quarta-feira, 10 de abril de 2024

LEVANDO UM PARTICULAR

Hilariante a situação de certa "otoridade" ao afogar-se na própria saliva.

Aconteceu pelo final da década de 80, século passado, época em que a situação financeira da magistratura catarinense era lamentável. Fora convocada para um sábado, a realização de uma assembléia geral, oportunidade em que, magistrados do oeste do Estado, fretaram um ônibus para dela participar. Viajariam a noite inteira para não arcar com os custos de estadia, com a vantagem de retorno logo após o encerramento da reunião.

 

Cerca de vinte magistrados faziam parte do grupo. Um deles aproveitou para proporcionar um passeio ao filho que contava com dez ou doze anos de idade.  

 

Chegando em Florianópolis por volta de seis da matina, uma parada técnica para um café da manhã no Terminal Rita Maria foi providencial.

 

Saboreando seu café com pastel, estavam o magistrado e seu filho, quando deles se aproximou uma pessoa que não fazia parte do grupo, que, com ares de "otoridade", foi dizendo: 

 

- O garoto está viajando com autorização?

 

- Sim, ele é meu filho. 

 

- Estou falando da autorização judicial.

 

- Eu sou o pai dele e por conseqüência, a própria autorização. 

 

Outros colegas perceberam que algo estranho estava acontecendo e começaram prestar atenção. Mas ao olhar de não-tem-problemas do juiz-papai, ninguém se meteu.

 

Foi quando o dito interlocutor pediu para que o juiz-papai o acompanhasse pois queria "levar um particular" com o mesmo, no que foi prontamente atendido.

 

Ninguém acompanhou a conversa dos dois. Viu-se apenas quando o juiz-papai puxou do bolso a sua identificação de magistrado e chamou os demais para testemunharem o flagrante.

 

Coitado daquele que se fazia passar de Comissário de Menores. Nunca na vida imaginou que alguém seria preso em flagrante, na presença de tantas testemunhas tão qualificadas... 

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