo do ócio ou solidão, crescem internamente. Eles desfrutam do tempo livre, porque depois de anos de trabalho, criação dos filhos, carências, esforços e eventos fortuitos, vale bem a pena contemplar o mar, a serra e o céu.

Mas algumas coisas já sabemos que, por exemplo, não são pessoas paradas no tempo; pessoas de cinquenta, sessenta ou setenta, homens e mulheres, operam o computador como se tivessem feito isso durante toda a vida.

Eles escrevem e veem os filhos que estão longe e até esquecem o antigo telefone para entrar em contato com seus amigos para os quais escrevem e-mails ou mandam whatsapps.

Hoje, pessoas de 60, 70 ou 80 anos, como é seu costume, estão lançando uma idade que AINDA NÃO TEM NOME. Antes, os que tinham essa idade, eram velhos e hoje não são mais... hoje estão física e intelectualmente plenos, lembram-se da sua juventude, mas sem nostalgia, porque a juventude também é cheia de quedas e nostalgias e eles bem sabem disso.

Hoje, as pessoas de 60, 70 e 80 anos celebram o Sol todas as manhãs e sorriem para si mesmas com muita frequência ... Elas fazem planos para suas próprias vidas, não com as vidas dos demais.

Talvez, por algum motivo secreto que apenas os do século XXI conheçam e saberão, a juventude é carregada internamente.

A diferença entre uma criança e um adulto é, simplesmente, o preço de seus brinquedos.

Fonte: https://www.facebook.com
Quem fala muito mente sempre porque se esgota seu estoque de verdades. (Millôr Fernandes)

LUGARES

LUGANO - SUÍÇA


MR. MILES



RESTAURANTES SEM COZINHA

Agora instalado em Burlington, no Estado norte-americano de Vermont, mr.Miles diz que foi levar Trashie, a raposa das estepes siberianas, para curtir o ar do mais belo dos outonos. Embora Trasie não possa mais ver,nosso correspondente fica maravilhado com os uivos de prazer que sua mascote profere diante de paisagens com folhas amarelas e escarlates em um ambiente de sonho. A seguir a pergunta da semana:

Dear mr.Miles, o senhor poderia nos explicar como fazer para identificar o que chama de restaurante pega-turistas? Thank you!


Regina Passy, por e-mail

"Well, my dear, confesso que minha definição foi, sim, um tanto quanto exagerada. Os estabelecimentos mencionados realmente pegam os turistas por um motivo muito simples: eles estão sempre nas proximidades de alguma atração muito visitada ou caminho entre duas delas.

Em alguns lugares, indeed, eles o fazem literalmente: aliciadores travestidos de garçons ficam na porta, dirigindo-se aos transeuntes e tentando convencê-los de que a casa que defendem é melhor e oferece mais vantagens que as concorrentes.

Unfortunately, um turista cansado depois de intensa atividade está realmente propenso a ser seduzido pelo restaurante mais à mão. O que não significa, however, que ele vá comer mal. Apenas que, com certeza, não comerá bem. Vou lhe apresentar, dear Regina, um exemplo clássico de gastronomia pega-turista. A belíssima Piazza Navona, em Roma, com suas hipnóticas esculturas de Bernini, tem perto de trinta restaurantes em suas margens.A paisagem, portanto, é sempre bonita, o que, by the way, já aumenta em 30% os valores do cardápio.

Ocorre que, recentemente, meu bom amigo Maciellis, um grego muito cioso de cada prato que pede - ele vive orientando os garçons  sobre a cocção das carnes, o tempero das saladas e até a cremosidade das sopas-, encontrou outro grego, de Salonica, na função de maître de um desses restaurantes. Conversa vai, conversa vem, Maciellis obteve a informação de que - believe me! - apenas três das casas de repasto da famosa praça têm cozinhas. Como? Restaurantes sem cozinha?

Indeed, darling: 90% dos estabelecimentos da Piazza Navona dispõem apenas de aparelhos de micro-ondas e refrigeradores. Os pratos oferecidos em seus cardápios são fabricados em alguma indústria nas proximidades e ficam congelados até que algum incauto decida comê-los.

Você há de convir, dear Regina, que estabelecimentos assim não podem produzir gastronomia virtuosa, nem concorrem a estrelas do Guia Michelin. A mim me parece que um restaurante sem cozinha é como um teatro sem palco ou banheiro sem porcelanas. Don´t you agree?

Uma maneira quase sempre eficiente de encontrar estabelecimentos oportunistas é verificar se existe, à mostra, opções de menu a preço fixo. Bons restaurantes não fazem esse tipo de promoção. Estou de acordo que, sometimes, esses combinados são muito econômicos e nossos vizinhos escoceses, fartamento conhecidos por sua sovinice, gostam de frequentá-los. Isso, of course, quando não estão fazendo convescotes nas praças.

Anyway, admito que essas considerações têm um toque de mau humor. Na verdade, cada viajante tem o direito de fazer o que quiser de seu estômago. Nevertheless, como considero a cozinha de cada lugar uma parte valiosa de sua cultura, sugiro que, ao menos uma vez, o visitante exponha-se ao melhor da gastronomia local. Isso não significa visitar restaurantes muito caros. A melhor cozinha de cada lugar está, quase sempre, nos bairros que não têm qualquer interesse para turistas. Naqueles pequenos bistrôs ou tascas visitados, cotidianamente, por trabalhadores da própria cidade. Escolha os mais cheios, sobretudo se forem os mais antigos.

Aposto que, ao menos, eles terão cozinhas. Don´t you agree?

Fonte: O Estadão