domingo, 15 de novembro de 2020

DEMÊNCIA DE BOLSONARO

DEMÊNCIA DE BOLSONARO
Ruy Castro 

Para nós que passamos 21 anos de vida adulta (1964-1985) sob a ditadura, os generais eram sujeitos sinistros, de óculos escuros, que nos ditavam quando, se e em quem podíamos votar, o que podíamos ler, ver, escutar, dizer e escrever e, se falássemos em instituições, direitos e liberdade, eles mandavam prender e arrebentar. Eles tinham as armas, as verbas e as canetas com as quais impor sua autoridade. E os porões, instrumentos de tortura e beleguins para aplicá-la. A mera visão de uma farda era intimidadora. Ela nos reduzia moralmente à menoridade, às calças curtas, à fralda.

Aí está algo incompreensível para um brasileirinho de hoje. Ele não entenderá como os militares podiam ter essa força. Para ele, militares são sujeitos que Jair Bolsonaro põe no governo, exibe nas redes sociais e logo começa a depreciar, diminuir, desmoralizar e, por fim, fulmina com a demissão. Em menos de dois anos, já fez isso com 16 generais, quatro brigadeiros e um almirante, e só entre os oficiais de alta patente.

Segundo levantamento da Folha, Bolsonaro demite um desses caciques por mês, até os que, por causa dele, abriram mão de suas promoções. Nada se compara, claro, ao esbofeteamento simbólico a que vive submetendo o general Eduardo Pazuello, pseudoministro da Saúde e seu mais dedicado ajudante de ordens.

Se Bolsonaro trata assim os graúdos, imagine seu apreço pelos 6.000 fardados do segundo time com que entupiu os ministérios, estatais, autarquias e bancos públicos. Só lhe servem para alimentar sua ilusão de que comprou o Exército.

Pode ser psicologia de galinheiro, mas estou certo de que Bolsonaro faz tudo isso para se compensar de humilhações em sua medíocre carreira militar. É uma forma de demência, que parece fascinar os generais – ou não se submeteriam a ela.

O brasileirinho de hoje tem razão. Se eles são assim, como conseguimos passar 21 anos sob suas botas?

Fonte: https://brasildelonge.com

WILLIAM TELL OVERTURE

GLEN CAMPBEL 
smokin' instrumental
O verdadeiro líder não precisa conduzir. Basta que ele mostre o caminho. (Henry Miller)

LUGARES

BUDAPESTE - HUNGRIA

CHARGES


FRASES ILUSTRADAS


sábado, 14 de novembro de 2020

UM PAÍS DE MARICAS

UM PAÍS DE MARICAS
Hélio Schwartsman

Somos, sim, covardes e medrosos, porque ainda não iniciamos o processo de impeachment

Hoje vou concordar com Bolsonaro. Peço antecipadamente desculpas pelo nível da linguagem, mas somos, sim, um país de maricas, no sentido de medrosos, covardes, poltrões. Somos tudo isso porque ainda não iniciamos um processo de impeachment contra o presidente, apesar do impressionante número de crimes de responsabilidade (e comuns) que ele acumula.

No último dia 10, uma terça-feira especialmente gorda, ele conseguiu, num intervalo de poucas horas, aniquilar a dignidade do cargo, colocar em perigo a saúde pública e ainda ameaçar ir à guerra contra os Estados Unidos, a potência militar hegemônica do planeta que nos derrotaria de olhos fechados. Os otimistas podem regozijar-se com o fato de que, desta vez, ele pelo menos não atacou o Legislativo nem o Judiciário, como fazia semanalmente até pouco tempo atrás.

Estou ciente de que, hoje, politicamente, seria quase impossível aprovar o afastamento do presidente. Desde que ele se aliou ao centrão (traindo, aliás, uma de suas promessas de campanha), tornou-se inviável obter os 2/3 de votos na Câmara e no Senado necessários para destituir o presidente. Mas eu não estou reclamando do fato de não aprovarmos o impeachment, e sim do de não o iniciarmos, para o que bastaria uma canetada do presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Como venho sustentando desde maio, temos, como sociedade, o dever moral de reagir aos descalabros presidenciais. Minha preocupação nem é com o aqui e o agora.

Dentro de uns 10 ou 15 séculos, quando historiadores forem estudar o Brasil do início do século 21, encontrarão registro dos ditos e feitos de Bolsonaro. Se não acharem também evidências de uma reação institucional a eles, parecerá aos arqueólogos do futuro que a sociedade como um todo coonestou as atitudes do presidente, o que simplesmente não é verdade. É preciso deixar marcas de que nem todos perderam a sanidade e o senso de decência nestes tempos conturbados.

Fonte: Folha de S. Paulo
Há certas pessoas a quem o fracasso sobe à cabeça. (Wilson Mizner)

LUGARES

GRINDELWALD - SUÍÇA

OS DEFICIENTES CÍVICOS

OS DEFICIENTES CÍVICOS
Milton Santos

Em tempos de globalização, a discussão sobre os objetivos da educação é fundamental para a definição do modelo de país em que viverão as próximas gerações.

Em cada sociedade, a educação deve ser concebida para atender, ao mesmo tempo, ao interesse social e ao interesse dos indivíduos. É da combinação desses interesses que emergem os seus princípios fundamentais e são estes que devem nortear a elaboração dos conteúdos do ensino, as práticas pedagógicas e a relação da escola com a comunidade e com o mundo.

O interesse social se inspira no papel que a educação deve jogar na manutenção da identidade nacional, na idéia de sucessão das gerações e de continuidade da nação, na vontade de progresso e na preservação da cultura. O interesse individual se revela pela parte que é devida à educação na construção da pessoa, em sua inserção afetiva e intelectual, na sua promoção pelo trabalho, levando o indivíduo a uma realização plena e a um enriquecimento permanente. Juntos, o interesse social e o interesse individual da educação devem também constituir a garantia de que a dinâmica social não será excludente.

Em todos os casos a sociedade será sempre tomada como um referente, e, como ela é sempre um processo e está sempre mudando, o contexto histórico acaba por ser determinante dos conteúdos da educação e da ênfase a atribuir aos seus diversos aspectos, mesmo se os princípios fundamentais permanecem intocados ao longo do tempo. Foi dessa forma que se deu a evolução da idéia e da prática da educação durante os últimos séculos, paralelamente à busca de formas de convivência civilizada, alicerçadas em uma solidariedade social cada vez mais sofisticada.

As modalidades sucessivas da democracia como regime político, social e econômico levaram, no após guerra, à social-democracia. A história da civilização se confundiria com a busca, sempre renovada, e o encontro das formas práticas de atingir aqueles mencionados princípios fundamentais da educação, sempre a partir de uma visão filosófica e abrangente do mundo.

Esse esforço, para o qual contribuíram filósofos, pedagogos e homens de Estado, acaba por erigir como pilares centrais do sistema educacional: o ensino universal (isto é, concebido para atingir a todas as pessoas), igualitário (como garantia de que a educação contribua a eliminar desigualdades), progressista (desencorajando preconceitos e assegurando uma visão de futuro).

Daí, os postulados indispensáveis de um ensino público, gratuito e leigo (esta última palavra sendo usada como sinônimo de ausência de visões particularistas e segmentadas do mundo) e, dessa forma, uma escola apta a formar concomitantemente cidadãos integrais e indivíduos fortes. Aliás, foram essas as bases da educação republicana, na França e em outros países europeus, baseada na noção de solidariedade social exercida coletivamente como um anteparo, social e juridicamente estabelecido, às tentações da barbárie.

A globalização, como agora se manifesta em todas as partes do planeta, funda-se em novos sistemas de referência, em que noções clássicas, como a democracia, a república, a cidadania, a individualidade forte, constituem matéria predileta do marketing político, mas, graças a um jogo de espelhos, apenas comparecem como retórica, enquanto são outros os valores da nova ética, fundada num discurso enganoso, mas avassalador.

Em tais circunstâncias, a idéia de emulação é compulsoriamente substituída pela prática da competitividade, o individualismo como regra de ação erige o egoísmo como comportamento quase obrigatório, e a lei do interesse sem contrapartida moral supõe como corolário a fratura social e o esquecimento da solidariedade.

O mundo do pragmatismo triunfante é o mesmo mundo do “salve-se quem puder”, do “vale-tudo”, justificados pela busca apressada de resultados cada vez mais autocentrados, por meio de caminhos sempre mais estreitos, levando ao amesquinhamento dos objetivos, por meio da pobreza das metas e da ausência de finalidades. O projeto educacional atualmente em marcha é tributário dessas lógicas perversas. Para isso, sem dúvida, contribuem: a combinação atual entre a violência do dinheiro e a violência da informação, associadas na produção de uma visão embaralhada do mundo; a perplexidade diante do presente e do futuro; um impulso para ações imediatas que dispensam a reflexão, essa cegueira radical que reforça as tendências à aceitação de uma existência instrumentalizada.

É nesse campo de forças e a partir dessa caldo de cultura que se originam as novas propostas para a educação, as quais poderíamos resumir dizendo que resultam da ruptura do equilíbrio, antes existente, entre uma formação para a vida plena, com a busca do saber filosófico, e uma formação para o trabalho, com a busca do saber prático.

Esse equilíbrio, agora rompido, constituía a garantia da renovação das possibilidades de existência de indivíduos fortes e de cidadãos íntegros, ao mesmo tempo em que se preparavam as pessoas para o mercado. Hoje, sob o pretexto de que é preciso formar os estudantes para obter um lugar num mercado de trabalho afunilado, o saber prático tende a ocupar todo o espaço da escola, enquanto o saber filosófico é considerado como residual ou mesmo desnecessário, uma prática que, a médio prazo, ameaça a democracia, a República, a cidadania e a individualidade. Corremos o risco de ver o ensino reduzido a um simples processo de treinamento, a uma instrumentalização das pessoas, a um aprendizado que se exaure precocemente ao sabor das mudanças rápidas e brutais das formas técnicas e organizacionais do trabalho exigidas por uma implacável competitividade.

Daí, a difusão acelerada de propostas que levam a uma profissionalização precoce, à fragmentação da formação e à educação oferecida segundo diferentes níveis de qualidade, situação em que a privatização do processo educativo pode constituir um modelo ideal para assegurar a anulação das conquistas sociais dos últimos séculos. A escola deixará de ser o lugar de formação de verdadeiros cidadãos e tornar-se-á um celeiro de deficientes cívicos.

É a própria realidade da globalização -tal como praticada atualmente- que está no centro desse debate, porque com ela se impuseram idéias sobre o que deve ser o destino dos povos, mediante definições ideológicas sobre o crescimento da economia, como a chamada competitividade entre os países. As propostas vigentes para a educação são uma consequência, justificando a decisão de adaptá-la para que se torne ainda mais instrumental à aceleração do processo globalitário. O debate deve ser retomado pela raiz, levando a educação a reassumir aqueles princípios fundamentais com que a civilização assegurou a sua evolução nos últimos séculos -os ideais de universalidade, igualdade e progresso-, de modo que ela possa contribuir para a construção de uma globalização mais humana, em vez de aceitarmos que a globalização perversa, tal como agora se verifica, comprometa o processo de formação das novas gerações.

*Originalmente publicado em ‘Folha de São Paulo/ Brasil 500’. 

Fonte: https://www.revistaprosaversoearte.com

FRASES ILUSTRADAS


sexta-feira, 13 de novembro de 2020

A FAVOR DA GUERRA CONTRA OS EUA

A FAVOR DA GUERRA CONTRA OS EUA

E não é que é uma boa ideia?

Declarando guerra aos ianques ganhamos automaticamente a simpatia de todos quantos, pelo mundo afora, hoje nos odeiam. 

Tornamo-nos automaticamente democráticos como o Vietnã dos anos 70. 

Finos intelectuais franceses cantarão hinos a Jair Bolsonaro. 

Multidões de estudantes adotarão o “Pô” como a interjeição legitimadora de toda cretinice que gritarem em manifestações, chacoalhando seus livrinhos-verde-e-amarelos no ar. 

Cineastas e atrizes de Hollywood virão dar, em pessoa, seu testemunho de apoio aos brasilcongs em acampamentos da Amazônia. 

Olavo de Carvalho passará a ser carregado em triunfo pelos corredores de Harvard. 

O Estadão e a Folha de S. Paulo, mais perdidos no espaço do que estão hoje, sairão à procura de novos slogans que os definam com a ajuda de publicitários e consultores internacionais. 

A Globo exigirá infindavelmente que as fardas de nossas soldadas tenham braguilhas como as de seus companheiros.

E no final, derrotados, ganhamos o nosso Plano Marshall e a nossa constituição americana e viramos o Japão ou a Alemanha. 

E então, comendo finalmente o bastante como Lula sempre quis, poderemos cagar montes para os intelectuais que viverão de maldizer a hora em que entregamos a nossa própria identidade política e cultural.

O único risco é que a imprensa americana consiga, como sempre, derrubar seu país antes de nós e vençamos a guerra.

Aí é osso!

Fonte: https://vespeiro.com
Proibir algo é despertar o desejo. (Michel de Montaigne, Escritor francês, 1533-1592)

LUGARES

BUENOS AIRES - ARGENTINA

MR. MILES


Amanhã vai ser outro dia

Olá amigo viajante. Nós que amamos viajar, amamos a cultura, a culinária e tudo o que se relaciona com povo, será que algum dia conseguiremos conhecer Bagdá, Mossul, Damasco, Beirute e tantas outras cidades do Oriente Médio? Ou as suas histórias fabulosas e milenares, de terras onde correm leite e mel e os cedros e os vinhos serão conhecidos por nós apenas pelos livros e pelos jornais (nas páginas de guerra)? Maria Lúcia Paganelli, por email 

Well, my dear, sua carta carrega a pior frustração que qualquer viajante pode ter: a de, por motivos completamente alheios a sua vontade, estar impedido de visitar lugares que, in fact, seu coração já conhece, tantas vezes já bateu pelas cascatas de leite e mel, respirou a brisa dos cedros e degustou a candura do vinho.

Nevertheless, essa é a cura adequada para a dor de não poder ir. Só os que realmente conseguem embarcar na viagem de sonhos que antecipa a jornada real podem afirmar que, mesmo sem ter feito as malas e mesmo sem ter um carimbo no passaporte, já estiveram onde, por enquanto, é impossível estar.
 
Como, as you know, sou um viajante longevo, com raízes no mais tênue amanhecer do século passado, já senti, nas mais diversas conflagrações, a impossibilidade de chegar à cidades e regiões que o ódio transformou em palco de guerra. Mas veja só, darling, a desimportância e a fortuidade dessas rêfregas. Há um dia em que, cansados de empilhar mortos e ver ruir sua própria história, os guerreiros se cansam. E o mais glorioso de tudo isso é que as cidades — pelo menos as que valem a pena — , renascem com a mesma velocidade que a floresta devora estradas como a vossa Transamazônica. E, more then that, a verdade é que as populações também recuperam o viço com rapidez inesperada.
 
Todas as cidades que você menciona em sua lovely letter eu tive o prazer de conhecer em tempos melhores. Hoje, indeed, parece impossível que voltemos a visitá-las. Mas quem apostaria, quarenta anos atrás, que seria possível passar bons momentos no Vietnã ou no Cambodja? Ou quem daria um pennie furado por Dubrovnik na ainda mais recente guerra do Balcãs?
 
Well: let's wait and see. Como dizia meu querido amigo Francis Buarque de Hollanda, "amanhã vai ser outro dia".

Fonte: O Estadão

FRASES ILUSTRADAS


quinta-feira, 12 de novembro de 2020

O MUNDO QUE ESPERE POR BOLSONARO
Ruy Castro 

E espere sentado porque, enquanto não for a hora certa, ele não cumprimentará Biden

O vice-presidente, general Hamilton Mourão, declarou que Jair Bolsonaro irá cumprimentar o presidente eleito americano, Joe Biden, “na hora certa”. Significa que, para Mourão, os líderes mundiais que ignoraram o esperneio de mau perdedor de Donald Trump e reconheceram a vitória de Biden, como os representantes de Alemanha, França, Reino Unido, Canadá, Índia, Israel, Emirados Árabes, Irã, Iraque, Egito, Jordânia, Líbano, União Europeia, ONU, OMS, Otan e até nossos vizinhos Argentina, Uruguai e Chile, fizeram isso na hora errada.

Para Mourão, especialista em dizer platitudes ao ser abordado em trânsito entre um gabinete vazio e outro desocupado, Bolsonaro faz bem em “esperar que termine esse imbróglio aí, de discussão, se tem voto falso, se não tem, para dar o posicionamento dele”. Deve imaginar que Biden e os países mais adultos e responsáveis estão esperando sentados, sem respirar, por Bolsonaro. E que, quando ele falar, as relações entre Brasil e EUA tomarão seu caráter institucional normal, como entre dois países com o mesmo peso.

Mas não é assim, claro, ou Bolsonaro e seus zeros não teriam dedicado os últimos dois anos a abjetos shows de subserviência diante de Trump —que, ao contrário do que eles pensam, não foram recebidos com apreço pelo clown americano, mas com o desprezo devido aos que rastejam diante do nhonhô. Se, como se diz, Trump chama seus próprios seguidores de “otários”, imagine sua opinião sobre Bolsonaro —se é que alguma vez este lhe veio à cabeça fora da agenda oficial.

Além disso, Trump tem mais com o que se preocupar neste momento do que com o apoio de remotos políticos bananeiros. Está consciente de que, assim que for evaporado da Casa Branca, uma chuva de processos o espera na dona Justa.

Recomenda-se a quem achar no lixo o boné de Eduardo Bolsonaro com os dizeres “Trump 2020” que o deixe lá. Pode ter sido ele que deu azar.

Fonte: Folha de S. Paulo
Você nunca vai chegar ao seu destino se você parar e atirar pedras em cada cão que late. (Winston Churchill)

LUGARES

BARCELONA - ESPANHA

NÃO TROPECE NA LÍNGUA



CRASE COM VERBOS

O universo dos verbos que admitem à ou às após si é relativamente restrito, pois se trata apenas dos verbos transitivos indiretos e, entre estes, somente daqueles que exigem complemento regido da preposição a. Nas frases abaixo, de construção semelhante, vamos perceber o mesmo verbo seguido de complemento com e sem crase (neste último caso, o complemento constitui ou o sujeito ou o objeto direto da oração):

Abandonou à própria sorte os filhos pequenos, aventurando-se com um marinheiro.
Abandonou a própria sorte quando resolveu fugir da bela vida que levava.

Vai à luta com você, pois solidário ele é.
Vai a luta ser desigual? todos nos perguntamos.

Fica à escolha do freguês levar um cupom ou ganhar um pequeno desconto.
Fica a escolha do novo modelo por conta do cliente.

Solicito acrescentar à lista de livros estes títulos: Mila 18, Os Ratos e Mad Maria.
Solicito acrescentar a lista de livros ao pacote que seguirá para a livraria.

A massagem relaxa e leva à mente o aquietamento.
A massagem relaxa e leva a mente ao aquietamento.

Favor anexar à folha 4 o mapa estatístico.
Favor anexar a folha 4 ao mapa estatístico.

Os sintomas incluem vômitos e desmaios e podem levar ao coma e à morte.
Os sintomas incluem desmaios que podem levar a morte a um paciente debilitado.

Sugeriu à CUT a concentração de esforços nas fábricas e no campo.
Sugeriu a CUT que concentrássemos esforços nas fábricas e no campo.

ARTIFÍCIO: TROCA DO FEMININO POR MASCULINO

Um bom artifício para confirmar se em determinada circunstância o verbo pede o à craseado é trocar seu complemento feminino por um masculino, de preferência sinônimos. Onde se usa ao, deve-se usar à, pois um à (a a) é o feminino de um ao (a o) . Exemplos:

Transmitiu à patroa / ao patrão os agradecimentos da equipe.

Muitos políticos acorreram à sede do governo / ao palácio para a solenidade.

Fale à moça. / Fale ao rapaz.

Essas medidas proporcionarão à população / ao povo melhores condições.

Subiram à primeira plataforma / ao primeiro piso e foram diretamente à sala / ao gabinete do diretor.

Anexar à folha 4 / ao volume II as informações suplementares.

Fonte: www.linguabrasil.com.br