sexta-feira, 6 de março de 2026

PEREZ PRADO ORCHESTRA

 CHUCO LÓPEZ - CEREZO ROSA

O dinheiro pode não comprar a saúde, mas eu me contentaria com uma cadeira de rodas cravejada de diamantes. (Dorothy Parker, Escritora americana, 1893-1967)

LUGARES

ATENAS - GRÉCIA

Plaka é um dos bairros mais antigos e charmosos de Atenas, situado logo abaixo da Acrópole. A área é conhecida por suas ruas de pedestres estreitas, edifícios neoclássicos e inúmeras lojas de souvenirs, cafés e restaurantes. O bairro fica adjacente à Praça Monastiraki e ao famoso mercado de pulgas de Atenas, uma área central de comércio. (Google)

FRASES ILUSTRADAS

quinta-feira, 5 de março de 2026

PROVOCAÇÕES FILOSÓFICAS

Em algum momento da vida, o mundo resolveu entender "competitividade" como alguma coisa parecida com o ditado antigo que diz "farinha pouca, meu pirão primeiro". Que pena.

Eu tenho a impressão de que esse engano é um dos grandes causadores da miséria em que nos enfiamos.

No meio desse equívoco, ser competitivo significa viver contra o outro, querer tudo e querer antes de todo mundo. Por aí, um batalhão competitivo espera sedento sua vez de partir para cima, de agarrar a chance com unhas e dentes, de provar seu valor, de fazer e acontecer. E tudo isso significa "passar por cima" de quem estiver na frente.

Em treinamentos e palestras, gurus de auto-ajuda repetem "você é especial porque foi o único espermatozoide a atingir o óvulo de sua mãe" e outras bobagens. Mas quase ninguém diz o essencial: "educação, respeito, ética e honestidade deixam o mundo melhor."

Sem esses valores, ser competitivo é uma desgraça! O sujeito competitivo e mal-educado, desrespeitoso, antiético e desonesto é um monstro. Ponto! Não tem escrúpulos nem limites. Faz qualquer coisa em nome de suas metas.

Verdade é que competitividade sem educação está nos transformando em perigosas bestas. "Sai da frente ou eu atropelo" é o recado.

Nessa disputa estrábica, a gente aprende a falar inglês, alemão, espanhol, mandarim mas esquece como dizer "bom dia" no elevador!

"Fulano é poliglota!", sabe pressionar, mentir, ofender e chantagear em quatro ou cinco idiomas! De que adianta?

Empatia, simpatia, fraternidade e outras joias são consideradas lixo entre os mal competitivos. Porque "abrem a guarda". Ser gentil é mostrar fragilidade. O competidor matador fecha a cara e atropela. Aqui entre nós, tão ruim quanto os maus perdedores é o péssimo ganhador!

Dia desses, na festinha de aniversário do meu filho num bufê infantil, as moças que organizam a recreação fizeram lá pelas tantas a velha brincadeira da "dança das cadeiras" com as crianças. Na rodada final, disputando o último assento, restaram um menino e uma menina. Tal como um gladiador, para ganhar a peleja o garoto de nove anos empurrou a menina com tanta força que a machucou. A menina saiu chorando, os joelhos esfolados, e o menino foi festejado pelos amigos.

É triste mas é a verdade. A sanha de vencer a qualquer preço nos transforma, em qualquer idade, em perfeitos panacas. Cheios de motivação e energia, talhados em regras e chavões neurolinguísticos batidos mas tão esquecidos do óbvio: mais importante que ser melhor do que o outro é tratar o outro melhor.
Não há nenhum psiquiatra no mundo igual a um filhote de cachorro que lambe a sua face. (Ben Williams)

LUGARES

SEVILHA - ESPANHA

A imagem mostra a Fuente de Híspalis (Fonte de Hispalis), localizada em Sevilha, Espanha. É um monumento histórico situado no centro da cidade. A fonte apresenta esculturas detalhadas e é um ponto de referência local. Está localizada em uma área com edifícios históricos e comerciais ao redor.

FRASES ILUSTRADAS

quarta-feira, 4 de março de 2026

ANESTESIA REVOLUCIONÁRIA

O pós-64 não inventou todas as proibições, mas teve o cuidado de reforçar as já existentes, como os jogos de azar, especialmente os ditos carteados — que continuaram proibidos com a mesma eficiência de sempre, ou seja, nenhuma. Acrescentou, porém, outras restrições, entre elas a do consumo da famosa “branquinha”, substância reconhecidamente subversiva, capaz de derrubar governos, dentaduras e até a própria dignidade humana.

Foi nesse ambiente de sobriedade forçada que, num sábado à noite, um grupo de amigos resolveu ir a um baile na vizinha Nova Petrópolis. Entre eles estava João Carlos, doravante tratado apenas por JC, talvez por economia de letras, talvez por já prenunciar um certo espírito de agente secreto da resistência etílica.

O problema é que JC padecia de uma dor de dente monumental, dessas que fazem o sujeito reconsiderar pecados passados e promessas futuras. A ciência popular, sempre à frente da oficial, recomendava bochechos com cachaça, seguidos da ingestão do remédio, para não desperdiçar o princípio ativo. Nada para o santo, registre-se; tudo em nome da saúde bucal.

O bolicheiro, homem honesto e temente às autoridades — visíveis e invisíveis —, negava o fornecimento do precioso medicamento. Mas a dor de dente é argumento forte, quase irrefutável, e talvez o próprio bolicheiro tivesse conhecimento empírico dos efeitos terapêuticos da marvada. Cedeu. Uma vez. Depois outra. E mais uma, sempre em nome da medicina caseira.

Com o avançar dos bochechos terapêuticos, o bolicheiro começou a desconfiar. Ou JC tinha o dente mais resistente do Rio Grande, ou a dosagem eficaz ainda não fora atingida. Talvez o homem conhecesse exatamente a medida correta do remédio; talvez apenas temesse a presença de algum dedo-duro, infiltrado entre uma polca e um vanerão.

Negado o novo fornecimento, JC, já com a dor devidamente instalada — segundo ele, agora ainda maior —, indignou-se. Pensou um pouco, como fazem os grandes estrategistas, e lançou a pergunta fatal:

— Conhaque é proibido?

Diante da resposta negativa do bolicheiro, JC resolveu definitivamente seu problema pelo resto da noite. O dente, reza a tradição oral, nunca mais foi assunto. Já a ressaca, essa sim, apareceu no dia seguinte, mas como não constava na lista de proibições, foi devidamente tolerada.

E assim, em tempos de tantas restrições, a criatividade popular mostrou mais uma vez que, quando falta a branquinha, sempre há um conhaque disposto a salvar a pátria — ou pelo menos um dente inflamado.
Eu nunca soube se devia ter pena ou dar os parabéns a alguém que criou juízo. (William Thackeray, Escritor inglês, 1811-1863)

LUGARES

MONTEVIDÉU - URUGUAI

Esta imagem mostra a Praça Independência (Plaza Independencia) em Montevidéu, Uruguai, com o famoso Palácio Salvo ao fundo. É a praça mais importante da cidade, situada entre a Cidade Velha e o centro.  O Palácio Salvo, visível na foto, foi durante muito tempo o edifício mais alto da América do Sul. A praça abriga também o Mausoléu de José Artigas, herói nacional do Uruguai. Este local marca o limite histórico onde costumava ficar a Cidadela da cidade. (Google)

FRASES ILUSTRADAS

terça-feira, 3 de março de 2026

MINHA PORTO ALEGRE

Fabrício Carpinejar
Fabrício Carpinejar

Como é difícil mostrar a própria cidade. Dois amigos argentinos – Lorenzo e Tomás – vieram visitar Porto Alegre depois de tanto professar a minha paixão. Acostumados com as praias brasileiras, chegaram aqui por absoluta crença nos meus elogios escandalosos para a capital gaúcha.

Fiquei encarregado de provar o meu gosto, e somente me confundi e me amargurei. Apresentei a Usina do Gasômetro no entardecer e aconteceu num dia nublado e o sol não deitou no horizonte, não prateou o Guaíba, e os olhos castanhos da água não se transmudaram em verdes pela luz refletida.

A curiosidade não produzia atenção, não prolongava nenhum lugar na memória da dupla estrangeira. Eles me olharam com pena, como que pedindo mais, e levei os dois para a Feira do Livro, mas ambos conheciam um projeto semelhante em Córdoba, não se mostraram arrebatados e não tinha jeito de singularizar a minha cidade. As palavras escapavam. E corri para o terraço da Casa de Cultura Mario Quintana e o meu espanhol era curto para explicar a importância de nosso poeta pensador. E fomos ao porto do Guaíba, ao morro Santa Tereza, aos chopes na ladeira, e a comoção não vinha e a monotonia já parecia eterna.

Eu estava cansado de falar, gesticular e rir de nervoso. Desisti de esclarecer a minha cidade. Entendi que é o mesmo que justificar o porquê de amarmos uma mulher. Como expor visivelmente o que é subjetivo? Como descrever a minha emoção de atravessar a Rua da Praia, calçadão que frequento desde menino? Como detalhar o efeito de caminhar em bairros com a copa fechada das árvores? Como alfabetizar o arrepio, o coração acelerado, o sotaque, o aconchego de um chimarrão na Redenção?

É igual a fundamentar o amor pela esposa, já que não alcançarão o poder da nossa cumplicidade, a telepatia das mãos dela em meu rosto, as longas conversas de apoio quando quero desistir de tudo, o sabor do nosso beijo, as festas e gafes conjuntas, as vitórias e superações sigilosas.

Porto Alegre é inexplicável para os turistas e, paradoxalmente, adorada pelos seus moradores. Os meus amigos só enxergavam os defeitos, e eu com as virtudes engasgadas na garganta.

Voltei para casa ouvindo Nelson Coelho de Castro no carro e cantando sozinho o que é intraduzível, o que não tem rima em outra língua, o que não tem versão em outro crepúsculo.

A única forma de conhecer uma cidade é amando.

Fonte: Zero Hora
Aprender é a arte de ignorar. (Elias Canetti, Escritor búlgaro)

LUGARES

MODENA - ITÁLIA

A imagem mostra a Piazza Grande em Modena, Itália, o coração da cidade. A praça abriga o Duomo di Modena (Catedral de Modena) e a Torre Civica (Ghirlandina), ambos Patrimônios Mundiais da UNESCO. É um local de grande importância arquitetónica e histórica. A Piazza Grande tem sido, desde a segunda metade do século XVII, o centro do poder político e religioso da cidade. É um local popular para desfrutar de um momento de relaxamento e reflexão. (Google)

FRASES ILUSTRADAS

segunda-feira, 2 de março de 2026

VERDE PARA MILHÕES

Ruy Castro

O Parque do Flamengo faz 60 anos vivendo seu apogeu em número de usuários O ideal seria que, em toda cidade, houvesse algo como ele ao alcance de cada zona residencial

É uma sensação de estar em casa. O Parque do Flamengo, aqui no Rio, inaugurado em outubro de 1965, está fazendo 60 anos. Um mês depois, minha família se mudou para a rua do Russel, de frente para ele, e tive seu 1,2 milhão de metros quadrados como uma espécie de quintal. As pessoas o chamam de Aterro, porque foi feito sobre uma nesga da baía engolida pelo desmonte do morro no largo da Carioca. Mas, se fosse só um aterro, seria uma rede de autopistas, uma terra de ninguém. Lota de Macedo Soares, assessora de CarlosLacerda, governador da Guanabara, fez dele um parque.

Naqueles primeiros tempos, cruzei-o a pé todos os fins de tarde para assistir aos clássicos na Cinemateca do Museu de Arte Moderna, este, obra de Affonso Eduardo Reidy. As 11.600 árvores de 190 espécies, recém-plantadas por Burle Marx, ainda eram baixinhas. Ao seu lado, à noite, os pilotis do Monumento aos Mortos da Segunda Guerra eram ideais para namorar, porque o soldado, postando guarda lá em cima, não podia se afastar da chama. E, do que sobrou de terra nasceu a quilométrica praia do Flamengo, onde, secularmente, só havia uma microfaixa de areia.

Oásis como o Parque do Flamengo são essenciais numa cidade. O ideal seria que houvesse algo parecido ao alcance de cada zona residencial e a que se pudesse chegar caminhando. Nesse sentido, o Rio é bem servido, com 68 deles, entre os quais o Parque Nacional da Tijuca, o da Pedra Branca, o de Madureira, o Parque Lage. E o querido Passeio Público, na Lapa, o primeiro espaço de lazer no Brasil, inaugurado em 1783, e em terrível necessidade de restauração.

Gostei de saber que, em seu 60º aniversário, o Parque do Flamengo vive o seu apogeu, com 18 ou 19 milhões de usuários por ano. Lota, que morreria dois anos depois de doá-lo à cidade, se sentiria realizada.

Cruzo-o de táxi duas vezes por semana, a caminho da Academia Brasileira de Letras, e continuo besta com aquela abundância e variedade de verde. Ao fundo, solene, entre as árvores, o Pão de Açúcar.

Fonte: Folha de S.Paulo - 26/10/25

Não há nada como um sonho para criar o futuro. (Victor Hugo, Escritor francês, 1802-1885)

LUGARES

PORTO - PORTUGAL

A imagem mostra uma pessoa posando para uma foto no Cais da Ribeira, um bairro histórico na margem do Rio Douro, na cidade do Porto, Portugal. A Ribeira é um dos bairros mais antigos do Porto e faz parte do Centro Histórico da cidade. É conhecida pelo seu amplo calçadão repleto de bares, restaurantes e lojas de artesanato e produtos típicos da região. O local é um ponto turístico popular, com vista para o rio, as caves de vinho do Porto do outro lado da margem (Vila Nova de Gaia) e a icónica Ponte de D. Luís. A cidade do Porto é famosa por sua história, arquitetura e gastronomia, incluindo a famosa Francesinha. (Google)

FRASES ILUSTRADAS