quarta-feira, 12 de agosto de 2026

CARRO FORTE NO PEDÁGIO

Existem certos procedimentos que se justificam plenamente. Um deles é ver um carro forte estacionado junto a um estabelecimento bancário. Os seguranças, fortemente armados, se postam estrategicamente, enquanto que outros fazem a transferência do dinheiro. A encenação tem o mérito da presença, do corpo presente, o que tolhe dos eventuais assaltantes, o efeito surpresa. Até aí nada de novo. Compreensível, pelos mesmos motivos, é a forma de estacionar dos pesados veículos, geralmente em lugar proibido. O mesmo se dá quando em movimento, com técnicas que dificultam a abordagem dos meliantes. Isto tudo se apresenta como sendo fato comum uma vez que os assaltos à mão armada, em plena luz do dia, tem sido uma constante em nosso país. Vem daí aquela frase que diz que todo cuidado é pouco. Em que pese o aparato cinematográfico das operações que diariamente são realizadas por todo país e principalmente pelo fato de serem pessoas especialmente treinadas para lidar com o potencial perigo diário, há momentos em que a vigilância relaxa. Certa feita, retornando de Curitiba, presenciei um fato destes. Ao chegar na praça de pedágio um carro forte parou como todos os demais veículos. Em situações normais, ou seja, com veículos normais, geralmente quem efetua o pagamento é o motorista, posto que o guichê de cobrança fica para os lados deste. No caso em apreço não. O pagamento foi feito por uma pessoa, que suponho fizesse parte da segurança interior do próprio veículo. Para tanto, abriu a porta e desceu parcialmente da viatura para alcançar o dinheiro à pessoa que efetuava a cobrança, o que me fez supor que os vidros, evidentemente blindados, são fixos. Então pensei como o ser humano acaba tornando-se um robô. Fora da mesmisse da rotina diária, o homem acaba deixando de lado o treinamento e fica suscetível às ações inesperadas. Naquelas circunstâncias, os ocupantes do carro-forte haviam esquecido do fator surpresa e caso fossem assaltados, teriam reduzidas as chances de neutralizar os bandidos. Então fiquei pensando por que o carro-forte submetia-se ao pedágio, nos mesmos moldes dos veículos de passeio? Dadas às características especialíssimas, penso que não sendo dispensadas do pagamento ao menos deveriam estar dotadas, obrigatoriamente, daquele aparato eletrônico que permite a passagem pela praça de pedágio sem parar. Coisas nossas, infelizmente.

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