Cruzar o portal de Treze Tílias é experimentar uma espécie de "defeito" geográfico encantador. De repente, o asfalto catarinense parece sussurrar em alemão e o ar ganha o frescor alpino do Tirol. Não é apenas uma cidade temática; é um pedaço da Áustria que decidiu criar raízes no meio do Meio-Oeste catarinense, com uma teimosia poética e uma organização que beira a perfeição.
O que primeiro salta aos olhos é o rigor da estética. As casas não são meras construções; são declarações de amor à tradição. Os telhados inclinados, as sacadas de madeira entalhada e a profusão de flores — que parecem brotar com uma disciplina militar, mas com a leveza de uma valsa — compõem um cenário onde o caos urbano não se atreve a entrar. A limpeza das ruas é tamanha que o visitante hesita antes de deixar cair qualquer mínima folha de papel; há um respeito silencioso que emana das calçadas impecáveis.
Caminhando pelo centro, percebe-se que a organização não é apenas para os olhos, mas para a convivência. É uma cidade feita para ser percorrida sem pressa, onde cada detalhe foi pensado para acolher. E é nesse espírito de acolhimento que surge um detalhe que aquece o coração de quem passa: os bebedouros públicos para pets.
Em Treze Tílias, a hospitalidade austríaca não faz distinção de espécies. Ao lado das fontes de água cristalina para os humanos, encontram-se estruturas charmosas, integradas à arquitetura local, desenhadas especificamente para que os cães e gatos que acompanham seus donos (ou os que por ali circulam) possam se refrescar.
É um gesto que resume a alma do lugar: se há ordem e beleza para as pessoas, deve haver dignidade e cuidado para os animais.
Esses pequenos monumentos à empatia, espalhados estrategicamente, dizem muito sobre o povo local. Em uma terra famosa pela escultura em madeira, a maior obra de arte de Treze Tílias acaba sendo a sua harmonia cotidiana. O som dos sinos das igrejas e o aroma do apfelstrudel que escapa das confeitarias misturam-se à imagem dos pets saciando a sede em águas limpas, sob a sombra das tílias que dão nome ao lugar.
Visitar Treze Tílias é, acima de tudo, um lembrete de que a organização e a limpeza não são frias quando acompanhadas de gentileza. A "Viena brasileira" nos ensina que o progresso de uma cidade se mede também pela altura do bebedouro de um animal de estimação. (IA)
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