As melhores coisas do mundo não custam nada; caro é o motel. (Lisandro Campos, DJ)
terça-feira, 16 de junho de 2026
LUGARES
ALBEROBELLO - ITÁLIA
Essa foto foi tirada em Alberobello, uma cidade famosa na região da Puglia, no sul da Itália. As construções cônicas típicas são chamadas de trulli (no plural) ou trullo (no singular). Eles são feitos de pedra calcária sem o uso de argamassa, uma técnica antiga que permitia que fossem facilmente desmontados. Alberobello é reconhecida como Patrimônio Mundial da UNESCO por sua arquitetura única. (Google)
segunda-feira, 15 de junho de 2026
PODE-SE ESTAR FARTO DE RESPIRAR?
Ruy Castro
O que acontece quando um artista ou autor se torna refém de seu grande sucesso Tony Bennett nunca se fartou de cantar I Left my Heart in San Francisco; respirava por ela
Num papo há pouco com Armando Pittigliani, diretor artístico da então poderosa gravadora Philips nos anos 1960, ele me contou que Nara Leão, concorrendo no Festival da Canção de 1966 com "A Banda", de Chico Buarque, achava que ia vencer. Até aí, tudo bem. Só não queria gravar a música de jeito nenhum —era chata, repetitiva. Mas, claro, venceu e teve de gravá-la. E o pior: "A Banda" estourou, e Nara teve de passar o resto do ano viajando pelo país e cantando-a três vezes por noite.
O poeta Raimundo Corrêa (1859-1911) não podia sair à rua sem ser abordado por populares que lhe declamavam seu soneto "As Pombas" —"Vai-se a primeira pomba despertada.../ Vai-se outra mais... mais outra... enfim, dezenas...". O mesmo já acontecera com Francisco Octaviano (1825-89), poeta bissexto, mas que, um dia, em 1872, escreveu "Ilusão da Vida" —"Quem passou pela vida em branca nuvem/ E em plácido repouso adormeceu...". Resultado: onde quer que fosse, tinha de ouvir seu poema. Quase se arrependeu de tê-lo escrito.
Rubem Braga escreveu tantas crônicas sobre sabiás que o chamaram de "O sabiá da crônica". Era uma bela homenagem, mas se tornou um suplício para Rubem. Amigos começaram a presenteá-lo com sabiás, um atrás do outro, e sua cobertura na rua Barão da Torre, em Ipanema, famosa pelas plantas, frutas e verduras que ele cultivava, transbordou de gaiolas. Atraídos pelos colegas, os sabiás das vizinhanças começaram a aparecer sem aviso prévio e, de repente, o jardim de Rubem podia ser interditado pelo Ibama por excesso de sabiás.
Não sei o fim dessas histórias, mas não me espantaria se, a partir de certo ponto, o artista, refém do seu maior sucesso, comece a detestar aquilo que o fez famoso.
Ou não. Em 1990, perguntei a Tony Bennett quantas vezes já cantara "I Left My Heart in San Francisco". Ele disse: "Nunca fiz a conta. Mas ponha aí umas 30 vezes por semana desde 1962". Fiz gulp. Perguntei-lhe se já não estava farto da canção. E ele, rindo: "Posso estar farto de respirar?".
Fonte: Folha de S.Paulo - 22/11/2025
LUGARES
CRACÓVIA - POLÔNIA

Esta imagem mostra o Castelo Real de Wawel e a Catedral de Wawel em Cracóvia, na Polônia. O local serviu como a sede do governo polonês de 1036 até 1596, quando a capital foi transferida para Varsóvia. A igreja atual, erigida no século XIV, foi o local de coroação e sepultamento da maioria dos reis poloneses. O centro histórico de Cracóvia, incluindo a Colina de Wawel, foi inscrito na lista de Patrimônio Mundial da UNESCO em 1978. (Google)
domingo, 14 de junho de 2026
LIVROS
O Menino do Vagão
388 Páginas
SINOPSE
“Uma linda história de amor e salvação.” – Kristin Hannah, autora de O Rouxinol. Uma fantástica história de amizade nascida através do sacrifício e da necessidade de sobreviver durante a Segunda Guerra Mundial. Durante a ocupação nazista na Holanda, Noa, uma jovem de apenas 16 anos, engravida de um soldado alemão. Contra a sua vontade, ela é obrigada a entregar seu bebê recém-nascido para a adoção e é praticamente abandonada em um cenário de guerra e destruição. Em busca de abrigo, ela chega em uma pequena estação de trem no interior da Alemanha onde, em troca de comida e um lugar para dormir, ela passa a trabalhar. Até que em uma fria noite de inverno, Noa descobre um vagão de trem repleto de crianças judias roubadas de seus pais, com destino a um campo de concentração. Em um momento que mudará toda a sua vida, ela decide salvar um dos bebês judeus. E, talvez, recuperar a esperança que foi levada junto com o seu filho. Começa assim, a sua jornada em busca da liberdade. Em O menino do vagão, Pam Jenoff constrói personagens inesquecíveis e emocionantes para nos oferecer o poder que só uma ficção poderosa consegue criar: o olhar do passado para refletirmos o futuro e o que significa, verdadeiramente, sermos humanos. (https://dlivros.com/livro/menino-vagao-pam-jenoff)
LUGARES
PISA - ITÁLIA
Esta imagem mostra o Campo dos Milagres (Piazza dei Miracoli) em Pisa, Itália. Batistério de Pisa: A estrutura circular à esquerda é o Batistério de São João, conhecido por sua arquitetura complexa. O edifício maior à direita é a Catedral de Santa Maria Assunta, um exemplo do estilo românico pisano.
Esta famosa praça abriga os principais monumentos históricos da cidade, incluindo a famosa Torre Inclinada de Pisa, que não aparece inteiramente nesta foto. (Google)
sábado, 13 de junho de 2026
ROMANCE FORENSE
Papel para gente importante
O Palácio do Planalto está disposto a gastar R$ 50 mil em papel higiênico - não é coisa simples.
A licitação especifica: "matéria-prima virgem". Os pacotes devem conter "papel branco, macio, resistente e com folhas intercaladas".
Os rolos precisam ser de alta qualidade e sem perfume.
O edital também exige: "apresentar amostras para teste de qualidade"
* * * * *
Depois da crise do papel higiênico na Venezuela, agora está também o papel-jornal no país de Nicolás Maduro.
Isso quer dizer o seguinte: feliz de quem tem bidê em Caracas...
* * * * *
Os dois fatos acima instigam a que se repita uma historinha já divulgada, com grande repercussão, pelo Espaço Vital.
A então secretária Lúcia Mendes, da 4ª Câmara Cível do (extinto)
Tribunal de Alçada do RS, estava assoberbada, num começo de tarde, nos
momentos que precediam o início da sessão de julgamentos.
Um dos juízes chega atarantado em direção à mesa da servidora, pedindo:
- Papel, papel, por favor, urgente!
Lúcia então abre
uma das gavetas e dela tira um rolo de papel higiênico com florzinhas -
logo passado às mãos do magistrado, aparentemente aflito.
O juiz então pondera:
- Não é esse! É papel para eu anotar um telefone...
A secretária corrige:
- Desculpe-me, doutor, o senhor chegou tão desesperado, que eu pensei que fosse esse...
As gargalhadas dos colegas soam pela sala e pelos corredores.
* * * * *
O
rolo de papel higiênico volta à gaveta. E o constrangido magistrado
sai, rumo à sala de sessões, levando uma folha de papel A-4 em branco,
onde rabisca o número telefônico que não queria esquecer.
Fonte: www.espacovital.com.br
LUGARES
INNSBRUCK - ÁUSTRIA
A imagem mostra a Helblinghaus (Casa Helbling), um edifício famoso localizado na cidade velha de Innsbruck, Áustria. O edifício é conhecido pela sua fachada barroca rica em decorações de estuque rococó que lembram glacê de bolo. Embora tenha sido construído no século XV originalmente em estilo gótico, as decorações barrocas e rococó foram adicionadas posteriormente, por volta do início do século XVIII. Fica situado no coração da cidade, quase em frente ao famoso Goldenes Dachl (Telhado de Ouro). (Google)
sexta-feira, 12 de junho de 2026
LUGARES
PARIS - FRANÇA
Esta imagem mostra a Place du Châtelet em Paris, França. No centro está esta fonte monumental construída entre 1806 e 1808 para comemorar as vitórias de Napoleão Bonaparte. O topo da coluna é coroado por uma estátua dourada da deusa Vitória, segurando coroas de louros. A praça abriga dois teatros famosos, o Théâtre du Châtelet e o Théâtre de la Ville. (Google)
quinta-feira, 11 de junho de 2026
ENSAIOS SOBRE O PREÇO DE PENSAR
Pensar isola porque pensar rompe pactos silenciosos. A maior parte das relações humanas sustenta-se não sobre a verdade, mas sobre a conveniência, sobre aquilo que pode ser dito sem perturbar a superfície do convívio. O pensamento autêntico, quando emerge, age como um corpo estranho, ele interrompe o consenso tácito, desloca o conforto, desmonta certezas compartilhadas. E todo deslocamento profundo gera afastamento.
Há uma solidão própria do pensamento que não se confunde com misantropia nem com arrogância intelectual. Trata-se de uma solidão estrutural. Pensar exige tempo interior, exige silêncio, exige o afastamento gradual do ruído coletivo. Quem pensa começa, inevitavelmente, a perceber as engrenagens invisíveis das crenças comuns, os automatismos morais, as frases repetidas como orações vazias. E esse excesso de lucidez torna-se, paradoxalmente, um fator de exclusão.
O pensador passa a habitar um intervalo incômodo, já não pertence plenamente ao coro, mas tampouco encontra facilmente pares. O pensamento verdadeiro não cria comunidades imediatas, ele cria fraturas. Por isso, em sociedades orientadas pela velocidade, pela opinião instantânea e pela validação contínua, pensar é quase um ato antissocial. Não porque seja agressivo, mas porque é desobediente. Ele se recusa a aderir sem exame, a repetir sem reflexão, a sentir por contágio.
Pensar isola também porque desnuda. Quem pensa percebe o quanto grande parte dos vínculos é sustentada por ilusões necessárias, por narrativas frágeis que não resistiriam a um exame mais rigoroso.E ao enxergar isso, torna-se difícil continuar representando papéis com a mesma naturalidade. A espontaneidade social é, muitas vezes, um acordo de superficialidade. O pensamento rompe esse acordo, ainda que silenciosamente.
Há, porém, uma dignidade profunda nessa solidão. Pensar isola, mas preserva. Preserva a integridade interior, preserva a capacidade de não se dissolver no fluxo da massa, preserva a possibilidade de um olhar próprio. A solidão do pensamento não é um castigo, é o preço de não viver terceirizando a consciência.
Talvez por isso tantos fujam do pensamento. Não por incapacidade, mas por medo. Medo do isolamento, da ruptura, da perda de pertencimento. Pensar cobra caro, ele exige coragem para sustentar a própria lucidez mesmo quando ela não encontra eco, nem aplauso, nem companhia.
Pensar isola, sim. Mas é essa mesma solidão que impede que o indivíduo se transforme apenas em reflexo, em eco, em repetição. No fim, o preço de pensar é alto, porém o preço de não pensar é infinitamente mais devastador, a perda silenciosa de si mesmo.
Fonte: Facebook_Oliver Harden
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