terça-feira, 18 de abril de 2017

DE VOLTA AO CARNEGIE HALL

Ruy Castro

Boa ideia, a de um novo concerto de bossa nova no Carnegie Hall, em Nova York, celebrando os 55 anos do concerto que, em novembro de 1962, acabou de implantá-la nos EUA. Tão boa, aliás, que se pensou nisso no 30º, 40º e 50º aniversário do espetáculo, sem resultado –pena, porque, em 1992, Tom Jobim e Luiz Bonfá ainda teriam participado.

Do show original, além de Tom e Bonfá, já se foram os cantores Agostinho dos Santos, Chico Feitosa, Ana Lúcia e Caetano Zama, o pianista Oscar Castro Neves, o saxofonista Paulo Moura, o guitarrista Durval Ferreira e os bateristas Milton Banana e Dom-Um. Continuam entre nós Carlos Lyra (83 anos), Roberto Menescal (79) e Sergio Ricardo (84), o cantor Normando Santos (84), Sergio Mendes (76), o contrabaixista Otavio Bailly (78), o trompetista Pedro Paulo (78) e, claro, João Gilberto (85). Todos, quero crer, estarão lá de novo, nem que seja na plateia.

Em 1962, meses antes do Carnegie Hall, a bossa nova já chamara a atenção de muita gente boa. O flautista Herbie Mann viera ao Rio em abril e gravara um disco inteiro com Jobim, Baden Powell e o pessoal do Beco das Garrafas. Na mesma época, em Nova York, Miles Davis estava gravando "Corcovado", mas o disco só seria lançado depois do estouro de Stan Getz e Charlie Byrd com "Desafinado". Ou seja, em novembro, a bossa nova já estava pronta para explodir no Carnegie.

Quem talvez não estivesse eram alguns dos astros do show, jovens que, acredite, ainda moravam com a mãe. O próprio Tom, 35 anos, esqueceu a letra de "Samba de uma Nota Só". Mesmo assim, a bossa nova arrebentou.

Mas imagine se, naquela noite, tivessem subido ao palco os safos e escolados Sylvia Telles, Johnny Alf, João Donato, Claudette Soares, Alayde Costa, Baden Powell, Tamba Trio, Bossa Três, Os Cariocas...

Fonte: Folha de S. Paulo

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