terça-feira, 2 de agosto de 2016

ROMANCE FORENSE

Charge de Gerson Kauer
“Dei porque quis” !

Na empresa de engenharia, a Virginia (solteira) era uma funcionária competente e curvilínea. E foi, justo por esse dublê, que ela atraiu a admiração profissional e a cobiça pessoal do gerente-geral Onofre (casado).

Depois de alguns meses de momentos interrogativos, eles passaram a fugidios combates de Eros, em leitos de motéis. Os encontros eram esporádicos mas profundos.

Um dia, “por razões de adaptação aos apertos da economia brasileira”, a empresa demitiu Virgínia e pagou-lhe algumas das parcelas rescisórias.

Um mês depois, bateu na Justiça do Trabalho uma ação que – além de horas extras e outros reflexos – buscou “indenização por dano moral decorrente de assédio sexual praticado por superior hierárquico”.

Como, sobre o assédio, não havia prova documental e a prova testemunhal seria difícil, o juiz decidiu que iria a fundo nos depoimentos pessoais da reclamante e do gerente que supostamente “pulara a cerca”. Mas nem foram necessários os dois depoimentos. Primeira a depor, Virginia logo confirmou:

- Eu tive, mesmo, relacionamentos íntimos consentidos com ele...

Espantado o juiz ponderou:

- Mas vejo aqui na petição inicial da sua ação que a senhora reclama ter sido vítima de assédio sexual praticado por seu superior hierárquico.

A resposta da reclamante foi surpreendente:

- Isso aí foi coisa do meu advogado. Mas por uma questão de verdade e de respeito ao Onofre, eu lhe afirmo, doutor, que os nossos encontros íntimos foram pedidos por ele e consentidos por mim...

Quase atônito o juiz, foi reticente:

- E então, a senhora...

- Então, doutor, em síntese eu ´dei porque quis´ e só quero agora mesmo as minhas horas extras, que a empresa ficou me devendo.

Em poucos minutos houve o acordo: a empresa pagou R$ 5 mil a título de “labores extraordinários, dos quais, mediante o pagamento feito aqui mesmo em audiência, a reclamante dá plena e integral quitação à reclamada”.

E Virginia e Onofre saíram, cada um para o seu lado. E como dizem as fábulas, esperam ser felizes por muitos e muitos anos.


Fonte: www.espacovital.com.br

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