O fim de um namoro tem as mais diversas causas. Umas trágicas, outras engraçadas. Outras ainda decorrem de mal entendidos. E há os que nem chegaram a iniciar. Enfim, cada fim de caso é um caso.
O Eugenio, moço de poucas palavras, encontrou uma maneira peculiar de frustrar os sonhos de namoro da Rosinha.
É preciso dizer que o Eugenio era um rapaz disputado pelas moças da comunidade e de fora também. De boa estampa, de boa família, trabalhador e afamado pé-de-valsa. O tempo ia passando e nada de namoro, o que gerava preocupação à dona Eulália, sua mãe, para quem, a vida no interior passava pela formação de uma família.
- Não tem "percisão", dizia Eugenio à sua mãe, sempre que ela tocava no assunto.
Até que apareceu a Rosinha, faceira e faladora. Dançar com o Eugenio era um imenso prazer e vice-versa, verdade seja dita. Dizem até que quando os músicos começava a afinar os instrumentos, os dois já adentravam ao salão para os primeiros passos.
Segundo os faladores, certa feita, antes mesmo da música, o Eugenio foi para o salão, levando a Rosinha consigo, e bradou alto e bom som:
- Gaiteiro, me "persegue".
Mas nada de namoro.
A Rosinha, no seu projeto de conquistar o Eugenio, começou a agradar a dona Eulália, o que a tornou fiadora de um namoro à vista.
- Geninho, meu filho, esta moça é de boa família. Você já pediu ela em namoro?
- Não tem "percisão", dizia ele, sempre econômico nas palavras.
Dos planos da Rosinha constava uma festa de aniversário para a qual pediu a ajuda da dona Eulália. Seguiram-se os preparativos e uma recomendação especial ao Eugenio para comprar um belo presente para aquela moça tão querida.
Aquilo foi minando os pensamentos do Geninho. O dia da festa se aproximava e ele não havia comprado nada para ela. Eis que surgiu uma ideia que resolveria o assunto de uma vez por todas. Passou na venda do Libório e encomendou um metro de fumo em rolo e um pacote de palhas. Pediu para preparar uma embalagem bonita e no dia da festa, Geninho não compareceu, mandou o pacote pelo seu irmão menor com a desculpa de ir cuidar da criação.
A rosinha ficou decepcionada, mas não perdeu as esperanças. Porém, quando pôs-se a abrir os pacotes e constatou a natureza do presente do Geninho, seus sonhos se desfizeram. Ela pôs-se a chorar e correu para casa.
O falatório na vila foi grande. Alguns comentários maldosos colocaram em dúvida a masculinidade do Geninho, que continuou levando a vida ao seu estilo, até o dia que seus olhos encontraram os olhos da Jovina. Bastaram poucos meses para acontecer o casório do qual resultaram cinco filhos. E a vida continuou previsível como sempre.
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