Oposição é igual a cachimbo: nasceu pra levar fumo. (Ex-deputado José Lourenço)
segunda-feira, 4 de maio de 2026
LUGARES
TREZE TÍLIAS - SC
Esta imagem mostra um momento de visita ao monumento da Águia do Tirol em Treze Tílias, Santa Catarina. Localização: Treze Tílias é conhecida como o "Tirol Brasileiro" devido à forte influência da imigração austríaca na arquitetura e cultura local. Monumento: A águia vermelha é um símbolo histórico do Tirol e representa força e liberdade. Contexto: O local é um ponto turístico popular na entrada da cidade. (Google)
domingo, 3 de maio de 2026
LIVROS
O Nosso Agente em Havana - Graham Greene
Por Manuel Cardoso
Sinopse:
Um representante de uma pequena empresa inglesa de
aspiradores, lojista quase arruinado, vive angustiado com os eternos motins de
Cuba. Os negócios vão mal, muito mal e Milly, a sua bela filha, atormenta-o com
os seus caprichos.
Então, sob a forma de Mr. Hawthorne, um enigmático
cavalheiro que faz apelo ao seu sentido patriótico, explica-lhe coisas tão
estranhas como o modo de usar um livro de cifra, ou tinta invisível, ou a
utilidade das chaleiras elétricas para a abertura de cartas - a tentação surge.
Pouco a pouco, como aliás explica Hawthorne aos seus superiores hierárquicos em
Londres, a imaginação do pobre comerciante põe-se a trabalhar. E como, no nosso
mundo, a realidade não é coisa que se enfrente, a imaginação assim estimulada
virá a revelar-se mais verdadeira do que o próprio real…
Comentário:
Graham Greene é, definitivamente, um dos melhores contadores
de estórias da literatura do século XX. Na verdade, este escritor católico
inglês deixa-nos sempre sem fôlego perante uma escrita tão fluente e tão
“limpa”, despojada de qualquer adorno desnecessário ou divagação estéril.
Esta escrita sintética, onde nada é inútil ou dispensável,
nunca cai, no entanto, naquele laconismo da frase curta, estilo SMS que por
vezes encontramos por aí. Greene consegue, a meu ver, o equilíbrio perfeito na
economia da escrita.
Este romance é, em grande parte, uma espécie de paródia à
euforia quase histérica da espionagem internacional nos tempos da guerra fria.
No entanto aqui encontramos alguns estereótipos do humanismo literário, muito
bem explorados:
O agente secreto que é personagem principal da estória, Mr.
Wormold, não passa de uma caricatura do espião, um personagem ao mesmo tempo
credível e risível, com um toque de ridículo. No entanto, é impossível não
simpatizar com ele, que engana os ingleses sistematicamente inventando
situações de espionagem que o deixariam visto como um espião genial.
A filha, Milly, é uma adolescente boémia, desmiolada, mas
católica e até algo beata; trata-se de uma personagem excelente por causa deste
contraste que Greene aproveita muito bem para deixar um certo traço de cinismo
crítico.
Mas o aspeto que mais agrada neste livro é sem dúvida do
sentido de humor, bem na linha daquela que é, a meu ver a sua obra prima (O
Cônsul Honorário). Trata-se de um humor sarcástico, cínico e perfeitamente
encaixado no período em que Greene escreveu: o início da guerra fria. Um
exemplo bem expressivo: Wormold, para satisfazer os ingleses, desenhou as peças
de motor de um aspirador, numa escala muito maior. Os ingleses adoraram o seu
trabalho genial porque acreditaram tratar-se de terríveis máquinas de guerra
russas instaladas pelos rebeldes apoiados pelos russos. Obviamente tudo se
complicará quando os ingleses exigem fotografias…
Em suma, estamos perante uma obra leve, que faz rir e
sorrir, num estilo fácil e desenvolto mas que não deixa de refletir um lado
sério da questão: a guerra fria e o jogo por vezes ridículo da espionagem
internacional que marcou uma época.
Fonte: aminhaestante.blogspot.com.br
LUGARES
CAXIAS DO SUL - RS
A imagem mostra o Museu Ambiência Casa de Pedra, localizado em Caxias do Sul, Rio Grande do Sul. Construída no final do século XIX, por volta de 1878, pela família Bagatini (ou Lucchese/Luques), a casa é um dos principais símbolos da colonização italiana na região. A estrutura é feita de basalto (pedra), rejuntada com barro, com aberturas em madeira falquejada, representando o modo de vida dos imigrantes europeus. Transformado em museu pela Prefeitura em 1975, o local preserva móveis, utensílios e objetos da época, recriando o ambiente doméstico original com quarto, sala de refeições e cozinha. O museu está aberto para visitação, geralmente de terça a domingo. (Google)
sábado, 2 de maio de 2026
ROMANCE FORENSE
Dois amigos se desentendem ao conversar sobre o que tinha acontecido na festa onde haviam estado à noite.
Um deles, suspeitando que o outro assediara a sua namorada, oferece uma carona e, na volta para casa, inicia a discussão dentro do carro.
Questionamentos pra cá, ironias pra lá, a razão os abandona e então resolvem o impasse à força. Nada grave: resultam apenas manchas roxas decorrentes de socos de punhos de amigos.
Contudo, muito magoado, aquele que fora acusado de cobiçar a mulher do outro vira inimigo e registra ocorrência policial.
Feito o exame de corpo-de-delito, apenas lesões leves são confirmadas. Na semana seguinte, uma ação penal privada é ajuizada.
Na audiência de instrução, o autor comparece sem testemunhas - afinal, a briga não fora presenciada por ninguém.
Encerrada a instrução, a sentença em apenas uma linha, com curiosíssima afirmação, assim resume a lide: "Amigos até na hora de brigar por mulher, autor e réu lutaram como dois sanguinários.”
Quem leu, observa que o juiz sequer se deu conta do laudo médico. Outros, que a sentença (de improcedência) fora de um acerto brilhante, inclusive quanto à língua portuguesa.
Efetivamente, como lê-la? Lutaram como dois sanguinários, fazendo de conta, ou lutaram como dois sanguinários, com real ferocidade?
O estagiário e o assessor do gabinete tiveram que dar muitas explicações...
Fonte: www.espacovital.com.br
LUGARES
LONDRES - INGLATERRA
A imagem mostra uma icônica cabine telefônica vermelha, um símbolo tradicional de Londres, Inglaterra. Embora tenham sido originalmente projetadas para telefones públicos, muitas dessas estruturas foram preservadas como pontos turísticos ou transformadas em mini bibliotecas. O item é uma pequena estrutura projetada para privacidade e conveniência do usuário de telefone. O local retratado é um ponto popular para turistas tirarem fotos e selfies. (Google)
sexta-feira, 1 de maio de 2026
LUGARES
SOVANA - ITÁLIA
Sovana é uma pequena cidade no sul da Toscana, Itália, uma frazione de Sorano, uma comuna italiana da província de Grosseto. É um dos I Borghi più belli d'Italia. (Wikipedia)
quinta-feira, 30 de abril de 2026
O BODE E EU
Carlos Heitor Cony
Na crônica anterior, agradei e desagradei alguns leitores que enviaram e-mails me elogiando ou criticando. Comentando dois assaltos simultâneos, um na Linha Vermelha, outro na Amarela, acessos hoje principais ao Rio, perguntei por que não se construía um muro, uma espécie de tubo a céu aberto, para evitar assaltos, seqüestros e acidentes com animais.
Não sugeri que se transformasse as favelas existentes, ao lado das duas estradas, em guetos medievais, isolando os pobres dos ricos. Leram mal ou entenderam mal.
Em todo o mundo, as vias expressas, as "free-ways", têm algum tipo de proteção para garantir o fluxo e a segurança dos carros e, obviamente, de seus passageiros.
No caso das duas linhas expressas do Rio, grande parte delas é constituída de viadutos, que os isolam da paisagem circundante, tornando difícil os assaltos e impossível a invasão de animais.
Além disso, há trechos desertos que não precisariam de proteção, são pantanosos, impedem que animais e bandidos cheguem até às pistas.
A proteção seria limitada a pequenos trechos, não para cercar as favelas, que estão mais ou menos distantes, mas para cercar as estradas.
Os moradores da região não ficariam confinados, os acessos normais estariam livres para ir e vir, eles não usam as estradas de alta velocidade, onde não existem pontos de parada nem cruzamentos.
De qualquer forma, alguma coisa precisa ser feita. Mês passado, levando um amigo ao aeroporto, um bode atravessou a pista. Chovia, a visibilidade era pouca. Na velocidade que vinha, mataria o bode e certamente eu não estaria aqui, enchendo os leitores.
Fonte: Folha de S.Paulo - 30/11/2004
LUGARES
JARAGUÁ DO SUL - SC
Localizado no prédio da antiga prefeitura, na Praça Ângelo Piazera, o Museu Histórico Emílio da Silva é uma instituição sem fins lucrativos, vinculada à Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer e mantida pela Prefeitura Municipal de Jaraguá do Sul. Para proteger o patrimônio museal, desenvolve ações de preservação, pesquisa e estudos, estimulando a releitura crítica das coleções de valor histórico, artístico e científico, e também promove o desenvolvimento de projetos culturais, a fim de conhecer o passado, compreender o presente e construir o futuro da sociedade.
quarta-feira, 29 de abril de 2026
O GOLPE DO BAR
Defronte à antiga Faculdade de Direito, lá nos altos da agência Ford, em Caxias do Sul, funcionava um bar minúsculo, desses que cabem mais histórias do que fregueses. Foi ali que o Mário e eu chegamos num final de tarde qualquer, com aquela pressa calma de quem só quer um cafezinho para manter o estudante acordado, eis que que as aulas ocorriam à noite.
Encostados ao balcão, de pé, saboreávamos o café quando surgiu a figura: um jovem que eu conhecia apenas de vista, presença frequente na praça central. Era desses que não caminhavam, circulavam; não conversavam, garimpavam. Especialista em encontrar incautos e lapidar histórias conforme o brilho do possível lucro. Um aprendiz de estelionatário, digamos assim, ainda em fase de estágio supervisionado pela própria esperteza.
Eu sabia bem de seus truques. Trabalhara perto da antiga agência do Banco do Brasil, território profissional do rapaz, onde ele exercitava sua arte com a constância de um funcionário público — só que sem crachá.
No bar, ele se aproximou do Mário e, com grande teatralidade, esfregou o polegar no indicador: o gesto universal do “dinheiro”. Em seguida, passou a gesticular como quem dizia ser surdo e mudo, compondo um personagem digno de um cinema mudo de quinta categoria. Estrategicamente, posicionei-me às suas costas, pronto para qualquer sinal de alerta, como um anjo da guarda especializado em golpes de baixo orçamento.
Enquanto o estranho diálogo gestual avançava, enfiei a mão no bolso e encontrei uma moeda. Soltei-a no chão, casualmente. O tilintar metálico ecoou no bar como um sino de igreja. Milagre imediato: o pseudo surdo virou-se num átimo. O mudo, então, recuperou a audição e a orientação espacial. Ao iniciar o movimento para apanhar a moeda, fui mais rápido: pisei firme sobre a mesma, selando o milagre inverso.
O Mário, que já havia entendido a cena, caiu na gargalhada, café quase saindo pelo nariz. O jovem, percebendo que sua encenação fora desmascarada por uma simples moeda de troco e um pé bem colocado, desistiu da apresentação. Escapuliu do bar com a dignidade possível, provavelmente em busca de plateias menos críticas e bolsos mais distraídos.
Ficamos nós ali, com o café já frio e a certeza reconfortante de que, às vezes, um pouco de atenção e uma moeda no chão bastam para encerrar um espetáculo inteiro.
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