domingo, 22 de novembro de 2020

MALAIKA

Boney M. - Malaika (Sun City 1984)


Malaika (My Angel)

Malaika, nakupenda Malaika
Malaika, nakupenda Malaika
Ningekuoa mali we, ningekuoa dada
Nashindwa na mali sina we, Ningekuoa Malaika
Nashindwa na mali sina we, Ningekuoa Malaika

Pesa zasumbua roho yangu
Pesa zasumbua roho yangu
Nami nifanyeje, kijana mwenzio
Nashindwa na mali sina we Ningekuoa Malaika
Nashindwa na mali sina we Ningekuoa Malaika

Kidege, hukuwaza kidege
Kidege, hukuwaza kidege
Ningekuoa mali we, ningekuoa dada
Nashindwa na mali sina, we Ningekuoa Malaika
Nashindwa na mali sina, we Ningekuoa Malaika

Malaika, nakupenda Malaika
Malaika, nakupenda Malaika
Ningekuoa mali we, ngekuoa dada
Nashindwa na mali sina we, Ningekuoa Malaika
Nashindwa na mali sina we, Ningekuoa Malaika
Malaika (Meu Anjo)

Anjo, eu te amo Anjo
Anjo, eu te amo Anjo
Queria casar com você, queria casar com você
Não posso por não ter dinheiro, queria casar com você Anjo
Não posso por não ter dinheiro, queria casar com você Anjo

Dinheiro é o grande problema da minha vida
Dinheiro é o grande problema da minha vida
O que posso fazer sou apenas seu jovem amigo
Não posso por não ter dinheiro, queria casar com você Anjo
Não posso por não ter dinheiro, queria casar com você Anjo

Querida eu só penso em você
Querida eu só penso em você
Queria casar com você, queria casar com você
Não posso por não ter dinheiro, queria casar com você Anjo
Não posso por não ter dinheiro, queria casar com você Anjo

Anjo, eu te amo Anjo
Anjo, eu te amo Anjo
Queria casar com você, queria casar com você
Não posso por não ter dinheiro, queria casar com você Anjo
Não posso por não ter dinheiro, queria casar com você Anjo
Em Arqueologia, você quase nunca acha o que planejou encontrar. (Mary Leakey, arquóloga inglesa)

LUGARES

CASCAIS - PORTUGAL

POLÍTICA DAS ANTIGAS

 POLÍTICA DAS ANTIGAS

Houve um tempo em que a campanha eleitoral era centrada nos comícios. A propaganda dos candidatos tinha seu ponto alto na distribuição de santinhos. Ainda não eram chegados os tempos de propaganda eleitoral gratuita, de carreatas e nem de showmícios. Fundo Partidário? Nem pensar.

Os candidatos a prefeito e vice, assim como os candidatos a vereador, percorriam os bairros e de casa em casa iam vendendo o seu peixe. 

Normalmente na parte da noite o partido ou a coligação organizava um comício. Havia distribuição de santinhos e fim. Sem rodadas de bebidas ou comilanças. 

Os comícios no meu bairro eram realizados no salão de bailes do nosso clube. Naquele local, ainda criança, tive o privilégio ouvir dois dos mais brilhantes tribunos da política gaúcha e brasileira: Nadir Rossetti e Pedro Simon. Foi um verdadeiro privilégio. Mas, já que não se fazem mais oradores como antigamente. 

Numa determinada eleição municipal um candidato do meu bairro resolveu inovar. Todos os domingos, no início da noite, ele organizava uma reunião dançante na casa de seus pais. Sempre havia comes e bebes. Em meio à diversão, de forma velada, eram enaltecidas as qualidades do candidato.

Foi a primeira vez que ouvi falar de "comícios" daquela natureza. O tal candidato deu-se bem. Foi algo inédito pois um jovem iniciante na atividade política suplantou velhas raposas de todos os partidos. 

Tempos depois corria à boca pequena que nos bailes, referido edil, que era solteiro, no meio da conversa indagava de seu par: 

- A senhorita sabe com quem tem a hora de estar dançando? E de pronto dava a resposta:

- Com o vereador mais jovem de Caxias. 

Se é verdade não sei mas ele era de um tipo meio folclórico, o que emoldura a versão com uma certa credibilidade. 

FRASES ILUSTRADAS


sábado, 21 de novembro de 2020

VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES 
Meraldo Zisman

A violência doméstica é uma questão global de saúde pública

O confinamento adotado como defesa contra a pandemia talvez seja necessário, mas pode gerar um aumento dos casos de violência contra mulheres, crianças e idosos. A violência psicológica é uma das formas mais prevalentes de violência doméstica, afetando mais as mulheres do que os homens, embora estudos sobre esse tema sejam escassos. 

As pesquisas abrangem muito pouco esse aspecto da agressão. Agressões, sejam elas físicas ou psicológicas, perpetradas por familiares (maridos, ligações estáveis, companheiros, namorados e até dos filhos e filhas maiores) contra mulheres de 60 anos ou mais quase não são mencionadas. Recente estudo comprovou que as participantes indicam mais frequentemente os abusos psicológicos e logo a seguir vem a queixa de serem negligenciadas. As mulheres mais velhas expressam sentimento de tristeza, raiva e medo, que incluem efeitos negativos sobre a própria Saúde. Enfatizo que tentativas dessas vítimas de recorrer aos serviços especializados não obtiveram muito êxito. 

Insisto: tornou-se imperativo criar uma rede de apoio tanto ao agressor quanto à vítima. 

É necessário e urgente o desenvolvimento de programas educacionais para os agressores e para as agredidas/confinadas. Durante o confinamento, seres vivos (humanos ou animais) são mantidos dentro de um espaço delimitado. Este tipo de violência contra as idosas ficou mais evidente durante a pandemia de COVID-19, quando vários países adotaram o confinamento (em inglês, “lockdown“), tentando evitar a circulação de pessoas para adiar o contágio de mais pessoas pelo novo coronavírus. 

Embora estejam alijadas dos processos de tomada de decisão, as mulheres são historicamente a maioria da população brasileira e compõem a maioria absoluta da força de trabalho relacionada ao assunto Saúde. Afirmo, sem medo de errar, que elas, as mulheres, têm papel fundamental para a superação das pandemias. 

Sublinho: louvar o que é deslembrado, torna querida a lembrança. Pois o que lembro, tenho, já afirmava Guimarães Rosa (1908-1967). 

Insisto: tornou-se imperativo criar uma rede de apoio tanto ao agressor quanto à vítima. 

Fonte: http://www.chumbogordo.com.br

Quando o homem olha demais para si mesmo, chega a não saber mais qual é a sua cara e qual é a sua máscara. (Pio Baroja Y Nessi, escritor espanhol)

LUGARES

KARLOVY VARY - REPÚBLICA CHECA

O PADEIRO

O PADEIRO
Rubem Braga

Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento — mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante me lembro de ter lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre a “greve do pão dormido”. De resto não é bem uma greve, é um lock-out, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o que do governo.

Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:

— Não é ninguém, é o padeiro!

Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo?

“Então você não é ninguém?”

Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lhe acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: “não é ninguém, não, senhora, é o padeiro”. Assim ficara sabendo que não era ninguém…

Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-lo para explicar que estava falando com um colega, ainda que menos importante. Naquele tempo eu também, como os padeiros, fazia o trabalho noturno. Era pela madrugada que deixava a redação de jornal, quase sempre depois de uma passagem pela oficina — e muitas vezes saía já levando na mão um dos primeiros exemplares rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, como pão saído do forno.

Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porque no jornal que levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônica ou artigo com o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro do meu coração eu recebi a lição de humildade daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; “não é ninguém, é o padeiro!”

E assobiava pelas escadas.

Rio, maio, 1956.

— Rubem Braga, no livro “Ai de ti, Copacabana”. Rio de Janeiro: Record, 2010.

Fonte: https://www.revistaprosaversoearte.com

FRASES ILUSTRADAS


sexta-feira, 20 de novembro de 2020

A ONDA ACABOU

A ONDA ACABOU
William Waack
Estadão 

A onda acabou e Bolsonaro é, agora, a perfeita expressão do ‘sistema’ que ele tanto detestava

A causa do fracasso eleitoral de Jair Bolsonaro nas eleições municipais é simples de ser resumida. Ele interpretou de maneira equivocada a onda disruptiva que o levou ao Palácio do Planalto em 2018. Achou que tinha sido o criador desse fenômeno político quando, na verdade, apenas surfava a onda.

O fato é que essa onda, depois de arrebentar o alvo primordial (as forças políticas ao redor do PT), se espraiou, perdeu sentido e direção, dividiu-se entre seus vários componentes antagônicos. Esvaziou-se, com Bolsonaro achando que apenas falando, apenas no gogó, manteria o ímpeto de uma onda dessas – um fenômeno político raro.

PROFISSIONALISMO – Na verdade, a principal lição oferecida a Bolsonaro pelas eleições do último domingo é a do primado da organização, capilaridade e peso das agremiações partidárias no horizonte político mais extenso. Pode-se adjetivar como se quiser o conjunto de partidos que elegeu o maior número de prefeitos e vereadores ou colocá-los onde se preferir no espectro político. O denominador comum entre eles é a existência de estruturas profissionais voltadas para a política.

É exatamente o que Bolsonaro desprezou logo que assumiu. Trata-se de um dos aspectos mais relevantes para ilustrar o fato de o presidente eleito com 57 milhões de votos há apenas dois anos ter um desempenho tão pífio como cabo eleitoral.

Todo dirigente populista, não importa a coloração política, cuida de criar um movimento para chamar de seu – com seus emblemas, palavras de ordem (ou “narrativa”), mitos e, sobretudo, uma estrutura razoavelmente hierárquica e definida, com sede e endereço.

IMPLODIU O PLS – Embora tivesse à disposição da noite para o dia um grande número de deputados federais e seus correspondentes recursos públicos, o surfista da onda política atuou para implodir o partido pelo qual se elegeu e não conseguiu colocar de pé nada parecido a uma agremiação consolidada com um mínimo de coesão.

É bem provável que Bolsonaro tenha sido vítima do mito que criou para si mesmo (e dá provas quase diárias de acreditar nisso piamente): a de ter sido escolhido por Deus e beneficiado por um milagre (sobreviver à facada) para conduzir o povo do Brasil.

Com tal ajuda “de cima”, é só esperar as coisas acontecerem.

LIMITES DAS REDES -Ocorre que mesmo os homens tornados mitos por desígnio divino precisam, como dizem os alemães, do “Wasserträger”, aquele que vai trazer a água. E isto não se consegue apenas com redes sociais.

Foi outro aspecto interessante das eleições de domingo: a demonstração dos limites de atuação das ferramentas digitais, que adquiriram relevância permanente como instrumentos de mobilização, sem serem capazes por si só de garantir predominância na luta política.

Passada a onda disruptiva (alívio para alguns, desperdício de oportunidade histórica para outros), o que se pode prever para as próximas eleições, em relação às quais Bolsonaro sacrificou qualquer outro plano?

DESAFIO DE 2020 – Se ele foi capaz, em 2018, de vencer o “establishment” e o jeito convencional de fazer política, ainda por cima dispondo de menos recursos que seus adversários “tradicionais”, em 2022 Bolsonaro só tem chances dentro do que ele mesmo chamou de “sistema”.

Do qual, ironicamente, o “outsider” acabou se tornando uma perfeita expressão: vivendo para o próximo ciclo frenético de manchetes, sem um plano ou estratégia de longo prazo, cuidando em primeiro lugar de seus interesses familiares e paroquiais, cultivando popularidade com programas assistenciais e preocupado acima de tudo em ficar onde está. É onde a onda nos deixou.

Fonte: Tribuna da Internet
Aos tímidos e indecisos tudo parece impossível porque assim lhes parece. (Sir Walter Scott, escritor escocês, 1771-1832)

LUGARES

LUBLIANA - ESLOVÊNIA

MR. MILES


A geopolítica emocional do grande viajante

Nosso intrépido viajante fez uma viagem relâmpago até Bergen, na Noruega, com o objetivo de comemorar os 50 anos de casamento de Lars de Dragun e Borhilde Nöstrom, velhos amigos do tempo em que mr. Miles praticava esqui nórdico.
A seguir, a pergunta da semana:

Mr. Miles: sou checo e vim para o Brasil fugindo de uma Europa convulsionada, sempre em brigas por poder e fronteiras. Quando tudo parecia melhor, a Europa está empobrecida, a Rússia come pedaços de Ucrânia, a Escócia quer se separar de sua Inglaterra. O que o senhor acha disso tudo? (Pavel Novak, por e-mail)

Well, my friend: antes de responder à sua pergunta, quero deixar claro que não sou um especialista em geopolítica e tudo o que posso lhe dizer vem da experiência e dos conhecimentos que adquiri como viajante. 

Meus leitores tradicionais sabem que sou um universalista: acredito, indeed, que todos os lugares da Terra pertencem aos que nela habitam e são, therefore, uma extensão de seus próprios jardins. Acredito, as well, que as diferenças entre os povos são admiráveis e que só temos a aprender com elas, investigando seus motivo, sua História, seus talentos e fraquezas.

Unfortunately, dear Pavel, nem todos pensam como eu. Governantes de inúmeros países do mundo fazem exatamente o contrário do que proponho. Erguem muros invisíveis em suas fronteiras. Discriminam seus estrangeiros e, last but not least, usam seu poderio militar ou demográfico para subjugar áreas que lhes interessam, sobretudo do ponto de vista econômico. Sempre, by the way, haverá pretextos para essa perfídia e, sempre, também, as populações dessas nações ocupadas por um ou por outro iludir-se-ão com a perspectiva de que a vida vai melhorar. E, oh, My God, vão terminar por sofrer.

Não tivesse eu tão provecta idade e tão longa vida de espectador do comportamento humano, até poderia imaginar que os recentes caminhos da globalização, da comunicação instantânea e da popularização das viagens seriam – todos eles – sinais de aproximação afetuosa entre os povos. Imagine, Pavel, se isso realmente fosse possível, que amplitude de ideias, tecnologias, culturas poderíamos compartilhar? E, no entanto, o que vejo nessas redes sociais (raramente, I must say, porque ainda prefiro a comunicação epistolar) são pessoas compartilhando convicções! Como me apavoraram os convictos! Eles já sabem tudo, sem conhecer absolutamente nada. Eles têm fés, posições políticas, enquadramentos morais, sexuais, culturais. Eles sabem o que é bom e o que é ruim sem ao menos conhecer uma bilionésima parte do que pode ser bom ou pode ser ruim. Falta-lhes humildade. Mais vale ouvir e olhar do que falar e tentar convencer.

Forgive me por tantas digressões, dear Pavel. However, eu acho que é por essas razões que as histórias se repetem. Porque somos soberbos! E por isso mesmo seguimos errando.

Sobre a Escócia, que é, of course, um assunto ao qual sou muito ligado, é evidente que considero anacrônico esse sentimento separatista. Anyway, não faz muita diferença. Eles querem continuar com o nosso dinheiro e, mais que tudo, insistem em ter nossa querida Queen Elizabeth II como sua própria rainha também. Por mim, que façam o que julguem melhor – desde que não deixem de produzir o meu scotch de cada dia. De minha parte, seguirei não usando as suas saias kilt, não acreditando em Nessie (N. da R.: o discutido monstro do Lago Ness) e – o mais importante – não pronunciando as palavras como se estivesse com uma batata quente na boca. Don’t you agree?”

Fonte: O Estadão

FRASES ILUSTRADAS


quinta-feira, 19 de novembro de 2020

SEGUNDAS ONDAS

SEGUNDAS ONDAS
Hélio Schwartsman

O número de casos de Covid-19 voltou a subir, e não é só na Europa

Por alguns meses, pareceu que a Europa havia vencido a Covid-19. Mas, a partir de outubro, vários países começaram a registrar aumento nos casos. Agora, a tal da segunda onda está mais do que caracterizada. E não é só a Europa. Os EUA, embora nunca tenham controlado as transmissões, assistem agora a novos picos.

A primeira explicação para o recrudescimento foi climática. Com a aproximação do inverno boreal, as pessoas passam mais tempo em ambientes internos, o que favorece o contágio. Isso é parte importante da equação, mas não é tudo.

Nações asiáticas (China, Taiwan, Coreia do Sul) mantêm as infecções sob controle, apesar do clima mais frio, e localidades do hemisfério Sul registraram altas mesmo com o calor. Aconteceu até no Uruguai, um dos países que mais sucesso tiveram na contenção da epidemia. Em São Paulo, vivemos um preocupante aumento das internações por Covid-19 que pode prenunciar coisa pior.

Uma hipótese para explicar isso é a do esgotamento do ego, um nome pomposo para cansaço. As pessoas conseguem manter-se disciplinadas, mas não indefinidamente. A força de vontade tem limites.

Foi o psicólogo social Roy Baumeister quem lançou a ideia de que o autocontrole funciona como um músculo, sujeito a episódios de fadiga, mas que também pode ser fortalecido por exercícios. Pesquisas empíricas deram suporte a esse modelo.

Durante meses, populações que podiam mantiveram o afastamento social, mas, quando surgiram sinais de que a situação melhorava, recaíram nas velhas rotinas, o que reacendeu a epidemia. Na Europa, trabalhos mostraram uma associação entre as novas infecções e eventos de supertransmissão ligados a viagens de férias, festas, vida noturna. Algo parecido parece ocorrer em São Paulo.

Como a vacinação em massa e o esgotamento dos suscetíveis ainda estão distantes, só nos resta tentar exercitar o autocontrole. Na Ásia, estão conseguindo.

Fonte: Folha de S. Paulo
Se você acha que a educação é cara, experimente a ignorância. (Deek Bok)

LUGARES

BRUGES - BÉLGICA

NÃO TROPECE NA LÍNGUA



CRASE COM NOMES

Como já foi visto, a crase envolve, além de um substantivo feminino determinado, a regência da preposição "a". Não só verbos (V. Não Tropece na Língua 071) mas também nomes – substantivos, adjetivos e advérbios – regem ou se servem da preposição "a" para se relacionar com os substantivos ou outros termos regidos. Por exemplo: horror a lugares fechados; útil a tanta gente; paralelamente a isso... Se depois desses nomes intermediados pela preposição "a" for colocado um substantivo feminino determinado, teremos a a,  o que implica uma crase e o uso do acento indicativo dessa crase/fusão. Nesses casos, valer-se do artifício da troca do substantivo feminino pelo masculino é muito bom para tirar a prova dos nove:

Manifestou seu horror à depredação [ao estrago] do patrimônio público.
É um instrumento útil à maioria [ao grosso] dos trabalhadores.
Paralelamente à exposição [ao espetáculo] haverá distribuição de cestas básicas.

É possível fazer a associação de nomes a verbos. Há alguns nomes que apresentam o mesmo regime dos verbos de que derivam. É o caso, por exemplo, dos verbos abaixo:

OBEDECER. Obedeça à sinalização. - Devemos obediência às leis de trânsito. É uma criança obediente à sua mãe. Agiu obedientemente à legislação em vigor.

EQUIVALER. Equivale a um terço do negócio. - É equivalente à terça parte.

REFERIR-SE. No seu discurso, o presidente referiu-se à má distribuição de renda. - No seu discurso, fez referência à má gestão das empresas.

VINCULAR-SE. O diretor vinculou-se a uma associação de benfeitores do esporte. - A associação está vinculada às empresas do setor metalomecânico.

Grande parte dos nomes que exigem a preposição "a", contudo, derivam de verbos com diferente regência. Em geral, verbos transitivos diretos:

Vou APOIAR a formação de um novo grupo de trabalho. - Vou dar apoio à formação de um novo grupo de trabalho.

Salários baixos não INCENTIVAM a eficiência e o desempenho. -  Salários baixos não são incentivo à eficiência e ao desempenho.

Margarida APRECIA a sogra. - Margarida tem apreço à sogra.

Eles AMAM a pátria em que nasceram. - Eles têm amor à pátria em que nasceram.

Sempre ELOGIO as pessoas esforçadas. - Sempre faço elogios às pessoas esforçadas.

PREFERIU a uva mais cara. - Deu preferência à uva mais cara.

CONSULTAMOS a entidade indicada. - Fizemos uma consulta à entidade indicada.

Para finalizar e variar um pouco, proponho ao leitor preencher as lacunas abaixo com à(s) ou ao(s), conforme o caso:

1. Foi fechado o acesso ___ ponte / ___ túnel.

2. Deu parecer favorável ___ cobrança / __ pagamento das alíquotas antes do prazo.

3. Faremos o acordo em cumprimento ___ alínea / ___ item 9.6 do edital público.

4. O governo liberou verbas destinadas ___ restauro / ___ recuperação do patrimônio atingido pelas cheias.

5. Vinha anunciando incursões bem-sucedidas em redutos tradicionalmente ligados ___ nobreza / ___ clero.

6. É necessária sua filiação ___ sindicato / ___ associação de funcionários.

7. A venda de “best-sellers” está restrita ___ supermercados / ___ bancas.

8. Não impôs nenhuma sanção ___ obras / ___ artefatos estrangeiros.

9. As demissões estão sujeitas ___ aprovação / ___ consentimento do Conselho.

10. Fez sua adesão ___ greve / ___ motim um pouco tarde.

Confira as RESPOSTAS CORRETAS: 1. acesso à ponte/ao túnel 2. parecer favorável à cobrança /ao pagamento 3. em cumprimento à alínea/ao item 4. destinadas ao restauro/à recuperação 5. ligados à nobreza/ao clero 6. filiação ao sindicato/à associação 7. restrita aos supermercados / às bancas de revistas 8. sanção às obras /aos artefatos 9. sujeitas à aprovação/ao consentimento 10. adesão à greve/ao motim.

Fonte: www.linguabrasil.com.br

FRASES ILUSTRADAS