Com apenas duas cordas, toca uma melodia comovente única,
que soa como a voz humana. O Erhu leva a fama de ser o instrumento musical mais
antropomorfizado, porque exprime toda a emoção de que o músico é tomado. Czardas, de Monti, é música de difícil execução em violino
de 4 cordas; imagine executá-la em apenas duas.
BLOG DO BIANCHI
sexta-feira, 10 de abril de 2026
LUGARES
MADRI - ESPANHA
A imagem mostra a Igreja de San Jerónimo el Real localizada em Madrid, Espanha. É um templo católico de estilo gótico tardio, construído entre 1503 e 1505 por ordem dos Reis Católicos. Historicamente, manteve uma estreita relação com a realeza espanhola, sendo palco de importantes atos como o casamento do rei Alfonso XIII em 1906. Situa-se ao lado do famoso Museu do Prado, e o seu claustro foi incorporado à extensão do museu. (Google)
quinta-feira, 9 de abril de 2026
A CAPIVARA
Carlos Heitor Cony
Num desses "Liberdade de Expressão", na CBN, o Heródoto Barbeiro quis saber minha opinião sobre quem era a mala do ano que estava acabando. Havia centenas de candidatos, mas preferi a capivara que andou aqui pela Lagoa. Por obra e desgraça da mídia sem assunto, onde pululam diversas malas, foi transformada em personagem do Rio.
Deus é testemunha de que nada tenho contra as capivaras, na verdade, não me lembro de ter visto alguma, aqui na Lagoa ou em qualquer outro canto do mundo. Se vi, não sabia que era capivara --o que dá no mesmo.
Curioso como certa espécie de desocupados, esbofando-se para criar qualquer coisa que chame atenção, promova causas, tente mobilizar as massas criando heróis que antes de se tornarem qualquer coisa de importante, tornam-se malas difíceis de carregar.
Repito que nada tenho contra a capivara, mas achei bobagem o espaço e o tempo que ela ocupou no noticiário miúdo, com gente forçando a barra para empurrá-la pela goela daqueles que, sendo malas isoladas e bastantes, vibram quando estão diante de mala maior e mais letal.
Não sou exatamente um fanático de grandes assuntos. Curto uma pauta periférica, desde que haja alguma coisa a aprender ou a me distrair.
A capivara nada nos ensinou. Distraiu --se é que distraiu mesmo-- pessoas pedestres que se distraem com qualquer coisa, desde que justifique alguns segundos no noticiário. Felizmente, ninguém foi na onda da capivara, ela não emocionou ninguém, não por culpa dela, pois continuou sendo capivara. Talvez não merecesse o título de mala do ano, ela não tem culpa de ser capivara.
Viveu 15 minutos de projeção local, seus promotores cansaram e dela se esqueceram, ficando a esperar mariposas, escorpiões, urubus e cabritos que, sem culpa no cartório, podem ser descobertos e se candidatarem a malas do ano que se inicia.
Fonte: Folha de S.Paulo - 04/01/2005
LUGARES
NICE - FRANÇA
Esta imagem mostra o letreiro #ILoveNICE localizado na famosa Promenade des Anglais em Nice, na Riviera Francesa. É um ponto privilegiado do calçadão que se estende por 7 quilômetros ao longo da costa mediterrânea. É um ponto turístico icônico, ideal para fotos, que simboliza o charme e a atmosfera da cidade de Nice. O local é muito frequentado por turistas e moradores para passeios, esportes e para admirar a vista do mar. (Google)
quarta-feira, 8 de abril de 2026
O DIA EM QUE O TANQUE VIROU MURALHA
O futebol se despede nesta semana de uma de suas figuras mais carismáticas e folclóricas. Aos noventa e sete anos, partiu Juarez, o eterno "Tanque". Nascido em Blumenau, Santa Catarina, ele fez história no Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense na década de 50 como um autêntico centroavante rompedor — daqueles que levavam a defesa adversária arrastada e não pediam licença para estufar as redes. Porém, entre tantos gols, uma das páginas mais curiosas de sua biografia não foi escrita na grande área adversária, mas sim debaixo das próprias traves.
A história aconteceu em uma tarde de futebol raiz na Serra Gaúcha. O Grêmio enfrentava o Juventude em Caxias do Sul, vencia a partida e tentava segurar a pressão dos donos da casa. Sob a meta tricolor, encontrava-se Germinaro, um goleiro argentino que, fazendo jus à fama da época, era dono de um temperamento vulcânico.
Naqueles tempos, a arquitetura dos estádios deixava a torcida a pouquíssimos metros da goleira, quase respirando o mesmo ar dos jogadores. Cansado de ouvir as incessantes ofensas que lhe eram dirigidas pelos caxienses, Germinaro perdeu as estribeiras. Em dado momento, o argentino abandonou sua posição e investiu furiosamente contra os torcedores, quase derrubando o alambrado na força do ódio. Diante da confusão generalizada, o juiz não teve outra alternativa senão expulsar o esquentado arqueiro gremista.
O grande problema é que as regras do jogo eram outras, muito mais cruéis do que as atuais, e o limite de substituições já havia sido alcançado. Sem poder colocar um goleiro reserva em campo, a única solução era improvisar e levar o jogo até o apito final. Foi então que Juarez, o Tanque, tirou a sua farda de artilheiro, vestiu uma camisa de goleiro e marchou rumo ao travessão.
Sem a menor intimidade com a nova posição e com as luvas, o "TANQUE" tentou fazer o básico. Mas, ao tentar repor a bola em jogo, acabou sofrendo um forte encontrão de um atacante adversário e foi ao chão. Foi a deixa perfeita para a malandragem do futebol entrar em ação.
O massagista gremista invadiu o campo em disparada, aplicando generosas e demoradas doses do seu "líquido milagroso" — o bom e velho éter — na perna do atacante-goleiro. Aqueles minutos preciosos de cera técnica foram saboreados com gosto pelos visitantes para esfriar a partida e garantir o resultado, enquanto a torcida local, debruçada no alambrado e fervendo de indignação, reclamava aos berros com o bordão bem conhecido:
— "Cera! Cera! Cera!").
Foi-se o Tanque, mas ficaram as histórias de um futebol romântico que não volta mais.
LUGARES
BERGEN - NORUEGA
O Monte Fløyen é uma das sete montanhas que cercam a cidade de Bergen, oferecendo uma vista panorâmica deslumbrante da cidade, dos fiordes e das montanhas vizinhas. O ponto de observação está situado a cerca de 320 metros acima do nível do mar. Os visitantes podem chegar ao topo caminhando ou utilizando o funicular Fløibanen, que leva aproximadamente 5 a 10 minutos a partir do centro da cidade. No topo, há um restaurante, café, parquinho infantil e diversas trilhas para caminhadas. (Google)
terça-feira, 7 de abril de 2026
QUE HORAS ELA VOLTA?
Martha Medeiros
Em junho passado, o ator e colunista da Folha de S. Paulo Gregório Duvivier publicou um texto chamado “Nos países em que você lava a própria privada, ninguém mata por uma bicicleta”. Muitos elogiaram, compartilharam, mas uma coluna de jornal não é suficiente para mudar a cabeça de um país. Se o texto dele foi um importante tijolinho, no cinema temos um tijolaço que também pode ajudar a construir uma nova mentalidade nacional. Trata-se do excelente Que Horas ela Volta?, da diretora Ana Muylaert, com a extraordinária Regina Casé.
O filme conta a história de uma empregada nordestina que trabalha e mora na casa de uma família do Morumbi, bairro nobre de São Paulo. Ela praticamente criou o filho dos patrões, enquanto que não vê a própria filha há anos, desde que a deixou em sua terra para tentar a vida no Sudeste. Até que um dia a jovem chega a São Paulo para prestar vestibular e viver com a mãe.
Nem um pouco submissa, ciente de seus direitos de cidadã, a garota revoluciona o cotidiano familiar regido pelo tradicional “cada um que conheça o seu lugar”. Ela realmente conhece o dela, só que não é o mesmo de sua mãe, que está habituada a diminuir-se e resignar-se, e que se horroriza com a “insolência” da filha.
Em duas horas de projeção, está tudo ali: a invisibilidade do proletariado (a empregada serve os canapés numa festa em que nenhum convidado olha para seu rosto), a gentileza que procura atenuar a culpa pela diferença de classes (a patroa compra um colchão melhorzinho para a garota que dormirá no quarto da mãe, assegurando assim que ela não ultrapassará as fronteiras da ala íntima da casa), tudo embalado na boa intenção que mascara a perversidade da desigualdade. Segundo a própria diretora, o filme trata sobre “as regras sociais invisíveis que nos regem, muitas vezes, sem nossa própria consciência”.
Essas regras invisíveis são desvendadas no filme com tanta veracidade, tanta familiaridade, que se tornam perturbadoras. A certa altura, a personagem de Regina Casé tenta explicar para a filha que ela não pode aceitar os agrados dos patrões, pois eles oferecem sorvete e convidam para sentar na sala apenas por educação. “Eles têm certeza de que diremos não”. Até que a classe emergente começa a dizer sim, a reconhecer o verdadeiro lugar a que pertence, e a pirâmide desestrutura-se.
A que Horas ela Volta? sintetiza o momento atual do Brasil, evidencia as razões dessa guerra de nervos partidária, expõe o estresse gerado quando uma teoria demagógica se aproxima da prática, revela o indisfarçado incômodo de assistir à ascensão intelectual e econômica de quem, até então, existia apenas para nos servir. Enfim, escancara o susto gerado pela perspectiva de que todos terão que lavar sua própria privada um dia.
Fonte: Zero Hora
LUGARES
MADRI - ESPANHA
A imagem mostra a Puerta de Felipe IV, um marco histórico localizado no Parque do Retiro em Madri, Espanha. É a porta de entrada mais antiga ainda existente do parque, construída originalmente no século XVII. Foi erguida para recepcionar Maria Luísa de Orléans, primeira esposa do rei Carlos II, em sua chegada a Madri. O estilo arquitetônico é barroco, construído em pedra com esculturas detalhadas. Originalmente situava-se perto da fonte de Netuno, mas foi transferida para a sua localização atual no início do século XX. (Google)
segunda-feira, 6 de abril de 2026
O GOL 1001 DE PELÉ, PELAS CRIANÇAS, NÃO VALEU
Ruy Castro
Quando o Rei dedicou seu 1000º gol às crianças pobres do Brasil, foi ridicularizado. O Brasil não o atendeu e hoje, quase 60 anos depois, são os bisnetos delas que pagam o preço
No dia 19 de novembro de 1969, Pelé fez, de pênalti, contra o Vasco, no Maracanã, seu milésimo gol. Correu para as redes, pegou a bola, içaram-no aos ombros e, no que lhe apontaram um microfone, dedicou o gol às crianças pobres do Brasil. O Pasquim, semanário de oposição recém-criado e cuja única arma possível contra a ditadura era o deboche, não o perdoou. Zombou de sua frase, classificando-a de piegas e alienada —esperava talvez uma declaração contra o AI-5—, e fez com que ele se arrependesse pelo resto da vida do que havia dito. Só que Pelé estava certo.
Em 1969, talvez as crianças a que se referia fossem os brasileirinhos pobres de 15 anos, idade com que ele chegara ao Santos e se tornara Pelé. Suponhamos que, em 1989, vinte anos depois do gol, aqueles garotos já tivessem seus filhos de 15 anos. E que, em 2009, estes já tivessem seus próprios filhos de 15 anos, netos daqueles para os quais Pelé chamara a atenção. Pois, dentro de quatro anos, em 2029, poderemos ter a terceira geração das criancinhas de Pelé, bisnetos delas, e também com 15 anos.
Ou não, porque a cadeia talvez haja se quebrado há muito. Quantos nesses 60 anos não terão sido presos, mortos ou apenas desaparecido no vasto underground brasileiro de deseducação, fome, doença, exclusão, violência, famílias destroçadas, falta de oportunidade profissional ou, por excesso de oferta, o crime? Ou todas as opções acima?
Não se percebem muitos maiores de 30 anos na legião dos que hoje assaltam nas ruas, guardam as bocas de fumo ou trocam tiros com a polícia. É como se, tendo passado dessa idade, eles se reservem para funções mais seguras, de chefia ou gerência. Sabem que não faltarão contingentes de garotos para as atividades de frente, como as de soldados e vapores. Os números só agora começam a aparecer, mostrando que estes meninos formavam a maioria dos corpos estendidos no chão na semana passada, no Rio.
Naquela noite de 1969, Pelé não fez apenas seu gol 1.000. A frase foi seu gol 1.001. Mas só o milésimo valeu.
Fonte: Folha de S.Paulo - 5.nov.2025
LUGARES
PRAGA - REPÚBLICA CHECA
Esta imagem registra um momento de visita à Catedral de São Vito (Katedrála svatého Víta), localizada dentro do complexo do Castelo de Praga, na República Tcheca. A Catedral de São Vito é a maior e mais importante igreja da República Tcheca, sendo um dos marcos arquitetônicos mais emblemáticos de Praga. Trata-se de uma obra-prima da arquitetura gótica, cuja construção teve início em 1344 e estendeu-se por séculos, sendo oficialmente concluída apenas em 1929. O local é historicamente significativo por abrigar as joias da coroa tcheca e os túmulos de reis da Boêmia. Situada dentro do complexo do Castelo de Praga, a catedral é uma parada fundamental em roteiros turísticos pela cidade. (Google)
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