Dia de pagar todos os pecados. Explico: Percorremos uma via crucis, materialmente falando, que para minha surpresa tinha quinze (15) estações ao invés das tradicionais quatorze (14). Percorre-la, faz parte da visita ao Santuário Della Madona di San Luca. No primeiro dia aqui em Bolonha fotografei o santuário do terraço da Basílica de San Petrônio, donde se pode ter uma idéia do que teríamos pela frente.
Bolonha é famosa por seus pórticos. O que muita gente não sabe é que o maior pórtico do mundo é aquele que liga a Porta Saragoza ao Santuário hoje visitado. Com quase 4 km de extensão, o caminho porticado é dividido entre 1520 metros percorridos no trecho plano e 2276 metros no trecho em subida. Fizemos o segundo trecho. Mais informações
Da Porta Saragoza até a Basílica são superados 666 arcos – mas a numeração oficial pára no arco numero 661 – e 15 capelas. A maior parte da subida apresenta-se em forma de rampa e em alguns poucos trechos há degraus. Pelos nossos cálculos toda a extensão percorrida equivale a cerca de 1600 ou mais degraus. Algo como um prédio de cem (100) andares.
Enfrentamos o desafio com muita garra, assim como uma quantidade razoável de pessoas. Mas o destaque foram as pessoas da cidade, principalmente muitos jovens aproveitando as condições do local para a prática de exercícios físicos. Só o fato de o caminho ser feito à sombra em razão dos pórticos já é um apelo muito forte para enfrentar o percurso. Mas para quem não é chegado a enfrentar desafios, existe um trenzinho turístico que parte da Piazza Maggiore e faz uma parada às portas do Santuário.
A importância do santuário para a cidade tem a ver com o milagre da chuva. Diz-se que em abril de 1433 depois de uma série de tremores, as chuvas castigavam Bolonha, inundando a cidade, destruindo plantações, e prevendo tempos difíceis. Somente uma ajuda divina poderia controlar a fúria da natureza e para isso os sacerdotes resolveram trazer a pintura da Madonna di San Luca em procissão pela cidade. Assim que a imagem cruzou na porta de Saragoza, a chuva imediatamente cessou e as pessoas gritaram o milagre. Segundo a tradição todos os anos no mês de maio realiza-se a uma procissão revivendo o dia do milagre.
A nota negativa foi chegarmos ao alto no horário do meio-dia, encontrando a igreja fechada, sendo que a mesma só reabriria próximo das quinze (15) horas. Pensamos em almoçar pois tínhamos a informação da existência de uma pizzaria nas proximidades. Efetivamente existe a pizzaria, mas pelo jeito, a mesma funciona no mesmo horário da igreja. Só água e refrigerantes naquelas maquininhas pague-leve. Achamos que seria muito tempo de espera para visitarmos a igreja e inclusive a escalada de mais alguns degraus da torre, de onde teríamos uma visão panorâmica da cidade.
Mesmo assim conseguimos desfrutar de uma bela paisagem lá do alto.
Mas também colhemos duas fotos do Google tomadas de pontos não acessíveis aos mortais amadores como nós e que dão bem a ideia da grandiosidade do local.
Imagem: Tripadvisor.it
Então decidimos voltar, assim como outros tantos visitantes. Mas, tudo na vida tem suas compensações. Junto à Porta Saragoza, ao final da descida, bem próximo ao estádio do Bologna, encontramos a Trattoria Meloncello.
Pedimos dois pratos típicos de Bolonha: gramigna, que é uma pasta com ragú de carne e torteloni. Pratos deliciosos e dignos de receber menção nominal, com a nossa recomendação da Trattoria.
Gramigna
E, como estivéssemos exaustos, nada melhor do que um merecido descanso. Em casa fui procurar no Google informações sobre a 15ª estação na via crucis. Pois segundo a wikipédia, o Papa João Paulo II sugeriu que fosse criada uma décima-quinta estação para recordar a ressureição de Jesus, embora esta seja opcional. Está explicado.






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