sábado, 30 de novembro de 2019

O que se aprende no berço, dura para sempre. (Provérbio Espanhol)

FRASES ILUSTRADAS


HERÓI EM SURDINA

HERÓI EM SURDINA
Por Ruy Castro

Em 1930, se a ideia tivesse ocorrido a alguém, seria possível reunir na mesma sala no Rio, e ao redor do mesmo piano, Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, Freire Junior, Eduardo Souto, Augusto Vasseur, Henrique Vogeler, Joubert de Carvalho, Sinhô, Ary Barroso, Nonô, Radamés Gnattali, Custodio Mesquita, Gadé, Vadico e Carolina Cardoso de Menezes. E se Zequinha de Abreu, que morava em São Paulo, estivesse no Rio, de visita, melhor ainda. Teríamos, ali, o estado-maior do piano brasileiro.

Todos eram grandes pianistas e estavam vivos e ativos. Mas não por muito tempo: Sinhô morreria em agosto, aos 41 anos; Nazareth, em 1934, aos 70; e Chiquinha, em 1935, aos 87. A maioria já prestara grandes serviços à música popular.

Outros começavam bem -Ary, Radamés, Custodio, Gadé, Vadico- e mesmo Carolina, aos 15 anos, já tinha o que mostrar: em "Na Pavuna", por Almirante, primeiro disco brasileiro a conter percussão de samba, gravado em dezembro de 1929, o piano era ela.

O que teria resultado daquele conclave? Só se pode especular, mas, se a reunião fosse para eleger um deles como o papa do piano e da composição, o carioca Nazareth levaria por unanimidade -o que incluiria o próprio voto. Ele sabia o que valia.

Até hoje, seus mais de 200 "tangos", polcas, valsas e quadrilhas, como "Odeon", "Fon-Fon", "Brejeiro", "Ouro Sobre Azul" e "Apanhei-te Cavaquinho", ficam tão bem numa sala de concerto quanto num pianinho de parede. Nazareth não queria ser dançado, mas ouvido -e como devia doer-lhe ter sido chamado por Mario de Andrade de "anunciador do maxixe".

Os 150 anos de seu nascimento estão sendo lembrados, mas bem ao nosso jeito: intramuros, em surdina. Se o Brasil fosse mais grato a seus heróis, Nazareth já seria biografia, filme, selo, estátua, nome de teatro e cadeira na universidade.

Fonte: Folha de S. Paulo

LUGARES

CARCASSONE - FRANÇA

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

A avareza perde tudo justamente por querer tudo. (Jean de La Fontaine, poeta francês, 1621-1695)

FRASES ILUSTRADAS

MR. MILES


O couvert artístico nas companhias aéreas

Nosso incansável viajante, um assíduo frequentador dos voos das mais diversas companhias aéreas desde os tempos em que o comissário flambava crêpes suzette na frente dos passageiros, responde às perguntas mais frequentes desta semana:

Prezado Mr. Miles: e eis que volta a norma que autoriza a cobrança pelas malas embarcadas em companhias aéreas. O que o senhor tem a dizer a respeito?
José Antunes F. Contini, por email 

Well, my friend: já tive a oportunidade de escrever a respeito, sempre com a mesma indignação. Não me importa tanto a lei quanto o espírito da lei. Companhias aéreas, as you know, existem para transportar pessoas e mercadorias de um canto a outro no planeta. Bagagens, of course, são mercadorias e, por isso, podem ser cobradas. A questão é que, tradicionalmente, os passageiros sempre tiveram o direito de levar, em sua companhia, as malas de que necessitam, dentro de uma determinada limitação de peso.

Fair enough. O valor dos poucos quilos a mais sempre esteve incluido, for sure, no preço dos bilhetes. 
Eis que, em manobra para reforçar seu caixa, surge a liberdade para estabelecer preços para a bagagem, sem, é claro, que o valor antes embutido, seja retirado. Dupla taxação, in other words. Pior: não sendo única, a regra será aplicada distintamente em cada empresa, de modo que, agora, o valor do bilhete é apenas referencial. É preciso que a ele se some o valor, variável, do preço do transporte da bagagem. A big mess! 

Como eu já tive a oportunidade de preconizar neste espaço — e sou apenas um viajante, não uma pitoniza — , o mundo caminha para os chamados preços mentirosos. Você vai a um hotel para hospedar-se. Mas paga, além disso (em grande parte dos casos, I'm afraid) altas taxas para usar o wifi ou o telefone ou o estacionamento. O wifi? I'm sorry to say, mas até o mais humilde pub da periferia de Birmingham não cobra por esse serviço, que, besides, não tem custo nenhum para o taberneiro. 

Apenas os hotéis verdadeiramente classy incluem todos custos no valor da diária — e tornam-se mais simpáticos a quem os utiliza. Nos aviões, unfortunately, a realidade é a mesma e tende a piorar.

Vejamos o que vai ser taxada a mais no futuro, além das bagagens:

1- Taxa de reclinamento do assento. O passageiro vai poder comprar um combo que inclui, as well, a taxa da liberação da mesinha.

2- Conta de luz durante a viagem: o viajante dividirá um rateio pela iluminação da aeronave e mais uma continha pelo uso de sua luz de leitura.

3- Custo de entretenimeto: um pequeno valor para a revista de bordo e outro, maior, pelo direito de ligar a televisão.

4- Taxa para o chamado dos comissários. As melhores companhias oferecerão, promocionalmente, um chamado free of charge.

5- Tarifa para a utilização do banheiro de bordo. Há muitos estudos a respeito mas, por enquanto, prevalece a tese da utilização de uma espécie de taxímetro na porta do toalete, medindo o tempo de permanência do usuários.

6- Cobertores de bordo com preço fixo. Observação: se a demanda for baixa, a tendência é diminuir a temperatura na cabine.

7- Incremento no valor já cobrado por snacks, bebidas e refeições, associado a um controle mais rígido para evitar a entrada de farnéis na aeronave.

Os valores terão de ser pagos à vista, em dólares, no momento da entrega do serviço. Ou seja: você define quanto a viagem custará, dependendo do que queira usar. Se, however, decidir não utilizar nenhum serviço, terá de pagar uma espécie de couvert artístico.

Apenas os itens de segurança, como cintos, flutuantes e mapa das portas da aeronave serão gratuitos, para que não se diga que as empresas são negligentes.

Essas são as minhas previsões. Quem sabe o prezado leitor tenha outras sugestões a dar — ficarei feliz em publicá-las.

My God: what a shame!

Fonte: Facebook

LUGARES

PARIS - FRANÇA

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

O difícil de confundir alhos com bugalhos é que ninguém sabe o que são bugalhos. (Max Nunes)

FRASES ILUSTRADAS


NÃO TROPECE NA LÍNGUA


COMPUTO, ME ADÉQUO, EXPLUDO (2)

Em vista de três consultas específicas, estávamos falando sobre os verbos defectivos ou defeituosos, aqueles que apresentam lacunas em algumas pessoas verbais. Nessa categoria se enquadram todos os verbos que exprimem fenômenos meteorológicos. Por exemplo, amanhecer, chover, anoitecer, garoar, gear, nevar, trovejar só se conjugam na terceira pessoa do singular de cada tempo e não possuem as formas imperativas. São chamados verbos impessoais.

Há outros que podem ser considerados defectivos, os pessoais, que se apresentam sobretudo na terceira pessoa do singular e do plural de cada tempo, como os que exprimem fenômenos da natureza vegetal (arborescer, frutificar, murchar, verdejar, vicejar etc.) e os verbos onomatopaicos ou imitativos de vozes animais e de ruído das coisas (balir, cacarejar, ganir, grasnar, latir, mugir, badalar, chiar, espoucar/espocar, tilintar/tlintar etc.). 

Tanto os verbos que exprimem estados atmosféricos ou vegetativos quanto os onomatopaicos admitem conjugação completa, pois eles podem ser empregados em sentido figurado (eu trovejei de raiva, amanheço pensando em ti, nós frutificamos, eles uivaram de dor) e também em outras acepções, como “eles badalam em todas as festas; o filme foi muito badalado”.

Alguns, entretanto, continuam defectivos, já que não têm a primeira pessoa do presente do indicativo, tais como os verbos falir, parir, balir, latir, colorir, que por conseguinte não têm o presente do subjuntivo.

EXPLODIR não é verbo defectivo em si. Ele é conjugado conforme o verbo dormir, segundo dicionários especializados; portanto, pode-se dizer “ele explode, eu expludo; ele que expluda o balão”. O dicionário Houaiss registra as conjugações brasileiras explodo, exploda, observando que também existem expludo e expluda. Já vi expludo em livros editados em Portugal, numa boa. Aqui, depois que o ex-presidente Figueiredo falou (corretamente) “eu expludo”, criou-se o estigma e a má reputação do verbo, como se ele devesse ter explodido de outra forma: "Ele que se exploda!"

COMPUTAR não é tampouco verbo defectivo. Existem e são usadas formas como “eu computo, ele computa os dados diariamente; computa isso para mim?” Não falar “computa” seria talvez uma opção pessoal por causa da sonoridade indigesta para alguns. O dicionário Aurélio não traz o presente “computo, computas, computa”, como faz o Houaiss, que registra todas as formas. Mas devemos lembrar que as palavras existem não porque os dicionários querem que elas existam. É o contrário: os dicionários devem espelhar o vocabulário existente. 

De qualquer modo, um alerta: quem está se submetendo a um concurso público deve evitá-las, pois nunca se sabe o grau de tolerância da comissão que vai corrigir as provas, a qual pode aceitar ou rejeitar o Houaiss, dicionário que se propôs a registrar um uso efetivo, encontrado mesmo entre falantes cultos, assim considerados, na ciência linguística, os brasileiros da zona urbana que têm curso superior completo. Aliás, formas em discussão jamais deveriam ser objeto de provas de língua portuguesa.

Fonte: www.linguabrasil.com.br

LUGARES

COPENHAGUE - DINAMARCA

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Se formos mudar as coisas de modo como devem ser mudadas, teremos de fazer coisas que não gostaríamos de fazer. (John Lennon)

FRASES ILUSTRADAS


TORÍBIO

TORÍBIO
Por Sérgio Jockymann

Pois, Toríbio veio para a casa do coronel com dois meses. Era um desses gatos malhados, concebido em noite de lua em cima de telhado de zinco. Tinha por isso uma certa falta de equilíbrio, que desengonçava o corpo todo. Ora, como havia em Vila Velha um Toríbio gente que caminhava do mesmo modo, foi o coronel olhar para o gato e o batismo aconteceu:

- Vem cá, Toríbio.

O Toríbio possuía uma inclinação muito brasileira pelos que estavam no poder e por isso se entendeu logo com o coronel. Que, diga-se de passagem, não era muito amigo de gato. Mas com o Toríbio foi uma exceção, um pouco provocada pelo fígado do coronel que andava muito bem e um pouco pela malandragem do gato, que era um safado de pai e mãe.

Começa que não miava como os outros gatos miam, quando a cozinheira corta a carne. O Toríbio armava uma cara de vítima e se deixava ficar no meio da cozinha até que os corações amoleciam e o pedaço de carne caia a seus pés. Aí, o danado ao invés de abocanhar a carne como todos os gastos, olhava primeiro para o benfeitor, puxava um miado agradecido do fundo do peito e só depois apanhava a carne com muito cuidado e ia comer num canto.

Por essas artes, todo mundo deu de dizer que o Toríbio só faltava falar. Lá pelos seis meses, quando já estava querendo botar corpo de gato grande, aconteceu um desastre. O coronel cansado de alisar o bichano, jogou o Toríbio do sofá para uma poltrona e o infeliz caiu de mau jeito. Torceu o corpo e se pôs a lançar miados pavorosos, enquanto o coronel esquecia todas as mortes que tinha na consciência, para se derreter em aflições:

- Toríbio, meu filho, o que foi isso? Fala comigo, Toríbio.

E o Toríbio a berrar como um desesperado, enquanto o coronel trovejava que queria um veterinário na casa imediatamente. Eram dez da noite, o que para Vila Velha era alta madrugada, mas mesmo assim seu Venâncio veio como um raio. Mal entrou, o Toríbio se jogou no chão e mudou os berros para um choro muito sentido.

- Que foi?

- Descadeirou.

Seu Venâncio levou uma hora apalpando, até que deu o veredito:

- Coronel, o bicho sofre de raquitismo. Tá propenso a mau jeito.

- Não quebrou nada?

- Não senhor.

No dia seguinte, o Toríbio iniciava uma dieta de sol e óleo de fígado de bacalhau. Refugava um pouco o primeiro, porque era verão, mas se babava com o segundo.

Só que mudou de personalidade. Quer dizer, a personalidade ficou a mesma, mas os agravantes é que apareceram. Era ver alguém e o Toríbio começava a puxar a perna. Graças a esse recurso infame, vivia nuns dengues de dar nojo. Então quando o escolhido era o coronel, o Toríbio encenava uma paralisia completa. Mais de uma vez, foi apanhado em plena corrida pela entrada do coronel e sem um segundo de vergonha, freiava e trocava o passo para um aleijume de cortar o coração. O coronel se cuspia de riso com aquela safadeza e como era outro do mesmo estilo, os dois se davam como o pai e filho. E o Toríbio foi indo até que se tornou um déspota. Exigia comida especial, cama especial e até sardinha uma vez por semana. E ai que negassem qualquer coisa, que ele logo começava a puxar de uma perna. E diga-se de passagem, que o desavergonhado nem escolhia mais a perna para puxar. Puxava a primeira que desse e mantinha a mentira, mesmo quando o coronel estrilava:

- Toríbio, foi a outra perna.

O Toríbio lançava um olhar ofendido e não trocava de perna, como a dizer que ninguém sabia melhor do que ele onde era a lesão. Claro que com tanta vida boa, botou um corpo enorme e só emagrecia na temporada de boemia. Aí, ia mancando até a porta, cruzava a soleira e do outro lado, era outro gato. Erguia a cabeça, estufava o peito e saía pelo quintal com ares de tigre de cinema. Mas, nesta altura, dona Carmen, a mulher do coronel, deu de implicar com o gato dormindo na cama do casal e começou a mover uma campanha surda contra o Toríbio:

- Esse gato está cheio de pulga.

Lá ia o coronel a catar as pulgas do Toríbio, que embebedava com a catação. Ficava num tal estado de prazer, que às vezes despencava do colo do coronel como um saco de batatas. Também batia no chão e logo puxava da perna. Mas por mais que o coronel catasse, dona Carmen sempre aparecia com mordidas de pulgas até que fechou a questão:

- Ou ele ou eu.

O coronel já andava de amigações com a mulata Maria e teve uma vontade de dizer que preferia o gato. Mas se conteve, porque não ficava bem para um coronel de tanto prestígio político andar abandonando a companhia da esposa num local tão sagrado. Pelo que, saiu o Toríbio, que arrastou todas as patas que tinha sem o menor resultado. Foi jogado do lado de fora da porta, onde miou a noite inteira. No dia seguinte recusou, ostensivamente, os cafunés do coronel e mancou, desaforadamente, pela casa toda. Ficou assim cinco dias, enquanto o coronel se roia de remorsos. E foi na sexta noite que tudo aconteceu. O coronel estava lá pelo terceiro sono, quando ouviu ruídos medonhos embaixo da cama e num segundo já estava fora dela de revólver na mão, enquanto berrava para dona Carmen que acendesse a luz. E mal a luz acendeu, deu com o Toríbio agarrado com unhas e dentes na cabeça de uma enorme jararaca que chicoteava no chão procurando se libertar. Mas qual o que, o Toríbio não soltava a peçonhenta, roncando com quantos bofes tinha. E antes que o coronel saísse do espanto, o gato deu um safanão na cobra e quebrou o espinhaço da bicha. Aí, deu um pulo para o lado e assistiu ofegante aos últimos estertores da cobra. Só quando ela parou de se mover, o Toríbio olhou para o coronel no meio dos olhos, virou a cabeça e saiu capenguendo para fora do quarto. Não chegou à sala, porque o coronel se lançou atrás dele com os olhos rasos d´água:

- Toríbio, meu filho, nunca mais.

Dona Carmen ainda tentou desmaiar, mas foi pura perda de tempo, porque o coronel instalou o gato a seu lado e declarou com voz embargada:

- Podem me chamar de assassino, mas de ingrato nunca.

E aí, quando dona Carmen recolhia os badulaques para dormir no outro quarto, o Toríbio atingiu seu momento de glória. Olhou para ela e por pura desfaçatez se arrepiou todo e soprou o ar pelas ventas. (JOCKYMANN, Sérgio. Vila Velha, Porto Alegre : Editora Garatuja, 1975, p. 27)

LUGARES

AMARANTE - PORTUGAL

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Só se descobre o caráter de uma pessoa quando ela se converte em patrão. (Erich Maria Remarque, escritor alemão, 1898-1970)

FRASES ILUSTRADAS


ROMANCE FORENSE

Charge de Gerson Kauer
JUIZITE?

O juiz, jovem ainda, havia dois dias chegara à comarca. Queria impor disciplina, ordem, respeito. Começou por chamar, um a um - e depois em conjunto - todos os servidores do cartório. 

Não se poderia dizer que ele estivesse contaminado pela juizite (característica em alguns novos magistrados, mas que acompanha alguns por toda uma vida). Mas estava na cara que o novel juiz queria marcar seu território. 

Resolveu entrevistar depois os oficiais de justiça, chamando-os ao gabinete. Foi então que propôs ao que estava sentado na cadeira mais próxima. 

- Diga-me seu nome! 

- Beleza, excelência - respondeu o meirinho.

Na tentativa de descontrair, mas de forma evidentemente imprudente, perguntou em seguida o magistrado:

- E Beleza é nome de gente?.

A resposta chegou por meio de outra pergunta, pronta, incisiva e atrevida do oficial:

- Meritíssimo Doutor Pinto, e Pinto é?” 

Houve uma risada geral. Em instantes encerrou-se a reunião com os agradecimentos do magistrado pela cooperação de todos.

Fonte: www.espacovital.com.br - Romance forense | Publicação em 13.03.12 

LUGARES

MOSCOU - RÚSSIA

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

As ciências aplicadas não existem, somente as aplicações da ciência. (Louis Pasteur, químico e biólogo francês, 1822-1895)

FRASES ILUSTRADAS


DORMIR JUNTOS

DORMIR JUNTOS
Martha Medeiros


É o sonho de toda garota em vias de transformar-se em mulher: dormir junto com o seu Romeu. Talvez ela nem tenha encontrado o príncipe ainda, mas já sonha em dividir lençóis com ele. Um homem seu a noite inteira, os dois protegidos por quatro paredes. Nada daquela pressa de motel, daquele cenário impessoal, daquele castigo de ter que sair de madrugada para voltar para a casa dos pais. Nada de barraca de camping, aquele desconforto, aqueles insetos todos que não foram convidados. Nada de cochilos na rede, de romance dentro do carro, de rapidinhas no meio do mato. Isto faz parte do anedotário da adolescência, quando estamos a ponto de bala e tudo vale. Bom mesmo é dormir juntos numa aconchegante cama de casal, com direito a oito horas de sono e intimidade.

Case e verá. Dividir o mesmo colchão tem vantagens, evidente, e não apenas aquelas que você está pensando. É ótimo enfiar os pés no meio das pernas do outro, principalmente quando está fazendo 2 graus lá fora. É ótimo quando ele levanta para tomar água e traz um copo pra você também. É ótimo ter alguém para pedir que investigue que barulho estranho foi aquele na sala. É ótimo ter alguém para abraçar sem segundas intenções, sem erotismo, só pelo carinho, só pelo calor. Pena que não seja sempre assim.

O amor é cego mas não é surdo: seu príncipe ronca. Você não ronca, mas fala dormindo. O silêncio exigido depois das 22 horas é quebrado por grunhidos, relinchos, ruídos cavernosos. Ou confissões desencontradas, gritos de pesadelo, nomes que não deveriam ser ditos. Vocês acham que fazem muito escândalo acordados, mas é quando entram no mundo dos sonhos que o fuzuê começa.

Se não é o ronco que tira o humor do casal, é o termostato. Ela quer três cobertores assim que entra março. Ele admite uma colcha quando está nevando. Ela dorme de pijama, meias e uma caixa de Kleenex na cabeceira. Ele entra na cama como veio ao mundo e liga o ar-condicionado na potência máxima, não importa a estação do ano. Apaixonados de dia, arquiinimigos de madrugada.
Ele quer a janela aberta, ela trancafiada. Ele quer as cobertas soltas, ela gosta de tudo bem preso na cama. Ele quer três travesseiros de pluma só para ele, ela dorme sem nenhum porque tem problema de coluna. Ele tem o sono leve, acorda quando ela espirra. Ela tem o sono pesado, não acorda com o alarme de incêndio. Ele se vira a noite inteira, ela se mexe tanto quanto um cadáver. Ele gosta de ver o Amaury Jr. na cama, ela gosta de ler. Ele deixa as meias que usou o dia inteiro jogadas no chão do quarto, ela coloca duas gotas de Chanel número 5 depois de escovar os dentes. Ela é Marylin, ele é Maguila, e quando não estão transando, sonham com uma cama king size, até que dois quartos os separem.

Fonte: Facebook

LUGARES

SEVILHA - ESPANHA

domingo, 24 de novembro de 2019

OLHOS NEGROS

LENDAS DA CANÇÃO "OLHOS NEGROS"
Por Luciana do Rocio Malon e Cida Groski 

(Patrícia Kaasss canta Ochi chyornie - Olhos Negros)

A canção Olhos Negros tem muitas lendas urbanas; leremos algumas delas abaixo:

A Cigana de Olhos Negros:

Esta lenda foi contada pela professora Cida Gorski, uma simpática idosa de 97 anos, e ela me pediu para redigi-la e colocá-la na Internet.

Reza a lenda que, no século dezenove, o poeta ucraniano Evgeny Grebenka viajou para Rússia e, num dos bosques deste país, ele avistou um acampamento cigano. Ao chegar, neste local, ele avistou um grupo de ciganos cantando e dançando. Ele ficou encantado com os sons dos violinos. Mas o que lhe chamou atenção mesmo foi uma cigana de cabelos castanhos, pele branca, encorpada e olhos muito negros. 

Então naquele momento, ele escreveu o seguinte poema:
O político de carreira é aquele que faz de cada solução um problema. (Woody Allen)

FRASES ILUSTRADAS


ILHÉUS EM EPIDAURO


ILHÉUS EM EPIDAURO 

Epidauro era uma cidade da Grécia antiga, situada na Argólida, às margens do mar Egeu e célebre pelo santuário de Esculápio, deus da Medicina, que atraía doentes de todo o mundo. Seu teatro ao ar livre está bem conservado. Famoso também é o Anfiteatro de Epidauro, dos maiores de seu tipo e de seu tempo, possuía uma acústica considerada perfeita para a época, reproduzindo com precisão e, principalmente, de forma audível, mesmo o som de um alfinete jogado ao chão, que podia ser ouvido mesmo nas últimas bancadas. (cfe. Wikipédia) 

Pois a nossa guia era grega e falava português de Portugal. Foi ela quem nos deu as explicações sobre a acústica do anfiteatro o que aguçou a veia artística de alguns integrantes da nossa excursão. Eram de Florianópolis e tinham em comum o canto coral no mesmo grupo. 

Foram para o meio da arena e aguardaram um momento apropriado já que todos os turistas eram informados da tal acústica e queriam tirar a prova dos nove. 

Numa trégua qualquer, nossos colegas, sem necessidade de ensaio, nos brindaram com o maravilhoso "Rancho de Amor à Ilha". 

Acompanhei a "apresentação" do alto das escadarias e pude comprovar o quão eficaz eram os efeitos acústicos a ponto de a canção chegar aos meus ouvidos com perfeição. 

Felizmente eu portava a filmadora e registrei para a posteridade aquele momento inesquecível. Para eles, os cantores, acredito que jamais esquecerão os aplausos, merecidos por sinal, que os visitantes lhes dedicaram ao final. 

LUGARES

CRACÓVIA - POLÔNIA

sábado, 23 de novembro de 2019

A civilização é, simplesmente, uma série de vitórias sobre a natureza. (William Harvey, médico inglês, 1578-1657)

FRASES ILUSTRADAS


OS FRANCESES E O BIGODE

OS FRANCESES E O BIGODE


Se  assistimos nos últimos anos, aqui na França, uma reabilitação da barba e encontramos  nas ruas homens elegantes portando este “adereço”, o mesmo não acontece com o bigode.

E olha que as tentativas de re-introdução desta prática foram inúmeras e entre elas o movimento social chamado Movember. Os participantes de Movember (moustache+november), no mês de novembro, deixam crescer o bigode para chamarem a atenção dos governos sobre os aspectos ligados à saúde masculina.

Mas o bigode continua sendo visto como atributo marginal com adeptos bizarros ilustrados pelo World Beard and Moustache Championships.

Não encontro argumentos que expliquem a sentença de morte deste ilustre sinal distintivo masculino a não ser o artigo da revista Slate.fr. O autor considera que  a decadência do bigode está associada ao fato dele ter se tornado, ao longo das últimas décadas, um acessório preferido dos ditadores.  De Stalin à Bachar El Assad, sem esquecer Hitler, Saddam Hussein e Pinochet, todos eles aderiram ao bigode. Entre os 147 ditadores modernos encontramos 62 bigodudos.


Foto: Astérix et Obélix au service de Sa Magesté, filme de Laurent Tirard com Gérard Depardieu, Edouard Baer e Guilhaume Gallienne.

De marca registrada dos gauleses, ormamento maior da masculinidade, e adereço preferido do homem francês até o final da primeira guerra mundial, a moustache se transformou em símbolo de poder e autoridade. Uma pena!

Fonte: Conexão Paris

LUGARES

ST.MORITZ - SUÍÇA

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

As grandes massas cairão mais facilmente numa grande mentira do que numa mentirinha. (Adolph Hitler, Ditador alemão, 1889-1945)

FRASES ILUSTRADAS


MR. MILES


California dreamin

Nosso correspondente inglês, que como a maioria de seus compatriotas, não é exatamente um francófilo (a tradição de refregas entre os dois povos deixou feridas permanentes), deu seu braço a torcer e entusiasmou-se com a escolha globalista do povo francês. "Uma lição gaulesa contra o nacionalismo e a xenofobia que — shame on us! — não soubemos repetir aqui em nossas ilhas. O mundo, my God, está ficando de cabeça para baixo."

A seguir, a correspondência da semana:

Olá Mr. Miles, tenho 22 anos e sou da capital de São Paulo. Gostaria de lhe pedir um conselho sobre a seguinte situação: estou de férias marcadas entre abril e maio em Los Angeles, mas viajarei sozinha pois nenhum dos meus amigos pode me acompanhar. Passarei 20 dias entre LA, San Diego e San Francisco, tenho algumas atrações já agendadas, mas tenho medo de que, por estar só, acabe não me divertindo tanto quanto como se estivesse com alguma companhia, e até mesmo não consiga organizar meus passeios. O senhor teria alguma sugestão para mim?
Danielle Yessenhart, por email

Well, my dear: eu teria uma ótima solução para todos os seus problemas mas, unfortunately, acabei de consultar minha agenda e descobri, que, devido a compromissos anteriormente assumidos, não vou poder, pessoalmente, acompanhá-la em sua american journey. Seria delightful.

Anyway, darling, não vejo motivo para preocupações. Se você tivesse programado suas ferias para a Somália, que é um dos países mais pobres e perigosos do Oriente Médio, eu certamente recomendaria que você contratasse uma dupla de vigorosos guarda-costas. Mas, embora a Califórnia tenha sido governada por Conan, o Bárbaro (também reconhecido como o Exterminador do Futuro), trata-se de um estado de pessoas civilizadas — a não ser, é claro, que você acenda um cigarro, situação que as transforma em uma horda de hunos.

Viajar sozinho, as I do, oferece algumas vantagens preciosas. A primeira delas é o total domínio que você terá sobre sua agenda, podendo manipulá-la do jeito que preferir, sem aquelas crises de relacionamento que se observam quando o seu (ou sua) colega de jornada manifesta interesses divergentes. Não são poucos — I can testify —, os amigos do peito que, no decorrer de uma viagem, transformaram-se em inimigos mortais em virtude do acúmulo de pequenas desavenças no dia-a-dia de suas férias.

A outra regalia oriunda de uma viagem solitária é a extraordinária possibilidade que você terá de fazer novos amigos. Verifico, em suas linhas, que essa é a questão que a preocupa. Pois fique tranquila, darling. A não ser que você sofra de algum tipo patológico de timidez, como meu falecido amigo Jerome (N.da R: J.D. Salinger, escritor Americano, autor de O Apanhador no Campo de Centeio, célebre por sua permanente reclusão), suas chances de conhecer gente com quem compartilhar as emoções da jornada são remarkable.

Para isso, of course, você terá de fazer tours (haverá outros estrangeiros na mesma situação que a sua), frequentar bares e baladas adequados à sua idade e, eventualmente, dormir em albergues. Haverá chatos pelo caminho.That’s unavoidable. Mas não se preocupe: os da Califórnia são iguais aos de São Paulo ou de Londres.

Em Los Angeles, desde que você não se perca naquelas intermináveis alças de viaduto em que um único erro pode levá-la diretamente à Tijuana, no México, eu diria que você tem boas chances de encontrar alguém à espera de uma vaga como figurante em um filme B de uma produtora independente — que, claro, um dia talvez venha a tornar-se Tom Hanks.

Em San Diego, conforme o swell, os surfistas são sua melhor chance. Já em San Francisco, well, você pode até achar um chinês divertido, mas, estatisticamente, suas maiores oportunidades são os hippies velhos do Height-Ashbury ou os gays do Castro. Vai ser igualmente divertido, don’t you agree?

Fonte: Facebook

LUGARES

ESTOCOLMO - SUÉCIA

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados pelo caráter, não pela cor da pele. (Martin Luther King, ativista americano)

FRASES ILUSTRADAS


NÃO TROPECE NA LÍNGUA


OU FÁBRICAS DE MEIAS OU FÁBRICAS DE SABÃO

O leitor Wildemberg Cotts, do Rio de Janeiro, pergunta como reconhecer quando a conjunção ou tem o sentido de exclusão e de equivalência em frases não muito óbvias. Como óbvias ele cita frases do tipo “andar ou caminhar, subir ou descer”, em que está clara a condição de exclusão. O exemplo de equivalência apresentado é “Rui Barbosa ou a Águia de Haia”; aqui, só reconhece o sentido de equivalência do ou quem sabe que Rui recebeu o apelido de Águia de Haia. 

De fato, pode haver alguma confusão entre os dois usos da partícula ou se o contexto for insuficiente para elucidar a questão da sua dupla possibilidade de emprego.

Em primeiro lugar, ou é uma conjunção alternativa, o que implica alternância ou exclusão. Quando restar alguma dúvida disso, o redator pode repetir a partícula, e então ficará claro desde logo que se trata de exclusão:

Pode-se tomar chá ou café. [ideia de alternância: v. toma chá e depois café]
Pode-se tomar ou chá ou café. [ideia de exclusão: somente um deles]
Ou vocês visitam o templo de Hércules ou o de Hermes. 
Se a transcrição longa estiver em recuo da margem, ou em letra diferente, ou em espaço menor, o leitor saberá que está lendo um trecho citado.
Em segundo lugar, ou é uma conjunção explicativa, equivalendo a isto é. Neste caso, para não deixar dúvida ou ambiguidade no texto, pode-se usar a locução ou seja, como é habitual, ou então usá-la mentalmente para tirar a prova:

A receita pede meio litro ou 500 ml de leite. (= A receita pede meio litro, ou seja, 500 ml.)

Visitem o templo de Hércules ou Héracles. (Os dois se equivalem; portanto: o templo de Hércules ou [seja] Héracles.)

--- Mário S. M. da Silva, de Niterói/RJ, entre outros leitores, consulta sobre o plural de locuções adjetivas, ou seja, quando é que se pluraliza o adjunto adnominal constituído da preposição “de” mais um substantivo, como em sala de aula, banho de sol, auto de infração, amor de mãe, tipo de personalidade, termo de convênio, fogo de artifício, cadastro de pessoa, bolsa de trabalho etc.

Em princípio, só o primeiro substantivo vai para o plural, ficando a locução adjetiva [duas palavras que correspondem a um adjetivo, como: de mãe = maternal; de infração = infracional; em grupo = grupal] no singular, sobretudo quando o substantivo da locução é abstrato. Então, teremos: salas de aula, banhos de sol, autos de infração, amores de mãe, tipos de personalidade, termos de convênio, fogos de artifício, cadastros de pessoa, bolsas de trabalho, bolsas de estudo, tabelas de decisão, espécies de solo, tons de azul, fábricas de sabão, caixas de cerveja, bancas de jornal etc.

No entanto, temos de levar em consideração que existem os casos em que se pluraliza o segundo substantivo. De acordo com Napoleão Mendes de Almeida, isso acontece quando o substantivo do adjunto adnominal, sendo concreto, não expressa “matéria contínua” (como cerveja, café, sabão), mas sim “passa a indicar variedades, unidades, indivíduos”. Neste caso, temos: fábrica de meias e de chapéus, caixa de fósforos, grupo de árvores, mostra de orquídeas, cadeira de rodas, cujo plural é fábricas de meias e de chapéus, caixas de fósforos, grupos de árvores, mostras de orquídeas, cadeiras de rodas.

Também existem casos em que o uso não é uniforme, pois depende da interpretação: há postos de combustível/de gasolina(matéria contínua) e postos de combustíveis (indicando variedades); caixas de remédio e caixas de remédios e assim por diante. 

Fonte: www.linguabrasil.com.br

LUGARES

MÔNACO

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

A união do rebanho obriga o leão a deitar-se de fome. (Provérbio Africano)

FRASES ILUSTRADAS


O FULMINADOR

O FULMINADOR
Por Sérgio Jockymann

Pois, seu Tidinho até os oitenta anos foi uma perfeita nulidade. Casou duas vezes e nas duas vezes se deixou dominar pela mulher, teve seis filhos e nos seis não teve a menor influência. Não falava, não cantava, não assobiava. Tinha só uns sorrisos que não diziam nada, mas que mesmo assim ou por isso mesmo foram ajudando sua vida. Até que morreu a segunda esposa e o filho mais velho tomou conta da estância. Um mês depois, seu Tidinho teve o primeiro sintoma de mudança, quando desceu do cavalo e avisou:

- Cansei dessa porcaria de vida. Quero ir para a vila. 

Ora, o comum em Vila Velha era que as pessoas de setenta anos quisessem ir para a estância, onde como disse o finado Hortêncio, “sem nada o que fazer se pode espichar o tempo”. O filho mais velho bateu nas costas do seu Tidinho, riu e não tomou a menor providência. Na semana seguinte, no entanto, ele insistiu:

- Quero ir para a vila.

E ficou insistindo um ano inteiro, até que o filho mais velho perdeu a paciência e berrou:

- Só vai o dia que um raio me partir.

E seu Tidinho tremendo de indignação, bateu a boca desdentada e disse:

- Tomara que um raio te parta!

Foi falar e acontecer. Nem deu para ouvir o trovão. O raio pegou o filho mais velho na soleira da porta e se não o partiu em dois, o torrou por inteiro antes que o vivente pudesse gritar. Foi um berreiro só na casa. Mas seu Tidinho ficou ali parado muito surpreso e um minuto depois, com muito cuidado, tocou com a ponta da bota no defunto e só teve um comentário:

- Ora, vejam só!...

Ele se trancou no quarto. No dia seguinte, antes do defunto sair, seu Tidinho saiu de lá, cumprimentou os presentes e se desculpou:

- Eu não sabia que tinha tanta força.

Pelo que, durante três meses, Vila Velha comentou o caso, e concluiu:

- Praga de pai é um caso muito sério.

O segundo filho instalou seu Tidinho na Vila e nunca pôs o pé fora de casa em dia de temporal. Seu Tidinho deu para passear na praça e teve um súbito rejuvenescimento notado por observações meio espantosas em velhos de oitenta anos:

- Como tem mulher bonita neste mundo de Deus, barbaridade.

Ora, vai daí que de repente seu Tidinho deu para seguir, muito discretamente é claro, a viúva do finado Eleutério, que andava lá pelos quarenta, mas era muito conservada. Tão conservada que já tinha um pretendente, o boticário Alfredinho, que não gostou da história e cortou o caminho do seu Tidinho:

- Tu não me segue mais a viúva seu velho caduco.

Seu Tidinho tremeu o queixo, olhou para o céu carregado, piscou os olhinhos e cuspiu:

- Tomara que um raio te parta.

O boticário Alfredinho riu na cara dele, deu meia volta e atravessou a praça. Estava a dez metros de casa, quando foi atingido pelo raio e segundo o testemunho de vários presentes morreu olhando para seu Tidinho, que lá do meio da praça esfregava as mãos muito satisfeito. O Padre Ramão na missa de domingo disse que ninguém tinha poderes sobre os raios de Deus, mas Vila Velha inteira não acreditou. Até o coronel que era positivista, deu para cumprimentar seu Tidinho, explicando para os amigos:

- Tem muita coisa científica que o homem ainda não descobriu.

E com isso, seu Tidinho passou a merecer o maior respeito na cidade, embora nos dias de trovoada não encontrasse um só cristão no seu caminho. Ora, esse respeito todo terminou alterando seu Tidinho, que em 1932, saudou a revolução paulista com uma declaração estarrecedora:

- São Paulo tem razão. Tou com eles.

Vila Velha fervia de ardor bélico. O Corpo de Provisórios já havia desfilado pela cidade e o coronel já tinha jurado que faltava amarrar cavalo na Praça da Sé, porque no obelisco não chegava. No meio desse ardor revolucionário, que punha faíscas até nos olhos das ovelhas, seu Tidinho passeava pela cidade insistindo:

- São Paulo tem razão. Tou com eles.

O coronel se fez de surdo por dois dias até que o major Otacílio protestou que aquilo estava acabando com o moral da tropa:

- Tem índio aí já querendo voltar para casa coronel.

Só por isso o coronel chamou o delegado de polícia e ordenou:

- Dá um jeito no Tidinho.

O delegado pediu demissão do cargo imediatamente. O coronel então decidiu ceder a honra para o major Otacílio, mas ele não quis saber:

- A tropa precisa de mim.

Foram realizadas quinze reuniões até que o coronel exasperado convocou o padre Ramão:

- O assunto é religioso. Tão desmoralizando a Igreja.

O Padre Ramão aceitou o desafio e foi falar com o seu Tidinho. Explicou o problema da moral da tropa, mas seu Tidinho não se convenceu:

- Com oitenta e um anos, um homem não muda de idéia assim.

- Vão lhe prender, seu Tidinho.

- Tomara que um raio parta o coronel se me prenderem.

O Padre Ramão achou que era muito justo, deu a igreja por satisfeita e devolveu o caso ao coronel.

- Um positivista como o senhor não deve acreditar em praga.

Foi um momento histórico, porque de repente todo mundo olhou para o coronel e ficou à espera de sua decisão.

Ele piscou os olhos por três vezes, limpou a garganta e desatou o nó:

- O positivismo ensina a tolerância e como gaúcho eu respeito os adversários.

E foi assim que, durante toda a revolução constitucionalista, seu Tidinho passeou pela praça diariamente insistindo que São Paulo tinha razão e que estava com eles. E o povo de Vila Velha era tão tolerante que jamais desrespeitou a opinião do seu Tidinho. (JOCKYMANN, Sérgio. Vila Velha, Porto Alegre : Editora Garatuja, 1975, p. 22)

LUGARES

 WESTMINSTER - LONDRES

terça-feira, 19 de novembro de 2019

A história não é mecânica, porque os homens são livres para transformá-la. (Ernesto Sábato, escritor argentino)

FRASES ILUSTRADAS


ROMANCE FORENSE

DESCONCERTANTEMENTE LINDA
Charge de Gerson Kauer
Jovem, 21 de idade, esportiva, a estagiária de Direito chamou a atenção do prefeito não pelos eficientes trabalhos que prestava, mas pelos notórios predicados esculturais. O edil enlouqueceu: chamava-a a todo momento ao gabinete, insinuava-se, elogiava-a pela eficiência etc. 

E quebrando a hierarquia funcional, passou a tratar de assuntos jurídicos diretamente com a estagiária, esquecendo o procurador.

Até que o prefeito se equivocou na estratégia da conquista. Usou e abusou dos torpedos telefônicos: foram 20 mensagens apaixonadas.

Orientada pelo namorado, a estagiária "salvou" todas as mensagens - inclusive a mais caliente delas, cujo elogio era notório, embora com um pecadilho que ofendia o vernáculo: “desculpe dizer, mas você é desconsertantemente linda e..." (etc.)

O desconcerto contra o idioma pátrio estava na troca da letra "c" pelo "s". E esse foi um dos detalhes abordados em acórdão da Câmara Criminal que, provendo recurso do Ministério Público, determinou o recebimento da queixa, para a averiguação de "possível crime contra a liberdade sexual".

Segundo o Ministério Público, "a gravidade dos fatos gerou inclusive denúncia de um vereador junto à Câmara Municipal, aceita para que se dê início a uma investigação legislativa acerca de possível ocorrência de infração político-administrativa por parte do querelado".

A audiência de interrogatório será neste mês. A estagiária mudou-se para um município que evoca um santo. E o prefeito está firme e convicto na cidade que tem, em seu nome, três letras instigantes: "mal". 

Fonte: www.espacovital.com.br

LUGARES

GRAMADO, TUDO DE BOM



segunda-feira, 18 de novembro de 2019

O medo é o mais perigoso dos sentimentos coletivos. (Émile Herzog – André Mauroius -, ensaísta francês, 1885-1967).

FRASES ILUSTRADAS


SEGREDO É PARA SER CONTADO A UMA SÓ PESSOA

SEGREDO É PARA SER CONTADO A UMA SÓ PESSOA
Fabrício Carpinejar

Segredo é destinado a uma pessoa, ninguém mais. É uma confissão exclusiva, um desabafo personalizado. Não inclui grupos de discussão. 

O que provoca a fofoca é o segredo contado para vários amigos. Daí deixa de ser segredo para ser uma notícia reservada. 

Não há como controlar os círculos da voz na multidão, não há como conter as informações depois - pois todo amigo tem uma namorada que tem uma rede de conhecidos. 

A privacidade deve ser protegida já elegendo apenas uma fonte de intimidade. 

Procure estabelecer um definitivo paradeiro para a história. Evitará julgamentos emocionais, impressões apressadas e distorções. Telefonar para diferentes confidentes enfraquecerá a importância do relato e aumentará as chances de ruído. Até porque um terminará sabendo que o outro sabe. E não cabem duas exceções. Duas exceções formam o boato. 

Segredo será vazado quando ocorre o desejo de agradar o círculo inteiro de amizades. A unanimidade não combina com a exposição das fragilidades. O equívoco é perseguir a aprovação no lugar da compreensão. Abrir um defeito ou uma falha é coisa séria e requer sigilo para a reparação. Mais fácil manter algo guardado em uma relação de confiança do que em muitas de duvidoso e complicado consenso. 

Mesmo que desfrute de grandes parcerias do peito, é necessário escolher uma para cada segredo, sob o risco de transformar o silêncio do túmulo em choradeira de berçário. 

O que é dito ao pé de um único ouvido é mantido de pé pelo resto da vida.

LUGARES

KARLOVY VARY
É uma cidade termal situada na parte ocidental da República Checa, na confluência dos rios Ohře e Teplá. Karlovy Vary é assim chamada depois que o imperador Carlos IV fundou a cidade na década de 1370. A cidade é historicamente famosa pelas suas termas.


A cidade foi cenário de vários filmes, tais como As Férias da Minha Vida com a atriz Queen Latifah e 007 - Cassino Royale estrelado por Daniel Craig.

domingo, 17 de novembro de 2019

SOM SABADELL

In the 130 th anniversary of the creation of Banco Sabadell we wanted to pay tribute to our city with the campaign "Som Sabadell." This is the flashmob we do as a climax with the participation of over 100 people in the Vallès Symphony Orchestra and the choirs of Lieder and Friends of l'Opera and the Choral Belles Arts.

Dans le 130 e anniversaire de la création de Banco Sabadell, nous voulions rendre hommage à notre ville avec la campagne "Som Sabadell." Il s'agit de la flashmob que nous faisons en tant que point culminant avec la participation de plus de 100 personnes dans l'Orchestre symphonique de Vallès et les chœurs de Lieder et les Amis de l'Opéra et des arts de chorales Belles.

În 130 ani de-a creării de Banco Sabadell am vrut să plătească tribut pentru orasul nostru, cu campania "Som Sabadell." Aceasta este flashmob facem ca un punct culminant, cu participarea a peste 100 de persoane din Simfonia a Vallès orchestra si coruri de lieduri şi prietenii de l'Opera şi Arte muzică beletristica.

EN EL 130 º aniversario de la creacion de Banco Sabadell hemos querido rendir homenaje a una campaña Con Nuestra Ciudad "Som de Sabadell". Esta Es la flashmob Que Como colofón final al realizamos Participación estafadores mas de 100 personajes de la Orquesta Sinfónica del Vallès y los corrosivos de la Ópera y Lieder y los Amics de Belles Arts de coral.
O eleitor, obrigatoriamente, tem que ser qualificado. O candidato, não. (Max Nunes)

FRASES ILUSTRADAS


PLANTAÇÃO DE VINHO

PLANTAÇÃO DE VINHO

Nossa guia costumava se empolgar com as belezas naturais que iam desfilando em nosso trajeto. 

Era a imponência dos dolomitas e a troca de cores na medida em que o sol se punha ou os imensos campos de canola nas planícies francesas ou ainda o "mar verde" de oliveiras pelo interior espanhol. 

Além de valorizar o passeio, também quebrava a monotonia dos longos percursos daqueles dias de deslocamentos de uma para outra região. 

Numa dessas ocasiões, às margens do Reno, ao compartilhar com todos nós as encostas cobertas de parreiras, convidou-nos a admirar tantas "plantações de vinho". 

Alguns riram baixinho, outros não entenderam. 

Enfim, a coisa ficou meio estranha mas…

Mas nem a gafe e nem a estranheza passaram despercebidas. 

Quando chegamos em Rothenburg, a nossa guia, como de costume, passou os avisos gerais, as dicas da bela cidade medieval, os principais locais de visitação, a hora do encontro para a partida, etc. 

Porém, destacou que antes de qualquer atividade queria mostrar a todos nós uma autêntica "plantação de vinho", já que alguns haviam estranhado o teor de suas observações anteriores. 

Caminhamos um pouco e chegamos à frente de um determinado estabelecimento comercial…

A imagem acima diz tudo. 

Não sei se a provocação na estrada foi proposital ou se ela foi salva pela providência... 

LUGARES

LIUBLIANA - ESLOVÊNIA
Liubliana (em esloveno: Ljubljana; em alemão: Laibach; em italiano: Lubiana; em latim: Labacum) é a capital e maior cidade da Eslovênia com cerca de 272 220 habitantes. Liubliana é a sede do município urbano de mesmo nome. O rio Lublianica marca e divide o centro da cidade em dois. De um lado, a parte antiga e o acesso ao castelo, do outro a parte comercial e política da cidade. No centro se encontra a igreja principal, dedicada à Ordem Franciscana. São poucos os resquícios do passado comunista na cidade, apesar da independência recente, obtida no começo da década de 1990.

sábado, 16 de novembro de 2019

As más leis constituem a pior espécie de tirania. (Edmound Burke, escritor irlandês, 1729-1797)

FRASES ILUSTRADAS


OBRA PRIMA DA PINTURA


O quadro de hoje é dos mais importantes de Velásquez, o que significa que é dos mais importantes da História da Pintura. 

É necessário conhecer um pouco da história das guerras em que a Espanha se envolveu, para apreciá-lo melhor. Breda é uma cidade holandesa situada na província de Brabante do Norte. De 1581 a 1590, e depois de 1625 a 1637, pertenceu à Espanha. Sua captura, em 1625, é “um dos poucos sucessos espanhóis durante a Guerra dos Trinta Anos”. O comandante das tropas espanholas foi o general genovês Ambrogio Spinola.

Podemos calcular o que isso significou para os espanhóis, humilhados por anos de guerras e desmandos. Algum tempo depois, a Espanha, de novo exangue com outras derrotas, o rei se lembra de pedir a Velázquez que retrate esse momento de glória. Será sua única obra de tema histórico.

Também conhecido como “As lanças”, o óleo sobre tela de 3m07 × 3m67 cm, é considerado por grande parte dos críticos de arte como a tela mais perfeitamente equilibrada do pintor. O quadro faz que o espectador, encantado por sua beleza, pela força e originalidade da composição, seja levado para dentro da cena, quando a praça forte de Breda, antes considerada inexpugnável, é entregue pelos vencidos aos vencedores. O general vitorioso está à nossa direita e o holandês, Justijn van Nassau, à nossa esquerda.

Apesar das aparências, os dois campos não confraternizaram. O fim de um sítio de dez meses deixou marcas tenebrosas que podemos calcular olhando para o fundo da tela. O gesto aparentemente afável de Ambrógio nos remete ao fato de que ele não era nem espanhol, nem holandês. Como Velásquez não esteve em Breda, nem era militar, baseou-se em relatos feitos a ele pelo general genovês, na segunda viagem que fez à Itália.

Mas é só olhar com olhos de ver as expressões dos soldados, dos dois lados, voltados para nós, os espectadores, e captar suas mensagens...

Acervo Museu do Prado, Madrid 

(Publicado originalmente em 12 de março de 2009) 

Fonte:Blog do Noblat

LUGARES

SAN FRUTTUOSO - LIGÚRIA - ITÁLIA
 

Situada numa baía muito bonita, a Abadia de SanFruttuoso foi construída entre 10 º e 13 º século.

 

Originalmente um mosteiro beneditino, a Abadia de San Fruttuoso tornou-se propriedade dos Príncipes Doria por alguns séculos. Uma caminhada de duas horas, entre pinheiros e oliveiras, chega-se a Portofino. A visão do alto é deslumbrante. O retorno também é feito através de barcos.

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Quem pensa que sabe o que vai acontecer, é porque deve estar muito mal-informado. (Walter Mondale, ex-vice presidente americano)

FRASES ILUSTRADAS


MR. MILES


UM FILHO PARA NOSSO VIAJANTE

Mr. Miles não confirma nem desmente, mas o boato de que ele tenha sido convidado pela duquesa Kate e pelo príncipe William para sugerir o nome do terceiro herdeiro da casa de Windsor continua se alastrando pelo Reino Unido. Nosso correspondente, como se sabe, é de longa data um amigo da família real e consta que esteve envolvido até no encaminhamento do namoro entre a rainha Elizabeth II e o príncipe consorte Phillip. O fato é que, em virtude do nascimento do royal baby e dos eventos ligados ao Coronation Day, o grande viajante resolveu passar uma pequena temporada em casa. Trashie, sua raposa das estepes siberianas, contudo, tem reclamado do calor inesperado que assola a capital inglesa. A seguir, a carta da semana:

Querido mr. Miles: admiro a sua vida de viajante, seus textos e seu entusiasmo de muitas décadas. Permita-me perguntar-lhe, entretanto: o senhor não acha que sua vida será incompleta sem sucessores?
Lucilene Moraes, por e-mail

"Well, my dear: eis um assunto delicado. Já tive grandes amores em minha vida. Mulheres ora doces, ora possessivas, ora ciumentas ou desapegadas, lindas paixões espalhadas pelo mundo que, mais de uma vez, levaram-me a pensar em jogar a âncora e encerrar essa vida itinerante que escolhi ao acaso, sem siso nem motivo.

However, dear Lucilene, sempre chegava o dia de partir. Podia ser uma rútila manhã que me evocasse o fulgor das geleiras, uma noite perfumada que me levasse às lavandas da Provença ou um dia suarento que me despertasse a febre dos trópicos. Fosse o que fosse, nunca houve nada ou ninguém que me fizesse deixar de partir. Até porque, in fact, eu já havia mesmo embarcado na nave de minhas divagações.

Tenho sucessores, I presume. Mais de uma vez, no momento de ganhar o mundo e deixar para trás grandes mulheres a quem fiz sofrer, tive a nítida sensação de ver em seus olhos sinais de uma gravidez que, em justa revanche, me foi ocultada. Eis uma dúvida que carregarei comigo. Tento evitar pensar nisso com dor ou arrependimento. E fantasio, sometimes, que um dia, somewhere, vou dar de frente com uma moça ou um rapaz que reconhecerei de imediato como meus sucessores, com a naturalidade que as tartarugas reencontram as praias onde nasceram para sua própria desova.

E, quando isso ocorrer - volto a devanear -, serei, apesar da ausência, o melhor dos pais, porque vou dar a ele (ou ela) todas as histórias do mundo que conheci e um imenso repertório de amigos, compadres e afilhados nos cinco continentes. Mas, mais que isso: se eu de fato encontrar o sucessor, quero transmitir-lhe essa avidez de conhecer que é o próprio mote de minha existência.

Não terei, by the way, nenhum outro valor a legar. Quem sabe minha coleção de passaportes encadernados, que, se não me engano, já ultrapassou o quadragésimo volume. Ou algumas bebidas estranhas que guardei just for fun, como uma vodca feita em Ilhéus, um rum do Turcomenistão, um vinho tinto congolês e uísques produzidos no Vietnã e em Honduras. Viajantes, my friends, não têm propriedades para deixar. Apenas reminiscências ou extravagâncias. Se eu puder encontrar o sucessor - ou quem sabe ainda produzi-lo -, será esse o meu legado. O mesmo que, com enorme alegria, sigo compartilhando com vocês."

Fonte: O Estado de S.Paulo