Costumava ir à praia com a minha irmã mais velha. Meu cunhado ia nos finais de semana e voltava para Caxias para trabalhar. Então, sempre havia alguém da família para fazer companhia à minha irmã com os quatro filhos pequenos.
Era a Praia Rainha do Mar, destino de muita gente da região de Caxias mas também de Porto Alegre, da região do Vale dos Sinos e do Taquari. A colônia de férias do Banrisul era naquela praia e era o point da juventude, eis que nela funcionava uma boate.
As amizades de verão geralmente são efêmeras mas deixam sempre uma ponta de saudade. Uma dessas amizades aconteceu com um tal de Paulinho, que era de Porto Alegre. Apaixonava-se com facilidade e rompia seus namoros com mais facilidade ainda, o que fazia dele um sujeito dramático.
Ele havia se apaixonado por uma menina mas logo o romance terminou. Coisas de praia.
Por aqueles dias, junto com outros amigos, ocupamos uma mesa na boate do Banrisul, onde tomamos algumas cervejas. Só que o Paulinho não deixava o garçom retirar as garrafas vazias e ia posicionando as mesmas uma ao lado da outra, formando uma fila.
Num determinado momento, estávamos apenas o Paulinho e eu sentados, um de cada lado da mesa, enquanto os demais amigos estavam na pista de dança. Depois de muitas cervejas e aguentar sua interminável choradeira, eis que a paixão do Paulinho aproximou-se de nós e referindo-se às garrafas vazias, disse:
- Paulinho, o que é isso?
Com ares de vítima, o Paulinho, que àquelas alturas já enrolava a língua para falar, respondeu:
- Este é o muro da vergonha!

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