terça-feira, 18 de abril de 2017

ROMANCE FORENSE

Charge de Gerson Kauer
Bruna surfistinha, a estagiária gaúcha

Na empresa especializada em “conceder créditos sem que o cliente tenha que sair de casa”, a jovem estagiária Joseana, nos seus florescentes 16 anos de idade, tinha – ante a anunciada vocação de ser juíza - a incumbência de examinar os cadastros dos interessados na grana a ser emprestada, e na formalização das garantias.

O chefe dela, o Seu Zeca, 52 de idade, estava primordialmente interessado nos juros pagos pelos clientes que acreditavam na cantilena de “os melhores juros do mercado”. Mas também estava de olho nas condições estritamente pessoais da estagiária.

Seu Zeca dizia que ela era bonita e falava sobre seu corpo. Também a convidava para irem a uma praia, para uma exibição particular de biquíni.

Apelidou-a de “Bruna Surfistinha Gaúcha” – numa alusão à prostituta que ganhou notoriedade nacional. E chegou a descartar qualquer preocupação sobre a idade da estagiária, a quem desafiou:

- “É melhor eu fazer alguma bobagem desde logo e, depois, pagar um advogado, porque eu tenho dinheiro”.

Testemunhas do mesmo ambiente de trabalho confirmaram detalhes. Mas decisivas, mesmo, foram as ocultas gravações feitas no ´smartphone´ da assediada. O áudio foi revelador: “Minha surfistinha, gostosa. Tens tudo para fazer carreira comigo e ganhar muito dinheiro, que vai homenagear teu corpão cheio de conteúdo, mas carente de um homem maduro, experiente como eu”.

Registrada queixa na polícia, aberto inquérito, oferecida denúncia etc., a sentença condenou Seu Zeca: detenção de um ano e dois meses.

Houve apelação. A câmara criminal confirmou a pena, afirmando que “mesmo sendo primário e sem antecedentes, trata-se de réu com plena consciência da ilicitude do ato praticado, e capaz de se guiar por tal entendimento”.

Transitada em julgado a condenação, Seu Zeca sumiu do pedaço. Nem na “empresa prestadora de serviços financeiros” ele tem mais aparecido.

Fonte: www.espacovital.com.br

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