quarta-feira, 23 de novembro de 2022
PERDEU, MANÉ
LUGARES
IGNORÂNCIA E BEATITUDE
terça-feira, 22 de novembro de 2022
VIVER É CONVERSAR COM ALGUÉM
Jorge Alberto Salton
segunda-feira, 21 de novembro de 2022
CABELO TEM A VER COM PELO?
Aldo Bizzocchi
A pergunta do título admite duas respostas. Do ponto de vista biológico, a resposta evidentemente é sim: cabelos nada mais são do que os pelos que recobrem a cabeça, mais precisamente o couro cabeludo. Já do ponto de vista etimológico, há controvérsias. Há quem defenda que o latim capillus, “cabelo”, é o resultado da composição (com truncamento) de caput, “cabeça”, e pilus, “pelo”. Ou seja, cabelos nada mais seriam do que os pelos da cabeça. Mas estudos etimológicos mais rigorosos parecem desmentir essa hipótese tão intuitiva.
Em primeiro lugar, é difícil explicar porque capillus tem dois ll enquanto pilus tem um só. É bem verdade que o latim também tinha a palavra pilleus (com dois ll), que designava um barrete (espécie de boina) feito de lã de ovelha não tosquiada (portanto peluda) e que é da mesma origem de pilus. Ocorre que pilus provém da raiz indo-europeia primitiva *pil-, ao passo que pilleus vem da raiz derivada *pils- (com sufixo ‑s – o encontro consonantal ls passava a ll em latim). Então capillus teria a ver com pilleus em vez de pilus? Não parece ser o caso. Além disso, a composição entre caput e pilus daria algo como *capitipilus e não capillus.
Em segundo lugar, a raiz indo-europeia que originou caput em latim, a saber, *kap-ut, admitia também formas com l: *kap-(e)lo-. Desta segunda provêm, dentre outros, o sânscrito kapála, “tigela, panela, crânio”, e o antigo inglês hafola, “cabeça”.
Em face disso, muitos etimólogos e indo-europeístas acreditam que capillus é uma derivação da raiz *kap-(e)lo-, representando um antigo adjetivo referente a “cabeça” que depois passou a ser usado como substantivo. Então capillus significaria originalmente apenas “capilar” (subentendido “pelo”), nada tendo a ver com pilus.
Curiosamente, o espanhol até hoje denomina “cabelo” mais frequentemente por pelo, embora também disponha da palavra cabello. E nas línguas germânicas, o mesmo vocábulo denomina “pelo” e “cabelo”, como vemos, por exemplo, no inglês hair.
Em resumo, a semelhança entre pilus e capillus em latim pode ser apenas fortuita, uma dessas coincidências que dão pano para a manga em matéria de pesquisa linguística e, portanto, mais uma peça que a evolução cega das línguas nos prega.
Fonte: https://diariodeumlinguista.com
LUGARES
CABIDE PARA DOIS
Os objetos mais banais revelam a grandeza da fidelidade: quando você passa a ser guardião de algo do outro e precisa cuidá-lo das permanentes tentações do extravio.
Lembrar de trazer de volta um pertence que não é seu significa uma autêntica demonstração de amor.
Pois é fácil esquecer um guarda-chuva quando para de chover. É fácil esquecer um blusão quando esquenta. E ainda é mais fácil quando você não é o dono.
Minha mulher pediu que recuperasse o seu casaco de couro que ficou no espaldar da cadeira do restaurante que costumamos almoçar.
Só que eu estava em trânsito - ainda viajaria a longínqua Petrolina (PE) para talk show, sem nenhuma mala para guardá-lo. Eu me encontrava realmente avulso, com a roupa do corpo, destinado a um aloprado bate-volta.
Não têm ideia de como foi complicado me lembrar de que ele existia. Ainda mais que Petrolina é um calorão e não faz nenhum sentido andar com um casaco.
Quase deixei no bagageiro do avião - voltei quando já me encontrava na porta da saída. Quase deixei no carro do evento - estiquei a mão no banco de trás na última hora. Quase esqueci no armário do hotel - afinal, não tinha bagagem, como iria me recordar?
De quase em quase, fui me afeiçoando ao objeto, comemorando cada resgate, embalando entre os braços o embrulho como um bebê adotivo.
Não era mais uma peça feminina, mas a minha responsabilidade com o relacionamento, o meu compromisso com a palavra, o meu pacto em proteger um pertence predileto daquela que dividia a vida comigo.
Estar casado é combater diariamente o egoísmo da vida solteira. E também não se importar mais com o que os demais pensam a nosso respeito.
A minha esposa deve ter sentido o mesmo quando preparei uma surpresa em seu trabalho e lhe entreguei um balão a gás de ursinho. Ela não podia abandoná-lo sob o risco da ingratidão.
Além da vergonha que engoliu a seco diante dos colegas engravatados, ela circulou com a cordinha vermelha pelo escritório de sua empresa, entrou no táxi com a alegoria, e atravessou as ruas de Porto Alegre equilibrando a bolsa no lado esquerdo e o balão no direito.
Quando ela chegou em casa empinando o meu presente como um menina adestra os ventos de uma tempestade no corpo de uma pipa, não nego o céu limpo de meus olhos: ela realmente me valorizava mais do que o seu receio do vexame. Jamais o medo seria maior do que o nosso amor.
A covardia se esconde nos fingidos esquecimentos. A mentira nasce dos pequenos lapsos. Lembrar de si e de quem nos acompanha é sempre uma manifestação corajosa de honestidade.
Fonte: Facebook
domingo, 20 de novembro de 2022
O FILÓSOFO EXCÊNTRICO QUE INSPIROU O ABOLICIONISMO
ESPAGUETES FLUTUANTES
LIVROS E UM JARDIM – O QUE ELES TÊM PRA ENSINAR
“O Jardim Secreto”, de Frances H. Burnett, foi publicado a primeira vez em 1911, e se tornou um clássico da literatura. Por que?
Porque fala de questões humanas que transcendem o tempo no qual elas foram concebidas.
Outro clássico é o intrigante romance “Ligações Perigosas”, publicado em 1782, que permanece atualíssimo.
O tempo, realmente, é relativo em se tratando de algumas coisas.
Domingo ensolarado, mas friozinho, neste Sul de mundo. Dia de rega e poda mais demoradas no Pequeno Jardim.
Para quem não sabe, o Pequeno Jardim é um “pequeno imenso” espaço de sacada que converti em jardim suspenso.
Mas o que um jardim ensina a quem dele cuida?
Muita coisa...
Por exemplo, aprende-se que se você não tem uma visão sistêmica do ambiente que está, o risco que cair em engano é imenso.
Formigas caminham nos galhos, via de regra, à procura de benefícios secundários que muitas pragas oferecem enquanto estão hospedadas nas plantas que estão a prejudicar.
Assim, formigas são avisos de que algo pode estar errado no jardim. Isso funciona também, e muito, em ambientes humanos.
Outra lição: milagres são da esfera dos milagres.
Flores e plantas bonitas dependem de tempo, persistência, paciência e cuidado (alguns podem substituir a palavra por investimento).
Absolutamente tudo possui um preço. Os financeiros são mais fáceis de se pagar, embora custosos. Já os que empobrecem a ética, a esperança e os valores estruturantes do ser humano são caríssimos e, por vezes, não há dinheiro no mundo que pague.
Essa é uma das lições finais de “Ligações Perigosas” e parte do fio condutor de “O Jardim Secreto”.
Em tempos tão complicados como os que estamos vivendo, com tantas névoas, renascer a cada primavera tem sido difícil, mas nunca foi tão necessário.
Uma boa semana a todos nós.
ORQUESTRA SINFÔNICA JUVENIL DE CARACAS
Orquesta Sinfónica Juvenil de Caracas
Director: Cesar Ivan Lara
Sala Simon Bolivar, CASPM



