quinta-feira, 25 de junho de 2020

NÃO É A FALTA DE DEMANDA


NÃO É A FALTA DE DEMANDA, É A FALTA DE CAPITAL DE GIRO
Stephen Kanitz
Assisti várias lives do BTG, XP e Credit Suisse nesses três meses, com os melhores economistas desse país, e como sempre saio deprimido. 

Nenhum, repito, mencionou o problema de falta de capital de giro próprio, muito menos como resolvê-lo. 

Não identificando o problema, ficaram horas apresentando soluções (portanto, erradas) para a curva longa, câmbio, juros, deficit fiscal etc. 

Mas com muita convicção, o que me preocupa ainda mais é porque quem nada entende de como as empresas funcionam, os seguem. 

Assim impedindo os problemas verdadeiros de florescerem. 

Vou desenhar novamente de outro ângulo. 

Na época de Keynes, todo consumidor precisava dar uma “entrada” de 20% a 40%, um adiantamento ao camiseiro, alfaiate, construtor, marceneiro e até na compra de um carro. 

Era com essa “entrada”, que esses fornecedores compravam a matéria prima necessária. 

Keynes achava que as recessões se perpetuavam por falta de demanda, pura e simplesmente. 

Esquecendo-se de que parte dessa “demanda” era na realidade o capital de giro próprio necessário. 

Que naquela época nenhuma pequena empresa possuía depois de uma recessão, como agora no Brasil. 

Até hoje a construção civil depende desses 20% de “entrada”, e até 1984 a estatal Telebras exigia 100% de “entrada”. 

Demanda para telefones no Brasil existia na época, e muita, mas era essa estatal que não possuía o capital de giro próprio necessário. 

Por isso, por 20 anos os pobres não tinham acesso a comunicação nem a informação, condenados a pobreza por essa mesma estatal. 

Esse desconhecimento de Keynes, Hayek, Mises, Krugman, que jamais mencionam “necessidade de capital de giro”, somente “investimentos e capital fixo”, acaba sendo replicado por todos esses economistas do BTG, XP e Credit Suisse. 

Em vez de financiar 100% da demanda, que muitos propõem com bolsa família, bolsa dos invisíveis, investimentos em infraestrutura, bastaria financiar 20% em capital de giro próprio necessário. 

Justamente o que falta para essas empresas “girarem” sua capacidade ociosa, gerando produtos, salários e matérias primas pagas. 

As medidas que propõem são inviáveis com esse deficit fiscal porque são cinco vezes mais caras, e por serem caras geram mais deficit fiscal. 

Estamos numa espiral desastrosa e nenhum deles percebe. 

Alguém, por favor, traduz tudo isso? 

Eu honestamente não estou conseguindo explicar e o tempo está passando. 

Fonte: blog.kanitz.com.br

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