sábado, 1 de janeiro de 2022

NUM MESMO GOLPE SÓ SE CAI UMA VEZ

NUM MESMO GOLPE SÓ SE CAI UMA VEZ
Ruy Castro

Escolha: o do WhatsApp, das revistas, da frigideira, do casaco italiano ou o do voto em Bolsonaro?

​O apresentador de televisão Ratinho revelou há dias que caiu no golpe do WhatsApp e perdeu R$ 50 mil. Não sei como funciona esse golpe, mas fiquei besta com a competência do bandido. Alguém capaz de aplicar um golpe de R$ 50 mil num sujeito safo como Ratinho deve ser um prodígio em seu métier. Imagino do que não será capaz com otários como nós —vai nos levar a cueca sem nos tirar as calças.

Pessoas bem próximas de mim já foram vítimas dos mais diversos golpes. Uma delas, senhora de 80 anos, caiu no golpe da assinatura de revistas. Começou quando, sozinha em casa, recebeu o telefonema de uma editora que lhe oferecia a assinatura de uma revista semanal e, de brinde, outra de receitas de bolo —bastava fornecer os dados de seu cartão. A dita senhora aceitou, deu os dados e passou a receber as publicações. Por ser assinante, as ofertas continuaram pelos meses seguintes —sempre uma ou duas revistas de brinde por outra que assinasse. E, como eram ofertas irresistíveis, logo estava assinando oito e recebendo 17 títulos, entre as quais revistas de economia, esportes náuticos e mecânica de automóveis.

Outro golpe é o do sujeito que aborda uma mulher na rua, diz-se vendedor ambulante de frigideiras e, como está voltando para casa, precisa se desfazer do que ficou sem vender. Oferece-lhe, grátis, uma delas e, se madame aceitar, estará perdida. Em poucos minutos, terá comprado todo o estoque de frigideiras.

Golpe semelhante é o do carro que pára ao nosso lado na calçada e, de dentro, sai um homem simpático e bem vestido que nos oferece, quase de graça, um belo casaco italiano. Repete-se a história do estoque que sobrou e, em minutos, já compramos o equivalente a um enxoval completo. Conheço alguém que caiu nessa em Paris —eu.

A vantagem é que, quase sempre, só se cai no mesmo golpe uma vez. A maioria dos que votaram em Jair Bolsonaro em 2018, por exemplo, já caiu.

Fonte: Folha de S. Paulo

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