sexta-feira, 23 de abril de 2021

MR. MILES

Esportes radicais

Prezado mr. Miles: li sobre sua travessia nos Andes peruanos e fiquei me perguntando: será possível que um viajante em idade tão avançada seja adepto de esportes radicais?
Diego Junqueira Motta

Pois, se isso é o melhor que você tem a fazer, siga se perguntando, my friend. However, à parte da deselegante referência à minha idade, que, in fact, é avançada — no melhor sentido do termo —, não me furtarei a responder à sua provocação. E o que tenho a dizer é simples: depende do que se resolve chamar de esportes radicais. Nowadays, emprega-se esta nomenclatura para qualquer atividade elementar. Qualquer riacho capaz de movimentar um barquinho de papel já é motivo para se propalar uma “operação de rafting”. Caminhadas como a que fiz, que provocam dores, torções e a eventual perda de unhas nos dedões do pé são tidas como altamente radicais, quando não passam de bucólicos passeios pelas montanhas.

Atividades de parque-de-diversão, como o bungee-jumping, em que o único esforço do praticante é torcer para que a corda não se rompa — até a isso há quem chame de esporte radical.

Recentemente estive na Costa Rica, onde vive minha prezada leitora, a doutora e poetisa Maria Cristina Damianovic. Fui convidado a praticar o canopy, uma modalidade local e extremada de arvorismo, que me levou a deslizar entre as copas das árvores em cabos de aço, a velocidades de até 60 quilômetros por hora. Além de ter perdido um chapéu no trajeto, senti emoções semelhantes às que vivi na velha montanha russa de madeira que havia em Ipswich na minha infância. It was really fun, my friend. Mas confesso que não usaria o termo radical para definir um simples episódio de frio na barriga.

Radical mesmo, fellow, foi percorrer o Saara sob as ordens de Montgomery ou passar 306 dias esmagado no gelo Antárctico a bordo do Endurance. Não era exatamente esporte, I must agree. Mas, olhando retroativamente, confesso que só chegamos ao final de ambas as empreitadas com muito fairplay. Hoje, considero que o esporte mais radical que existe — no sentido de que é um desafio para os nervos, para a inteligência e para a concentração é o baseball. Não me refiro a praticar essa modalidade. Mas a assisti-la! Oh, my God! Sequer posso imaginar suplício esportivo tão formidável. Can you do it, my friend?

Fonte: Facebook

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