
sábado, 17 de outubro de 2026
sexta-feira, 16 de outubro de 2026
LUGARES
ENGELBERG - SUÍÇA

A imagem mostra o imponente Hahnen, um famoso pico de 2.600 metros de altitude localizado em Engelberg, no cantão de Obwalden, nos Alpes Suíços. (Google)
quinta-feira, 15 de outubro de 2026
CHEGAREMOS LÁ
Carlos Heitor Cony
Como tudo na vida, podia ser melhor ou pior. As Olimpíadas deste ano, para os nossos lados, chegou a ser razoável, sobretudo nos últimos lances, com o ouro do vôlei masculino e o bronze na maratona, que poderia ter dado mais um ouro para o Brasil, não fosse a falha da segurança que não impediu um fanático de atrapalhar a vitória de nosso atleta.
Não fizemos feio nem bonito. Em Atlanta foi melhor, tivemos mais medalhas, mas em Atenas a empolgação da nossa torcida foi maior. Aos poucos, o povão começa a se interessar pelos resultados, mesmo naquelas modalidades que não compreende bem, como o lançamento de discos, hipismo, saltos acrobáticos, os diversos estilos de natação e iatismo.
Basquete, vôlei, futebol, esportes coletivos em geral, têm apelo maior, são vistos e geralmente compreendidos. Mesmo assim, gradualmente, estamos criando uma mentalidade que se não chega a ser olímpica, está caminhando para isso. Neste particular, o Comitê Olímpico Brasileiro está de parabéns. Roma não se fez num dia.
O trabalho do COB se bifurca em duas frentes importantes: a primeira, e a mais imediata, é forçar o governo a criar uma política do esporte levada a sério, que esqueça os paredros profissionais do futebol e pense globalmente na valorização dos nossos atletas, técnica, física e moralmente. A segunda é de fundo marqueteiro, criar condições para que o atletismo em sua forma mais nobre, que é a olímpica, ganhe mentes e corações, ganhe ruas e torcidas inflamadas. O futebol é considerado a pátria em chuteiras. É bom mas é pouco. No dia em que tivermos 11 medalhas de ouro numa Olimpíada teremos chegado lá.
Fonte: Folha de S.Paulo - 31/08/2004
quarta-feira, 14 de outubro de 2026
BEBEDOURO PARA ANIMAIS
No final dos anos 1960, tive o prazer de conhecer o "Seu" Ercílio Covolan. Homem de excelente índole, bom humor invejável e trabalhista fervoroso, ele tinha como passatempo oficial enriquecer a vida alheia contando causos do folclore político regional.
Um dos seus relatos mais memoráveis foi a inauguração de um bebedouro público de animais. Segundo o Seu Ercílio, o então prefeito, tomilhado de orgulho ao fim de um discurso inflamado, resolveu coroar o momento triunfal de forma... inusitada: fez uma concha com a mão, bebeu a água do recinto e deu por oficialmente inaugurada a magnífica obra equina.
A cena era tão pitoresca que ficou gravada na minha memória como uma daquelas histórias folclóricas que a gente escuta, rói as unhas de dúvida, mas guarda no bolso. Sem maiores detalhes para checar a veracidade na época, deixei o caso na gaveta de "pesquisas para o futuro".
Décadas depois, eis que o Facebook — em uma de suas raras contribuições de utilidade pública — resolveu lavar a honra do Seu Ercílio através do Arquivo Histórico Municipal. O relato não tinha nada de fake news!
A ata da época confirma: o bebedouro foi inaugurado em outubro de 1929 pelo vice-intendente Miguel Muratore. E, para deixar tudo ainda mais ilustrativo, uma entrevista de 1991 preservada pelo banco de memória do Arquivo trouxe o depoimento do mestre Bruno Segalla, que contou sem tirar nem pôr:
“O Miguel Muratore, para melhor simbolizar, foi o primeiro a tomar água, descendo com a boca até a água, bebeu a água e disse: Está inaugurado o bebedouro para animais.” LEIA MAIS
Ou seja, o político não apenas bebeu a água, como fez questão de ir de boca direta na fonte para garantir a fidelidade do teste de qualidade. Um verdadeiro exemplo de dedicação ao cargo — e de um sistema imunológico invejável! (com pitacos do Gemini)
LUGARES
TREZE TÍLIAS - SC

A imagem mostra a Praça Andreas Thaler, localizada no município de Treze Tílias, no estado de Santa Catarina, Brasil. Conhecida como o "Tirol Brasileiro", a cidade é famosa por sua forte influência e arquitetura de estilo austríaco. (Google)
terça-feira, 13 de outubro de 2026
IMOBILIDADE DO INVERNO

Fabrício Carpinejar
Terrível no inverno não é passar frio, mas
tentar não passar frio.
É se antecipar ao desconforto do vento e
da tremedeira.
Passamos a estação inteira nos adiantando
para não sofrer e terminamos sofrendo o dobro.
Nunca conseguimos nos agasalhar para o
frio psicológico.
Planejamos um momento em que estaremos
protegidos que nunca chega. Sempre falta uma coisa que encerra o aconchego que
criamos detalhadamente.
É como se refugiar num abrigo antiaéreo e
deixar a sacola de mantimentos lá em cima. Subir ou não subir de volta?
Quantas vezes já tremi a noite inteira
somente porque não desejava me levantar para buscar um edredom?
Dentro do sono, eu pensava: será que vou
ou não vou? E, por fim, dormia com a angústia da dúvida, tremendo, chamando a
gripe para conviver comigo.
Inverno é um dilema permanente, um
descuido irreversível.
Vou assistir a um filme na sala com a
minha mulher, preparamos pipoca e chocolate quente, puxamos o edredom,
demoramos para encontrar o lugarzinho ideal, para nos encaixar entre as
almofadas e o encosto, no instante em que alcançamos a perfeição alguém se dá
conta da ausência do sal. Qual será a alma caridosa a largar a fortaleza e
trazê-lo da cozinha? A tristeza é que – se um sair – recomeçará todo o
reposicionamento delicado que levou horas para ser feito.
A ânsia de não sofrer contratempos
supervaloriza o incômodo. A mania de querer uma situação ideal nos põe em
perigo.
Qualquer movimento em casa é acampamento,
com o medo permanente de sair do fundo da barraca após o esforço de montá-la. É
trazer tudo para não se mexer depois, mas sempre existe um lapso.
Inverno é frustração, é distração letal.
Quem já não enfrentou o banho rápido,
desafiou o gelo do lençol, friccionou seus pés com os pés da esposa, abraçou
forte sua companhia debaixo da montanha de cobertas, suspirou de felicidade
quando se enxergou novamente quente e, de repente, verifica que a persiana tem
uma fresta de luz? É preciso muita coragem para abandonar o acolhimento custoso
e reiniciar os trabalhos.
No inverno, por maior que seja a cautela,
esqueceremos algo.
Perderemos consecutivamente a vantagem que
adquirimos com a prevenção.
Basta encontrar uma posição para se morrer
feliz que seremos impelidos a ressuscitar.
Fonte: carpinejar.blogspot.com.br
LUGARES
GIVERNY - FRANÇA

A imagem mostra a charmosa vila de Giverny, na França, famosa por abrigar a casa e os jardins do pintor impressionista Claude Monet. (Google)
segunda-feira, 12 de outubro de 2026
NO PEITO DOS MONSTROS BATE UM CORAÇÃO
Frankenstein, a Múmia e o Lobisomem não pediram para ser o que eram Temos de rever também os casos de o Médico e o Monstro, Drácula e o querido Godzilla
Ouço dizer que filmes recentes, como "Frankenstein", de Guillermo del Toro, até que enfim estão enxergando o lado humano dos monstros do cinema. Folgo em saber e só lamento que tenha demorado tanto. Há anos, em já incontáveis artigos, insisto em afirmar que no peito da Múmia, do Lobisomem e da Criatura do doutor Frankenstein também bate um coração.
A Múmia era originalmente um egípcio apaixonado por uma garota cujo pai a prometera ao faraó. A menina se via muito mais nos braços do rapaz do que nos do faraó, que, apesar de faraó, era quase uma múmia viva. O pai não quis correr riscos e providenciou a eliminação do jovem. Morto e mumificado, este passou os 4.000 anos seguintes quieto em sua tumba no Egito, até que, por volta de 1922, arqueólogos ingleses a descobriram e violaram.
Foi uma imprudência. Assim que aberto o sarcófago, dois ou três dos arqueólogos tombaram mortos pelo bafo da Múmia. Os sobreviventes a levaram para o Museu Britânico, em Londres, onde, por artes do sobrenatural, ela ressuscitou e saiu em busca da sua bem-amada, reencarnada, veja só, numa inglesa. Mas Londres não estava preparada para receber em seus salões uma Múmia em tiras milenares e imundas, donde ela foi perseguida e, para se defender, começou a matar. Que culpa tinha?
Com o Lobisomem, a mesma coisa. Um aristocrata inglês tem a fatalidade de ser mordido por um lobo numa noite de Lua cheia e, quando essa Lua se repete, ele se transforma num homem-lobo que estraçalha a dentadas os incautos passando pela floresta. Nos filmes, ao morrer a tiros, o Lobisomem reverte ao formato humano. Sempre torci para que, nesse momento, ele fosse mostrado vertendo uma lágrima, símbolo de seu infeliz destino. Mas, até hoje, nunca. Vamos ver agora.
Por fim, a pobre Criatura. Construída com restos de cadáveres por um cientista irresponsável, como ela podia ser recebida em sociedade? Por falta de espaço, deixo para outra ocasião a alta conta em que também tenho o Médico e o Monstro, Drácula e o querido Godzilla.
Fonte: Folha de S.Paulo - 20/12/2025
LUGARES
FLORIANÓPOLIS - SC

A imagem mostra a Comunidade Evangélica Luterana de Florianópolis (Igreja Luterana do Centro), um templo histórico localizado no Centro de Florianópolis, Santa Catarina. Situada na região central da capital catarinense, a paróquia luterana possui forte ligação com a história da comunidade imigrante alemã na ilha. O edifício apresenta traços tradicionais da arquitetura sacra luterana, destacando-se na paisagem urbana cercada por construções modernas no centro da cidade. (Google)
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