quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

NÃO TROPECE NA LÍNGUA


TENDÊNCIA A VIVER – REGÊNCIA
-- Minha dúvida diz respeito ao uso da preposição de em situações como “a tendência é de”. Tenho encontrado frases ora com a preposição, ora sem, como exemplifico a seguir. Maria Laís Pestana, São Paulo/SP
  • Tendência é de que problemas com chuvas aumentem em São Paulo. Portanto, a tendência é que I. 
  • Tendência é ampliar política de benefícios.
  • Tendência é de aumentar as exportações agropecuárias este ano.A tendência é de as provas oficiais se expandirem para além do Estado.
  • A tendência é as taxas futuras seguirem o comportamento do mercado de câmbio.
  • Em outubro, tendência é de melhoraMercado não teme mais Lula e a tendência é a queda do dólar.

O substantivo tendência pode ser regido por mais de uma preposição, quais sejam a, de, em, para:
  • Tem tendência à embriaguez.
  • Opõe-se à sua tendência de conferir o ascendente.
  • Observou a tendência natural das crianças em contrariar tudo.
  • A senhora respondeu que não tinha tendências para freira.

Contudo, quando se tem a construção tendência + verbo ser + predicativo (ou oração predicativa), a preposição pode ser omitida. Aliás, a frase fica melhor sem ela:
  • A tendência é melhorar.
  • Nossa tendência é conquistarmos o hexa.
  • A tendência é a queda dos preços.

--- No jornal O Estado de S. Paulo de 1º/10/02, na coluna Espaço Aberto, foi publicado o artigo “Para onde vamos”, de Rubem de Freitas Novaes. Dele extraí o excerto: “Descontado o exagero, é muito apropriada ao momento que vivemos.” Pergunto se a regência do verbo viver está correta. A. A. F., São Paulo/SP

Segundo os dicionários, o verbo viver é usado com a preposição em no caso de complemento de lugar:
  • Ele vive em São Paulo há anos.
  • Vive na casa do sogro.
A mesma regência acontece nas expressões “viver em paz” e “viver em família”. Também se usa a preposição em quanto se tem um adjunto adverbial de tempo posposto ao verbo:
  • Nossos avós viveram em um século marcado por profundas transformações.
  • Vivemos/estamos vivendo numa época de muita violência.
  • Esse autor viveu no século das Luzes.

Por outro lado, o verbo viver dispensa qualquer preposição quando significa “passar a vida; vivenciar, experimentar, passar por; fruir, desfrutar, aproveitar (a vida)”
  • Ela disse que nunca viveu certas experiências.
  • Vive uma vida folgada.
  • Os melhores momentos da minha infância foram vividos solitariamente.
  • Vivemos bons momentos juntos.

Assim sendo, o autor da frase poderia defender sua redação dizendo que ali o verbo viver é transitivo direto (sendo o pronome “que” o objeto direto) porque ele quis lhe dar o sentido de “experimentar, gozar, desfrutar”: os momentos que vivemos = os momentos vividos, os momentos presentes

Fonte: www.linguabrasil.com.br

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