Uma boa ação jamais deixa de ser punida. (Gore Vidal)
quinta-feira, 22 de outubro de 2020
NÃO TROPECE NA LÍNGUA
Vimos, na semana anterior, as
regras gerais de emprego do artigo definido e indefinido. Há, no
entanto, muito mais: o uso é variado e amplo. Normalmente nos guiamos
pela intuição, mas é possível estabelecer algumas normas que presidem o
uso ou a omissão do artigo. Vejamos caso a caso.
- Só é possível comparecer ao baile com trajes de época.
“De época” é expressão usada para designar algo (fantasia, móvel, filme)
que traz o estilo ou as características de determinado período (no
passado). Com o artigo (da), seríamos obrigados a determinar qual a época.
- (A) Maria Cleusa pediu que você ligasse para ela.
O artigo junto ao nome de batismo da pessoa é facultativo: no Sul do Brasil é sempre usado, ao passo que em outras regiões dispensa-se o artigo sistematicamente.
- João Figueiredo pediu para ser esquecido.
Os nomes próprios de pessoas, quando usados por inteiro, não devem ter artigo; este no entanto poderá ser usado se com a pessoa mencionada houver familiaridade, real ou pretensa: Agradeci a ajuda da Nilcéa P. Lemos na elaboração da tese. Comprei um disco da Gal Costa.
- Gostaria de descer o Amazonas até os Andes.
Usa-se o artigo com nomes próprios geográficos, nomes de países e de alguns Estados brasileiros (o Paraná, o Rio de Janeiro, a Bahia, o Rio Grande do Sul, o Espírito Santo etc.).
- Visitarei Belo Horizonte e Salvador nos próximos dias.
Nomes de cidades prescindem de artigo. Há exceções: o artigo pode ser usado quando o nome da cidade deriva de um substantivo comum: o Rio de Janeiro, o Cairo, o Porto, sendo optativo em outros casos: (o) Recife, (a) Laguna (SC).
- Finalmente visitarei a Ouro Preto dos meus sonhos.
Nomes de cidades passam a admitir o artigo desde que acompanhados de qualificação (“dos meus sonhos”, neste caso).
- Sua Alteza casou com Dona Teresa Cristina. / Espero não ter interrompido V. Exa.
Não se usa artigo antes de pronomes pessoais e de tratamento.
- Falei com a srta. Ana, sua secretária, antes de vir procurá-la, senhora deputada.
Dentre as expressões de tratamento, senhor, senhora e senhorita são as únicas que admitem artigo, mas não quando vocativo, ou seja, quando nos dirigimos à própria pessoa.
- Santo Antônio é seu padroeiro e confidente.
Os adjetivos São, Santo e Santa, quando acompanhados de nome próprio, não admitem artigo; tampouco se articula Nosso Senhor e Nossa Senhora.
- Voltou para casa mais tarde do que de hábito. / Voltou para a casa dos pais depois da separação.
O artigo é omitido antes da palavra casa quando designa residência, lar. Mas não quando particularizada ou usada na acepção de prédio, estabelecimento.
- Finalmente estou em terra – já não aguentava o enjoo do navio.
Omite-se o artigo junto ao vocábulo terra quando em oposição a bordo, mar.
- Esteve em palácio por convocação do Governador.
Costuma-se omitir o artigo com a palavra palácio quando designa a residência ou o local de despacho de um chefe de governo.
- Pagou R$ 4,00 o quilo da maçã. / Custa mil o metro.
O artigo é usado nas expressões de peso e medida com o sentido de “cada”.
- O inverno brasileiro é moderado.
Usa-se o artigo com as estações do ano, exceto quando elas vêm precedidas de de, significando "próprio de", como em “gosto do sol de inverno”.
Fonte: www.linguabrasil.com.br
quarta-feira, 21 de outubro de 2020
CEMITERIO DE MALANDRO
CEMITERIO DE MALANDRO
Por Daniel Funabashi*
A cada dia que passa, vejo mais e mais pessoas se aventurando em day trade e opções. Na maioria dos casos elas têm uma característica em comum: não entendem nada ou quase nada sobre esses ativos e se expõem ao risco da ruína.
Semana passada tive a triste experiência de ver dois amigos quebrarem no day trade, mesmo após repetidos avisos de que o day trade é um “esporte de alto desempenho” e apenas “atletas de ponta” realmente se destacam nesse “esporte”.
No final da semana, não satisfeito com o fracasso no day trade, um deles me perguntou o que eu achava de uma operação de opções que ele viu na internet, quanto ele poderia ganhar e quanto poderia perder – Para quem não sabe, opções são ativos altamente voláteis, que têm data certa de vencimento e, portanto, deixam de existir após essa data, ou seja, seu dinheiro pode virar pó. São popularmente conhecidos como “o cemitério de malandro”, pois muitas pessoas entram buscando ganhos elevados, num curto espaço de tempo. Mas o que a minha experiência mostra é que o apelido tem muito fundamento.
Respondi a ele com a seguinte frase “Se você não entende como o preço de um ativo se comporta ou os fatores que influenciam na sua precificação, não invista nele, invista no seu próprio conhecimento e volte apenas quando souber”. Espero do fundo do coração que esse meu amigo siga meu conselho e invista no aprimoramento pessoal, antes de se aventurar no mundo das opções ou decidir voltar ao day trade.
No mundo dos investimentos não existe dinheiro fácil. Sem disciplina e paciência, você dificilmente alcançará o que almeja. O mercado é implacável e cobra caro daqueles que se expõem de forma imprudente.
Se você quer começar já e não possui conhecimento, peça ajuda a um assessor de investimentos, ele é um especialista que pode te mostrar as melhores opções, de acordo com os seus objetivos e seu perfil. Em paralelo, dedique-se a aprender. Estude com afinco, para que quando você decida operar em day trade ou opções, isso não seja uma aventura, mas sim, uma jornada rumo aos seus objetivos.
Para terminar com um cliché: “investir em conhecimento sempre rende os melhores juros” (Benjamin Franklin).
*Daniel Funabashi é mestre em Finanças pela Cass Business School de Londres e sócio da iHub Investimentos, um escritório de assessoria de investimentos credenciado à XP Investimentos, a maior plataforma de investimentos da América Latina.
Fonte: http://fernandoalbrecht.blog.br
O ANALISTA DE BAGÉ
OUTRA DO ANALISTA DE BAGÉ
No começo de sua carreira o
analista de Bagé também era chamado para atender casos a domicílio. Como na vez
em que um peão foi chamar o analista no meio da noite. Era para o seu patrão,
seu Vespasiano. Enquanto encilhava o cavalo, o analista de Bagé pediu detalhes
sobre o caso. O peão que seu Vespasiano tava variando.
- Pensa que é metade gente,
metade animal.
- Que animal?
- Cavalo.
- Que pêlo?
- Castanho.
- Que metade?
- A de baixo.
- Bueno. Pelo menos vou poder
charlar com o homem.
Chegaram na estância quase de
manhãzinha. Seu Vespasiano já estava de pé, mastigando seu milho. Recebeu o
analista de Bagé com desconfiança.
- Que lhe traz aqui?
- Pôs vim olhar a sua tropa. Um
cavalo meu desgarrou pra estas bandas.
- E tu cria cavalo no
consultório, tchê?
- Tem cliente que só à patada.
- Pôs seu cavalo não está aqui.
- Só vendo.
Saíram para o campo. O analista
de Bagé a cavalo e o seu Vespasiano galopando ao seu lado. Olharam toda a
tropa. Aí o analista começou a examinar seu Vespasiano de cima para baixo.
- Tá me olhando por quê? – quis
saber seu Vespasiano, carrancudo.
- Acho que to reconhecendo meu
castanho.
- Endoidou? Eu sou o Vespasiano.
- Só até a cintura.
- Prá baixo também é meu.
- Então mostra a marca.
- O que?
- Quero ver a marca na anca. Se
não tá marcado, é meu.
A discussão ainda durou um pouco
mas no fim seu Vespasiano se convenceu que não era metade cavalo. Lamentou
bastante porque naquele jeito estava economizando montaria. Mas a família suspirou
aliviada. Não agüentava mais a bosta no tapete. (VERÍSSIMO,
Luis Fernando. O Analista de Bagé, Porto Alegre : L&MP Editores, 1995, p. 254)
terça-feira, 20 de outubro de 2020
TUITE-16
José Horta Manzano
Seguindo uma tradição da América espanhola iniciada em 1692, quando indígenas atearam fogo ao Palacio Nacional da Cidade do México, arruaceiros incendiaram e destruíram ontem a Igreja da Assunção de Santiago (Chile), que tinha sido inaugurada em 1876.
O templo chileno é o mais recente exemplo desse bizarro pendor hispano-americano de exprimir insatisfação queimando edifícios públicos e religiosos. Outro exemplo desse comportamento medieval é o Palacio Quemado, de La Paz (Bolívia), criminalmente incendiado em 1875.
No Brasil, temos grande respeito por edifícios, templos e toda obra humana. Preferimos incendiar e arrasar florestas, o que traz vantagem dupla. Por um lado, nos livramos do mato; por outro, abrimos espaço para erguer edifícios e templos à vontade.
Ah, e tem mais um benefício: dado que a destruição da vegetação enxuga a atmosfera e desertifica o clima, o problema das enchentes das metrópoles brasileiras se resolve sozinho. Como é que ninguém pensou nisso antes?
Fonte: https://brasildelonge.com
NOMEAÇÃO DE KASSIO MARQUES É INCONSTITUCIONAL
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| Charge do Cazo |
Modesto Carvalhosa
O Globo
Nomeação de Kassio Marques é inconstitucional e tornará o Senado ainda mais ilegítimo
O inconformismo de Merval Pereira (O Globo, dias 6/10 e 10/10) com a falta de reação da sociedade brasileira à indicação do senhor Kassio Nunes para ocupar o cargo de ministro do Supremo Tribunal constitui um repto a todos nós, cidadãos, e às próprias autoridades judiciárias, ameaçadas com tal barbaridade.
A Constituição de 1988, em seu artigo 101, determina que os ministros do STF devem ser escolhidos dentre cidadãos de notável saber jurídico e reputação ilibada. Trata-se de uma exigência constitucional incontornável, a que não pode o Supremo furtar-se de fazer cumprir.
FERE OS REQUISITOS – O Sr. Kassio Nunes fere os dois requisitos. E mais. As duas infringências estão imbricadas, acopladas. Uma contamina a outra. O indicado não tem notável saber jurídico e mente ao tentar se apresentar como sábio do Direito. O indicado, nos documentos curriculares que apresenta, altera a verdade sobre fatos juridicamente relevantes, com o propósito de ostentar notável saber jurídico que não possui.
Cabe aos nossos pouquíssimos partidos políticos decentes, urgentemente, arguir a inconstitucionalidade direta e notória do ato administrativo que indicou o Sr. Kassio Nunes para, assim, tornar inválido e ineficaz o placet que o Centrão dará a seu nome no dia 22 próximo, no Senado Federal.
SABER JURÍDICO – Como leciona o mestre José Afonso da Silva, “notável saber jurídico, exigido pela Constituição, refere-se especialmente à habilitação científica em alto grau nas matérias sobre que o Tribunal tem de pronunciar-se. Não bastam, porém, a graduação científica e a competência profissional presumida do diploma. O candidato deve ser portador de notoriedade, relevo, renome, fama, e sua competência ser digna de nota, notória, reconhecida pelo consenso geral da opinião jurídica do país e adequada à função”.
E, sobre a reputação ilibada, ensina o mesmo autor, fundado em Castro Nunes: “A reputação ilibada é outra notoriedade que se requer, mas agora no campo da ética, do comportamento humano. É a boa- fé, a perfeita idoneidade moral”. E os autores lembram que essa regra já era aplicada aos magistrados romanos.
UMA HUMILHAÇÃO – O fato é que a indicação do Sr. Kassio Nunes, se confirmada, tornará o Senado ainda mais ilegítimo perante o povo brasileiro. E o Supremo será humilhado ao ter que acolher uma pessoa que, durante os próximos 23 anos, comporá, sem idoneidade moral e jurídica, seu colégio.
Está nas mãos do Supremo, provocado pelos partidos que se opõem ao descalabro ético desta República, declarar a inconstitucionalidade da indicação e da aprovação pelo Senado Federal do Sr. Kassio Nunes, por infringir o disposto no referido artigo 101 da Constituição.
Fonte: Tribuna da Internet
LUGARES
CASTELO DE CHAMBORD - FRANÇA

O Castelo de Chambord, é um palácio localizado em Chambord, Loir-et-Cher, França. É um dos mais conhecidos castelos do mundo devido à sua distinta arquitetura em estilo Renascentista francês que combina as formas medievais francesas tradicionais com as estruturas clássicas italianas. Embora seja o maior palácio do vale do rio Loire, foi construído apenas para servir de pavilhão de caça para Francisco I de França, que mantinha a sua residência no Château de Blois e no Château d'Amboise.
ROMANCE FORENSE
O ESTAGIÁRIO INICIANTE
Em demanda na qual o autor postula a concessão de liminar, o escrivão intima o advogado por telefone, dada a necessidade de o mesmo se manifestar sobre importante aspecto não abordado na inicial. O advogado, então, imediata e laconicamente, solicita a providência a um estagiário que contratara havia poucos dias:
- Precisamos examinar esse processo e falar nos autos. Faz isso ainda hoje, pois me comprometi com o escrivão – determina o advogado, estendendo um papel contendo o número do processo.
O estagiário vai ao cartório judicial, onde "fala" longamente com a escrevente que atendia o balcão. Ela não entende o que ele deseja - e tudo fica por isso mesmo.
Envolvido pela azáfama do escritório, o advogado esquece de cobrar os desdobramentos seguintes.
Três dias depois, o escrivão novamente telefona. Preocupado com o não-atendimento ao que o juiz determinara no despacho, o servidor ressalta que o prazo iria se esgotar em 24 horas, e que o juiz analisaria o requerimento no estado em que se encontrava o processo, mesmo que o autor não o instruísse corretamente.
Surpreso, o advogado informa ao escrivão que já providenciara, mas pede que o mesmo aguarde ao telefone, para que possa verificar o cumprimento da sua determinação. Chama, então, o estagiário:
- Sabes aquele processo em que tínhamos que falar nos autos com urgência?
- Sim, doutor, me lembro bem – responde o estagiário.
- E então, o que houve? O escrivão está na linha, dizendo que o prazo está esgotando e que nada dissemos – retrucou.
- Olha, doutor, eu estive no cartório naquele mesmo dia e conversei com a atendente. Ele me disse que o senhor tem um prazo a cumprir com urgência – responde o estagiário, com extrema ingenuidade, logo complementando que "eu esperei que o senhor voltasse a me chamar"...
Perplexo, o advogado volta ao telefone e explica o ocorrido:
- Escutaste, não é?! Pois eu peço desculpas. Ainda não cumprimos a determinação. Antes, terei de explicar ao meu novo estagiário que ´falar nos autos´ é peticionar, e não conversar sobre eles!
Ao que o escrivão, conhecido por sua ironia, brinca, encerrando o telefonema:
- Claro, doutor, vamos aguardar. Ninguém nasce sabendo. Não esqueça de ensinar ao seu estagiário que peticionar em Juízo é ato privativo dos advogados...
Fonte: www.espacovital.com.br
segunda-feira, 19 de outubro de 2020
DINHEIRO NA ORDEM DO DIA
Pegou em dinheiro? Lave bem as mãos, cantando “parabéns a você”, dizem, é o tempo de fazer isso de forma completa. Use álcool em gel, líquido, água sanitária, purificadores, acenda um incenso, tome banho e passe sal grosso do pescoço para baixo, que ultimamente o dinheiro, além de vivo, é sujo e passa por lugares inimagináveis
Não só porque esse dinheiro que tocou pode conter bactérias, mas porque pode estar impregnado com o pior vírus: o da corrupção. E aí ele, o dinheiro, se originou e andou por lugares incríveis, alguns até bem pequenos. Ultimamente o dinheiro está mesmo na Ordem do Dia. Tudo bem que os bancos não são lá aquelas coisas, mas a quantidade de dinheiro vivo, vivíssimo, que estamos vendo todos os dias sendo aprendido é realmente espantosa, assim como as mais variadas formas de guardá-lo, para lavá-lo sem água. O colchão absolutamente saiu de moda. Cofre? Bem, cofrinho, talvez.
Olha que estou falando em dinheiro guardado, não só sobre o dinheiro que foi manchete espetacular essa semana quando o tal senador Chico, com quem Bolsonaro há pouco tempo disse ter uma relação estável, casadinhos, tentou esconder entre as nádegas e o que ele deve achar uma merrequinha, um troco, perto do que, ao que parece, foi usurpado dos cofres públicos– e da Saúde, minha gente! Somos um país campeão de mortes, passamos de 150 mil mortes e mais de um milhão de casos de Covid-19, e os caras roubando dinheiro dos equipamentos de respiração, dos itens de proteção, dos remédios!
Pelo menos a situação do senadorzinho foi exposta e constrangedora nos detalhes. Pelo menos pudemos rir das notas borradas, da cueca. Desopilamos um pouco nosso fígado.
Esses últimos dias, só de cabeça, lembro de ter visto na tevê a apreensão de um armário desses de ferro, grande, com três gavetonas forradas, repletas de dinheiro – notas de 100 reais arrumadinhas, esticadas, para caber mais; isso fora os pegos em outras operações, em flagrantes nas estradas, misturados com armas e drogas pesadas. Vi até notas sendo jogadas, às gargalhadas, na água, como brincadeira em festa de bandidos no mar, e por eles próprios filmadas. Não são pequenas quantias, são milhares de reais, dólares, euros, que essa gente é tão troncha e grosseira que nem em arte mais tenta investir. Gosta de ver a bufunfa.
Não nos admira o interesse e pressa em implantar a tal nota de 200 reais, com o coitado do lobo guará, que na realidade ninguém cuida, só queima. Foi tanta a pressa que esqueceram de detalhes como o do tamanho das notas que pode confundir os deficientes visuais. Até a tinta usada para essa nova nota laranja anda passeando fora da Casa da Moeda, o que ajuda na falsificação que já ocorre. Tudo muito mal explicado, como sempre.
É a nossa cara de otários que se estampa nas notas que poucos verão. Somos nós os vira-latas laranjas; nós, os brasileiros que ainda temos de aguentar as falas de um presidente e seu vergonhoso governo e equipe. Gente que parece não ter fim em pensar e promover retrocessos em todas as áreas. Que confunde a Nação com o galinheiro de suas ideias esdrúxulas, com seus atos e vontades a bel prazer.
Pior ainda é ver um povo tão necessitado e que se vende por tão pouco. Não entende que é uma obrigação do governo a ajuda em um momento de emergência como este. Ninguém está dando nada. Não é benevolência. É obrigação. A cada dia sabermos de mais e mais milhares, inclusive vários já milionários, que pediram e receberam, na maciota, o auxílio emergencial. Conheço – e você também deve conhecer – muitas pessoas bem pobres que precisaram, pediram, e tiveram o auxílio negado. Continuaram invisíveis aos olhos do Poder Público. E desabrigados da Justiça e suas cegueiras momentâneas.
Mas parece que sempre foi assim, e a política está cada vez mais sórdida, porque agora – agora, agora, exatamente, não, porque a bem da verdade também já tivemos um governo popular petista implantando bolsas para comprar seus próprios sapatos – tenta comprar votos e aprovação.
Aprovação logo de quem, de quem negou e nega a pandemia, as medidas, acaba com a maior operação já feita contra a corrupção no país, a Lava Jato, e bate no peito com orgulho disso. Um governo com vários “líderes” e operadores que de pijamas e remela nos olhos, cedinho, recebem a Polícia Federal na porta de suas casas. Casas essas com gavetas, caixas, malas cheias de dinheiro vivo, grosso e palpitante – quem sabe precisam para fazer a feira ou o mercado, umas comprinhas.
Por dinheiro, o povo parece fechar os olhos sem compreender o quanto o futuro do país está sendo comprometido. Abusar da necessidade premente de miseráveis, roubar dinheiro público, corromper, e ainda vir com moralismos, falando em Deus, família (e tem uma família especialista em usar dinheiro para pagar coisas bem grandes), até quando isso será suportado?
Fonte: https://www.chumbogordo.com.br
LUGARES
ATENAS - GRÉCIA
Junto à Praça Omonia de Atenas enconta-se Dromeas ("corredor", em Inglês), uma escultura de vidro e ferro com 12 metros de altura, criada em 1994 pelo artista Costas Varotsos. Tem a forma de um enrome corredor e lembra que a Grécia é o berço da maratona.
INFINITA HIGHWAY
Martha Medeiros
Histórias on the road sempre me cativaram, pois se há um lugar onde tudo pode acontecer é na beira de uma estrada. É quando estamos em movimento, com nossas trivialidades deixadas pra trás, a mercê apenas de emoções não programadas.
Histórias on the road sempre me cativaram, pois se há um lugar onde tudo pode acontecer é na beira de uma estrada. É quando estamos em movimento, com nossas trivialidades deixadas pra trás, a mercê apenas de emoções não programadas.
Se tiver um posto de gasolina ou um restaurante muquirana no meio do caminho, tanto melhor. Não é dentro do carro que a aventura acontece, mas nos pit-stops.
Há, em especial, duas histórias que nunca esqueço. Uma se passa no ótimo conto de Milan Kundera, O Jogo da Carona. Um casal de namorados sai de viagem, até que eles param para abastecer num posto. A garota vai até o banheiro e, na volta, faz para o namorado o clássico sinal de quem pede carona.
Ele entra na brincadeira: ao retomar a estrada, os dois tratam-se como se nunca tivessem se visto. A conversa entre os dois "desconhecidos" começa charmosa, divertida, mas aos poucos vai ficando tensa: eles passam a revelar uma nova faceta de si próprios, e terminam a jornada num enfrentamento pesado, como se realmente fossem dois estranhos. Uma viagem sem volta.
A outra história de estrada é a do filme Pão e Tulipas, em que uma dona de casa viaja em excursão com a família, mas é esquecida pelo ônibus num restaurante. A família segue sem dar falta dela, que fica sozinha, sem dinheiro e sem documentos, num local que não conhece.
Ela então resolve que esta é uma oportunidade imperdível para se reinventar: vai pra Veneza, adota outro nome e inaugura uma nova vida, em tudo diferente da que tinha.
É uma metáfora clássica: na estrada (em princípio, uma linha reta que une dois pontos) é que se pode descobrir que os caminhos desta vida são inúmeros e que podemos mudar de rota de uma hora pra outra.
Nos filmes e livros, isso acontece com frequência, mas fora das telas e páginas, o espírito de aventura não é tão elevado. Dias atrás aconteceu pra valer: um homem parou num posto de gasolina nos arredores de Pesaro, na Itália, e depois voltou para a estrada sem se dar conta de que havia esquecido a mulher, que tinha ido ao banheiro.
Ele rodou por 360 quilômetros na sua infinita highway, numa boa, enquanto ela, em vez de aproveitar a chance para criar uma nova vida onde sua presença fosse mais notada, chamou a polícia e foi no encalço do banana, que a esta altura já estava em Milão.
Era ou não o momento de dar o pulo-do-gato? A italiana poderia ter feito da sua história um poema, uma canção, um thriller, mas como isso exige inspiração e ousadia, tudo deve ter acabado apenas numa tremenda e infinita bronca.
Fonte: Facebook
Fonte: Facebook
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