sábado, 16 de maio de 2026

ROMANCE FORENSE

BOIANDO NO SALÃO DO JÚRI

Por Ronaldo Sindermann, advogado (OAB/RS nº 62.408)

O advogado criminalista, em sua sustentação oral, tenta tocar na sensibilidade do júri, ao concluir sua defesa.

- O réu, senhores jurados, é um homem simples e honrado servente de obras. Tive a oportunidade na última enchente em Porto Alegre de visitar a sua humilde casa no bairro Sarandi, onde boiavam no chão alagado, as suas ferramentas de seu trabalho. Vi boiando a talhadeira, a marreta, a pá e a enxada deste pobre trabalhador.

Não se contem o vigilante promotor de justiça. Violando a regra do tribunal do júri aparteia a palavra da defesa.

- Isso é uma verdadeira tolice. Desde quando talhadeira, marreta, pá e enxada boiam?

Vem, então, a resposta do incansável causídico.

- Quanta ignorância do nobre operador jurídico! Ele esqueceu que até transatlântico, que é infinitamente mais pesado, boia!...

Fonte: www.espacovital.com.br
Nada mais cretino e mais cretinizante do que a paixão política. É a única paixão sem grandeza, a única que é capaz de imbecilizar o homem. (Nelson Rodrigues)

LUGARES

PUERTO VARAS - CHILE

Esta é a Iglesia del Sagrado Corazón de Jesús, localizada em Puerto Varas, Chile. Aqui estão alguns detalhes sobre ela:

Estilo e Construção: A igreja possui um estilo neo-românico com forte influência germânica, refletindo a colonização alemã na região. Sua estrutura foi construída inteiramente com madeiras patagônicas, como carvalho e ulmo.

História: Foi inaugurada em 1918 e é um dos principais marcos arquitetônicos e turísticos da cidade.

Reconhecimento: A estrutura foi declarada Monumento Histórico Nacional do Chile.

FRASES ILUSTRADAS

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sexta-feira, 15 de maio de 2026

THE SHADOWS

 APACHE - LIVE IN CONCERT

A boca guarda silêncio para escutar o coração falar. (Alfred de Musset)

LUGARES

FULDA - ALEMANHA

Fulda é uma cidade localizada no estado do Hesse, na Alemanha. Em 744, São Sturm , discípulo de São Bonifácio , fundou o mosteiro beneditino de Fulda como um dos postos avançados de Bonifácio na reorganização da igreja na Alemanha. (Wikipédia)

FRASES ILUSTRADAS

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quinta-feira, 14 de maio de 2026

HIPÓTESE MACABRA

Carlos Heitor Cony

Já tenho estrada na vida e na profissão para não me espantar, e muito menos me horrorizar com nada do que acontece no mundo, e até mesmo com aquilo que nem chega a acontecer. Mas semana passada, senti um frio, não sei se na alma ou na espinha, quando li que a mulher de Arafat, que entrara em agonia, denunciou que queriam enterrá-lo vivo.

A denúncia talvez tenha sido exagerada, mas não deixa de ser possível, pois vale tudo neste mundo de Deus e do Diabo. Dizem que na Idade Média era comum esta prática, até papas, segundo alguns historiadores, foram sepultados, mesmo sem terem entrado na reta final.

Evidente que a viúva de Arafat expressou um temor justificável. A hipótese deve ter passado pela cabeça de muita gente --e somente a hipótese dá para assustar. Entrando no mérito: Arafat é um dos heróis do nosso tempo, em que pese ter sido um vilão para seus adversários. O fato menos relevante de sua biografia foi a sua opção pelo terrorismo.

Digo isso porque, a maior parte dos heróis da história universal, foram considerados terroristas e assassinos pelos inimigos. Napoleão foi um deles, chamado de "açougueiro" da Europa. Menahem Begin, durante anos, teve cartazes espalhados pelos países da Comunidade Britânica, oferecendo prêmios pela sua captura, pois se tratava de um terrorista sanguinário. No entanto, ganhou o prêmio Nobel da Paz, façanha que Arafat também conquistou.

Judite, uma das heroínas bíblicas, degolou um inimigo de seu povo, durante o sono. Tudo bem. Cada povo tem os heróis que merece. Agora, enterrar alguém vivo é uma crueldade que somente o animal homem é capaz de praticar.

Fonte: Folha de São Paulo - 16/11/2004
Um irmão pode não ser um amigo, mas um amigo será sempre um irmão. (Benjamin Franklin, estadista americano, 1706-1790)

LUGARES

LYON - FRANÇA

Aos fundos da imagem, vê-se a Igreja de Saint-Nizier. Uma basílica histórica localizada na zona dos Cordeliers, no coração de Lyon, na França. Lyon é reconhecida como a capital gastronômica da França e possui uma arquitetura magnífica. A cidade fica a aproximadamente duas horas de trem de Paris. (Google)

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quarta-feira, 13 de maio de 2026

AS CHAVES DO AUTOMÓVEL

Era para ser apenas mais uma viagem de trabalho a São Leopoldo (RS). Reunião marcada, horário contado, discurso mentalmente ensaiado. Tudo dentro do roteiro — até o motorista resolver improvisar.

Estacionou o carro, desceu com a habitual confiança de quem já repetiu aquele gesto mil vezes, apertou o botão do alarme e… clic. Silêncio. Meio segundo depois, o estalo da consciência: as chaves estavam sorrindo, tranquilas e solitárias, na ignição.

Do lado de fora.

Com o carro trancado.

A cena ganhou contornos de espetáculo. O motorista contornava o veículo, espiava pelos vidros, puxava a maçaneta como quem testa a sorte na loteria. Tentou abrir uma fresta com os dedos, depois com um pedaço de papelão encontrado não se sabe onde. Nada. O automóvel, firme em sua integridade moral, recusava qualquer negociação.

Foi então que surgiu ele.

Um desconhecido de andar calmo, olhar experiente e uma serenidade suspeita. Aproximou-se com a naturalidade de quem já viu aquele filme antes.

— Se pagar uma cerveja, eu tiro a chave sem nenhum dano.

A proposta era inusitada, mas justa. Entre esperar um chaveiro oficial, comprometer a agenda e talvez ouvir uma longa palestra sobre distração, uma cerveja parecia investimento estratégico.

— Fechado.

O estranho arregaçou as mangas invisíveis da perícia. Não tinha capa, mas naquele momento era um herói urbano. Pegou uma pequena haste metálica — que surgiu do nada, como truque de mágico — e começou a trabalhar com precisão cirúrgica.

Aos poucos, formou-se uma plateia. Como toda boa intervenção pública, atraía curiosos. Pessoas interromperam seus caminhos para assistir ao que já estava sendo tratado como um evento cultural da calçada. Comentários sussurrados, palpites técnicos infundados e aquele silêncio respeitoso que antecede o clímax.

E então — clac! — a porta cedeu.

O estranho abriu com elegância, alcançou a ignição e, num gesto teatral, entregou as chaves ao proprietário. A plateia quase aplaudiu. Faltou apenas trilha sonora.

Foi quando um gaiato, desses que surgem para dar o arremate final, perguntou em voz alta:

— Você faz isso por profissão?

O silêncio que se seguiu foi mais profundo que o anterior. O herói improvisado respirou fundo. Olhou para o motorista, depois para a pequena multidão, e disse com um meio sorriso cansado:

— É por isso que eu não interfiro na dificuldade dos outros.

Pegou o rumo da esquina, deixando atrás de si um misto de gratidão, constrangimento e reflexão.

O motorista entrou no carro, agora devidamente abastecido de chaves — e de humildade. Quanto à cerveja, foi paga com gosto. Afinal, certas lições saem baratas.

E desde então, toda vez que tranca o carro, ele confere duas vezes. Não por medo de errar de novo — mas porque heróis anônimos nem sempre aceitam pagamento em lúpulo.

Não existem mulheres frígidas; apenas mal esquentadas. (Lucio Amorim, saxofonista)

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PRAGA - REPÚBLICA CHECA

Esta imagem mostra a Praça Hradčany (Hradčanské náměstí), localizada no bairro do Castelo em Praga, República Tcheca. A praça é cercada por edifícios históricos importantes, incluindo o Palácio Toscano. O local fica logo na entrada do complexo do Castelo de Praga, um dos maiores e mais antigos castelos do mundo. É uma área turística popular conhecida por sua arquitetura barroca e renascentista bem preservada. (Google)

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terça-feira, 12 de maio de 2026

MÃO DE VALSA

Fabrício CarpinejarFabrício Carpinejar 

Não sei dançar, bem que gostaria. Marcho na pista, sou um zagueiro brucutu, não driblo, chuto a bola para a arquibancada.

Marquei três aulas com uma professora particular, ela conseguiu cancelar consecutivamente os encontros. Deve ter me visto como uma causa perdida.

Tento compensar a ausência de coordenação com a minha alegria. Pulo, grito, levanto a mão para cima, imito quem parece entender, dedico os esforços mais generosos ao disfarce.

Aproveito realmente para me soltar quando todo mundo está bêbado numa festa. É o único momento em que não chamo atenção. A tontura dos outros favorece o meu equilíbrio.

Venho de uma geração que segurava um copo de cerveja e fazia parede quando a sua namorada rebolava. Fui alicerce mais do que coadjuvante, leão de chácara mais do que par. Não experimentei, a exemplo dos filhos, as coreografias em turma e as disputas de Xbox ou PlayStation. Na minha época, menino não dançava, virava estátua: fechava a cara até o sol raiar.

Não desfrutei sequer de uma alma paciente e generosa capaz de me orientar para vencer o bloqueio. As companhias cansavam de ser espelho. Diziam que era fácil; dizer que é fácil não ajuda em nada, daí que tropeçava o dobro.

Não foi por falta de vontade. Conto mentalmente – um dois, um dois –, porém entro numa sequência patética de câmera lenta. A trilha precisa parar, senão me desconcentro. Ou conto ou danço – não sei manter ambas as funções.

Conservo um jeito monocórdio de sapatear. O pé direito vai para um lado, o esquerdo parte em direção contrária e fico olhando para cima, estilo Stevie Wonder, com a diferença dos braços engessados e da ausência do piano.

Não mudo o ritmo conforme a música. Pode tocar sertanejo, samba, rock e funk que me mexo da mesma forma. Não movimento o quadril, que permanece duro e intransponível. A ginga é restrita aos joelhos. Flexiono apenas as pernas, já me falaram que realizo alongamento fora de hora. Estou sempre uma canção atrasada. Quando demonstro uma repentina sincronia dos passos, perco-me na concentração.

Não sei dançar. Nem é porque piso nos pés dos outros, cometo algo mais grave: sorteio joelhadas e empurrões.

O que me salva ao longo do tempo é a dança das palavras, onde dou o troco e me vingo do deboche. Não sou pé de valsa, mas mão de valsa.

Fonte: Zero Hora
Olhos que olham são comuns. Olhos que veem são raros. (J. Oswald Sanders)

LUGARES

PARIS - FRANÇA

A Torre Eiffel foi construída entre 1887 e 1889 para a Exposição Universal de 1889. É o monumento pago mais visitado do mundo, com milhões de visitantes anuais. A estrutura tem aproximadamente 330 metros de altura. (Google)

FRASES ILUSTRADAS