domingo, 30 de novembro de 2025

UM SÁBADO EM FRANKFURT

Junto com um casal de amigos, em 2002 viajamos para a Alemanha e ficamos numa pequena cidade distante uns cem (100) quilômetros de Frankfurt. Na cidade de Neuof morava um amigo nosso, músico de profissão, que seria o nosso cicerone. Por ser músico, nos finais de semana ele tinha compromissos profissionais e não poderia nos ciceronear para nenhum lugar. Por outro lado, em Frankfurt morava o Willy, amigo do nosso companheiro de viagem. Decidimos visitá-lo. Ligamos para o Willi e combinamos o encontro - ele iria nos aguardar na estação de trens. Nos deu instruções sobre os horários e outras informações pertinentes. No sábado partimos no horário e chegamos no horário, afinal estávamos na Alemanha. Tão logo desembarcamos, lá estava o Willi nos aguardando. Como ainda era cedo e não havíamos tomado o café da manhã, resolvemos fazer um frixtic ali mesmo. Fomos atendidos por um garçom italiano, conhecido do Willi. Me senti em casa falando com ele, já que não falo alemão. A primeira coisa que ele me disse é que não era italiano - eu sou romano! disse ele, arrematando que italianos eram os outros. Já relatei o encontro em outro post. Clique para ver. Ainda no sábado paramos num bar para tomar uma cerveja. Estava muito quente e sentamos nas cadeiras colocadas na rua, como é muito comum em toda Europa. Num dado momento o Willy apontou para um automóvel estacionado próximo de onde estávamos e disse que no local era proibido estacionar e logo, logo, veríamos como as coisas funcionam por lá. Não demorou um minuto encostou uma viatura policial e um carro guincho e os procedimentos de remoção do veículo tiveram início. Em seguida aproximou-se uma mulher e pelo que vimos era a dona daquela mercedes mal estacionada. Ela argumentava e só víamos o chefe da operação balançar a cabeça negativamente. Ela tentava dar um jeitinho na situação, sem sucesso. O carro efetivamente foi guinchado e então o Willi nos explicou que aquela imprudência sairia caro para a dita mulher. Primeiro teria que pagar uma pesada multa, além dos custos do carro guincho. Depois, teria que frequentar o curso destinado aos motoristas relapsos, período em que estaria com a sua habilitação suspensa. Tamanha eficiência convidava a refletir sobre o Brasil. Outra lição que aprendemos com o Willy era nunca atravessar uma rua, mesmo na faixa de pedestres, estando o sinal vermelho. Mesmo sem movimento de automóveis, raramente víamos alguém atravessando antes do tempo. Os infratores, sim os pedestres infratores poderia ser autuados e se sujeitariam ao pagamento de uma multa. Foi então que disse ao Willy que estranhava não ver nenhum policiamento nas ruas. Então ele explicou que raramente os policiais aparecem fardados. No mais das vezes estão em trajes civis o que facilita o elemento surpresa e também a consciência de que pode-se estar sendo vigiado a todo instante. Além disso, informou-se que nos locais públicos existiam muitas câmaras filmando tudo o que acontecia por ali. Coisas de primeiro mundo… Mas a melhor de todas ocorreu numa ciclovia, ocasião em que levei a maior bronca de um velho. Depois do almoço o Willy quis mostrar-nos o seu apartamento situado num bairro da cidade. Tomamos um ônibus e o destaque ficou por conta da ausência de cobrador. Apenas o motorista e ninguém mais para fiscalizar se havíamos pago a passagem, essas coisas. Tínhamos comprado o bilhete junto a uma máquina na rua e seguramos o ticket conosco. O Willy explicou que não existe cobrador e tudo funciona na base da responsabilidade e da confiança. Vez por outra um fiscal entra no ônibus (no trem também é assim), e pede o ticket para os passageiros. Se a pessoa não apresentar o comprovante aí a cobra fuma. A punição vai da multa até a prisão. Depois de visitarmos o cafofo do Willy retornamos ao ponto de ônibus para retornar ao centro e irmos para o Hotel. Eu caminhei na frente de todos para fazer algumas fotos e chegando no local fiquei aguardando os demais. Passou por mim um velho pedalando uma bicicleta e falou algumas coisas, que pelo tom de voz entendi como sendo uma bronca. Como não falo alemão, não entendi patavina mas o Willy, que vinha logo atrás ouviu e entendeu. Aí ele me explicou que eu estava parado na faixa destinada aos ciclistas, o que era uma falta grave da minha parte. Não consegui pedir desculpas àquele senhor, pois já ia longe. Mas creio que ele, tal como eu, não entenderia o nosso idioma. Ficaríamos empatados mas eu corria o risco de ele voltar, etcetera e tal e eu não tinha razão. Ficou a lição.

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