terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

ROMANCE FORENSE

(Charge de Gerson Kauer)
Promotorite vexaminosa

Em cidade de médio porte, os operadores jurídicos estão intrigados com o agir do único promotor de justiça, ali. Ele dirige seu carro usando um capacete como se fosse piloto de Fórmula 1. Quando almoça ou janta em restaurantes, sempre determina que seus acompanhantes, antes, provem sua comida e bebida, com medo de ser envenenado.

Entre outras situações que motivaram a instauração de uma sindicância, conta-se que, certa vez, ele fez um gesto de coração com as mãos para o corpo de jurados. Em outra, despiu as calças na cozinha do fórum, para que uma servidora consertasse a peça.

O douto promotor – que ainda está em estágio probatório - também responde disciplinarmente por outros dois fatos.

Um: “conduta social incompatível com o cargo por atender a população através do portão gradeado da sede da promotoria”.

Outro: “apropriou-se de garrafas de refrigerantes que caíram de um caminhão que tombou na rodovia”.

A sindicância também envolve aspectos técnicos. Um dos arrazoados deplora “o atraso e a morosidade em processos judiciais que lhe vão para parecer; a dificuldade em dar impulso aos procedimentos extrajudiciais; a inassiduidade em audiências; e a baixa qualidade das peças produzidas”.

Na comarca, ele já foi apelidado de “Doutor Promotorite” – expressão que Eliana Calmon, quando era ministra do STJ, costumava – tal qual a juizite - definir como “a afetação, o fruto da prepotência e a vaidade” de que são acometidos alguns juízes e membros do Ministério Público, no exercício de seu mister.

Fonte: www.espacovital.com.br

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