sábado, 27 de maio de 2017

MR.MILES


Quando a companhia vale mais do que o destino

Muitos leitores consideraram que mr. Miles exagerou ao informar que tem mais de 800 passaportes encadernados.

"Sou muito cuidadoso com documentos diplomáticos. — explicou o viajante inglês — e guardo a todos como uma enciclopédia de minhas lembranças viajoras. É uma pena que hoje estejam trocando carimbos por chips. As memórias, nesse caso, ficam para os burocratas. Que, como se sabe, não têm qualquer sentimento". 

A seguir, a pergunta da semana:
Caro Mr. Miles: estou organizando uma viagem de familia — sete pessoas de três gerações — pela Garden Route, na África do Sul (que não conheço). O que devo fazer para encaixar tão diferentes interesses, sem criar mal-estar entre todos? Quero dizer que essa viagem é um antigo sonho e estou orgulhoso de poder proporcionar tudo isso, aos 80 anos, para meus filhos e minhas netas.
Gunter Kaisenberg, por email

Well, my dear Gunter: em primeiro lugar quero parabenizá-lo pela iniciativa. Levar a familia para viajar é um sonho de muitos patriarcas, mas nem todos tem saúde ou disponibilidade financeira para realizá-lo. In my opinion, o simples fato de que essa empreitada vai ocorrer já o desobrigaria de qualquer preocupação. Sua familia, I presume, deve estar muito grata e feliz por essa oportunidade.

Concordo com você: viajar em pequenos grupos de interesses distintos é sempre, indeed, um risco. Conheço muitos amigos de longa data que, por terem viajado juntos, nunca mais se falaram. Pior que isso, I'm sorry to say, são as viagens em que casais de relacionamento abalado tentam refazer seus laços. Unfortunately, isso quase nunca dá certo, porque por à prova laços tênues e desgastados é um convite a destroçá-los de vez.

São muito distintas, porém, as viagens de familia. Pelo tom de sua carta, a viagem pela Garden Route não tem nenhuma outra intenção que não a de celebrar a união de gente muito próxima em circunstâncias em que tudo é novo para todos.

Como você bem sabe, my friend, não tenho uma familia organizada de forma tradicional. Considero meus irmãos todos os amigos que fiz pelo mundo e algumas tias centenárias às quais, sempre que posso, cubro de mimos, mesmo tendo que, eventually, comer uma kidney pie (torta de rim) sem tempero. Admiro, however, aos que têm familia regular e se gostam a ponto de querer viajar juntos. Ouso dizer que sua viagem é fadada a um sucesso emocional sem tamanho. Você e seus convidados jamais se esquecerão desse convivio intenso. A Garden Route — uma bela estrada repleta de atrações entre Capetown e Port Elisabeth — foi ótima escolha. Mas aposto que tanto para eles como para você, muito mais que o destino, importa a companhia.

É natural que os interesses de tantas idades distintas não sejam os mesmos. Para gente que se gosta de verdade, porém, esse é um tema de menor importância. A tendência é que todos abram mão de alguma vontade para que a vontade de todos prevaleça. Nesse sentido, my friend, a sua escolha foi ótima. Além do propósito louvável do patriarca, viajar sem expectativas não causa decepções. Vocês vão descobrir o que querem em harmonia. Com certeza, haverá discordância sobre um ou outro item — o restaurante, o hotel, as paradas. Ponha essas questões na devida proporção: ensine aos seus descendentes o real valor de uma experiência como essa. Abra mão de certas preferências, para que os outros façam o mesmo. Divirtam-se, mostrem o quanto vocês se amam. E, ao fim e ao cabo, se você sentir que não conheceu o lugar como deveria, a solução é simples: volte e faça, da segunda vez, aquilo que achar melhor. Um último aviso: lembre-se que a África do Sul tem o trânsito à inglesa. O que, em outras crônicas, já demonstrei que é a mão correta de direção.

Fonte: Facebook

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