sábado, 13 de junho de 2026

ROMANCE FORENSE

Papel para gente importante

O Palácio do Planalto está disposto a gastar R$ 50 mil em papel higiênico - não é coisa simples.

A licitação especifica: "matéria-prima virgem". Os pacotes devem conter "papel branco, macio, resistente e com folhas intercaladas".

Os rolos precisam ser de alta qualidade e sem perfume.

O edital também exige: "apresentar amostras para teste de qualidade"

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Depois da crise do papel higiênico na Venezuela, agora está também o papel-jornal no país de Nicolás Maduro.

Isso quer dizer o seguinte: feliz de quem tem bidê em Caracas...

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Os dois fatos acima instigam a que se repita uma historinha já divulgada, com grande repercussão, pelo Espaço Vital.

A então secretária Lúcia Mendes, da 4ª Câmara Cível do (extinto) Tribunal de Alçada do RS, estava assoberbada, num começo de tarde, nos momentos que precediam o início da sessão de julgamentos.

Um dos juízes chega atarantado em direção à mesa da servidora, pedindo:

- Papel, papel, por favor, urgente!

Lúcia então abre uma das gavetas e dela tira um rolo de papel higiênico com florzinhas - logo passado às mãos do magistrado, aparentemente aflito.

O juiz então pondera:

- Não é esse! É papel para eu anotar um telefone...

A secretária corrige:

- Desculpe-me, doutor, o senhor chegou tão desesperado, que eu pensei que fosse esse...

As gargalhadas dos colegas soam pela sala e pelos corredores.

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O rolo de papel higiênico volta à gaveta. E o constrangido magistrado sai, rumo à sala de sessões, levando uma folha de papel A-4 em branco, onde rabisca o número telefônico que não queria esquecer.

Fonte: www.espacovital.com.br
Nada é tão bom como o amor, nem tão verdadeiro como o sofrimento. (Alfred de Musset, dramaturgo francês)

LUGARES

INNSBRUCK - ÁUSTRIA

A imagem mostra a Helblinghaus (Casa Helbling), um edifício famoso localizado na cidade velha de Innsbruck, Áustria. O edifício é conhecido pela sua fachada barroca rica em decorações de estuque rococó que lembram glacê de bolo. Embora tenha sido construído no século XV originalmente em estilo gótico, as decorações barrocas e rococó foram adicionadas posteriormente, por volta do início do século XVIII. Fica situado no coração da cidade, quase em frente ao famoso Goldenes Dachl (Telhado de Ouro). (Google)

FRASES ILUSTRADAS

 

sexta-feira, 12 de junho de 2026

HEINO

ROSAMUNDE

O importante não são os homens de minha vida, mas sim a vida que há nos meus homens. (Mae West, atriz)

LUGARES

PARIS - FRANÇA

Esta imagem mostra a Place du Châtelet em Paris, França. No centro está esta fonte monumental construída entre 1806 e 1808 para comemorar as vitórias de Napoleão Bonaparte. O topo da coluna é coroado por uma estátua dourada da deusa Vitória, segurando coroas de louros. A praça abriga dois teatros famosos, o Théâtre du Châtelet e o Théâtre de la Ville. (Google)

FRASES ILUSTRADAS

quinta-feira, 11 de junho de 2026

ENSAIOS SOBRE O PREÇO DE PENSAR

Oliver Harden

Pensar isola porque pensar rompe pactos silenciosos. A maior parte das relações humanas sustenta-se não sobre a verdade, mas sobre a conveniência, sobre aquilo que pode ser dito sem perturbar a superfície do convívio. O pensamento autêntico, quando emerge, age como um corpo estranho, ele interrompe o consenso tácito, desloca o conforto, desmonta certezas compartilhadas. E todo deslocamento profundo gera afastamento.

Há uma solidão própria do pensamento que não se confunde com misantropia nem com arrogância intelectual. Trata-se de uma solidão estrutural. Pensar exige tempo interior, exige silêncio, exige o afastamento gradual do ruído coletivo. Quem pensa começa, inevitavelmente, a perceber as engrenagens invisíveis das crenças comuns, os automatismos morais, as frases repetidas como orações vazias. E esse excesso de lucidez torna-se, paradoxalmente, um fator de exclusão.

O pensador passa a habitar um intervalo incômodo, já não pertence plenamente ao coro, mas tampouco encontra facilmente pares. O pensamento verdadeiro não cria comunidades imediatas, ele cria fraturas. Por isso, em sociedades orientadas pela velocidade, pela opinião instantânea e pela validação contínua, pensar é quase um ato antissocial. Não porque seja agressivo, mas porque é desobediente. Ele se recusa a aderir sem exame, a repetir sem reflexão, a sentir por contágio.

Pensar isola também porque desnuda. Quem pensa percebe o quanto grande parte dos vínculos é sustentada por ilusões necessárias, por narrativas frágeis que não resistiriam a um exame mais rigoroso.E ao enxergar isso, torna-se difícil continuar representando papéis com a mesma naturalidade. A espontaneidade social é, muitas vezes, um acordo de superficialidade. O pensamento rompe esse acordo, ainda que silenciosamente.

Há, porém, uma dignidade profunda nessa solidão. Pensar isola, mas preserva. Preserva a integridade interior, preserva a capacidade de não se dissolver no fluxo da massa, preserva a possibilidade de um olhar próprio. A solidão do pensamento não é um castigo, é o preço de não viver terceirizando a consciência.

Talvez por isso tantos fujam do pensamento. Não por incapacidade, mas por medo. Medo do isolamento, da ruptura, da perda de pertencimento. Pensar cobra caro, ele exige coragem para sustentar a própria lucidez mesmo quando ela não encontra eco, nem aplauso, nem companhia.

Pensar isola, sim. Mas é essa mesma solidão que impede que o indivíduo se transforme apenas em reflexo, em eco, em repetição. No fim, o preço de pensar é alto, porém o preço de não pensar é infinitamente mais devastador, a perda silenciosa de si mesmo.

Fonte: Facebook_Oliver Harden
Tome cuidado apenas consigo mesmo, nossos piores inimigos estão dentro de nós. (Charles Spurgeon)

LUGARES

PÁDUA - ITÁLIA

A imagem mostra a Prato della Valle, uma praça notável localizada em Pádua, na Itália. É uma das maiores praças da Europa, cobrindo mais de 80.000 metros quadrados. O local apresenta uma ilha central, conhecida como Memmia Island, que é cercada por um fosso. Ao redor do canal, existem mais de 70 estátuas que representam figuras históricas importantes da região. (Google)

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quarta-feira, 10 de junho de 2026

O BEIJO PEDAGÓGICO

Na Schützenfest de Jaraguá do Sul, aquela prima germânica da Oktoberfest de Blumenau, tudo parecia seguir o roteiro conhecido: música alta, calor respeitável, trajes típicos disputando espaço com sorrisos avermelhados pelo chope, e o salão principal ladeado de camarotes no alto, como uma galeria onde se via e se era visto. Um grupo de amigos, fiéis à tradição e ao contrato, alugava sempre o mesmo camarote por todo o período da festa. Tinha acesso confortável, banheiro por perto e um corredor externo providencial para esfriar a cabeça, aliviar os ouvidos e, com sorte, recuperar a noção de tempo.

O inconveniente vinha disfarçado de tentação: a cisterna etílica — leia-se barril de chope — ficava colada à porta do camarote. Bastava um descuido e lá vinham eles, os menudos de copo vazio e olhar treinado, que fingiam admirar a arquitetura enquanto, sub-repticiamente, “furavam” o chope alheio. Foi aí que o Airton entrou em cena. Alto, forte, campeão de judô, trajado como mandava o figurino. Postava-se à porta com a serenidade de um monge e a prontidão de um segurança. Ao flagrar o furador em ação, não gritava nem reclamava: abraçava. E beijava. Beijava com entusiasmo, na face do incauto, usando lábios estrategicamente umedecidos por algum tempero generoso dos comes da noite — mostarda, talvez, ou algo com alho suficiente para marcar memória.

A cena virou atração paralela. Os locatários e familiares aguardavam o próximo “cliente” como quem espera o refrão da música. O corredor, antes rota de fuga térmica, transformou-se em palco. Em pouco tempo, a fama correu mais rápido que o chope: quem se aventurava a furar barril saía com lembrança afetiva demais para contar aos amigos. Resultado? Os neo-bebuns foram rareando, o chope passou a durar mais e o Airton ganhou um título honorário que ninguém ousou contestar: guardião do barril e distribuidor oficial de beijos pedagógicos. Na Schützenfest, afinal, aprende-se que toda festa tem regras — e algumas lições vêm com tempero.
Pobre é o homem que não sabe perdoar. (Saint-Èxupéry, escritor francês)

LUGARES

DOLOMITAS - ITÁLIA

A paisagem ao fundo mostrao Lago di Misurina, localizado nas montanhas Dolomitas, no norte da Itália. A região é famosa por suas paisagens cênicas, incluindo os Três Picos de Lavaredo (Tre Cime di Lavaredo), que são visíveis nesta área. O local é um destino popular tanto para caminhadas e turismo no verão quanto para atividades de inverno, como esqui. (Google)

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terça-feira, 9 de junho de 2026

BELEZA

Martha MedeirosMartha Medeiros

A palavra beleza, assim, solitária, virou gíria. Vou te buscar às nove. Beleza. Semana que vem estarei em São Paulo. Beleza. Amanhã entra em cartaz o novo filme do Jorge Furtado. Beleza.

Real Beleza, quase acertou.

Poderia comentar as ótimas atuações do elenco, com destaque para a expressiva participação de Francisco Cuoco. Ou salientar a relevância da trilha sonora, que ficou a cargo de Leo Henkin. Ou registrar os ares de As Pontes de Madison que o filme invoca. Ou ainda celebrar as pausas e a economia dos diálogos sempre precisos do Jorge. Enfim, é mais um produto da grife Casa de Cinema, mas me deu vontade mesmo é de tentar definir o que é beleza, que está muito além de uma simples gíria.

Alguns consideram que o encantamento pelo belo é prova irrefutável da nossa superficialidade. Seria uma manifestação de esnobismo. Ora, é justamente o contrário. A apreciação da beleza está intimamente ligada à nossa compreensão do quanto viver é difícil, ou seja, é prova da nossa profundidade.

Quanto mais sintonizados com as dificuldades da existência, mais desfrutamos o belo.

O valor da beleza está na consciência do que é trágico.

A beleza de um quadro, de uma música, de uma decoração, de um jardim, de um poema, de uma paisagem, do perfil de uma moça ou da postura de um rapaz é apreciada justamente pelo contraste com a decrepitude que há em torno, com a decadência das formas, com a frieza dos costumes, com o apodrecimento das intenções, com o feio em nossas vidas. A beleza é o alívio para a desesperança.

Reconhecê-la é um consolo, uma confirmação de que não fomos sepultados, não capitulamos, não fomos engolidos pela descrença.

Admiro quem reconhece o belo, quem se sensibiliza com ele em vez de criticá-lo como se fosse algo dispensável. A beleza é sempre uma homenagem. Contemplá-la é um gesto de grandeza. Pobres daqueles que a desprezam, que não percebem que a crueza da humanidade é uma desordem a ser combatida, que julgam natural permanecer em constante estado de dor e não alcançam jamais o êxtase, o enlevo, o deleite que resgata nossa essência.

A beleza de uma pessoa está em tudo que ela é. Tanto em sua aparência física (quando se tem a sorte de nascer com ela) quanto – e principalmente – na beleza buscada pelo espírito como forma de resistir à hostilidade que nos cerca, à escuridão e sua opressiva nuvem negra. Escapamos do breu através de olhares, silêncios, traços, sorrisos, sutilezas, delicadezas, instantes, sintonias.

É apenas um filme e não trata de nada disso. Ou trata. Vai depender do seu olhar, do que você enxerga, de quão terna e bela é sua mirada pra vida.

Fonte: Zero Hora
Sexo é hereditário. Se seus pais nunca fizeram, você não fará. (David Zing - fotógrafo e colunista)

LUGARES

GARMISCH-PARTENKIRCHEN - ALEMANHA

A imagem mostra a cidade de Garmisch-Partenkirchen, na Alemanha, famosa por sua localização aos pés do pico mais alto do país. Esta cidade mercantil está localizada no estado da Baviera, no sul da Alemanha. Situa-se no sopé do Zugspitze, que é a montanha mais alta da Alemanha, com 2.962 metros de altitude. A região é um destino popular para esportes de inverno e foi sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 1936. Garmisch-Partenkirchen fica próxima à fronteira com a Áustria e a cerca de 90 km de Munique. (Google)

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