sábado, 1 de agosto de 2026

ROMANCE FORENSE

Crime de autoria (des)conhecida

O criativo advogado Moacir Leopoldo Haeser era juiz, no final dos anos 70, na 2ª Vara Judicial da comarca de Rio Pardo (RS). Certo dia chegaram-lhe à mesa os autos de um inquérito em que o delegado local propunha o arquivamento.

O relatório referia que os policiais haviam investigado um homicídio, de autoria desconhecida. Um agricultor trintão, solteiro, boa compleição física, sem inimigos conhecidos, fora encontrado morto num potreiro.

A ocorrência fora informada por um vizinho - depois de uma cavalgada de 20 quilômetros (na época não havia celular e a telefonia convencional era, regra geral, um caos).

Rio Pardo tinha, na época, violência zero e nada indicava que o homem houvesse sido vítima de latrocínio ou vingança. Arguto, o delegado havia pedido um exame necroscópico da vítima e um levantamento minucioso fotográfico do local.

Foi convocado o melhor retratista da cidade, que na época usava uma Rolleyflex, já a meio-caminho de tornar-se obsoleta.

Quando chegaram as respostas aos quesitos e as fotografias, o delegado não teve dúvidas sobre a autoria.

É que os peritos médicos e os investigadores haviam trazido detalhes convergentes: "o exame cadavérico constatou lesões internas e no peito da vítima havia uma marca semi-circular, em formato de ferradura. Próximo dali foi encontrada uma égua pastando. E quase junto ao corpo inerte, o que fora um montinho de tijolos - todos eles espalhados num raio não maior do que 1m50".

O então juiz Haeser determinou a vista ao Ministério Público. O promotor leu, sorriu, matutou, lançou parecer concordando com o arquivamento e foi levar os autos, em mãos, ao gabinete do magistrado.

Os dois operadores do Direito afinaram no ponto: "necessidade do arquivamento, ante as circunstâncias do fato".

Mesmo porque, se fosse o caso de ser tipificado como crime, era evidente ter ocorrido “legítima defesa da honra”.

Fonte: www.espacovital.com.br
Apesar dos efeitos colaterais, o amor ainda é o melhor remédio. (Miró da Muribeca)

LUGARES

NICE - FRANÇA

Esta imagem retrata a Place Masséna, uma praça histórica localizada no centro de Nice, França. A praça é conhecida por seus edifícios de cor vermelha com janelas arqueadas e arquitetura distintiva. A área foi projetada em 1843-1844 por Joseph Vernier e é um ponto central de turismo na cidade. (Google)

FRASES ILUSTRADAS

quinta-feira, 30 de julho de 2026

INTERNET, A REGULAÇÃO NECESSÁRIA

José Horta Manzano

O primeiro automóvel que chegou à cidade de São Paulo foi um Peugeot trazido de Paris por navio em 1891. Era propriedade da família de Alberto Santos-Dumont, o aviador. Há registro de o carro ter sido visto em 1893 dando uma volta pela Rua Direita, hoje via pedestre, mas então logradouro muito concorrido da capital.

Outros “vehiculos automoveis” (hoje diríamos veículos automotores) foram importados nos anos seguintes e engrossaram a circulação da cidade. Nos primeiros anos, um carro que se movia sozinho era novidade absoluta, daí a total ausência de infraestrutura pronta a receber a raridade. Os carros não eram emplacados, não havia sinais de tráfego, o pavimento das ruas não estava preparado para o molejos delicados, não havia CNH.

Com o tempo, foi aparecendo a regulação: placas de identificação do veículo, autorização de conduzir a geringonça, indicação da mão de direção em ruas apertadas, placas que davam prioridade. Não veio tudo duma vez. Foram necessários anos até que a circulação automotora entrasse na paisagem urbana.

A cada vez que uma novidade entra em nossas vidas, o caminho é o mesmo. Primeiro, a surpresa, quando a novidade se agita feito potro assustado que nâo sabe aonde vai. Em seguida, as coisas vão se assentando e a regulação, aos poucos vem chegando.

A internet e suas aplicações, como as redes sociais, não fogem a essa regra. Essas redes, surgidas há anos, foram sendo deixadas soltas e à vontade, sem regras claras que não fossem reclamações e clamores sem amanhã. Alastraram-se e criaram tanta raíz, que muitos Estados têm hesitado em intervir no sentido de impedir que crianças e adolescentes sejam arrebanhados por grupos mal intencionados ou por suas ideias.

Com a lei que obriga plataformas a verificar a idade e a ligar obrigatoriamente os contas dos menores de 16 anos à de seus pais, o Brasil entrou para o seleto grupo de países que já legislaram na matéria. Faz companhia à Austrália, à Malásia, à Indonésia e à China. Outros países têm projetos, uns mais adiantados, outros menos, que visam ao mesmo objetivo.

Esta semana foi a vez da França, o primeiro europeu a legislar sobre a matéria. Esta semana, o parlamento aprovou a lei que visa “a proteger os menores dos riscos representados pelas redes sociais”. O artigo principal proíbe acesso às redes sociais aos menores de 15 anos. Era um projeto para cuja aprovação o presidente Macron tinha se empenhado pessoalmente. A França espera e acredita que foi dado um empurrão à aprovação, por outros países da UE, de legislação semelhante.

O banimento não inclui o acesso a enciclopédias online do tipo Wikipédia ou outras plataformas educativas. O texto de lei não impõe nenhum método de verificação da idade, deixando às plataformas como Facebook ou TikTok a tarefa de definir o método. A lei deve entrar em vigor a partir de setembro próximo, que é o mês da volta às aulas na França.

Na minha opinião a lei francesa era necessária. Efebos ainda não têm a maturidade necessária para mergulhar na insociabilidade das redes “sociais”.

Fonte: https://brasildelonge.com
O futuro não é o que se teme, é o que se ousa. (Carlos Lacerda, político)

LUGARES

​BREUIL-CERVINIA - ITÁLIA

Esta imagem retrata o Monte Cervino (também conhecido como Matterhorn), uma famosa montanha nos Alpes na fronteira entre a Itália e a Suíça. A foto foi tirada do lado italiano, especificamente da vila de Breuil-Cervinia, um popular destino de esqui e turismo no Valle d'Aosta. A montanha é conhecida por sua forma de pirâmide distinta e foi a inspiração para o formato do chocolate Toblerone. (Google)

FRASES ILUSTRADAS

quarta-feira, 29 de julho de 2026

NO RASTRO DAS FREIRAS

Não sei exatamente quantas horas dormimos, mas com certeza foi uma noite agradável — se é que dá para dizer que uma noite num avião possa ser algo agradável. Na fileira ao lado da nossa, viajaram duas religiosas, assim identificadas pelas vestes características. De manhã, depois do café, minha esposa observou que uma drlas retirou, de uma valise de mão, um grande frasco de creme hidratante. Elas utilizaram o creme para as mãos, e daí veio o comentário acerca de como tinham conseguido passar com frascos contendo material líquido, se tal era proibido. Aventei que o hábito que vestiam podia ser o álibi perfeito para que não fossem revistadas.

Chegamos a Milão por volta das 13 horas, no horário local. São cinco horas de diferença em razão do fuso horário e do horário de verão. A primeira etapa foi passar pela imigração. No local apropriado, formaram-se várias filas e, de imediato, percebemos que o fluxo estava demorando mais do que o normal. Logo notamos que mulheres que viajavam sozinhas ficavam mais tempo no guichê, onde se percebia que respondiam a várias perguntas. Notei que as freiras, já hidratadas, estavam numa fila ao lado da nossa. Eureka! Mudamos para a fila delas, pois não seria crível que, na sua condição, fossem submetidas ao mesmo interrogatório daquelas, digamos, suspeitas. Dito e feito: foi tudo muito rápido. (01/08/2009)

O descontentamento é o passo na evolução de um homem ou de uma nação. (Oscar Wilde)

LUGARES

PARIS - FRANÇA​

Esta imagem captura a icônica Catedral de Notre-Dame situada na Île de la Cité, em Paris. A foto mostra a vista leste da catedral a partir do rio Sena em um dia ensolarado. Em destaque estão as margens do rio Sena e a arquitetura clássica parisiense adjacente à ilha. (Google)

FRASES ILUSTRADAS

terça-feira, 28 de julho de 2026

GINA

Fabrício Carpinejar
Fabrício Carpinejar 

Não se estarei casado ou solteiro na próxima semana, não sei onde estarei morando no próximo ano, não sei se ligarei a máquina de lavar e de secar direto do celular, não sei se me apaixonarei pela voz do computador, não sei o que me espera.

Os tempos são rápidos e provisórios.

O que me acalma diante da enxurrada de notícias, aplicativos solicitando atualização e links abertos é comprar no supermercado um caixinha de palitos Gina e um pacote de Pastelina.

São as únicas embalagens que permanecem iguais desde a minha infância.

Gina e Pastelina não mudaram. Algo não mudou no mundo. Algo segue intocável há quatro décadas.

É como uma casa que não foi destruída no bairro em que nasci.

É como um brinquedo embalado e jamais usado.

Gina e Pastelina são objetos de colecionador que tenho o direito de adquirir semanalmente.

Recordo do tempo em que íamos toda a família para a churrascaria Barranco, e que os palitos serviam para brincar com os meus primos. Quebrávamos cinco Ginas ao meio, juntávamos suas pontas e derramávamos uma gota de água no centro em comum das varetas. Incrivelmente, a madeira absorvia o líquido e começava a inchar. Os palitinhos cada vez mais abertos formavam uma estrela pulsando, uma estrela se agigantando, uma estrela engolindo a mesa.

Só com o cheiro da Pastelina, sou levado de volta para a alegria do intervalo da escola. Equilibrando um copo de guaraná e o pacotinho de massa frita, sentava no terceiro banco de pedra do pátio, meu camarote imutável para assistir as meninas jogando vôlei.

Gina e Pastelina me proíbem de envelhecer. Gritam “estátua” para mim e não me mexo.

É melhor do que chá de melissa: desaparece a enxaqueca, refaz a minha linha de tempo do Facebook, acaba com bloqueio criativo.

Gina e Pastelina resistiram aos layouts modernos, à ânsia de consumismo, às tentativas de se mostrar diferente por fora e apenas por fora.

Desconheço quem inspirou o logotipo da Pastelina. Tampouco muda a minha admiração ter consciência de que a modelo dos artefatos de madeira foi a polonesa Zofia Burk, que depois não conseguiu mais emplacar nenhuma campanha.

Ela será sempre a rainha da minha cozinha: dona de casa feliz e radiante, com seu cabelo de penico dos anos 70, o olhar roubado de Jesus Cristo, a dentição de quem nunca conheceu uma cárie.

Ele será sempre o rei do meu eterno recreio: o feiticeiro narigudo, de fraque, gravata borboleta e cartola, que somente entregará a receita da Pastelina se a Coca-Cola mostrar a sua.

Fonte: carpinejar.blogspot.com.br
Ler é vagar por dentro de outra pessoa, experimentar o que é ser o outro, e até nos tornarmos o outro, naquele momento. (Ana Miranda)

LUGARES

COURMAYEUR​ - ITÁLIA

Esta imagem mostra o Liceu Linguístico de Courmayeur, uma escola localizada em Aosta, Itália. O edifício apresenta arquitetura alpina tradicional com paredes de pedra e telhados de ardósia. A escola está situada no centro da cidade, uma área conhecida por seu estilo medieval e ruas comerciais como a Via Roma. Ao fundo, é possível avistar o Monte Bianco, a montanha mais alta da Europa Ocidental.  (Google)

FRASES ILUSTRADAS