quarta-feira, 8 de março de 2023

NUM BARRACÃO 45 GRAUS

Ruy Castro

Em sua capa de fevereiro de 1962, criada por Glauco Rodrigues, a revista "Senhor" mostrava um arlequim estilizado –traços do chapéu, da máscara, da roupa de losangos– e a frase: "Ele vem aí". Mais nada, nem precisava. Era o Carnaval. Aquele número da "Senhor" trazia ficção por Isaac Bashevis Singer, humor por João Bethencourt, a poesia de João Cabral, grandes cartuns de Jaguar e altas prosopopeias de Paulo Francis sobre psicanálise. Nada disso mereceu chamada de capa. Ele vinha aí.

A imprensa carnavalesca do Rio tem 150 anos. Podem-se compor grandes antologias com seu material e, uma delas, de 1943, organizada por Wilson Louzada, era estrelada por Manuel Antonio de Almeida, Machado de Assis, Arthur Azevedo, Olavo Bilac, João do Rio, Dante Milano, José Lins do Rêgo, Marques Rebêlo, Lucio Cardoso, Rubem Braga, Jorge Amado, Jorge de Lima. Todos escreveram maravilhas sobre o Carnaval.

Mas esses eram os ilustres, que viam a festa de fora. Os verdadeiros cronistas do Carnaval eram os repórteres de 1900, que cobriam os clubes, ranchos e cordões, sentiam-se tão foliões quanto jornalistas e se assinavam Vagalume, Peru dos Pés Frios, A.Zul, K.K.Reco, K.Noa. Seus descendentes foram Lucio Rangel, Jota Efegê, Eneida de Moraes e tantos outros, que, cada qual à sua maneira, anotaram tudo que puderam.

O ideal é quando os eruditos vergam sua metodologia à suada realidade dos fatos. Foi o que fizeram Suetônio e Rachel Valença ao escrever "Serra, Serrinha, Serrano – O Império do Samba", publicado em 1981 e relançado agora (Record, 433 págs.), acrescido de 33 Carnavais. Aqui está tudo sobre o Império Serrano: seus homens, mulheres, cantos, ritmos, festas, lutas.

É uma aula, mas não só. É também uma história de amor, num barracão a 45 graus, entre uma historiadora –Rachel– e uma escola de samba.

Fonte: Folha de S. Paulo

FRASES ILUSTRADAS

terça-feira, 7 de março de 2023

A MORTE ENVERGONHADA

Eliane Brum*

A história humana pode ser contada pela maneira como cada sociedade, em diferentes períodos, lidou com a morte. O historiador francês Philippe Ariès escreveu uma das obras mais completas sobre o tema, primeiro num pequeno livro chamado História da morte no Ocidente e depois em dois volumes intitulados O homem diante da morte. “A morte no hospital, eriçado de tubos, está prestes a se tornar hoje uma imagem popular mais terrífica que o trespassado ou o esqueleto das retóricas macabras”, afirmou.

O psicanalista Rubem Alves deu um tom confessional à impotência do homem contemporâneo diante da medicalização da morte: “Tenho muito medo de morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo, contra a minha vontade, sem que eu nada possa fazer, porque já não sou mais dono de mim mesmo; solidão, ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte. (…) Muitos dos chamados ‘recursos heroicos’ para manter vivo um paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da ‘reverência pela vida’. Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: ‘Liberta-me’”.

Começamos a morrer no exato instante em que começamos a viver. E hoje estamos mais mortos do que estávamos ontem. Mas, neste momento, mais do que em qualquer outro período histórico, nós, homens e mulheres do Ocidente, vivemos a morte como uma experiência marginal. Ela se passa, de preferência, oculta dentro do hospital. E, quando perdemos alguém, nossa dor deve ser superada rapidamente, de forma asséptica como um procedimento cirúrgico, sem muito barulho e sem perturbar os amigos.

Pela lei, se perdemos um parente direto, temos direito a nos ausentar por três dias do trabalho. Quem casa, tem cinco. Quando nasce um filho, a licença é de 120 dias para a mãe. Como se chegou à conclusão de que três dias de luto é suficiente? Por que dois é pouco e quatro é demasiado? Seria o primeiro dia usado para enterrar o morto, o segundo para limpar os armários e o terceiro para chorar? E, depois, a vida continua?

“Hoje a morte e o luto são tratados com o mesmo pudor que os impulsos sexuais há um século”, escreveu o antropólogo britânico Geoffrey Gorer, em 1955, num ensaio chamado Pornografia da morte. A interdição do sexo, na era vitoriana, fora substituída pela interdição da morte no século 20. A morte teria se tornado obscena e feia e, portanto, deveria ser escondida. E o luto, circunscrito ao âmbito privado, passara a ser tão secreto e individual como a masturbação.

Tornou-se deselegante sofrer em público por algo tão de mau gosto como a morte. Com a desculpa social — fornecida pelos outros, não por nós — de que precisamos de solidão para lidar com a perda, nosso telefone para de tocar. Se sofremos além do período considerado socialmente aceitável, tornamo-nos um caso patológico. Os amigos mais queridos nos dão o telefone de um psiquiatra. O que nos falta não é um ombro humano, mas antidepressivo. Se morrer é inevitável, o melhor a fazer é evitar qualquer um que nos obrigue a pensar no assunto. “De algum secreto lugar me vem a força para erguer a xícara, acender o cigarro, até sorrir quando alguém me diz: ‘Você hoje está com a cara ótima’, quando penso se não doeria menos jogar-me de um décimo primeiro andar”, escreveu Lya Luft em O lado fatal, sobre o luto pelo seu segundo marido, Helio Pellegrino.

A morte só se torna um tema palatável, bem aceito em mesas de bar, quando se transforma em A lição final. Esse é o título do livro do professor americano Randy Pausch, morto de câncer pancreático no fim de julho (de 2008). Para ele, morrer era um fracasso. Lutar contra o tumor e não vencê-lo o colocaria num lugar inaceitável para a sociedade americana e para si mesmo: o transformaria num loser (perdedor). Randy superou esse impasse transformando o fim de sua vida num case de sucesso. Ele não pôde vencer o câncer, mas, naquilo que era essencial para ele e para a sociedade em que vive, vencera. Conseguira fazer de sua morte um best-seller internacional. É revelador da sociedade contemporânea que, depois de tanto silêncio, a morte comentada por todos seja justamente uma “morte bem-sucedida”, materializada num livro cujos rendimentos são medidos em milhões de dólares.

Randy nos fala de superação. Mas morrer é lidar com dois fatos intrínsecos à vida humana: impotência e falta de controle. Por isso, talvez, a morte tenha se tornado tão envergonhada. Ela nos lembra do que gostaríamos de esquecer. Em nossa época vende-se a ilusão de que é possível controlar com pílulas sentimentos tão intangíveis como a melancolia e a tristeza, prender a juventude à força de bisturis e cosméticos, prescindir da tradição e construir-se a si mesmo sem dever nada a ninguém.

A morte nos lembra que há algo de errado nessa equação. Podemos transformar o corpo, mas não evitamos que ele morra. Podemos decidir entre marcas na prateleira, mas não decidimos deixar de morrer. Podemos fazer nossas próprias regras, mas entre elas não está viver para sempre. A morte nos confronta com a questão fundamental de nossos limites.

*Eliane Brum, no livro “O olho da rua: uma repórter em busca da literatura da vida real”. 2ª edição. Arquipélago Editorial, 2017

Fonte: https://www.revistaprosaversoearte.com

Um matrimônio feliz é uma grande conversação que parece sempre demasiado curta. (André Maurois, escritor francês, 1885-1967)

LUGARES

LUCERNA - SUÍÇA

A Igreja Jesuíta de Lucerna, Suíça, é uma igreja católica. É a primeira grande igreja barroca construída na Suíça ao norte dos Alpes. A ordem jesuíta, fundada por Inácio de Loyola em 1534, participou ativamente da Contra-Reforma, a luta católica contra o nascimento do protestantismo. Wikipedia (inglês)

ROMANCE FORENSE

(Charge de Gerson Kauer)
Consulte também seu alfaiate!

Um operador jurídico sofria de dor de cabeça crônica infernal. Foi ao médico que, depois dos exames de praxe, disse:

- Meu caro, tenho uma boa e uma má notícia. A boa é que posso curá-lo dessa dor de cabeça para sempre. A má notícia é que para fazer isso eu preciso remover seus testículos. Eles estão pressionando a espinha, e é essa pressão que provoca a cefaleia.

O cliente levou um choque e caiu em depressão. Passou dias meditando. Com o beneplácito da esposa e o aval moral dos filhos não teve outra escolha a não ser submeter-se ao bisturi.

Quando deixou o hospital, pela primeira vez depois de meia dúzia de anos não sentia mais dor de cabeça. No entanto, percebeu que uma parte importante de si estava faltando. Para espairecer decidiu que viajaria sozinho a New York. Hospedou-se a Broadway e saiu a caminhar pela 5ª Avenida. Notou ser um homem diferente, mas que poderia ter um novo começo. Avistou uma loja de roupas masculinas de grife. "É disto que eu preciso", disse para si mesmo.

Entrou e pediu ao vendedor e arranhou o inglês:

- I wish, please, a very good new coat and new pants.

O vendedor, de idade avançada, na verdade era um experimentado alfaiate brasileiro, radicado há mais de duas décadas nos EUA, que deu uma olhadela, e falou em bom português:

- Vejamos... é um 44 longo.

O cliente riu:

- É isso mesmo, como é que o senhor sabe?

- Estou no ramo há mais de 40 anos - respondeu o alfaiate.

O operador jurídico experimentou o terno, que lhe caiu muito bem. Enquanto se admirava no espelho, o alfaiate perguntou:

- Que tal uma camisa nova?

O cliente nem pestanejou:

- Claro! Traga!

O alfaiate foi à prateleira e trouxe, direto, uma de algodão egípcio, 34 de manga, e 39 de colarinho.

O cliente pasmado:

- Mas, é isso mesmo, como pôde adivinhar?

- Estou no ramo há mais de 40 anos – repetiu.

O operador jurídico experimentou a camisa e ficou satisfeito. Enquanto andava pela loja, o alfaiate sugeriu-lhe:

- Que tal umas cuecas novas?

- Pode trazer meia dúzia.

O alfaiate olhou os quadris do cliente e lascou:

- É tamanho GG, levemente cinturado.

O cliente soltou uma gargalhada:

- Desta vez, te peguei. Uso o tamanho médio, tipo slip, bem cinturado, desde os 18 anos de idade.

O alfaiate sacudiu a cabeça negativamente:

- O senhor não pode usar cuecas pequenas, nem médias, nem de corte afunilado, porque elas vão pressionar seus testículos contra a espinha e essa pressão vai provocar no senhor uma dor de cabeça infernal. Será uma questão de tempo.

* * * *

Moral da história: experiência é tudo.

O negócio de médico é operar; por isso, consulte também o seu alfaiate...

Fonte: www.espacovital.com.br

FRASES ILUSTRADAS

segunda-feira, 6 de março de 2023

COMPARTILHAR UMA NOTÍCIA NAS REDES PODE PREJUDICAR NOSSO JUÍZO SOBRE SUA VERACIDADE

Clarice Cudischevitch*

Estudo mostrou evidências de que a própria dinâmica das mídias sociais, focada nas interações, pode propagar a desinformação

O ímpeto de compartilhar uma notícia nas redes sociais pode afetar nosso julgamento sobre a veracidade da informação postada, de acordo com um novo estudo publicado na Science Advances. Os resultados do experimento online, conduzido com 3.157 estadunidenses, foram apresentados nesta sexta-feira, 3, durante a Reunião Anual da AAAS (Associação Americana para o Avanço da Ciência, na sigla em inglês), a maior sociedade científica multidisciplinar do mundo, que acontece em Washington (EUA).

Investigando desde os algoritmos até o design, cada vez mais pesquisas buscam entender se o ambiente das redes sociais pode ter efeitos psicológicos que tornam os usuários mais suscetíveis a acreditar em conteúdos falsos. No caso do novo estudo, liderado por Ziv Epstein, doutorando no grupo de Dinâmicas Humanas do Massachusetts Institute of Technology, os autores procuraram avaliar se o mero compartilhamento de notícias nas redes reduz o discernimento das pessoas sobre a veracidade do conteúdo – e os resultados indicam que sim.

No experimento, os pesquisadores mostraram aos participantes manchetes e imagens sobre Covid-19 e política. Em seguida, fizeram perguntas sobre a percepção deles em relação à precisão do conteúdo, e se eles compartilhariam ou manifestariam algum tipo de engajamento com esse conteúdo nas redes.

Aqueles que indicaram que reproduziriam as manchetes e imagens se mostraram menos propensos a julgar se os conteúdos representavam fatos verídicos ou não – especialmente quando a pergunta sobre o compartilhamento precedia aquela que indagava se eles iriam levar em conta a precisão da informação.

Para os pesquisadores, a capacidade de julgamento dos participantes sobre a acurácia daquela notícia pode ter sido alterada pela mentalidade que surge da ideia de compartilhar conteúdo. Os usuários ficariam muito "distraídos" com outras razões que o levam a repercutir a informação e negligenciariam a precisão. "Não se trata apenas do fato de que as pessoas se esquecem de prestar atenção à precisão ao decidir o que compartilhar: sua capacidade de julgamento de fato fica pior quando elas também consideram o que compartilhar", afirmam os cientistas no comunicado por escrito.

As evidências encontradas podem ajudar no combate à desinformação nas redes sociais, já que elas, por sua própria natureza de interação, estimulam a disseminação permanente de conteúdos.

A propagação cada vez maior de notícias falsas em ciência e saúde é motivo de preocupação não só no Brasil, mas também nos Estados Unidos. Na quinta-feira, 2, foi apresentada, durante a Reunião Anual da AAAS, uma nova iniciativa: a Coalition for Trust in Health & Science, que reúne 50 organizações do país comprometidas em combater a infodemia atual de desinformação em saúde, assistência médica, saúde pública e ciência.

Um estudo de 2021 mostrou que mesmo uma breve exposição à desinformação sobre a vacina contra Covid-19 já era capaz de tornar as pessoas menos propensas a se vacinar, mesmo frente às estimativas de que a imunização nos EUA evitou mais de 18 milhões de hospitalizações e mais de 3 milhões de mortes.

*Clarice Cudischevitch é jornalista, coordenadora do blog Ciência Fundamental e gestora de Comunicação no Instituto Serrapilheira.

Fonte: Folha de S. Paulo
Convém desconfiar dos engenheiros. Eles começam pela máquina de costura e acabam pela bomba atômica. (Marcel Pagnol, escritor francês, 1895-1974)

LUGARES

VALÊNCIA - ESPANHA

Valência é uma cidade portuária que fica na costa sudeste da Espanha, onde o rio Túria encontra o Mar Mediterrâneo. Ela é conhecida pela Cidade das Artes e das Ciências, com estruturas futuristas entre as quais estão um planetário, um oceanário e um museu interativo. Valência também tem diversas praias, algumas delas no Parque Albufera, uma reserva pantanosa nas proximidades com um lago e trilhas para caminhada. ― Google

ÚNICO JEITO DE ESQUECER ALGUÉM

Fabrício Carpinejar
Fabrício Carpinejar 

Você não esquece virando as costas. Você não esquece fugindo. Você não esquece ninguém evitando encontros. Você não esquece apagando as fotos e excluindo os telefones. Você não esquece jogando fora os pertences. Você não esquece cortando o cabelo e os hábitos. Você não esquece trocando de personalidade e de emprego. Você não esquece mudando o percurso dentro da cidade, você não esquece nem mudando de país.

Você não esquece ninguém ao longe, distante, sem contato nenhum.

Você não esquece parando de pensar e de escrever. Você não esquece com paixões ou acumulando casos. Você não esquece desprezando conselhos. Você não esquece off-line. Você não esquece trocando a carência da saudade pela prepotência da mentira. Você não esquece omitindo nomes e recortando histórias. Você não esquece passando por cima da realidade e atropelando fatos. Você não esquece destilando ódio e rancor. Você não esquece arquitetando vingança e planejando respostas de conversas passadas. Você não esquece contando os dias de abstinência. Você não esquece fingindo desinteresse. Você não esquece dando de ombros, limpando os ombros, beijando os ombros. Você não esquece tomando ansiolítico e antidepressivo. Você não esquece fazendo greve de fome e de prazer. Você não esquece abandonando os amigos. Você não esquece forçando  amizades. Você não esquece adotando outras religiões.

A culpa não ajuda a esquecer. A maldade não ajuda a esquecer. A indiferença não ajuda a esquecer.

O único e verdadeiro jeito de esquecer é vendo de novo e não sentindo mais nada.

Fonte: Facebook

FRASES ILUSTRADAS

domingo, 5 de março de 2023

O DIABO NOS DETALHES

Pelas leis brasileiras, igreja satanista tem a mesma proteção dada às igrejas cristãs

"Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles." Essas são, a crer em Mateus 7:12, palavras de Cristo no Sermão da Montanha. Causa estranhamento, portanto, que autoproclamados cristãos se atrapalhem na hora de aplicar esse princípio, conhecido como regra de ouro. Eu me refiro especificamente a certas denominações evangélicas que cobram tolerância em relação à pregação contra homossexuais, mas denunciam como profanação o desfile de uma escola de samba que trazia um carro alegórico representando o Diabo.

Não sou totalmente insensível aos reclamos de evangélicos. Acredito nas liberdades de expressão e culto e acho que elas protegem inclusive o discurso do pastor americano David Eldridge, que veio ao Brasil para dizer que todos os homossexuais irão para o inferno, o que lhe custou um inquérito policial por homofobia. Como sempre digo aqui, um combate consistente aos chamados discursos de ódio exigiria censurar várias passagens da Bíblia. E, se há algo que jamais farei, é defender a censura a livros, antigos, modernos ou futuros.

É claro que a mesma lógica vale para discursos e enredos com elementos de que os evangélicos não gostam, como o Tinhoso e mulheres peladas. Vou um pouco mais longe. O Brasil não é muito bom em fazer leis, mas acertou na mosca quando estabeleceu que todas as religiões, independentemente de seu conteúdo teológico, estão em patamar de igualdade jurídica. Isso significa que, pelas nossas leis, uma igreja satanista, desde que não inclua em seu culto crimes como sacrifícios humanos, goza da mesmíssima proteção dada às igrejas cristãs.

E, se há alguém que não pode reclamar disso, são os evangélicos. Se a Constituição de 1891 não tivesse estabelecido, contra a hegemonia católica, a liberdade religiosa, a Assembleia de Deus de Silas Malafaia não teria por aqui aportado em 1911. O leitor que decida se esse seria um mundo melhor ou pior.

Fonte: Folha de S. Paulo

OURO ALEMÃO

Fernando Albrecht

E tem também a história do vendedor que se dizia ser de ouro alemão. Percorria o interior das cidades do Vale do Caí nos anos 1950 e 60 para vendê-los para os colonos.

O ouro era mais frio que gelo seco, o chamado ouro de tolo. Em meses, ficava preto.

Para evitar cobranças, evitava voltar ao local do crime. Mas uma vez se esqueceu e voltou. Assim que chegou na “venda” foi cercado pelos compradores mostrando a má compra.

Ele balançou a cabeça.

– Bem que eu desconfiava, ouro alemão não se dá bem com nosso clima.

Fonte: https://fernandoalbrecht.blog.br
Os infelizes são ingratos; isso faz parte da infelicidade deles. (Victor Hugo, escritor francês, 1802-1885)

LUGARES

CHAVES - PORTUGAL
A Ponte Romana de Chaves, também referida como Ponte de Trajano, localiza-se sobre o rio Tâmega, na cidade de Chaves, distrito de Vila Real, em Portugal. Encontra-se classificada como Monumento Nacional desde 1910. Wikipédia

MÃE: A GRANDE MISSÃO

Mãe, a sua grande missão é se tornar desnecessária para seus filhos*


"A boa mãe é aquela que vai se fazendo desnecessária com o passar do tempo". Ouvi esta frase de um amigo psicanalista e eu a compreendi no sentido de que "ir se fazendo desnecessária" é estimular a autonomia física, emocional, cognitiva e social da criança, por meio da educação maternal. Sim, é preciso reprimir o impulso materno de querer colocar a cria debaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos o tempo todo e para sempre. Uma batalha interna hercúlea, confesso.

Quando começo a esmorecer na luta para controlar a supermãe dentro de mim, lembro-me da frase, hoje absolutamente clara: "Se eu eduquei direito, tenho que me tornar desnecessária". Claro, porque ser desnecessária é não deixar que o "amor incondicional" de mãe, provoque dependências eternas nos filhos, a ponto deles não se desenvolverem como membros autônomos e produtivos de uma sociedade.

Deixe a criança fazer: ensine-a com paciência, elogie o processo e a estimule continuar até acertar

A criança filha de uma mãe que vai se fazendo desnecessária, é confiante, independente, capaz de pensar e agir por contra própria. Ela aprende a traçar o seu rumo, a fazer suas escolhas, a superar suas frustrações e não tem medo de admitir e arcar com as consequências de seus erros.

A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda e um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho. Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não para de se transformar ao longo da vida. Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo.

O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância e na divergência, no sucesso ou no fracasso, com peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis. Pai e mãe amorosos, que vão se tornando desnecessários, criam seus filhos livres e preparados para viverem num mundo sem eles. Esse é o maior desafio e a principal missão.

Ao aprendermos a ser desnecessárias contemplamos com orgulho o voo dos filhos para longe do ninho. Convenhamos, é muito chato uma mãe eterna no nosso pé…Precisamos reconhecer que os nossos filhos crescem, se tornam autônomos, e muitas vezes, mais sábios do que nós. Descobrimos que fizemos um bom trabalho, quando percebemos que estamos sendo dispensadas e desnecessárias. Lembre-se, muito melhor ser solicitada que "oferecida".

Observemos, de preferência à distância, o resultado da autonomia integral que estimulamos em nossos filhos e filhas. É hora de descansarmos, vivermos a nossa vida, cuidarmos de nós mesmas, nos respeitando e amando. E esse amor sim, deve ser incondicional.

*OBS: Este texto foi revisto e atualizado pelo Portal Raízes. Sua autoria é desconhecida. A imagem de Freud na capa se dá pela referência aos saberes psicanalíticos inseridos.

Fonte: https://www.portalraizes.com

MILLS BROTHERS

CARAVAN

FRASES ILUSTRADAS

sábado, 4 de março de 2023

CONHEÇA AS BALEIAS-CANTORAS E SUAS SINFONIAS MARÍTIMAS

Marcelo Duarte

Os animais fazem sons que percorrem todo o oceano, mas cientistas ainda não têm certeza do motivo da barulheira

Arrumando os armários de casa durante o Carnaval, eu encontrei toda a coleção das "Estorinhas de Walt Disney" (assim mesmo: "estorinhas" com "e"), que colecionei na minha infância. Faz tempo isso. O primeiro livrinho foi lançado em 1970.

A coleção teve um total de 48 volumes e todos vinham acompanhados de um disco compacto (que é aquele pequeno, com a história sendo contada dos dois lados). O mais curioso de todos é o livro número 40: "A Baleia Cantora".

A criativa história de Willie, uma baleia-cachalote que cantava ópera, foi lançada em desenho animado no ano de 1946, dentro de uma coletânea chamada "Música, Maestro!". Tudo isso para dizer que, como bom curioso, eu resolvi saber se as baleias cantam mesmo.

Sim, muitas espécies de baleias cantam!

Nunca as ouvi no Spotify... Que tipo de música elas cantam?

Elas emitem sons que se propagam por todo o oceano. As canções são constituídas por frases, chamadas temas, cantadas em longas sequências de repetição.

O canto difere entre as variadas populações de baleias que existem no mundo e mudam a cada temporada. Ou seja, de um ano para outro, uma baleia aparece com um trecho novo na canção.

As baleias cantam para quê, exatamente?

Aí é que está o mistério. Não se sabe ao certo qual é a verdadeira finalidade de todo esse repertório musical. Os machos gastam a voz provavelmente para atrair as fêmeas ou para afastar outros machos.

Qual é a baleia que canta melhor?

Uma das espécies que mais gosta de cantar é a beluga —tanto que os antigos navegadores a chamavam de "canário do mar".

Outra espécie que manda bem aí no "The Voice" da natureza é a baleia jubarte, que pode ser encontrada na costa brasileira (durante a temporada de reprodução, nos meses de agosto e setembro, elas dão as caras no litoral baiano).

As jubartes são conhecidas como baleias-cantoras.

Elas cantam sozinhas, em duetos ou formam grupos musicais?

Geralmente, os machos-cantores são observados sozinhos e, dependendo do local em que vivem, cantam músicas diferentes entre si. Por isso, os pesquisadores conseguem diferenciar baleias jubartes de lugares distintos.

Recentemente foram registrados cantos parecidos entre baleias jubartes da costa brasileira e da costa africana, principalmente do Gabão.

Isso levanta a hipótese de que, talvez durante a migração, os machos das duas diferentes populações tiveram a oportunidade de se encontrar e de trocar informações sobre temas, frases e canções pessoais.

Fonte: Folha de S. Paulo