quinta-feira, 4 de junho de 2020

DESTROS E CANHOTOS

DESTROS E CANHOTOS
Luiz Machado

Com freqüência leio por aqui comparações despropositadas com a postura de políticos de alguns países europeus. Não há comparativo, é outro universo, outra realidade. Há um abismo aí, mesmo quando se busca uma linha convergente entre esquerda e direita. O fato é que temos uma relação infantilizada com a política. Parece aquela coisa de herói/bandido com a plateia enlouquecida vendo a peleja sem considerar o motivo da encrenca.

Saímos de uma possível via rápida ao socialismo (e não há nada de errado com a esquerda, países como Portugal e Grécia saíram do buraco com um governo canhoto), quando o PT reinava sob a batuta absolutista de Luis Inácio, um dos maiores líderes que o Brasil já teve que orquestrava com medido esmero um projeto de poder eterno. Um cidadão que desperdiçou a oportunidade de fazer um governo efetivamente revolucionário do ponto de vista social e econômico. Tudo na mão, povo, poder e a caneta, mas optou pelo caminho periférico, criminoso. Por mais que tenha acertado na intenção de auxílio aos mais desafortunados, pecou na contrapartida com desvios de somas surreais, bilhões de patacos postos ao seu dispor e de seus ascetas.

Agora temos no poder o outro extremo. O despreparo, a arrogância, o desequilíbrio e também, claro, a bandidagem, com outro modus operandi. A relação infantilizada a que me refiro é esta encrenca entre Bolsonaro, fascista em formação e Luis Inácio, o esquerdista que nunca teve a pífia ideia de quem foi Marx ou Engels. E ficamos na platéia assistindo esta sandice, uma briguinha tola no pátio da escola para ver quem manda mais e logo ali, a escola em chamas, virando cinzas. O único argumento da esquerda é falar da notória, clara, visível e provável falta de preparo do Bolsonaro. O único discurso dos discípulos do Messias é colocar a culpa no PT. Não se tem uma discussão como uma gota de bom senso sobre assuntos de relevância a não ser a troca de farpas (daqui a pouco serão tiros, dos cidadãos do bem). O país está sem leme, sem rédeas, sem comando. Segura firme na proa. Joga a âncora.

Salve-se quem puder. O capitão se foi.

Fonte: Facebook

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