domingo, 8 de novembro de 2020

O SUGADOR

O SUGADOR

Na minha idade as cáries já não se instalam com a freqüência dos anos dourados. Em compensação (?) inicia a fase de dentes trincados/quebrados. 

Pois me debatendo com uma pipoca mal estourada, quem cedeu foi o lado mais fraco - um molar.  Molares e pipocas fazem a alegria dos dentistas, diga-se de passagem.

Na hora agendada, acomodado naquela cadeira rodeada de temíveis instrumentos, mentalmente cogitei sobre a hipótese de ser dispensada a anestesia. Que nada! Sádico, o dentista aplicou a sua vingança diária contra a humanidade. 

Uma hora de boca aberta. Aí vem a segunda parte da vingança: só ele fala, e como fala!

Mas quando a "reforma" estava findando aconteceu o inusitado, ao menos para mim.

Aquele sugador de saliva resolveu investir contra umas glândulas acomodadas sob a língua e a dor que se seguiu mostrou-se incomparável com aquela da picada da anestesia. 

Com pequenos jatos de água e pinceladas de pasta anestésica, foi possível desgrudar o sugador, que teimava continuar mamando.

Passado o susto e também a dor eu comecei a rir, imaginando uma cena que o próprio dentista havia relatado como sendo seu protagonista.

Em sua primeira viagem de avião rumo à Europa, em dado momento ele necessitou aliviar suas tensões intestinais. 

Findo o serviço, na procura de material higiênico, inadvertidamente acionou a descarga do bacio, seguindo-se aquele som característico de tais compartimentos aeroviários.

O primeiro pensamento que lhe veio à cabeça foi calcular a força sugatória daquele diabólico dispositivo, tão próximo de algumas jóias balanceantes. 

Ele não entendeu o motivo das minhas risadas. 

(Publicado no Blog do Bianchi em 08/11/2020

FRASES ILUSTRADAS


sábado, 7 de novembro de 2020

BRINCANDO COM FOGO

BRINCANDO COM FOGO
José Horta Manzano

A ignorância beata de Jair Bolsonaro se somou ao oportunismo criminoso do ministro Salles para gerar uma clamor planetário em torno do desmatamento. A falta de modos de ambos levantou a lebre. Talvez não fosse o que pretendiam, mas conseguiram girar os holofotes internacionais para a violência com que estão incentivando a rápida destruição, em benefício de poucos, de um patrimônio que é de todos nós.

As queimadas deste ano – acidentais ou provocadas – chocaram o mundo. Ao redor do planeta, todos os cidadãos esclarecidos, ainda que residam longe do Brasil, sentem como se a própria casa estivesse pegando fogo. É sensação assaz desconfortável.

Bolsonaro perdeu o espírito crítico, se é que ele o teve algum dia. O homem se isola de toda crítica externa. Passa os dias mergulhado nas redes sociais trocando figurinhas com seus devotos. Dizem que o único canal ainda aberto entre sua bolha e o mundo exterior é o Jornal Nacional – emissão que ele odeia, embora ela não lhe faça oposição frontal. O isolamento do presidente alimenta seu alheamento. Enquanto isso, o mundo avança.

Lá fora, o mar não está pra peixe. Risco de reeleição de Trump, atentados terroristas na França, segunda onda de covid ainda pior que a primeira – o nível de humor do planeta anda próximo de zero. Constatar que Bolsonaro, um pequeno tiranete, taca fogo na mais importante floresta equatorial do mundo é insuportável. O contragolpe vem aí.

Ainda estes dias, Les Echos, jornal francês equivalente a nosso Valor, publicou artigo emblemático. Um grupo de importantes ONGs dedicadas à preservação da natureza juntaram forças pra pressionar o mundo das finanças. Em nota, informam que a soja brasileira está entre os principais fatores de desmatamento no mundo e que, com 50% do cerrado brasileiro arrasado, seu plantio já começa a invadir a (ex-)selva amazônica.

As ONGs estão pressionando os bancos para que cortem o financiamento dos grandes negociantes internacionais de grãos que contribuírem para o desflorestamento. Esses intermediários são conhecidos pela sigla ABCD – ADM, Bunge, Cargill e Dreyfus, empresas que respondem juntas por quase 60% do comércio internacional de soja. Juntamente com o membro mais recente do clube – o chinês Cofco International – estão sentindo a pressão e já estão se preparando para deixar de comprar soja proveniente de municípios brasileiros onde o desmatamento é mais forte.

O financiamento bancário, nesse campo, é pra lá de importante. Para o comércio de grãos, somente os bancos franceses bancaram empréstimos de 9,5 bilhões de euros entre 2016 e 2019.

O que está acontecendo é muito grave para o futuro da economia brasileira de exportação. O Brasil não é o único produtor de soja. Estados Unidos, Argentina, China e Índia, que também plantam essa leguminosa, estão esfregando as mãos. Assim que a pressão da sociedade nos países importadores estiver insuportável, os negociantes serão obrigados a agir de verdade. Em vez de ficar discriminando municípios brasileiros um a um, a solução mais comercial será boicotar o Brasil e passar a comprar dos outros produtores. Com os bancos fechando a torneirinha do financiamento, essa troca de fornecedores não vai demorar.

Esse periga ser o legado que o atual governo vai deixar. Atingirá em cheio os produtores de soja; e, de tabela, a economia brasileira como um todo.

Fonte: https://brasildelonge.com/2020/11/02/brincando-com-fogo/
Toda pessoa pronta para disputar a presidência dos Estados Unidos deveria, automaticamente, ser impedida de concorrer. (Gore Vidal)

LUGARES

LONDRES - INGLATERRA

SÍNDROME DE PROCUSTO

SÍNDROME DE PROCUSTO
(Artigo extraído do site VerkenJeGeest)

Síndrome de Procusto: Eu quero que você esteja bem, mas não melhor que eu

A síndrome de Procusto significa que as pessoas desprezam alguém mais talentoso ou qualificado do que elas. Eles discriminam e até os incomodam.

Há pessoas que nunca progridem ou fazem outros progredir. Eles são frustrados, mas mesmo assim se acham sempre melhores.

Talvez você tenha um nome em mente. Também temos que acrescentar que essa caricatura – infelizmente existente – tem sido uma grande fonte de inspiração para vários livros e filmes.

Eles são, em outras palavras, o antagonista clássico. No nosso trabalho, na sala de aula e na nossa família. E não estamos falando apenas de um “alpinista”.

Procustes:
“Se você é muito alto, vou cortar seus pés.
Se você se provar melhor do que eu, então vou cortar a sua cabeça “. – mito grego –

Mesmo que você não encontre a síndrome de Procusto em nenhum livro de diagnóstico e não tenha uma base médica, ela resume perfeitamente o que os psicólogos chamam de “comportamento cotovelo”. Ou seja: eliminar as pessoas mais brilhantes de maneira hostil e livrar-se da pessoa mais inteligente, puramente por intolerância e ego. Pois não há nada pior para eles do que de alguma forma ser superado, por menor que seja.

O mito de Procrustes
Mesmo que esse mito não seja muito conhecido, é sem dúvida um dos mais tristes e terríveis. Segundo a mitologia grega, o personagem era um estalajadeiro que dirigia uma taverna nas colinas mais altas da Ática.

Ele também ofereceu acomodação para viajantes lá. Mas sob este telhado amigável que trazia paz e conforto, havia um terrível segredo escondido.

Procrustes tinha uma cama onde ele convidava os viajantes a relaxar. À noite, quando dormiam, ele as amordaçava e amarrava.

Se a vítima era mais longa e seus pés, mãos ou cabeça saíam da cama, Procrustes cortava-as. Se a pessoa fosse menor, ele quebrava seus ossos para obter o tamanho certo.

Este personagem sombrio realizou suas ações arrepiantes por anos até que um homem muito especial visitou sua estalagem: Teseu.

Como já sabemos, este herói ganhou fama ao derrotar o Minotauro da ilha de Creta e se tornar o rei de Atenas.

Dizem que quando Teseu descobriu o que este sádico estava fazendo à noite, decidiu dar a Procrustes um biscoito de sua própria massa.

É daí que vem a expressão ‘cama de Procusto”, quando se trata de alertar alguém que possa ser vítima de de outra pessoa que não admite que ninguém seja ou pareça ser mais qualificada que ela em qualquer aspecto.

Como as pessoas com síndrome de Procusto se comportam?

Não há dúvida de que em nossas vidas diárias ninguém se comporta com a mesma violência que Procrustes. Mas o que vemos é a mesma agressividade oculta – nos esportes, na política, nos negócios, etc.

Todos sabemos, é claro, que as pessoas que têm os cargos mais altos em uma organização nem sempre são as pessoas mais capazes ou qualificadas.

Assim, quando uma pessoa brilhante, proativa ou criativa é capaz de derrotá-los, eles usam suas técnicas horríveis para tirá-los, humilhá-los e colocá-los em um canto onde eles não são mais uma ‘ameaça’.

Características das pessoas com síndrome de Procusto
  • Há pessoas que vivem com frustração constante ou que não têm controle.
  • Uma autoconfiança extremamente baixa ou excepcionalmente alta .
  • Eles são emocionalmente muito sensíveis. Quando eles veem que alguém está fazendo algo muito bem, sentem isso como um grave insulto.
  • Eles também tentam nos “vender” a ideia de que são muito empáticos, um jogador de equipe. Mas, na realidade, é apenas um grande ego e um modo de pensar rígido e extremamente hostil.
  • Eles vão monopolizar tudo. Sua competitividade tem apenas um objetivo: ser melhor do que todos ao seu redor.
  • Medo de mudança. Isso geralmente ocorre em modelos de negócios tradicionais.
  • Eles também emitem julgamentos irracionais. Por exemplo, se fizermos algo no trabalho que a empresa possa se beneficiar, eles verão isso como um erro, uma ideia totalmente inútil.
Uma pessoa com síndrome de Procusto usa toda a sua energia para limitar as habilidades de outras pessoas. Elas são assassinas de sonhos e esperança, manipuladoras psicológicos e mestres da agressão oculta.

Finalmente, devemos também acrescentar que eles manipulam as pessoas ou abusam de sua confiança para “colocar um fim” às pessoas bem-sucedidas.

Quando estamos cercados de pessoas difíceis, é melhor sempre “compreendê-las primeiro e depois administrá-las”.

“Toda pessoa se destacará em centenas de talentos e habilidades inesperadas simplesmente obtendo a oportunidade de fazer isso.”
– Doris Lessing-

Quando se trata dos piores casos da síndrome de Procusto, é melhor dissociar-se. Lembre-se de que o talento não combina bem com ameaças ou com um poder rígido e prejudicial.

“O comportamento dos cotovelos” vai muito além da simples competição . Quando se transforma em um ataque, quando seu chefe ou irmão faz tudo para humilhá-lo e derrotá-lo, feche a porta.

Finalmente, aconselhamos que você procure lugares e pessoas que lhe permitam abrir suas asas.

Nunca se deixe enganar pelos Procrustos em sua vida. Somos todos nascidos para se destacar, de que alguma maneira.

Fonte: https://www.pensarcontemporaneo.com

FRASES ILUSTRADAS


sexta-feira, 6 de novembro de 2020

UMA DÍVIDA FORA DOS PADRÕES

UMA DÍVIDA FORA DOS PADRÕES
Editorial O Estadão

Ministros brigam e o presidente brinca enquanto o mercado vê a dívida crescer

Dívida crescente e com prazo minguante é o novo normal das esburacadas finanças federais. O governo central enfrentará o vencimento de R$ 2,66 trilhões nos 12 meses a partir de 30 de setembro. Isso corresponde a 43,4% do total devido naquela data. No fim de 2019 os vencimentos previstos para este ano eram cerca de 30% do total. Depois vieram a pandemia e centenas de bilhões de gastos extraordinários. Para evitar juros maiores, o Tesouro Nacional vem aceitando redução de prazos para renegociar os títulos. Os R$ 6,13 trilhões de papéis federais em poder do mercado são 93,9% da dívida bruta do governo geral, formado pelos três níveis da administração mais o INSS. Esse valor global equivalia em setembro a 90,6% do Produto Interno Bruto (PIB).

Comparações internacionais são feitas normalmente com a dívida bruta do governo geral. No Brasil, essa dívida estará muito próxima de 100% do PIB no fim de 2020. Nos anos seguintes ficará pouco acima disso, devendo atingir 104,2% em 2024, pelas projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O Brasil está amplamente fora dos padrões, como estava nos anos anteriores. Também segundo o FMI, a dívida pública dos países emergentes e de renda média deve atingir 62,2% do PIB em 2020 e subir até 70,4% nos quatro anos seguintes. Na América Latina a média deve manter-se próxima de 80% nesse período, mas o número seria bem menor sem o peso do Brasil.

Antes da pandemia a equipe econômica havia planejado manter abaixo de 80% a relação dívida/PIB. Com a crise, a economia encolheu, a arrecadação diminuiu e os gastos cresceram de forma explosiva. Dívida bem maior seria um dos efeitos inevitáveis. Isso também ocorreu em outros países, de todos os níveis de desenvolvimento. Em dezenas de países de todos os continentes, o aumento de gastos só foi possível com a ajuda do FMI.

Em todo o mundo as despesas cresceram, assim como as dívidas, e o caso brasileiro só é excepcional por outros fatores. Em primeiro lugar, a relação dívida/PIB já era maior no Brasil que nos outros emergentes. Em segundo, as condições fiscais no País já eram muito precárias. Em terceiro, a economia brasileira estava emperrada antes da pandemia. Em quarto, o poder central, depois de ações positivas na pior fase da crise, parou de funcionar, enrolado em brigas e com o presidente concentrado em objetivos pessoais.

Diante da confusão em Brasília, as incertezas cresceram nos mercados. A confiança minguou, a instabilidade cambial aumentou e disparou a insegurança em relação à política fiscal e ao futuro da dívida. Nada mais natural que a dificuldade para renegociar os papéis do Tesouro.

Enquanto ministros e políticos trocam desaforos, as contas mostram os efeitos fiscais da pandemia e das ações emergenciais. Em setembro, o governo central teve déficit primário de R$ 76,2 bilhões, pelos cálculos do Tesouro, e de R$ 75,1 bilhões, pelo critério do Banco Central – BC (baseado na necessidade de financiamento). No ano, o Tesouro registrou saldo primário negativo de R$ 677,4 bilhões. Um ano antes o buraco havia sido de R$ 72,5 bilhões. O mesmo cenário indica um déficit de R$ 871 bilhões em 2020, cerca de 12,1% do PIB. Não se incluem juros nessas contas.

Um cenário mais amplo das finanças públicas aparece no relatório do BC. Somando-se os dados de todos os níveis de governo e das estatais (sem Petrobrás e Eletrobrás), chega-se ao total do setor público: déficit primário de R$ 635,9 bilhões no ano. Acrescentando-se os juros, obtém-se o resultado nominal, um déficit de R$ 888,5 bilhões em nove meses, valor correspondente a 16,7% do PIB. Um ano antes a proporção havia sido de 7,1%, já muito alta pelos padrões internacionais. Em 12 meses, o resultado nominal, um rombo de R$ 991 bilhões, bateu em 13,7% do PIB.

Qualquer governo com essas contas deveria cuidar muito seriamente de sua imagem perante o mercado. Um dia antes de sair o relatório do BC, ministros brigaram em Brasília, enquanto o presidente, no Maranhão, fazia piada homofóbica sobre um refrigerante local.

Fonte: ESTADÃO - 01/11
Quase todos os homens morrem de seus remédios, não de suas doenças. (Molière, dramaturgo francês, 1622-1673)

LUGARES

LAGOS ANDINOS

MR. MILES



UM DIA A IDADE CHEGA

Dear Miles (permita-me a familiaridade por também estar numa idade provecta), estava há tempos para te escrever, porém só criei coragem quando li seu último artigo sobre as andanças no Canadá de snowmobile.

Vejo que o amigo procura viver intensamente e por isso animei-me a pedir-lhe sugestões porque me identifico com quem apesar da idade tem o espírito jovem.

Pelo meu lado, aos 73 anos, saltei de paraquedas, aos 74 participei do Rally de Monte Carlo para Carros Históricos (nos Alpes Franceses em pleno Inverno), aos 75 mergulhei na Grande Barreira de Coral na Austrália, mas, desde então (estou chegando aos 78 anos) não tive mais inspirações sobre o que fazer para sentir novas emoções. E então, o que V. me sugere? 

 Tenho certeza no entanto, que você, como eu, só entra nessas aventuras com toda a segurança — afinal a idade cobra seu tributo e ainda temos muito para apreciar e por isso, não fazemos loucuras. Fico no aguardo de seus experientes conselhos.
João Eduardo Motta (nick name: Jeam), por email


Dear Jeam: fiquei muito agradecido por sua correspondência, embora discorde daquilo que você chama de provecta idade. Pelo que pude compreender, o prezado leitor ainda está vivendo o esplendor de sua segunda juventude e o que o torna ainda mais jovial é esse entusiasmado interesse em buscar novas aventuras e viver emoções ainda desconhecidas. 


O tempo, you’re right, cobra seu tributo. Lembro-me, vagamente, de que quando eu tinha a sua idade, já não me era possível remar com a mesma força de meu grande amigo Sir Steve Redgrave, cinco vezes campeão olímpico no remo olímpico, que, até hoje é considerado o maior atleta de nossas ilhas britânicas. Tampouco me encantei com o bungy jumping. Depois de apenas alguns saltos na Kawarau Bridge, em Queenstown, na Nova Zelândia, passei quase uma semana com uma leve lombalgia. 

O mundo, however, ainda oferece um sem número de aventuras adequadas a esta fase de sua vida, dear Jeam. Vou apresentar-lhe algumas sugestões com o intuito de inspirá-lo. Paragliding, for instance. Você não deve praticá-lo sozinho, como eu faço, porque, fortunately, já adquiri prática suficiente. Experimente, contudo, voar na companhia de um instrutor. Minha primeira experiência ocorreu nas proximidades de Annecy, numa porção dos Alpes que fica na Alta Savóia. Oh, my God! O silêncio absoluto dos céus, a sensação de voar, subindo e descendo ao sabor das correntes de ar, a paisagem que vira como um caleidoscópio à medida em que o instrutor vai fazendo curvas… Try this emotion, my friend. É tão seguro quanto possível. E, of course, inesquecível.

E que tal voar em um balão na reserva de Masai Mara, no Quênia? Sobrevoar, como Philleas Fog, a grande migração dos animais, uma extensa coluna de milhões de antílopes, gnus, zebras e girafas que caminham juntos rumo ao norte quando desaparecem as pastagens do sul. That’s wonderful!

E há mais, muito mais: velejar em um clipper no Caribe ou no Mediterrâneo: a mistura do prazer de um cruzeiro com a aventura de ser guiado pelos ventos. Cavalgar em comitiva nas águas do Pantanal. Flutuar numa canoa (mokoro) em Botswana…Sim, dear Jeam: ainda restam milhares de aventuras para jovens de sua idade. Não hesite em fazê-las as soon as possible. Se não, você sabe, um dia chega a idade e as coisas começam a ficar mais difíceis.

Fonte: O Estadão

FRASES ILUSTRADAS

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

O HOMEM QUE TODOS QUERÍAMOS SER

O HOMEM QUE TODOS QUERÍAMOS SER
Ruy Castro

Mas houve um momento em que ele próprio foi deixando de ser Sean Connery

Em fins de 1962, quando Sean Connery explodiu em "O Satânico Dr. No", poucos sabiam dizer seu nome. Chamavam-no de Sin —Sin Connery. O que, considerando-se o personagem que ele fazia (o duplo zero de 007 significava que tinha licença para matar), não era tão despropositado. Mas os mais cultos ensinaram: Sean pronunciava-se Xón —como em John, seu equivalente na Escócia, de onde Connery, inglês no filme, provinha. Sorte nossa ele não se chamar Seamus, outro nome popular em seu país —e que se pronunciava Xêimas.

Os fãs do diretor John Ford sempre souberam que Sean era Xon. Era o nome verdadeiro do cineasta, americano de origem irlandesa —Sean Aloysius O'Fearna—, e não havia nada sobre o cineasta de "Rastros de Ódio" (1956) que seus adoradores desconhecessem. Além disso, foi o nome que Ford deu a John Wayne, Sean Thornton, em "Depois do Vendaval" (1952), seu filme-conto de fadas passado numa Irlanda mítica. Impossível não gravá-lo depois de escutá-lo dito por Maureen O'Hara.

A morte de Sean Connery foi uma perda pessoal para muitos de nós. Todos queríamos ser Sean Connery; as mulheres queriam ter Sean Connery; e talvez o próprio Sean também quisesse ser Sean Connery. Como Cary Grant, ele pingava charme e elegância naturais, mas, segundo relatos, seu devastador James Bond foi uma criação de Terence Young, diretor dos primeiros filmes da série e que imprimiu ao personagem seu estilo pessoal.

Soube-se há dias que, nos últimos anos, Sean sofria de uma forma de demência senil. A memória se esvai, a pessoa deixa de se reconhecer. Para mim, é pior do que a simples e inexorável decrepitude física. É injusto que os pontinhos de luz comecem a se apagar, um a um, e que a maravilhosa malha do cérebro se torne um lugar escuro.

Eu me pergunto se haverá um momento em que a pessoa se vê no pórtico desse lugar escuro.

Fonte: Folha de S. Paulo

 A raça humana é governada por sua imaginação. (Napoleão Bonaparte, imperador francês, 1759-1821)

LUGARES

PAISAGENS SUÍÇAS

NÃO TROPECE NA LÍNGUA



CONCORDÂNCIA COM MIL E MILHÃO + PREFERIR

--- É correto dizer: “sobrou 1,86 milhão” (no singular)? Igualmente, é correta a frase: “foi processado 1,284 milhão de declarações” (também no singular)? Moacyr Medeiros, São Paulo/SP

Comecemos pelo numeral 1, o único que é singular: dizemos que 1 caiu, mas 2, 3, 10 caíram; sobrou um, sobraram dois ou três. Já o numeral milhão comporta-se como substantivo masculino, e quando o número antes da vírgula é 1, o verbo fica no singular, concordando com o núcleo do sujeito:

Sobrou 1,86 milhão. [um milhão, oitocentos e sessenta mil]

Se aí acrescentarmos um substantivo para especificar a quantidade, poderemos então optar pela concordância ou com o número (a) ou com o nome (b). Mas quando o verbo está antes do número, recomenda-se fazer a concordância com o número. Assim:

a) Sobrou 1,86 milhão de dólares. [= Sobrou um milhão, oitocentos e sessenta mil dólares]
b) Um milhão, oitocentos e sessenta mil dólares sobraram.

a) Foi processado 1,284 milhão de declarações.
b) Um milhão, duzentos e oitenta e quatro mil declarações foram processadas.

Observemos outras frases corretas que encontrei e anotei:

Foi gasto 1,5 milhão de cruzados na reconstrução da cidade.

Aproximadamente 1,5 milhão de reais foram gastos na recuperação do esgoto.

Estima-se que um milhão e trezentas mil pessoas foram atingidas pela seca.

Foi atendido um milhão de pessoas nas áreas de risco.

Foram atendidas 1 milhão e 800 mil pessoas.

Mais de um milhão de pessoas foram atendidas.

Constatou-se que um milhão de tomates seriam jogados fora.

Um milhão de árvores foram prejudicadas pelo furacão – exagerou o repórter.

Para se ter uma ideia, foi feito um milhão de novas contratações somente no período de 1980 a 1984 no setor público.

Um milhão de laranjas foi exportado para a Flórida naquele ano.

Um milhão de laranjas foram exportadas.

Dois milhões e seiscentas mil laranjas foram exportadas.

Com a quantidade de mil, a concordância verbal e nominal é feita com o nome que o acompanha:

Foram encontrados mil marcos antigos.

Mil pessoas foram salvas.

Foram respondidas ao todo duas mil e duzentas cartas.

Os dois mil ducados vistos no bolso do marquês eram fruto da corrupção.

REGÊNCIA DO VERBO PREFERIR

Preferimos os lugares mais à frente.

Prefiro chá a café.

O atleta disse que sempre preferiu sauna seca a banho turco.

Acho que prefiro sair a sentar tão longe. [formal escrito, coloquial tenso]

Acho que prefiro sair do que sentar tão longe. [informal, coloquial distenso]

O verbo preferir repele qualquer expressão que indique intensidade, como mais, muito, antes, mil vezes ("prefiro mais isso", p. ex.). Por analogia com a construção “Gosto mais de tênis do que de futebol”, costuma-se falar "Prefiro jogar tênis do que jogar vôlei", que é um modo mais eficaz de se comunicar e se fazer entender; contudo, essa é uma regência condenável do ponto de vista da gramática normativa.

Fonte: www.linguabrasil.com.br

FRASES ILUSTRADAS

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

VOCÊ SABE QUAL A DIFERENÇA ENTRE INVESTIR E POUPAR?

VOCÊ SABE QUAL A DIFERENÇA ENTRE INVESTIR E POUPAR?
Michael Viriato

Como cuidar do seu dinheiro, poupar e planejar o futuro 

O dia 30 de outubro marca a data em que se celebra o dia internacional da poupança. O nome remete à tradicional caderneta de poupança e muitos saíram em protesto a uma suposta comemoração desta. O foco na caderneta desvirtuou a razão de se celebrar o dia.

A comemoração se iniciou há quase um século pelo professor italiano Filippo Ravizza. A ideia era reforçar os benefícios que se pode atingir a partir do hábito de se poupar. As vantagens de se adotar esta atitude vão desde atingir um melhor padrão de vida e bem estar pessoal até trazer maior crescimento econômico para as nações que a incentive.

No entanto, ao longo do tempo, percebeu-se que simplesmente poupar não é suficiente.

Poupar se refere ao ato de guardar parte de sua renda mensal, seja ela proveniente de salário, pró-labore ou outras fontes.

Pare e reflita na seguinte questão. Qual o objetivo para seus investimentos?

A grande maioria não sabe responder.

Como disse Lewis Carrol em “Alice no País das Maravilhas”:
“If you don’t know where you want to go, then it doesn’t matter which path you take.” (Se você não sabe onde deseja ir, então não importa qual caminho escolha).
Entenda que dinheiro não deve ser tratado como figurinha, que se coleciona. Quando se tem figurinha repetida, você quer logo trocar. O fato de não ter um objetivo faz você se comportar da mesma forma com dinheiro. Acaba por cair em qualquer tentação que aparece, por exemplo, trocando seu dinheiro “repetido” por um carro novo, um novo celular ou pior, entrando em um financiamento.

Você costuma ouvir de um empresário ou empresa que eles pensam em poupar?

Não. O normal é eles dizerem que investem. Sabe por quê?

O ato de investir traz consigo o planejamento, objetivo, monitoramento e disciplina de se perseguir o plano.

Portanto, quando se tem um objetivo é possível criar um plano para atingir esta meta. Com um plano, torna-se factível o ato de se monitorar se as decisões estão levando ao resultado necessário. Adicionalmente, com uma razão clara em vista é mais fácil ponderar e não cair em tentações de consumo a que estamos expostos.

E agora, você ainda pensa em poupar ou vai começar a investir?

Fonte: Folha de S. Paulo
O homem que ouve a razão está perdido: ela escraviza todos aqueles pensamentos não suficientemente fortes para dominá-la. (George Bernard Shaw, dramaturgo irlandês, 1865-1950)

LUGARES

NAZARÉ - PORTUGAL