sábado, 12 de agosto de 2017

MR. MILES


Viajantes sozinhos aproveitam melhor?

Rogério Lima, um assiduo correspondente de Mr. Miles concordou com sua avaliação sobre excursões de ônibus, assim como as leitoras Patricia Neme e Maria do Carmo Malaguerra. Em certo momento de sua correspondência, porém, Rogério afirmou que "a melhor companhia de um viajante é a dele próprio.", sugerindo que as pessoas viajem sozinhas e com planejamento como ele faz.

Nosso correspondente decidiu fazer um comentário sobre o comentário, ao invés de responder a uma carta da semana. Vamos a ele:

"Dear Rogério: como é de conhecimento de todos, eu costumo viajar sozinho. Não importa, however, aonde esteja, não posso considerar-me um lonely traveler. Tenho amigos, tenho compadres, comadres e afilhados. Quando não estou com nenhum deles, faço amigos e amigas. Raramente me engano quando escolho alguém para conversar. Acho, undoubtly, que sempre é valioso ter alguém com quem se possa compartilhar as impressões e sensações — fato que costuma, by the way, levar a amizades mais profundas em menos tempo.

Nevertheless, sua afirmação teria me atingido como um trompaço de meu amigo George ( N.da.R: George Foreman, fortíssimo peso pesado que especialzou-se em vender grills.), não fosse o fato de que, modestamente, sou um grande esquivador.

Mas sou obrigado a refletir e concordar, até certo ponto, com sua afirmação de que "a melhor companhia de um viajante é a dele próprio."

Vejo, dia após dia, a hostilidade crescente entre os homens. Pior: a agressividade atinge as familias quando em situação de alto grau emocional — e é isso que as viagens são. Somos, unfortunately, uma horda de gente egoista que raramente abre mão de seus planos para curtir o de seu(s) acompanhante(s). 

Não vamos às compras porque preferimos os museus; não vamos aos museus, porque preferimos as compras; não queremos jantar no restaurante sugerido porque queremos muito comer "apenas uma massinha". E vice-versa. Queremos acordar em horários diferentes. Na hora de dormir, existe sempre aquele que apaga a luz mais tarde do que o outro, criando mais urticária no relacionamento.

Em algum momento da viagem temos vontade de matar nosso roommate. A sensação, I'm sorry to say, é reciproca. As fantasias são perigosas: um dos amigos pensa em esfaquear o outro; o outro pretende envenenar o primeiro. Nada acontece, thank God — exceto se o seu companheiro for um psicopata, o que é melhor saber antes! 

Mas é fácil ver que amizades, casamentos e outros tipos de relação podem ficar profundamente abalados com uma viagem.

Tenho um amigo que fez uma viagem de "reavivamento de seu casamento" para a belíssima Sicilia. A tragédia foi tão grande que o próprio vulcão Etna resolveu participar com uma grande erupção.

Em parte, a razão desse despautério é explicada pelo legado de meu saudoso amigo Nelson Montag: "quando você viaja — disse ele — a primeira coisa que põe na bagagem são seus problemas." Ou seja: não adianta ir para Paris ou Roma porque aquele dor-de-amor não vai te deixar. By the way, Nelson era um viajante emérito, mas tinha lá seus problemas de conviver com as manias alheias.

Tenho a impressão, however, que se você ler atentamente essas linhas e for inteligente para abrir mão de parte de suas preferências (e de discutir esse tema com a sua companhia antes de embarcar), tudo pode dar certo.

Se, porém, passadas algumas tentativas, você decidir que vai tornar-se um viajante solitário, escolha bem o roteiro. Como sempre, planeje-se com denodo, de tal forma que, ao chegar ao destino, você o considere familiar como seu bairro. Com o coração aberto e a ausência de picuinhas, prevejo dois resultados possíveis. Você vai conseguir apaixonar-se mais pelo tema. Vai ter tempo de flanar e contemplar — duas tarefas fundamentais da arte viajora.

However, como a vida é o que é, existe a grande possibilidade de que, com o coração leve e a alma quente, você conheça, nesse lugar, seu verdadeiro companheiro de jornada. For ever and never.

Fonte: Facebook

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