sábado, 9 de novembro de 2019
TIRO FESTIVO - SCHÜTZENVEREIN
TIRO FESTIVO - SCHÜTZENVEREIN
| Deutsch-Brasil Schützenverein ( Socidade de Atiradores), de Picada Santa Cruz, em foto de 1890. Acervo de Alice Asmann |
A mais antiga sociedade de tiro do Estado, a Schützengilde, foi fundada em 1863, por colonos alemães de Santa Cruz do Sul. Os clubes de tiro têm origem nas Corporações de Atiradores na Alemanha Medieval.
Na defesa contra abusos dos senhores feudais e do poder real, e também para proteger suas cidades e comércio de saqueadores e invasores, essas corporações treinavam seus elementos no manejo de armas e cultivavam o sentimento pátrio.
A recreação e a camaradagem levavam os participantes, em tempos de paz, a organizar competições de tiro.
Em 1885, surgiu a Federação das Associações de Tiro, por iniciativa da Sociedade Alemã de Tiro de Porto Alegre, que visava incrementar a prática do tiro ao alvo.
No ano seguinte, o primeiro torneio reuniu 109 atiradores em São Leopoldo, cidade com forte presença germânica e tradição nesse esporte.
Um desses clubes (provavelmente o da sede acima), até onde se sabe, ficava em frente ao Estádio da Baixada, no bairro Moinhos de Vento. Cartões-postais (foto baixo) eram confeccionados para saudar torneios importantes como esse de 1901.
| Foto: Acervo Arthur Matte |
Colaborou Alice Assmann
Fonte: clicrbs.com.br/almanaquegaucho
sexta-feira, 8 de novembro de 2019
quinta-feira, 7 de novembro de 2019
NÃO TROPECE NA LÍNGUA
LATINISMOS: sui generis, pari passu, e.g., apud, suso
--- Já ouvi pessoas falando coisas como: tal situação foi sugênere. Já procurei e não encontrei o significado da palavra sugênere, se é assim que se escreve. O que significa? C. C. F., Castanhal /PA
Essa é uma expressão latina cuja grafia correta é sui generis e quer dizer “de seu próprio gênero”, ou seja, significa que algo (fato, situação, caso) é único no gênero, é original, peculiar, singular, excepcional, sem semelhança com outro. Dizemos então: “tal situação foi sui generis”, “nunca vi disso: o caso é sui generis”.
--- Existe equivalente em português para a expressão latina pari passu? F. V., Florianópolis/SC
Existe: a par e passo. A locução adverbial pari passu quer dizer “em passo igual”, que algo é levado no mesmo passo, no mesmo andar ou ritmo. Frase do escritor José de Alencar: “Renasce a mãe no filho, volve à puerícia, para simultaneamente com ele, a par e passo, de novo percorrer a mocidade e a existência”. Um bom exemplo atual é este que encontrei num texto sobre História da Educação:
Os programas das escolas primárias acompanharam a par e passo as transformações da Escola Normal.
--- O que significa a expressão e.g. usada em livros e textos? R. M. F., Florianópolis/SC
A abreviatura e. g. toma as iniciais do latim “exempli gracia” e significa por exemplo. Também se usa, para o mesmo caso, v. g. , de “verbi gracia”, que pode igualmente ser abreviado em português: p. ex.
--- Qual o significado do termo apud que normalmente vemos em teses e dissertações? M. M. C. B., Petrolina/PE
Usa-se obrigatoriamente a palavra latina apud, ou sua abreviatura ap., quando se faz uma citação de segunda mão, isto é, a citação de uma citação. Em outras palavras, ela se refere à transcrição ou à paráfrase de uma frase ou um trecho de que só se tomou conhecimento na obra de outro autor. Isso dá a entender que a pessoa que transcreve a citação não leu o original, o que se justifica apenas no caso de ser uma obra de difícil acesso. No corpo da tese ou dissertação se faz, por exemplo, a seguinte indicação:
Ao tratar desse tema, em 1945 já afirmava Einaudi, apud Bobbio (1992, p. 215), que “os homens livres não devem renegar suas próprias razões de vida, renegar a própria liberdade de que se professam defensores”.
E nas referências bibliográficas só vai constar o autor do livro consultado/lido: BOBBIO, Norberto. A era dos direitos (edição ampliada). Trad. Carlos Nelson Coutinho. Rio de Janeiro: Campus, 1992.
--- Sou acadêmico de Direito e ao ler uma petição encontrei a palavra suso. Busquei seu significado no dicionário e não encontrei. O texto era mais ou menos assim: ...nos autos suso mencionados. Gostaria de saber seu significado. R. T., Vila Velha/ES
“Nos autos susomencionados” vale por “nos autos acima citados/ retromencionados/ supracitados/ susoditos ou sobreditos. O termo suso não é facilmente encontrável por ser considerado “desusado, antigo”. Juntando o que dizem os cinco dicionários (dos 19 consultados) em que se registra o elemento de composição suso, temos que se trata de preposição e advérbio, do latim susum ou sursum, com o significado de “acima, anteriormente, antes, atrás”. Observar que a grafia é sem espaço e sem hífen.
Fonte: www.linguabrasil.com.br
quarta-feira, 6 de novembro de 2019
O CORNETEIRO
O CORNETEIRO
Por Sérgio Jockymann
Pois, quando o Batalhão Provisório de Vila Velha recebeu ordem de marchar para São Paulo, o coronel Joaquim decidiu que estava na hora de fazer pelo menos uma ordem unida. Chamou o major Eustáquio do Estado Maior e disse:
- Olha, Eustáquio, quando corre bala é cada um por si e Deus por todos. Aí tem que haver um corneteiro dos bons, pra levantar as guampa do pessoal.
Ora, só havia em Vila Velha um corneteiro capaz de deixar todo mundo de guampa erguida, o Salustiano, preto como carvão, que segundo se dizia era capaz de tocar aqui e ser ouvido no inferno. Em trinta e dois o Salustiano andava meio cansado de revolução e foi com uma certa relutância que atendeu ao convite.
- Se for pra tocar, seu Joaquim, tou aí. Mas se for pra peleia, me faça o bem de chamar um mais novinho.
O coronel Joaquim prometeu de pés juntos que jamais em momento algum o corneteiro seria convocado para a luta.
- Tu sabe como é, Salustiano. É só pra botar ordem na bagunça.
- Pra peleia, eu dou um toque meio puxando a gaita. Pra retirada eu dou um toque puxando a mula.
Dito e soprado e todo mundo entendeu de primeira. De fato, o toque puxando a gaita arrancava o pessoal do chão e o jogava pra frente e o toque puxando a mula, fazia todo mundo dar meia volta. Agora nota por nota os dois eram a mesma coisa. Como nota por nota, o toque servia para tudo desde alvorada até silêncio, passando por rancho, continência e fosse lá o que fosse. O Salustiano soprando a corneta, o Batalhão do Provisório cruzou Santa Catarina, subiu o Paraná e teve o primeiro combate em solo paulista, onde se cobriu de glória, após uma carga de gritaria que acabou com a moral do inimigo. O Batalhão se portou tão bem que foi incorporado a uma Força especial, que deveria travar uma violenta batalha na semana seguinte. O coronel Joaquim concordou com tudo, mas quando falaram em corneteiro, ele saltou:
- Tem que ser o Salustiano.
O general comandante disse que dispunha dos melhores corneteiros do país e recusou o oferecimento. O coronel Joaquim ficou ainda remanchando, mas não conseguiu nada, pelo que foi para a tal batalha com o pior dos humores.
- Não ta me cheirando bem esse negócio.
De fato, o negócio não era de cheirar bem, porque o Batalhão devia recuar para atrair o inimigo e logo em seguida avançar e tudo isso seria ordenado através de vibrantes cornetadas. O cabo Salustiano magoadíssimo se recusou a seguir com o Batalhão e a moral da tropa não andava das melhores. Mesmo assim, o Batalhão tomou sua posição e ficou à espera do sinal. Quando soou a primeira cornetada, como um homem só, o Batalhão se jogou para frente, enquanto os oficiais se jogavam para trás. Nesta altura, o Quartel General danado da vida, achou que o mal estava feito e mudou o toque para avançar. O Batalhão sentiu a mudança e como um homem só deu meia volta e recuou. O Estado Maior estupefato viu suas linhas se desfazerem e ordenou retirada. Foi acorneta dar a ordem e o Batalhão inverteu a marcha e se lançou num ataque.
Nesta altura, o lado paulista ordenou retirada e quando as séries de cornetas começaram a soprar furiosamente, o Batalhão Provisório simplesmente não soube o que fazer. O único oficial, ainda metido na tropa, era o Surdinho Campos que consultado teve uma resposta memorável:
- Que corneta?
O lado paulista quando viu os legalistas em retirada ordenou o ataque. O Batalhão Provisório achou que era a sua vez de atacar e arremeteu para frente. Nem deu dez passos e os paulistas tocavam em retirada, pelo que o Batalhão Provisório deu meia volta. No Quartel General, um coronel declarou guerra à Vila Velha e um general expediu cinco telegramas perguntando de que lado brigava o Provisório. Nessa altura, a frente ia e vinha e um corneteiro gaúcho descobriu a seu lado um corneteiro paulista e os dois por sinal estavam tocando retirada. Isso aconteceu no exato minuto que as forças de retaguarda descobriram que estavam na vanguarda e o pessoal do remuniciamento entregou quinze caixas de balas para os paulistas. Os dois quartéis generais diante disso resolveram se render e quando as cornetadas da rendição soaram, o Surdinho Campos cuspiu de raiva e baixou uma ordem:
- Para o raio que os parta todos os comandantes. Toca pra frente e só para em São Paulo.
Em menos de três horas, o Batalhão Provisório havia aprisionado cinco regimentos paulistas, duas seções de metralhadoras, dois regimentos legalistas e um pelotão maragato, detido sob protesto do seu comandante que dizia:
- Essa guerra é outra, seu estúpido.
No dia seguinte, o Batalhão de Vila Velha foi mandado devolta por pura inveja como disse o coronel Joaquim. (JOCKYMANN, Sérgio. Vila Velha, Porto Alegre : Editora Garatuja, 1975, p. 14)
terça-feira, 5 de novembro de 2019
segunda-feira, 4 de novembro de 2019
A DITADURA DAS UNHAS
Fabrício Carpinejar
Que deixe uma semana sem fazer as unhas. Que se permita uma unha descolorida, uma unha gasta, uma unha desfeita, não há maior libertação do que participar de uma reunião com somente o coração da unha pintado e as bordas descascadas.
Que não se importe com o que o namorado pensa, com o julgamento do amor, com a cobrança da paixão. Peça primeiro para que ele arrume as cutículas das palavras e aja com educação e respeito.
Que não sofra com a obrigação da manicure semanal, a ponto de morrer pela aparência. A liberdade não é ansiosa. Não se escravize para agradar. Desligue a câmera dos outros em si.
Uma unha limpa e pura tem o seu valor, a sua sedução, a sua tranquilidade. Assim como os dentes, combinam com o guarda-roupa inteiro.
Não aceite a imposição de sempre cavar um horário a ponto de enlouquecer. Que o salão seja um prazer, que a bacia de água quente se faça em batismo. Não enxergue a poltrona como uma extrema unção, um deus-me-acuda, um senhor chefe me acusa.
A obrigação é machismo, achismo, controle. Que as mãos espalmadas não sirvam para algemas, e sim para o pássaro do pincel relaxar do voo e espalhar a tinta.
É inaceitável o jugo. A perfeição é pressão. Resista. Pule o calendário de vez em quando, salte a agenda ora e vez.
Qualquer pessoa riscará as unhas digitando, mexendo no celular, dirigindo o carro, escolhendo as chaves. Não é problema do esmalte, mas de mentalidade. Não volte para reparar, não entre em pânico para corrigir: abandone as cismas pelo improviso.
Não existe como se prevenir do acidente, da fricção, do contato. Mulheres não são bonecas para a exibição em caixa e plástico. Unhas desfeitas não correspondem a defeitos de fábrica. Cuspa as pilhas para fora das costas. Não se apequene para se mostrar impecável. Não se diminua para impressionar.
A naturalidade é afrodisíaca. Segure a felicidade com a ponta das unhas, sem medo de estragar.
Fonte: Facebook
domingo, 3 de novembro de 2019
sábado, 2 de novembro de 2019
APORELY PRESTA EXAMES
APORELY PRESTA EXAMES
Aparício Torelly, o posteriormente famoso Barão de Itararé - título autoconcedido em homenagem à maior batalha da Revolução de 30, que acabou não acontecendo - cursou durante anos a Faculdade de Medicina. Como não estudava, repetiu de ano várias vezes, não conseguindo concluir o curso.
Aparício Torelly, o posteriormente famoso Barão de Itararé - título autoconcedido em homenagem à maior batalha da Revolução de 30, que acabou não acontecendo - cursou durante anos a Faculdade de Medicina. Como não estudava, repetiu de ano várias vezes, não conseguindo concluir o curso.
Nas provas orais, diante de professores cansados de propor questões de cuja resposta Aporely, geralmente, sequer desconfiava, aconteceram pequenas maravilhas.
O catedrático, farto, puxou um osso de dentro da gaveta e apontou-o para Aporely:
- O senhor sabe o que é isto?
- Não senhor.
- Então deixe que lhe apresente: é um fêmur.
Aporely levantou-se e, segurando solenemente o osso pela outra ponta:
- Muito prazer.
A um exausto e sarcástico examinador, que propôs arriscasse, pelo menos, algum palpite, respondeu:
- Palpite só no prado.
A outro mestre, cansado, que fazia a última pergunta, bem fácil, para vê-lo acertar pelo menos uma:
- Seu Torelly, quantos rins nós temos?
- Quatro, professor.
- Quatro?
- Sim. Os seus mais os meus.
Durante um exame, a questão versava sobre os produtos naturais em que o carvão estava presente - desde o "carbono natural" ao "negro animal"; o inquiridor, brincando, fez um trocadilho, ao flexionar significativamente as palavras:
- Me dá um exemplo de carvão, bruto!
Aporely respondeu a pergunta corretamente, mas também não deixou de sugerir a pausa vocativa:
- Negro, animal!
Em outra oportunidade, a sala estava repleta, com várias bancas examinando simultaneamente. Entrou um servente e perguntou aos professores se desejavam alguma coisa. O que questionava Aporely disse, em alto em bom som, gozando o aluno que nada sabia:
- Traga um fardo de alfafa.
O bedel já saindo, sua mão girando o trinco da porta, quando Aporely levantou o indicador e gritou:
- ... E, para mim, um cafezinho.
Até que - finamente - depois de muitas tentativas infrutíferas, Aporely conseguiu passar de ano! Resolveu festejar condignamente. Morava numa pensão da Rua da Praia, em cujo andar superior havia uma sacada de ferro com corrimão de madeira. Na época, noticiando as festas oficiais, os jornais diziam que "as repartições públicas foram embandeiradas e iluminadas". Era já noitinha quando Aporely espalhou pela sacada dezenas de bandeirinhas nacionais e colocou sobre o corrimão cerca de cinqüenta velas acesas. De lá, à pequena multidão de curiosos, acenava e inventava discursos acalorados... (SÁ JUNIOR. Renato Maciel de, Anedotário da Rua da Praia, Porto Alegre: Editora Globo, 1982, p. 7)
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