ROSAMUNDE
domingo, 12 de março de 2023
sábado, 11 de março de 2023
SAIBA COMO A CHUVA CAI DO CÉU
A cada segundo, caem sobre a Terra em forma de chuva 16 bilhões de litros de água
Quem inventou esse negócio de previsão do tempo? Os primeiros povos a se importarem com o clima foram os antigos egípcios. Por meio do movimento do sol, das estrelas e dos planetas, eles previam as estações e as cheias do rio Nilo, cujas margens eram usadas para as plantações.
Hoje, o monitoramento é feito pelo estudo de dados, medidos a partir de instrumentos como satélites, radares, barômetros (aparelho que mede a pressão do ar), higrômetros (umidade relativa do ar) e anemômetro (velocidade e direção dos ventos).
Reunidos, os dados são analisados por meteorologistas em supercomputadores que conseguem prever o comportamento do tempo.
A grande semelhança entre os egípcios e os povos contemporâneos é que a meteorologia continua sendo fundamental para a agricultura até hoje —e não somente para ver se você deve sair de casa, como sua mãe bem alertou, com o guarda-chuva.
A meteorologia (do grego, "estudo do céu") passou a ser estudada por Aristóteles em 350 antes de Cristo. Por isso, ele é considerado o "pai da meteorologia"
Quando começamos a fazer isso no Brasil?
Por aqui, a meteorologia começou a dar seus primeiros passos em 1781. Naquele ano, os matemáticos portugueses Francisco de Oliveira Barbosa e Bento Sanchez d'Orta foram enviados pela Faculdade de Matemática para demarcar os limites da região sul do país.
Durante nove anos, os dois realizaram observações meteorológicas, astronômicas e magnéticas, a partir também das observações dos satélites de Júpiter. Somente em 1808, com a chegada da família real portuguesa, foi criado o primeiro observatório meteorológico brasileiro.
Por que as nuvens ficam escuras quando vai chover?
As nuvens geralmente são brancas por causa da grande concentração de microgotículas de água e pequenos cristais de gelo. Eles agem como pequenos prismas, decompondo a luz solar nas cores do arco-íris (vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta).
Para quem olha a nuvem, portanto, o resultado é a soma de todas essas cores, que dá o branco.
As nuvens de chuva ficam mais escuras porque não permitem que a luz solar as atravesse. A maior parte da luz solar é refletida e volta para o céu; outra consegue atravessar as nuvens, e uma parcela ainda menor é absorvida por elas (de 5% a 10%).
Como as nuvens de chuva, chamadas de cúmulos-nimbos e estratos-nimbos, são bastante densas e têm grande profundidade, a quantidade de luz que passa por elas é muito pequena. Se um avião sobrevoar essas nuvens, elas parecerão bastante claras, pois irão refletir quase toda a luz que recebem.
Como é que a chuva cai?
As microgotículas de água surgem com a condensação (passagem do estado gasoso para o líquido) do vapor da atmosfera. Essas gotículas, cujo diâmetro é de milésimos de centímetros, são muito leves e ficam flutuando. Somente quando se juntam, formando gotas maiores, é que elas ganham peso suficiente para cair.
Tudo isso acontece aos poucos e não de uma só vez: por isso a chuva cai em gotas. As gotas menores, que não têm peso suficiente para vencer a resistência do ar e vento, permanecem em suspensão e só cairão quando conseguirem se unir a outras.
A cada segundo, caem sobre a Terra em forma de chuva 16 bilhões de litros de água.
Fonte: Folha de S. Paulo
LUGARES
AMALFI - ITÁLIA
A Catedral de Amalfi é uma catedral católica romana medieval na Piazza del Duomo, Amalfi, Itália. É dedicado ao Apóstolo Santo André, cujas relíquias são guardadas aqui. Antiga sede arquiepiscopal da Diocese de Amalfi, é desde 1986 a da Diocese de Amalfi-Cava de' Tirreni.
GOOGLE E TERRAS DE ESPANHA
Carlos Heitor Cony
Outro dia, aqui mesmo nesta coluna, falei mal do google. Considerando-o uma espécie de enciclopédia para burros e afins. Recebi uma enxurrada de mensagens com protestos radicais e até ofensivas, posso dizer, sem exagero, que mais de uma centena delas. Entupiram meu notebook.
Desprezando críticas e insultos, ficando no que interessa, a maioria delas tentou explicar pacientemente a um ignorante como eu, como usar corretamente o google, uma vez que deixei claro que ainda estou no jardim-de-infância da internet, não passei do abecedário, que nem sequer domino inteiramente. Prometo que, no tempo que me resta, farei tudo para chegar pelo menos ao "Ivo viu a uva".
Leio agora nos jornais e revistas duas coisas que, para um leigo como eu, me pareceram antagônicas. De um lado, críticas generalizadas de especialistas ao sistema e aos propósitos do google, bem verdade que em nível diferente do meu. De outro lado, a notícia de que o google de tal forma cresceu e se aperfeiçoou, que em breve será um concorrente da própria internet, dotando o mercado eletrônico de um instrumental bem mais desenvolvido, confiável e barato.
"Alvíssaras! Alvíssaras!/ meu capitão general,/ que avistei terras de Espanha,/ areias de Portugal" (Estou citando uma estrofe da "Nau Catarineta", poema mais ou menos folclórico da nossa literatura clássica).
É isso ai. Não tenho nada contra ou a favor do google. Como o marujo que está no mastro mais alto da nau, a mão estendida na testa para enxergar melhor o horizonte, dou o meu grito e expresso meu júblilo: Alvíssaras meu capitão general, vou avistar terras de Espanha e areias de Portugal!
Fonte: Folha de S. Paulo - 14/02/2006
sexta-feira, 10 de março de 2023
AS LIÇÕES DE VIDA QUE RECEBI DO PROFESSOR ERNEY PLESMANN
Drauzio Varella
Em 1962, com ele, pela primeira vez entendi em que país eu vivia
Há professores aos quais devemos muito. Entre dezenas de outros com quem convivemos nas escolas, eles se destacaram por ampliar nossos horizontes, dar lições de vida e apontar caminhos que não teríamos encontrado sem a influência intelectual e o exemplo que nos deram.
Para mim, o professor Erney Plessmann de Camargo foi um destes.
Em 1962, quando entrei na faculdade, ele era o assistente mais jovem do Departamento de Parasitologia da USP. Eram tempos de efervescência cultural e agitação política. Analfabetismo, miséria, mortalidade infantil e desnutrição estavam por toda parte, em alguns estados a expectativa de vida mal passava dos 40 anos.
As endemias rurais constituíam o principal agravo de saúde pública. Tínhamos anualmente cerca de 120 mil casos novos de doença de Chagas. Ao redor de 1 milhão de brasileiros conviviam com o Trypanossoma causador, protozoário que Luiz Hildebrando e Erney pesquisavam. Antes concentrada nas "lagoas de coceira" do Nordeste, a esquistossomose chegava à periferia de São Paulo, trazendo com ela cirrose hepática e mortes precoces. A malária fazia parte do cotidiano amazonense.
Contraditoriamente, a faculdade nos preparava para o exercício de uma profissão liberal. O acesso dos mais pobres à assistência médica dependia da caridade pública.
A cadeira de parasitologia era um oásis nessa falta de consciência social. O professor Samuel Pessôa, chefe do departamento, soube reunir pesquisadores interessados em levar o conhecimento científico para as regiões mais remotas: Luiz Rey, Luiz Hildebrando Pereira da Silva, Leônidas e Maria Deane e o Erney, entre outros.
A parasitologia era ensinada no segundo ano do curso. As discussões acadêmicas, as pesquisas e o real interesse daquele grupo em preparar estudantes interessados em saúde pública e no pensamento científico exerceram grande influência em minha formação.
Todos aos anos, o departamento organizava a Bandeira Científica, com o objetivo de levar os segundanistas para um trabalho de campo em regiões remotas do Brasil. Na minha turma, o coordenador da expedição foi o Erney.
Antes da viagem, feita num ônibus velho cedido pelo governo do Estado, ele reuniu o grupo para explicar que iríamos para os confins da fronteira da Bahia com Sergipe, junto à cachoeira de Paulo Afonso, em que estava instalada a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), responsável pela distribuição de energia elétrica para os estados do Nordeste.
Realizaríamos exames de fezes nas crianças residentes em duas áreas separadas por uma cerca: de um lado, as que viviam nas casas reservadas aos funcionários da Chesf; do outro, as que moravam nas habitações precárias da cidadezinha ao lado, sem nem uma rua calçada sequer.
A intenção era mostrar que o termo "doenças tropicais" não passava de preconceito dos países mais ricos. Elas não eram um tributo a pagar para viver junto à linha do Equador, mas doenças do subdesenvolvimento.
Se me lembro, a prevalência de verminoses no lado da cerca em que moravam as crianças protegidas pela Chesf foi de cerca de 10%, enquanto nas que moravam na precariedade da vizinhança chegou perto de 100%.
O aspecto doentio das mulheres, homens e crianças que viviam nos casebres de pau a pique do sertão de Minas e da Bahia foi um divisor de águas: pela primeira vez entendi em que país eu vivia.
Na viagem, ficamos amigos. Conversávamos horas e horas. Falávamos de saúde pública, ciência, cinema, artes plásticas e literatura, tudo o que ele dizia me interessava.
Em 1964, Erney e outros professores foram acusados de comunistas e demitidos da universidade, uma chaga na história da USP. Convidado pela Universidade de Winsconsin, ele e a família passaram cinco anos nos Estados Unidos.
Quando o Brasil começou a voltar à civilização, ele foi contratado pela Unifesp. Mais tarde seria presidente do CNPq e do Instituto Butantan, professor emérito da USP e presidente da Fundação Conrado Wessel, entre outros cargos reservados aos cientistas mais brilhantes.
Tive o privilégio de conviver com esse intelectual, com quem aprendi tanto. Nos últimos anos, em longas conversas em mesa de bar.
Na última sexta-feira recebi a notícia do falecimento do amigo inesquecível.
Perder pessoas queridas é a provação mais cruel que o envelhecimento nos impõe
Fonte: Folha de S. Paulo
LUGARES
RONDA - ESPANHA
| (Plaza Duquesa de Parcent) |
Ronda é uma cidade no cimo de uma montanha, na província espanhola de Málaga, na Andaluzia, que se encontra dramaticamente no topo de um desfiladeiro profundo. Este desfiladeiro (El Tajo) separa a cidade nova, fundada aproximadamente no século XV, da cidade velha, que data da ocupação moura. Puente Nuevo é uma ponte em pedra que atravessa o desfiladeiro e tem um miradouro para desfrutar das vistas panorâmicas. A Plaza de Toros da cidade nova, uma lendária praça de touros do século XVIII, é um dos pontos de referência mais reconhecidos da cidade. ― Google
MR. MILES
Esclarecimento sobre os 312
países visitados por Mr. Miles
Alguns leitores desta coluna
notaram uma discrepância no número de países visitados por Mr.Miles. Um deles,
Arther de Lucca, de Goiânia reparou que, em relação ao número de delegações que
se apresentaram nas Olimpíadas, os mencionados 312 países representam um
surpreendente acréscimo de 61,65%. Já Vitor de Barros, de São Paulo, tem
certeza de que ocorreu um erro. "De 183 para 312 de uma vez só? Não pode
ser."
Mr. Miles explica, de próprio
punho, o que ocorreu:
"Queridos leitores: alguns
matemáticos, numerólogos, estatísticos e espiritos de porco, as you know,
andaram questionando o epíteto de 'homem mais viajado do mundo' que carrego,
orgulhosamente, nesse espaço. Muito deles, I must say, provaram que viajaram
mais do que os 183 países antes mencionados na coluna. Já tive o prazer de
confessar que tal cifra é uma mera brincadeira — resultante de um galanteio
ocorrido nos anos 60 na Califórnia. Na ocasião fui entrevistado por uma
belíssima repórter do San Francisco Chronicle, com quem quis, por razões
óbvias, prolongar a conversa. A certa altura dos acontecimentos, ela me
perguntou quantos países eu já havia visitado.
Eu não tinha a menor ideia,
porque não sou um colecionador de viagens, desses que colocam alfinetes no
mapa-mundi, como troféus. However, para garantir um segundo encontro com
Virginia (esse era o nome dela), comprometi-me a pesquisar e entregar-lhe a
informação solicitado em um segundo jantar. Foi assim — shame on me — que
inventei o número 183, que costumava me dar sorte. Confesso que, a julgar pelas
noites tórridas que vivemos na semana seguinte, o amuleto numérico funcionou às
mil maravilhas.
Well: com o passar do tempo,
sofri novas contestações. E decidi ir mais a fundo na investigação, embora
ainda a considere uma curiosidade useless. Minha tia Gwineth, que mora em
Birmingham e adora viajar, já havia me contado que tinha adquirido um
mapa-mundi recente, de 3 metros de largura por 2 de altura. "There is no
other as big as mine in the city.", contou-me alegremente.
Decidido, tirei meu carro
preferido, um Lagonda V12 Drophead Coupe,1938 (que deixo guardado na imensa
garagem de Lord Pickwic) e fui até a casa de titia. Dei-me ao trabalho de
verificar minuciosamente o belo mapa e, após oito horas de trabalho, um kidney
pie e alguns biscoitos amanteigados, cheguei à surpreendente informação de que
já visitei TODOS os países do mundo. Uns mais, outros menos, o fato é que essa
é a pura verdade.
Resolvi, então, pesquisar quais
países tinham mudado de nome, de regime e de fronteiras, para adicioná-los à
conta também. Por exemplo: a primeira vez que fui a Kotor, a cidade pertencia a
Yugoslávia; quando retornei, era território da Sérvia. E, agora (por enquanto)
passou a fazer parte de Montenegro.
O fenômeno repete-se mundo afora:
Zimbabwe já foi a soma da Rodésia do Sul com a do Norte; a Tanzânia chamava-se
Tanganica; havia uma Somália britânica e outra italiana. Na Ásia, a bela
Birmânia que conheci com Rudyard ( N.daR.: Rudyard Kipling, escritor britânico),
chama-se, agora Myanmá; o Ceilão ( what a beautiful name, isn'it?) hoje é Sri
Lanka.
Essa curiosa superposição ocorreu
em dezenas de lugares que, quase sempre, mudaram seus regimes políticos, seus
hábitos e a essência da própria nação. Considerei, então, muito justo incluir a
Indochina, Burkina Faso (antes Alto Volta), a Basutolândia, que agora atende
pelo nome de Lesotho e muitos outros.
O resultado final, portanto,
chegou a 312 países visitados — número que a querida redação resolveu estampar
para dirimir dúvidas.
Só lamento que não surja, nesse
instante, uma repórter linda como Virginia — a quem contaria toda essa história
de novo. Ou será que ainda tenho alguma chance, my friends?
Fonte: Facebook
quinta-feira, 9 de março de 2023
TIRE O TABLET DO SEU FILHO

Tire o Tablet do seu Filho e dê a ele um Instrumento Musical!
Muitos pais, para calar o filho e/ou para os mantê-lo quieto, não pensam duas vezes em lhe entregar um aparelho de celular ou tablet. De acordo com os estudos de Álvaro Bilbao, neuropsicólogo espanhol, autor do livro “O cérebro da criança explicado aos pais”, se você quer ter filhos (mais) inteligentes, você precisa tirar tempo de celular/tablet e dar a ele um instrumento musical, pois as aulas de música estimulam a capacidade de raciocínio das crianças, mais do que a tecnologia.
Segundo um estudo publicado na revista Psiquiatria Molecular, 50% da inteligência é determinada pelos genes mas os restantes 50% dependem dos estímulos que os mais pequenos recebem. A chave do desenvolvimento potencial do cérebro da criança está na sua relação com os pais. Ainda que a genética tenha um peso importante, sem essa presença não se materializará, assegura o especialista. “Sem o incentivo dos pais, o potencial intelectual da criança não se desenvolve”, assegura Álvaro Bilbao.
“Uma criança pode ter a genética para atingir um metro e noventa de altura, mas se os pais não a alimentarem bem, ela baixa e desnutrida”, exemplifica o neuropsicólogo, que garante que os 6 primeiros anos de vida são primordiais no processo.
Além de reforçar condutas positivas e de brincar mais com os filhos, no chão, se for caso, como recomenda Álvaro Bilbao, os pais devem promover a socialização em detrimento do isolamento, o que implica desligar a televisão à mesa, além de incentivar a criança a fazer esportes e a experimentar atividades.
Estudos internacionais sugerem o estudo da música para crianças
Um estudo da Universidade de Toronto, publicado na revista Psychological Science, relacionou o desenvolvimento cognitivo com a aprendizagem de música. Durante um ano, três grupos de crianças de seis anos estudaram, separadamente, canto, piano e expressão dramática. Os que aprenderam música revelaram padrões de inteligência maiores no final.
Não ver televisão
Há uns anos, estavam na moda os filmes de desenhos animados em DVD que aliavam figuras desenhadas à música clássica de compositores como Mozart e Beethoven. Muitos especialistas afirmavam que estimulavam a inteligência de bebês e crianças, uma teoria que muitos estudos internacionais desmentiram. A Associação Americana de Pediatria diz mesmo que as crianças com menos de 2 anos não devem ver televisão.
Evitar programa de desenvolvimento cerebral
Nos últimos anos, surgiram muitos jogos eletrônicos e aplicações móveis que asseguram que treinam o cérebro e estimulam a memória. A verdade é que não existe qualquer base científica que o comprove.
Ver filmes numa língua estrangeira
As crianças que veem filmes numa língua estrangeira tendem a adaptar-se mais facilmente a outros vocábulos e a outros sons. De acordo com um estudo europeu sobre competência linguística, levado a cabo pelo Ministerio de Educación, Cultura y Deporte de Espanha, os espanhóis têm dificuldade em compreender e em falar inglês porque, ao contrário dos portugueses, veem tudo dobrado.
Ler a duas vozes antes de ir para a cama
As histórias que os pais leem aos filhos para os adormecer devem ser lidas a duas vozes. O tutor lê uma página e a criança lê a seguinte e por aí afora… Um estudo realizado no Canadá garante que este método permite melhorar a capacidade de aprendizagem dos mais pequenos.
Fonte: portalraizes.com
LUGARES
BALNEÁRIO PIÇARRAS - SC
Balneário Piçarras (originalmente Piçarras) é um município brasileiro do Estado de Santa Catarina. Em 2005, um plebiscito alterou o nome do município de Piçarras para Balneário Piçarras. Balneário-vedete dos anos 70, Piçarras hoje é chamada praia de elite. O carinhoso título de "Namorada do Atlântico" também ajuda a provar que não é por acaso. Hoje é sede do maior museu oceanográfico da América Latina.
NÃO TROPECE NA LÍNGUA
ONDE USAR ONDE (1)
--- Gostaria de esclarecimentos sobre a utilização correta de onde, no qual, na qual, em que. Tradutores do francês têm traduzido sistematicamente o où francês por onde, mas em português isso depende do contexto, poderá ser em que, no qual, na qual etc. Gilmar Saint Clair Ribeiro, Itatiba/SP
--- Eu gostaria de saber qual a diferença entre o pronome relativo onde e o advérbio de lugar onde. D. O. H., São Paulo/SP
Onde, em termos de classe gramatical, pode ser pronome relativo ou advérbio (interrogativo de lugar: Onde estás?). A preocupação maior de revisores, tradutores e pessoas que desejam escrever com excelência reside no emprego do pronome, que tem sido usado a torto e a direito como se fosse universal, valendo por que, quando, cujo, no qual. Para esclarecer a questão vamos precisar de tempo e paciência.
O pronome relativo onde se refere a um substantivo antecedente de lugar:
- A cidade onde moro é linda.
- Ideal para longas caminhadas, a orla permite uma visão da bela Baía Norte e conta com uma ciclovia onde bicicletas e patins disputam o espaço democraticamente.
- Fomos fazer rafting, e o bote onde estávamos virou.
- Há lugares no mundo onde se vive muito bem.
À semelhança do pronome relativo quem, onde pode aparecer também com emprego absoluto, ou seja, seu antecedente pode estar latente, não expresso. Por exemplo, as frases “Eu nasci onde tu nasceste” ou “Todos procuram saber onde a Vera está” equivalem a dizer: “Eu nasci no lugar onde tu nasceste“ e ”Todos procuram saber o lugar onde a Vera está”. De um modo ou de outro, importa ver que o antecedente, explícito ou implícito, é um lugar ou a própria palavra lugar.
Também é importante ter claro o que se entende por lugar, ou a extensão do seu significado, que pode ser: espaço ocupado, povoação, localidade, região, posição, situação, classe, categoria, ordem, trecho ou passagem de um livro, de uma obra. Não há dúvida de que “cidade, ciclovia, bote e lugares no mundo” (os substantivos assinalados nas frases de exemplo) são antecedentes de lugar. A indecisão pode ocorrer quando se trata de domínios não geográficos, como decreto, lei, capítulo, cargo, partido, agremiação, esfera de ação, instituição etc.
Como foi possível observar acima, na acepção dos dicionários tais âmbitos também configuram lugar, o que amplia um pouco a nossa possibilidade de uso do pronome relativo onde:
- Trata-se de reportagem sobre o Leste Europeu, onde são retratados os novos associados da UE.
- Mostraram à professora as páginas do livro onde o autor descreve cenas de antropofagia.
- Vigotski entende a cultura como a principal esfera onde é possível compensar a deficiência.
- Os partidos onde ocorreram as irregularidades serão extintos brevemente.
Quando não tiver certeza se se trata mesmo de lugar, substitua onde por em que.
LUGAR EM QUE
O relativo onde pressupõe “o lugar onde”, o que pode ser dito igualmente como “o lugar em que”. Façamos a confirmação com os mesmos exemplos:
- Nasci onde nasceste = Nasci no lugar onde nasceste = Nasci no lugar em que nasceste.
- Todos procuram saber onde a Vera está = Todos procuram saber o lugar onde a Vera está = Todos procuram saber o lugar em que a Vera está.
Em suma, onde é substituível por em que, aspecto que voltaremos a ver na próxima coluna.
Fonte: www.linguabrasil.com.br
quarta-feira, 8 de março de 2023
A ALEGRIA DA MÚSICA

Rubem Alves
Eu gosto muito de música clássica. Comecei a ouvir música clássica antes de nascer, quando eu ainda estava na barriga da minha mãe. Ela era pianista e tocava… Sem nada ouvir eu ouvia. E assim a música clássica se misturou com minha carne e meu sangue. Agora, quando ouço as músicas que minha mãe tocava, eu retorno ao mundo inefável que existe antes das palavras, onde moram a perfeição e a beleza.
Em outros tempos, falava-se muito mal da alienação. A palavra “alienado” era usada como xingamento. Alienação era uma doença pessoal e política a ser denunciada e combatida. A palavra alienação vem do Latim alienum que quer dizer “que pertence a um outro”. Daí a expressão alienar um imóvel. Pois a música produz alienação: ela me faz sair do meu mundo medíocre e entrar num outro, de beleza e formas perfeitas. Nesse outro mundo eu me liberto da pequenez e picuinhas do meu cotidiano e experimento, ainda que momentaneamente, uma felicidade divina. A música me faz retornar à harmonia do ventre materno. Esse ventre é, por vezes, do tamanho de um ovo, como na Reverie, de Schumann; por vezes é maior que o universo, como no concerto n. 3 de Rachmaninoff. Porque a música é parte de mim, pra me conhecer e me amar é preciso conhecer e amar as músicas que amo. Agora mesmo estou a ouvir uma fita cassete que me deu o Ademar Ferreira do Santos, amigo de Portugal. Viajávamos de carro a caminho de Coimbra. O Ademar pôs música a tocar. Ele sempre faz isso. Fauré, numa transcrição para piano. A beleza pôs fim à nossa conversa. Nada do que disséssemos era melhor que a música. A música produz silêncio. Toda palavra é profanação. Faz-se silêncio porque a beleza é uma epifania do divino. Ouvir música é oração. Assim, eu e o Ademar, descrentes de outros deuses, adoramos juntos no altar da beleza. Terminada a viagem, o Ademar retirou a fita e m’a deu. “É sua”, ele disse de forma definitiva. Protestei. Senti-me mal, como se fosse um ladrão. Mas não adiantou. Há gestos de amizade que não podem ser rejeitados. Assim, trouxe comigo um pedaço do Ademar que é também um pedaço de mim.
A música clássica dá alegria. Há músicas que dão prazer. Mas a alegria é muito mais que prazer. O prazer é coisa humana, deliciosa. Mas é criatura do primeiro olho, onde moram as coisas do tempo, efêmeras, que aparecem e logo desaparecem. A alegria, ao contrário, é criatura do segundo olho, das coisas eternas que permanecem. Superior ao prazer, a alegria tem o poder divino de transfigurar a tristeza. Haverá maior explosão de alegria do que a parte final da Nona Sinfonia? E, no entanto, a vida de Beethoven chegava ao fim, marcada pela tristeza suprema de não poder ouvir o que mais amava, a música. Estava totalmente surdo. Mas é precisamente dessa tristeza que nasce a beleza. No último movimento, Beethoven faz o coro cantar a Ode à Alegria, de Schiller. Sempre que a ouço imagino Beethoven de pé sobre um alto rochedo à beira mar. O céu está negro. O mar ruge furioso. Respingos e espumas molham a sua roupa. Mas ele parece ignorar a fúria da natureza. Sorri, abre os braços e rege… o mar. A tempestade não cessa, continua. Mas a fúria se põe a cantar a alegria! Abre-se uma fresta nas nuvens negras através da qual se pode ver o céu azul…
A Nona Sinfonia me faz triste-alegre. Essa é a magia da beleza: ela é um triunfo sobre a tristeza. Feiticeira, a beleza é o poder mágico que transforma a tristeza-triste em tristeza-alegre… É só por isso que eu a quero ouvir vezes sem conta. Porque a vida é triste. E nisso está a honestidade da música clássica: ela não mente. Se soubéssemos disso, se sentíssemos a tristeza da vida, seríamos mais mansos, mais sábios, mais bonitos.
Meu outro amigo português, professor José Pacheco, pastor da Escola da Ponte… (Ele se recusa a ser chamado de diretor. Por isso o chamo de “pastor”, aquele que ama e cuida das ovelhas, as crianças. Não seria bonito se os professores se vissem como pastores de crianças?)… conversando comigo sobre a música de Ravel, me dizia que, por vezes, ele fica tão “possuído” que ouve um mesmo CD vezes repetidas, sem parar, não deseja ouvir outro. Comigo acontece o mesmo. A beleza produz uma “compulsão à repetição”. Kierkegaard dizia que um amante seria capaz de falar sobre sua amada dias a fio sem se cansar, repetindo as mesmas coisas. Falamos para transformar a ausência em presença. Ao escrever essas linhas, estou tornando presente aquela viagem com o Ademar, a caminho de Coimbra, ouvindo Fauré. E estou de novo com o José Pacheco, conversando sobre Ravel e bebendo vinho.
Há músicas que contêm memórias de momentos vividos. Trazem-nos de volta um passado. Lembramo-nos de lugares, objetos, rostos, gestos, sentimentos… Aquele hino Deus vos guarde pelo seu poder provocará sempre, Jether, a memória do barco seguindo o navio. Lembrar-se do passado é triste-alegre… Alegre porque houve beleza de que nos lembramos. Triste porque a beleza é apenas lembrança… Não mais existe. Mas há músicas que nos fazem retornar a um passado que nunca aconteceu. É uma saudade indefinível, sentimento puro, sem conteúdo. Não nos lembramos de nada.
Apenas sentimos. Sentimos a presença de uma ausência… Fernando Pessoa se refere a uma saudade vazia? Saudade é sempre “saudade de”. Mas essa saudade é saudade pura, sem ser saudade de coisa alguma. Será possível ter saudades de algo que não foi vivido?. Octávio Paz descreve uma dessas experiências no seu maravilhoso livro O arco e a lira. Ele diz:
“Todos os dias atravessamos a mesma rua ou o mesmo jardim; todos os dias nossos olhos batem no mesmo muro avermelhado, feito de tijolos e tempo urbano.” (Coisas do primeiro olho!) “De repente, num dia qualquer, a rua dá para um outro mundo, o jardim acaba de nascer, o muro fatigado se cobre de signos.” (O segundo olho!) “Nunca os tínhamos visto e agora ficamos espantados por eles serem assim: tanto e tão esmagadoramente reais. Sua própria realidade compacta nos faz duvidar: são assim as coisas ou são de outro modo? Não, isso que estamos vendo pela primeira vez, já havíamos visto antes. Em algum lugar, no qual nunca estivemos, já estavam o muro, a rua, o jardim. E à surpresa segue-se a nostalgia. Parece que nos recordamos e quereríamos voltar para esse lugar onde as coisas são sempre assim, banhadas por uma luz antiqüíssima e ao mesmo tempo acabada de nascer. Um sopro nos golpeia a fronte. Adivinhamos que somos de outro mundo. É a ‘vida anterior’ que retorna…”
Mas esse lugar encantado, onde se encontra? Nunca o vimos e, a despeito disso sabemos que é o nosso destino: queremos voltar. Você nunca sentiu isso, uma saudade indefinível de um lugar encantado em que você nunca esteve?
Na sua Ode Marítma, Fernando Pessoa escreve sobre a mesma experiência. De longe ele contempla o cais e seus navios.
“E quando o navio larga do caisE se repara de repente que se abriu um espaçoEntre o cais e o navio,Vem-me, não sei porquê, uma angústia recente.Ah, todo o cais é uma saudade de pedra.Ah, quem sabe, quem sabe,Se não parti outrora, antes de mim,Dum cais, se não deixei, navio ao solOblíquo de madrugada,Uma outra espécie de porto…”
Partir outrora, antes dele mesmo?
Há músicas que nos levam para o tempo “antes de nós mesmos” e para lugares onde nunca estivemos. Talvez o que Ângelus Silésius disse para os olhos possa ser dito também para os ouvidos. “Temos dois ouvidos. Com um ouvimos as coisas do tempo, efêmeras, que desaparecem. Com o outro ouvimos as coisas da alma, eternas, que permanecem.”
A Valsinha do Chico faz isso comigo. O que a Valsinha canta nunca aconteceu. Está fora do tempo. Está fora do espaço. E, no entanto, está no espaço e no tempo da minha alma. A Valsinha é um “pedaço arrancado de mim”. Por isso rio e choro ao ouvi-la. Também a Primeira Balada de Chopin, aquela que o pianista triste e esquálido tocou para o oficial alemão no filme O Pianista. A Chacona, de Bach. A sonata Appassionata, de Beethoven, que Lenin dizia ser capaz de ouvir indefinidamente. Oblivion, de Piazzolla, que tanto comovia o Guido, meu amigo querido, que agora mora naquele “lugar onde as coisas são sempre banhadas por uma luz antiqüíssima e ao mesmo tempo acabada de nascer”.
A música tem virtudes médicas. Cura. Nesse tempo em que todo mundo sofre de stress aconselha-se música do estilo new age para acalmar. Comigo música new age não funciona. Tira-me o stress transformando-me em gelatina. Dissolvo-me em águas indefinidas. Quando estou aos pedaços deito-me no tapete da sala e o que quero ouvir é Bach. A música de Bach me estrutura, devolve-me o esqueleto, põe meus pedaços no lugar. O Bach dos corais, não o dos florais… Há música para os mais variados tipos de doença: Mozart. Beethoven. Schumann. Chopin. Brahms, Ravel. Os médicos deveriam receitar aos seus pacientes, junto com os remédios bioquímicos, a música…
Bom seria se a música clássica se ouvisse nos consultórios médicos, nas escolas, nas fábricas, nos escritórios, nas rádios. Há cidades que têm essa felicidade: rádios FM que tocam música clássica o dia inteiro. Infelizmente não é o caso de Campinas. Mas poderia ser… A música clássica desperta, nas pessoas, aquilo que elas têm de melhor e de mais bonito. Música clássica contribui para a cidadania.
Fico triste pensando naqueles que nunca conhecerão esse prazer. Simplesmente porque a possibilidade não lhes foi oferecida. Eu tive a sorte de ter a minha mãe.
“Música é vida interior. E quem tem vida interior jamais está sozinho.”*
– Rubem Alves, no livro “Na morada das palavras”. (crônicas). Campinas/SP: Papirus Editora, 2003; 3ª ed., 2008.
*Artur da Távola, na TV Senado, no programa “Quem tem medo de música clássica”. Artur da Távola – um maravilhoso mestre que ama as crianças.
Fonte: https://www.revistaprosaversoearte.com
LUGARES
LONDRES - REINO UNIDO
O Palácio de Buckingham é a residência oficial e principal local de trabalho do Monarca do Reino Unido em Londres. Localizado na Cidade de Westminster, o palácio é frequentemente o centro de ocasiões de estado e hospitalidade real. Ele já foi o foco do povo britânico em tempos de alegria nacional. Wikipédia
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