SONG OF THE VOLBA BOATMEN
BLOG DO BIANCHI
sexta-feira, 1 de maio de 2026
LUGARES
SOVANA - ITÁLIA
Sovana é uma pequena cidade no sul da Toscana, Itália, uma frazione de Sorano, uma comuna italiana da província de Grosseto. É um dos I Borghi più belli d'Italia. (Wikipedia)
quinta-feira, 30 de abril de 2026
O BODE E EU
Carlos Heitor Cony
Na crônica anterior, agradei e desagradei alguns leitores que enviaram e-mails me elogiando ou criticando. Comentando dois assaltos simultâneos, um na Linha Vermelha, outro na Amarela, acessos hoje principais ao Rio, perguntei por que não se construía um muro, uma espécie de tubo a céu aberto, para evitar assaltos, seqüestros e acidentes com animais.
Não sugeri que se transformasse as favelas existentes, ao lado das duas estradas, em guetos medievais, isolando os pobres dos ricos. Leram mal ou entenderam mal.
Em todo o mundo, as vias expressas, as "free-ways", têm algum tipo de proteção para garantir o fluxo e a segurança dos carros e, obviamente, de seus passageiros.
No caso das duas linhas expressas do Rio, grande parte delas é constituída de viadutos, que os isolam da paisagem circundante, tornando difícil os assaltos e impossível a invasão de animais.
Além disso, há trechos desertos que não precisariam de proteção, são pantanosos, impedem que animais e bandidos cheguem até às pistas.
A proteção seria limitada a pequenos trechos, não para cercar as favelas, que estão mais ou menos distantes, mas para cercar as estradas.
Os moradores da região não ficariam confinados, os acessos normais estariam livres para ir e vir, eles não usam as estradas de alta velocidade, onde não existem pontos de parada nem cruzamentos.
De qualquer forma, alguma coisa precisa ser feita. Mês passado, levando um amigo ao aeroporto, um bode atravessou a pista. Chovia, a visibilidade era pouca. Na velocidade que vinha, mataria o bode e certamente eu não estaria aqui, enchendo os leitores.
Fonte: Folha de S.Paulo - 30/11/2004
LUGARES
JARAGUÁ DO SUL - SC
Localizado no prédio da antiga prefeitura, na Praça Ângelo Piazera, o Museu Histórico Emílio da Silva é uma instituição sem fins lucrativos, vinculada à Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer e mantida pela Prefeitura Municipal de Jaraguá do Sul. Para proteger o patrimônio museal, desenvolve ações de preservação, pesquisa e estudos, estimulando a releitura crítica das coleções de valor histórico, artístico e científico, e também promove o desenvolvimento de projetos culturais, a fim de conhecer o passado, compreender o presente e construir o futuro da sociedade.
quarta-feira, 29 de abril de 2026
O GOLPE DO BAR
Defronte à antiga Faculdade de Direito, lá nos altos da agência Ford, em Caxias do Sul, funcionava um bar minúsculo, desses que cabem mais histórias do que fregueses. Foi ali que o Mário e eu chegamos num final de tarde qualquer, com aquela pressa calma de quem só quer um cafezinho para manter o estudante acordado, eis que que as aulas ocorriam à noite.
Encostados ao balcão, de pé, saboreávamos o café quando surgiu a figura: um jovem que eu conhecia apenas de vista, presença frequente na praça central. Era desses que não caminhavam, circulavam; não conversavam, garimpavam. Especialista em encontrar incautos e lapidar histórias conforme o brilho do possível lucro. Um aprendiz de estelionatário, digamos assim, ainda em fase de estágio supervisionado pela própria esperteza.
Eu sabia bem de seus truques. Trabalhara perto da antiga agência do Banco do Brasil, território profissional do rapaz, onde ele exercitava sua arte com a constância de um funcionário público — só que sem crachá.
No bar, ele se aproximou do Mário e, com grande teatralidade, esfregou o polegar no indicador: o gesto universal do “dinheiro”. Em seguida, passou a gesticular como quem dizia ser surdo e mudo, compondo um personagem digno de um cinema mudo de quinta categoria. Estrategicamente, posicionei-me às suas costas, pronto para qualquer sinal de alerta, como um anjo da guarda especializado em golpes de baixo orçamento.
Enquanto o estranho diálogo gestual avançava, enfiei a mão no bolso e encontrei uma moeda. Soltei-a no chão, casualmente. O tilintar metálico ecoou no bar como um sino de igreja. Milagre imediato: o pseudo surdo virou-se num átimo. O mudo, então, recuperou a audição e a orientação espacial. Ao iniciar o movimento para apanhar a moeda, fui mais rápido: pisei firme sobre a mesma, selando o milagre inverso.
O Mário, que já havia entendido a cena, caiu na gargalhada, café quase saindo pelo nariz. O jovem, percebendo que sua encenação fora desmascarada por uma simples moeda de troco e um pé bem colocado, desistiu da apresentação. Escapuliu do bar com a dignidade possível, provavelmente em busca de plateias menos críticas e bolsos mais distraídos.
Ficamos nós ali, com o café já frio e a certeza reconfortante de que, às vezes, um pouco de atenção e uma moeda no chão bastam para encerrar um espetáculo inteiro.
LUGARES
CASTELO DE DÜRNSTEIN - ÁUSTRIA
A imagem mostra as ruínas do Castelo de Dürnstein, localizado na Áustria. Este castelo medieval é famoso por ter sido o local onde o rei inglês Ricardo Coração de Leão foi aprisionado entre 1192 e 1194. As ruínas situam-se no topo de uma montanha a 312 metros acima do nível do rio Danúbio. O castelo está localizado na pitoresca região de Wachau, na Baixa Áustria. É possível fazer trilhas até o local para explorar as ruínas e apreciar a vista panorâmica do vale. (Google)
terça-feira, 28 de abril de 2026
QUANDO A MULHER SE CALA E O HOMEM FALA POR ELA
Quando a mulher fala pelo casal, a relação vai bem. Quando o homem fala pelo casal, a relação vai mal.
Repare, é assustador: o silêncio da mulher é insatisfação; o do homem, contentamento. O silêncio da mulher é repressão; o do homem, aprovação. O silêncio da mulher é angústia; o do homem, recompensa.
Quando os dois estão entre amigos, se o homem não fala e escuta atentamente, está concordando. Se o homem é que fala e a mulher mergulha na mudez, é que está prestes a explodir de raiva.
Homem passivo e mulher dominante são sinais de bem-estar. Homem dominante e mulher passiva são agouros de briga.
A mulher é a porta-voz da felicidade da vida a dois – pois sempre arranca na frente para antecipar as novidades e projetos. Não se furta a dizer a sua versão dos acontecimentos. A loquacidade representa comprometimento e engajamento no relacionamento: discute, debate, intervém, não deixa por menos. Já o homem matraqueando é a versão da tragédia, busca disfarçar tudo o que vem acontecendo de errado e fazer com que todos não percebam
a indisposição feminina.
Homem alegre é plateia. Aplaude, ri, meneia a cabeça enquanto testemunha a sua esposa descrever as principais histórias e causos do seu cotidiano. Não sente necessidade de se contrapor à narração, até se vangloria das legendas. Quando entra sozinho no palco, é que fará um monólogo fingido: no fundo, distrai os outros de sua diva contrariada.
Mulher jamais é espectadora, somente se cala em nome da fúria, ciúme ou ressentimento. Não consegue nem mais reclamar. Prende a língua, trinca os dentes, já que se vê numa situação-limite: engatilhada a disparar sarcasmo e ironia a troco de nada, capaz de devolver o mero cumprimento com uma pergunta. Mostra-se educada a ponto de ser lacônica, não quer mentir e se controla.
Não desejava participar daquele momento hipócrita: pretendia resolver tudo antes em casa para depois sair (não é como o homem, que sai para resolver o que não foi compreendido em casa). Sua leveza depende da segurança emocional.
Para ter vontade de se expressar é que se encontra possessa, engasgada, de olhar baixo. Desistiu da esperança do humor. Admite ser dublada porque a sua cabeça e – principalmente – o coração se escondem longe dali.
Fonte: Zero Hora
Homem alegre é plateia. Aplaude, ri, meneia a cabeça enquanto testemunha a sua esposa descrever as principais histórias e causos do seu cotidiano. Não sente necessidade de se contrapor à narração, até se vangloria das legendas. Quando entra sozinho no palco, é que fará um monólogo fingido: no fundo, distrai os outros de sua diva contrariada.
Mulher jamais é espectadora, somente se cala em nome da fúria, ciúme ou ressentimento. Não consegue nem mais reclamar. Prende a língua, trinca os dentes, já que se vê numa situação-limite: engatilhada a disparar sarcasmo e ironia a troco de nada, capaz de devolver o mero cumprimento com uma pergunta. Mostra-se educada a ponto de ser lacônica, não quer mentir e se controla.
Não desejava participar daquele momento hipócrita: pretendia resolver tudo antes em casa para depois sair (não é como o homem, que sai para resolver o que não foi compreendido em casa). Sua leveza depende da segurança emocional.
Para ter vontade de se expressar é que se encontra possessa, engasgada, de olhar baixo. Desistiu da esperança do humor. Admite ser dublada porque a sua cabeça e – principalmente – o coração se escondem longe dali.
Fonte: Zero Hora
LUGARES
ELVAS - PORTUGAL
Você sabia que no Alentejo existe uma construção histórica que impressiona pela engenharia e pela beleza? O Aqueduto de Moreira, situado em Elvas, é uma obra monumental erguida entre os séculos 17 e 18 para abastecer a cidade com água, e até hoje desperta curiosidade pela dimensão e pelas arcadas que recortam a paisagem. Para quem visita Elvas, o aqueduto é uma parada imperdível: rende fotos incríveis, uma viagem no tempo e um jeito diferente de conhecer a herança arquitetônica do Alto Alentejo.
segunda-feira, 27 de abril de 2026
PERECÍVEL, MAS INDESTRUTÍVEL
Por Ruy Castro
A loura madura, bonita e empetecada olhava
com encanto para as prateleiras ao seu redor. Era num sebo -um charmoso sebo no
Leblon. Ao lado, seu marido, uma personalidade da TV, conversava com alguns
clientes. De repente, ouviu-se a voz da mulher: "Que livraria mais
engraçada! Só tem livro velho!".
Sebos interferem com a sensibilidade de seus frequentadores.
Há quem se compadeça daqueles livros porque acha que, lidos
ou não, eles foram desprezados por seus antigos compradores. Para outros, o
sebo representa uma gloriosa sobrevida para muitos livros -quem sabe um dia
estes não serão tirados das estantes por leitores mais atentos e interessados,
que saberão apreciá-los melhor?
Sem falar em tantos livros tão amados, e que só foram parar
no sebo por motivo de força maior, como a morte de seus possuidores originais.
É comum que, morto o dono da casa, e pela impossibilidade de continuar morando
nela, a viúva seja obrigada a se desfazer do recheio ou do próprio imóvel,
donde lá se vão os livros. E não há nada demais em que a sobrevida de um livro
se deva à morte de alguém. Boa parte dos livros que possuo já pertenceu a uma ou
mais pessoas, e, no futuro, pertencerão a terceiros ou quartos -espero.
Uma notícia na Folha, há dias, me calou fundo: a história de
Cleuza, 47, a catadora de recicláveis em Mirassol (452 km de São Paulo), que
recolhe os livros que encontra no lixo, recupera-os e os leva para uma
biblioteca que criou no centro de triagem do lugar. Entre os 300 títulos que já
salvou da destruição e empresta ou dá a seus colegas, estão muitos de Machado
de Assis, Erico Verissimo e José Saramago. Eu ficaria orgulhoso de ver algum
dos meus próprios livros nesse lote.
Há melhor prova de que, por Cleuza, o livro-de papel, tão
precário e perecível- será indestrutível?
Fonte: Folha de S.Paulo, 10/11/2012
LUGARES
WEIßENKIRCHEN - ÁUSTRIA
A imagem mostra o Hotel Garni Donauhof, localizado no vilarejo de Weißenkirchen, na região de Wachau, Áustria. É uma propriedade familiar situada perto do rio Danúbio. O hotel está localizado em uma região produtora de vinhos, considerada Patrimônio Mundial da UNESCO. (Google)
domingo, 26 de abril de 2026
LIVROS
Até ao fim da Terra, de David Grossman é um livro de qualidade excepcional. Uma das melhores leituras que fiz até hoje em torno da questão judaica. Trata-se de uma obra de grande fôlego que retrata na perfeição todo o sofrimento, toda a coragem de um povo martirizado pela História. No entanto, Grossman não cai no chauvinismo e no maniqueísmo fácil; os árabes (ou palestinianos) não são aqui retratados como o inimigo a abater. Eles são também vítimas. Os culpados nã são os judeus nem os árabes; culpada é a própria guerra. Mas como a guerra é feita por homens, eles são ao mesmo tempo vítimas e culpados. Todos. Como já alguém afirmou, este é um dos melhores livros anti-guerra de todos os tempos. Para ler sem preconceitos; caso contrário, a leitura e sua interpretação sairão, obviamente, distorcidas.
Fonte: aminhaestante.blogspot.com.br
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