segunda-feira, 22 de junho de 2020
domingo, 21 de junho de 2020
PRECISAMOS FALAR DE ESPERANÇA
NIZAN GUANAES: PRECISAMOS FALAR DE ESPERANÇA
Pedro Arbex
Nizan Guanaes deu uma entrevista à CNN Brasil há alguns dias. O tema era “a criatividade e o mundo pós-pandemia,” mas um Nizan emocionado acabou falando sobre o papel da esperança neste momento de dor.
Abaixo, um trecho do desabafo:
“Winston Churchill tinha esse componente [da esperança]. Estamos falando de um primeiro- ministro que não só foi o maior homem público do século passado como um Prêmio Nobel de Literatura. Pegue os discursos de Churchill e como ele dizia a realidade doída de um jeito maravilhoso. ‘Não tenho nada a oferecer a vocês a não ser sangue, suor e lágrimas’.
Só que você está ouvindo isso... é a realidade, mas é a conclamação para cada um de nós ser um estadista. Você não sabe o tempo que eu fico sentado na minha sala falando para a região em que eu estou, para o pequeno empresário. Não é fácil fazer aquilo, mas é o meu papel. Eu chego até a me emocionar falando isso...
Cada um de nós tem que ser um estadista, deixar um pouco pra lá o lado em que a gente acredita para nos ajudarmos como raça humana. Não é uma circunstância boa ver meu filho se formando por Zoom, mas é o que temos.
Eu acho que agora tínhamos que combinar de só brigar em dezembro. Não importa se você é Bolsonaro ou João Dória, somos humanos, brasileiros. Temos que trabalhar em cooperação. É isso que a população está pedindo e é por isso que a população muitas vezes se constrange. Ela vê luta política, mesmo que os dois lados estejam tentando as melhores coisas. Eu não quero tomar partido porque vamos perder a objetividade dessa prosa.
Grande parte das coisas estão sendo contaminadas pela política. E eu tenho certeza que um médico, quando pega alguém no Sírio Libanês, não fica perguntando se a vítima é isso ou aquilo. Naquele momento ele é um ser humano e tem que ser salvo.
É essa objetividade [que precisamos]. É agora que o jornalista, o médico, o político... todos nós agora somos uma atividade essencial. Todos! Todos nós temos que nos comportar como atividade essencial, porque só vamos sair dessa história assim.
Se eu pudesse dizer aos brasileiros que estão nos ouvindo, eu diria: ‘Monte uma árvore de Natal! Vai ter Natal, vai ter uma saída!’
A vocês jornalistas, eu peço que nos levem realidade, mas também esperança.
E esperança não é ficar escondendo a cova, escondendo os mortos, mas dando espaço também à vacina, para as outras coisas, porque senão as pessoas não conseguem ir em frente.”
Fonte: https://braziljournal.com
LUGARES
ROTHENBURG - ALEMANHA
Rothenburg ob der Tauber é uma cidade francônia no estado da Baviera, Alemanha. Localiza-se na região administrativa de Mittelfranken, no distrito Ansbach. A cidade atrai todos os anos muitos turistas, pois até hoje conseguiu preservar seu ambiente medieval, com seu antigo muro ao redor do centro velho praticamente intacto. (wikipédia)ALHEIRA
ALHEIRA
Segundo a tradição, este enchido terá sido criado por cristãos novos que, em segredo, continuavam a guardar costumes da sua renegada religião judaica, a fim de dar a entender a toda a sociedade que eram cristãos assumidos e bem integrados. Como o judaísmo proíbe o consumo da carne de porco, alguns dos supostamente recém convertidos teriam inventado um chouriço onde discretamente a carne de ave substituía a carne de porco, tradicional entre os cristãos. Desta forma, nas primeiras alheiras foram usadas várias carnes alternativas ao porco, tais como peru, galinha e outras aves.
Na região de origem a norte de Portugal (Trás-os-Montes) a alheira é consumida grelhada, ou assada em lume brando, acompanhada por batata cozida com um fio de azeite, e legumes da época variados. Mais a sul o mais natural é encontrar os menus com a alheira frita, batatas fritas, ovo estrelado e saladas de alface e tomate. Por vezes, é também acompanhada por grelos de couve. É uma presença habitual nas ementas dos restaurantes de todo o país.
A mais famosa das alheiras é a oriunda de Mirandela, na região de Trás-os-Montes, frequentemente considerada a de melhor qualidade, tendo sido nomeada uma das 7 Maravilhas da Gastronomia de Portugal.
No entanto também esta é uma origem da qual o fundamento é duvidoso. Apenas recentemente se fabricam alheiras em Mirandela e em unidades industriais. O que é normal, pois a Alheira é típica do frio e da Terra Fria, sendo que Mirandela fica na Terra Quente.
Assim como o Vinho do Porto é do Douro e o Porto era apenas o entreposto de estadia e embarque para outras paragens e mercados, assim as alheiras chegavam a Mirandela provindas das regiões mais remotas e interiores de Trás os Montes para aí serem depois comercializadas ou embarcadas em comboio para o Porto, sobretudo, e daí para o resto do país. As alheiras "genuínas" sempre vieram da raia norte (Vinhais) e da raia Mirandesa, sendo as primeiras e as segundas algo distintas quanto ao sabor e quantidade de fumeiro que levam.
Por tradição, os fumeiros da raia norte levam mais fumo e mais vinho e alho do que os fumeiros da raia mirandesa, mais suaves e menos temperados.
Actualmente a produção de alheiras em Mirandela é um negócio Industrial. Quem quiser provar alheiras mais próximas do seu estado "original" e da sua essência, terá de o fazer em alguma das aldeias da raia norte ou raia mirandesa. Porém, as alheiras extrapolam actualmente o território transmontano e produzem-se em muito mais regiões do país.
Fonte: https://pt.m.wikipedia.org
sábado, 20 de junho de 2020
A CHEGADA DO COMETA
A CHEGADA DO COMETA
Ruy Castro
Decididamente, o governo Bolsonaro é para entrar nos anais
A coluna de hoje não é recomendada para leitura durante refeições. Seu assunto é o ânus de Jair Bolsonaro e os desarranjos de seu governo. Desculpe o calão intestinal, mas faz parte da linguagem com que, pela primeira vez no Brasil, um presidente da República passou a se expressar.
O leitor se lembra. Pouco depois de sua posse, Bolsonaro confessou ter feito xixi na cama até os cinco anos de idade. Por algum motivo, disse também que o brasileiro não sabia lavar o pênis com água e sabão e, num arroubo de modéstia, declarou para uma plateia extasiada que continuava “na ativa e sem aditivos”.
Dias depois, no Carnaval, protagonizou o extraordinário episódio do golden shower, postando um vídeo em que dois rapazes se urinavam. Com essa fixação fálica e urinária de Bolsonaro, só a diplomacia explica que os outros chefes de Estado continuassem lhe apertando a mão.
Mas Bolsonaro, para quem “porra” é vírgula, evoluiu —levou seu governo à fase fecal e anal. Na inesquecível reunião ministerial de abril, chamou dois governadores e um prefeito de “bostas” e, referindo-se aos processos movidos pelo STF, alertou: “O que esses caras querem é a nossa hemorroida!”.
Como não se sabia que o presidente sofria de dilatação venosa em região tão delicada, ficou ainda mais dolorosa a recente afronta a ele dirigida por seu mentor Olavo de Carvalho, que, defecando para uma condecoração com que Bolsonaro o distinguira, mandou-o “enfiar a condecoração no *”. Foi a ordem mais chocante dirigida até hoje a um presidente no Brasil e, pelo silêncio presidencial como resposta, não se sabe se foi cumprida.
Agora, com a prisão de Fabrício Queiroz, volta à tona a desesperada advertência do velho amigo ao chefe que parecia tê-lo abandonado: “O Ministério Público tem uma pica do tamanho de um cometa pra enterrar na gente!”
Decididamente, este é um governo para entrar nos anais.
Folha de S. Paulo - 19/06/2020
A MARCHA DA INSENSATEZ
Por Euler de França Belém
Redes sociais estão destruindo a sociedade civil
Professor de Stanford, Niall Ferguson afirma que a polarização nas redes sociais está levando a sociedade a um estado de declínio que só pode ser qualificado de ‘incivilidade’
Umberto Eco (1932-2016) disse que as redes sociais possibilitaram o surgimento — e quiçá uma hegemonia — de uma “legião de imbecis”. Antes, concentrados em bares, tomando vinho ou cerveja, “falavam sem prejudicar a coletividade. Normalmente, eles [os imbecis] eram imediatamente calados, mas agora eles têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel. O drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade”. O escritor e filósofo italiano sugere que os jornais filtrem de maneira rigorosa as informações divulgadas nas redes sociais, porque, no geral, não são confiáveis.
O historiador escocês Niall Ferguson — autor de livros seminais sobre a Primeira Guerra Mundial e a Segunda Guerra Mundial, além de obras sobre a decadência do Ocidente (é autor de um livro heterodoxo no qual apresenta a tese de que o colonialismo não foi lucrativo para a Inglaterra. Trata-se de “Império — Como os Britânicos Fizeram o Mundo Moderno”, Crítica, 448 páginas, tradução de Marcelo Musa Cavallari) — segue o mesmo caminho de Umberto Eco, acrescentando sua própria interpretação. O professor de Stanford afirma que a polarização excessiva nas redes sociais está levando a sociedade “a um estado de declínio que só pode ser qualificado de “incivilidade”.
Suas interpretações foram colhidas pelos repórteres Ana Paula Ribeiro e Gustavo Schimitt, de “O Globo”. “A minha preocupação hoje é que a sociedade civil foi tão erodida pelo advento das redes sociais que não podemos mais falar em sociedade civil. Os Estados Unidos se tornaram uma sociedade não civilizada. A polarização se tornou um veneno. Eu me pergunto se a civilização não está se tornando algo diferente, em uma não-civilização ocidental”, critica Niall Ferguson. No livro “A Grande Degeneração — A Decadência do Mundo Ocidental” (Planeta do Brasil, 128 páginas, tradução de Janaina Marcantonio), o autor não arrola as redes sociais como um dos fundamentos da ruína do Ocidente.
Dirigentes do Facebook e do Twitter não estão, sugere Niall Ferguson, minimamente preocupados com a extensão do dano que está acontecendo no tecido social. Quanto mais barbárie, produzida ou não pela tensão ideológica, mais pessoas circulam pelas redes, aumentando seus ganhos financeiros. “Uma das consequências das redes sociais gigantes é a polarização. As pessoas se agrupam em grupos de esquerda ou de direita. O que notamos é um maior engajamento em tuítes de linguagem moral, emocional e até obscena. As redes estão polarizando a sociedade, produzindo visões extremistas e fake news”, frisa o historiador.
Há quem compare Donald Trump a Ronald Reagan, a Bush pai e a Bush filho. Apesar das limitações dos três, notadamente dos dois Bush — Reagan revelou-se um estadista muito superior ao que esperava a intelligentsia internacional —, Trump é muito mais despreparado. Sua visão de política global é unicamente americana, não incorpora nem parte das ideias de seus “aliados”. Império que se comporta tão-somente como nação isolada, como Estado fechado, não tem futuro, às vezes nem presente. Por que um político com escassa visão mundial se tornou presidente dos Estados Unidos? É provável que as redes tenham contribuído para a vitória de Trump. Pode-se não gostar de Hillary Clinton, mas não há dúvida de que é mais qualificada do que o presidente republicano. A vitória de Trump resulta da hegemonia do provincianismo dos Estados Unidos — país que é, a um só tempo, cosmopolita e caipira.
A rigor, Niall Ferguson não discute isto, mas sublinha que a exposição de Trump era muito maior do que a de Hillary Clinton — inclusive em Estados considerados democratas. Tudo indica, portanto, que as redes sociais funcionaram, sobretudo para o candidato republicano. Niall Ferguson afirma que os analistas de campanhas eleitorais devem ficar atentos às redes sociais. Porque o comportamento dos candidatos, atraindo (ou não) seguidores e engajamento, pode ser decisivo no resultado do pleito.
Insensatez
Eugênio Bucci, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, apresenta uma tese ligeiramente diversa da de Niall Ferguson. O professor diz que, mais do que incivilidade, a polarização está gerando insensatez nas redes sociais. “A tendência é que discursos exacerbados sejam favorecidos nas redes. E isso vai produzindo o efeito bolha: as pessoas que fazem parte delas dentro das redes são governadas por algoritmos e não pelo discernimento racional. O que é um paradoxo, porque tudo o que o Brasil precisa neste momento é de sensatez. Mas parece que os ventos favorecem a insensatez”, afirma o mestre. Não é uma visão apocalíptica, mas também não é integrada. É moderada.
Ao contrário do que diz Niall Ferguson, mais apocalíptico, Eugênio Bucci sugere cautela, pois não aposta que as redes sociais vão corromper a democracia no Ocidente. “As redes não podem ser definidas como mal absoluto. É bom lembrar que também representam um arejamento das democracias. E foram responsáveis por imprimir nova dinâmica nas relações entre a sociedade e o Estado”, pontua.
O professor Fabio Malini, coordenador do Laboratório de estudos sobre Internet e Cultura (Labic) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), corrobora a tese de Niall Fergunson. A incivilidade já predomina no Brasil, sobretudo no comportamento político (o que vai além do comportamento dos políticos). “A polarização é corriqueira na política. Mas, nas redes sociais, tem um modelo específico de atenção das pessoas que influi nisso. A proximidade tem sido a tônica de como algoritmos são construídos fortalecendo bolhas ideológicas, onde há atitudes impulsivas, que redundam em decisões emocionais.”
As redes sociais são incontornáveis, quer dizer, vão continuar (goste-se ou não, são positivas). O mais provável é que, após uma primeira fase como terreno da barbárie, retome o caminho civilizatório, abrindo oportunidade ao debate entre indivíduos que pensam de maneiras diferentes a respeito de política, economia, cultura e comportamento. Isto, claro, numa perspectiva otimista. No momento, tornaram-se frigoríficos de ideias, de comportamentos e de pessoas. Talvez não seja possível piorar.
Fonte: https://www.revistabula.com
sexta-feira, 19 de junho de 2020
ENTENDA ESSA CRISE POLÍTICA
ENTENDA ESSA CRISE POLÍTICA. É O PODER MUDANDO DE MÃO
Stephen Kanitz
Essa súbita polarização na política, que deve estar assustando muita gente, é na realidade um fim de ciclo.
O poder reinante nesse país nos últimos 25 anos está sucumbindo, lutando com todos os seus meios para impedir o inevitável.
Usam jogo sujo sim, mas é por puro desespero. Acreditem.
Quem está perdendo miseravelmente nesses últimos 30 anos são as indústrias, os sindicatos, os trabalhadores de chão de fábrica, as grandes cidades, os industriais cada vez mais falidos e subsidiados.
Quem está crescendo e ganhando é a Agricultura.
A agricultura já representa 25 % do PIB, contra 10% anos atrás.
Coloca mais serviços de advocacia, transporte, bancos e seu poder econômico passa a 30% mais ou menos.
Significa crescente poder político, que ao contrário do que a maioria das pessoas pensam, o setor Agrícola ainda não tem.
Foi sempre a agricultura que gerou exportações e superavit no câmbio, foi sempre a indústria que usou esses superavit importando máquinas estrangeiras.
A Indústria sempre foi muito mais forte politicamente do que a Agricultura, mas agora ela definha, não apresenta lucros, não tem mais poder financeiro.
Foi sempre a Indústria que indicava os Ministros da Fazenda, normalmente economistas ligados a Fiesp como Delfim Netto e Dilson Funaro, por exemplo.
Foi esse total descaso pela nossa Agricultura que resultou no enorme êxodo rural, que tanto empobreceu o país e fortaleceu justamente partidos que atendiam as demandas dos bairros pobres.
Nada menos que 45% de nossa população teve que abandonar a agricultura, abandonada que foi pelos Ministros da Fazenda.
Que nem sabem mais o significado de “Fazenda”, apropriado para um país destinado à agricultura, como o Brasil e a Argentina.
Foi Raul Prebisch, que convenceu economistas argentinos e brasileiros como Delfim, Celso Furtado, José Serra, FHC e toda a Unicamp, a esquecer nossa agricultura a favor da “industrialização” para o mercado interno, a famosa “substituição das importações”.
Por isso investir fortunas em “incentivos”, leis Kandir, subsídios via o BNDES em indústrias antigas, mas que “substituiriam as nossas importações”, importações que geralmente eram dos mais ricos, produzir produtos populares para classe C e D, nem pensar.
Somente a partir de 1994 é que passaram a produzir para a Classe C e D, movimento do qual fiz parte.
Além das milícias que invadiam terras, a luta por reservas, contra a ampliação de terras produtivas, destruição de pesquisas de aprimoramento genético.
Nossos industriais perceberam tardiamente que foi justamente essa “substituição das importações” que iria gerar nossa estagnação e não inovação, e lentamente destruímos a nossa indústria nascente a partir de 1987.
De 27% do PIB, a indústria entrou numa espiral descendente para 11% hoje.
Os advogados contratados são na maioria de recuperação financeira. Que reviravolta!
Essa atual crise política no fundo é a crise da indústria e das famílias ricas desesperadas, empobrecidas, mas ainda com certo poder político.
É a crise dos sindicatos trabalhistas que viviam dessas contribuições sindicais.
Perdem poder econômico e percebem que estão perdendo o político, do qual nunca mais se recuperarão a curto prazo.
Quem acha o contrário, que pense nos números.
Isso explica o desespero da imprensa, dos artistas subsidiados, dos intelectuais das grandes cidades.
Ele é violento, por ser desesperado.
Mas é simplesmente o canto da sereia desse grupo que vivia da indústria e de seus impostos.
Os números que apontei são inquestionáveis e só tendem a crescer.
A Agricultura, justamente por ter sido esquecida pelo Estado, venceu a Presidência e 15 Estados.
Ronaldo Caiado, representante eterno dos agricultores, vence em Goiás. As grandes cidades foram contra, elegendo Doria e Witzel.
“Bolsonaro é quase unanimidade no setor”, disse Bartolomeu Braz Pereira, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja).
Mais Brasil Menos Brasília, é na realidade o brado “mais campo e comunidade e menos cidades gigantes e em decadência moral”.
Bolsonaro não foi eleito pelos liberais nem pelos conservadores das grandes cidades, que hoje se sentem enganados e só falam mal dele.
Com o Covid, haverá uma fuga das grandes cidades para o campo, dos apartamentos para casas, dos escritórios para o Zoom.
E em mais quatro ou cinco anos, a Agricultura terá provavelmente o poder político que merece, elegerá quem quiser, com ou sem Bolsonaro candidato em 2022.
E todos sabemos que no Brasil “dinheiro é poder”.
“Follow the money”, como diria Sérgio Moro.
Na cidade Agronômica, Bolsonaro ganhou com 79% dos votos.
Na cidade de Sorriso teve 74% dos votos.
Na cidade Rio Fortuna teve 68% dos votos.
Em Mato Grosso do Sul teve 61% dos votos.
Vejam os mapas da fronteira agrícola e os votos dados ao Bolsonaro em 2018.
Quem elegerá os nossos Presidentes em 2022, 2026, 2030 será provavelmente a bancada agrícola, não a bancada industrial, sindical, nem a urbana.
A tese de que Bolsonaro não foi eleito, mas que foi Haddad que foi rejeitado não se sustenta numericamente.
Haddad tinha 41% de rejeição contra 40% de Bolsonaro. Ou seja, a diferença era de somente 1 ponto percentual.
Ricardo Salles é que está dando um chega para lá aos ecologistas que querem destruir nossa agricultura, e foi quem ajudou termos esse superavit colossal em 2020.
Nesse caso a agricultura demonstra que consegue colocar pessoas além do Ministério da Agricultura, dando suporte a essa tese.
Bolsonaro colocou uma engenheira agrônoma como Ministra da Agricultura, em vez de um político e advogado como Wagner Rossi, indicado por Lula e Dilma.
Será o constante crescimento do Comunitarismo da pequena cidade daqui para a frente, em detrimento das ideologias do passado que fracassaram.
É o crescimento do interior Comunitário e Solidário.
Sem dúvida, uma batalha que será violenta nos próximos anos, mas tudo indica que o Brasil agrícola será o vencedor.
Fonte: https://blog.kanitz.com.br
LUGARES
LUBLIANA - ESLOVÊNIA
Liubliana é a capital e maior cidade da Eslovênia com cerca de 272 220 habitantes. O assentamento romano de Emona que deu origem à cidade foi construído no ano 15 d.C. Os primeiros informes que mencionam o seu nome datam de 1144. A sua história é de origem diversa, mas sobretudo, celta. Segundo conta uma lenda, Liubliana no ano de 1144, era dominada por um terrível dragão que costumava atirar fogo para aterrorizar seus habitantes a partir de uma das torres do castelo. Depois de muito tempo de solidão e destruição, o dragão apaixonou-se por uma doce fêmea e deles teria nascido o primeiro dragão artista do mundo, um menino que não fez as vontades do pai.
MR. MILES
Todos os lugares do mundo
Sou leitor do Estadão, acompanho semanalmente sua coluna e gostaria de parabenizá-lo pelo excelente trabalho de informações e esclarecimentos ao público em geral. Como sabemos, o número de países é um tanto confuso – se assim posso dizer – e talvez poderíamos levar em conta o que a ONU divulga em termos de número de países soberanos/independentes, 193. Enfim há controvérsias. A pergunta: quantos e quais os países faltantes em sua lista e qual o seu plano de visita? Sérgio Mastrorosa, por e-mail
“Well, dear Sérgio, sua pergunta é muito simpática, mas muitos já a fizeram de uma maneira ou de outra. However, my friend, vou tentar respondê-la com um pouco mais de detalhes, porque percebo que os leitores parecem dar grande importância ao tema. Minha primeira consideração é saber, exactly, o que significa ‘países faltantes’. Os que eu não visitei? Ou os que eu já visitei e hoje mudaram de soberania?
O Sudão do Sul, for instance. É um país recém-criado em que, confesso, nunca estive, até porque Trashie, minha raposa das estepes siberianas, não suporta o calor daquela região e acaba aguando demais o seu single malt. However, estive em Juba, sua capital, umas duas os três vezes. Na primeira, if I remember, o Sudão do Sul ainda era parte do Sudão Anglo-Egípcio, antes de 1956. Também voltei a passar por lá – às margens do Nilo Branco – quando Juba pertencia ao Sudão, cuja capital é Cartum. Therefore, dear Sérgio, fico sem saber… Estive ou não estive no Sudão do Sul? (Observe que eu não uso o verbo conhecer porque, in fact, ninguém chega a conhecer um lugar, por mais vezes que o visite).
Essa questão, I’m afraid, se aplica a outros lugares em que estive antes mesmo de eles se tornarem o que são hoje. Visitei Pyongyang, na Coreia do Norte, em priscas eras. Ela nem sequer existia, o que só ocorreu depois do armistício de 1953, quando a Coreia, pobrezinha, foi impiedosamente cortada ao meio. Ou seja: já fui, mas não fui. Como esses, há outros inúmeros exemplos.
Jamais fui um colecionador de países. Therefore, nunca tive a preocupação de contá-los, nem de colocar alfinetes em um mapa-múndi. O número que se vê ao pé desta coluna é apenas o resultado de um levantamento superficial que eu fiz, nos anos 60, a pedido de uma apaixonante repórter do jornal San Francisco Chronicle. Confesso que o produzi pelo único motivo de marcar um novo encontro com ela – o que foi, I remember, uma ótima ideia!
Foi apenas, as you say, um chute! Mas, recently, decidi tirar isso a limpo: resolvi dar uma olhada no Atlas que existe na casa de tia Muriel, em Newcastle. É um exemplar bem novo e atualizado. Constatei, que, oh, my God… eu já estive em todos os países do planeta! Todos mesmo, exceto aqueles que mudaram de nome ou de dono, como expliquei no começo deste texto. Mas para que vale tudo isso?
Eu não sou um matemático, nem aposto comigo mesmo para ver quanto tempo levo para completar um livreto de palavras cruzadas. Não existe, as you know, um Prêmio Nobel para quem viajou mais. E nem deveria existir, by the way. Tudo o que conquistei foi a oportunidade de conhecer grande parte do planeta em que existo – e que me pertence, pertence a você e a todos os leitores! Essa façanha, dear Sérgio, será relativa em um futuro ainda insondável, quando o homem tiver a possibilidade de explorar planetas e galáxias. Quando formos mais longevos.
Por ora, tudo o que adquiri – and I’m very proud of it – foi a possibilidade de ter mais referências, mais base para comparações, mais aromas para aspirar e sabores para apreciar. Ainda falta muito! Se eu tiver saúde, quero continuar essa jornada até o ponto em que as fronteiras políticas tenham mudado tanto que eu tenha de começar a ver tudo de novo. Mesmo que continue sendo o que já vi.”
Fonte: O Estadão
quinta-feira, 18 de junho de 2020
SOA O TEMIDO ALARME: O INVERNO ESTÁ CHEGANDO
SOA O TEMIDO ALARME: O INVERNO ESTÁ CHEGANDO
Fernando Exman
Ministério da Saúde preocupa-se com avanço do vírus no Centro-Sul
Às 18h44 do sábado, pontualmente, começa uma nova etapa da missão do ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello. É o horário oficial do início do inverno de 2020, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O momento a partir do qual as atenções da pasta no combate ao novo coronavírus precisarão se voltar cada vez mais para o Centro-Sul do Brasil.
O inverno é um período aguardado com preocupação pelos antecessores do general e que se principia num momento em que as relações do presidente Jair Bolsonaro com os governadores - dos Estados destas e de outras regiões - se deterioram a cada dia.
No governo, acredita-se que o Supremo Tribunal Federal (STF) exagerou na liberdade dada aos entes subnacionais para a condução das políticas de isolamento social. À natural briga por recursos e autonomia nos gastos emergenciais, somou-se uma discussão de natureza político-eleitoral entre o chefe do Executivo e governadores.
Cenário hostil para Pazuello, um militar da ativa, e também para o próximo secretário do Tesouro Nacional, Bruno Funchal, um técnico especialista no trato com os Estados e os municípios. Ambos ganharão importância na tentativa de construção de uma interlocução mais saudável na federação, sobretudo se as preocupações com os efeitos do inverno em relação ao avanço da pandemia se comprovarem corretas.
Pouco se sabe sobre qual será o comportamento da moléstia no inverno do hemisfério Sul. Historicamente, observa-se o aumento de casos de gripe e doenças respiratórias durante os meses mais frios do ano. As pessoas tossem mais, espirram e se aglomeram em ambientes fechados. Locais propícios ao contágio, os quais, aos poucos, começam a ser frequentados novamente pelos mais incautos.
O Brasil titubeou na hora de iniciar o isolamento social. Agora que no hemisfério Norte diversos países já estão podendo retomar as atividades e apresentam temperaturas mais altas, acredita-se que o mesmo movimento pode ser executado por aqui. Essa decisão pode agradar a empresários e ao governo federal, embora pareça ser precipitada e capaz de produzir consequências desastrosas.
Pelo que se viu até agora, o combate ao coronavírus se tornou um assunto sobre o qual quem diz ter certezas absolutas parece estar mal informado ou deliberadamente agindo com má fé. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) vem sendo inconstante, para regozijo dos antiglobalistas.
Representantes da OMS já alertaram que uma nova onda de contágio poderia ocorrer na Europa durante o inverno, depois afirmaram que ainda não há qualquer evidência científica sobre o impacto da covid-19 em diferentes estações, a despeito de o vírus da Influenza sempre apresentar um salto de infecções durante esta estação. O comportamento da doença no inverno do hemisfério Sul ainda é, portanto, desconhecido.
Por isso é positiva a crescente preocupação do Ministério da Saúde com o que ocorrerá nos Estados do Sul e do Sudeste de sábado até o início da primavera, na última quinzena de setembro.
Na visão da atual gestão do Ministério da Saúde, os dados de infecções e mortes refletem as especificidades do Brasil: as regiões Norte e Nordeste seriam historicamente impactadas pelas crises respiratórias relacionadas ao hemisfério Norte, enquanto os maiores efeitos das gripes nas regiões Sul e Sudeste ocorrem durante os meses de junho, julho e agosto. Ou seja, no inverno.
Os balanços da pandemia refletiriam, então, essa dinâmica. De fato, hoje a incidência da covid-19 é relativa e assustadoramente maior nas regiões Norte e Nordeste, onde a taxa de contaminação é de respectivamente 1.001,3 e 570,9 por 100 mil habitantes. A média do Brasil é 439,3. Já o índice de mortalidade também é superior nessas duas regiões, principalmente no Ceará, Pernambuco, Alagoas, Maranhão, Amazonas, Pará e Amapá.
As exceções a essa regra são os dois maiores centros urbanos do país - as capitais e regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio de Janeiro. Isso levou a taxa de mortalidade da região Sudeste a superar a média nacional, de 21,5 óbitos por 100 mil habitantes, com um índice de 23,5. Para se ter uma ideia, nas regiões Sul e Centro-Oeste, as taxas de mortalidade chegam a 3,2 e 5,3, respectivamente, ante 44,2 por 100 mil habitantes no Norte e 25,5 no Nordeste.
Os dados justificam o receio no Ministério da Saúde com a deterioração da situação no Centro-Sul, diante de um fator desconhecido como a chegada do inverno.
No nível técnico, as conversas de representantes do governo federal com os Estados até que vão muito bem, obrigado. Há contatos diários da pasta da Saúde com governadores, secretários estaduais e municipais, e gestores hospitalares, num monitoramento cotidiano sobre o comportamento da pandemia e as necessidades na ponta.
O problema é quando as discussões vão ao nível político. A ala ideológica do governo chegou a insinuar que as estatísticas estaduais estavam sendo manipuladas para prejudicar a imagem do governo federal. Os governadores de São Paulo e do Rio são vistos como inimigos. E o governador do Espírito Santo está na lista de oposicionistas.
Também no Sul a relação do Palácio do Planalto com os governadores não é das melhores, excluindo o caso do Paraná. O Rio Grande do Sul é governado por um tucano. Santa Catarina elegeu um candidato do PSL que se tornou alvo de bolsonaristas em pouquíssimo tempo de mandato, por querer implementar uma regra segundo a qual o ICMS poderia variar dependendo do volume de agrotóxicos usados por agricultores. Aliados próximos de Bolsonaro no meio empresarial também pressionam o governador catarinense pela reabertura das atividades.
Como diz um governador, havia três caminhos a seguir desde o início da crise: a negação, a omissão e a ação. Ele e seus colegas acreditam que o presidente já passou da fase de negação e da omissão, estando agora dedicado ao terceiro tipo citado. O problema, apontam, é que seria a uma ação voltada a colocar a população contra os gestores não alinhados. Os ventos frios do inverno podem ser propícios à disseminação da covid-19 e também do vírus do ódio na política.
Fonte: Valor Econômico - 17/06/2020
NÃO TROPECE NA LÍNGUA

O PARTICÍPIO – CASOS ESPECIAIS
Vimos no artigo anterior que existem alguns verbos com particípio duplo: o regular (-ado, -ido) usado com ter e haver; e o irregular (forma contraída), com ser e estar. Com alguns desses verbos, todavia, já não se faz distinção, ou seja, na mesma situação emprega-se tanto um quanto outro:
- Os sábados e domingos ele tem gasto/ gastado em comícios e reuniões políticas.
- Foi assassinado a tiros mesmo depois de a família ter pago/ pagado o resgate.
- Fomos pegos/ pegados desprevenidos, e as consequências se mostraram dramáticas.
- Vamos entrevistar aquelas pessoas que têm ganho/ ganhado na Sena repetidamente.
- Foram fritos/ fritados quatro ovos.
- Não temos elegido/ eleito nosso candidato há vários anos. [Mas com os auxiliares ser e estar só há uma opção: Ele foi eleito senador.]
PARTICÍPIO - ADJETIVO
Há alguns verbos que apresentam dois particípios mas escapam à regra dos
particípios duplos, pois seu particípio irregular é usado somente como
adjetivo. Exemplos:
- Tudo foi anexado conforme sua orientação.[voz passiva com verbo ser + particípio]
- O documento está anexo.[anexo = adjetivo]
É o caso, entre outros, dos seguintes verbos:
Infinitivo Particípio Adjetivo
absorver absorvido absorto
anexar anexado anexo
aprontar aprontado pronto
cativar cativado cativo
completar completado completo
concretar concretado concreto
confundir confundido confuso
corromper corrompido corrupto
entortar entortado torto
estender estendido extenso
estreitar estreitado estreito
livrar livrado livre
nasce nascido nato/nado
omitir omitido omisso
quitar quitado quite
restringir restringido restrito
revolver revolvido revolto
torcer torcido torto
CASOS ESPECÍFICOS
ABRIR. Já teve dois particípios: abrido e aberto. O primeiro saiu de uso. O mesmo aconteceu com os verbos cobrir e escrever, que de cobrido/coberto e escrevido/escrevinhado/escrito só ficaram com o último particípio.
- A menina já tinha aberto a porta quando tocamos a campainha.
CHEGAR. Tem um único particípio: o regular chegado. *Chego é vulgarismo.
- Na hora de fechar o colégio o pai de Leonardo ainda não tinha chegado.
EMPREGAR. Por analogia com entregar, que tem dois particípios – entregado e entregue – há quem diga "empregue". Mas na língua culta no Brasil só o particípio regular é aceito.
- Na construção da casa foi empregado material de primeira classe.
MORRER. Morrido é particípio usado com ter e haver. Morto se usa com os auxiliares ser e estar, mesmo subentendidos.
- Alguns trabalhadores nesse meio têm morrido precocemente.
- Nascido na França em 1881, morto em Nova Iorque a 10 de abril de 1955, Teilhard de Chardin descendia de família ilustre.
VIR. Fugindo à regra da formação em -ado ou -ido, vir tem como particípio vindo, igual ao seu gerúndio. Verbos correlatos: advindo, intervindo, provindo, sobrevindo.
- Ele não tem vindo à igreja ultimamente.
- Se não tivesses intervindo a tempo, as crianças teriam se machucado.
Fonte: www.linguabrasil.com.br
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