sábado, 22 de abril de 2017

MR. MILES


Overbooking: o que nosso correspondente tem a dizer

O sempre adorável Mr. MIles disse, em mensagem enviada à redação, que pretende ver as neves do Brasil durante o inverno. Ele programa uma viagem à São Joaquim para ver o raro fenômeno e para agradar Trashie, sua mascote siberiana. Também vai, um pouco depois, para o refúgio patagônico de seu velho amigo e multiempresário Jaime Trauco Ibañez Cousiño que, embora muito sofisticado, só bebe vinhos em caixas de leite longa vida.
A seguir, a correspondência da semana:


Querido Mr. Miles: acabo de ver, na televisão, a cena chocante em que um médico é arrancado de um avião americano à força. Me deu vontade de ouvir sua opinião imediatamente. Como sei que não é assim, decidi enviar esse email.
Rosa Maria Quintão, por email

Well, my dear: fico orgulhoso por você querer ouvir minha modesta opinião. Vi a cena e fiquei tão inquieto quanto você. Meu único consolo é que, sendo os Estados Unidos uma sociedade tão judicializada e havendo videos das cenas de wrestling vividas pelo passageiro, ele vai processar a aerovia e, without doubt, ganhará pelo menos um Boeing 737-800 para que seus próximos voos tenham, ao menos, seu assento garantido.

However, o overbooking — a prática de vender mais poltronas do que as que existem na aeronave — é legal.

Imoral, mas legal. Se esse tipo de autoritarismo fosse praticado em outras modalidades, haveria grande confusão: espectadores com ingressos numerados em teatros ou cinemas precisariam ter muita sorte; viajantes com hotel reservado iriam acabar no olho da rua; passageiros de trem com assentos marcados terminariam, devastated, nas plataformas das gares.

As empresas aéreas praticam o overbooking porque, in fact, em grande parte dos voos, os passageiros esperados não aparecem. Nesses casos, os viajantes são multados, mas os aviões viajam com alguns lugares vazios — que poderiam, of course, render às companhias alguns — how do you say ?— caraminguás a mais.

Supõe-se que nem todos passageiros estão com pressa ou têm compromissos marcados em seus destinos. Therefore, para evitar reclamações diárias, é comum que, em caso de overbooking, as aéreas oferecem prêmios aos, let's say, "desertores". Ouve-se, com frequência, uma comissária que ofereça dinheiro vivo a quem topar partir no dia seguinte, ou prêmios como promoção à classe executivo and so on. Em caso de voos de longa distância, os prêmios são bastante apetitosos — e vão subindo enquanto ninguém se apresenta. Meu amigo Liam, que ia de Londres para Nairobi com sua mulher e três filhos, for instance, desembarcou a familia inteira quando ganhou cinco novas passagens para o mesmo trecho — garantido-lhe duas férias com safári, ao invés de uma.

Nevertheless, não importa o tamanho do prêmio ou a ausência de premiados. Tirar um passageiro do avião por sorteio é uma decisão deplorável — ainda que os passageiros tivessem acesso às bolinhas e supervisão de uma auditoria independente. O que dizer, darling, de tirá-los à força, tornando-os alvos de uma agressão no mínimo constrangedora?

Aliás, a prática de calar passageiros comprando seu silêncio vem se expandindo. A televisão em frente ao seu assento não funciona? Reclame e receba 100 dólares para aceitar o infortúnio. Sua poltrona não reclina? Mais cem dólares — e não se fala mais no assunto. Já ouvi um amigo de pub contar que sempre torcia para que seu assento fosse brindado com diversas falhas. "Pode ser um negócio rentável.", disse-me ele.

É claro que esse espertinho poderia perfeitamente figurar como funcionário de empresas que, sem qualquer emoção, praticam overbooking. Como me disse, certa vez, a romântica viajante dominicana com quem partilhei momentos agradáveis na ilha de Santorini, "O problema não é sair do avião. É sair do sonho.", comentou, com grande sabedoria.

Fonte: Facebook

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