Fui titular da Comarca de Guaramirim por aproximadamente dois (2) anos. Guaramirim, seguindo o modelo das cidades de colonização alemã, nasceu e cresceu às margens do Rio Itapocú e da estrada geral que levava à Joinville.
Assim concebida, a cidade não se concentrava ao redor da igreja, da praça e da prefeitura, como é a regra dos pequenos povoados.
A rigor, não existe praça, a igreja fica num lado da cidade e a prefeitura, naquela época, ficava na posição que pode-se considerar como sendo o centro da cidade. Associado a isto há o fato de a cidade estar localizada num vale, onde praticamente não existem (ou não existiam) edificações nos montes próximos.
Em tais condições, não era possível visualizar a cidade como um todo, retirando do observador a possibilidade de mensurar o tamanho do lugar.
Em 1985 fui promovido para a Comarca de Xaxim, no oeste do Estado. Tomadas as providências de praxe e despachada a nossa mudança, pusemo-nos na estrada para o longo trajeto.
A cidade de Xaxim estava toda edificada à esquerda da BR282, no sentido litoral-interior, e mesmo assim, ela não pode ser visualizada de longe, tudo por conta de o aglomerado estar encoberto por uma pequena elevação, contornada pela estrada, e ainda por estar abaixo do nível da rodovia. Visão da cidade, mesmo, só após contornar a montanha. Assim, de um momento para outro, a paisagem se transforma radicalmente e do alto é possível visualizar a cidade.
Ao contrário de Guaramirim, tínhamos diante dos olhos uma cidade planejada, ruas pavimentadas e em linha reta, quarteirões regulares, enfim, via-se que ali existiu um projeto urbanístico.
Na medida em que nos aproximávamos do nosso destino, eu ia falando para os meninos, a fim de criar neles a expectativa. Chegando ao ponto em que era possível ver a cidade, avisei:
- Chegamos! Todos olharam curiosos para o nosso novo destino e o Miguel, que já tinha incubado o vírus da arquitetura e urbanismo, comentou mais do que depressa:
- Que cidade grande!



