sábado, 9 de setembro de 2017

MR. MILES


Idade provecta, saúde perfeita

Nosso viajante informa aos leitores que, em função do calor excessivo, da enorme massa de turistas em movimento e de outros motivos pouco relevantes, não está inspirado para escrever uma nova coluna nesta semana, ainda mais que, em função de sua ida a Churchill, no Canadá, Trashie (a mascote siberiana) quase foi devorada por um urso polar. Por isso pede vênia para republicar uma coluna muito antiga — quase do tempo dos faraós — para voltar a explicar aos leitores sobre questões relativas à sua saúde, respondendo à perguntas recorrentes. Elas estão a seguir. 

Mr. Miles: o senhor nunca cansa dessa rotina de viajar? E como faz para enfrentar o stress do fuso-horário?
Monica Weinstein, por email

Well, my dear: sua pergunta é pertinente, indeed. Mas apenas do ponto de vista de um não-viajante. As you know, eu não viajo — eu vivo no mundo, o que é muito diferente. É claro que não sou nenhum super-homem, que me canso, me enfastio e tenho dores (ultimamente, by the way, tenho cobrado melhor desempenho de meu joelho direito, que tem decidido fraquejar em momentos de grande esforço). A diferença é que não sou um turista, tampouco um caixeiro-viajante ou um comissário de bordo. I never have to follow a schedule, a não ser que me determine a fazê-lo. Assim, Monica, se um lugar me agrada, vou ficando. If I feell sick, protelo a partida. Quando estou incomodado pelo frio, rumo para um lugar quente. Quando há excesso de agitação, dirijo-me para um endereço pacífico. A mobilidade, my dear, é ótima profilaxia e, sometimes, excelente remédio. Quanto ao jet-leg, Monica, confesso que nos primórdios da aviação, passei por alguns desajustes. Hoje sou perfeitamente capaz de desembarcar numa cidade às 6 da tarde com meu relógio biológico ajustado para as 6 da manhã e desfrutar de uma agradável happy-hour.

Mr. Miles, o senhor faz check-ups de vez em quando?
Dr. Martins Braga, por email

Thank you for your concern, doctor. Por insistência de minha tia Charlotte fiz uma avaliação geral de minha saúde no ano em que aqueles meninos de Liverpool lançaram, if I remember, o disco Yellow Submarine. Estava tudo em ordem, I must say. Depois disso, my friend, exceto pelas recidivas da malária que contraí no Congo, nos anos 50, não tive nada de grave a registrar. Ah, ia quase me esquecendo: fraturei alguns ossos em amazing adventures ao redor do mundo e sobrevivi a uma picada de escorpião na Namíbia, graças a uma garrafa de single-malt, o único e melhor antidoto disponível. Também sofro, raramente, de disenterias e gripes, que curo com ervas da ancestral sabedoria zulú e, of course, remédios de bons laboratórios. Não pretendo fazer outros check-ups, por três boas razões. A vida tem sido generosa comigo, sou partidário da teoria de que quem-procura-acha e, last but not least, minha tia Charlotte já não está entre nós, que Deus a tenha.

Para manter-se assim ativo em provecta idade, o senhor faz uso de alguma vitamina especial?
João Américo Magalhães, Belo Horizonte

Provecta, my friend, means avançada. E então eu lhe pergunto: provecta em relação ao quê? Considero-me, in fact, uma pessoa avançada, porque sou um ser semovente num universo sedentário. Quanto a minha idade, John, ela é justamente a que tenho: não está adiantada nem atrasada. Don’t you agree?

Não quero ser cabotino, mas é óbvio que minha “vitamina especial” é esse entusiasmo que conservo em descobrir lugares e pessoas. Uma tarefa tão agradável quanto eternamente desafiadora. No dia em que não houver mais dessas pílulas em minha farmácia espiritual, o jornal, I’m afraid, provavelmente terá de arranjar outro colunista.

Fonte: Facebook

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