domingo, 13 de agosto de 2017

DUKE ELLINGTON, GRÃO-DUQUE DO JAZZ

Flávio de Mattos

Suas peças se tornaram standards do jazz e são constantemente reinterpretadas em novas leituras a cada momento

Duke Ellington (Foto: Autor desconhecido )
Flávio de Mattos
O filho do mordomo do presidente Theodore Roosevelt, na Casa Branca, Edward Kennedy Ellington ganhou, ainda na infância, o título nobiliário que o imortalizou: Duke Ellington. Aos dez anos, sua maneira de vestir e de comportar-se chamava a atenção dos colegas no bairro de West End, na sua Washington natal.

Nascido em 1899, Ellington já estudava piano desde os sete anos. Além de tudo, sua mãe, filha de escravos, lhe dava lições de etiqueta e boas maneiras, para poder frequentar o palácio. Não é difícil de entender porque os amigos lhe apelidaram de Duque.

Na adolescência, porém, o interesse do jovem era mais o beisebol do que o piano, pois achava que não tinha talento para a música. Com quatorze anos, matava aulas para ir ver as partidas e, também, para jogar sinuca em bares de bilhares.

Esses bares costumavam ter música e Ellington começou a prestar atenção no que tocavam os pianistas. Descobriu que era aquele o tipo de música que gostaria de fazer. E voltou às aulas, dessa vez com uma motivação nova, aperfeiçoar sua técnica para poder compor e tocar suas peças ao piano.

Aos 17 anos, Duke Ellington tocava em bares, bailes e festas por toda Washington. Mas sua carreira ganha fôlego quando, em 1923, se muda para Nova York com seu quinteto, The Washingtonians. Sua fama cresce e ele monta sua própria orquestra, com doze instrumentistas. A partir daí foram mais de 50 anos contínuos liderando uma big band.

Duke Ellington foi o mais prolífico compositor do século XX. Tem registradas cerca de três mil composições em seu nome. Transitou por todos os estilos e gêneros possíveis, desde o ragtime, foxtrote, blues, jazz e até o erudito. Suas influências vêm tanto de Fats Weller e Willie Smith, no jazz, quanto de Delius, Debussy e Ravel, de seus estudos clássicos.

As composições de Duke Ellington, de alguma maneira, estabeleceram uma nova linguagem para a música popular norte-americana. Os arranjos complexos, mas ao mesmo tempo, diretos e atraentes, conquistaram o grande público. Nos anos 40, o músico tornou-se um especialista em escrever peças de três minutos, o tempo de um lado dos discos de 78 rotações, que tocavam nos rádios.

Duke Ellington transformou sua banda em um laboratório musical. Escrevia suas composições especialmente para serem executadas pelos grandes talentos que integravam a orquestra. Em cada tema se destacava algum dos solistas, para quem a peça foi pensada.

O legado de Duke Ellington está presente no cancioneiro popular norte-americano e em todo o mundo. Suas peças se tornaram standards do jazz e são constantemente reinterpretadas em novas leituras a cada momento. Como exemplo de um clássico, temos o encontro de Ellington com Louis Armstrong em It don´t mean a thing, gravado em 1961. Já com o trompetista brasileiro Claudio Roditi, temos uma releitura samba jazz de In a sentimental mood, de 1995.

E no vídeo abaixo uma performance da Orquestra de Duke Ellington em seu carro chefe Take the “A” train, composição de seu mais fiel colaborador Billy Strayhorn. No vocal a cantora Betty Roché. A música está na trilha sonora do filme Reveille with Beverly, de 1943.

Fonte: Blog do Noblat

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