
Seu nome era Josué, apelido Jépe. Um pouco descontado das idéias. Era gago. Mas só gaguejava quando ficava contrariado. Ou seja, não era portador de uma gagueira permanente. Veio a convocação para o serviço militar. Na caserna, seu superior imediato era um sargento, este, gago em tempo integral. Para não "falhar” na hora dos comandos inerentes à Ordem Unida, o sargento falava “cantando”. Por conta da gagueira ou quiçá por insegurança, o sargento era de se fazer respeitar à base de ameaças. O recruta, sempre que interpelado pelo sargento, naturalmente se sentia ameaçado e a gagueira acordava. Na chamada matinal ao ouvir seu número de identificação ser pronunciado pelo sargento, respondia - Jo - Jo - Josué. Alguns colegas não conseguiam represar o riso. Daí porque o sargento cismava com o Jépe que ele não era gago, antes, se fazia de ser. A reprimenda vinha em forma de prisão no próprio quartel. Livre e solto, a cena se repetia, com o recruta cada vez mais contrariado. - Sol...Sol...Soldado Josué se a - a - apresentando. A solução encontrada foi simples: atribuir-lhe tarefas isentas de qualquer comunicação verbal. Uma dessas tarefas consistia em rachar lenha junto ao paiol, onde também estavam depositados explosivos e munições de uso do exército. A primeira e mais importante orientação passada ao recruta foi no sentido de não permitir o ingresso naquele recinto de quem quer que fosse. A manhã transcorria sem quaisquer incidentes até que um Capitão por lá apareceu para conferir o estoque de explosivos. Seguindo à risca os termos da ordem recebida, o Jépe impediu o Capitão de ingressar no paiol. Foi o estopim para ser deflagrado um intenso bate-boca que resultou numa cena hilária do recruta, munido de um machado, correndo atrás do Capitão, que valentemente escapuliu do embate. Seguiu-se nova prisão e tudo voltou como dantes no quartel do Abrantes.
Nenhum comentário:
Postar um comentário