Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro. (Clarice Lispector)
domingo, 4 de junho de 2023
LUGARES
LISBOA - PORTUGAL
O Museu Nacional de Arqueologia é o principal museu nacional de âmbito arqueológico em Portugal. Localizado em Lisboa, o museu foi fundado em 1893 por iniciativa de José Leite de Vasconcelos.
Localizado em: Mosteiro dos Jerónimos
FORMAÇÕES ROCHOSAS
Por Ruy Castro
Você ainda
recebe ou manda beijos no coração? Até há pouco, para alguns, não havia maneira
mais poética de se despedir: "Um beijo no coração!". A mim, sempre
pareceu que um beijo no coração deve ter algo de viscoso e grudento, mesmo que
aplicado numa mesa de cirurgia por uma enfermeira loura e decotada. Outra mania
é a das pessoas que dizem "Inté!" em vez de "Tchau!".
Conheço uma socióloga paulista que diz "Inté!". Tem pós-doutorado em
Harvard.
Se alguém lhe prometer "Vou
dar o meu melhor", pode saber que o melhor do cavalheiro não será
suficiente e você fará bem em procurar outro. Idem se ele lhe contar que
"apostou todas as fichas" em alguma coisa. Claro que ele vai se dar
mal --só um bobo aposta todas as fichas de uma vez. E, se o mesmo sujeito
disser que "ligou o sinal de alerta", é porque a vaca dele já foi
para o brejo e ele está apenas querendo ganhar tempo.
E a nova praga "Como se não
houvesse amanhã"? Rezam os sites de fofocas: "Entre um capítulo e
outro das gravações da novela, Maricotinha foi vista tomando sol no Leblon,
como se não houvesse amanhã". É mentira --sempre haverá amanhã, e ai de
Maricotinha se não voltar ao Projac para trabalhar. E o projeto do Fulano que
conta com o "auxílio luxuoso" do Beltrano? Se alguém está pres- tando
um "auxílio luxuoso", é porque está sem projeto próprio e precisando
aparecer.
"Beijo no coração",
"Inté!", "Vou dar o meu melhor", "Apostar todas as
fichas", "Ligar o si- nal de alerta", "Como se não houvesse
amanhã" e "Auxílio luxuoso" são apenas clichês --expressões que
surgem frescas, mas adqui- rem consistência rochosa e se pregam à língua.
Um dia, desgastam-se e somem, e
já vão tarde.
Fonte: Folha de S. Paulo
sábado, 3 de junho de 2023
MEDO É COISA BOA
Paulo Pestana
Os criadores da inteligência artificial e alguns dos maiores cientistas do mundo dizem que o negócio é perigoso. E pedem para parar. Que se suspenda o curso da ciência por seis meses. Justo quando um estudo da Universidade da Califórnia mostra que o ChatGPT dá respostas melhores a consultas médicas do que os doutores.
É bom ver esses ousados e intimoratos senhores com medo e com pudores que Oppenheimer – um dos criadores da bomba atômica – não teve, alegando que a ideia era "tecnicamente boa".
Isso evita até desfechos trágicos como o suicídio de Santos Dumont, causado, dizem, por uma depressão profunda iniciada quando ele viu aviões sendo usados como armas na primeira grande guerra. Ele se sentia culpado pela atuação de homens como o alemão Manfred von Richthofen, o Barão Vermelho, que teria abatido 80 inimigos no ar.
Ao contrário do que muita gente pensa, medo é uma coisa boa. Impõe limites, sinaliza respeito – é o que nos impede de, por exemplo, enfiar a cabeça na boca de um leão (ainda que haja quem ganhe a vida fazendo isso ou coisa pior). Mas o medo não pode ser paralisante e por isso não faz nenhum sentido tentar para o mundo ou o avanço da ciência. Ou não?
Os livros de Isaac Asimov definiram as leis da robótica; a mais importante delas é a primeira: um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal. Pelo jeito, e pelo que diz Geoffrey Hinton, um bambambã do assunto e que ajudou a desenvolver a ideia, a inteligência artificial pode ser usada para "coisas ruins".
Como tudo, poderíamos dizer. Como os aviões.
Já se sabe que a IA já é capaz de criar algoritmos e novos softwares. Mas qual o perigo disso?
Na dúvida, perguntei ao ChatGTP que mesmo sem ser essa inteligência toda – os cientistas acham que ainda é um embrião – respondeu:
"Essa é uma questão controversa e debatida por diversos especialistas no campo da inteligência artificial. A maioria dos especialistas concorda que a inteligência artificial tem o potencial de superar a capacidade humana em tarefas específicas. Por exemplo, algumas tecnologias de IA já superam os humanos em jogos de estratégia, reconhecimento de padrões e processamento de grande quantidade de dados".
E continuou: "No entanto, alguns especialistas acreditam que a IA não será capaz de superar completamente a inteligência humana em todas as áreas, especialmente naquelas que requerem habilidades sociais e emocionais. Além disso, a maioria concorda que a IA não pode representar uma ameaça aos humanos, a menos que seja programada com intenções maliciosas".
E ainda esticou o assunto: "No geral, o desenvolvimento da IA e seus efeitos na sociedade é um tema complexo que deve ser cuidadosamente considerado em termos de ética e responsabilidade. É importante garantir que a tecnologia seja usada de maneira segura e benéfica para a humanidade".
Minha conclusão é que precisamos nos preocupar mesmo, porque a inteligência artificial está chegando lá; já aprendeu a enrolar, igual a uns políticos espertinhos.
Publicado no Correio Braziliense em 14 de maio de 2023
LUGARES
CACHORRO ATROPELADO
Carlos Heitor Cony
Já comentei, aqui mesmo e nas crônicas que escrevo na pág.2 da Folha, o histerismo da mídia nas críticas a Lula e à maioria de seus auxiliares mais próximos. Bem como ao seu partido. Não votei em Lula, jamais votaria no PT, que considero, em sua infra-estrutura ideológica e operacional, um arremedo do partido nazista com pólos trocados.
Compreendo que a sociedade esteja desiludida com Lula, ele fez e continua fazendo tudo para decepcionar aqueles que o julgavam salvador da pátria, impoluto, transparente, etc. É a negação de tudo isso --e, no meu entender, sempre foi assim, o povo é que não soube avaliá-lo.
Talvez mereça impeachment, fez muitas e más para ser impedido de governar o país. Daí a considerá-lo uma excrescência humana, o mais corrupto dos corruptos, não apenas é uma injustiça, mas uma besteira. Para não ir muito longe, o governo anterior foi bem pior do que o atual, canibalizou o Brasil a preço vil, encheu as burras dos intermediários e colocou a nossa economia a reboque do capital internacional, vale dizer, adiou por décadas e décadas a nossa autonomia econômica e política diante de outras nações.
No entanto, foi um governo louvado e lambido pelos entendidos, pela mídia em geral, pelos meios acadêmicos. Pela mesmíssima turma que agora se engalfinha num mata-esfola contra Lula, numa competição lamentável onde cada um pretende colocar na cabeça a coroa do mais indignado, do mais furioso contra os erros e descaminhos do atual governo.
O histerismo, o tom panfletário dos ataques a Lula e à sua turma revelam oportunismo e proposital esquecimento do passado mais recente. Chutar cachorro atropelado é um ato de covardia, não de lucidez. O governo é realmente um cachorro atropelado. Merece ser enterrado mas não chutado.
Fonte: Folha de S. Paulo - 22/11/2005
sexta-feira, 2 de junho de 2023
ESSA GERAÇÃO PROCURA MENTORIA, COACHS MAS NÃO ESCUTAM A PRÓPRIA MÃE

por Geraldo Rufino
Geraldo Rufino no programa The Noite falou sobre seu aprendizado sobre o trabalho e a importância que isso que isso traz. Confira abaixo a transcrição do trecho.
As pessoas não ouvem a mãe nem o pai; dizem que eles são ultrapassados. Vivência não fica ultrapassada; falta humildade a essa geração que está chegando e à parte da geração que já estava aí, que deixaram de ouvir os pais.
Essas gerações procuram por mentorias na internet de pessoas que elas nem conhecem sem antes ouvir os próprios pais. A bateria se recarrega na base, que é a família. Em um dia em que as coisas não estiverem muito bem, como problemas no trabalho ou briga com o(a) cônjuge, escreva para sua mãe dizendo que a ama e/ou que está com saudades. A mãe, com apenas um “oi” do(a) filho(a), já sabe se ele(a) está ou não precisando dela, pois cordão umbilical só se corta fisicamente; a pessoa que deu a vida a outra tem a capacidade de recarregar sua bateria do outro lado do planeta.
O filho só precisa ter disponibilidade para enviar esse tipo de mensagem à sua mãe e não acreditar que ela está ultrapassada. As pessoas precisam crescer de dentro para fora, tornar-se seres humanos melhores e resgatar a humanização.
Transcrição feita e adaptada pelo Provocações Filosóficas do trecho da participação de Geraldo Rufino no programa The Noite.
Confira na íntegra:
Geraldo Rufino é um empresário, escritor e palestrante brasileiro, fundador da JR Diesel, a maior recicladora de caminhões da América Latina. Ele começou sua vida como catador de latinhas em um lixão e superou várias dificuldades e falências para se tornar um exemplo de empreendedorismo e positividade. Ele é autor de dois livros: O Catador de Sonhos e O Poder da Positividade.
LUGARES
MURANO - VENEZA - ITÁLIA
A ilha de Murano é conhecida pela longa tradição de fabricação de vidro. As balsas chegam repletas de visitantes curiosos para conhecer o Museo del Vetro, que conta a história do vidro ao longo dos séculos, e para comprar suvenires artesanais locais. Construída em estilo românico, a Igreja de Santa Maria e San Donato tem um piso de mosaico colorido e supostamente abriga os ossos de um dragão morto. ― Google
MR. MILES
Noticias de Mr. Miles!
Editores de lugar e de tempo
Nosso surpreendente viajante informa ter encerrado uma caminhada de 60 quilômetros pelos Cárpatos, que estava especialmente dificil em funçao da neve e das geleiras. Além de um pequeno e tradicional incomodo nos joelhos, Mr. Miles só sentiu prazer e ficou decepcionado porque levou vinte minutos a mais do que no ano anterior, o que poderia ser uma mostra de envelhecimento. “ Well, não foi tão mal assim, porque perdi pelo menos uma hora ajudando a fazer talas e curativos em jovens que ficaram pelo caminho.” O bravo viajante britânico continua nos surpreendendo. Interpelado por que razão decidiu fazer essa caminhada em pleno inverno, Mr. Miles foi objetivo: “Eu precisava do prazer da endorfina para contrabalancear a repulsa que esse novo presidente Americano me causou.” A seguir a correspondência da semana.
Querido Mr. Miles: fiz uma viagem de vinte dias pela Itália e adorei. Há problemas por lá? Sim, mas menos do que aqui. Só me incomodou a sensação de que poderia ter escolhido melhor. Em muitos lugares fiquei pouco tempo; em outros, tempo demais. E houve tanto que eu sentir ter perdido… Como devo fazer da próxima vez?
Adelina Batista Novelli, por email
Well, my dear: eis a questão que aflige a todo viajante de estirpe. Unfortunately, não me parece que desenvolveremos o dom da onipresença. Somos todos, therefore, editores de lugar e de tempo. Assim como os editores de jornal e revista, estamos o tempo todo confrontados com a Escolha de Sofia, que minha querida Merryl (N.da R.:Merryl Streep, grande atriz de Hollywood) transformou na mais insuportável das dores ao atuar no filme do mesmo nome. Editar é possuir um poder exageradamente grande. Cabe a esses profissionais escolher o que entra e o que não entra em uma história que vai tornar-se pública. Se mostra vitimas espancadas em uma manifestação ou se muda a opinião do leitor exibindo policiais feridos no chamado “cumprimento do dever”. Ao viajarmos, dear, somos os editores de nosso destino. Escolhemos o que pensamos ser o melhor para nós e muitas vezes nos decepcionamos. O que, besides, não é nenhuma surpresa. Como não nos engana o fato de que escolhemos bem, mas escolhemos pouco. Eis outro dilema do editor: que espaco dar para cada história, a que foto atribuir maior destaque and so on.
É necessário deixar claro, however, que a certeza desse poder de escolha nos deixa mais fortes, criteriosos e bem-intencionados. Ao planejar sua giornata pela belíssima peninsula, você fez seus estudos: anteviu o que esperava ver, sentiu o aroma de pratos que iria comer, escolheu os passeios e enfrentou suas dúvidas: foi o rascunho de sua edição. Sometimes it works; sometimes not. Meu amigo Thedor Barnes – companheiro de pub em longas discussões – não quis me ouvir e foi para o Egito sem guia ou companhia. O resultado foi desastroso. Permantemente enganado, Barnes comprou papiros feitos de papel couché, pedaços “autênticos” da pirâmide de Queops, tapetes orientais que atestei terem sido produzidos em uma industria belga e um apavorante cruzeiro até Luxor, durante o qual sua mala foi saqueada duas vezes e, by the way, ninguém levou os produtos que havia adquirido. Típico caso de edição equivocada, daqueles que leva um leitor a cancelar sua assinatura. As for you, darling, fique feliz: o mundo todo e o resto da Itália seguem esperando sua visita. Você vai ver que, nesse caso, o que parece ruim é muito bom. Eu, como é de conhecimento geral, viajo pelo menos 250 dias a cada ano – e tantos anos tenho que não vale a pena sequer contar. Sempre que retorno, however, sinto que ainda há muito mundo para eu editar e mostrar a vocês. Melhor ainda: essa perseguição pelos lugares jamais haverá de acabar.
Fonte: Facebook
quinta-feira, 1 de junho de 2023
REVOLUÇÃO PELA EDUCAÇÃO - URGÊNCIA DE UMA NOVA CONSCIÊNCIA

Marilise Brockstedt Lech
A chave para que o processo de humanização pela educação aconteça está nas pessoas e nas trocas que acontecem entre elas. Estas trocas acontecem por meio de um “fio invisível” que se forma na medida que existe uma boa comunicação, respeito e aceitação das diferenças, alegria pelo encontro e confiança no vir a ser de si e do/no outro.
A história da humanidade mostra o quanto as revoluções são necessárias para que hajam saltos no desenvolvimento humano. Passados os períodos da pré-história, o período clássico da Grécia e Roma antigas, a Idade Média, a Renascença – revolução das artes, a revoluções da ciência, da indústria e da tecnologia, faz-se urgente que a revolução da consciência humana se intensifique, caso contrário, tudo que se criou até aqui, pode voltar-se contra nós.
As tecnologias podem nos ensinar, mas não são capazes de nos educar. Nos tornam sujeitos mais informados, mas não sujeitos mais humanos, no sentido de sentir-se integrado a uma comunidade humana que se solidariza com “seus outros”.
A chave para que o processo de humanização pela educação aconteça está nas pessoas e nas trocas que acontecem entre elas. Estas trocas acontecem por meio de um “fio invisível” que se forma na medida que existe uma boa comunicação, respeito e aceitação das diferenças, alegria pelo encontro e confiança no vir a ser de si e do/no outro.
Para sermos humanos, não basta nascermos com a mesma fisiologia do homo sapiens. Precisamos nos desenvolver na maneira de viver em uma comunidade humana. Assim, a educação é o processo de transformação que acontece a partir da convivência, que nos leva a nos reconhecermos, também, no outro. É esta “ecologia” que forma, em nós, a capacidade de justiça, empatia e amor. Para Maturana (2014) é o amor que cria os “fios invisíveis”, pelos quais “desliza” a educação humana entre as pessoas.
Em tempos de alto desenvolvimento tecnológico, de conhecimentos prontos e de fácil acesso, as instituições de ensino de todos os níveis buscam se reinventar.
O momento de transição que vivemos requer o estabelecimento de novos paradigmas que tenham base em concepções mais integrativas, interdisciplinares e complexas – tecidas em rede, em contrapartida ao pensamento fragmentado e até mesmo descontextualizado que caracterizou o último século.
Não cabe mais a transmissão de conteúdos com ênfase na memorização sendo apresentados a estudantes enfileirados, debruçados sobre suas classes. O desafio é que os professores façam tudo aquilo que as máquinas não conseguem fazer, tal como dar sentido ao conhecimento, gerar emoção, ser exemplo de profissional comprometido, criar engajamento, etc… ou, seja, a pessoa que ele é, conta tanto quanto os conhecimentos que ele tem.
Além de ser um provocador e de instigar a curiosidade e a capacidade crítica dos estudantes, a fim de que eles sejam ativos nestes processos de mudança, o professor precisa estar consciente do quanto influencia seus alunos a serem boas pessoas e bons profissionais. Assim, o processo educacional não ocorre apenas no nível do saber, mas como defende Delors (1999), ocorre também com base nos pilares do fazer, conviver e ser.
A era digital chegou para facilitar a comunicação e ampliar a difusão de informações. Contudo, isso não significa que vai favorecer o desenvolvimento humano. O que temos em mãos só ganha sentido quando sabemos utilizar na direção do bem e do bem-estar das pessoas, conduzindo-as, como diz Cortella (2014) a um “Eu maior”, que ultrapassa o individualismo e enxerga o mundo ao redor como uma extensão de si mesmo, a partir da empatia e da sinergia que deve harmonizar as relações entre as pessoas, as coisas e o mundo.
* Esta reflexão foi publicada na Revista Água da fonte, revista da Academia Passo-Fundense de Letras, ano 17, Número 20, Dezembro de 2021.
Autora: Marilise Brockstedt Lech, Psicóloga Educacional, Doutora em Educação, Cadeira 39 da APLetras
Fonte: https://www.neipies.com
LUGARES
FORT DI BARD - VALE D'AOSTA - ITÁLIA
Traduzido do inglês-Fort Bard, também conhecido como Bard Fort, é um complexo fortificado construído no século 19 pela Casa de Sabóia em uma proeminência rochosa acima de Bard, uma cidade e comuna italiana na região do Vale de Aosta, no noroeste da Itália. Fort Bard foi completamente restaurado após muitos anos de negligência.
NÃO TROPECE NA LÍNGUA
POR UM LADO E POR OUTRO...
--- Li que são regras de paralelismo que não se deve usar a expressão “por outro lado” no início de frases sem que antes haja “por um lado” expresso, mesmo que anteriormente esteja subentendida a ideia de oposição. A. C., Brasília/DF
Em primeiro lugar, deve ficar claro que a expressão “por outro lado” pode ser usada, sim, “isoladamente”, como elemento de transição que é.
Sabe-se que um dos recursos para dar conexão entre ideias é o uso das chamadas partículas, locuções ou expressões de transição. São elas que permitem encadear de maneira coerente vários enunciados. O autor do prestigiado livro “Comunicação em Prosa Moderna” (14ª ed. 1988), Othon M. Garcia, separa-as em grupos analógicos que encerram o sentido de “prioridade, relevância [como ‘primeiramente, antes de mais nada” etc.] / tempo / semelhança, comparação, conformidade / dúvida / certeza, ênfase / surpresa, imprevisto / esclarecimento / propósito, intenção / causa e consequência / resumo, conclusão / lugar / oposição / adição, continuação”.
No último grupo citado encontramos “por outro lado, além disso, ademais, outrossim, também”, entre outras locuções e partículas.
Vejamos um exemplo prático:
Como expusemos anteriormente, na década de 1910 o Estado chamava para o espaço escolar as camadas pobres da população, incluindo os negros. Por outro lado, a inclusão dos negros na escola deveu-se em alguns casos a uma oportunidade apadrinhada. O caso mais conhecido é o do poeta catarinense Cruz e Sousa.
Tanto é uma expressão a ser usada por si mesma que ela tem substitutos ou equivalentes:
- De outra parte...
- Por seu turno...
- Por sua vez...
- Por seu lado / De outro lado
- De outro ponto de vista...
- Sob outra perspectiva...
No tocante ao paralelismo mencionado na consulta, o que na verdade não pode ocorrer é você usar por outro (sem a palavra lado) sem colocar um por um lado anteriormente. Nem tampouco você pode dizer por um lado esquecendo-se do correspondente por outro (lado).
Aproveitando o espaço, vejamos dois exemplos de pontuação usada com ambas as expressões. Note-se que elas não precisam ficar necessariamente entre vírgulas.
Essa prática tem suas raízes históricas nos critérios estéticos neoclássicos impostos de um lado pela Missão Francesa (1816) e, de outro, pelo ensinamento de artes e ofícios (1549 a 1780) desenvolvido pelos jesuítas.
Ao longo dos anos 80 ocorreu a consolidação da sistemática da avaliação: por um lado, foram introduzidos aprimoramentos nos formulários de obtenção de dados, bem como sua progressiva informatização, foram criadas comissões de especialistas, etc.; por outro, a instituição oficial passou a consultar as áreas de conhecimento para obter indicações de nomes.
Fonte: www.linguabrasil.com.br
Fonte: www.linguabrasil.com.br
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