terça-feira, 2 de junho de 2026

VELHAS NOVIDADES

Fabrício Carpinejar
Fabrício Carpinejar

Tenho sempre a sensação de que não abandonamos a infância.

A mensagem de áudio no WhatsApp virou uma epidemia.

Nem é preciso escrever: é gravar um recado e mandar. É mais um cuspe, do jeito que for.

Não vejo nenhuma diferença do walkie-talkie que empregava quando criança para roubar frutas ou aprontar molecagens com os meus colegas de bairro. Ou do telefone sem fio feito de cordinha e latas.

Há um aspecto de solidão circense na cena. É patético enxergar um adulto andando na rua, com seu celular colado na boca como uma gaita, gravando uma frase quando poderia falar diretamente. Não é natural. É como andar com microfone a tiracolo.

E não entendo como criticamos os pais por ainda privilegiarem recados na secretária, qualificando a atitude como coisa de velho, enquanto o áudio do WhatsApp não passa de uma mensagem de voz ininterrupta.

A tecnologia muda os hábitos para não mudar nada.

Avançamos e estamos regredindo. Caminhamos rapidamente e estamos dando a milésima volta no labirinto.

Vamos assim – talvez involuntariamente – deixando de gostar das pessoas, de estar com as pessoas, de conversar com as pessoas.

Existe uma prática cada vez maior da misantropia, ou seja, da aversão ao gênero humano.

Afundamos no isolamento: nas décadas de 70 e 80, não abríamos mão de visitar os amigos, a preferência vinha pelo contato afetuoso, confidências ao vivo, olho no olho, dente brilhando no riso. Telefone só fixo, enraizado na tomada para urgências. Os bares eram nossas salas de chat.

Com a disseminação do celular nos anos 90, o telefone monopolizou a antena da raça. Não se saía do lugar por qualquer coisa, melhor ligar e falar o que se queria. Horas e horas grudado no aparelho para não precisar se encontrar.

O timbre substituiu o rosto, o abraço, o colo, o cumprimento, o beijo, como forma de manter distância dos problemas e do envolvimento emocional. Os incômodos desapareciam ao recusar as chamadas ou fingir extravio de sinal.

Hoje ocorre um desprezo até por falar ao telefone, tudo piorou. Telefone somente em último caso. Teclar também é perda de tempo. Escrever exige organização do pensamento e capricho, cuidar dos erros de português, dedicar-se para achar a melhor palavra, explicar o que se pretende dizer, armar um tratamento particular e exclusivo. Mas para que desperdiçar atenção? Pensar significa muito trabalho e esforço, e as mensagens escritas são lentas demais.

Atualmente o que se percebe é a preferência por áudios. Colecionamos áudios, mantemos uma fonoteca em nossos números, mergulhamos na sonoplastia da solidão. Todos andam com fone de ouvido para cultivar monólogos e evitar o diálogo. O próximo passo é a mímica e a telepatia.

E nem se pode alegar que as ligações são caras, pois é possível fazer de graça em diversos aplicativos.

É o medo de ouvir a resposta do outro lado, é o medo de ser invadido por emoções, é o medo do imprevisto e da irritação, é o medo de nossas hesitações, é o medo da oscilação do humor, é o medo de se atrasar, é o medo de escutar verdades, é o medo de errar e se comprometer, é o medo do contraponto, é o medo da amizade real e verdadeira, é o medo imenso e absoluto da humanidade.

Fonte: Zero Hora
Só é digno de seu poder aquele que o justifica dia após dia. (Dag Hammasköld, escritor sueco)

LUGARES

GIVERNY - FRANÇA

Esta imagem mostra os famosos jardins de Claude Monet em Giverny, na França.  Este local é conhecido como o Jardim de Água (Jardin d'Eau), criado pelo próprio pintor impressionista em 1893. O lago e as plantas aquáticas, como as ninfeias visíveis na foto, serviram de inspiração para algumas de suas obras-primas mais famosas. A propriedade em Giverny está aberta para visitação turística, geralmente entre março e novembro, quando as flores estão em temporada. (Google)

FRASES ILUSTRADAS

 

segunda-feira, 1 de junho de 2026

NÃO HÁ MAIS RELÓGIOS BOBOS

Ruy Castro

A geração Z não sabe para que servem aquelas flechinhas rumo ao VIII ou XII. O mundo rural e as províncias não precisam do relógio. Nas megalópoles, ele nunca foi tão indispensável

Outro dia saí de casa sem o relógio e só depois me dei conta. Usuário do objeto desde que o chamavam de "bobo" (por trabalhar de graça), senti-me quase nu no meio da rua. Mas não fez diferença. Um piscar de olhos e lá estava, na esquina, um relógio digital. E, pela multidão de narizes enfiados no celular ao meu redor, imaginei que alguns o estivessem usando para ver as horas.

O relógio foi uma invenção das grandes cidades. O mundo rural não precisa dele —sabe-se a hora pelo sol—, assim como as províncias, com suas distâncias de cobrir a pé. Hoje, nas megalópoles, ficou mais indispensável do que nunca, daí os relógios em toda parte, e tantos que nem os percebemos. Alguns pterodáctilos, como eu, continuam a levar um no pulso e, pior ainda, analógico, de ponteiros, que se movem em direção aos algarismos romanos.

Os ponteiros já tiveram os seus grandes dias. Harold Lloyd pendurou-se neles em seu filme "O Homem-Mosca" (1923) —uma capa da The New Yorker, há algum tempo, pôs Lloyd tentando se pendurar nos dígitos. Em outro clássico, "Matar ou Morrer" (1952), os 85 minutos do filme equivalem aos 85 da ação. Os bandidos chegarão pelo trem do meio-dia para matar Gary Cooper, e há muitos relógios em cena para nos lembrar disso. Sem falar no relógio do Capitão Gancho, que o crocodilo, seu inimigo, engoliu e o aterroriza com seu tic-tac. No Rio, já não temos a Rádio Relógio, mas os relógios da Glória, da Mesbla e da Central continuam firmes.

Tudo isso hoje é incompreensível para a Geração Z, que não sabe para que servem as flechinhas rumo àqueles VIII ou XII. O desuso dos relógios datou e sepultou até uma canção dos Mutantes, "O Relógio", cantada por Rita Lee, em 1968: "Meu relógio parou/ Desistiu para sempre de ser/ Antimagnético/ 22 rubis.// Eu dei corda e pensei/ Que o relógio iria viver/ Pra dizer a hora/Não andou e eu chorei.// Dois ponteiros parados a rir/ São à prova d’água/ 22 rubis."

O relógio de ponteiros tem uma vantagem. Nele, o tempo passa mais devagar.

Fonte: Folha de S.Paulo - 16/11/2025

Clitoris é igual computador, nem todos conseguem mexer direito com ele mas a maioria sabe para o que serve. (Rosangela Petta, escritora)

LUGARES

CACHOEIRA HELLESYTFOSSEN - NORUEGA

Esta é uma foto de casal em frente à cachoeira Hellesyltfossen na Noruega. imagem mostra a pequena vila de Hellesylt, localizada no condado de Møre og Romsdal. A cachoeira Hellesyltfossen é uma das atrações mais fotografadas da região, situada no centro da aldeia.A área é conhecida por estar na entrada do famoso fiorde de Geiranger. (Google)

FRASES ILUSTRADAS

 

domingo, 31 de maio de 2026

LIVROS


No fim do século XV, um velho mestre flamengo introduz num dos seus quadros, sob a forma de uma partida de xadrez, a chave de um segredo que poderia ter mudado a história da Europa. Cinco séculos depois, uma jovem restauradora de obras de arte, um antiquário homossexual e um excêntrico jogador de xadrez conjugam os seus esforços para tentar resolver o enigma. A investigação conduzi-los-á através de uma apaixonante pesquisa na qual os lances do jogo irão abrindo as portas de um mistério que acabará por envolver todos os seus protagonistas. "A Tábua de Flandres" é um apaixonante jogo de armadilhas e inversões - pintura, música, literatura, história, lógica matemática - que Arturo Pérez-Reverte vai encadeando com diabólica destreza. (https://dlivros.com/livro/tabua-flandres-arturo-perez-reverte)
O rico não é condenado pela sua riqueza, mas por desprezar o pobre. (Papa Francisco)

LUGARES

ROMA - ITÁLIA

A imagem mostra o Coliseu de Roma, o famoso anfiteatro localizado na capital italiana. Construído no século I d.C., foi concluído por volta de 80 d.C. e serviu como palco para lutas de gladiadores e espetáculos públicos. É considerado o maior anfiteatro já construído, com 45 metros de altura e quatro andares. É tombado como patrimônio da humanidade pela UNESCO e considerado uma das sete maravilhas do mundo moderno. Ao longo dos séculos, sofreu danos devido a terremotos, incêndios e depredações, resultando em sua estrutura atual parcialmente arruinada. (Google)

FRASES ILUSTRADAS

 

sábado, 30 de maio de 2026

ROMANCE FORENSE

A PENHORA DO TOURO
Por Ronaldo Sindermann, advogado (OAB-RS nº 62.408)

Um oficial de justiça vai a uma fazenda lá pelas bandas de Uruguaiana, e diz ao velho fazendeiro:

- Preciso examinar sua propriedade para fazer a penhora de algumas cabeças de gado, pois o senhor é réu de uma ação de execução do Banco do Brasil.

O fazendeiro escuta, conforma-se, mas alerta:

- Sim senhor, mas não vá naquela invernada.

O oficial de justiça, contagiado por juizite, diz:

- O senhor sabe que tenho o poder da justiça comigo?

E tira do bolso um crachá, que mostra ao fazendeiro.

- Este crachá me dá autorização a ir onde eu quero e entrar em qualquer propriedade. Não preciso pedir licença, nem responder a nenhuma pergunta, está claro?

O fazendeiro assustado pede desculpas e continua sorvendo o seu chimarrão.

Poucos minutos depois, o fazendeiro ouve gritos e vê o oficial de justiça correndo para salvar sua própria vida, perseguido por um zebu guzerá de 1.400 quilos, o maior touro da fazenda.

A cada passo o animal vai chegando mais perto do oficial de justiça, que já sem forças corre desesperado.

O fazendeiro larga a cuia, corre para a cerca e grita com todas as forças:

- O cracháááááá, mostra o crachá para o touro!...

Fonte: www.espacovital.com.br
O celular faz mal para a masculinidade: é cada vez menor; anda sempre dobrado; a ligação cai várias vezes e não funciona quando entra no túnel. (Roberto Campos, economista e deputado)

LUGARES

ROTTENBUCH - ALEMANHA

Rottenbuch é um município da Alemanha, situado no distrito de Weilheim-Schongau, no estado da Baviera. Tem 31,45 km² de área, e sua população em 2019 foi estimada em 1.797 habitantes. Weilheim-Schongau é um distrito da Alemanha, na região administrativa da Alta Baviera, estado de Baviera. (Wikipéia)

FRASES ILUSTRADAS

 

sexta-feira, 29 de maio de 2026

OS VOCALISTAS

A ROUPA DO MARINHEIRO
(Vila Nova de Milfontes)

Se tudo o que entendemos por amor é o desejo de sermos amados, nossa condição é deplorável. ( C.S.Lewis)

LUGARES

LUCERNA - SUÍÇA

Esta é a Igreja Jesuíta (Jesuitenkirche) situada às margens do rio Reuss em Lucerna, na Suíça. É reconhecida como a primeira grande construção sacra em estilo barroco na Suíça, com construção iniciada em 1666. A igreja é famosa por seu interior imponente, que apresenta estuque barroco e rococó, além de um altar-mor notável. Devido à sua excelente acústica, o local é frequentemente utilizado como sala de concertos. A área ao redor é um marco histórico da cidade, oferecendo vistas panorâmicas dos Alpes e do Lago Lucerna. (Google)

FRASES ILUSTRADAS