domingo, 8 de novembro de 2020

O SUGADOR

O SUGADOR

Na minha idade as cáries já não se instalam com a freqüência dos anos dourados. Em compensação (?) inicia a fase de dentes trincados/quebrados. 

Pois me debatendo com uma pipoca mal estourada, quem cedeu foi o lado mais fraco - um molar.  Molares fazem a alegria dos dentistas, diga-se de passagem.

Na hora agendada, acomodado naquela cadeira rodeada de temíveis instrumentos, mentalmente cogitei sobre a hipótese de ser dispensada a anestesia. Que nada! Sádico, o dentista aplicou a sua vingança diária contra a humanidade. 

Uma hora de boca aberta. Aí vem a segunda parte da vingança: só ele fala, e como fala!

Mas quando a "reforma" estava findando aconteceu o inusitado, ao menos para mim.

Aquele sugador de saliva resolveu investir contra umas glândulas acomodadas sob a língua e a dor que se seguiu mostrou-se incomparável com aquela da picada da anestesia. 

Com pequenos jatos de água e pinceladas de pasta anestésica, foi possível desgrudar o sugador, que teimava continuar mamando.

Passado o susto e também a dor eu comecei a rir, imaginando uma cena que o próprio dentista havia relatado como sendo seu protagonista.

Em sua primeira viagem de avião rumo à Europa, em dado momento ele necessitou aliviar suas tensões intestinais. 

Findo o serviço, na procura de material higiênico, inadvertidamente acionou a descarga do bacio, seguindo-se aquele som característico de tais compartimentos aeroviários.

O primeiro pensamento que lhe veio à cabeça foi calcular a força sugatória daquele diabólico dispositivo, tão próximo de algumas jóias balanceantes. 

Ele não entendeu o motivo das minhas risadas. 

(Publicado no Blog do Bianchi em 08/11/2020

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